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sábado, junho 13, 2009

Santos da casa

Imagem Kaótica

José Mário Branco : Sant'Antoninho

Música: Jean Sommer
Letra: José Mário Branco
In: "Margem de certa maneira"
J.João

Meu Sant'Antoninho
onde te hei-de pôr
deixa-me limpar o pó
Meu Sant'Antoninho
dou-te o meu amor
com chazinho e pão-de-ló

Deixa a vovó apertar o nó [bis]

Pra voar mais vale ter uma na mão
e um cheirinho a naftalina no salão
e a filha do juiz
põe pozinho no nariz
e sapatos de verniz
pra ir à comunhão

Meu Sant'Antoninho
onde te hei-de pôr
fica do lado de cá
Meu Sant'Antoninho
meu senhor doutor
assina-me um alvará

com a caneta do teu papá [bis]

Foi a guerra que me deu a ilusão
de subir quando caí no alçapão
e a madrinha do polícia
pisca o lho com malícia
pra tentar canonizar
os pretos do Japão

Meu Sant'Antoninho
onde te hei-de pôr
para me lembrar de ti
Meu Sant'Antoninho
dá-me o teu tambor
e um lencinho de organdi

e uma medalha para pôr aqui [bis]

Eu a pôr flores de papel no teu jarrão
e o comboio a apitar na estação
já não o posso apanhar
fico aqui a descansar
meditando no mistério
da incarnação

sexta-feira, maio 15, 2009

O senhor engenheiro pode dormir descansado...

(clique para aumentar)

... que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo, enquanto tu dormes descansado a não pensar em nada...
(parafraseando FMI, de José Mário Branco)

... e até já temos euro manifestações!!!

CGTP e UGT na euro manifestação de Madrid

Sindicatos de 22 países iniciaram hoje três dias de protesto em quatro capitais europeias
14.05.2009 - 13h13 Nuno Ribeiro, em Madrid

A CGTP e a UGT participam hoje na euro manifestação de Madrid, uma iniciativa da Confederação Europeia de Sindicatos (CES) contra a crise e pelo emprego.

No desfile, que ao fim da manhã percorre o centro da capital espanhola, participam 50 mil sindicalistas de Espanha, Portugal, França, Itália, Bélgica, Turquia e Andorra. De Portugal, as duas centrais convocaram 1900 sindicalistas para as ruas madrilenas. “Fomos os primeiros a fazer manifestações conjuntas em Portugal no ano 2000, foi no Porto com 80 mil pessoas”, recorda, ao PÚBLICO, Manuel Carvalho da Silva, da CGTP. A seu lado, no Passeo de la Castellana, à porta do café Gijón, local de concentração da participação sindical portuguesa na euro manifestação da CES, está João Proença, da UGT. “A crise da globalização é a crise dos que defendiam menos Estado, não estamos perante uma crise de competitividade salarial mas face à crise do capitalismo sem regras”, observa Proença. Por isso, o dirigente da UGT considera ser “fundamental reforçar a dimensão europeia da luta dos sindicatos”.

“Estamos perante uma crise grave do sistema que, prolongando-se, se pode transformar numa crise da civilização”, adverte Carvalho da Silva. “A crise económica, financeira e de regulação está longe de estar resolvida, e falta ver os efeitos que vão ter as crises energética, de valores, e a ruptura com a natureza”, prossegue. Feito o diagnóstico, há outra certeza: “enquanto a proposta for de precaridade, desemprego, baixos salários e menos direitos não há saída para a crise”, sustenta o líder da CGTP.

“Pelo emprego”, lê-se em letras brancas sobre fundo vermelho, num dos cartazes das Comissões Operárias de Espanha. A cor que domina a emblemática Castellana é o vermelho, com os cartazes da UGT espanhola, da Force Ouvriére, CFDT e CGT francesas, dos italianos da CGIL e da CISL a desfilarem ao som do rufar de tambores e dos apitos. Entre as bandeiras dos países representados na primeira das quatro euro manifestações convocadas pela CES, a presença de algumas insígnias da antiga República espanhola.

