terça-feira, abril 25, 2006
segunda-feira, abril 24, 2006
De 24 para 25 de Abril de 1974 -- o despertar colorido do país cinzento
Sou uma filha de Abril. Em 1974 tinha 9 anos, andava na quarta classe, como se chamava na altura. Lembro-me de sermos obrigados todos os dias a rezar a Avé Maria, mas não me lembro como se reza a Avé Maria. O meu avô, de quem eu gostava muito, era ateu, republicano, filho de republicano, tinha um humor semelhante ao de um Eça de Queiroz, e punha um Zé Povinho de barro a fazer um manguito em cima da televisão. Em minha casa sempre que era noite das célebres “Conversas em Família” era uma risota. Víamos o meu pai, que é comandante mas que nunca foi comandado, gozar com aquela figura cinzenta de grandes óculos quadrados e pequenos olhos mesquinhos, a falar axim, e nós riamos diante da televisão com as coisas que o meu pai dizia e da forma tacanha como o senhor falava. Na sala, anos antes do 25 de Abril, sempre me lembro do quadro com o Che Guevara a preto e branco atrás das grades, o mesmo que ainda hoje tenho na minha sala, já amarelado. Recordo a apreensão da minha mãe em ter aquilo ali na sala com receio que o homem que ia contar a electricidade pudesse ver. Nunca me esqueço de uma noite em que o meu pai recebeu uma visita de um amigo chegado de França que levou uns discos lá para casa para fazerem um serão. Nessa noite não conseguiram que eu me fosse deitar. Escondi-me na sala, debaixo da secretária do meu pai, a ouvir as conversas e as músicas: Jean Ferrat, Jacques Brel, Leo Ferré -- e dentro de um deles um single de capa completamente branca que fazia passar clandestinamente o José Mário Branco: “Um e dois e três/era uma vez um soldadinho/de chumbo não era /porque era um soldadinho/…” Falava da guerra, dos que não querem ir à guerra e dos senhores da guerra que “não matam, mandam matar”. Adormeci já de madrugada debaixo daquela secretária e nunca mais me esqueci daquela noite em que se falou de política, numa época em que não se falava dessas coisas.Tenho lembranças imprecisas sobre o 25 de Abril mas uma vaga ideia de que ouvi a notícia de manhã na rádio, juntamente com os meus pais, e que houve uma imensa alegria lá em casa, uma espécie de excitação que vinha de dentro para fora, uma euforia, como se a Liberdade estivesse realmente a passar por aqui! E estava mesmo.
domingo, abril 23, 2006
Malhas que o Império tece...
13 anos de guerra colonial
Com cinco letras de sangue De súbito três tiros na memória.
Apagaram-se as luzes. Noite. Noite.
De súbito três tiros nas palavras
um poeta calou-se e apagou-se a canção.
De súbito um poema foi bombardeado
um poeta fechou-se nas vogais
cercado por consoantes que talvez
caminhassem cantando para um verso.
Eram granadas? Eram sílabas de fogo?
E de súbito a guerra. Noite. Noite. E um poeta
Com cinco letras escreveu no chão: porquê?
Com cinco letras do seu próprio sangue.
sábado, abril 22, 2006
A "Tourada" -- Memórias Ainda Muito Presentes
Nós vamos pegar o mundo Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.
Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
esperas.
Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais são
tretas.
Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão não pega.
Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.
Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.
Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.
Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...
Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.
E diz o inteligente
que acabaram as canções.
(Escrito no final de 1972. Interpretada por Fernando Tordo, concorreu ao Festival da RTP da Canção de 1973 onde obteve o 1º lugar)
sexta-feira, abril 21, 2006
Esta cidade
Quer eu queira quer não queira Esta cidade
Há-de ser uma fronteira
E a verdade
Cada vez menos
Cada vez menos
Verdadeira
Quer eu queira
Quer não queira
No meio desta liberdade
Filhos da puta
Sem razão
E sem sentido
No meio da rua
Nua crua e bruta
Eu luto sempre do outro lado da luta
A polícia já tem o meu nome
Minha foto está no ficheiro
Porque eu não me rendo
porque eu não me vendo
Nem por ideais
Nem por dinheiro
E como eu sou e quero ser sempre assim
Um rio que corre sem princípio nem fim
O poder podre dos homens normais
Está a tentar dar cabo de mim
Cabo de mim
letra: João Gentil
música: Xutos & Pontapés
quinta-feira, abril 20, 2006
Nec Otium
Modernas Inquietações I
Quem ocupa a cadeira do poder não tem uma vida fácil.Comecemos pelo presidente: se não fala, está a congeminar; se fala diz asneira e saem perdigotos, se visita as crianças é assustador, se vai à Bósnia não há atentados e ele volta na mesma, fica tudo como se nada fosse.
