"Todo indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão."
e logo me vem à cabeça a pergunta: Explodir? Por que não EXPLORAR? Sou absolutamente pela ocupação das fábricas e dos postos de trabalho por parte dos trabalhadores ameaçados pelo despedimento sem justa causa. Haverá alguma moralidade em despedir pessoas, deixando-as sem qualquer perspectiva de presente e de futuro? E não me venham dizer que é a crise: antes do encerramento de cada fábrica, de cada empresa, é preciso saber qual a viabilidade e o interesse produtivo e estratégico para o país.
Os trabalhadores têm nítida consciência se uma fábrica/empresa é ou não viável e produtiva. Claro que não estou a falar da viabilidade com que os donos das fábricas/empresas argumentam. Ser viável não quer dizer que tenha que duplicar ou quadriplicar os lucros. Ser viável é dar emprego, assegurar a produção e não dar prejuízo.
Se o patronato é guloso e isto não lhe chega, então que os trabalhadores ameaçados de despedimento ocupem os seus postos de trabalho e levem o negócio para a frente. Tudo o que produzirmos cá, não compraremos lá fora!
Alguém me pode explicar por que é que na rua as pessoas assinam este apelo (http://www.petitiononline.com/Ndespede/) sem hesitação e aqui na Net tão poucos a assinaram?
Esteve (e está!) em vários blogues, foi amplamente divulgado por mail, com o link para assinar online (ou seja, não é uma questão de dificuldade ou de preguiça); por que será que as pessoas não o assinam online?
Será por os apelos e as petições online terem pecado por excesso e as pessoas estarem fartas ou não acreditarem na sua eficácia? Não deve ser pois ainda há bem pouco apareceu uma petição altamente discutível, que exigia a responsabilização das famílias pela violência permitida nas escolas e aquilo em pouco tempo ficou com centenas de assinaturas. Outra, que foi nitidamente feita na brincadeira mas que até eu mesma assinei, propondo o voluntariado na política, essa então foi um ver se te avias, tem reunidas imensas assinaturas com BI e tudo nos conformes.
Mas esta petição, que simplesmente toca no problema mais grave que enfrentamos neste momento: os despedimentos em massa - esta não passa disto. Será por as pessoas não quererem saber dos despedimentos dos outros? Será por que acham que os despedimentos e prosseguir com o desmantelamento do sector produtivo irão resolver o problema da crise?
Há dias encontrei um artigo bastante interessante sobre a eficácia/ineficácia da luta via Net. Referia precisamente o caso de uma petição que obteve imensas assinaturas num determinado lugar onde as pessoas usaram o sistema de assinaturas cara a cara; enquanto que, contra todas as expectativas, não conseguiu obter um número relevante de assinaturas via Net.
Debate sobre “Defesa da nação e direito de cidadania”
Há muita gente que se diz “de esquerda” e considera a defesa das nações como um acto reaccionário, pois associa essa defesa à defesa do “nacionalismo” – apanágio da direita.
Pelo contrário, os membros da RUE consideram que defender a nação enquanto tal – com todo o conjunto de direitos e conquistas que as lutas dos trabalhadores e das populações impuseram na respectiva legislação – é um acto progressista.
E colocamos a questão: Por que é a União Europeia – que não tem nada de “progressista” – ataca e colabora nos ataques às nações e às suas conquistas, opondo-lhes a defesa de uma legislação “supra-nacional” e a divisão de cada nação em “regiões”?
Um dos objectivos deste debate é contribuir para o esclarecimento destas questões.
Como uma primeira contribuição para o debate enviamos um texto recebido da camarada Ana Paula Amaral, que estabelece a ligação entre a questão da degradação económica e social – e, em particular, dos despedimentos, que afectam todos os países do mundo – e a necessidade de defender a nação.
Tirando como conclusão que só a classe trabalhadora está em medida de fazer essa defesa.
Debate: “Defesa da nação e direito de cidadania”
19 de Março (5ª feira) – 21 h 30 m
Rua de Santo António da Glória, nº 52 B, cave C, em Lisboa
Participa neste debate!
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A destruição da produção e o desemprego não são inevitáveis
Só no mês de Janeiro, inscreveram-se nos Centros de emprego portugueses mais 70 mil pessoas!
A questão a que é necessário responder é: isso era inevitável? É apregoado (pela propaganda oficial) que os despedimentos e o desemprego em massa são inevitáveis "por causa da crise mundial", havendo mesmo quem ponha em grandes “outdoors” a proibição dos despedimentos apenas nas empresas que têm lucros.
Mas será esta situação inevitável quando existe no mundo produção suficiente para matar a fome a toda a população mundial? Não é o próprio Banco Mundial que o diz?
Será “inevitável” enquanto todos os governos do mundo, incluindo o português, oferecem milhões do Erário Público para "salvar" banqueiros e especuladores.