Momentos antes do desfile, também em Madrid, José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, considerou numa conferência que os sindicatos têm um dilema. “Optar por uma cultura de confronto ou de negociação”, sublinhou. “Os sindicatos a nível europeu optam pela negociação”, responde João Proença. “Infelizmente, a Comissão Europeia tem falhado em estabelecer o diálogo social, pretendeu organizar uma grande cimeira de emprego que, afinal, se transformou numa simples troika”, lamentou o dirigente da UGT de Portugal. Uma falta adequada de resposta que levou ao protesto de Madrid e às manifestações programadas pelo CES para amanhã em Bruxelas e, no sábado, em Praga e Berlim. O que parece ser o início de uma nova fase reivindicativa.

“Estamos numa situação de continuidade, o poder económico e político esforça-se de dizer que a crise mudou a perspectiva do diálogo e da protecção social”, considera Carvalho da Silva. “Ainda não estamos no ponto de viragem, mas estas manifestações são um sinal da necessidade de mudança, de dar primazia ao emprego, de criar postos de trabalho para o desenvolvimento da sociedade e não para a acumulação de riqueza de alguns”, acentua. “As pessoas primeiro” é, aliás, uma das palavras de ordem da ofensiva da CES.

Um protesto de três dias em quatro capitais europeias que, para além da participação de centrais sindicais de 22 países europeus, congregou outras organizações. Em Madrid, a Aliança Espanhola contra a pobreza associou-se ao desfile, apoiando o fim dos paraísos fiscais e a erradicação da pobreza. “No Mundo, entre meados do ano passado e finais de Março de 2009, foi utilizada em pouco tempo a riqueza suficiente para multiplicar por oito os objectivos do milénio, ou seja mais de três triliões de dólares”, assegura o dirigente da CGTP. “Esta riqueza não teve efeito na estrutura económica nem no emprego, e os pobres no Mundo, durante este período, aumentaram em 50 milhões”, refere Manuel Carvalho da Silva. “Assim, podemos chegar ao fim deste ano com mais de 200 milhões de pobres”, conclui.


Bem, vejamos: se em Madrid, vindos de 22 países da Europa, eram 50 000 sindicalistas, e em Portugal, no ano 2000, com a CGTP e a UGT unidas foram 80 000 pessoas...
E se em 2008 só os professores fizeram manifestações de 100 000 e da 120 000...

... então, para o actual conceito da luta de classes: 50 000 sindicalistas europeus juntos em Madrid, têm mais peso do que 80 000 portugueses na rua unidos com as suas organizações sindicais, pois estas não voltaram a unir-se, como se dessem a unidade por ineficaz...
... a não ser na plataforma sindical dos professores, que conseguiu reunir 100 000 e 120 000 professores, que por sua vez valem bem menos para o governo do que 80 000 mil portugueses, ou do que 50 000 sindicalistas europeus.

Logo se estabelece a seguinte hirarquia:

SINDICALISTAS EUROPEUS
TRABALHADORES PORTUGUESES
PROFESSORES PORTUGUESES

Para estes governos não são os números que contam, quando toca à expressão democrática do protesto e do descontentamento. O que mais lhes importa é a que nível é que se fazem os protestos. Para que serve uma euro-manifestação? Para euro-institucionalizar as lutas dos trabalhadores. Por cá já tínhamos a agenda de festas da CGTP e as manifestações para tirar a pressão à panela; em breve teremos também que cumprir o calendário de festas da CES e da CSI, uma para negociar os pactos de estabilidade no seio da União Europeia; outra para fazer a concertação social ao mais alto nível, no quadro da Globalização. Entretanto os dirigentes sindicais falam e discursam em nome dos trabalhadores, lá longe pelas europas, enquanto os por cá os trabalhadores vão sendo despedidos em larga escala sem que as suas organizações sindicais se unam para defender o seu direito ao trabalho.
O senhor engenheiro e os outros podem dormir descansados pois haverá sempre quem se preste a segurar o sistema...
E enquanto os trabalhadores que julgam que têm milhares de gajos inteligentes a zelar pela defesa dos seus interesses, é melhor que acordem e que deitem mãos à obra nos seus sindicatos, nos seus postos de trabalho. Porque em breve saberão tanto do que se passa no seu euro-sindicato como nos centros de decisão das instituições da União Europeia.

ler também:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1380658
e:
http://www.fenprof.pt/?aba=27&cat=230&doc=4103&mid=115





segunda-feira, abril 20, 2009

preciosa ausência...

