terça-feira, abril 24, 2007

SER OU NÃO SER ENGENHEIRO...EIS A QUESTÃO!!!

DESCRIÇÃO DE MOVIMENTO HARMÓNICO SIMPLES

PARA ENGENHEIROS :


PARA NÃO ENGENHEIROS :


Em Conclusão, eu diria que, não percebo o porquê de tanta polémica em redor do caso de José Socrates. Eu , no lugar dele, preferia não ser Engenheiro...mas ele é que sabe :))))

Recebido por mail de autor anónimo

Uma mentira nunca vem só: Morais da história

O PROFESSOR QUE SÓCRATES NÃO CONHECIA,
NÃO CONHECEU NEM QUER OUVIR FALAR;
A BEM DA NAÇÃO

CHAMA–SE ANTÓNIO JOSÉ MORAIS E É ENGENHEIRO A SÉRIO; DAQUELES RECONHECIDOS PELA ORDEM (não é uma espécie de Engenheiro, como diriam os Gatos Fedorentos).

O António José Morais é primo em primeiro grau da Dr.ª Edite Estrela. É um transmontano tal como a prima que também é uma grande amiga do Eng. Socrates. Também é amigo de outro transmontano, também licenciado pela INDEPENDENTE o Dr. Armando Vara, antigo caixa da Caixa Geral de Depósitos e actualmente Administrador da Caixa Geral de Depósitos, grande amigo do Eng. Sócrates e da Dr.ª Edite Estrela.

O Eng. Morais trabalhou no prestigiado LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) só que, devido ao seu elevado empreendedorismo, canalizava trabalhos destinados ao LNEC, para uma empresa em que era parte interessada. Um dia foi convidado a sair pela infeliz conduta.

Trabalhou para outras empresas entre as quais a HIDROPROJECTO e pelas mesmas razões foi convidado a sair.

Nesta sua fase de consultor de reconhecido mérito trabalhou para a Câmara da Covilhã aonde vendeu serviços requisitados pelo técnico Eng. Socrates.

Daí nasce uma amizade.

É desta amizade entre o Eng. da Covilhã e o Eng. Consultor que se dá a apresentação do Eng. Sócrates à Dr.ª Edite Estrela, proeminente deputada e dirigente do Partido Socialista.

E assim começa a fulgurante ascensão do Eng. Sócrates no Partido Socialista de Lisboa apadrinhada pela famosa Dr.ª Edite Estrela, ainda hoje um vulto extremamente influente no núcleo duro do líder socialista.

À ambição legítima do político Sócrates era importante acrescentar a licenciatura.

Assim o Eng. Morais, já professor do prestigiado ISEL (Instituto Superior de Engenharia de Lisboa) passa a contar naquela Universidade com um prestigiado aluno – José Sócrates Pinto de Sousa, bacharel.

O Eng. Morais demasiado envolvido noutros projectos faltava amiúdes vezes ás aulas e naturalmente foi convidado a sair daquela docência.

Homem de grande espírito de iniciativa, rapidamente colocou–se na Universidade Independente.

Aí o seu amigo bacharel José Sócrates, imensamente absorvido na politica e na governação seguiu – "porque era a escola, mais perto do ISEL que encontrou ".

E assim se licenciou, tendo como professor da maioria das cadeiras (logo quatro, de cinco) o desconhecido mas exigente Eng. Morais. E ultrapassando todas as dificuldades, conseguindo ser ao mesmo tempo Secretário de Estado e trabalhador estudante licencia–se, e passa a ser Engenheiro, à revelia da maçadora Ordem dos Engenheiros, que segundo consta é quem diz quem é Engenheiro ou não, sobrepondo–se completamento ao Ministério que tutela o ensino superior.

(Essa também não é muito entendivel. Se é a Ordem que determina quem tem aptidão para ser Engenheiro devia ser a Ordem a aprovar os Cursos de Engenharia. La Palisse diria assim)

Eis que licenciado o governante há que retribuir o esforço do HIPER MEGA PROFESSOR, que com o sacrifício do seu próprio descanso deve ter dado aulas e orientado o aluno a horas fora de normal, já que a ocupação de Secretário de Estado é normalmente absorvente.

E ASSIM FOI:

O amigo Vara, também secretário da Administração Interna coloca o Eng. Morais como Director Geral no GEPI, um organismo daquele Ministério.

O Eng. Morais, um homem cheio de iniciativa, teve que ser demitido devido a adjudicações de obras não muito consonantes com a lei e outras trapalhadas na Fundação de Prevenção e Segurança fundada pelo Secretário de Estado Vara.

