Mostrar mensagens com a etiqueta Marcelo Rebelo de Sousa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Marcelo Rebelo de Sousa. Mostrar todas as mensagens

domingo, setembro 20, 2009

Talvez daqui a dois anos a esquerda se entenda...


Caros

O Facebook de repente tornou-se inacessível. De rápido passou a lento, de tal forma que agora parece que os blogues estão muito mais rápidos a abrir do que antes. Sem dúvida ando aqui com problemas técnicos, que me fazem andar como uma enguia à procura de um meio de estar ligada à netoesfera.

Hoje, pela primeira vez de há anos para cá não fui a uma manifestação de professores. Nunca fui de acordo que os movimentos de professores pegassem numa bandeira de "Sou professor, não voto PS". Sempre achei que a Escola Pública se defende por dentro, nas escolas, com os professores a ter uma palavra sobre o Ensino.
Por isso desta vez não pude alinhar, não porque não ache que este governo PS causou muitos danos à escola pública, mas porque apelar a não votar PS, infelizmente significa admitir a vitória do PSD, sendo este o partido de direita mais forte, único capaz de conseguir ser eleito. O PS está neste momento colocado à frente nas sondagens. Se voltar a ganhar vai apertar o cerco aos professores, à escola pública, a todos os trabalhadores. Mas o mesmo irá acontecer se o PSD ganhar e pior ainda com o peso da postura de cariz salazarento, tenebroso, bolorento e bafiento. Não espero nada destas eleições. Apenas desejo que os partidos que se dizem de esquerda tenham juntos uma larga maioria. Tendo a concordar com o professor Marcelo quando diz que o próximo governo não durará mais do que dois anos. Nessa altura é preciso que a esquerda esteja organizada no sentido da governação do país. E não pode ser este ou aquele partido de esquerda. É preciso que entre toda a esquerda se estabeleça uma plataforma de entendimento capaz de propor uma alternativa séria ao sistema capitalista. E isso passa inevitavelmente pela capacidade de diálogo... e olhem que não me refiro aos dirigentes dos partidos que se reclamam de esquerda. Refiro-me às bases, ou, por outras palavras, à intervenção directa e ao envolvimento das pessoas nas questões políticas que as afectam. As decisões têm que ser tomadas por um colectivo consciente e interveniente.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Leis ocas, orelhas moucas...

«A lei que controla a riqueza dos titulares de cargos políticos prevê a entrega ao Tribunal Constitucional de uma declaração com a descrição dos rendimentos e património, bem como a participação em sociedades e os cargos sociais detidos. A lei determina que qualquer cidadão pode consultar as declarações, cabendo ao TC organizar a forma como a consulta pode ser feita. Os titulares de cargos políticos podem pedir a não divulgação pública das suas declarações "com fundamento em motivo relevante, designadamente interesses de terceiros".» (Público)

Esta é mais uma lei de cabo de esquadra, faz-me até lembrar a leitura da lei da interrupção voluntária da gravidez que Marcelo Rebelo de Sousa, glosado depois pelos Gato fedorento, fez, fizeram, qualquer uma delas de fazer rir até às lágrimas:

Os titulares dos cargos públicos têm que entregar uma declaração dos rendimentos e património ao Tribunal Constitucional?

- SIM!

- Mas se não entregarem acontece-lhes alguma coisa?

- NÃO!

- A lei permite que qualquer cidadão possa consultar as declarações?

- SIM!

- Mas as que não forem entregues não podem ser consultadas?

- NÃO!

- Os titulares dos cargos políticos podem pedir para não divulgar publicamente os seus dados?

- SIM!

- Então nunca podemos saber quem são os políticos corruptos. A lei não serve para nada?

- NÃO!

domingo, abril 22, 2007

Matéria Poética I: Cancioneiro Joco-Marcelino de Natália Correia VII

O Ambidextro

Da marcelíada o variegado herói,
nova gesta alfacinha o arrebata:
das ruas escalavradas se condói
e de enfermeiro da urbe veste a bata.
-----------------------------------------------
Noite fora, coluna massacrada,
olho ávido posto na eleição,
padre-operário da Lisboa esburacada
junta Marcelo gravilha e alcatrão.
-----------------------------------------------

Com uma das mãos, caritativo estro!
das ruas tapa os hórridos buracos;
com a outra, o maroto do ambidextro
esburaca o PSD para o pôr em cacos.
-----------------------------------------------
Arrepia-se Aníbal com o embuçado
tingido de escarlate Pimpinelo
e contra a mascarada solta um brado:
- Fora com o gajo que ele é foice e Marcelo!

