quarta-feira, abril 04, 2007

Retrato do país das meias tintas

Costumo dizer que se ainda alguma das chamadas "conquistas de Abril" nos resta como tábua de salvação, ela é sem dúvida a da liberdade de expressão. Pelo menos por enquanto ainda se pode falar e, nem sequer se paga imposto. Claro que as pessoas, principalmente depois que Portugal entrou para a CEE (actualmente degenerada em União Europeia), de repente descobriram que tinham poder de compra, nem que fosse à custa do endividamento, e que pagar lhes dava um certo poder. Por isso passámos a preferir pagar para falarmos uns com os outros, optando por usar os telemóveis e os SMS's e por nos comunicarmos pela Internet, serviços que nos permitem "falar" até não poder mais e cuja publicidade enganadora nos cria a sensação de que temos toda a liberdade do mundo de passarmos horas e horas a comunicarmos por um preço irrisório. Banimos das nossas vidas o prazer de nos encontrarmos com os amigos nas mesas de café para, olhos nos olhos, concordarmos como este país está uma choldra. Cada vez esses momentos são mais raros e chega até a haver casos em que, quando as pessoas se encontram corpo a corpo, ficam assim meio à toa sem saberem o que dizerem umas às outras. Como se lhes faltasse o suporte, como se o telemóvel funcionasse como uma espécie de cigarro desbloqueador de inibições. Ao telemóvel, pelo computador, blá blá blá, palavra puxa palavra, conversas ininterruptas; cara a cara, então tudo bem? Tudo bem. E está tudo dito, adeus que se faz tarde, logo ligo-te. Xau. Foi o que ganhámos com este estado de choque tecnológico.
Voltando à questão inicial da nossa liberdade de expressão: será que ela existe realmente ou tornou-se deveras virtual? Pois ao que parece mesmo as palavras mais fortes tendem a modificar-se. Ouviram hoje aquela do Carvalho da Silva a apelar à "greve generalizada"? Mas afinal o que é isso de "greve generalizada"? Será uma greve de generais? Ou uma espécie de senha para se referir ao que em tempos se exprimia claramente por "Greve Geral" e que passa agora a assumir esta forma velada? Será realmente liberdade de expressão não chamarmos os bois pelos nomes? Somos assim tão púdicos e preconceituosos em nomear formas de luta meritoriamente conquistadas e tememos reivindicar publicamente o nosso direito ao trabalho, à saúde, à educação digna e de qualidade? E tão debochados que acham por bem nos oferecerem declaradamente a possibilidade de excluir da factura as nossas pequenas perversões voyeristas, acenando-nos com uma publicidade pulha e cúmplice, mais pornográfica que toda a pornografia alguma vez vista às escondidas.
Somos um povo mentiroso e cobarde por natureza. Capazes de enganarmo-nos até a nós próprios e nem isso admitimos. Temos medo de assumirmos seja o que for, muito menos qualquer tipo de compromisso, de tomar uma posição clara, de lutarmos pelos nossos direitos. Preferimos perdê-los calados e carpirmos depois, quando já for tarde demais. Gostamos mais de viver atolados na mentira do que admitir que nos enganámos. Daí esta maioria parlamentar. Daí este governo. Daí este primeiro-ministro com as suas crescentes sondagens. Daí um fraco em Belém. Daí este país burlesco e grotesco que mete dó.

terça-feira, abril 03, 2007

Elogio do Vagar

Estava a ver que hoje não tinha vagar para vir aqui dizer umas larachas! Parece impossível! Isto ainda são traumas de ter ido de fugida ao... Alentejo! Como é que alguém pode ir assim impunemente ao Alentejo num pé e voltar no outro. Ah cabresto de fim de semana que não rendes nada! Por causa deste meu trauma recente lembrei-me da música do Rui Veloso e, mais ainda da maravilhosa letra do Carlos Tê, para mim não um mero letrista mas sim um poeta a venerar, um dos que hoje em dia melhor consegue traçar o retrato da nossa portugalidade. Aqui vos deixo o poema + outro curto e belo do Echevarría + um link de um maravilhoso dicionário de Português online em permanente construção (como eu gosto e acho que deve ser!) e ainda o desafio para que participemos no seu enriquecimento - por exemplo, a palavra "vagar" ainda se encontra sem definição. Vão lá dar uma espreitadela, isto, claro, se tiverem vagar!