(lembram-se que foi por causa dessa famigerada Fundação que o Eng. Guterres foi obrigado a demitir o já ministro Vara (pressões do Presidente Sampaio), o que levou ao corte de relações do DR. Vara com o DR. Sampaio – consta–se até que o Dr. Vara nutre pelo ex. Presidente um ódio de estimação.

O Eng. Guterres, farto que estava do Partido Socialista (porque é um homem de bem, acima de qualquer suspeita, integro e patriota) aproveita a derrota nas autárquicas e dá uma bofetada de luva branca no Partido Socialista e manda–os todos para o desemprego.

Segue–se o Dr. Durão Barroso e o Dr. Santana Lopes que não se distinguem em praticamente nada de positivo e assim volta o Partido Socialista comandado pelo Eng. Socrates E GANHA AS ELEIÇÕES COM MAIORIA ABSOLUTA.

Eis que, amigo do seu amigo é, e vamos dar mais uma oportunidade ao Morais, que o tipo não é para brincadeiras.

E o Eng. Morais é nomeado Presidente do Instituto de Gestão Financeira do Ministério da Justiça.

O Eng. Morais homem sensível e de coração grande, tomba de amores por uma cidadã brasileira que era empregada num restaurante no Centro Comercial Colombo.

E como a paixão obnibula a mente e trai a razão nomeia a "brasuca" Directora de Logística dum organismo por ele tutelado a ganhar 1600 € por mês. Claro que ia dar chatice, porque as habilitações literárias (outra vez as malfadadas habilitações) da pequena começaram a ser questionadas pelo pessoal que por lá circulava.

Daí a ser publicado no "24 HORAS" foi um ápice.

E ASSIM lá foi o apaixonado Eng. Morais despedido outra vez.

TIREM AS VOSSAS CONCLUSÕES

(recebido por mail)

Quadra ao gosto do Sineiro

Na sequência deste meu post, o meu amigo Sineiro ofereceu-me esta quadra, o que muito lhe agradeço.

Pu-ema dedicado aos de-pu-tados da Maioria:

Ao Cume chegam nervosos
Estes que agora vos mando
Do Cume saem cheirosos
Do Cume partem rimando

segunda-feira, abril 23, 2007

Elogio ao Livro

Picasso, Woman with Book

«Temos de encontrar uma forma de comunicação que substitua essa coisa arcaica que é o livro; um modo de comunicação rápido, manejável, portátil, biodegradável, que não consuma energia, com o formato que quisermos. Pois bem, já temos: é o livro!»
Isaac Asimov

Em 1978, Borges começou assim uma palestra na Universidade de Belgrano: «Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, indubitavelmente, o livro. Os outros são extensões do seu corpo. O microscópio e o telescópio são extensões da vista; o telefone é o prolongamento da voz; seguem-se o arado e a espada, extensões do seu braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação.» («Borges Oral», «Obras Completas», vol. IV, Teorema, 1999)

domingo, abril 22, 2007

Matéria Poética I: Cancioneiro Joco-Marcelino de Natália Correia VII

O Ambidextro

Da marcelíada o variegado herói,
nova gesta alfacinha o arrebata:
das ruas escalavradas se condói
e de enfermeiro da urbe veste a bata.
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Noite fora, coluna massacrada,
olho ávido posto na eleição,
padre-operário da Lisboa esburacada
junta Marcelo gravilha e alcatrão.
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Com uma das mãos, caritativo estro!
das ruas tapa os hórridos buracos;
com a outra, o maroto do ambidextro
esburaca o PSD para o pôr em cacos.
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Arrepia-se Aníbal com o embuçado
tingido de escarlate Pimpinelo
e contra a mascarada solta um brado:
- Fora com o gajo que ele é foice e Marcelo!

"Deputados de cú"

A maioria do grupo parlamentar do PS é constituída pelos chamados "deputados de cú". Ora para se ser um "deputado de cú" não basta ter a respectiva cara. Também é preciso obedecer cegamente a uma disciplina de voto e agir como um cú aberto a toda e qualquer lei emanada pelo governo quer se concorde com ela quer não. Além disso o chamado "deputado de cú", dá o respectivo mais 8 euros (dantes eram tostões, e até chegaram a ser "marcelos" no tempo do outro senhor, quando eram um pedaço de lata branca e levezinha que, de uma forma bem mais realista, ilustrava a insignificância da nossa moeda) para continuar com as bordas bem assentes na bancada parlamentar que ocupam. Como eu ia dizendo, esses senhores deputados dessa natureza tão sui generismente cuzampeira, dão tudo o que têm para continuar com o real cú bem assente na Assembleia da República e por isso, apesar de terem a força do mandato que uma maioria dada pelo voto do povo lhes conferiu, como não se querem arriscar a perder o assento para o realíssimo, eles deixam passar toda a casta das mais abjectas leis que o governo lhes dá a aprovar. Como têm cú, têm medo de serem corridos e que os seus lugares sejam dados a outros que levantem menos problemas. Por isso permanecem caladinhos e de cuzinhos bem apertados cada vez que o "senhor engenheiro" sobe ao púlpito para auto-elogiar a forma expedicta como o seu governo vai encaminhando o país para o cú da Europa. E no final de cada sessão parlamentar ainda o aplaudem cu movidos.