segunda-feira, abril 16, 2007

Matéria Poética I: Cancioneiro Joco-Marcelino de Natália Correia VI

O Carochinha
---------------------------------------------------------------------
Dos voos de Marcelo, o transformista,
em doméstico dom repousa a asa:
farto de andar ao trapo e ser fadista
torna-se modelar dona de casa.
---------------------------------------------------------------------
Na modéstia exemplar dessa roupeta
- Ó eleitoral, virtuosa esfalfadeira
de ser dono da casa lisboeta! -
vai Marcelo às mercas na Ribeira.
---------------------------------------------------------------------
enche a dispensa, lava a roupa é cozinheiro,
cose a meia, faz tricot, varre a casinha.
Por fim, põe-se à janela e diz faceiro:
Quem quer, quem quer casar com a carochinha?

terça-feira, março 27, 2007

Matéria Poética I: Cancioneiro Joco-Marcelino de Natália Correia V


Marcelo até de Almeida
---------------------------------------------------------
Da cartola ofícios piedosos
tira Marcelo que em humilde mística,
do papagaio os bicos dolorosos
para carregar o lixo, mortifica.
---------------------------------------------------------
Vencendo o asco que ao menino bem
da vil lixeira o tremedal provoca,
vomita, mas a estrela de Belém
para à Câmara o guiar Marcelo invoca.
---------------------------------------------------------
Chorando pérolas amargas no chiqueiro
num andar aos papéis que não tem fim,
a Santo António da Lisboa milagreiro
Marcelo oferece o derreado rim.
---------------------------------------------------------
E em pungente epopeia camarária
do martírio fazendo nova Eneida,
proclama em santidade proletária:
não me chamem Marcelo, eu sou Almeida.

domingo, março 18, 2007

Matéria Poética I: Cancioneiro Joco-Marcelino de Natália Correia IV


Marcelo é Bom Bailarino

------------------------------------------------------------------

É entrar, venham ver a maravilha

Das variedades na feira marcelina!

E entre atracções à escolha a que mais brilha

É de Marcelo a fúria bailarina.

-------------------------------------------------------------------

Do tango ao rock do chá-chá-chá ao samba,

Dançando a valsa como quem flores pisa,

Baila Marcelo até na corda bamba

E os alunos de Apolo inferioriza.

--------------------------------------------------------------------

Topa, enfim, de cavaco o mafarrico

No dernier cri da dança uma golpada:

Rebolar-se no novo sassarico

Para no partido acabar tudo à lambada.

---------------------------------------------------------------------

quarta-feira, março 07, 2007

Matéria Poética I: Cancioneiro Joco-Marcelino de Natália Correia III


O Fado do Coveiro
------------------------------------------------
Das artes mágicas campeão audaz
Tira Marcelo da manga outra faceta:
Por su dama Lisboa, o Galaaz
Faz-se à viela e ginga à lisboeta.
------------------------------------------------
Calça à boca de sino e cachené
Ao marialva senil metendo inveja,
Fidalgo edil que canta para a ralé
O faduncho finório gargareja.
------------------------------------------------
Estremece Aníbal com o pardal fadista
Que aquilo é treino para o último regalo:
Escaqueirar o reinado cavaquista
E sobre a tumba, por fim, cantar de galo.
------------------------------------------------

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Matéria Poética I: Cancioneiro Joco-Marcelino de Natália Correia II

Batma(n)rcelíada

Sempre sôfrego do último modelo,
Pela batmania agora cego,
Deixa de ser taxista e eis que Marcelo,
Troca o volante por asas de morcego.
--------------------------------------------------
Batmaníaco bate Marcelo a asa
E, voando para o trono de Lisboa,
já em gula monárquica se abrasa
e ao PPM vai pedir a coroa.
--------------------------------------------------
Mas, ó vampírico afã de comer tudo!
Ao envergar de Batman o fato
Grossa partida prega-lhe esse entrudo
E mais parece Marcelo o Nosferatu.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Matéria Poética I: Cancioneiro Joco- Marcelino (1) de Natália Correia

Gentileza wehavekaosinthegarden

Marcelo e as Tágides
-------------------------------------------------

Marcelo, em cupidez municipal

de coroar-se com louros alfacinhas,

atira-se valoroso - ó bacanal!
-
ao leito húmido das Tágides daninhas. -------------------------------------------------
Para conquistar as Musas de Camões
lança a este, Marcelo, um desafio:

jogou-se ao verso o épico? Ilusões!...
Bate-o o Marcelo que se joga ao rio.

----------------------------------------------
E em eleitorais estrofes destemidas,

do autárquico sonho, o nadador

diz que curara as ninfas poluídas

com o milagre do seu corpo em flor.

-----------------------------------------------

Outros prodígios - dizem - congemina:

ir aos bairros da lata e ali, sem medo,
dormir para os limpar da vil vérmina

e triunfal ficar cheio de pulguedo.
-----------------------------------------------
Por fim, rumo ao céu, novo Gusmão

de asa delta a fazer de passarola

sobrevoa Lisboa o passarão

e perde a pena que é da galinhola.

------------------------------------------------

(1) In O Corvo, jornal de campanha eleitoral autárquica da Coligação por Lisboa. Nov/Dez de 1989.
Postado n' O Pafúncio em Março de 2006

Blog Widget by LinkWithin