quinta-feira, junho 14, 2007

Somos operários desta opera? Somos exploradores ou explorados?

Imagem tirada daqui

Operários são todos os que geram, os que produzem a mais-valia capitalista. Proletários são todos os que são explorados quer sejam operários, quer não. Trabalhadores são todos os que trabalham. Desempregado é aquele para quem não há trabalho. Jovens gerações são aquelas a quem não está assegurado um futuro digno. Excluídos são os que estão fora do sistema, desintegrados, postos à margem. O capitalismo está a colocar-se num beco sem saída. Democracia democrática não existe. O capital financeiro impera através da especulação. Não tem rosto. As forças no poder colaboram com a alta finança e apressam-se a aplicar as leis que a servem e vão desmantelando os serviços públicos, para lhos entregar. Abre-se o caminho aos privados. A nação dilui-se, o Estado cumpre fervoroso as directivas da União Europeia. Esta, que já foi CEE, continua, inexorável, o seu percurso de destruição. Antes foi destruindo as forças produtivas do nosso país; agora destrói os serviços públicos enquanto vai minando os sectores estratégicos. O país está num caos, ninguém acredita neste governo. Há os que fingem que acreditam e que colaboram com ele; há os que já não acreditam e os que nunca acreditaram. Mas o governo está cheio de si mesmo, prossegue obstinado fingindo estar tudo a correr bem. Fecha escolas, urgências, maternidades; divide o país nos excluídos e nos que vivem nos centros urbanos, provocando desequilíbrios chocantes. O presidente é uma fachada em ruínas, um sorriso de múmia vinda das trevas do país salazarento. O governo é pior ainda porque age e faz o que mais nenhum ousara fazer, nem mesmo os governos do Soares primeiro-ministro enquanto o país se ia tornando num escoadouro dos produtos dos países industrializados da CEE.
Tanta sacanagem também não era previsível para a maioria que votou neste governo. E os deputados? Que bancada é aquela que não reclama o seu direito a contestar uma directiva que venha de fora que não convenha ao nosso país? Uma maioria de deputados que lá foi posta pelos votos do povo, julgando que esta ali estaria em maioria, para o defender, e que voltam agora as leis e as directivas contra ele, destruindo um a um os seus direitos de cidadão e de trabalhador, não impedindo que passem?
As pessoas recusam-se a ver no espelho o operário, quantas vezes o proletário, e nas coisas que adquirem criam a ilusão de ascender à burguesia; procuram acima de tudo o mais adquirir o mesmo poder de compra, por isso se empenham para aparentarem ter o que devem. Ninguém quer ser tomado por operário. Muito menos os que não querem contribuir para a grande opera capitalista. Esses simplesmente cruzam os braços e não compactuam, mas também não o combatem, apenas desistem. Mas de uma forma todos contribuem para ela: em cada gesto produtor ou consumista. Por isso o capital se encontra aparentemente fortalecido pela nossa fraqueza de o desejar. Mas na verdade o sistema capitalista global está preso pelos fios invisíveis do capital financeiro que movimenta o dinheiro que o trabalho gera e que as nossas dívidas multiplicam. Os usurários não são mais criminosos, eles compraram as leis a seu favor com o dinheiro que lhes entregamos. Assistimos agora à nítida mudança das regras do jogo, quando estávamos a meio das nossas vidas. O Estado já não segura mais os cidadãos. Nós é que temos que o segurar com as contribuições dos nossos impostos, que cada vez menos são usados em nosso benefício, e com os roubos que nos fazem cada vez mais nas reformas e nos direitos conquistados. Desmatelados os serviços públicos as pessoas vêem-se na contingência de recorrer aos privados: seguros, saúde, educação, tudo começa a ser pago do nosso bolso, enquanto os impostos continuam a aumentar. O juro aumenta infinitamente e as pessoas passam a dever mais do que julgavam que deviam. Não há trabalho para todos, mas anunciam-nos que em breve teremos que ter 30 empregos para poder respirar. E querem que continuemos a dar filhos para alimentar este sistema económico enquanto nos impõem uma flexigurança, vocábulo que me lembra a novilíngua do Huxley no Admirável Mundo Novo, um linguajar criado pelo poder para que as verdadeiras palavras perdessem o significado. Com a redução da segurança que tinhamos e a exigência da flexibilidade que nos pedem como é possível ter a certeza que poderemos depois assegurar o futuro de uma criança?

quarta-feira, junho 13, 2007

Petição contra as taxas do MULTIBANCO

Taxas Multibanco
Petição contra as taxas do MULTIBANCO
(Assine aqui)

Agir contra as taxas de Multibanco que vêm aí

Só para fazer levantamentos no Multibanco vão passar a cobrar-nos
1,50 • (300 escudos na moeda antiga), apesar dos lucros exorbitantes
que continuam a ter. Só no ano passado 40%

Temos que voltar a usar cheques e obrigar os bancos a contratarem
mais pessoal para os balcões e entregar os nossos cartões. É só uma
questão de hábito. Dantes não havia e a vida funcionava na mesma, não
era?

