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sexta-feira, maio 09, 2008

Felizmente para a senhora ministra há coisas mais importantes do que a saúde dos nossos filhos

‘‘Os pobres estão mais expostos aos riscos do amianto,
porque são os que utilizam telhas e caixas d’água de fibras de cimento’’
(veja aqui os riscos do Amianto)

Sim, infelizmente na escola dos meus filhos também existe um ginásio cujo tecto é feito de placas da Lusalite, contendo amianto. Sim, infelizmente fomos informados numa Assembleia de Agrupamento que a nossa escola é uma das 59% das escolas que o estudo do seu ministério refere. Sim, infelizmente a presidenta, que já se comporta como uma autêntica directora, lembrou-se que era o momento de abordar os representantes das associações de pais pedindo-lhes que levassem este problema para reuniões com a DREL e com a Divisão de Educação aqui do concelho. Infelizmente, chegou à conclusão que as associações de pais lhe serviam para alguma coisa: fazer pressão junto das entidades responsáveis para não ter que ser ela a tratar deste assunto pouco agradável. Infelizmente ia jurar que a senhora presidenta já sabia disto há muito tempo mas estava caladinha que nem um rato, pior: que nem uma ministra da educação. Infelizmente, comecei hoje logo pela manhã a ouvir a voz da ministra, num tom de voz absolutamente varrido pela estupidez. A tarada da sinistra, compenetrada do seu papel enquanto cúmplice participante da tramóia europeia, ficou uma fera de ser abordada com aquele assunto tão miserabilista, trazido para ali para um acontecimento tão importante em que um bando de paus mandados da União Europeia iam ouvir as instruções para aplicarem nas nossas escolas o plano diabólico da Cidadania. Por isso, tão convicta da sua missão, se abespinhou toda, esganiçando-se diante da jornalista que lhe perguntava o que tinha a dizer do relatório apresentado pelo seu ministério onde se referia a percentagem de estabelecimentos do ensino público onde as crianças são diariamente expostas aos efeitos cancerígenos do amianto. Mas, infelizmente, a ministra não quis comentar esta maleita. Infelizmente estava mais interessada em acompanhar os trabalhos da importantíssima conferência onde se ia tratar da introdução da disciplina da Cidadania nas escolas portuguesas de acordo com as exigências da União Europeia. Por isso não pude deixar de trazer para aqui a experiência dos espanhóis, nuestros hermanos para o bem e para o mal, o testemunho de um grupo de professores preocupados com a substituição no seu país da disciplina de Ética pela nova disciplina de Educação para a Cidadania, por directiva da União Europeia. Infelizmente é esta União Europeia que nos querem impingir! E ainda para mais com a agravante de sinistras placas de amianto dos anos 70 a pairar sobre a cabeça dos nossos filhos. Eis a vossa noção de futuro! Que ninharia é a saúde dos nossos filhos comparada com a vossa missão destrutiva! Em breve as nossas escolas também estarão minadas pelo cancro da vossa ideia de cidadania. O amianto dará cabo da saúde dos nossos filhos enquanto a vossa noção de cidadania lhes dará cabo da humanidade que ainda lhes resta.
(notícia da TSF para ler e ouvir aqui)

Noções de cidadania de acordo com a União Europeia


A Destruição da Educação em Espanha

Intervenção feita, por um delegado espanhol,

na Conferência Operária Europeia

pelo “Não” ao Tratado de Lisboa

(realizada em Paris, a 2 e 3 de Fevereiro de 2008)

Companheiros de toda a Europa, o colectivo de professores de

Trabalhadores e Jovens pela República (TJR), constituído em

Madrid, decidiu contribuir com esta comunicação à

Conferência Operária Europeia para dar a conhecer aos

companheiros a situação específica da educação em Espanha,

reflexo das directivas rumo à privatização que nos chegam de

Bruxelas.

A principal consequência da adaptação do ensino, a todos os

níveis, às necessidades imediatas do mercado (necessidades da

sociedade, como lhes chamam, eufemisticamente) tem sido a

sua destruturação, também a todos os níveis, cujos detalhes

passaremos a expor.