Foto de Lia Costa Carvalho (daqui)


Ontem vim aqui tarde e a boas horas apenas para colocar uma música do José Mário Branco nas Músicas de Abril: “Ser solidário”. Assim se completou o círculo do dia: à tarde o debate do PASSA PALAVRA sobre a luta dos professores e a defesa da escola pública; à noite uma irrepetível actuação de José Mário Branco, Camané e Dead Combo, no MusicBox. Vinha sem palavras. Talvez ainda continue sem palavras… preciosa ausência.

sábado, março 14, 2009

José Mário Branco (de novo)


Do Jornal Online

PASSA A PALAVRA

A revolução por dentro das palavras (de novo)

A acção (o que fazemos, como o fazemos) pode transformar a realidade. O pensamento permite-nos compreender a realidade e traçar caminhos para intervir nela. E o discurso (as palavras que usamos para comunicar com os outros) é o resultado dessas duas coisas: acção e pensamento.

Por José Mário Branco

Para tentar compreender a realidade concreta, o pensamento é obrigado a deslocar-se para o campo dos conceitos abstractos; de u

ma soma de factos particulares, tentamos extrair regras e relações gerais. Mas esta relação da abstracção com a realidade não é directa nem automática; não é garantia de rigor e, muito menos, de compreensão por parte dos outros. Neste processo podemos separar-nos facilmente da realidade se não formos aferindo o pensamento pelos factos objectivos que são o seu ponto de partida. Essa aferição tem de ser feita por outros meios, que não o pensamento abstracto - meios práticos (a nossa actuação), meios discursivos (a comunicação que é validada pelos seus dois lados, emissor e receptor) e meios éticos (que aferem o que dizemos pelo que fazemos, num sistema de valores). A importância do segundo destes aspectos, a comunicação, é muito fácil de identificar, pela negativa, na experiência dos grupos revolucionários em Portugal. Com ele se re

laciona a tendência para se pensar que toda a realidade corresponde à ideia que dela se faz, e concluir que basta enunciar regras gerais, palavras de ordem, meras construções mentais, para transmitir aos outros a sua pertinência e a sua justeza. É uma tendência de contornos esquizóides, na medida em que favorece a criação de pequenos mundos fechados e sectários. Quantas vezes nos acontece partilhar as mesmas ideias com outras pessoas e, no entanto, não haver entendimento entre nós, porque as palavras que usamos para definir essas ideias se tornam um obstáculo?

Uma vez, em 1975, durante o processo revolucionário a que os brasileiros chamam Revolução dos Cravos, um amigo meu, revolucionário comunista, foi desenvolver e organizar a luta política em Trás-os-Montes (interior nordeste de Portugal) onde, pensava-se, as pessoas estavam muito dominadas pelas ideias reaccionárias dos padres e dos caciques ex-fascistas. Foi para a região e, numa tasca de aldeia, pôs-se à conversa com trabalhadores do campo que ali estavam a beber e a conviver. Foi conversando sobre a vida “em geral” e lentamente, à medida que iam estando de acordo sobre as ideias simples (democracia, liberdade, justiça social para acabar com diferenças entre pobres e ricos), ele ia explicando “os nomes dos bois”: isto é o socialismo, aquilo é o comunismo, aqueloutro é a revolução, etc. No fim da conversa, um velhote virou-se para ele, e disse: “Essas coisas que nos explica são importantes; eu concordo com elas, concordo que a nossa sociedade devia ser assim… Mas há uma coisa que não entendo… Porque é que, a coisas tão bonitas, você dá nomes tão feios?” Para ele, os “nomes feios” eram as palavras “socialismo”, “comunism

o”, “revolução”. O que os separava não eram as ideias, as convicções, as aspirações para a sociedade, mas sim os nomes dados a essas coisas.

As palavras acima referidas, que para mim, correspondem ao interesse profundo das classes proletárias, foram (e continuam a ser) muito deturpadas pela propaganda dos senhores do sistema, que não querem que haja essas mudanças na sociedade, e também pelos erros e os crimes cometidos em nome dessas ideias.

A luta contra a propaganda do sistema é inevitável, faz parte da luta de classes. A propaganda do sistema só se pode combater com um contínuo trabalho de esclarecimento e educação política: libertar o espírito crítico das pessoas, encontrando palavras comuns para as ideias comuns. Mas esta contrapropaganda revolucionária de nada valerá se se limitar a uma luta de palavras contra palavras. Ela só ganha sentido na criação de factos objectivos - acção política - que façam a ponte entre a abstracção e a concretude, entre a subjectividade e a objectividade, entre o modelo e a prática.