Votem e passem a palavra

Reproduzo aqui um comentário que me pareceu bem digno de atenção. Eu já votei e há pouco já ia em 3º. lugar. Peço agora a todos que entrem no link e vão lá ver o selo da autoria do Davide da Costa e, caso achem como eu que ele dignifica José Afonso, lhe dêem a generosidade do vosso voto. Caros amigos,

"José Afonso", figura ímpar da cultura portuguesa, que trilhou, desde sempre, um percurso de coerência na recusa permanente do caminho mais fácil, da acomodação, no combate ao fascismo salazarista e pela liberdade e democracia, é tema de um selo que está em 5º lugar. Precisamos do voto de todos para que se faça um selo em sua memória e em louvor à Liberdade.
Num período de exaltação de valores salazaristas, devemos contrapor com os nossos defensores de Abril!

“Venham mais cinco!!
Traz um amigo também!”


VOTA
[aqui]

Abril, SEMPRE!!

Davide da Costa

sexta-feira, abril 20, 2007

O que cabe e o que não cabe num poema


NÃO HÁ VAGAS

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás,
a luz, o telefone,
a sonegação
do leite
da carne,
do pão.


O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome,
sua vida fechada
em arquivos.

Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras.

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Porque o poema senhores,
está fechado:
"não há vagas".

Só cabe no poema
o homem sem estômago,
a mulher de nuvens,
a fruta sem preço.
O poema senhores,
não fede,
nem cheira.

Ferreira Gullar
(página oficial)

quinta-feira, abril 19, 2007

A Grande Pirâmide

Letra: Carlos Tê

Estuda essa lição
sobe cada degrau
do conhecimento
para seres alguém
para teres o teu momento
vais ter de subir
custe o que custar
qualquer meio vale
para lá chegar

à grande pirâmide
à grande pirâmide

depois de subir
tu vais saber tudo
mas não vais ter tempo
de perceber nada
porque o que te informa
não é conhecimento
é tradição e norma
sem questionar a forma

à grande pirâmide
vais querer chegar
à grande pirâmide
depois de lá chegar

não penses duas vezes
não fiques para trás
tu és um gladiador
vais ter um carro preto
com dois mil de motor
e uma vivenda murada
depois de lá chegar

depois de lá chegar
podes ver o nada
depois de lá chegar
podes querer saltar

da grande pirâmide
podes querer saltar
da grande pirâmide
já te falta o ar

à grande pirâmide
à grande pirâmide

Frase das madrugadas de Abril

Gloria Valdés
Zapata, óleo en lienzo, 24" x 36"

"Um povo forte não precisa de um líder forte".

Emiliano Zapata

quarta-feira, abril 18, 2007

Bate certo, senhor Engenheiro!

Reflexão Nocturna

Impressões/Contemplações

A primeira impressão que se tem perante uma obra de arte é determinante para a formação do espírito. A partir dela tudo vem por acréscimo e tudo procura educar essa primeira sensação impressa. Educar, docilizar, “tornar mais doce”, conduzir, ou seja arranjar uma ou mais motivações para explicar o que se julga ter entendido. Resta a espiritualidade dessa impressão gravada no momento. Impressões são ferramentas do espírito quando tomadas em consideração. Momentos imediatos, acessos do estado de espanto do espírito.

Contemplar é olhar com mais atenção, também serve para contar histórias. Uma espécie de domesticar daquela primeira impressão, um domar da fera do imediato, rumo à construção da história?

Eis o poder do objecto artístico – atrair o olhar e pela sensação causar a impressão que fica tatuada num lugar imediato e impreciso que, a partir daí, urge procurar – descrever essa sensação por muitas palavras. Experimentada a sensação, restam as palavras e o acto paciente de contemplar.
Como descrever a sensação? Como a contemplar?

Dos que mostram a cara...