É “inevitável” porque existem fortunas depositadas em paraísos fiscais e “offshores” (como na Madeira) destinados a proporcionar aos capitalistas "facilidades de investimento” (igual a desregulamentação do trabalho, benefícios fiscais, etc.).
É inevitável que a economia das nações, incluindo a nação portuguesa, seja – desde há mais de vinte anos – determinada por "quotas de produção" impostas pela União Europeia, que não são mais do que quotas de destruição da produção (destruição dos barcos de pesca, das laranjas do Algarve, do tomate do Ribatejo, destruição da agricultura e da produção nacional)? Não tem sido essa a lógica da "economia" da União Europeia e de todas as instituições internacionais como o FMI, o Banco Mundial, etc.?
E hoje, o que se vê? Continua a destruição da principal força produtiva, despedindo trabalhadores em massa, e extinção da actividade produtiva (encerramento de empresas). Afinal trata-se da mesma política económica de há décadas - destruição da produção, busca constante de lucros imensos na especulação, privatização de todos os sectores rentáveis - hoje mais brutal e visível aos olhos de todos?
Claro que existe um problema de consumo, pois se o desemprego aumenta não pode haver consumo, as mercadorias não se vendem, as fábricas são "obrigadas" a fechar, etc., etc. (este é o argumento principal dos aparelhos, e por isso dizem que a crise é "real"). Mas mais uma vez - isso é inevitável!? Não são os que lucram com esta inversão os responsáveis pela própria crise?
Podiam ou não os governos utilizar os milhões que apareceram "milagrosamente" para salvar os bancos (portanto, eles existem!) em planos nacionais de relançamento da produção e do consumo?
Poderiam governos verdadeiramente populares organizar a economia em função dos interesses da maioria, e não dos interesses dos patrões e dos especuladores? Não é isso que está a ser feito (mesmo que de forma parcial), por exemplo na Venezuela e na Bolívia, em resposta às extraordinárias mobilizações dos trabalhadores de toda a América Latina?
Os governos que aplicam as directivas dos banqueiros e dos capitalistas não são nacionais - pelo contrário, ajudam à destruição das suas próprias nações!! Os capitalistas fecham as empresas e deslocalizam para outro país, ou retiram o seu dinheiro dos bancos e colocam-no num qualquer paraíso fiscal...
Os capitalistas não têm outra "nação" que não seja o lucro e a busca constante das melhores condições de exploração - não se espere que sejam eles a defender os interesses de cada nação!!
Veja-se o que recentemente Belmiro de Azevedo disse acerca dos quadros superiores e especializados: estes deveriam começar a pensar em emigrar!
Quem pode salvar a nação, se não a classe trabalhadora com as suas organizações? A luta mais urgente para garantir o que resta da produção, no nosso país, é a luta pela defesa de todos os postos de trabalho e de todas as empresas (mesmo as que "não dão lucro"). Se não dão lucro é necessário tomar medidas: ver a sua contabilidade, intervencioná-las, financiá-las ou até nacionalizá-las, sempre que for do interesse nacional protegê-las e salvaguardá-las – sob o controlo de comissões eleitas pelos trabalhadores. Neste contexto, torna-se pertinente a nacionalização dos sectores estratégicos da economia!
Não foi assim que o país se reorganizou depois do 25 de Abril? Com a nacionalização dos sectores estratégicos e planos nacionais de investimento e produção, ao serviço dos interesses da maioria do povo? Quando é que esta forma de organização da economia se alterou? Após a adesão do país à CEE/UE. Quais são os resultados dessa política de subordinação a Bruxelas? Eles estão à vista...!
Não, nada disto é inevitável. É por isso que os sindicatos, comissões de trabalhadores e centrais sindicais têm a responsabilidade de assumir publicamente a defesa de todos os postos de trabalho e empresas (como está a ser feito em França), exigindo ao Governo o fim dos despedimentos e um verdadeiro Plano Nacional de relançamento da economia, ao serviço do povo - o que implica deixar de obedecer à UE, instituição que (está provado) apenas serve aos especuladores e capitalistas.
Todos os dias o Pafúncio é a página em branco que ouso preencher. Janela para outras janelas, porta para outras portas, vaga para outras vagas, outras ondas. Por vezes perco-me completamente, volto atrás ou deixo-me fluir. Descobertas e tormentas, cais vários onde ancoro e me deixo ficar a fruir. Ilhas, pequenas maravilhas que me vêm visitar e que revisito. Um turbilhão de mar e um vazio por vezes de não saber como dizer tudo o que é preciso dizer. Crises de tempestade. Encalhe. Naufrágio. Sobrevivo à custa de persistência de ir dizendo qualquer coisa que importe a alguém. E que essa coisa dita possa desencadear uma coisa feita.
Uma utopia é uma possibilidade que pode efectivar-se no momento em que forem removidas as circunstâncias provisórias que obstam à sua realização. (Robert Musil)
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