O episódio do meu amigo em Trás-os-Montes mostra que não basta explicar as coisas verbalmente: os nossos interlocutores estão sempre, quer queiramos quer não, a relacionar qualquer disc

urso com a realidade factual da vida. Se cada um de nós não o fizer também, em vez de uma abstracção capaz de criar ideias novas mobilizadoras, caímos no enunciado vazio de “cartilhas” ideológicas extraídas e afirmadas a partir de uma aplicação mecânica dos dados da história política e da experiência própria. Isso nada tem a ver com a ferramenta crítica que Marx nos legou para nos ajudar a compreender a sociedade e a intervir na sua transformação.

Temos de ser capazes de provar aos outros, na prática, que os nossos actos e os nossos métodos de actuação estão de acordo com os grandes princípios que defendemos. Temos de mostrar que existe, desde já, nos nossos actos concretos, a capacidade de realizar - agora - algo que enunciamos como projecto. Isso depende dos métodos que utilizamos na acção. Os meus actos políticos não consistem na t

ransformação que proponho (p.ex. a revolução socialista). Os meus actos políticos são a forma de relacionamento e o processo de luta que utilizo: eles é que constituem, no presente e em si mesmos, o modelo social que preconizo no meu projecto revolucionário.

E aqui intervêm, também, o que chamo “meios éticos”, que enquadram a nossa acção num sistema de valores. Os activistas da revolução não conseguirão resultados palpáveis se não forem fazendo, na sua vida pessoal, aquela revolução a que aspiram para todos. Porque as palavras não são mais do que uma representação do mundo, material ou subjectivo. A acção (o que fazemos, como o fazemos) é que pode realmente transformar a realidade. O pensamento permite-nos compreender (tentar compreender) a realidade e traçar caminhos para intervir nela. E o discurso, sendo essencial para comunicar com os outros, é o resultado dessas duas coisas: acção e pensamento.

A luta pela democracia tem de ser uma escola de democracia; a luta pelo socialismo tem de ser uma escola de socialismo; a luta pelo comunismo tem de ser uma escola de comunismo; e a luta pela transformação revolucionária da sociedade tem de ser, em si mesma, uma transformação de cada um dos indivíduos que a desejam, uma espécie de antecipação dessa sociedade nova por que lutamos, até que este processo consiga atingir uma massa crítica de indivíduos capazes de tomarem nas suas mãos essa transformação. Tal não será possível enquanto houver, em nós, contradições entre estes três aspectos – acção, pensamento e discurso – porque as pessoas, com toda a razão, desconfiarão das nossas palavras e não se juntarão a nós.

Mas há ainda outro aspecto curioso suscitado pelo debate que provocam estas e outras temáticas: de que serve debater ideias se as ideias debatidas não forem postas à prova por quem debate? Tanta história, tantos livros, tantos jornais e revistas, tantas discussões - a grande acumulação das ideias sobre a experiência -, de que podem valer se não forem, todas e cada uma delas, confirmadas ou infirmadas numa prática presente? Muitas vezes, o debate de ideias, condição indispensável da mudança, é feito de tal modo que não passa de uma fuga à acção política, o que é conseguido através da falácia de considerar que esse debate é, em si mesmo, acção política. Seja por academismo, seja por que se tiram de vez em quando umas horas para “debater”, este tipo de debate ocorre sem qualquer confronto dialéctico com a prática, com a acção, com a luta de classes.

Um revolucionário devia abster-se de defender ou atacar uma ideia sem produzir argumentos alicerçados na sua acção prática.

Imagem em destaque tirada pelo fotógrafo Luís Pavão.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Se tudo correr bem aqui estarei mais logo!




José Mário Branco incita público a 'Mudar de Vida'


Música. Cantor/compositor apresenta pela primeira vez em Lisboa a canção que estreou no Porto em 2007. Os Gaiteiros de Lisboa são os convidados especiais de um espectáculo assumidamente político, que não deixará de oferecer a restrospectiva de uma carreira única

Músico tentou trazer canção a Lisboa há um ano

No dia 30 de Abril de 2007, o Porto ouviu pela primeira vez Mudar de Vida, a composição que José Mário Branco apresenta hoje e amanhã na capital. "Eu quis fazer este espectáculo em Lisboa há mais de um ano, mas não consegui financiamento", explicou. "Este convite da Culturgest permite-me apresentar cá esse tema, mesmo que o programa não seja exactamente igual ao que levei ao Porto".