Hoje em dia existem payshops em toda a parte, para as ditas despesas
que ainda pagamos através de Multibanco.

Quem quiser, assine em LETRAS BEM GORDAS e faça chegar ao maior
número de pessoas. Por favor divulgue esta petição no seu blog!


Exerça o seu direito à INDIGNAÇÂO. É um assunto que interessa a todos nós. Assine também!

Luisa sobe que sobe


O Estado é pessoa de bem

Madalena Barbosa

Público, 2007-06-09


À Luísa só lhe ocorre uma solução: ou morre trabalhando, ou suicida-se quando passar à reforma. Que o diga Luísa. Ingénua, crente na bondade das gentes, dedicou-se de alma e coração a ser uma mulher como se dizia que as mulheres devem ser. Casou, procriou. Muito nova, juntou sete lindas crianças que tratou o melhor que sabia.

E tentou saber muito - leu os livros de puericultura, os tratados dos psicólogos, os artigos das revistas.

O 25 de Abril deu-lhe uma alma nova. Num ímpeto, juntou-se às multidões que gritavam por liberdade e igualdade. Só então notou que essa igualdade era para todos, não para todos e todas. Por isso fez da sua causa a causa das mulheres. Até 1978 esperou, com pouca paciência, que as leis da família mudassem. Mas mudaram. Foi-lhe então possível libertar-se de um casamento que a impedia de trabalhar. As crianças já iam à escola. Finalmente podia fazer algo mais que trabalhar em casa, ser uma pessoa autónoma, uma cidadã participativa. E conseguia dormir algumas noites seguidas, depois dos anos das amamentações, gravidezes, viroses, pesadelos das crianças.

Então teve a sorte (?) de arranjar um emprego no Estado. Como era espertinha (diziam), fez tudo como diz a cartilha: criou as crianças sozinha e, ao mesmo tempo, trabalhou, fez uma licenciatura, um mestrado, formação contínua. Não me perguntem como, mas ainda fazia militância política e social. Milagres de quem esteve muito tempo presa. Correu, subiu, sobe Luísa, sobe a calçada.

Claro que nesse tempo tinha pelo menos uma garantia: um emprego. Um futuro: uma reforma. Protecção nas doenças, suas e das crianças: ADSE. Nem lhe passaram pela cabeça estas coisas modernas de seguros de saúde ou poupanças-reforma (quem dera que o dinheiro chegasse ao fim do mês!). Confiava no seu contrato com o Estado, pessoa de bem, que lhe garantiria o futuro.

Competente, rápida, assumiu cargos de responsabilidade, serviu o seu país. Fez-se gente, com um certo orgulho de o ter conseguido. Agora é cidadã sénior. De repente, sente-se culpada - por sua causa, e de mais uns milhares, Portugal tem "uma população envelhecida". Por isso terá de trabalhar mais e receber menos, dizem-lhe. Se viver muito tempo, vai fazer com que as reformas sejam ainda menores. Provavelmente morrerá a trabalhar. Nunca comprou uma casa, o que quer dizer que corre o risco de acabar sem abrigo. A sua reforma nunca pagará uma renda em Lisboa.

Luísa faz parte do odiado funcionalismo público. Bode expiatório, vómito onde se despeja o fel e o ódio. A minha última consulta à blogoesfera deixou-me pasmada. Sim, despeçam-nos, tirem-lhes "regalias", tirem-lhes promoções - queimem-nos? A função pública passou a ser o boneco que se queima, a bandeira que se espezinha.

Será que estamos a assistir ao "dumping social"? Fazem-se previsões a 50 anos. E Luísa olha para 50 anos atrás, e será que se podia prever o que se passa hoje? Quantas variáveis na evolução social, política, científica? Mas isto digo eu, que vejo os economistas reverem as suas previsões quase todos os meses.

