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quinta-feira, julho 16, 2009

Desta vez parece que o Relatório é mesmo da OCDE


Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos (OCDE)


Foi divulgado hoje o Relatório da OCDE sobre a avaliação de desempenho docente. As conclusões deixam mal a ministra da educação. O relatório da OCDE critica a associação entre os resultados dos alunos e a avaliação de desempenho dos docentes bem como a avaliação feita por pares com consequências na progressão da carreira. Ora, essas são as duas características centrais do modelo imposto pelo decreto regulamentar 2/2008 e que mais contestação provocaram entre os professores. O decreto regulamentar 1-A/2009, que impôs o versão simplex, também não sai incólume do estudo da OCDE, uma vez que o relatório manifesta uma clara oposição a que a avaliação de desempenho de tipo quantitativo e com consequências para a progressão na carreira seja feita pelos directores e colegas a quem foram atribuídas funções de avaliação.

Nas recomendações, o Relatório da OCDE aponta parta a necessidade de haver uma avaliação de tipo qualitativo e meramente formativa, feita pelos directores, e uma avaliação com incidência na progressão na carreira docente, feita por elementos exteriores à escola e sem qualquer relação funcional com os docentes avaliados. A OCDE aconselha que os avaliadores externos sejam especialistas certificados em avaliação de desempenho e que adoptem critérios uniformes para todas as escolas do país.

A FNE reagiu ao Relatório da OCDE pela voz de João Dias da Silva, que afirmou o total isolamento da ministra da educação e a necessidade de construir um novo modelo que não padeça dos males apontados no estudo da OCDE. João Dias da Silva acrescentou que, em matéria de avaliação de desempenho, foram dois anos completamente perdidos graças à teimosia da ministra da educação.

Interrogada pelos jornalistas à saída da sessão de apresentação do Relatório da OCDE, a ministra limitou-se a afirmar que não era tempo de tomar decisões.
Entretanto, a Fne emitiu comunicado onde dá conta de que as críticas e recomendações constantes do Relatório da OCDE vêm ao encontro de elementos da proposta da Fne, nomeadamente a defesa da distinção entre a avaliação formativa, para melhoria das práticas, e a avaliação sumativa externa, para progressão na carreira. A Fenprof ainda não reagiu ao Relatório da OCDE.

sábado, outubro 25, 2008

História Exemplar

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Magritte, O homem do chapéu de coco

Entrei.
- Tire o chapéu - disse o Senhor Director.
Tirei o chapéu.
- Sente-se - determinou o Senhor Director.
Sentei-me.
- O que deseja? - investigou o Senhor Director.
Levantei-me, pus o chapéu e dei duas latadas no Senhor Director.
Saí.

Mário Henrique Leiria, Contos do Gin-Tonic

sábado, maio 10, 2008

Educação para a cidadania da obediência cega ou da revolta?

Um destes dias a minha filha ligou-me da escola dizendo que estava a fazer tempo para a aula de apoio do Inglês e que ia ao bar comer qualquer coisa. Os alunos saem às 13h15 e os que têm apoio ficam à espera até às 13h45 e saem às 14h30. Como a minha filha vem sempre almoçar a casa, nesse dia ela leva algum dinheiro para comer qualquer coisa nesse intervalo para se aguentar até sair da aula.

Daí a bocado volta a tocar o telemóvel. Era ela nervosíssima e principalmente irritada porque eram quase horas da aula e ela numa fila do bar a ver os professores a passarem-lhe à frente.

Naquela escola há muita subserviência e escassas regras de democracia. Como querem ensinar a cidadania se os adultos envolvidos no processo educativo, sejam eles auxiliares, professores ou mesmo pais, subvertem essas regras de convívio usufruindo da sua posição superior. Disse-me que as auxiliares do bar atendiam os professores com toda a parcimónia e a eles, alunos, os mandava esperar e estar calados na fila até os senhores professores serem todos atendidos e despachados.

Não tinha conseguido comer e tinha que ir para a aula. Queria protestar. Calmamente disse-lhe que a escola tinha livro de reclamações, se ela o queria usar. Na altura concordou. Mas depois desligou, teve que ir para a aula. Estava quase a chorar de raiva, percebia-se pela voz.

Pouco tempo depois voltou a ligar-me: estava no bar à espera de uma tosta. Tinha dito à professora. E ela tinha-a deixado sair da aula para ir ao bar comer. Ficou mais apaziguada com os professores.

Às 14h30 fui buscá-la, vinha formosa e mais segura. Pelo caminho falámos no episódio e ambas concordámos como era injusto, que cada um deve ter a sua vez e ser respeitado e que ninguém nos deve passar à frente pois perante a necessidade de comer todos somos iguais.

Pode-se abrir uma excepção e atender primeiro um professor que está com pressa porque vai entrar para uma aula. Mas não se deve fazer disso uma norma e permitir que as crianças passem um intervalo inteiro numa fila e que acabem por ir para a aula sem comer. Depois vêem-se queixar que os meninos vão para as aulas sem comer porque os pais não os obrigam a tomar o pequeno-almoço em casa nem lhes mandam um lanche para a escola.