Não obstante, a ideia central do espectáculo continua a ser a mesma. "Há uma critica ao que nós chamamos democracia parlamentar representativa, que não resolve os verdadeiros problemas das pessoas, limitando-se a redistribuir a riqueza em função de estratos, classes sociais, e elites que existem na política e na economia e se apoderam da riqueza produzida".

O cantor/compositor não quer, porém, "impingir uma receita política a ninguém", desejando apenas incitar as pessoas. "Se não gostam da vida que estão a viver têm que a mudar, que ela não muda sozinha se as pessoas não fizerem nada", lembra. "Começa-se nas pequenas coisas, pois tem que haver uma progressiva acumulação de forças para haver uma mudança geral na sociedade".

O músico não crê, porém, que seja possível alterar o actual sistema político, sem a movimentação das "grandes massas", descontentes com o actual estado do mundo. "Quando se fala em criar movimento político, em colocar em marcha as energias que há nas pessoas para mudar de vida, música como esta não resolve nada, a não ser do ponto de vista afectivo", continua. "É um oxigénio moral que se dá às pessoas".

No seu entender, esta atitude distingue o artista dos falsos "cantores de intervenção" que "dão um oxigénio contaminado para as pessoas se esquecerem dos seus problemas. É uma droga como outra qualquer, como todos os outros vícios desviantes da realidade". As suas canções, por outro lado, tentam "mobilizar as pessoas para serem sujeitos na sociedade, e não objectos".

É por isso que considera que "tudo é político, mesmo quando diz que não é". Este domínio da política sobre o quotidiano também está presente na canção apresentada hoje na Culturgest. "Um dos temas abordados no Mudar de Vida, é precisamente esse", concorda, referindo uma das frases mais marcantes do tema: "bem tentais não vos ocupar de política, mas a política ocupa-se de vós". Uma citação a Charles Montalembert - "um daqueles neoclássicos franceses" - incluída na canção.

"O Mudar de Vida é apresentado em três partes", refere. "Ouve-se no início - apesar de começar com um tema inédito que escrevi para Lisboa, intitulado Vamos Embora - depois no meio aparece outra vez, antes de fechar o espectáculo com o Mudar de Vida final". Pelo meio vão soar diversas canções retiradas do mais recente Resistir é Vencer (2004), mas também de outros registos, gravados desde a década de 70, e variando entre momentos abertamente políticos e outros mais intimistas.

"Gosto de revisitar os temas, porque os músicos, as condições e os estados de espírito nunca são os mesmos", reitera. Entre os temas reformulados será possível ouvir A Cantiga de Trabalho ou A Engrenagem, de 1973, ou mesmo Remendos e Côdeas, que se ouviu pela primeira vez no Disco da Mãe, corria o ano 1978. Para interpretar estes temas, o artista socorreu-se de um quinteto que o acompanha há vários anos, e inclui Carlos Bica, José Peixoto, Rui Júnior, Filipe Raposo e Guto Lucena.

De entre os músicos que actuaram na Casa da Música, em 2007, este são os únicos que visitam Lisboa, por limitações de orçamento. Agora, o cantor volta a colaborar com o quarteto de cortas que o acompanhou "nos Coliseus de há 4 anos", quando editou o último disco. As percussões tradicionais e os suportes corais cabem aos Gaiteiros de Lisboa, um grupo ao qual José Mário Branco chegou a pertencer. Os bilhetes já estão esgotados, mas a actuação será gravada, e a edição de um disco com a actuação não está posta de parte. (DN)

sábado, abril 26, 2008

Um texto imperdível para a juventude compreender como chegámos onde chegámos


Uma porra pá, um autentico desastre o 25 de Abril, esta confusão pá, a malta estava sossegadinha, a bica a 15 tostões, a gasosa a sete e coroa... Tá bem, essa merda da pide pá, Tarrafais e o carágo, mas no fim de contas quem é que não colaborava, ah? Quantos bufos é que não havia nesta merda deste país, ah? Quem é que não se calava, quem é que arriscava coiro e cabelo, assim mesmo, o que se chama arriscar, ah? Meia dúzia de líricos, pá, meia dúzia de líricos que acabavam todos a fugir para o estrangeiro, pá, isto é tudo a mesma carneirada! Oh sr. guarda venha cá, á, venha ver o que isto é, é, o barulho que vai aqui, i, o neto a bater na avó, ó, deu-lhe um pontapé no cu, né filho? Tu vais conversando, conversando, que ao menos agora pode-se falar, ou já não se pode? Ou já começaste a fazer a tua revisãozinha constitucional tamanho familiar, ah? Estás desiludido com as promessas de Abril, né? As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como o avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, né? E os da frente que se lixem... E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, ah?

