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sexta-feira, agosto 15, 2008

O tempo das melâncias

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Imagem daqui


A melancia é uma muito querida aberração da natureza. Ideal para o seu tempo – o Verão – ela conserva a água da terra, sendo um delicioso fruto refrescante e suculento. Ela é yin e yang: verde e vermelho, terra e água, peso e leveza. E ainda para mais todas as praias têm um suave odor a melância, trazido pelo vento, não se sabe de onde pois é raro ver gente na praia comendo melancia.

Um destes dias uns amigos trouxeram uma que devia ter cerca de 8 kg. Dividimo-la em duas enormes metades e nos saciamos até mesmo na praia. Água no deserto. Toda aquela areia e eis o oásis.

Gosto de coisas simples, como uma melancia, se é que melancias são coisas simples.

sábado, agosto 09, 2008

Maré fria

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Normalmente não me custa muito a entrar na água porque sei que é garantido que dentro dela me sinto bem. Dentro de água é a leveza; fora de água o peso. Na verdade sinto-me um peixe dentro de água, é o meu elemento e, por ironia do destino até sou do signo peixes, se é que isso tem hoje em dia qualquer significado, de tão deturpados têm sido os antigos ensinamentos astrológicos.

Hoje demorei mais tempo. A água estava mais fria. Aquilo também não é hora de se chegar à praia: já passava das seis da tarde e estava aquele ventinho que às vezes sopra no litoral. Estava à beira da água, ainda nem tinha entrado e já me sentia pele de galinha, a qual tem pelo menos a vantagem de disfarçar um pouco a celulite (já alguma vez alguém viu uma galinha com celulite?).

Teve que ser ao mergulho que aquilo de ir por partes já era arrepio a mais. Ah, mas não me arrependi nada. Passado pouco já estava em casa, instalada num maple de ondas (eles já me tinham dito: mãe, anda que estão as ondas que tu gostas). A água tem o poder de me deixar relaxada, sem qualquer tipo de tensões e a frescura é estimulante, ou seja o yin e o yang a um tempo, tratamento completo ao espírito e ao corpo, sem forçar.


quinta-feira, agosto 07, 2008

Maré de textos

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Imagem daqui

Podem até não acreditar mas eu ontem estive aqui, fiz um texto que era para ser curto, mas que foi crescendo e, depois de uma boa parte da noite a escrevê-lo, de repente perdi-o, desapareceu para sempre da rede, ou melhor nem nunca chegou a lá estar. É o que dá escrever directamente no bloguer e estando distraída, no meio de pensamentos, PUF! Desaparece tudo sem retorno. Claro que a reação foi desconectar o computador, desligá-lo e sair praguejando nunca mais.

Mas hoje cá estou, e afinal de contas o texto de ontem era sobre isso mesmo, chamava-se provisoriamente “férias e rotinas”, já estão a ver…

Era daqueles textos que estava mesmo a ficar esquisito, porque falava desde Bimbys ao problema do desemprego, de donas de casa em férias e até mesmo dos queridos visitantes deste blogue. Não chegava a ter uma página, mas quase, agora imaginem a embrulhada que era. Quanto à Bimby dizia coisas como ficar melhor nesta garagem do que um porshe à porta de uma barraca, comparando com a cozinha lá de casa e coisas assim, hoje sem sentido… Dizia também que a tecnologia tinha chegado aos meus dias (na cozinha) como às minhas noites (na blogosfera). Ainda hoje dei por mim a pensar se isto também terá a ver com o apregoado Choque Tecnológico… Lembrava ainda como as nossas vidas electrodomésticas estão próximas dos anos 50 do século passado, apenas com mais tecnologia e mais desemprego.
Pegava então na deixa para lembrar o estado de desemprego e como a mim não me faltava trabalho como mãe encarregada de educação dona de casa licenciada desempregada da era socretina dos anos dois mil da nossa era...

Hoje esse texto parece tão estranho… devo ser incapaz de o reproduzir, sai colado e mal colado. Na verdade hoje não estou para textos, como vinha acontecendo ultimamente. Gostava de ser capaz de insistir e prosseguir escrevendo à toa e de não me envergonhar depois, mas nem sempre isso acontece.

Como num dia somos capazes de nos soltar, dar largas à imaginação para ser ela a escolher as palavras, e logo no outro dia lá vem o peso e já as férias não são uma coisa maravilhosa. Para tal bastou levar um susto com uma avó, com uma mãe, o não é o melhor que pode acontecer nunca, quanto mais em plenas férias. Felizmente para já ela melhorou e está aqui em casa dormindo. Desta vez não era a fingir nem a exagerar, foi mesmo uma grande quebra de tensão arterial. E um enorme susto para todos aqui de casa.