Lá dentro da escola os alunos são tratados como os menos importantes. Já houve Invernos em que a minha filha se queixava que estava frio na sala de aula e que a professora punha o aquecedor virado para si e não para a turma. Não existe por lá nenhuma sala destinada ao convívio dos alunos e cá fora o próprio Agrupamento reconhece que nas áreas exteriores há poucos espaços abrigados. Chegam a abrigar-se da chuva debaixo de umas mesas de ping-pong que há num recreio. As empregadas gritam-lhes que não podem estar nos corredores no intervalo e empurram-nos porta fora fechando a porta à chave.

Sim, naquela escola os alunos andam ao desabrigo, embora esteja numa zona predominantemente de média-alta burguesia. Daquelas em que a maioria dos pais nem vai à escola, são as carrinhas de ATL que levam e trazem as crianças, salvo algumas excepções de avós reformados que se ocupam deles e algumas mães ou irmãos mais velhos que estão por ali por perto.

Aqui, os exemplos de cidadania que vêm em caixotes e em peças separadas da união europeia vão servir às mil maravilhas para preencher a lacuna da falta de cidadania. Vão dizer aos nossos filhos que são cidadãos europeus e, como tal devem obedecer às leis europeias sem as contestar, aliás ninguém lhes vai falar em contestações, coisas como o Maio de 68 estarão abolidos dos programas de História, se for pela vontade do senhor Sarkozy.

Na escola continuaram a estar ausentes os verdadeiros valores e os exemplos éticos da cidadania, que aliás serão ainda mais afastados com a aplicação da lei da gestão e autonomia. Na escola irá funcionar a grande pirâmide bilderberg em que entes de mente obscurecida pela sede do poder e do dinheiro, através de fios invisivéis, mas cada vez mais descarados, enviarão as leis a aplicar na escola que por sua vez serão dadas, pelos ministérios dos governos em conluio, aos directores das escolas, que as farão cumprir aos professores titulares, que exigirão que os outros professores as cumpram dentro das suas salas, vigiando o seu trabalho a pretexto do seu desempenho ser avaliado, que por sua vez as ministrarão em forma de conteúdos aos alunos, nossos filhos.

Os alunos sofrem as consequências, estão na base da pirâmide, não contam como indivíduos mas sim como cidadãos habituados a não ter direitos logo a partir da idade escolar e a calar as trapaças do bar, a suportar e a obedecer à hierarquia. Como não há-de isto gerar a revolta dos jovens?

Ler sobre a Obediência

sábado, março 22, 2008

Novo modelo de gestão, algures, num futuro demasiado próximo...

Gabinete da senhora Directora do Agrupamento de Escolas de Piafino
(ex-presidenta do CE)

(Com um dos tentáculos pegando num telemóvel)
- Sim, senhora ministra, com certeza que está tudo a andar, senhora ministra.
(Com outro tentáculo prime uma campainha chamando a esfregona sua adjunta)
TRIMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM
Ouve-se soar a campainha na porta do lado. Logo aparece uma professora de lenço ao pescoço batendo à porta antes de entrar.
- Posso, senhora directora?
- (ainda ao telefone) Também desejo uma boa Páscoa, senhora ministra, e pode ficar descansada que por aqui vai tudo de vento em popa. Estimo as melhoras do seu caniche.
- (Desligando) Ó fulana de tal vê lá se já vieram todas para darmos início à reunião. Temos que ter estas coisas todas a funcionar quando os delinquen..., digo, os alunos voltarem de férias! Ah, anota aí uma ideia que eu tive para eu levar à próxima reunião com a senhora ministra: esta coisa dos miúdos irem de férias na Páscoa é para acabar. Vamos propôr que fiquem na escola a fazer a limpeza das matas por causa de os sensibilizar para os incêndios do Verão, o nosso espaço está uma selva, temos que aproveitar, assim poupamos dinheiro no jardineiro e a nossa escola será melhor avaliada do que nunca.
- A professora de música não pode vir hoje, telefonou a dizer que está de cama por ter ido desentupir o algeroz da sala 23. Diz que tem uma forte dor na bacia e que vai ao hospital.
- Essa é uma lerda... quando for a avaliação é que ela vai ver como lhe doem...
Com outro tentáculo procura desesperadamente na mala uma barrita energética mas, sem êxito, atira com outro tentáculo um murro bem assente na secretária.
- Rai's parta a isto, agora como vou ter genica suficiente para convencer toda a gente que está a avaliar por baixo e que é preciso avaliar por cima: aqui a avalição dos alunos tem que ser exemplar, preciso de números que encham o olho do Ministério. Não venha lá aquele poltrão do Braga dizer que fez o que podia e que o insucesso das turmas já está nos mínimos. Vais ter que me ajudar a convencê-lo que é melhor para ele que desça o insucesso das turmas em pelo menos mais 10% do que ele traz. Esse tipo é sempre o mesmo, tem a mania que é professor, o professorzeco, que nem titular é! Já convocaste as bestas dos pais para as reuniões com os directores de turma? Lá temos nós que gramar essa cambada aqui dentro da escola a meter o nariz em tudo!
- Acalma-te, olha, queres que te humedessa os tentáculos? Costumas ficar mais relaxada.
- Não! Mas podes deitar-te no chão para eu passar. E fico contente que te tenhas hoje vestido de vermelho pois é um dia importante! Marche prá reunião!



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