quarta-feira, julho 04, 2007

Palhacitos e parlapatões


(...)

Palhaço
lacrimogénio
capacete de aço
Vocês existem
baionetas e chá com bolo
corporativas, clubes de mães
concursos de gatos e cães
cães de luxo -- para lamber
cães polícias -- polícias cães
para morder
barracas de lata para viver
salários de fome para sofrer
trapos, suor e lodo
amáveis conversas de casaca
e sobre as nossas cabeças
a matraca

palhaço lacrimogénio
capacete de aço
ah! não há dúvida
vocês continuam a existir
até ao raio que vos há-de partir

Ary dos Santos

segunda-feira, julho 02, 2007

domingo, julho 01, 2007

Ai dá-me chutos! Dá-me chutos!


Cortesia Kaos


-- Me bate, me bate, me chama de vagabunda!

-- Mas p´ra quê, meu amorrrr, se já todo o mundo sabe!


"Isto é normal em democracia as pessoas manifestarem-se"
(José Sócrates)

Estes apupos são para mim mas os outros também os têm tido. Não há nenhuma presidência da União Europeia que não tenha tido os seus protestos. Isto faz parte da festa da música.



Morte da princesa Diana/Globalização

Uma princesa inglesa com um namorado egípcio, tem um acidente de carro dentro de um túnel francês, num carro alemão com motor holandês, conduzido por um belga, bêbado de whisky escocês, que era seguido por paparazzis italianos, em motos japonesas; a princesa foi tratada por um médico americano, que usou medicamentos brasileiros. E isto foi enviado para si por um Português, usando tecnologia americana (Bill Gates), e, provavelmente, está lendo isto num computador genérico que usa chips feitos em Taiwan, e num monitor coreano montado por trabalhadores de Bangladesh, numa fábrica de Singapura, transportado em camiões conduzidos por indianos, roubados por indonésios, descarregados por pescadores sicilianos, reempacotados por mexicanos e, finalmente, vendido a si por judeus, através de uma conexão paraguaia. Isto é, caros amigos, GLOBALIZAÇÃO!

Recebido por mail

RJIES: menos do que a retirada não é nada!

Há coisas que me fazem espécie. Na sexta-feira passada, dia 28 era o dia em que era discutido e aprovado na Assembleia da República o Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (RJIES), um perigoso conjunto de medidas que visa alterar as regras da autonomia das universidades públicas (ver texto do RJIES)
É certo que não cheguei lá à hora a que estava marcada a Manifestação contra o RJIES, mas assim que pude corri para lá julgando ir encontrar ainda muita gente por lá. Para meu espanto encontrei alguns alunos em protesto, um modesto acampamento de faixas e cartazes, com meia dúzia de estudantes. Incrédula fui contornando o edifício e, encontrei um pequena multidão na porta lateral de acesso às galerias. Depreendi que devia ser gente que já não teve lugar lá dentro. Sei que as galerias estiveram cheias. Mas cá fora não havia mais nada do que isto.


Para mim é incompreensível que um conjunto de leis com comprovado teor anti-constitucional seja aprovada assim, apesar de toda a contestação (ver aqui toda a discussão )

Onde estão as estruturas organizativas das pessoas, onde está a capacidade de mobilização de certos aparelhos partidários, onde estão as pessoas? Os alunos do ensino superior encontram-se em pleno período de exames finais e não podem organizar senão pequenas acções de protesto; as pessoas que se deslocaram à sessão da Assembleia num gesto cívico de protesto, não tiveram qualquer expressão nos meios de comunicação. Não vi uma só imagem das galerias da Assembleia; não sei se chegaram a haver protestos declarados e pessoas a ter que abandonar a sala, não sei se ninguém lá dentro se manifestou e se a sessão decorreu normalmente sem incidentes. Não sabemos absolutamente nada de o que lá se passou, só que o documento foi aprovado no Parlamento e que os estudantes vão continuar a protestar
.
Por causa de todo esse branqueamento que as televisões fazem das notícias que não lhes agradam passar, seria muito importante que as pessoas se mobilizassem de forma a ser impossível ocultar a notícia. Se uma grande manifestação de gente tem estado frente à assembleia durante todo o tempo da sessão, até os senhores deputados terem que abandonar o edifício, se as pessoas ficassem lá de negro, a empunhar um cartaz ou um cravo, se tivessem aproveitado estarem ali reunidas para falar neste e noutros assuntos que as apoquentam, não teria sido possível aprovar este grave documento sem alarde.
Mas talvez haja algo a bloquear o sistema; talvez nos tenhamos já contentado em pedir pouco, em aceitar demais. O que eu sei é que poucos pediam a retirada da lei, e que a esmagadora maioria já só se contentava em pedir o seu adiamento. E o que eu acho, é que me parece mal que todos os que estão contra esta lei do ensino superior não tenham ido naquele dia para a frente da Assembleia, dar suporte aos que lá estavam dentro e a todos os que se têm mobilizado num esforço para deter este regime jurídico que vem afrontar o Ensino Superior Público, desmantelando-o numa estratégia de privatização de um dos pilares da nação: as universidades.
Quando digo todos refiro-me mesmo a todos os cidadãos, principalmente aos que em breve confiarão os seus educandos a uma universidade regida pelos princípios (ou falta deles) que uma gestão comprometida com os interesses económicos lhe quiser impor. Sei que existem várias petições contra o RJIES, sei que muitos se têm mobilizado para formar uma barreira à sua aplicação nas nossas universidades, mas nada de o que tem sido feito me parece bastante, por isso é tão importante continuar a assinar esta petição, onde desde sempre se pediu claramente aos deputados do PS a retirada e a reformulação desta proposta.