As crianças não tiveram mais coragem de ir dormir nas tendas armadas no terreno da casa. Voltaram frustrados para casa achando-se medricas. E formam-se deitar tarde e a más horas. Depois de tudo isto é o esgotamento. Levar o pensamento para as ondas que faziam hoje na praia e a frescura do balanço da água do mar. Para finalizar ainda rebentou a junta de canos plásticos do lava-loiça. No armário debaixo tudo molhado. Toca a tirar tudo. Foi então que veio o cansaço do silêncio inexistente. Há dias assim que acabam connosco esgotados. Daí o refúgio aqui, para assegurar que desta vez o texto não se perde, que a ligação não termina e que tudo vai funcionar na perfeição, depois de um fora como o de ontem. Será um blogue mera teima?

domingo, maio 04, 2008

Hiper-Realismos da Sociedade de Consumo

Imagem daqui

«Eu não gosto do comercio pequeno por opção própria odeio conversa com pessoas que mal conheço adoro a anonimato dos grandes centros comerciais não tenho direito a fazer compras ao domingo?» (Comentário extraído daqui)

Oh meu caro amigo, claro que você tem todos os direitos do mundo, os deveres são para o povinho. Por que raio havia de um senhor como você de se ter que rebaixar a dar os bons dias ao Manuel merceeiro? Você é um executivo de sucesso, leva a semana inteira a bajular os superiores, ao menos ao Domingo que seja você a brilhar. Já o estou mesmo a ver: a sua Maria vem cá abaixo ao snack comprar-lhe o folhado de salsicha e o Record enquanto você se esconde mais um pouco debaixo dos cobertores. Ela chega, prepara-lhe o copo de Ice Tea em bicos de pés para não fazer barulho com os saltos altos não o vá incomodar e você mal ouve a porta do frigorífico logo se afunda mais nos travesseiros entregando-se mais ao sonho: ah, como aquele frigorífico está a abarrotar de coisas que você gosta! Lá vem a maluca que estava ontem no Elefante Branco, a mamalhuda. Traz-lhe um balde de gelo com o champanhe à cama e você fica de boca à banda a vê-la tratar do charuto com todos os requintes de malvadez. Nem lhe pergunta se quer, enfia-lhe o charuto antes que tenha tempo para falar e aproxima-se mais e mais e mais, tanta carne, e você sente-se sufocar sufocar sufocar. Acorda num rompante, a respiração ofegante, taquicardia da pior, e não vê a garina, nem o charuto, afinal tinha o almofadão em cima da cara, que horror. Ó MARIIIIIA!

A mulher entra no quarto, com o ar mais burro deste mundo, os saltos a fazerem um toc toc toc na cabeça do homem. Bom dia querido, chamastes? Trouxe-me o jornal? Claro que sim e o folhadinho já está a aquecer no micro-ondas. O homem atira com a roupa da cama, está agora de cuecas e meias pretas, horrorosamente nu à frente da mulher. Vai direito à casa de banho sempre de mau humor. Estava ele a sonhar com uma gaja tão boa e aparece-lhe este estafermo logo pela manhã, porca vida!

Leva o tabuleiro com os comestíveis em baixela de plásticos para a frente do televisor e bebe sôfrego uma golada de Ice Tea, tem a boca a saber a papéis de música da noite anterior.

Então querido, a que hiper é que vamos hoje?

Sim, hoje é Domingo, dia de irem ao hiper. A mulherzinha já só pensa em fazer figura ao lado do maridão, a encher o carrinho para as outras que lá andam cobiçarem. Olha, estás a ver, já fiz a lista das coisas que temos para comprar. O homem dá um relance e vê logo carradas de erros de ortografia, carradas de sacos cheios de ninharias para carregar para casa. Ainda bem que no hiper pode andar no anonimato!