Veja-se o exemplo dos deputados: sentam-se nas bancadas, votam as leis, deixam-nas passar: caem-lhes em cima. Não se sentam nas bancadas, faltam às votações, não deixam as leis serem aprovadas: caem-lhes em cima. Vão para casa mais cedo, as mulheres e os filhos caem-lhes em cima. Ficam a trabalhar no gabinete no que lhes interessa, são desinteressados, talvez alguém lhes caia em cima também. Comparecem, assinam o ponto e vão à sua vida, chamamos-lhes pulhas.
O primeiro-ministro é outro caso destes: se fica sério e não fala muito, é arrogante, se se ri é porque nos está a lixar, e é puta. Se nos promete aplicar medidas dizendo que é para o bem do país, não gostamos das medidas, se jura que não olhará a meios para cumprir o défice é Ferreira Leite e a gente lembra-se e não gosta da ideia.
Os empresários, a mesma coisa: se fazem Opas uns aos outros são obscenos; se vão opar para outros mercados são anti-nacionalistas; se fazem orgias nos seus barcos são porcos capitalistas. Se morrem são Champalimaud, e ainda achamos que deixam ET’s mal disfarçados de Leonor Beleza a afundar os fundos das fundações. Mais valia estarem quietos mesmo quando estão… quietos.
Os media também não agradam a ninguém: se dizem a verdade são alarmistas, se não dizem não exercem a liberdade de expressão, se são isentos ninguém os quer ler, se são comprados dizem todos o mesmo, da mesma maneira.
Assim vai a insatisfação do nosso povo que, para fugir às depressões causadas, debanda para o Reino dos Algarves, antiga província muçulmana, num desespero que se traduz em usos excessivos de combustível e abusos dos cartões de crédito.
Quando vierem as contas, safam-se eles, ficamos nós, os que as pagamos, ainda mais encalacrados do que já estávamos antes. E nunca estamos satisfeitos.
quarta-feira, abril 19, 2006
Clássicas Inquietações I

TEÓGONIS, Mégara, Séc VI-V a.C.:
Corrupção da cidade
Esta cidade, ó Cirno, é ainda a mesma, mas o povo é outro.
Os que antes não conheciam justiça nem leis,
mas gastavam as peles de cabra que traziam sobre os flancos,
com aparência de veados, governam esta cidade.
E agora? -- Vão-se os bons, Polipaides; os que outrora
eram nobres, agora são cobardes. Quem poderá
aguentar este espectáculo? Uns aos outros se enganam, zombando,
sem conhecer a opinião dos bons nem dos maus.
(I, 53-60)
O dinheiro
Prestam culto ao dinheiro: o nobre desposa a filha do vilão, e o vilão a do nobre; a riqueza mistura a raça.
Não te admires, Polipaides, de que feneça a linhagem
dos nossos concidadãos: o bom está a unir-se ao mau.
(I, 189-192)

Princípios de ética
Luta pelo mérito e ama a justiça.
Não te domine a ganância, que é ignomínia.
(I, 465-466)
TEÓGONIS, Mégara, Séc VI-V a.C.
terça-feira, abril 18, 2006
Goodbye Blue Sky - Pink Floyd
"Look mummy, there's an aeroplane up in the sky"
Did you see the frightened ones?
Did you hear the falling bombs?
Did you ever wonder why we had to run for shelter
when the
promise of a brave new world unfurled beneath a
clear blue
sky?
Did you see the frightened ones?
Did you hear the falling bombs?
The flames are all gone, but the pain lingers on.

Goodbye, blue sky
Goodbye, blue sky.
Goodbye.
Goodbye.
Goodbye.
Pink Floyd Lyrics
Silêncio e Corrosão
Recordações da casa de praia que o mar levou Da outra que ficou sobre pilares de areia
E de uma outra, simbólica, de pernas para o ar
Como uma porta que se abre para o caos
De pernas para o ar
Como se as casas tivessem pernas…
Depois levaram tudo
Só ficou a casa
Vazia de coisas virada às avessas
E foi então que veio o silêncio
A casa acabou…
Levaram a madeira da casa
Restou o silêncio do mar
Na praia sem casa
E nada mais foi como era antes
A não ser o mar de silêncio que se fez sentir
Na praia vazia cheia de areia
Só silêncio e corrosão.