A privatização dos ensinos infantil, primário e secundário

(quer dizer, os ciclos da educação obrigatória em Espanha)

surge determinada por um modelo de acordos, que consiste no

financiamento público de centros privados, quer sejam

creches, colégios ou institutos. A recentemente aprovada Lei

Orgânica da Educação (LOE), que regula estes subsídios,

possibilita e incentiva o desvio de fundos públicos para centros

privados, ao entender que o Ensino já não é um serviço

público, mas um serviço de interesse geral, cuja

responsabilidade já não recai exclusiva nem principalmente

sobre o Estado. É tão grave e alargado o processo de

privatização da escolaridade obrigatória no nosso país que,

para dar apenas um exemplo, na Comunidade de Madrid,

governada pelo sector mais reaccionário do Partido Popular,

das novas vagas oferecidas no ensino secundário para o ano

lectivo de 2007/2008, só uma quarta parte corresponde a

centros públicos, e os outros três quartos pertencem a centros

privados e semi-privados (quer dizer, privados financiados

com fundos públicos). O colectivo de professores de TJR

iniciou diversas campanhas em defesa da Educação pública,

científica, laica e de qualidade, e entre elas encontra-se, como

eixo central, a exigência da revogação da LOE, que se focaliza

na privatização do ensino e permite aberrações como a que

ocorre na Comunidade de Madrid que acabámos de expor.

Submeter o Ensino secundário às necessidades mais imediatas

de um mercado em contínua flutuação leva à destruição da sua

estrutura e à redução dos seus conteúdos. Deste modo, as

disciplinas tradicionalmente fortes (Física, Química, Biologia,

Geologia, Matemática, Geografia, História, Língua, Literatura,

Filosofia) vêem os seus conteúdos limitados, reduzem-se

sistematicamente os seus horários lectivos e a sua importância

dentro do plano de estudos. Assim, por exemplo, as disciplinas

de Língua e Literatura, tradicionalmente separadas, convertem-

se numa só disciplina, o que implica necessariamente a

redução dos seus conteúdos. O caso da Física e da Química

ainda é mais dramático, pois convertem-se em matérias

facultativas da opção científico-tecnológica do bacharelato.

Em troca, surge uma nova disciplina, obrigatória para todos os

ramos do bacharelato, denominada “Ciências para o Mundo

Contemporâneo”, na qual se ensinará aos alunos,

entre outras coisas, “o uso racional dos

medicamentos”, “os estilos de vida saudáveis”,

“as catástrofes naturais”, Internet, ADSL,

telefones portáteis, GPS, etc., em detrimento dos

conteúdos próprios de duas ciências fortes como

são a Física e a Química.

Igualmente, perante a insistência da União

Europeia, aparece no Ensino secundário uma

nova disciplina denominada “Educação para a

Cidadania”, cujo único objectivo é a doutrinação

ideológica dos alunos pois, como se se tratasse

de um catecismo laico, pretende exaltar os

supostos valores da Constituição Espanhola e da

União Europeia, afastando toda a possibilidade

de analisar criticamente esses ditos valores.

Como exemplo, e de acordo com o objectivo

desta disciplina, há a acrescentar que

recentemente os institutos receberam, do

Ministério da Defesa, CD-Roms nos quais se

incentiva os departamentos a incluir no

programa da referida disciplina um tema onde se

fale das bondades do nosso exército nas suas

missões de paz no estrangeiro, sob as ordens do

mandato dos EUA, camuflados por detrás da

ONU ou da NATO. Nesta nova disciplina, como

na novela de Orwell (1984), a guerra é a paz. É a

forma crua encontrada pelo governo de obter

novos soldados que morram ou que matem – no

Líbano, no Afeganistão ou no Kosovo – para

fazer frente às graves dificuldades de

recrutamento que enfrenta a profissionalização

do Exército. O aparecimento desta nova

disciplina surgiu em detrimento da antiga

disciplina de Ética, cujo papel no ensino

secundário será meramente testemunhal, e da

antiga disciplina de Filosofia que, por um lado,

vai ver reduzido o número de horas dentro do

bacharelato e, por outro lado, vai ver os seus

conteúdos seriamente reduzidos, pois

desaparecem todos os temas relacionados com a

metafísica e a filosofia da ciência, ficando

apenas aqueles temas que se referem à filosofia

política, e – mais a mais – orientando-se para

uma possível legitimação acrítica da ordem

existente. O colectivo de professores de TJR

iniciou uma campanha em defesa da Filosofia e

da Ética, considerando estas disciplinas como

necessárias para a formação crítica dos alunos

enquanto cidadãos independentes e autónomos.

