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quinta-feira, março 05, 2009

AMEN

Foto daqui (ler notícia)

Sindicatos prevêem forte contestação social

JN

As centrais sindicais prevêem que 2009 possa ser marcado por elevada contestação social, por se tratar de um ano de eleições e por haver algum aproveitamento da crise por alguns empregadores que tentam reduzir as condições de trabalho.

CGTP e UGT consideram normal que em ano eleitoral aumente o tom das reivindicações, independentemente da crise económica em curso, tudo dependendo da postura assumida pelo patronato na contratação colectiva e do efeito das medidas governamentais pelo emprego.

"A CGTP já tem em curso um movimento reivindicativo em todo o país, cuja prioridade é a defesa, nos locais de trabalho, do emprego e dos salários", disse à agência Lusa Arménio Carlos, do executivo da Intersindical.

Para o sindicalista, este movimento tenderá a aumentar à medida que as negociações na contratação colectiva forem avançando.

"O movimento reivindicativo e de contestação social tenderá a aumentar no decorrer do ano, em defesa dos direitos laborais e do crescimento real dos salários", disse Arménio Carlos defendendo que o crescimento dos salários "é essencial para dinamizar o mercado interno pela via do consumo".

O sindicalista lembrou que a CGTP já marcou para 13 de Março uma manifestação nacional e os sindicatos de professores marcaram um cordão humano para 7 de Março.

"Estou convencido de que a contestação social não vai ficar aquém do ano passado, pelo contrário, tenderá a haver uma grande dinâmica de luta em defesa do emprego, dos direitos, dos salários e da contratação colectiva", afirmou.

Arménio Carlos admitiu que o facto de 2009 ser um ano de eleições "naturalmente influenciará" o nível de contestação social, que poderá concretizar-se através de greves ou manifestações e concentrações.

"Certamente que os trabalhadores não vão esquecer as promessas feitas pelo actual Governo que não foram cumpridas e não deixarão de lembrar isso, independentemente da crise", disse.

O sindicalista considerou que a crise económica só poderá condicionar a participação de trabalhadores de certos sectores em acções de luta através do medo.

"A implementação de uma ideia do medo, nomeadamente de perder o posto de trabalho, pode condicionar a participação em acções de luta, mas isto é a fragilização da própria democracia participativa", concluiu.

O secretário-geral da UGT também considerou que a crise económica não vai inibir a contestação social, podendo até contribuir para o seu aumento, dado que alguns patrões estão a aproveitar a situação para condicionar a contratação colectiva.

"Ou o patronato tem um comportamento responsável na negociação colectiva ou a conflitualidade social vai aumentar", disse João Proença à Lusa.

Mas, segundo Proença, a crise também está a levar ao aumento do desemprego, o que pode levar as pessoas a protestar contra a pouca eficácia das medidas governamentais pelo emprego.


Para o sindicalista as eleições que se vão realizar este ano também vão influenciar o aumento da conflitualidade social mas por "motivos politico-partidários".

"Ao longo deste ano vai haver conflitualidade social mas tudo depende da atitude do patronato e dos resultados conseguidos com as medidas que o Governo está desenvolver em defesa do emprego", disse João Proença.

Luta Social

quinta-feira, novembro 13, 2008

Dilemas de uma educadora

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"Pus todos os ovos na educação"