Excerto do FMI, de José Mário Branco

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Cimeira do Pai Natal

(...) Cada um que se vá safando como puder, é mesmo assim, não é? Tu fazes como os outros, fazes o que tens a fazer, votas à esquerda moderada nas sindicais, votas no centro moderado nas deputais, e votas na direita moderada nas presidenciais! Que mais querem eles, que lhes ofereças a Europa no Natal?! Era o que faltava! É assim mesmo, julgam que te levam de mercedes, ora toma, para safado, safado e meio, né filho? Nem para a frente nem para trás e eles que tratem do resto, os gatunos, que são pagos para isso, né? Claro! Que se lixem as alternativas, para trabalho já me chega. Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti, se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia, se hás-de plantar tomate para o Canada ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso, se hás-de comer bacalhau só nos anos bissextos ou hás-de beber vinho sintético de Alguidares-de-Baixo! Descansa, não penses em mais nada, que até neste país de pelintras se acha normal haver mãos desempregadas e se acha inevitável haver terras por cultivar! (...) entretém-te filho e vai para a cama descansado que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante, enquanto tu adormeces a não pensar em nada, milhares e milhares de tipos inteligentes e poderosos com computadores, redes de policia secreta, telefones, carros de assalto, exércitos inteiros, congressos universitários, eu sei lá! (...)

terça-feira, setembro 04, 2007

Prémio Blog Solidário e um poema

Imagem retirada daqui

Dedico este poema ao João Rato

do blog Rei dos Leittões

que tão amavelmente atribuiu ao Pafúncio

o título honorífico de

Blog Solidário

Ser Solidário - José Mário Branco

Ser solidário assim pr’além da vida
Por dentro da distância percorrida
Fazer de cada perda uma raiz
E improvavelmente ser feliz

De como aqui chegar não é mister
Contar o que já sabe quem souber
O estrume em que germina a ilusão
Fecundará por certo esta canção

Ser solidário assim tão longe e perto
No coração de mim por mim aberto
Amando a inquietação que permanece
Pr’além da inquietação que me apetece

De como aqui chegar nada direi
Senão que tu já sentes o que eu sei
Apenas o momento do teu sonho
No amor intemporal que nos proponho

Ser solidário sim, por sobre a morte
Que depois dela só o tempo é forte
E a morte nunca o tempo a redime
Mas sim o amor dos homens que se exprime

De como aqui chegar não vale a pena
Já que a moral da história é tão pequena
Que nunca por vingança eu te daria
No ventre das canções sabedoria

domingo, julho 15, 2007

Foi você que pediu um Grupo de Bilderberg?


Illuminati Socretinum (Kaos)

Entretem-te filho, entretem-te, que há milhões de gajos inteligentes a pensar em tudo enquanto tu não pensas em nada

(cit. FMI de José Mário Branco)
para ler e ouvir todo o texto aqui

quinta-feira, junho 07, 2007

T-Shirt contribuinte - Já deu?


Qual é a tua, ó meu?
nesse peditório o pessoal já deu!

Na escola dos meus filhos há crianças que são deixadas pelos pais à porta da escola. Os pais têm cada vez mais apertados horários de trabalho. Há pais que têm que estar às 8 da manhã nos seus empregos e a escola só abre às 8:00h. Quer chova, faça sol ou vento, as crianças ali ficam sem ter onde se abrigar. A escola não pode abrir mais cedo porque o horário dos funcionários é entrarem às 8 da manhã. Estes funcionários provavelmente fizeram o mesmo com os seus filhos.

Na escola dos meus filhos há um conselho executivo que não quer pedir à câmara municipal de Oeiras que construa um abrigo para as crianças, dentro do recinto escolar, nem quer pagar ao funcionário da entrada da escola para estar mais cedo e abrir o portão às crianças para se abrigarem.

