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domingo, agosto 09, 2009

Memórias não saudosistas do Raúl Solnado

"Façam o favor de serem felizes."

Raúl Solnado

daqui

Fado maravilhas
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Fui num domingo a Cacilhas
Mais o Chico Maravilhas
Comer uma caldeirada
A gente não nada em taco
Mas vai dando pró tabaco
E pra regar a salada
 
E porque isto é mesmo assim
A gente morre e o pilim
Não vai prá cova coa gente
E antes gastá-lo no tacho
Que na farmácia que eu acho
Isto é que é principalmente
 
Terminada a refeição
Ao entrar na embarcação
Começou a grande espiga
O Mangas abriu o bico
Pôs-se a mandar vir com o Chico
E o Chico arreou a giga
 
E para acalmar a tormenta
Inda disse ao Chico augenta
Mas o Mangas insistiu
E o Chico sem intenção
Deu-lhe um ligeiro encontrão
Atirou c' o tipo ao rio
 
Um sócio de outro meco
Quis-se armar em malandreco
A gente já estava quentes
Veio para mim desnorteado
Eu dei-lhe c' o penteado
E pu-lo a cuspir os dentes
 
Veio outro veio outra ideia
De sarnelha e plateia
Mais outro fui-lhe ao focinho
E o Chico pelo seu lado
Só para não ficar parado
Aviou quatro sozinho
 
Fez-se uma grande molhada
Desatou tudo à estalada
Eu e o Chico no centro
Naquela calamidade
Apareceu a autoridade
E meteu-nos todos dentro
 
Não tenho vida pra isto
E de futuro desisto
De me meter noutra alhada
Nunca mais vou a Cacilhas
Mais o Chico Maravilhas
Comer uma caldeirada

DAQUI

domingo, julho 12, 2009

Através dos teus textos TU ÉS TU MESMO!

Devoro o texto do papel amarelado, a caligrafia rápida e por vezes corrigida causa-me algumas dificuldades, bem como a falta de visão para ler que me começa a atormentar. É um papel no meio de outros papéis soltos, não numerados nem precisamente datados, um molho deles que encontrei no chão atrás do sofá no dia fatídico em que fui lá a casa. Os outros papéis teus continuam de acesso vedado, algures no meio de uma confusão reinante. Dizem-me que têm coisas íntimas que a mais ninguém interessa e eu tenho pena que se vão deteriorando e baralhando ainda mais no meio do caos.
Mas este consegui recuperar quase por inteiro e por isso te recordo aqui através dele, no dia do teu aniversário, apesar de quase de certeza ter sido escrito numa fase longínqua ao meu nascimento:

«Abril
3-3ª


Subindo o Chiado, às 2 horas da noite páro junto à montra da livraria Portugália e acendo um cigarro. A rua está deserta, silenciosa e um pouco escura apesar dos candeeiros de iluminação pública.

Continuo a caminhar! Reparo num vulto que acabou de dobrar a esquina da rua Garrett e se aproxima na minha direcção, impreciso ainda, oscilante, aos tombos. A distância diminui. Vejo que se trata de um bêbado. O homem está esfarrapado, apresenta um aspecto miserável e faz milagres de equilíbrio para se manter em pé.

Quando passa ao meu lado percebe que eu vou a fumar, aproxima-se e pede-me lume. Estendo-lhe o meu cigarro aceso e ele segura nos lábios uma ponta de cigarro tão pequena que eu tenho medo de queimá-lo.
Depois de alguns esforços, o homem consegue puxar uma fumaça, fita-me com os olhos embaciados e resmunga um obrigado.
Vou para me afastar mas o bêbado segura-me por um braço. Fico à espera, um pouco surpreendido. Então ele aproxima o rosto do meu rosto e pergunta baixinho:

-- Sabe quem eu sou?


Penso que me vai contar uma história de opulência antiga, recordar tempos melhores e sinto vontade de me ir embora; Mas ao lidar com bêbados, a seguir nunca se sabe o que vai acontecer e acho melhor responder à pergunta:


-- Não, não sei...