À Luísa só lhe ocorre uma solução: ou morre trabalhando, ou suicida-se quando passar à reforma. Só assim poderá ser uma boa cidadã. De qualquer forma, nem com os netos poderá brincar, pois estará trabalhando. E se se reformar, ficará mais pobre, mais doente e a contribuir para as estatísticas do "envelhecimento da população". Definitivamente o suicídio. O "pessoa de bem" de certeza que agradece, pois a vida das pessoas agora são números. E quem não produz nem consome não é gente.

Como se chama à entidade que faz um contrato e não o cumpre? Especialista em questões de género.

Enviado por um amigo

segunda-feira, junho 11, 2007

Missa Negra para Portugal

Imagem do Kaos

in Republica e Laicidade:

«Por iniciativa da Embaixada de Portugal em França e para não fugir à tradição , em Paris, o dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas (10 de junho) foi assinalado com uma missa solene de acção de graças na Igreja de Notre Dame.

Do facto, como é óbvio, a associação República e Laicidade apressou-se a reclamar junto do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, nos termos que se seguem:

Ex.mo Senhor Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa,

Dr. Luís Filipe Marques Amado,

Palácio das Necessidades, Largo do Rilvas, 1399-030 Lisboa Codex

[ministro@mne.gov.pt]

10-06-2007

Ex.mo Senhor Ministro,

Na Associação Cívica República e Laicidade, especialmente atentos ao modo como o princípio constitucional da laicidade do Estado tem vindo a ser implementado na sociedade portuguesa, fomos muito negativamente surpreendidos com a notícia publicada pela edição francesa do semanário «Luso Jornal» [ver anexo-1], de 31 de Maio p.p., notícia onde se anuncia a realização, por iniciativa da Embaixada de Portugal em França, de uma missa de acção de graças por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, acto de culto católico – “um encontro de Fé das Comunidades Portuguesas de França, particularmente da Região Parisiense” – a ser celebrado por Monseigneur André Vingt-Trois (Arcebispo de Paris) e por D. António Baltazar Marcelino (Bispo Emérito de Aveiro), em Paris, na Catedral de Notre Dame, no dia 10 de Junho, às 18h00.

Esclarece ainda a referida notícia ter a dita embaixada podido contar, nessa iniciativa – iniciativa que se vem repetindo há já alguns anos… –, com a colaboração da Vigaria Episcopal das Comunidades de origem estrangeira de Paris e da Capelania Nacional das Comunidades Portuguesas de França. A ser inteiramente correcta a informação veiculada pelo órgão de comunicação citado, bem como a outra informação complementar obtida no «site» da Embaixada de Paris [ver anexo-2], aquela missa constituiu mesmo a única iniciativa oficial promovida pela representação diplomática nacional em França no dia 10 de Junho.

No entender da Associação Cívica República e Laicidade, tais procedimentos constituem grave atentado à Laicidade do Estado Português, princípio constitucional que, evidentemente, não pode deixar de ser bem conhecido de V.Exa., bem como de todo o Corpo Diplomático dependente do Ministério dos Negócios Estrangeiros que V.Exa. tutela.

Nesse entendimento, vimos aqui solicitar a V.Exa. que mande confirmar a exactidão das informações acima citadas e nos mande informar – e informar os cidadãos portugueses – sobre as seguintes matérias:

1. Desde quando e com que justificação a Embaixada de Portugal em França tem vindo a tomar a iniciativa de mandar rezar missas de acção de graças por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas?

2. Que outras efemérides têm sido, eventualmente, objecto de idêntico procedimento da nossa diplomacia em França? Quais? Em que condições?

3. É só a Embaixada de Portugal em França que assume iniciativas daquele teor ou dar-se-á o caso de outras representações diplomáticas portuguesas, nos territórios onde funcionam, também promoverem acções similares? Quais? Em que ocasiões?

4. Que custos têm para o Erário Público Nacional estas iniciativas confessionais, bem como outras do mesmo tipo que, eventualmente, estejam também a ser promovidas por outras representações da República Portuguesa no estrangeiro? Como é que acções confessionais desse género têm sido orçamentadas na Contabilidade Pública?

5. Como tenciona o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros proceder relativamente à situação aqui denunciada, bem como relativamente a outras que possa eventualmente constatar que ocorrem nos organismos que tutela?