Lá acabam por sair ambos para um feliz Domingo no hiper. À chegada uma fila de carros, o parque de estacionamento a abarrotar. A mulher ao seu lado não pára de falar mas ele já nem a ouve, está a pensar na melhor forma de dar o golpe do baú aos fundos do QREN e como será em breve fácil despedir aquele gajo que tem a mania que é mais esperto que ele. Dão voltas e voltas à procura de um lugar. Merda! O gajo à sua frente tem o carro que ele gostava de ter. Vira na primeira oportunidade. Ali está um lugar, afinal é um tipo de sorte! Um carro recua com perícia e habilmente come-lhe o lugar. Cambada de sacanas! Grita à Maria que abra o vidro para atirar impropérios ao outro: Filho da P… A loura platinada abre a porta do carro e atira com as mamas para fora da viatura. Reconhece-as. Como está, senhor engenheiro! Fica branco. Ao seu lado a mulher pede-lhe encarecidamente que a lembre de comprar aquele detergente que ela gosta, como é que se chama, o do anúncio, lembras-te querido, que branco mais branco não há. Por que não te calas? O homem volta a arrancar carrancudo. Quase risca o carro a descer mais um nível na rampa vertiginosa em caracol. Lá em baixo arranja um lugar. Dirigem-se em passo apressado, determinado para a escada rolante. A meio da subida cruzam-se, vejam bem, com o senhor Manel. A mulher cumprimenta-o efusiva. O homem atira-lhe um cumprimento superior. Como está o senhor engenheiro? Quase lhe adivinha a ironia no modo como pronuncia a palavra engenheiro. Os merceeiros irritam-no, sabem sempre o que não deviam saber. Finalmente entram no grande templo do consumo, a mulher fica com os olhinhos a brilhar, que emoção. Ele, nem por isso. Apenas sente a liberdade de poder estar ali a um Domingo, depois de tantos anos de regulamentações e centralizações, conseguiu-se os Domingos. Finalmente venceu a ideia liberalista que lhe permite comprar o que quiser, quando quiser, às horas que quiser. A liberdade de estar ali anónimo sem ser visto a carregar sacos e mais sacos ao lado da bronca da esposa. A liberdade que lhe dá o poder de compra, apresentar os cartões de crédito à populaça gulosa. De repente novo cumprimento, desta vez mais familiar: então ó Silva, nas comprinhas? Com está senhor engenheiro? Pior não podia ser: logo o chefe e bem acompanhado. Chatice, ele a querer passar o Domingo na liberdade do anonimato e todos lhe aparecem, logo o chefe. O hipermercado é agora um labirinto sem saída. Quem mais irá encontrar ao Domingo, no hiper?

sexta-feira, março 21, 2008

Sexta-feira de Paixão!


«Na rua, muitos cavalheiros com gravatas pretas fuzilam com olhares coléricos a minha herética gravata encarnada.»
(pai)

domingo, fevereiro 24, 2008

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Devaneios Carnavalescos I

Fumo activo

Sistema planetário deste mundo de cá

Fumamos no nosso pequeno mundo

Onde nenhuma ASAE se pode imiscuir

Onde nenhum governo nos diz o que não fazer

Onde nenhum decreto nos vem multar



Cada vez mais importante este nosso

muito nosso pequeno mundo nosso

Onde conseguimos ser ainda um pouco livres

Onde somos ainda um pouco nós



Aqui só fazemos o que nos apetece

só entra quem realmente acolhemos

não manda directiva europeia que não queremos

e quem mais ordena é o povo que somos

sábado, janeiro 12, 2008

Poemas das altas da madrugada

imagem daqui

Reticências

Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na acção.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!
Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre…
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir…
Produtos românticos, nós todos…
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura…
Santos Deuses, assim até se faz a vida!
Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente,
Rodinha dentada na relojoaria da economia política,
Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios,
A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma, como o silêncio da vida…
Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela,
Por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela,
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafísica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
Fitei de frente todos os destinos pela distracção de ouvir apregoando,
E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta,
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema…
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra…

Álvaro de Campos

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Reflexões de quem adormeceu no sofá

Quando o Louçã apareceu a dizer que o senhor Armando Varas tinha que tomar uma posição, só me lembrei daquela velha piada "ó homem, ou dentro ou fora, isso é que não é posição para um homem!" Mas também quem nos diz a nós que lidamos com "homens"? A mim parecem-me mais hienas que comem apenas os restos do que já está putrefacto.

terça-feira, janeiro 08, 2008

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Vida

Quantos deles...


Um ano novo traz tanta mentira quanta verdade

A passagem de ano é um mito de renovação

A Humanidade precisa dessa sensação

De mudança de poder começar de novo

Se renovar para a eternidade. Mas algo termina

Ali se despede da vida daquele outro ano

Que se foi para outra eternidade mais determinada

Por quê tanto contentamento, minha gente

Estamos todos mais perto do final feliz

Estoira o ano arde gente viva na igreja

E mais uma bala sai disparatada festa acabada.

A procura do divertimento a qualquer preço

Seja na bebedeira certeira seja no conforto do sofá

Basta-se por vezes frente à televisão programa

Colorido onde se assiste sem esforço à festa a ser telefeita

Briga-se com a desfeita e sai-se em busca de alegria nos outros

na dança e na bebida e no cigarro breve

Ela é que já não presta para sentir alegria

Cansada a Humanidade de se apagar quer naturalmente

se divertir a louca e acredita em todas as possibilidades

Nesse novo ano novo em que tudo vai mudar

Mas toda a mudança é lenta quando não é brusca

E a ressaca fará com que tudo volte à normalidade

Cansados de tanta inventamos os anos novos

Como se fossemos donos do tempo congratulando-nos

Por ver mais esse passar e um outro chegar

Bombardeia-se o ano novo com desejos

Quantos deles se hão-de converter em verdades

E em mentiras que se renovam cada novo ano?

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