sexta-feira, junho 29, 2007

Quem tem medo do lobo mau?

Já imaginaram os vossos blogues de repente perderem a identidade, vocês a fixarem os olhos no écran à procura do nome do vosso blogue e encontrarem no seu lugar uma imagem ali aparecida?

Depois, claro habituam-se, conformam-se com o sucedido, pois se já sucedeu… em breve poderão vir a experimentar uma espécie de amnésia, perguntarão: como é mesmo que se chamava o meu blogue?

Estava a dramatizar a situação, afinal, vê-se muito bem lá por baixo o nome “O Pafúncio”, quem quiser saber pode decifrar. E a imagem que lá apareceu até dá um certo ar modernaço, de assunto do dia.

Não, ainda não é um vírus. Sou eu a testar as possibilidades do meu blogue. Hoje ficou assim, e assim vai permanecer até O Pafúncio deixar de se sentir sufocado pelo momento político que Portugal está a passar.

quinta-feira, junho 28, 2007

Tudo Bons Rapazes!

Goodbye, Blair, nunca te esqueceremos

O Bagão é um vampiro!

Não posso permitir que o Pafúncio se deixe embevecer por todos esses prémios que tem ganho ultimamente. Atordoado, parece nem reparar que coisas graves se estão a passar à sua volta e ele a sonhar com Tomates, Grelos e Maravilhas da Blogosfera. Desce à terra, Pafúncio e vem dar-te conta do que se passa à tua volta. Ouviste hoje o Bagão Félix vindo das trevas dos quintos dos infernos que o pariu. Vê lá se ele não apareceu logo, assim que lhe cheirou à retirada dos direitos dos trabalhadores. Espécie de vampiro que avidamente fareja a força de trabalho, a mão de obra barata e precária. E quer mais. A sua obsessão é alterar a Constituição, para poder ir ainda mais longe. Pulverizar a classe trabalhadora, retirar-lhe todos os direitos conquistados, não lhe dar qualquer tipo de segurança, torná-la completamente dependente, levando-a a aceitar qualquer emprego, ameaçando-a com o desemprego, eis a sua versão do Código de Trabalho do Século XXI.

Tu andas distraído, ó Pafúncio, os nossos filhos serão uns biscateiros que, dizem-nos de antemão, terão que se agarrar a vários empregos ao longo da vida para sobreviver e para não cair no desemprego; e cada vez terão mais insegurança e incertitude. Não terão um trabalho digno , com direitos, e, nessa altura já os seus pais terão passado a uma reforma reduzida, com tendência a se reduzir ainda mais. O sistema que professam esperará que sejam esses jovens precários que pulam de emprego para emprego a apoiar os pais na doença e na velhice ou logo se vê o que acontece na altura a uns e a outros? Que populações de famélicos terão entretanto produzido? Quantos mais milionários? Quantos mais desempregados e precários? Que multidão aguentará que cumpram os objectivos à sua custa?

Estes, como o Bagão, esperam agora para ver até onde os deste governo conseguem avançar e aproveitam a ocasião para adiantar a ideia de que, sem a alteração da Constituição da República, o Livro Branco das Relações Laborais não passa de uma brincadeira de crianças. Para Bagão Félix a Constituição é um entrave ao seu desejo sanguinário de ir ainda mais longe, o mais longe possível na exploração da força de trabalho do século XXI, como se se pudesse ir ainda muito mais longe!

Não aprecio este tipo de rato que rói os nossos pés, as nossas estruturas, as suas fundações. E o país está minado deles, a destruir as estruturas da nação. Em pouco tempo não haverá Estado para se responsabilizar seja pelo que for. Cada um, mal ou bem terá que se virar, não haverá qualquer sistema a protegê-lo e pagará tudo do seu bolso. Muita gente enriquecerá com essa privatização. Privatizar o que era propriedade ou direito de todos os cidadãos é uma usurpação em larga escala. Todos os que nos apontam o caminho da nossa destruição são ladrões e malfeitores, gente sem escrúpulos nem valores, cheios de veneno e ambição saem das trevas para nos sugar, são os novos vampiros, senhores à força, mandadores sem lei, enchem as tulhas, bebem vinho novo, dançam à roda no pinhal do rei. Fascista do Bagão!