Sem outro assunto de momento,

a bem da República,

apresento os nossos melhores cumprimentos,

Luis Mateus (Presidente da Direcção)»

acesso a:

Ler também aqui

Anti-globalização

Hamburgo, manifestação antiglobalização de 28 de Maio de 2007

Cada vez há mais as manifestações contra a actual forma como o mundo está organizado. Cada vez essas manifestações são mais reprimidas, afastadas dos alvos que visam atingir, minoradas pelos meios de difusão de notícias.
Uma manifestação de protesto contra a globalização, uma série de manifestações a cada passo do G8, um protesto, uma greve, uma opinião diferente, tudo pouco relevante para quem cabe a tarefa de informar, de dar conta das várias partes implicadas. Por que são os países mais ricos a decidir questões que deviam ser defendidas pela ONU?
As notícias sobre esse tipo de reacção contra o sistema vigente, passam despercebidas no meio de outras mais mediatizadas ou nem sequer passam. Não fossem os blogs e notícias dessas morreriam à nascença. Esta é uma função que me parece ser importante que os blogs assumam a seu cargo: não deixar branquear a notícia, não deixar que ela caia no esquecimento. Sei que há notícias que nem se chegam a saber. Outras que fazem uma breve passagem e depois desaparecem mesmo da Net. Certas notícias deviam ser guardadas, constituir arquivo vivo, continuarem a servir de advertência, serem medidas com as consequências que desencadeiam. Quase todos os dias recebo e subscrevo petições já subscritas por milhares de cidadãos de todo o mundo que dão o seu nome por uma acção, pela defesa de uma causa. Mas não há notícias que dêem conta desse descontentamento.
Os descontentes sentem-se isolados, têm receio de expressar a sua opinião; julgo até que há gente que acerta uma opinião pouco firme para exibir em sociedade e que conserva para si a sua opinião mais radical. Hoje em dia muitas pessoas vivem formatadas para se conformar ao estado das coisas. Quer isto dizer que vivem conformadas com a pior das realidades, assumem a forma em que se encontra o mundo ou o seu país como uma contingência, uma tautologia conformada: a realidade é a realidade é a realidade é a realidade e não saem disto. É preciso dizer às pessoas que elas não estão sós, que o seu desespero não é autista, é bem real, e que existe um sentimento generalizado de que o mundo não está a ir no bom caminho.
Descontentes de todos os países, uni-vos numa só voz para dizer "não" à globalização enquanto esta for sinónimo de um desenfreado capitalismo internacional predador e causador de toda a destruição.



domingo, junho 10, 2007

10 de Junho é sempre Camões


CXCIV *

Cá nesta Babilónia, donde mana

Matéria a quanto mal o mundo cria;

Cá, onde o puro Amor não tem valia,

Que a Mãe, que manda mais, tudo profana;

Cá, onde o mal se afina, o bem se dana,

E pode mais que a honra a tirania;

Cá, onde a errada e cega Monarquia

Cuida que um nome vão a Deus engana;

Cá, neste labirinto, onde a Nobreza,

O Valor e o Saber pedindo vão

Às portas da Cobiça e da Vileza;

Cá, neste escuro caos de confusão,

Cumprindo o curso estou da natureza.

Vê se me esquecerei de ti, Sião!

sexta-feira, junho 08, 2007

cibernotícia


Já toda a gente fala

Não se vêm falar mas falam

Fala-se disso, nos blogs,

na net pode-se fazer por não esquecer uma notícia

Fala-se nisso nos jornais

Mas poucos lêem e passa

Já se for na blogosfera

a notícia continua a produzir efeito

comenta-se a notícia

e muitos lêem e comentam

a notícia e os comentários

e a notícia produz efeitos vários

Dá-se notícia da notícia

Da notícia da notícia

E o que se disse dela

Vai muito mais longe que a mera notícia

quinta-feira, junho 07, 2007

T-Shirt contribuinte - Já deu?


Qual é a tua, ó meu?
nesse peditório o pessoal já deu!

Na escola dos meus filhos há crianças que são deixadas pelos pais à porta da escola. Os pais têm cada vez mais apertados horários de trabalho. Há pais que têm que estar às 8 da manhã nos seus empregos e a escola só abre às 8:00h. Quer chova, faça sol ou vento, as crianças ali ficam sem ter onde se abrigar. A escola não pode abrir mais cedo porque o horário dos funcionários é entrarem às 8 da manhã. Estes funcionários provavelmente fizeram o mesmo com os seus filhos.