Do Meu Vagar

Carlos Tê / Rui Veloso


Já não há mais o vagar

De quando se comia sentado

E devagar se caminhava

Até chegar a qualquer lado

Agora vai toda a gente

Sempre de mão na buzina

Sempre na linha da frente

A tremer de adrenalina



Do meu vagar não trago rotas

Não tenho trilho que me prenda

Não tiro dados nem notas

Não encho uma linha de agenda

Do meu vagar não chego a Meca

Não faço nada num só dia

Não corto a fita da meta

Não vejo Roma nem Pavia



Do meu vagar

Sei que nunca hei-de ir longe

Vou aonde for preciso

Vou indo do meu vagar

Em busca do tempo perdido

E se um dia o encontrar

O longe não faz sentido



Do meu vagar há um nicho

Um pico de ilha insubmersa

Onde há lugar para o capricho

Que dá pelo nome de conversa

Do meu vagar a paisagem

Ainda tem beleza em bruto

E
vale mais uma palavra

Que mil imagens por minuto


Do meu vagar

Sei que nunca hei-de ir longe

Vou aonde for preciso

Vou indo do meu vagar


+

«E há o vagar. Não o de irmos.


O de fruir o vagar...»



Echevarría

+

Dicionário InFormal



segunda-feira, abril 02, 2007

Working Class Hero

Lívio Abramo
Operário
Xilogravura, 1935 - 35,8 x 28 cm

Working Class Hero

by John Lennon

As soon as you're born they make you feel small
By giving you no time instead of it all
Till the pain is so big you feel nothing at all
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

They hurt you at home and they hit you at school
They hate you if you're clever and they despise a fool
Till you're so fucking crazy you can't follow their rules
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

When they've tortured and scared you for twenty odd years
Then they expect you to pick a career
When you can't really function you're so full of fear
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

Keep you doped with religion and sex and TV
And you think you're so clever and class less and free
But you're still fucking peasants as far as I can see
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

There's room at the top they are telling you still
But first you must learn how to smile as you kill
If you want to be like the folks on the hill
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
If you want to be a hero well just follow me
If you want to be a hero well just follow me

domingo, abril 01, 2007

Perdoa-me!

"Cavaco Silva enviou hoje a Mário Soares um pedido formal de desculpas por se ter esquecido de o convidar a participar no encontro no Palácio de Belém onde reuniu todos os que de algum modo contribuiram para a integração de Portugal na União Europeia."
(in Vip, 01/04/2007)

Nessa cerimónia, o Presidente da República Portuguesa no seu discurso de boas-vindas , reproduziu textualmente as seguintes frases de Oliveira Salazar, não citando a fonte, mas nenhum dos presentes se apercebeu do plágio, achando que Cavaco Silva estava apenas justificando a ausência de Mário Soares:

Agradeço a todas as pessoas que quiseram ter a gentileza de assistir à minha posse a sua amabilidade. Asseguro-lhes que não tiro desse acto vaidade ou glória, mas aprecio a simpatia com que me acompanham e tomo-a como um incentivo mais para a obra que se vai iniciar.
Soubemos entretanto, através de uma fonte segura do interior do Palácio de Belém, que Mário Soares tinha já há muito preparado o seu discurso para a referida cerimónia comemorativa do 50º. Aniversário da formação da União Europeia, do qual revelamos em primeira mão a seguinte passagem:

Camaradas:

O meu objectivo porém não é falar-lhes de política interna portuguesa. O tema desta reunião é muito mais vasto: versa a Europa e Portugal ou, no que mais especialmente nos respeita, Portugal no actual contexto europeu. Permitam-me pois que aborde, sem outros desenvolvimentos marginais, esse ponto. Repensar a Europa e o seu futuro é obra de todos os europeus, povos e nações, incluindo aqueles que só marginalmente têm participado no processo da construção europeia verdadeiramente iniciada após o termo da segunda guerra mundial.
Uma escuta telefónica, efectuada do interior do Palácio a partir do mesmo número por onde a ex-primeira dama encomendava as Pizzas de Sampaio, revelou que Cavaco terá dito a um dos convidados que não iria admitir que aquele gajo os tratasse ofensivamente por "camaradas", que tratasse os seus convidados como "marginais" e tivesse ainda o desplante de dizer que assuntos de Estado de importância à escala global fossem considerados "obra do povo".