sexta-feira, abril 04, 2008

Hoje estive aqui


Não sei se alguém se apercebeu mas ontem era impossível colocar imagens no meu blogue. De vez em quando lá surgem estas macacoas informáticas e não há nada a fazer senão esperar que tudo volte à normalidade. Hoje não estive por cá. Fui até Setúbal, a uma Assembleia pela Escola Pública. Os oradores eram uma sindicalista do SPGL, um sindicalista da FNE, a Cecília Honório do Movimento Escola Pública (organizador) e o António Castela da Ferlap (Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais), que nada tem a ver com "o pai dos pais", que esse é o senhor Albino Almeida que deve ter passado o dia mais ocupado a lamber as botas do PGR, outro tarado que se passou e que desatou hoje por aí a dizer que nas escolas há crianças de seis anos que levam armas para a escola a conselho dos papás. Ao que chegou a campanha para denegrir a Escola Pública. Cá em Portugal, como o povo é crédulo e emprenha pelos ouvidos bastará ouvir essas enormidades para dizer "Jesu, Jesu, ao que isto chegou, a Escola Pública está pejadinha de criminosos!" e então será fácil convencê-los a aceitar de bom grado o chequezinho que lhes permitirá com mais alguns sacrifícios, pôr o petiz na escola privada ou, caso ainda assim não tenham posses, a aceitar que a escola dos filhos seja vigiada, policiada e cadastrada, a bem do mesmo Deus, da mesma Pátria e da Nova Autoridade.
Hoje já é tarde para contar mais em pormenor o que por lá se disse na reunião, mas foi positivo ouvir a voz dos professores que falaram a partir do público. Saber que dentro das escolas ainda há muito quem resista e que fora delas os professores encontraram nos meios tecnológicos ao dispor, novos modos de estarem em contacto, o que lhes tem permitido uma certa rapidez de resposta às ofensivas e principalmente que os tem ajudado a se organizarem sem precisarem de ficar à espera que os sindicatos lhes dêem as respostas atempadas para reagirem nas escolas. Quanto à sindicalista, ainda me ri a bom rir, pois para o final só lhe vinham à ideia imagens do diabo. Compreende-se, visto que estas políticas parecem obra do demo, mas para mim que não acredito nem em Deus nem no Diabo a não ser enquanto criações da imaginação do ser humano, atribuo-as a causas mais terrenas: as políticas educativas que estão a destruir as bases da Escola Pública (e não só) são da responsabilidade da União Europeia e das políticas económicas do capitalismo global. Este governo, esta ministra, este ministério são apenas uns paus mandados. Outros que lá estivessem haveriam de obedecer às mesmas ordens. Mas isto nunca se ouve ninguém a dizer. Ou quase ninguém.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Dia dedicado à educação...

Não se se foi ontem a senhora ministra que me inspirou. Sei que hoje dediquei todo o meu dia à educação:

De manhã um encontro dentro da escola com uma professora para combinarmos em conjunto articular os conteúdos sobre sexualidade com uma sessão para os pais. Claro que a conversa depressa seguiu rumo livre para outros assuntos muito menos naturais: as palavras são como as cerejas e, quando se começa a falar das coisas uma mão lava a outra. Uma professora atenta, que também é mãe a falar com uma mãe atenta que também já deu aulas. Fizemos como a ministra aconselhou: simplificámos ou seja, descomplicámos o que se queria complicado. Quando duas pessoas dentro destes assuntos das novas políticas educativas se põem a conversar, depressa chegam às mesmas conclusões: estão a destruir a escola, os professores não estão a aguentar aplicar as normas absurdas que chegam às escolas em catadupas a meio do ano lectivo, os alunos estão a ser prejudicados. E isto diz respeito aos professores e diz respeito aos pais porque é sem respeito pelos alunos. Os conselhos executivos de algumas escolas já estão a aplicar as directivas, se forem dos cumpridores. Os representantes dos pais não foram convocados para um Conselho Pedagógico sobre avaliação do desempenho e atribuição de competências e, no Conselho Pedagógico seguinte já tudo mudou: o conselho está diferente; sairam uns, entraram outros: as competências foram atribuídas; a futura directora já tem tudo na mão: ali não haverá avaliação feita pelos pais, nenhum professor irá autorizar. A professora tenta pôr paninhos quentes: deve ter sido por esquecimento os pais não terem sido convocados, desculpa. É uma boa pessoa, conciliadora, disse que tinha compreendido muito bem as posições assumidas por quem representa os pais.