Hinos à Noite
NOVALIS (1772-1801) Os Hinos à Noite
Tradução: Fiama Hasse Pais Brandão
segunda-feira, abril 17, 2006
Garrote Vil
Arcebispada
Arcebispada (José Afonso)Pregais o Cristo de Braga
Fazeis a guerra na rua
Sempre virados prò céu
Sempre virados prà Virgem
A Santa Cruzada manda
Matar o chibo vermelho
Contra a foice e o martelo
Contra a alfabetização
Curai de ganhar agora
Os vossos novos clientes
Além do pide e do bufo
Amigos do usurário
Além do latifundiário
Amigo do Capelão
"Abrenuncio Vade Retro
Querem vender a nação"
"A medicina é ateia
Não cuida da salvação"
Que o diga o facultativo
Que o diga o cirurgião
Que o digam as criancinhas
"Rezas sim, parteiras não"
Se o Pinochet concordasse
Já em Fátima haveria
Mais de trinta mil vermelhos
A arder de noite e de dia
Caridade, a quanto obrigas
Só trinta mil voluntários
"Cristo reina Cristo vinga"
Nos vossos santos ovários
E também nos lampadários
E também nos trintanários
Abrenuncio Vade Retro
Querem vender a nação
Ó Carnaval da capela
Ó liturgia do altar
Já lá vem Camilo Torres
Com o seu fusil a sangrar
Igreja dos privilégios
Mataste o Cristo a galope
Também Franco, o assassino
Mandou benzer o garrote
domingo, abril 16, 2006
sábado, abril 15, 2006
Como um símbolo de vida se converte num símbolo de morte e tudo por causa da religião católica
E o coelho?
A tradição do coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.
Uma outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos. A mais pura verdade, alguém duvida?
No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antigüidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa.
Mas o certo mesmo é que a origem da imagem do coelho na Páscoa está na fertililidade que os coelhos possuem. Geram grandes ninhadas!
Esta é a época da Primavera. Toda a natureza se manifesta renovando-se. Não existem casos de roseiras em botão crucificadas. A crucificação é em si um acto contra natura. O sistema democrático dos romanos é hoje compreensível e funcionou, como a pena de morte ainda hoje funciona em certas partes do mundo: Cristo era um agitador que arrastava atrás de si uma minoria. Mas Cristo começou a ousar e a usar a sua liberdade de expressão para levar os outros a pensar consigo. Usou-a contra os poderes estabelecidos, contra os vendilhões do templo e pôs os valores vigentes em causa. Foi apanhado numa traição que, para aqueles que acreditam em Deus, continua difícil de entender: terá sido a traição de Judas parte dos planos que Deus tinha para o seu filho? Mas as trinta moedas, se existiram, eram reais e palpáveis, não pertenciam ao reino dos céus, ou pertenciam? A não ser que essa parte toda depois tivesse resultado das histórias que os apóstolos vieram depois contar? Mas recuemos um pouco, voltemos à democracia de Pilatos: eis um dirigente que confiava na vontade das maiorias. Ele sabia que podia lavar dali as suas mão – entre escolher um ladrão já conhecido Barrabás e entre um ser diferente, dito como elemento perigoso e desordeiro, capaz de abalar os poderes estabelecidos, antes votar no ladrão, que com esse tipo de gente sabiam eles lidar. Cristo deve ter experimentado um sofrimento atroz ao ver-se ser o escolhido – pelo seu pai ou pelo povo a quem queria mudar a mentalidade? – para uma tarefa inglória, ou seja, tanto amor ao próximo, tantas horas a falar com as pessoas, tanta demonstração de que querer é poder para depois acontecer aquilo, escolherem-no para a morte em vez do ladrão. Cristo não morreu para nos salvar. Cristo morreu para salvar Barrabás. Também por isso perguntou ao seu Deus “porquê eu?” – Cristo era um crente, tinha lá o seu Deus e falava com ele em voz alta, como aliás devia ser uma prática comum. Cristo dizia que obtinha respostas e podia assim prever o futuro, mas talvez ele só tivesse uma apurada psicologia dos indivíduos e das massas. Tinha consciência de que estava lixado. Cristo foi traído por Judas mas também pela maioria que o condenou. Eis a falácia da democracia mais pura, mesmo consultando o povo, a maioria faz as piores escolhas. Pilatos não precisou de ser um tirano, sabia que a ignorância do povo cumpriria os seus objectivos e ele podia ser visto como um dirigente justo, mesmo crucificando Cristo. A igreja que se foi instituindo a partir deste episódio encarregou-se de fazer o resto, aproveitando o sentimento de culpa das pessoas de consciência e a predisposição para a alucinação que os santos sempre foram ditos ter. Quando um santo tem uma alucinação ao pé de ti tu não a podes ver, pois não? Mas parece que eles tinham desenvolvido nesse tempo a capacidade de alucinar em conjunto, o que continua a nada dizer porque um pode nunca ter visto a mesma alucinação que o outro dizia ver e vice-versa. Cada um contou o que contou como quis e, sabemos hoje, a realidade tem sempre muitas maneiras de ser contada. Eu admito que Jesus Cristo tenha existido e que tenha deixado em algumas pessoas que o conheceram de perto uma marca bem forte, capaz de os fazer alucinar que eram por ele revisitados no post-mortem, porque realmente, com muita pena minha, nunca vi nenhum acontecer e não posso acreditar em milagres.A verdade é que antes de Cristo (a.C.), não havia o peso dessa morte, ainda por cima dita como sendo por nossa causa, para nos salvar. Sem o episódio da morte de Cristo podíamos ter continuado alegremente a celebrar a chegada da Primavera e a irrupção da vida, obedecendo a um ciclo cósmico. A religião cristã, pelo contrário, obriga-nos a celebrar eternamente uma das muitas mortes que o poder tem ceifado, carregando nós uma culpa que pessoalmente não tivemos.