"A desobediência é uma virtude necessária à criatividade." (Raúl Seixas)

Requiem Para Uma Flor

Raul Seixas

Composição: Raul Seixas/ Oscar Rasmunssem

Fruto do mundo
Somos os homens
Pequenos girassois
Dos que mostram a cara
E enormes as montanhas
Que não dizem nada

Incapaces los hombres
Que hablam de todo
Y sufrem callados

terça-feira, abril 17, 2007

Constatação porca das altas da madrugada

Parece que desta vez está tudo de acordo
- esquerda, direita, centro esquerda, extrema esquerda e extrema direita: o Sócrates está mesmo en Rabat!
Faz parte desta campanha "Sócrates NÃO"!

segunda-feira, abril 16, 2007

Matéria Poética I: Cancioneiro Joco-Marcelino de Natália Correia VI

O Carochinha
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Dos voos de Marcelo, o transformista,
em doméstico dom repousa a asa:
farto de andar ao trapo e ser fadista
torna-se modelar dona de casa.
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Na modéstia exemplar dessa roupeta
- Ó eleitoral, virtuosa esfalfadeira
de ser dono da casa lisboeta! -
vai Marcelo às mercas na Ribeira.
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enche a dispensa, lava a roupa é cozinheiro,
cose a meia, faz tricot, varre a casinha.
Por fim, põe-se à janela e diz faceiro:
Quem quer, quem quer casar com a carochinha?

Thinking Blogger Award - se já ganhou um, fica com dois!

O bom do Kaos, com muita gentileza sua, resolveu atribuir o “Thinking Blogger Award” ao Pafúncio. Agradeço-lhe a distinção que, por me ter sido concedida por quem foi, ganhou subitamente valor, não pelo prémio, mas pela pessoa que o atribuiu. Fico agora com a ingrata tarefa de o atribuir a cinco blogs, o que farei tendo em conta a estima que me merecem as pessoas que os fazem. Claro que terei que fazer uma escolha que, como todas as escolhas, será altamente subjectiva. Que me perdoem os premiados e os não premiados.

Atribuo o Thinking Blogger Award aos seguintes blogs:

Outminder porque é o visitante mais assíduo do Pafúncio, por vezes é mesmo o único, e porque deixa sempre aqui o seu comentário amigo, inteligente e interessado, dando a maior força para continuar. Quanto ao seu blog, ele vai sendo feito ao sabor do momento, umas vezes com mais inspiração, outras com menos, o que lhe confere uma enorme humanidade, mas sempre marcado por um toque de humor que tem claramente a excelente intenção de bendispor quem o visita. Além disso é sempre possível aprender por lá algo de novo, pois sai-se muito bem nessa dupla faceta humor/curiosidade.

É com muito gosto que atribuo este prémio ao blog de outro blogger excelente: o Sa morais, pai do Ideias Fixas 2. Neste blog é sempre possível encontrar um Quiz para exercitar a memória ou a capacidade de procurar informação em contra-relógio, para quem gosta de ir aprendendo umas coisas, com o espírito do jogador sempre pronto a desafiar a sua própria inteligência; além disso há sempre as “Rapidinhas” onde se podem encontrar sempre assuntos actuais e interessantes, assim como “botar” acima ou “botar” abaixo aquilo que for merecedor de uma ou da outra atitude, sempre com muita justiça e bom senso. Além do mais o Sá é um fervoroso defensor dos animais e, como tal, só pode ser mesmo uma excelente pessoa, com um enorme coração. É ainda o autor de um fantástico livro de literatura fantástica - "Goor - A Crónica de Feaglar" e, com tudo isto a seu cargo, ainda lhe sobrou tempo para fazer o Gonçalo que é a mais perfeita das suas obras, contrariando assim a tendência aberrante do mundo actual já aqui tratada no “Make blogs, not love”. Grande Sá!

O Apanha Moscas é o blog do Luikki. Tem conteúdos políticos e faz duras – mas muito justificadas – críticas ao estado actual da nação e da situação mundial e sustenta as suas ideias com argumentos justos e coerentes. É um blog nitidamente de esquerda, o que nos tempos que vão correndo só pode ser uma mais valia pois, como ele próprio diz, “as moscas mudam, mas…”. Um blogger reflexivo, totalmente comprometido com as suas ideias e os seus ideais tem todo o mérito de ganhar este prémio, num momento histórico em que está na moda ficar-se pelas meias tintas, não se tomar partido e (des)agir-se, como faz o analfabeto político de todos os tempos de que já falava Brecht. Temos homem para a revolução!