Na escola dos meus filhos há um conselho executivo que não quer pedir à câmara municipal de Oeiras que construa um abrigo para as crianças, dentro do recinto escolar, nem quer pagar ao funcionário da entrada da escola para estar mais cedo e abrir o portão às crianças para se abrigarem.

Na escola dos meus filhos há uma associação de pais que teve uma ideia: que bonito seria serem os pais a pagar o telheiro, construir-se o telheiro fora da escola e as crianças vestirem as lindas t-shirts da escola no dia da maravilhosa festa de fim de ano.

Sim, tudo seria muito bonito se as várias entidades dialogassem e cumprissem as suas obrigações de resolver os problemas das infraestruturas da escola, usando-as em benefício dos seus alunos. Se a associação de pais não estivesse desde sempre ao dispor do conselho executivo para lhe fazer todos os jeitos; se conselho executivo e associação não estivessem tão de acordo em que os pais é que devem pagar; se conselho executivo e associação não achassem que o lugar das crianças é do lado de fora do portão, à espera da abertura da escola com ou sem abrigo, cumpridoras.

Hoje, no portão da escola, anunciava-se a t-shirt contribuinte para usar no dia da festa. Eis a t-shirt tornada popular – o sonho de toda a criança, para vestir no dia da festa do final do ano.


Um dia ainda esta t-shirt lhes vai sair bem cara se nada fizermos!




"Não te deixes assim vestir" -- tão actual!

Ai... Portugal! (Sérgio Godinho)

Ai, Portugal
dar-te conselhos é bem pouco original
(mas) se realmente não quiseres querer-te mal
olha p´ra ti, ó Portugal
e não te deixes assim vestir

O meu país
foi outro dia ao alfaiate encomendar
"toilettes" novas p´ro mundo se embasbacar
e se dizer, e se elogiar
que bem, que chique
que beleza
para falar com franqueza
parece outro com esse ar

Mas há coletes que são de forças
por mais que o digam não ser
não te deixes assim vestir
não te deixes assim vestir

Ai, Portugal

Ao meu país
o alfaiate respondeu: venha cá
quero saber com que linhas se coserá
o fato feito que fará
a sensação das redondezas
bem que eu não tenha a certeza
que seja de elogiar

Ai, Portugal
dar-te conselhos é bem pouco original
(mas) se realmente não quiseres querer-te mal
olha p´ra ti, ó Portugal
e não te deixes assim vestir

O meu país
outrora usando fraque, luva e paletó
se rebentar pelas costuras, é só
que o fato que é da trisavó
não é necessariamente
aquele que no presente
nos fará soltar um "oh!"

Porque há coletes que são de forças
por mais que o digam não ser
não te deixes assim vestir
não te deixes assim vestir


quarta-feira, junho 06, 2007

Conta quem ouviu...

Afinal quem disse que o metro da zona sul não tinha a sua hora de ponta?

Que camelos tão barulhentos, senhor ministro Mário Lino, até pareciam gente indignada a buzinar contra o ruído dos seus discursos!
Leia mais aqui

Vantagem do diabo

Le diable (Ça va)

Paroles et Musique: Jacques Brel 1953


{Prologue:}
Un jour le Diable vint sur terre, un jour le Diable vint sur terre
pour surveiller ses intérêts, il a tout vu le Diable, il a tout entendu
et après avoir tout vu, après avoir tout entendu, il est retourné chez
lui, là-bas.
Et là-bas on avait fait un grand banquet, à la fin du banquet, il s'est
levé le Diable, il a prononcé un discours et en substance il a dit ceci,
il a dit:

Il y a toujours un peu partout
Des feux illuminant la terre ça va
Les hommes s'amusent comme des fous
Aux dangereux jeux de la guerre ça va
Les trains déraillent avec fracas
Parce que des gars pleins d'idéal
Mettent des bombes sur les voies
Ça fait des morts originales
Ça fait des morts sans confession
Des confessions sans rémission ça va

Rien ne se vend mais tout s'achète
L'honneur et même la sainteté ça va
Les États se muent en cachette
En anonymes sociétés ça va
Les grands s'arrachent les dollars
Venus du pays des enfants
L'Europe répète l'Avare
Dans un décor de mil neuf cent
Ça fait des morts d'inanition
Et l'inanition des nations ça va

Les hommes ils en ont tant vu
Que leurs yeux sont devenus gris ça va
Et l'on ne chante même plus
Dans toutes les rues de Paris ça va
On traite les braves de fous
Et les poètes de nigauds
Mais dans les journaux de partout
Tous les salauds ont leur photo
Ça fait mal aux honnêtes gens
Et rire les malhonnêtes gens.
Ça va ça va ça va ça va

terça-feira, junho 05, 2007

Dia Mundial do Ambiente


Leiam esta notícia e demonstrem a vossa indignação.