Tenho tanto receio de quem se diz "representante dos pais". Hoje comprei um livro, cujo título vai mal-impressionar muito boa gente: Pais Contra Professores, de Maurice T. Maschino. É muito útil, porque começa logo por definir gente da laia do Albino Almeida, para quem ainda não está advertido contra esta praga de malfeitores que se apossaram de uma estrutura democrática como era a CONFAP: «A escola será doravante um lugar em que são os pais a fazer a lei? Na maioria dos casos, sem dúvida não, mesmo que muitos deles, no ambiente actual, se sintam cada vez mais tentados a intervir ao arrepio de quaisquer normas, e de forma anárquica. O que seria certamente desagradável, e perfeitamente inadmissível, mas não traria grandes danos à instituição, se estas reacções individuais não fossem encorajadas, retomadas e amplificadas por grupos que se arrogam o direito de falar e de agir em nome de todas as famílias. Esta impostura -- de que a maioria dos pais nem sequer suspeita, mas que os poderes públicos encorajam -- contribui em grande medida para desqualificar a escola enquanto lugar de estudo e de aprendizagem de saberes. Na verdade é um abuso de linguagem falar dos pais. E abuso de poder ao pretender manifestar-se em seu nome."

Confesso que mais lá para a tarde só me apetecia ser feliz. Por isso lá fui eu participar num colóquio sob o tema "Educação para a felicidade" e não é que lá fui encontrar uma sala cheia de professores, perdão, professoras, que a quota masculina só se reduzia a um -- será que os homens não acreditam na felicidade? E os professores ainda acreditam ou são levados a acreditar? Pensei: bela acção esta, mesmo a propósito, logo no dia a seguir à entrevista da ministra... vamos lá a contar as boas experiências, ajustemos o foco de mineiro e iluminemos apenas o que bem que queremos ver. Mas não será uma visão tubular, redutora? E o que está mesmo mal? Não nos devemos centrar no que está mal, devemos pensar no que está pior para nos sentirmos felizes com o mal que temos. Aleluia, meu irmão. Até havia umas rezas para o dia a dia ( e contra a ministra, nada?). No final terapia do riso para aliviar tensões e partir para casa bem disposto, expurgado de todo o mal, pronto para enfrentar a burocracia da escola com um sorriso nos lábios (Sorria, está a ser avaliado!). Mas quem disse que queremos nos livrar das tensões agora? Para isso já bastam certas manifestações que só servem para tirar a pressão da panela... Vim embora antes da terapia: agora queremos estar em tensão, reunir toda a tensão para gritar bem alto, unidos, nas manifestações que aí vêm e não deixar que a pressão se escape da panela. Cerrar fileiras e só parar depois da retirada absoluta das políticas educativas mais absurdas que o capitalismo internacional em desespero alguma vez forjou. Não queremos esta ministra porque não queremos estas políticas porque não queremos obedecer aos prazos da união europeia para destruir a escola pública, porque não queremos este sistema. Cumprir é pactuar com a estratégia internacional capitalista de destruir a escola pública. Portugal romper com esse sistema: isso sim me deixaria muito feliz, senhores psicólogos educacionais.

À noite, reunião política, para discutir... política e educação, pois, meus caros amigos, quer queiramos quer não isto anda tudo ligado.

sexta-feira, junho 01, 2007

Subscrição da Carta aos Deputados do PS ON LINE (Subscreve/divulga)


Caros amigos

Já se encontra on line uma petição dirigida aos deputados do PS. Agora torna-se muito mais fácil subscrevê-la.

Esta carta resultou do Encontro em Defesa da Escola Pública realizado no passado dia 14 de Abril em Algés. Neste momento existem cerca de 100 assinaturas recolhidas mas o nosso objectivo é atingir as 500 assinaturas. Esta petição pode ser subscrita por qualquer cidadão que considere necessário defender a Escola Pública, a qual está a ser alvo de ataques levados a cabo pelas políticas do Ensino da responsabilidade do governo português e resultantes da aplicação cega e obstinada das directivas da União Europeia. O mesmo tem acontecido com outros serviços públicos, como é o caso da Saúde.

Os deputados do PS têm uma responsabilidade acrescida por terem alcançado uma maioria parlamentar nas últimas eleições. A eles cabe o papel de aprovar ou chumbar na Assembleia da República as propostas do governo. Esta a razão por que a eles nos dirigimos.

A Comissão para a Defesa da Escola Pública já enviou uma carta à Assembleia da República solicitando ser recebida para entregar as assinaturas conseguidas.

Ajude-nos a divulgar esta iniciativa junto dos seus contactos:

- Se considera que a Escola Pública deve ser defendida do processo de privatização e de desresponsabilização do Estado a que está a ser sujeita;

- Se concorda que os professores, os pais e todos os implicados no processo educativo são dignos de respeito;

- Se entende que o Ensino de qualidade para todos é um direito adquirido que deve assistir a todos os cidadãos,

por favor subscreva aqui a petição.

As gerações futuras agradecem-lhe.




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