Como gosto muito de poesia e de imagens, do mar, do amor e das coisas que ditas em poucas palavras se tornam subitamente simples, sinceras e verdadeiras, não hesito em atribuir o prémio ao blog da TB, Linhas de Pensamento. Tem o grande mérito de usar poemas, que por vezes se resumem a uma frase poética, da sua autoria, o que já não é pouco, os quais revelam nas palavras e nas entrelinhas a excelente pessoa que os cria. Uma poesia solar, límpida, com cheiro a maresia, com a veracidade e a força de um grande amor.

Outro blog que quero premiar é o Que Conversa, feito como uma renda de bilros, com o amor, o cuidado e a atenção às pequenas coisas com que se tece uma renda de bilros, feito pela… Rendadebilros. Nele se encontram belos poemas da autora, pequenas histórias cheias de sentido e de vivência, certeiros comentários feitos ao mundo que a rodeia, por uma voz amiga que sempre chega na hora certa, dando uma enorme força a quem tem o privilégio de ser por ela visitado.

Agora vocês, se quiserem entrar no jogo e tiverem uma paciência infinita, poderão atribuir este prémio da blogosfera cada um de vós a cinco outros blogs da vossa preferência. Não me levem a mal, quem poderia recusar fosse o que fosse ao Kaos?



sábado, abril 14, 2007

Brecht, Brecht e mais Brecht!!!


Inscrição Mural do Maio de 68

I - O Analfabeto Político - Bertold Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe,

da farinha, da renda de casa, dos sapatos, dos remédios,
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e
enche o peito de ar dizendo que odeia a política.
Não sabe, o idiota,
que da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos
que é o político vigarista, aldrabão,
o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.

(Bertolt Brecht)

II - Elogio da Dialéctica (Berthold Brecht)

A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.
Os dominadores se estabelecem por dez mil anos.
Só a força os garante.
Tudo ficará como está.
Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores.
No mercado da exploração se diz em voz alta:
Agora acaba de começar:
E entre os oprimidos muitos dizem:
Não se realizará jamais o que queremos!
O que ainda vive não diga: jamais!
O seguro não é seguro. Como está não ficará.
Quando os dominadores falarem
falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer: jamais?
De quem depende a continuação desse domínio?
De quem depende a sua destruição?
Igualmente de nós.
Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
E o "hoje" nascerá do "jamais".

III - 'Os que lutam', de Berthold Brecht (1898 - 1956), dramaturgo e poeta alemão

Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.




sexta-feira, abril 13, 2007

Vou estar aqui...

ENCONTRO EM DEFESA
DA ESCOLA PÚBLICA

No próximo sábado, 14 de Abril, vai ter lugar em Algés (Teatro Amélia Rey Colaço, na Rua Eduardo Augusto Pedroso, 16-A) um Encontro em defesa da Escola Pública, entre as 15 e as 19 horas.

Neste Encontro tomarão a palavra, entre outros intervenientes:

Ø Carmelinda Pereira (em nome da Comissão Organizadora do Encontro)

Ø Maria do Carmo Vieira – Professora (Em defesa da dignificação da língua portuguesa)

Ø António Castelo – Presidente da FERLAP (Pais e encarregados de educação – componente imprescindível na defesa da Escola Pública)

Ø Santana Castilho – Cronista do Público (A ofensiva contra os serviços públicos e os professores)

Ø Carlos Chagas – Presidente do SINDEP (A situação dos trabalhadores do ensino)

Ø André Yon – Professor e sindicalista francês (França: um exemplo da situação do ensino noutro país da União Europeia)

Trata-se de um Encontro aberto à participação do público, com entrada livre.

Participa!

Mais informações no blog Escola Pública

terça-feira, abril 10, 2007

Frase das altas da madrugada

"Teoria é quando se sabe tudo e nada funciona. Prática é quando tudo funciona e ninguém sabe o por quê. Nesta universidade, conjugam-se teoria e prática: nada funciona e ninguém sabe o por quê".

Cartaz de uma universidade do Nepal.



Esse poema é um desenho mágico

Chico Buarque : Construção
Letra e música: Chico Buarque
In: 1971



Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado

domingo, abril 08, 2007

Ninguém acredita na mentira

O primeiro-ministro cavalgava lado a lado com o ministro da ciência, tecnologia e ensino superior.

- Ó Mariano, acredite em mim, era um canudo assim grande, está a ver? Eu é que não sei onde o enfiei…

- Ó Zé, diga-me lá só aqui a mim, mas afinal sempre era um canudo de Engenheiro ou você ficou-se só mesmo pela licenciatura? Sabe, é que estamos a chegar àquela ponte que se abre aos pés de um mentiroso e temos que a atravessar.

- (suores frios) Talvez não fosse um canudo tão grande assim, talvez fosse mais assim um canudinho, um comprovativo que enrolado ficava assim deste tamanho, está a ver?