A mesma fonte revelou ao Pafúncio que foi o conhecimento prévio deste discurso, através dos serviços secretos do Palácio de Belém, que esteve na origem da decisão de Cavaco Silva de afastar Mário Soares da sua lista de convidados a participar no encontro.
Tudo não viria afinal a revelar-se um ingrato mal-entendido, pois o discurso de Mário Soares datava afinal de 1976 (Discurso proferido por Mário Soares no Porto no decurso da cimeira de dirigentes de partidos europeus integrados na Internacional Socialista, da própria Internacional Socialista e da Confederação Internacional dos Sindicatos Livres, reunida sob o lema «A Europa connosco!»), o que terá levado Cavaco Silva, na sua humildade boliqueimensa, a desfazer a gaffe, enviando a Mário Soares o pedido formal de desculpas que aqui transcrevemos em primeira mão:

Perdoa-me, ó Marocas, mas parecia mesmo que te estavas a preparar para lá ir naquele dia chuchar connosco. Quando te passar o amok já sabes que podes vir até aqui ao Palácio jantar comigo e com a Maria. Ela está ansiosa por discutir contigo as políticas de centro-esquerda, vê lá para o que lhe havia de dar!
Teu
Aníbal de Cavaco e Silva


sábado, março 31, 2007

Because The Night

Marc Chagall, Lovers

(Bruce Springsteen/Patti Smith)

take me now baby here as I am
pull me close, try and understand
desire is hunger is the fire I breathe
love is a banquet on which we feed

come on now try and understand
the way I feel when I'm in your hands
take my hand come undercover
they can't hurt you now,
can't hurt you now, can't hurt you now
because the night belongs to lovers
because the night belongs to lust
because the night belongs to lovers
because the night belongs to us

have I doubt when I'm alone
love is a ring, the telephone
love is an angel disguised as lust
here in our bed until the morning comes
come on now try and understand
the way I feel under your command
take my hand as the sun descends
they can't touch you now,
can't touch you now, can't touch you now
because the night belongs to lovers ...

with love we sleep
with doubt the vicious circle
turn and burns
without you I cannot live
forgive, the yearning burning
I believe it's time, too real to feel
so touch me now, touch me now, touch me now
because the night belongs to lovers ...

because tonight there are two lovers
if we believe in the night we trust
because tonight there are two lovers ...

sexta-feira, março 30, 2007

Lenine? Que Lenine?



Ontem bem que eu própria me senti meio-pafuncia no concerto do Lenine
Só "meio" porquê? - perguntam vocês, sempre tão sedentos de respostas concretas. Pois reparem que eu estava ali vendo e ouvindo aquela música toda sentada. Normal, não acham? Mas eu não acho! Eu digo "meio" porque eu me sent(e)i ali paraplégica sambando só da cintura para cima. Isto de assistir a concertos destes civilizadamente (!) dá-me volta ao estômago e ao miolo. Tudo ali se contendo, a excitação do som se alastrando e cada macaco no seu galho, a segurar-se. Os músicos ali dando o seu melhor que bom e tudo ali discreto e ordenado. Pareciamos mesmo o tal povinho dos brandos costumes em ressaca de mais uma vitória salazarenta, pegajosa. A mim não se me pegou, que eu não deixei. Às tantas disparei para o escuro da lateral, mas cadê a união? Onde pára a alegria da festa (Foi bonita a festa, pá)? Mas que gente esta, tão pafúncia, tão pafúncia... Um encore ou dois, palminhas olaré e vamos mas é colocar a pantufa no pé que se faz tarde e amanhã é dia de trabalhinho porreirinho da silva. O medo. O medo isto, o medo aquilo, a canção que eu não conhecia do Lenine. Tão apropriada para atirar a um povo que tem medo de sentir a alegria que dá estar vivo. VIVA LENINE.