O homem emite um risinho de triunfo, mede-me de alto a baixo e grita:

-- SOU EU MESMO!


Afasta-se aos tombos. E eu fico a pensar na força moral desta estranha criatura que nem na miséria renuncia à sua própria personalidade!»


(texto da "arca" do meu pai)

sexta-feira, junho 26, 2009

Homenagem Michael Jackson

não por que gostasse dele especialmente, mas porque todas as pessoas têm pelo menos uma coisa boa (caso deste video):

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Iraque: estátua de louvor

"Isso é um presente para a família de Muntazer al-Zaidi, um herói, cujo gesto ajudou o povo iraquiano a sentir orgulho" (ler aqui)


terça-feira, janeiro 20, 2009

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Homenagem: 3 anos de KAOS!


Ana Carolina

Unimultiplicidade

Se ainda nunca teve a sorte de conhecer o blogue WEHAVEKAOSINTHEGARDEN
saiba que hoje faz 3 anos que ele existe e resiste ao cinzentismo crescente da cavaquiana socretina sociedade portuguesa.

Não deixe de visitar este excelente e criativo blogue!

sexta-feira, julho 11, 2008

Húmos na Ópera, outros em casa

Não sei se lá teria estado o Jorge de Sena, como queria acreditar o Eduardo Lourenço. Apenas senti um odor a terra húmida, não sei vindo de que Baixa ali no São Carlos, que se entranhou vinda ninguém sabe de onde, depois que o Saramago falou no Húmus do Raúl Brandão, uma das próximas homenagens que a Fundação José Saramago está a promover, verbo padrasto, ingrato vocábulo, como bem assinalou Saramago, quando se trata de evocar os homens e as suas obras. A obra de Jorge de Sena foi evocada e o autor convocado. Quanto a mim gostaria ter podido ouvir mais poesias e menos palavras.

O primeiro foi o relato mais vivo, o de Jorge Fazenda Lourenço, que nos contou que andou a mexer na papelada e trouxe para nos ler uma declaração pública feita pelo Jorge de Sena na Guarda. Textos A.

Os outros: António Mega Ferreira e Vítor Aguiar e Silva falaram no homem e na obra, na sua faceta camoniana, na relação com a pátria e evocaram textos e homens, lendo textos escritos a propósito deste regresso. Textos B.
Quanto ao ministro disse que ajudava no que pudesse, e que viesse o homem e o espólio que por cá se havia de arranjar os meios. Ainda bem que o senhor ministro é alto, imagino que em certas fotos poderá ficar como que a comer as flores.
O Saramago também não ficou contente privado de ver as pessoas na plateia por causa das mesmas flores. Esteve para tirá-las dali para fora mas não passou de um impulso contido que depois nos contou, como se todos nós tívessemos as nossas fraquezas e pudéssemos compreender. Mas eu também acho que é difícil a tarefa de desmanchar o que outros construíram. Por isso se conteve no seu gesto, afirmando-o como uma não-afirmação. Já não sei quem disse que não pode regressar quem já cá está, mas talvez tenha sido Saramago, patrono do evento, a propósito de Jorge de Sena. Abandonou o palco levando consigo um outro ramo de flores. Para Pilar.
Às vezes temos que ficar calados e quietos e ouvir o que outros têm para dizer. E ficar a aprender o que outros ganharam com as suas experiências, o que aprenderam de tanto procurar. Chama-se isso transmissão de cultura. Pega-se é contagioso, mas não é uma doença, é um apetite. Como uma sala de ópera começar de repente a cheirar a terra molhada.

sexta-feira, junho 13, 2008

Homenagem a Fernando Pessoa

Original João Pestana

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Fernando Pessoa

domingo, novembro 11, 2007

Omar Kahyyan -- Em louvor do Vinho

Imagem daqui

Como não sou cristã, embora siga o calendário cristão, o São Martinho para mim é mais uma festa pagã de celebração do vinho.