De repente viu-se aparecer a ponte, bela e acidentada construção de engenharia atravessando o abismo.

- Refere-se ao papel que lhe passou a Independente, aquele assinado num Domingo?

- Disseram que certificava... eles à saída chamaram-me doutor engenheiro e eu acreditei que aquilo do curso estava despachado. Afinal de contas (ai, ai e que contas!), eu era licenciado. Os licenciados são doutores, logo esses doutores, sendo licenciados em engenharia civil, são engenheiros: “doutor engenheiro”, foi o que eu disse que era!

A ponte estava cada vez mais próxima. Pela escarpa abaixo ia-se parar à torrente do rio. Morte certa ou incapacidade, lá se ia a glória das corridas... (o corpo, o seu querido corpinho) O ministro da Tecnologia avançou pela ponte, confiante.

- Licenciado, diz você, meu caro. Tem a certeza disso, não seria bacharel?

O primeiro-ministro já nem o ouviu, adiantado que ele ia na ponte da mentira e da verdade. Tinha-se detido à entrada sem ousar avançar nem mais um passo.

- Então? Não vem?

- Talvez… se o Tratado de Bolonha disser que os meus três anos de curso lá na Independente valem como licenciatura, talvez eu ainda entre nessa ponte, não quer voltar para discutirmos o assunto num lugar mais calmo?

(versão do conto popular o amo e o criado mentiroso adaptando a raposa aos nossos tempos)

A Páscoa é uma caixa de chocolates

Acredito que Cristo tenha sido um homem perseguido que morreu na cruz. Acredito que tenha sido traído, como muitos foram. Acredito que tenha dito "Pai, porquê eu?" e que não fosse esse o destino que desejava alcançar. Mas não acredito que tenha depois ressuscitado, o que, para mim que não sou cristã, não lhe tira qualquer mérito, antes pelo contrário, prefiro considerá-lo um homem e não um milagre impossível. Acredito que o "milagre" da ressurreição foi o primeiro argumento que alguém bastante calculista se lembrou de inventar para fundar uma religião que ainda hoje vive à custa da crença e da fraqueza dos fracos que precisam de se agarrar às mentiras de uma religião qualquer e se conformam em ser um mero rebanho conduzido. Por isso para mim a Páscoa tem muito pouco significado e prefiro corporizar toda e qualquer metafísica num delicioso chocolate, como a pequena do Álvaro de Campos. Deixo-vos aqui esse pequeno extracto da Tabacaria, como um doce que vos ofereço. Espero que vos aguce o apetite e a inteligência para irem devorar o resto do magistral poema. É esta a minha forma de vos desejar a todos uma Boa Páscoa!
[...]
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
[...]

Álvaro de Campos, Tabacaria (ler o poema)

sexta-feira, abril 06, 2007

Make blogs, not love!

Blogues: O mais seguro dos contraceptivos!

Web: em cada dois segundos nascem três blogues
Diário Digital - 13 horas atrás
Em cada dois segundos (2´) são criados três blogues na Internet, ou 120 mil todos os dias, indica um estudo divulgado pela Technorati, empresa norte-americana que detém o motor de busca especializado na procura de blogs.
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[Em 2005] nasceram apenas 109 266 bebés em Portugal - o número mais baixo desde 1995. Pelo terceiro ano consecutivo, houve uma queda na taxa de natalidade.

O fenómeno não é recente, nem tipicamente português - é essa a tendência um pouco por toda a Europa -, mas torna-se cada vez mais preocupante. Actualmente, mais de metade das famílias não têm qualquer filho e 24% optam por ter um único filho. Apenas 3% dos casais têm três ou mais filhos. A situação só não é pior porque as vagas sucessivas de imigrantes rejuvenescem o mapa de Portugal. DN/2006


Agora pergunto eu:
já alguém tentou cruzar estes dados?