É por isso que prefiro o Coelho da Páscoa. Esse, comércios à parte, pelo menos simboliza a renovação da vida, a reprodução. Quanto ao absurdo dos ovos, andei a investigar e tudo não passou de uma história contada às crianças, como a fada dos dentes que troca dentes por prendas e essas lendas que maravilham o imaginário infantil de todos os tempos. Além disso uma galinha não ficava tão bem. Quando surgiu essa lenda do coelho que passou e colocou ovos coloridos num ninho ainda estávamos longe da atracção que hoje em dia provoca o Chicken Little, o coelho estava mais na moda. Além disso o ovo é o princípio da vida, da reprodução, da renovação que se dá na Primavera.
Eu não celebro a Páscoa, prefiro a natureza, a próxima a ser crucificada pelos podres poderes.
sexta-feira, abril 14, 2006
Privatização dos Cemitérios - Um negócio chorudo
Numa crónica de Lobo Antunes fui encontrar referido o nome do meu bisavô, “o sineiro a quem chamavam Zé Martelo e que tocava o Papagaio Louro na Elevação da missa do meio-dia em vez do A Treze de Maio obrigatório, possuía uma agência funerária cujo prospecto-reclame começava «Para que teima Vossa Excelência em viver se por cem escudos pode ter um lindo funeral?».”Será que é uma questão genética, este impulso que me deixa entusiasmada face à magnífica ideia que alguém teve de privatizar os cemitérios? Eis um negócio chorudo, pensei eu, vitaliciamente garantido, até dá para construir condomínios privados de luxo e não só, um estoiro. Eu, que nunca fui dada a negócios, senti que este era um negócio de morte!
Depois todo este clima de Páscoa, esta envolvência, esta auto-análise de consciências que todos os cristãos praticam nesta época, os hotéis do Algarve cheios, tudo em meditação.
Não, o negócio é que veio mesmo a calhar, já não me sai da cabeça. Poder explorar um cemitério, desenvolvê-lo, criar-lhe infra-estruturas, torná-lo numa estância apetecível, como o meu bisavô já devia sonhar...
quinta-feira, abril 13, 2006
quarta-feira, abril 12, 2006
What if God was one of us?

What if God was one of us?
Joan Osborne
If God had a name what would it be?
And would you call it to his face?
If you were faced with him
In all his glory
What would you ask if you had just one question?
*And yeah, yeah, God is great
Yeah, yeah, God is good
Yeah, yeah, yeah-yeah-yeah
What if God was one of us?
Just a slob like one of us
Just a stranger on the bus
Trying to make his way home
If God had a face what would it look like?
And would you want to see
If seeing meant that
you would have to believe
in things like heaven and in Jesus and the saints
and all the prophets (*)
Trying to make his way home
Back up to heaven all alone
Nobody calling on the phone
'cept for the Pope maybe in Rome(*)
Just trying to make his way home
Like a holy rolling stone
Back up to heaven all alone
Just trying to make his way home
Nobody calling on the phone
'cept for the Pope maybe in Rome
terça-feira, abril 11, 2006
Adenda à Declaração Universal dos Direitos da Criança
Os Estados Partes protegem a criança contra todas as formas de exploração prejudiciais a qualquer aspecto do seu bem-estar.
Já ouviste falar no Echelon?
Esta é a lista de palavras que, ao serem "caçadas" pelo Big Brother Echelon, fazem com as tuas mensagens sejam filtradas. Usa-as indiscriminadamente no teu blog - mais que não seja para que o teu blog passe a ser digno de consideração (ouviste Clarinha?):domingo, abril 09, 2006
Clara Ferreira Alves: Ambiciosa, Ociosa, Rancorosa, à beira do Desemprego!