Dantes era preciso ir à Rússia para ver o Lenine, comentou o meu pai, no dia seguinte. Que Lenine esse, que nada. Este está vivo, VIVO!, ouviram? O que terá o próprio pensado desta coisa da globalização que já o fez ver chineses amarelos em pé a curtir a dança para a qual aquela música convida e portugueses moreno-amarelentos de fim de Inverno sentados e trauteantes, como se assistissem a um faduncho deprimente? Puta globalização!

Parece que já não há bichas a visitarem o Lenine no túmulo da Praça Vermelha. Felizmente alguém pôs cá este outro em substituição. Talvez, quem sabe, um dia possamos voltar a vê-lo de pé, ó vítimas da fome de alegria e de libertação do corpo e do espírito. Estava cheio o Teatro. Cheio de bolor e de caruncho, um dia o tecto ainda cai e o Tivoli vai abaixo com tamanho aplauso. Felizmente ainda que não foi desta. Mas ao mesmo tempo, pena que não veio abaixo. Um dia ou vai ou racha! Porque ela fere rente!


Lenine - A Balada Do Cachorro Louco
(Lenine, Lula Queiroga e Chico Neves)
eu não alimento nada duvidoso
eu não dou de comer a cachorro raivoso
eu não morro de raiva
eu não mordo no nervo dormente

eu posso até não achar o seu coração
e talvez esquecer o porquê da missão
que me faz nessa hora aqui presente
e se a minha balada na hora H
atirar para o alvo cegamente
ela é pontiaguda
ela tem direção
ela fere rente
ela é surda, ela é muda
a minha bala, ela fere rente

eu não alimento nenhuma ilusão
eu não sou como o meu semelhante
eu não quero entender
não preciso entender sua mente
sou somente uma alma em tentação
em rota de colisão
deslocada, estranha e aqui presente

e se a minha balada na hora então
errar o alvo na minha frente
ela é cega, ela é burra
ela é explosão
ela fere rente
ela vai, ela fica
a minha bala ela fere rente

Parabéns, Ó Pafúncio!

O Pafúncio faz hoje um ano. Não teve bolo porque ele já está gordo demais com tanto post. Mas se tivesse tido a maior fatia seria para o querido amigo Outsider, campeão da persistência de vir aqui deixar abraços. Tudo de bom para ele! E também muito obrigada a todos os que por cá têm passado. Sei que este Pafúncio não merece grande homenagem. Como todos os pafúncios ele é pouco esforçado, nada consistente, às vezes supérfluo e até um pouco fútil. Como há-de ele querer ter mais visitas se as mais das vezes se fecha em si próprio, é egoísta e misantropo? Se bem que lá no fundo, lá bem no osso por debaixo daquela pança de burguês, ele é um sonhador inveterado. Produto das circunstâncias, foi isso o que o dinheiro rápido fez dele, ele não se consegue livrar do seu ego que tudo ocupa. Vaidoso, cheio de defeitos, senhor do seu umbigo, mulherengo, burguês egocentrista. Por mim, hei-de sempre kaoticamente reagir contra ele, contra todas as formas de pafúncios que se conformem em sê-lo. Mas afinal quantos de nós não ocultarão em si mesmos qualquer coisa de pafúncio? É que afinal este blog não pretende fazer mais do que exorcizar os demónios pafúncios que toda a classe burguesa ainda guarda em si. Fora com o Pafúncio. Eu lhe desejo que o novo ano lhe traga uma renovada consciência de que é preciso deixar de ser Pafúncio para que o mundo possa ainda vir a ser um lugar bem melhor do que este que aqui temos!

quarta-feira, março 28, 2007

Mande o telemarketing dar uma curva

São de Andy Rooney, da CBS,estas preciosas dicas

sobre como lidar com as agressões de telemarketing,

que constituem para todos nós uma praga quase diária.