Já começaram a descongelar o mundo para encontrar petróleo? Então é por isso que para o governo americano as causas para o aquecimento global estão para durar. Temos uma nova "guerra fria" ou esta é mais uma "guerra quente"? Temos pelo menos governantes mundiais muito frios e calculistas, que não hesitam em arrasar um planeta a aquecer descontroladamente.
Têm filhos? Têm netos?
Têm, mas já lhes compraram uma passagem para a Lua e um terreno lá para quando chegar o grande dia.
Pensam nos milhões de pessoas que sofrerão em breve na pele as consequências dos seus actos?
Pensam. São carne para canhão. Eles é que precisam ter depressa uma vida boa pois sabem que será breve.

(Vale a pena procurar notícias sobre o relatório ambiental da ONU, feito para o dia de hoje para que a indignação seja total)

segunda-feira, junho 04, 2007

Situação caótica

«Estes serviços paralelos, Institutos, Autoridades, Comissões, Fundações, Inspecções, Centros, Agências, Conselhos, etc, e nas Câmaras as Empresas Municipais, não estão sujeitos à apertada legislação jurídica de aquisição de bens e serviços ou empreitadas da Administração Pública, o que abriu caminho a uma total falta de transparência e à corrupção na sua gestão. A incompetência destes gestores avulso, destes comissários políticos, associada à sua única preocupação de acumular riqueza pessoal, resultou na mais profunda degradação da nossa Administração. Temos hoje uma Administração mais irracional, mais ineficaz e mais cara. E de acordo com as medidas já implementadas ou em vias de implementação, por este governo, como o PRACE, porque possuídas da mesma lógica, iremos assistir, não à inversão mas ao aprofundamento desta caótica situação na Administração Pública.» Leia mais no blog classe politica

A propósito, se ainda não subscreveu a Carta à bancada parlamentar do PS, para que detenha as intenções do governo de converter as instituições públicas do ensino superior em fundações (RJIES), pode fazê-lo agora ON LINE aqui.











domingo, junho 03, 2007

O homem pode ser o que o espírito é

Waterboys - Spirit

Man gets tired

Spirit don’t

Man surrenders

Spirit won’t

Man crawls

Spirit flies

Spirit lives

When man dies

Man seems

Spirit is

Man dreams

The spirit lives

Man is tethered

Spirit is free

What spirit is

The man can be


Boletim do Encontro em Defesa da Escola Pública On Line

Já se encontra On Line um Boletim especial do Encontro em Defesa da Escola Pública de 14 de Abril Nele podem ser lidas todas as intervenções dos participantes. Leia o Boletim integralmente

aqui.


Painel de intervenientes:


Ø Carmelinda Pereira
(em nome da Comissão Organizadora do Encontro)

Ø António Castelo – Dirigente da FERLAP
(Pais e encarregados de educação – componente imprescindível na defesa da Escola Pública)

Ø Carlos Chagas – Presidente do SINDEP
(A situação dos trabalhadores do ensino)

Ø Maria do Carmo Vieira – Professora
(Em defesa da dignificação da língua portuguesa)

Ø Santana Castilho – Professor e cronista do Público
(A ofensiva contra os serviços públicos e os professores)

Ø André Yon – Professor e sindicalista francês

(França: um exemplo da situação do

ensino noutro país da União Europeia)


Apresentação do boletim

Esta publicação constitui um número especial do boletim da Comissão de defesa da Escola Pública, no qual se publicam as intervenções feitas no Encontro realizado no passado dia 14 de Abril.
Trata-se de diferentes formas de abordagem da situação do Ensino público em Portugal, de acordo com os princípios da Comissão que o organizou de respeitar a pluralidade de opiniões.
Nestas intervenções, pode destacar-se grande inquietação de todos os intervenientes, perante as consequências das políticas que têm sido levadas a cabo por sucessivos governos, acentuadas de forma gritante pelo governo de José Sócrates, em contradição completa com sentido do voto da maioria do povo português que colocou o PS em maioria absoluta na Assembleia da República.
Foi também identificado, sobretudo pelo professor sindicalista francês, a fonte das políticas postas em prática por cada governo subordinado às políticas da Comissão Europeia, como dispositivo central de um sistema económica cuja sobrevivência exige a destruição da Escola pública, dos serviços públicos e das próprias nações.