quarta-feira, abril 04, 2007

Retrato do país das meias tintas

Costumo dizer que se ainda alguma das chamadas "conquistas de Abril" nos resta como tábua de salvação, ela é sem dúvida a da liberdade de expressão. Pelo menos por enquanto ainda se pode falar e, nem sequer se paga imposto. Claro que as pessoas, principalmente depois que Portugal entrou para a CEE (actualmente degenerada em União Europeia), de repente descobriram que tinham poder de compra, nem que fosse à custa do endividamento, e que pagar lhes dava um certo poder. Por isso passámos a preferir pagar para falarmos uns com os outros, optando por usar os telemóveis e os SMS's e por nos comunicarmos pela Internet, serviços que nos permitem "falar" até não poder mais e cuja publicidade enganadora nos cria a sensação de que temos toda a liberdade do mundo de passarmos horas e horas a comunicarmos por um preço irrisório. Banimos das nossas vidas o prazer de nos encontrarmos com os amigos nas mesas de café para, olhos nos olhos, concordarmos como este país está uma choldra. Cada vez esses momentos são mais raros e chega até a haver casos em que, quando as pessoas se encontram corpo a corpo, ficam assim meio à toa sem saberem o que dizerem umas às outras. Como se lhes faltasse o suporte, como se o telemóvel funcionasse como uma espécie de cigarro desbloqueador de inibições. Ao telemóvel, pelo computador, blá blá blá, palavra puxa palavra, conversas ininterruptas; cara a cara, então tudo bem? Tudo bem. E está tudo dito, adeus que se faz tarde, logo ligo-te. Xau. Foi o que ganhámos com este estado de choque tecnológico.
Voltando à questão inicial da nossa liberdade de expressão: será que ela existe realmente ou tornou-se deveras virtual? Pois ao que parece mesmo as palavras mais fortes tendem a modificar-se. Ouviram hoje aquela do Carvalho da Silva a apelar à "greve generalizada"? Mas afinal o que é isso de "greve generalizada"? Será uma greve de generais? Ou uma espécie de senha para se referir ao que em tempos se exprimia claramente por "Greve Geral" e que passa agora a assumir esta forma velada? Será realmente liberdade de expressão não chamarmos os bois pelos nomes? Somos assim tão púdicos e preconceituosos em nomear formas de luta meritoriamente conquistadas e tememos reivindicar publicamente o nosso direito ao trabalho, à saúde, à educação digna e de qualidade? E tão debochados que acham por bem nos oferecerem declaradamente a possibilidade de excluir da factura as nossas pequenas perversões voyeristas, acenando-nos com uma publicidade pulha e cúmplice, mais pornográfica que toda a pornografia alguma vez vista às escondidas.
Somos um povo mentiroso e cobarde por natureza. Capazes de enganarmo-nos até a nós próprios e nem isso admitimos. Temos medo de assumirmos seja o que for, muito menos qualquer tipo de compromisso, de tomar uma posição clara, de lutarmos pelos nossos direitos. Preferimos perdê-los calados e carpirmos depois, quando já for tarde demais. Gostamos mais de viver atolados na mentira do que admitir que nos enganámos. Daí esta maioria parlamentar. Daí este governo. Daí este primeiro-ministro com as suas crescentes sondagens. Daí um fraco em Belém. Daí este país burlesco e grotesco que mete dó.

terça-feira, abril 03, 2007

Elogio do Vagar

Estava a ver que hoje não tinha vagar para vir aqui dizer umas larachas! Parece impossível! Isto ainda são traumas de ter ido de fugida ao... Alentejo! Como é que alguém pode ir assim impunemente ao Alentejo num pé e voltar no outro. Ah cabresto de fim de semana que não rendes nada! Por causa deste meu trauma recente lembrei-me da música do Rui Veloso e, mais ainda da maravilhosa letra do Carlos Tê, para mim não um mero letrista mas sim um poeta a venerar, um dos que hoje em dia melhor consegue traçar o retrato da nossa portugalidade. Aqui vos deixo o poema + outro curto e belo do Echevarría + um link de um maravilhoso dicionário de Português online em permanente construção (como eu gosto e acho que deve ser!) e ainda o desafio para que participemos no seu enriquecimento - por exemplo, a palavra "vagar" ainda se encontra sem definição. Vão lá dar uma espreitadela, isto, claro, se tiverem vagar!

Do Meu Vagar

Carlos Tê / Rui Veloso


Já não há mais o vagar

De quando se comia sentado

E devagar se caminhava

Até chegar a qualquer lado

Agora vai toda a gente

Sempre de mão na buzina

Sempre na linha da frente

A tremer de adrenalina



Do meu vagar não trago rotas

Não tenho trilho que me prenda

Não tiro dados nem notas

Não encho uma linha de agenda

Do meu vagar não chego a Meca

Não faço nada num só dia

Não corto a fita da meta

Não vejo Roma nem Pavia



Do meu vagar

Sei que nunca hei-de ir longe

Vou aonde for preciso

Vou indo do meu vagar

Em busca do tempo perdido

E se um dia o encontrar

O longe não faz sentido



Do meu vagar há um nicho

Um pico de ilha insubmersa

Onde há lugar para o capricho

Que dá pelo nome de conversa

Do meu vagar a paisagem

Ainda tem beleza em bruto

E
vale mais uma palavra

Que mil imagens por minuto


Do meu vagar

Sei que nunca hei-de ir longe

Vou aonde for preciso

Vou indo do meu vagar


+

«E há o vagar. Não o de irmos.