(1) Um método que realmente funciona:

Ao receber uma chamada de telemarketing a oferecer um produto ou um serviço, diga apenas, com toda a cortesia: "Por favor, aguarde um momento...". Dito isto, deixe o telefone sobre a mesa e vá fazer outras tarefas (em vez de simplesmente desligar o telefone de imediato). Isso vai fazer com que cada chamada de telemarketing para o seu telefone tenha uma duração longuíssima, ultrapassando em muito os limites impostos ao indivíduo que lhe ligou.

De vez em quando, verifique se o sujeitinho ou menina ainda está em linha. Reponha o telefone na posição de repouso apenas quando tiver a certeza de que desligaram. Não tenha dúvida de que esta é uma lição de custo elevado para os intrusos.

(2) Já alguma vez lhe sucedeu atender o telefone e parecer que não há ninguém do outro lado?

Se sim, fique a saber que esta é uma técnica de telemarketing executada por um sistema computorizado, o qual estabelece a ligação e regista a hora em que a pessoa atendeu o telefone. Esta técnica é utilizada por alguns serviços de marketing para determinar a melhor hora do dia em que uma pessoa dos serviços poderá ligar-lhe, evitando assim que o "precioso" tempo de ligação deles venha a ser desperdiçado, se não encontrar ninguém em casa.

Neste caso, ao receber este tipo de ligação, não desligue. Ao invés, pressione imediatamente a tecla "#" do aparelho, seis ou sete vezes seguidas e em sequência rápida. Normalmente, este procedimento confunde o computador que discou o seu número, fazendo-o registar que o número é inválido, eliminando-o assim da base de dados.

(3) Publicidade inserida nas contas recebidas pelo correio:

Todos os meses recebemos publicidade indesejada inserida nas contas de telefone, luz, água, cartões de crédito, etc. Muitas vezes essa propaganda vem acompanhada de um envelope-resposta, que "não precisa selar; o selo será pago por..."

Insira nesses envelopes pré-pagos a publicidade recebida e coloque-a no correio, endereçado de volta o a essas companhias. Caso queira preservar a sua privacidade, antes de inserir a publicidade no envelope remova todo e qualquer item que possa identificá-lo.

Este é um método que funciona excelentemente para ofertas de cartões, empréstimos, e outro material não solicitado. Portanto, não atire fora esses envelopes pré-pagos! Ao devolvê-los com a propaganda recebida, está a fazer com que as referidas empresas paguem duas vezes pela publicidade enviada. Se quiser adicionar uma pitada de malvadez, aproveite para inserir anúncios da pizzaria do seu bairro, da lavandaria, do dentista, de canalizadores, fabricantes de marquises de alumínio, ou qualquer outro item importuno que esteja à mão.

Há já várias pessoas a usarem estes métodos de devolver a lixarada publicitária. Está na altura de mandarmos o nosso recado às empresas. É preciso, no entanto, que existam números expressivos de pessoas a aplicar estas técnicas eficazes de protesto. Talvez não seja má ideia passar este mail aos seus amigos.

terça-feira, março 27, 2007

Dia Mundial do Teatro: Homenagem a Bertold Brecht

Esse Desemprego

Meus senhores, é mesmo um problema

Esse desemprego!

Com satisfação acolhemos

Toda oportunidade

De discutir a questão.

Quando queiram os senhores! A todo momento!

Pois o desemprego é para o povo

Um enfraquecimento.

Para nós é inexplicável

Tanto desemprego.

Algo realmente lamentável

Que só traz desassossego.

Mas não se deve na verdade

Dizer que é inexplicável

Pois pode ser fatal

Dificilmente nos pode trazer

A confiança das massas

Para nós imprescindível.

É preciso que nos deixem valer

Pois seria mais que temível

Permitir ao caos vencer

Num tempo tão pouco esclarecido!

Algo assim não se pode conceber

Com esse desemprego!

Ou qual a sua opinião?

Só nos pode convir

Esta opinião: o problema

Assim como veio, deve sumir.

Mas a questão é: nosso desemprego

Não será solucionado

Enquanto os senhores não

Ficarem desempregados!