Adaptado da obra "Resting" de Salliann Putman por Kaos Dei por mim a pensar: “colunista ambicioso” deve ser onde ela enquadra a besta quadrada do Pacheco Pereira, ou o seu rival Pulido Valente, e outros intelectualóides da nossa praça, da espécie da Clarinha, mas mais ambiciosos ainda, pois querem abarcar este mundo – o da Clara – e o outro, o do universo dos blogues. Assim, podem marcar mais pontos a seu favor – ou contra - ficando a Clarinha confinada aos papéis. São uma ameaça para ela.
Os desempregados, esses existem, de facto, são cada vez mais e cada vez mais qualificados e, como não trabalham, mais tempo ainda têm para escrever nos blogues, o que se torna uma maçada para a dita cuja pois corre o risco de aparecerem muitas outras opiniões melhores e mais lidas do que as dela. Pior, essas pessoas podem trocar impressões umas com as outras, num tempo record, sobre as bacoradas que intelectualóides como ela dizem sobre as coisas.
Ora, portanto, e em conclusão, para a Clara Ferreira Alves os desempregados não fazem parte. Quer-se convencer que escrever nos blogues é uma mera ociosidade. Pensar a realidade e ter alguma coisa a dizer sobre ela é, segundo ela, puro ócio, como se o ócio fosse uma palavra negativa.
Na verdade, sempre me fez uma certa confusão o ócio ser considerado um defeito. Prezo muito a palavra logo a partir do seu carácter de radical a partir de onde se formaram outras palavras menos ociosas. A palavra “negócio” provem precisamente de nec+ocium, sendo nec- a partícula que exprime negação. O negócio é pois a negação do ócio. O ócio já existia antes de existir o negócio, quando o mundo era para ser um paraíso. Em termos das opiniões veiculadas nos blogues, este ócio avesso ao negócio revela-se pois primordial, essencial. Consiste numa disponibilidade e numa predisposição para a expressão livre de um pensamento por sua vez liberto do peso e da sujeição do “negócio” que permite livre-expressar o que nos apetecer, sem que as nossas opiniões sejam negociáveis ou se sujeitem a defender as posições tomadas por aqueles que, por serem os detentores desse negócio comunicacional, que são hoje em dia os media que conferem a intelectualóides como a Clarinha protagonismo mediático. Por mim enquadro-me perfeitamente neste epíteto dos blogueres ociosos. E também me posso integrar nos outros...
Quanto aos rancorosos, abençoado rancor se se manifesta nos impulsos criativos que hoje em dia se encontram em muitos blogues. Certo é que certas realidades são susceptível de causar e merecer o nosso repúdio. Esse repúdio pode manifesta-se de infinitas formas nos blogues, desde o humor das imagens, à rápida captação do ridículo, à piada política imediata e certeira, ao comentário sério e preocupado com os atentados à Humanidade praticados a partir do presente, como ao mero vá para a puta que a pariu.
Com maior ou menor ambição, bem empregadas ou desempregadas, mais viradas para o ócio ou para o negócio, com ou sem rancor, as vozes que circulam, se cruzam e se chocam nos blogues são muito mais do que isso porque se tratam de muitas vozes expressando-se livremente a favor ou contra todos os poderes. Vozes que as opiniões da Clarinha, deliberadamente arredada dos meadros dos blogues, não podem deter nem calar, optando esta pela estratégia de as menosprezar, traçando o perfil negativo dos blogueres, catalogando-os e procurando meter cada gato no seu saco.
Só que os gatos escapam-se-lhe, têm garras - que no tempo do Fialho eram Farpas e agora são bits - e podem virar-se contra ela esgatafunhando-a - ou simplesmente ignorar as suas opiniões e seguir em frente ainda com mais ganas.
sexta-feira, abril 07, 2006
quinta-feira, abril 06, 2006
Malade, la France ?
Un organisme en faillite dont la réforme s’impose de toute évidence. Sur fond d’angoisse sanitaire provoquée par les menaces de peste aviaire, telle apparaît la France aux yeux d’une cohorte de « déclinologues » de droite (1). Ce pessimisme a été conforté par des événements récents de nature disparate qui, en donnant le sentiment que les institutions se délitaient, ont contribué à l’actuel mal-être général : catastrophe judiciaire et naufrage des médias dans le procès des « pédophiles » d’Outreau, loi du 23 février 2005 reconnaissant le « rôle positif » du colonialisme (2), cafouillages à propos du porte-avions Clemenceau, émeutes des banlieues en novembre 2005, replis identitaires et affirmation des communautarismes à l’occasion de l’affaire des caricatures de Mahomet ou de l’odieux assassinat du jeune Ilan Halimi, privatisation déguisée de Gaz de France, etc.Les cassandre de la « France qui tombe » voient plonger le pays dans une sorte de désespoir collectif qui se serait tout particulièrement manifesté le 29 mai 2005, lors du « non » au projet de traité constitutionnel européen. « La France, affirme, par exemple, Nicolas Baverez, chef de file des “déclinologues”, s’est isolée dans une bulle de démagogie et de mensonges, (...) les hommes politiques ont refusé de dire la vérité (...). On n’ose pas les réformes parce qu’on redoute les révolutions. Mais c’est précisément l’absence de réformes qui débouche sur les révolutions (3). »
Pour en finir avec cette « France malade dans une Europe décadente », ils appellent de leurs vœux un « redressement » libéral. Et recommandent depuis longtemps – comme s’il suffisait d’actionner quelques leviers simples – la déréglementation du marché du travail. Dans ce contexte alarmiste, pressé par les « rupturistes », M. Dominique de Villepin, premier ministre, accusé d’être « debout devant Bush mais couché devant la CGT », aurait décidé de briser l’« attentisme des élites » et de réaliser enfin la réforme de l’emploi.