Sr. Presidente da Câmara de Fafe

Confesso que ontem, quando ouvi a notícia ao fim da tarde na TSF tive a seguir grandes dificuldades em manter uma postura digna enquanto educadora. Tivesse o caso ocorrido com uma professora anónima que fosse agredida numa escola por alunos munidos de ovos, eu teria feito um discurso de desaprovação aproveitando o incidente para ensinar aos meus filhos que o desrespeito por quem merece o nosso respeito é desprezível. Só que desta vez o caso era diferente: tratava-se de Maria de Lurdes, a tenebrosa ministra da educação, que a longo prazo irá comprometer com as suas políticas educativas o futuro dos jovens e que, começou por tramar toda uma classe profissional, dividindo-a e esgotando-a, ao querer aplicar aos professores - habituados a trabalhar em equipas - o mesmo modelo de estatuto da carreira que foi aplicado à função pública. Esta, já mais habituada a lidar com burocracias, não estranhou tanto, nem rabiou o suficiente, muito embora esteja em silêncio a enfrentar terríveis injustiças. A seu tempo voltarão à carga, unindo a sua luta à luta dos professores. Só que entretanto fecham a porta e vão para casa e os mais estóicos não pensam mais nisso até ao dia seguinte, enquanto que no caso dos professores depois de tantas leis absurdas, burocracias e reuniões, para além das desgastantes aulas, ainda os espera pela frente em casa, para além das famílias, preparar aulas, ver testes e pensar nas estratégias educativas a usar no caso da turma a ou b continuar a ter insucesso ou a portar-se mal. Quanto ao futuro dos alunos, Maria de Lurdes Rodrigues, de joelhos, para chegar a cumprir as taxas de sucesso esperadas pela União Europeia, não hesita em vir agora pedir desculpa aos professores, propondo-lhes que anuam em promover e usar o facilitismo a seu favor, falseando os dados se quiserem progredir na carreira. Ao mesmo tempo que lhes diz: temos pena mas o buraco da agulha é estreito e só alguns de entre vós poderão progredir, os outros são para ficar na cepa torta, embora um pouco melhor que os novos contratados: agora amanhem-se lá entre vós que o que é preciso é fazer, seja lá o que for, e de que forma for: simplifiquem, disse ela.
Quanto aos alunos não é realmente preciso avisá-los (embora fosse de louvar), para quê vir dizer-lhes que a escola se converteu numa balbúrdia do salve-se quem puder que atinge os próprios professores: eles já o sabem, estão lá dentro. Apercebem-se do facilitismo que converte a escola pública num local para êpater les enfants e, como eles não gostam de ser tratados como mentecaptos, acabam por se revoltar. Encerram-nos dias inteiros da sua juventude em escolas que não são pensadas para eles, muitas nem de uma sala de alunos dispõem; oferecem-lhes como espaços de permanência locais de betão, desabrigados e desconfortáveis, convidativos à violência e dizem-lhes: se mesmo assim tiveres insucesso ainda cá passas mais tempo.(aos papás albinos dá-lhes geito!). Retiram-lhes a liberdade de não ter uma aula quando os professores da turma faltam e impigem-lhes professores deslocados no meio de uma turma que lhes é estranha: mandam os professores substitutos para a cabeça do touro, encarados pelos alunos como intrusos gozáveis. A ministra veio hoje dizer que ao nível das contestadas aulas de substituição está tudo bem, afinal todos se adaptaram às novas circunstâncias. Mas é mais uma mentira. Ela nunca deu aulas de substituição e agora nem sequer pode sair mais à rua. Os miúdos não lhe perdoam. Os jovens não perdoam a mentira.
Por isso quando ouvi que lhe mandaram com ovos tive que me rir, porque tudo começa a ser risível de tão ridículo que se tornou este apego à mentira, esta obstinada teimosia dos nossos governates, que se contagia entre eles como uma praga que os há-de dizimar. E afirmei perante os meus filhos que de facto foi pena não se terem sabido conter: não terem esperado mais uns segundos para dar tempo a ela sair do carro e se aproximar de forma a atingirem em cheio o seu ridículo alvo.
Como educadora preocupada que sou, não posso deixar de condenar que se desperdissem ovos bons, com a fome que vai pelo mundo. Para a próxima atirem-lhe com tomates dos podres, porque ela é merecedora de toda a vossa indignação mas, como disse um dos estudantes: tivemos que usar o que estava ao nosso alcance.
Menos esperança tenho nos pais, e falo com conhecimento de causa pois tive oportunidade de constatar no terreno que existem mais Albinos do que se possa supor. Talvez, face à instabilidade instalada, ainda venham a compreender o que se passa na escola pública, nem que para tal seja mesmo preciso os professores tomarem a iniciativa de começar a alertá-los dando-lhes exemplos práticos, tão reais quanto ridículos e absurdos. E que sejam os seus próprios filhos a darem o primeiro passo na revolta contra um modelo de escola que abominam. Não se espere que sejam eles, pais, a se informar, pois são mesmo (ou principalmente) os que se julgam mais informados que, em consequência, são os mais desinformados, ou seja são aqueles que lêem os jornais e vêem os noticiários que a comunicação social mais procura baralhar e desinformar, voltando tudo ao contrário, dando demasiado ênfase à avaliação (porque sabem que eles pensam daquela forma bem portuguesinha: se eu lá no meu serviço estou a ser lixado com a avaliação, por que não hão-de os sacanas dos professores de ser também sacaneados?) e procurando esconder dos pais e dos cidadãos em geral que o que está verdadeiramente em causa é a destruição da escola pública e do futuro das novas gerações.
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