(Bertold Brecht)

Matéria Poética I: Cancioneiro Joco-Marcelino de Natália Correia V


Marcelo até de Almeida
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Da cartola ofícios piedosos
tira Marcelo que em humilde mística,
do papagaio os bicos dolorosos
para carregar o lixo, mortifica.
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Vencendo o asco que ao menino bem
da vil lixeira o tremedal provoca,
vomita, mas a estrela de Belém
para à Câmara o guiar Marcelo invoca.
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Chorando pérolas amargas no chiqueiro
num andar aos papéis que não tem fim,
a Santo António da Lisboa milagreiro
Marcelo oferece o derreado rim.
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E em pungente epopeia camarária
do martírio fazendo nova Eneida,
proclama em santidade proletária:
não me chamem Marcelo, eu sou Almeida.

Eles andarem aí ...

"Os meninos nazis", ZECA AFONSO

O país vai de carrinho

Vai de carrinho o país

Os falcões das avenidas

São os meninos nazis


Blusão de cabedal preto

Sapato de bico ou bota

Barulho de escape aberto

Lá vai o menino-mota


Gosta de passeio em grupo

No mercedes que o papá

Trouxe da Europa connosco

Até à Europa de cá


Despreza a ralé inteira

Como qualquer plutocrata

Às vezes sai para a rua

De corrente e de matraca


Se o Adolfo pudesse

Ressuscitar em Abril

Dançava a dança macabra

Com os meninos nazis


Depois mandava-os a todos

Com treze anos ou menos

Entrar na ordem teutónica

Combater os sarracenos


Os pretos, os comunistas

Os Índios, os turcomanos

Morram todos os hirsutos!

Fiquem só os arianos !


Chame-se o Bufallo Bill

Chegue aqui o Jaime Neves

Para recordar Wiriamu,

Mocumbura e Marracuene


Que a cruz gamada reclama

e novo o Grão-Capitão

Só os meninos nazis

Podem levar o pendão


Mas não se esqueçam do tacho

Que o papá vos garantiu

Ao fazer voto perpétuo

De ir prà puta que o pariu

domingo, março 25, 2007

Prémio "O tamanho conta"

"O tamanho conta no Mundo de hoje",
sublinhou o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso,
apelando para um espírito de colaboração na União Europeia (UE),
por ocasião do 50º aniversário do Tratado de Roma.
in Jornal de Notícias

Para nós também!
Por isso aqui vai um grande
para um grande

Gentileza oleiros das Caldas e Wehavekaosinthegarden

sexta-feira, março 23, 2007

Blog em Defesa da Escola Pública - PARTICIPE... antes que seja tarde demais!

A Comissão para a Defesa da Escola Pública criou um blog que tem como primeiro objectivo recolher testemunhos de todos aqueles que estão de alguma forma envolvidos no processo educativo e se empenham a defender um ensino democrático de qualidade.

escola-publica.blogspot.com

Este blog serve de apoio a uma iniciativa organizada por esta Comissão: realizar no dia 14 de Abril em Algés, no Teatro Amélia Rey Colaço, com início às 15:00h, um Encontro em Defesa da Escola Pública, aberto ao público.

Convidamos todos os cidadãos conscientes quer sejam professores, educadores, pais, alunos, auxiliares do processo educativo ou apenas cidadãos interessados em defender o direito a um ensino de qualidade que dê a todos as mesmas oportunidades a visitá-lo e a deixar nele os comentários que desejar.

Caso desejem contribuir com a vossa experiência educativa, prestar o vosso testemunho ou sugerir algum assunto a ser debatido no Encontro, podem mandar as vossas sugestões, textos ou notícias de interesse para este contacto. Caso não possam comparecer no Encontro pessoalmente, poderemos fazer chegar a sua voz a todos os participantes do Encontro e/ou aos visitantes do blog.