Il a donc fait voter à la sauvette, l’été dernier, le contrat nouvelles embauches (CNE), entré en vigueur le 1er septembre 2005, pour les établissements de moins de vingt salariés, soit les deux tiers des entreprises françaises. Avec, pour principale innovation, les modalités de sa rupture. Comme le dit l’inspecteur du travail Gérard Filoche : « Il s’agit essentiellement d’un “nouveau droit de licenciement” : on peut mettre dehors n’importe qui, n’importe quand, sans motif, sans procédure, sans recours (4) ! »
Ayant rencontré une résistance fort modérée contre ce type de contrat qui répond aux vieilles demandes du patronat, M. de Villepin a cru pouvoir de nouveau passer en force en faisant voter sans vrai débat parlementaire, le 8 février dernier, le contrat première embauche (CPE), destiné cette fois aux entreprises de plus de vingt salariés et réservé aux jeunes de moins de 26 ans. Comme pour le CNE, l’employeur se voit accorder la possibilité, durant les deux premières années, de rompre le contrat sans exprimer de motivation écrite.
Le premier ministre a tenté d’expliquer l’étrange nature du CPE en prétextant qu’il y avait urgence, après les récentes émeutes des banlieues, à favoriser l’embauche de jeunes sans formation. L’argument n’a pas convaincu. Très vite, dans les universités, et avec l’appui immédiat des principaux syndicats, l’opposition au CPE a pris une envergure et une intensité considérables.
L’enjeu est tant politique que symbolique. Après la grave défaite subie, en juillet 2003, lors du vote de la loi sur les retraites, le mouvement populaire en France devait se ressaisir. De surcroît, les citoyens estiment qu’accepter le CPE, après avoir dû s’incliner sur le CNE, c’est ouvrir la voie au démantèlement complet du code du travail, sacrifier celui-ci sur l’autel de la flexibilité et favoriser la précarisation définitive de l’emploi.
Accusée par la droite d’être l’« homme malade de l’Europe », la France, au contraire, est un pays qui résiste. Un des seuls en Europe où, avec une formidable vitalité, une majorité de salariés refusent une mondialisation sauvage qui signifie la prise de pouvoir par la finance. Et qui livre les citoyens aux entreprises pendant que l’Etat s’en lave les mains. Cette modification radicale du rapport entre les pouvoirs publics et la société (la fin de l’« Etat protecteur ») écœure.
La solidarité sociale constitue un trait fondamental de l’identité française. Une solidarité que le CPE contribue à liquider. D’où, une fois encore, la contestation. Et la révolte.
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(1) Nicolas Baverez, Michel Camdessus, Christophe Lambert, Jacques Marseille, Alain Minc..., tous proches de M. Nicolas Sarkozy.
(2) Le président Jacques Chirac a demandé, le 4 février 2006, la réécriture de ce texte qui « divise les Français ».
(3) L’Express, Paris, 12 janvier 2006.
(4) « Contrat nouvelle embauche » : une régression pour flatter les instincts les plus bas !, le grandsoir.info, 4 juillet 2005.
You told me not to drink, Mom, so I drank soda instead

I went to a party, Mom, I remembered what you said.
You told me not to drink, Mom, so I drank soda instead.
I really felt proud inside, Mom, the way you said I would.
I didn't drink and drive, Mom, even though the others said I should.
I know I did the right thing, Mom, I know you are always right.
Now the party is finally ending, Mom, as everyone is driving out of sight.
As I got into my car, Mom, I knew I'd get home in one piece.
Because of the way you raised me, so responsible and sweet.
I started to drive away, Mom, but as I pulled out into the road,
the other car didn't see me, Mom, and hit me like a load.
As I lay there on the pavement, Mom, I hear the policeman say,
the other guy is drunk, Mom, and now I'm the one who will pay.
I'm lying here dying, Mom. I wish you'd get here soon.