O de fruir o vagar...»



Echevarría

+

Dicionário InFormal



segunda-feira, abril 02, 2007

Working Class Hero

Lívio Abramo
Operário
Xilogravura, 1935 - 35,8 x 28 cm

Working Class Hero

by John Lennon

As soon as you're born they make you feel small
By giving you no time instead of it all
Till the pain is so big you feel nothing at all
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

They hurt you at home and they hit you at school
They hate you if you're clever and they despise a fool
Till you're so fucking crazy you can't follow their rules
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

When they've tortured and scared you for twenty odd years
Then they expect you to pick a career
When you can't really function you're so full of fear
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

Keep you doped with religion and sex and TV
And you think you're so clever and class less and free
But you're still fucking peasants as far as I can see
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

There's room at the top they are telling you still
But first you must learn how to smile as you kill
If you want to be like the folks on the hill
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
If you want to be a hero well just follow me
If you want to be a hero well just follow me

domingo, abril 01, 2007

Perdoa-me!

"Cavaco Silva enviou hoje a Mário Soares um pedido formal de desculpas por se ter esquecido de o convidar a participar no encontro no Palácio de Belém onde reuniu todos os que de algum modo contribuiram para a integração de Portugal na União Europeia."
(in Vip, 01/04/2007)

Nessa cerimónia, o Presidente da República Portuguesa no seu discurso de boas-vindas , reproduziu textualmente as seguintes frases de Oliveira Salazar, não citando a fonte, mas nenhum dos presentes se apercebeu do plágio, achando que Cavaco Silva estava apenas justificando a ausência de Mário Soares:

Agradeço a todas as pessoas que quiseram ter a gentileza de assistir à minha posse a sua amabilidade. Asseguro-lhes que não tiro desse acto vaidade ou glória, mas aprecio a simpatia com que me acompanham e tomo-a como um incentivo mais para a obra que se vai iniciar.
Soubemos entretanto, através de uma fonte segura do interior do Palácio de Belém, que Mário Soares tinha já há muito preparado o seu discurso para a referida cerimónia comemorativa do 50º. Aniversário da formação da União Europeia, do qual revelamos em primeira mão a seguinte passagem:

Camaradas:

O meu objectivo porém não é falar-lhes de política interna portuguesa. O tema desta reunião é muito mais vasto: versa a Europa e Portugal ou, no que mais especialmente nos respeita, Portugal no actual contexto europeu. Permitam-me pois que aborde, sem outros desenvolvimentos marginais, esse ponto. Repensar a Europa e o seu futuro é obra de todos os europeus, povos e nações, incluindo aqueles que só marginalmente têm participado no processo da construção europeia verdadeiramente iniciada após o termo da segunda guerra mundial.
Uma escuta telefónica, efectuada do interior do Palácio a partir do mesmo número por onde a ex-primeira dama encomendava as Pizzas de Sampaio, revelou que Cavaco terá dito a um dos convidados que não iria admitir que aquele gajo os tratasse ofensivamente por "camaradas", que tratasse os seus convidados como "marginais" e tivesse ainda o desplante de dizer que assuntos de Estado de importância à escala global fossem considerados "obra do povo".

A mesma fonte revelou ao Pafúncio que foi o conhecimento prévio deste discurso, através dos serviços secretos do Palácio de Belém, que esteve na origem da decisão de Cavaco Silva de afastar Mário Soares da sua lista de convidados a participar no encontro.
Tudo não viria afinal a revelar-se um ingrato mal-entendido, pois o discurso de Mário Soares datava afinal de 1976 (Discurso proferido por Mário Soares no Porto no decurso da cimeira de dirigentes de partidos europeus integrados na Internacional Socialista, da própria Internacional Socialista e da Confederação Internacional dos Sindicatos Livres, reunida sob o lema «A Europa connosco!»), o que terá levado Cavaco Silva, na sua humildade boliqueimensa, a desfazer a gaffe, enviando a Mário Soares o pedido formal de desculpas que aqui transcrevemos em primeira mão:

Perdoa-me, ó Marocas, mas parecia mesmo que te estavas a preparar para lá ir naquele dia chuchar connosco. Quando te passar o amok já sabes que podes vir até aqui ao Palácio jantar comigo e com a Maria. Ela está ansiosa por discutir contigo as políticas de centro-esquerda, vê lá para o que lhe havia de dar!
Teu
Aníbal de Cavaco e Silva


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