Toda a defesa é exercida em resposta a um ataque. Os serviços públicos estão a ser alvo de um ataque por parte do governo. Esta manobra não é original nem exclusiva do nosso governo. Por todos os países da União Europeia os mesmos ataques são feitos por meio de directivas que são para se aplicar na generalidade e para se fazer cumprir. As suas repercussões práticas são o fecho de maternidades e urgências médicas, o encerramento das escolas, a passagem subreptícia dos serviços públicos para empresas privadas, entre outras. O governo de Sócrates tem se mostrado competente a aplicá-las sem as pôr em causa, não atendendo às especificidades de um país cada vez mais empurrado para a cauda da Europa. Talvez seja o momento de repensarmos em conjunto até que ponto as políticas da União Europeia nos servem ou destroem. Todos os dias perdemos direitos conquistados. É chegada a altura de travar essa destruição. Só unidos num mesmo objectivo teremos a força suficiente para defender o que ainda resta do país de Abril.

quinta-feira, março 22, 2007

Última hora

A gata que estava com o cio no Natal acabou há pouco de parir o quarto gatinho. Isto é o que eu chamo uma verdadeira dádiva da Primavera! Devem ser parecidos com os anteriores, os que estão na imagem. Desta vez foi mais recatada e parece que são todos filhos do mesmo pai. Claro que fez tudo o que tinha a fazer, sozinha, dentro de um caixote de cartão. Só espero que o ministro da saúde nem sonhe uma coisa destas, senão adeus confortáveis ambulâncias à beira de rápidas auto-estradas a caminho de inacessíveis hospitais. Toma lá um caixote e depois não te esqueças de o reciclar, senão os teus filhos jamais te considerarão uma super-mulher. No final vais parar ao "Velhão" que te lixas! Para quando um "Ministrão"? Isso sim, seria uma medida verdadeiramente amiga do ambiente!

quarta-feira, março 21, 2007

Dia Mundial da Poesia

Homenagem a Ary dos Santos, poeta da revolução deliberadamente esquecido
Poeta castrado não! (José Carlos Ary dos Santos)


Serei tudo o que disserem

por inveja ou negação:

cabeçudo dromedário

fogueira de exibição

teorema corolário

poema de mão em mão

lãzudo publicitário

malabarista cabrão.

Serei tudo o que disserem:

Poeta castrado não!


Os que entendem como eu

as linhas com que me escrevo

reconhecem o que é meu

em tudo quanto lhes devo:

ternura como já disse

sempre que faço um poema;

saudade que se partisse

me alagaria de pena;

e também uma alegria

uma coragem serena

em renegar a poesia

quando ela nos envenena.


Os que entendem como eu

a força que tem um verso

reconhecem o que é seu

quando lhes mostro o reverso:


Da fome já não se fala

- é tão vulgar que nos cansa -

mas que dizer de uma bala

num esqueleto de criança?


Do frio não reza a história

- a morte é branda e letal -

mas que dizer da memória

de uma bomba de napalm?


E o resto que pode ser

o poema dia a dia?

- Um bisturi a crescer

nas coxas de uma judia;

um filho que vai nascer

parido por asfixia?!

- Ah não me venham dizer

que é fonética a poesia!


Serei tudo o que disserem

por temor ou negação:

Demagogo mau profeta

falso médico ladrão

prostituta proxeneta

espoleta televisão.

Serei tudo o que disserem:

Poeta castrado não!

Primavera, mãe de toda a renovação

Giuseppe ARCIMBOLDO, Primavera

terça-feira, março 20, 2007

segunda-feira, março 19, 2007

Mesma raça...

"As long as the book remains the privilege of a small, elite class and does not find reception by the people, one will not be able to speak of real benefits to the nation through the book." Goebbels

Pesadelo de Leitão

Allarve


Manuel Pinho, ministro de Portugal e dos Allarves D'Aquém e D'Além mar faz saber a todos os portugueses que o Algarve deixou de existir: pelo andar da carruagem à velocidade dos TGV's dentro em breve a allimária deve preparar-se para vender também o Allentejo, Allgés e Allguidares de Baixo. Grande morcão! Vamos aproveitar as marés vivas que aí vêm e deitá-lo do penhasco a baixo! Acorda povo! que a nação está a ser descaradamente destruída debaixo do teu nariz e tu não vês.
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