How could this happen to me, Mom? My life just burst like a balloon.
There is blood all around me, Mom, and most of it is mine.
I hear the medic say, Mom, I'll die in a short time.
I just wanted to tell you, Mom, I swear I didn't drink.
It was the others, Mom. The others didn't think.
He was probably at the same party as I.
The only difference is, he drank and I will die.
Why do people drink, Mom? It can ruin your whole life.
I'm feeling sharp pains now. Pains just like a knife.
The guy who hit me is walking, Mom, and I don't think it's fair.
I'm lying here dying and all he can do is stare.
Tell my brother not to cry, Mom. Tell Daddy to be brave.
And when I go to heaven, Mom, put "Daddy's Girl" on my grave
Someone should have told him, Mom, not to drink and drive.
If only they had told him, Mom, I would still be alive.
My breath is getting shorter, Mom. I'm becoming very scared.
Please don't cry for me, Mom. When I needed you, you were always there.
I have one last question, Mom, before I say good bye.
I didn't drink and drive, so why am I the one to die?
quarta-feira, abril 05, 2006
Au Printemps de quoi Rêvais-tu?
Marc Chagall"Printemps nocturne" Au printemps de quoi rêvais-tu ?
Paroles et Musique: Jean Ferrat 1969 "Jean Ferrat - Vol.1 (1999)"
Au printemps de quoi rêvais-tu?
Vieux monde clos comme une orange,
Faites que quelque chose change,
Et l'on croisait des inconnus
Riant aux anges
Au printemps de quoi rêvais-tu?
Au printemps de quoi riais-tu?
Jeune homme bleu de l'innocence,
Tout a couleur de l'espérance,
Que l'on se batte dans la rue
Ou qu'on y danse,
Au printemps de quoi riais-tu?
Au printemps de quoi rêvais-tu?
Poing levé des vieilles batailles,
Et qui sait pour quelles semailles,
Quand la grève épousant la rue
Bat la muraille,
Au printemps de quoi rêvais-tu?
Au printemps de quoi doutais-tu?
Mon amour que rien ne rassure
Que le temps d'un Ave, pas plus
Ou d'un parjure,
Au printemps de quoi doutais-tu?
Au printemps de quoi rêves-tu?
D'une autre fin à la romance,
Au bout du temps qui se balance,
Un chant à peine interrompu
D'autres s'élancent,
Au printemps de quoi rêves-tu
D'un printemps ininterrompu

terça-feira, abril 04, 2006
Poesia da Não-Burguesia
óleo sobre cartão
78,5 63 cm
Centro de Arte Moderna
Fundação Calouste Gulbenkian
Lisboa, Portugal.

VERDADEIRA LITANIA PARA OS TEMPOS DA REVOLUÇÃO
- de Natália Correia
Burgueses somos nós todos
Ó literatos
Burgueses somos nós todos
Ratos e gatos
Mário Cesariny
Mário nós não somos todos burgueses
Os gatos e os ratos, se quiseres,
Os literatos esses são franceses
E todos soletramos malmequeres.
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Da vida o verbo intransitivo
Não é burguês é ruim;
E eu que nas nuvens vivo
Nuvens! O que direi de mim?
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Burguês é esse menino extraordinário
Que nasce todos os anos em Belém
E a poesia se não diz isto Mário
É burguesa também.
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Burguês é o carro funerário.
Os mortos são naturalmente comunistas.
Nós não somos burgueses Mário
O que nós somos todos é sebastianistas.
segunda-feira, abril 03, 2006
Invertamos a Nova Ordem Mundial que nos querem impôr!
Símbolo que aparece nas notas de dólar americanas de 1957.
Símbolo dos “Iluminati” e que aparece também no logótipo do “Information Awareness Office”, o mesmo que irá aparecer nos futuros Bilhetes de identidade norte-americanos. As palavras que aparecem por baixo do Símbolo são:Nuvus Ordo Seclorum, ou seja: Nova Ordem Mundial.
Venha por aqui ver isto!
Senhor Marquês
Letra e música: Sérgio Godinho
In: "Sobreviventes"; 1971
Luís Miguel Alçada
Olhe pr'áqui uma vez
Senhor Marquês
do bairro da lata
está'gente farta
Senhor Marquê
se o nosso fim do mês
Passe pra cá'carteira
da sua algibeira
carteira em couro
relógio d'ouro
não lhe faz falta
e faz-nos jeito à malta
Ó da guarda, ladrões
plos meus brasões
ai meu Deus socorro
Jesus qu'eu morro
grita o Marquês
ninguém vem desta vez
Venha por aqui ver isto
Senhor Ministro
que estes bandidos
uns mal-nascidos
'inda sem dentes
e já delinquentes
Meta aqui o nariz
Senhor Juiz
nós somos bandidos
ou mal-nascidos?