A Comissão encontra-se a organizar um novo encontro que, para além do salutar convívio lúdico, terá como objectivo realizar em conjunto um balanço das actividades desenvolvidas pela Comissão para a Defesa da Escola Pública e encontrar as novas linhas de acção para os próximos meses. Em breve encontrarão aqui todas as informações necessárias, como a data, o local e a hora.

Entretanto não se esqueça de assinar e divulgar, se ainda não o fez, a Carta aos Deputados do PS que resultou deste encontro, a qual já se encontra On Line. Desta forma será mais fácil alcançar o objectivo de reunir um número mínimo de 500 assinaturas. Obrigada.

sexta-feira, junho 01, 2007

Subscrição da Carta aos Deputados do PS ON LINE (Subscreve/divulga)


Caros amigos

Já se encontra on line uma petição dirigida aos deputados do PS. Agora torna-se muito mais fácil subscrevê-la.

Esta carta resultou do Encontro em Defesa da Escola Pública realizado no passado dia 14 de Abril em Algés. Neste momento existem cerca de 100 assinaturas recolhidas mas o nosso objectivo é atingir as 500 assinaturas. Esta petição pode ser subscrita por qualquer cidadão que considere necessário defender a Escola Pública, a qual está a ser alvo de ataques levados a cabo pelas políticas do Ensino da responsabilidade do governo português e resultantes da aplicação cega e obstinada das directivas da União Europeia. O mesmo tem acontecido com outros serviços públicos, como é o caso da Saúde.

Os deputados do PS têm uma responsabilidade acrescida por terem alcançado uma maioria parlamentar nas últimas eleições. A eles cabe o papel de aprovar ou chumbar na Assembleia da República as propostas do governo. Esta a razão por que a eles nos dirigimos.

A Comissão para a Defesa da Escola Pública já enviou uma carta à Assembleia da República solicitando ser recebida para entregar as assinaturas conseguidas.

Ajude-nos a divulgar esta iniciativa junto dos seus contactos:

- Se considera que a Escola Pública deve ser defendida do processo de privatização e de desresponsabilização do Estado a que está a ser sujeita;

- Se concorda que os professores, os pais e todos os implicados no processo educativo são dignos de respeito;

- Se entende que o Ensino de qualidade para todos é um direito adquirido que deve assistir a todos os cidadãos,

por favor subscreva aqui a petição.

As gerações futuras agradecem-lhe.




quinta-feira, maio 31, 2007

Não foi geral? Mas foi GREVE!


Quem foi que disse que uma greve geral tinha que ser mesmo geral?

Balanço retratado de um dia de greve geral

Sou desempregada, por isso não podia activamente participar nesta greve. Como mãe e dona de casa, também não teria quaisquer hipóteses de fazer greve e, mesmo que pudesse não o faria pois não estou descontente com as políticas que se praticam na minha casa. Só podia pôr o meu blog em greve, o que fiz, e participar activamente num movimento de solidariedade que se gerou na blogosfera de apoio a esta greve, passando a palavra. Muitos blogs marcaram a sua posição. Haverá por aí algum jornalista corajoso que dê notícia do que aconteceu? Quantos blogs pararam solidários com esta greve ainda que fosse chocha desde o início? Mesmo nunca podendo ser uma "greve geral", foi uma greve de protesto pelas políticas de destruição feitas pelo governo, cumpridas à risca a partir das directivas da UE. E por isso esta greve é mais abrangente, ela vai contra as políticas praticadas, e essas políticas são as do governo e são as da UE, são as do capitalismo global. Torna-se urgente inverter esse rumo. Não queremos essas políticas. Elas não são boas para o nosso país. Nada disto queremos . NADA.


Uma amiga ligou-me de manhã: ouviste esta – perguntou – ainda não eram 08:30h já os noticiários do rádio diziam que a adesão à greve tinha sido fraca. É o que fica gravado na impressão das pessoas quando obliquamente escutam a notícia. É como os cabeçalhos dos jornais, num relance é o que fica. (Dois principais jornais diários: num a ausência da greve; no outro a greve -- tudo passado no mesmo país: o país do deserto, da areia para os olhos dos pobres camelos abandonados à sua sorte -- e ao nosso azar de ter estes oportunistas a mandar em tudo, com maioria) -- Então e a manif? Sabes onde é a manif? Eu não sabia mas estava certa de que ia haver. Afinal enganei-me: não havia manif, nem marcha de protesto contra as políticas do governo, nem sequer um encontro de descontentes em frente ao palácio de Belém como nos tempos do Santana Lopes. NADA.