Lembro-me de ouvir o meu avô recitar alguns versos de cor do Omar Kahyyan, exaltando os poemas que ele admirava à distância do tempo, porque este era um poeta cuja sabedoria ele considerava excepcional. Procurei esses versos que ele dizia mas, nesta tradução, estão muito diferentes da sua versão (ele tinha um livro, Os Rubayat, sua pequena bíblia, que hoje conservo). Recordo este, tal como o ouvi muitas vezes dizer em tom grandioso de recitação:

Vinho, vinho em catadupas
vinho em taças sempre cheias
que ele me suba à cabeça
e me circule nas veias

E por isso, de entre os meus conhecimentos, não há nenhum para mim que melhor tenha expressado esta homenagem do que o poe
ta persa Omar Kayanm nos seus Rubayat (ler aqui uma tradução em português):

37
Quando me falam das delícias que na outra vida
os eleitos irão gozar, respondo:
Confio no vinho, não em promessas;
o som dos tambores só é belo ao longe.


38
Bebe vinho, ele te devolverá a mocidade,
a divina estação das rosas, da vida eterna,
dos amigos sinceros. Bebe, e desfruta
o instante fugidio que é a tua vida.


39
Bebe o teu vinho. Vais dormir muito tempo
debaixo da terra, sem amigos, sem mulheres.
Confio-te um grande segredo:
As tulipas murchas não reflorescem mais.


Nascido Ghiyath al-Din Abul Fatah Umar Ibn Ibrahim al-Khayyam, em 1044, em Nishapur, uma cidade persa, Omar Kahyan foi também um famoso matemático, astrônomo, filósofo e poeta. Passou a maior parte de sua vida nos centros intelectuais persas, como Samarcanda e Bucara, e gozou da simpatia dos sultões seljúcidas que governavam a região.

As contribuições científicas mais conhecidas de Kayan foram na álgebra e na astronomia. Sua classificação das equações algébricas foi fundamental para o progresso da álgebra como uma ciência, da mesma forma que sua obra sobre a teoria das linhas paralelas foi importante para a geometria. Na astronomia, o maior legado de Kayan é um calendário solar fantasticamente preciso, que ele desenvolveu quando o sultão seljúcida Malik Shah Jalal al-Din, solicitou um novo programa para a coleta de impostos. O calendário de Kayan era muito mais preciso do que o calendário gregoriano, usado atualmente na maior parte do mundo: o dele apresenta um erro de um dia em 3770 anos, enquanto que o gregoriano tem um erro de um dia em 3330 anos. Kayan mediu a extensão de um ano em 365,24219858156 dias. Embora o calendário tenha sido abolido depois da morte de Malik Shah, em 1092, no entanto, ele ainda é utilizado em algumas partes do Irã e do Afeganistão.

Omar Kayan também foi poeta, e é assim que ele é melhor conhecido no ocidente, em detrimento de sua obra científica. Sua fama como poeta existe desde 1839, com a tradução para o inglês de seu livro Rubayat. Tornou-se um clássico da literatura mundial e é responsável pela influência que teve no conceito europeu sobre a poesia e literatura persas. Tendo em vista que em sua época ele foi mais conhecido por sua obra científica, duvidava-se que Kayan fosse realmente o autor de Rubayat. Mas, uma análise criteriosa efetuada por muitos estudiosos comprovou que ele é mesmo o autor da obra.


segunda-feira, outubro 22, 2007

Carta a "um filho de um deus maior"

É importante

que não se branqueie a acção conjunta

do Adriano Correia de Oliveira e do Zeca Afonso.

Ontem estive numa homenagem que lamentavelmente o fez

mas nem por isso o conseguiu!

terça-feira, outubro 16, 2007

ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA sempre!


...A VOZ DA LIBERDADE


Mesmo na noite mais triste


em tempo de servidão

há sempre alguém que resiste

há sempre alguém que diz não.


O Pafúncio junta-se à homenagem lançada por As Vozes Silenciadas
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