Na escola dos meus filhos há uma associação de pais que teve uma ideia: que bonito seria serem os pais a pagar o telheiro, construir-se o telheiro fora da escola e as crianças vestirem as lindas t-shirts da escola no dia da maravilhosa festa de fim de ano.

Sim, tudo seria muito bonito se as várias entidades dialogassem e cumprissem as suas obrigações de resolver os problemas das infraestruturas da escola, usando-as em benefício dos seus alunos. Se a associação de pais não estivesse desde sempre ao dispor do conselho executivo para lhe fazer todos os jeitos; se conselho executivo e associação não estivessem tão de acordo em que os pais é que devem pagar; se conselho executivo e associação não achassem que o lugar das crianças é do lado de fora do portão, à espera da abertura da escola com ou sem abrigo, cumpridoras.

Hoje, no portão da escola, anunciava-se a t-shirt contribuinte para usar no dia da festa. Eis a t-shirt tornada popular – o sonho de toda a criança, para vestir no dia da festa do final do ano.


Um dia ainda esta t-shirt lhes vai sair bem cara se nada fizermos!




quinta-feira, fevereiro 22, 2007

JP Simões - Vi e gostei!

Ontem acordei ao som de JP Simões. Era uma gravação ao vivo, para a Sic Notícias apresentar, como apresentou, ao longo desse dia. Vi de manhã, vi à noite e voltei a acordar de um leve sono, para o ouvir pela madrugada. E sim, eu sou de paixões assim arrebatadas pelos músicos que realmente me caem no gosto. Tenho paixão por Chico Buarque e, não posso deixar de ver com bom grado alguém do meu país a seguir-lhe as passadas. Nem é bem isso, porque não me parece que a personalidade se fique pela cópia, é mais uma influência forte confessada, uma muito boa influência, a meu ver. Não é a única. JP revela-se um excelente intérprete de José Mário Branco, outra das minhas velhas paixões, que mais do que nunca não pode ser esquecida. E tem outra coisa: JP não se coíbe de colher uma influência declarada da música brasileira, que eu tanto gosto, que tão bem lhe assenta. Quanto ao seu percurso, tenho gostado de tudo onde tem tocado: Pop Dell Arte, Belle Chaise, Quinteto Tati, Wordsong, e agora a solo.

“Gosto não é critério de vida!” – afirmou-me um dia um dos melhores professores que tive. Era, é, de facto um bom professor, um mestre capaz de formular mais perguntas do que respostas e de transmitir o conhecimento, e que conhecimento, das culturas clássicas. E tenho pena que ele tenha certa razão quando diz que não é critério de vida, mas nunca consegui concordar com ele totalmente porque a minha experiência de vida diz-me o contrário. Há vezes em que o gosto é critério e o uso e o abuso dessa minha intuição não me tem deixado mal, antes pelo contrário. Bom seria que pudéssemos exercer mais vezes e sobre mais coisas esse qualitativo critério de vida mas, pelo menos exerçamo-lo nas artes que aí ninguém no-lo pode tolher.

Nunca fui daquelas pessoas que apuram o seu gosto num sentido, o tipo de amantes da arte muito selectivos e compartimentados. Pessoas que dizem só gostar de X ou de Y, deste ou daquele género musical. Costumam dizer que tudo o mais não presta, obstinando-se em conhecer tudo e saber tudo sobre determinado artista. Fecham-se ao conhecimento de outros artistas, só têm ouvidos para o que já conhecem e decretaram ser o melhor.

Normalmente tenho os ouvidos e o coração bem abertos a tudo o que aparece. Ou gosto logo, muitas vezes sem fazer a mínima ideia de quem é o artista, ou não gosto nada e está o caso arrumado, neste caso dificilmente venho a gostar. Mas há coisas que são imediatas e às vezes basta uma voz, uma forma de cantar, para me encantar. Foi o caso de JP Simões: ouvir, ver e gostar. E, quanto mais vejo e oiço, mais gosto. Por isso ontem vi repetidamente as poucas músicas que gravou e soube-me sempre a pouco porque conheço bem todo o disco e queria ter ouvido todas as músicas. E, pela sua presença, cada vez sinto mais vontade de o poder ver ao vivo, o que ainda só aconteceu uma vez, no CCB, integrando o projecto Wordsong/Al Berto.

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