Ao longo da manhã fui ouvindo no Fórum TSF as mais inacreditavelmente tacanhas opiniões sobre a greve: que a greve era controlada pelos comunistas que ainda não se tinham apercebido que tinha caído o muro de Berlim; uma brasileira a dizer que a greve só impede a ordem e ao progresso necessários ao país e que tínhamos era que produzir ainda mais; que os grevistas eram uns malandros de uns comunistas que não deixavam o governo endireitar o país e tal. No meio desta pobreza franciscana que sobrou de um país atrasado por 48 anos de fascismo e ditadura, um país mesquinho, dissimulado e masoquista capaz de querer um governo que o desqualifica e rebaixa, eis que surge uma opinião clarividente: um socialista liga dizendo que se envergonha de ter votado neste governo, um socialista que se assume publicamente lesado por um governo que se diz socialista e que não é. Quantos destes socialistas íntegros e arrependidos teremos hoje no nosso país? Podem os cidadãos processar um governo que está levando para a frente políticas de destruição dos serviços públicos e que se reclama de um partido que se diz socialista? Podem os cidadãos condenar na justiça um governo e um partido de mentirosos? Podem ministros que fazem discursos sobre uma imaginária e delirante região apenas de camelos ser interdito de exercer o seu cargo, acusado de incapacidade? E uma ministra da educação que não defende nem o ensino, nem a escola, nem os professores, nem os conhecimentos dos alunos, pode continuar sendo ministra da educação impunemente? E um primeiro-ministro pode assumir a presidência da UE vindo de estabelecer com Putin, em tom diplomático, a violação dos direitos humanos que cada um pratica no seu canto: prisões e a pena de morte nos EUA e controle dos media na UE, disse o crápula mafioso. Sócrates comeu e calou, em nome de todos nós, tão mafioso quanto o outro.
Saí para a rua com a t-shirt “Sócrates, Não!”, com aquela imagem que figura em muitos blogs e fui fazer o meu pequeno protesto individual. Olhares descaíam nela mas ninguém disse nada. NADA

Estive com essa amiga no café e conversámos em voz alta sobre a greve, o país, a vergonha que por cá se passa. Juntas traçámos esse retrato do país dos masoquistas e das várias atitudes face à greve. Não poupámos governo nem sindicato, falámos o que quisemos pela tarde fora: ela de greve; eu desempregada. Depois fomos para uma aula de yoga e aí sim foi o movimento, o silêncio e a unidade. De política, nada. NADA

Já no final do dia fomos juntas a uma reunião em casa de amigos militantes de um pequeno partido. Nem uma nem a outra somos militantes mas, falo por mim, gosto de participar nessas reuniões revolucionárias onde tudo se pode dizer, onde se discute cada posição, onde comentamos em conjunto as últimas "notícias", as golpadas do governo, as jogadas dos partidos; onde nos apercebemos com antecipação das consequências nefastas das políticas da União Europeia, onde equacionamos os tentáculos do capitalismo global, com as suas guerras e os seus acordos tácitos; onde nitidamente constatamos que por detrás de cada "notícia"se esconde uma intencionalidade mais do que uma informação; onde paramos para ler em conjunto um texto do Lenine e, ao medir as suas palavras com a realidade do tempo actual, nos damos conta de que tão bem se traduzem à distância do século XIX os propósitos do capitalismo, o modo como os detentores dos meios de produção usurpam através da mais-valia a riqueza que os trabalhadores produzem e como a maior parte dos seus enormes lucros vivem à custa da redução dos salários e do número de trabalhadores. A velha questão da luta de classes é afinal tão actual, arrasta-se pelos tempos da moderna escravatura e não há nada que detenha essa luta. NADA.


terça-feira, maio 29, 2007

A União faz a força - Protesta e passa a palavra!

Companheiro, este é um movimento novo!
Há poucas horas está a ser posto um movimento em marcha que visa paralisar a blogosfera.

Existe uma certa blogosfera que quer, também ela, participar na GREVE GERAL, só que não sabe como.

É simples, basta colocar esta imagem no teu blog:

Porque tu tens um amigo que tem um blog, porque alguém do teu livro de endereços tem outro amigo que tem um blog, é importante que contribuas para o movimento "assim não!".

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