Senhor Ministro
perdoe s'insisto
Se nós somos ladrões
temos razões
que não são as suas
são minhas, tuas
e d'outros mais
de muitos, muitos mais
(Olhe pr'áqui...)
Passe pra cá'carteira
da sua algibeira
carteira em couro
relógio d'ouro
não lhe faz falta
e faz-nos jeito à malta
pr'ó nosso fim do mês
domingo, abril 02, 2006
A Cena do Ódio de Mário de Andrade

Ode ao Burguês - Mário de Andrade
Eu insulto o burgês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro,
italiano, é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
Eu insulto as aristocracias cautelosas!
os barões lampiões! os condes Joões!
os duques zurros!
que vivem dentro de muros sem pulos,
e gemem sangues de alguns mil-réis
fracos
para dizerem que as filhas da senhora
falam o francês
e tocam os "Printemps" com as unhas!
Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das
tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre Sol!
Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais
Morte ao burguês-mensal!
ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi!
Padaria Suissa! Morte viva ao Adriano!
"_ Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
_ Um colar... _ Conto e quinhentos!!!
Mas nós morremos de fome!"
Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina
pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à
infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!
Ódio aos sem desfalecimentos nem
arrependimentos,
sempiternamente as mesmices
convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o
compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor
inebriante!
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais
ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Fora! Fu! Fora o bom burguês!...
sábado, abril 01, 2006
Tributo A Mário Viegas: 10 anos da sua morte

«Se um dia venderem, não se deixem morder»
que nos desarma. Falou de tudo. Do teatro, dos poemas, dos seus autores. Dos amigos, prazeres, repulsas. Explicou o que era a sua esquerda. Se houvesse uma corrida de cavalos, apostaria sempre no burro. Personificava o desprezo por esses pequenos homens do poder e da norma. Lembram-se do Europa Não!, Portugal Nunca? Tinha imensos projectos futuros, naquele ano de 1992. Saberia já o que de irremediável transportava consigo? Saramago escreveu que Mário Viegas «era um cómico que levava dentro de si uma tragédia. Não me refiro à implacável doença que o matou, mas a um sentimento dramático da existência que só os distraídos e superficiais não eram capazes de perceber, embora ele o deixasse subir à tona da expressão às vezes angustiada do olhar e ao ricto sempre sardónico e amargo da boca. Fazia rir, mas não ria. Pouca gente em Portugal tem valido tanto». Tinha imensos projectos futuros, naquele ano de 1992. Quatro anos antes de morrer. Mas não sem antes dar instruções à família sobre o que fazer com o previsível espólio. Por detrás dos seus quadros, escreveu: «Este quadro custou tanto; se um dia venderem, não se deixem morder». (28.11.05 .: Tiago Barbosa Ribeiro)La Grève

Irás pagar a televisão
Co'os cigarros que poupares
E o teu vison-pele-de-cão
Co'os abonos sociais
Flores à mamã mandarás
Co'ostrocos da sobrevivência
E d'água o copo encherás
Que o vinho só traz doença
Mas nem por sonhos se deve
Jamais deve fazer greve!...
No fim do mês terás que ver
Nossa Senhora dos biscoitinhos
Mas se nem cruzes podes fazer
A «cruz vermelha» faz-te carinhos
As orações sobem a direito
Tal qual o fumo dos altos fornos
S'o vento não soprar a jeito
Então é qu'o caldo se entorna
Mas nem por sonhos se deve
Jamais deve fazer greve
Barbas de milho s'inda fumais
Prós 2 Cavalos sacas d'aveia
Basta dizer como o da aldeia
Shell é o que gramam os animais
Beijarás tua mulher às vezes
O que restar desses garotos
Que tu lhe fazes dez em dez meses
Lua de mel que sabe a pouco
Mas nem por sonhos se deve
Jamais deve fazer greve
Irás a seu tempo votar
Co'o cartão de sob'rania
E a um deputado autorizar
As asneiras que tu farias
Se descobrires por qualquer arte
Que pão trabalho e liberdade
Também na rua andam ao engate
Tal com'as gajas... que f'licidade!
Talvez então dentro em breve
Mesmo em sonhos faças greve!...
(Tradução do poema de Léo Ferré La Grève)
Dia 1 de Abril!
Os projectos incluem o início da segunda fase de construção do Parque dos Poetas e da Fábrica da Pólvora, uma nova frente do passeio marítimo, com início em Algés, um novo edifício para os Paços do Concelho, uma nova aposta na habitação social, cinco centros de saúde e novos parques, casos do Bioparque ou do Parque dos Descobrimentos. 



