O Pafúncio é um fenómeno do Entroncamento!


"O Prémio "Blogue com grelos" premeia mulheres que, na sua escrita, para além de mostrarem uma preocupação pelo mundo à sua volta, ainda conseguem dar um pouco de si, dos seus sentires e com isso tornar mais leve a vida dos outros. Mulheres, mães, profissionais que espalham a palavra de uma forma emotiva e cativante. Que nos falam da guerra mas também do amor. A escrita no feminino, em toda a net lusófona tem que ser distinguida."

O Pafúncio foi contemplado com mais um prémio. Agradeço a distinção à Renda de Bilros que foi a pessoa maravilhosa que atribuiu mais este prémio ao Pafúncio. Este blogue torna-se agora numa espécie de blogue hermafrodita: com grelos e dois belos pares de tomates, ele quase se converte assim num blogue do Entrocamento.

Para não ser desmancha prazeres, mas também e principalmente porque me lembrei imediatamente de alguém de um blogue que bem o merece, atribuo este prémio à MORIAE e ao blogue A SINISTRA MINISTRA

Deixo aqui expresso o meu apelo a que este prémio possa igualmente ser atribuído também a blogues de homens pois muitos deles revelam uma sensibilidade muito próxima à sensatez das mulheres. E afinal, que homem da blogosfera não gostaria também de ser contemplado com um Grelo. Podíamos depois dizer: "o meu grelo vai para... "


quarta-feira, junho 27, 2007

Voltar o feitiço contra o feiticeiro

Se forem processados pelos detentores do poder, os cidadãos não devem amochar, sendo a partir daí, legítima a resposta no mesmo foro, responsabilizando o cumprimento da constitucional independência dos tribunais. Os cidadãos não têm de comer um processo e calar a sua voz, com a resignação dos súbditos perante o todo-poderoso, sem denunciar o abuso sofrido e pedir a sua reparação. De outro modo, deixamos resvalar a liberdade para a beira da cova.

Publicado por António Balbino Caldeira em 6/25/2007

António Balbino Caldeira do blogue Do Portugal Profundo
volta o feitiço contra o feiticeiro:

para ler aqui

Não deixe de consultar o

blogue do advogado José Maria Martins,

sobre este e outros assuntos.






Cimeira de Bruxelas: 05:30h

Alteração das Regras


clique para aumentar

segunda-feira, junho 25, 2007

"7 Maravilhas da Blogosfera"

O Blog "O Sentido das Coisas" teve a boa ideia de criar uma votação na blogosfera para nomear as "7 Maravilhas da Blogosfera". Quem quiser participar pode lá ir ver o regulamento. Ninguém precisa ser nomeado para poder escolher também sete maravilhosos blogs que conheça.

O Blog “Pérolas Intemporais” teve a gentileza de nomear “O Pafúncio”, integrando-o nesta iniciativa, o que muito agradeço. Tive pena de não poder nomear alguns blogs dos mais maravilhosos. Ficam no coração e continuo a torcer por eles.

Por favor tão cedo não me metam em mais destas. Ultimamente têm-me chegado umas quantas, acho que já tenho a minha parte. Agora vou procurar uma receita para dar seguimento a uma dessas correntes. Estas coisas são giras mas tomam muito tempo. Desviam a atenção de coisas importantes que se estão a passar e temos que estar atentos a todos os sinais. Mas foi bom valorizar o que mostra ter valor.

Cabe-me agora nomear sete blogs maravilhosos.

Ei-los, não deixem de os visitar ou mesmo conhecer:

A Voz da Abita

Abafos & Desabafos

Apanha-moscas

Filhos da Outra

Marginal Zambi

Melodrama em Ponto Pequeno

O Cartel






Vamos tomar cuidado com promessas assinadas em papel molhado


censorship

Vamos lá reflectir se queremos ou não este tratado que vai agora começar a ser escrito. Sabem alguma coisa sobre o seu conteúdo? Nada. Tudo leva a crer que é top secret, que só aqueles senhores da Cimeira de Bruxelas que estiveram lá a bichanar uns com os outros, a negociar e a fazer acordos é que sabem o que para lá deve ser escrito.

Faz-se um congressozito qualquer do PP ou do PS ou do PSD e a gente tem que levar com ele a todas as horas nas televisões e em todos os órgãos de informação: e ouve pedaço do que disse este e mais um bocado do que outro disse.

Faz-se uma cimeira a nível europeu, para decidir dos destinos da união europeia, reunem-se as figuras, uma fortaleza de segurança, e nada de cameras a filmar a negociata. Onde está a reportagem da Cimeira? A gente sabe lá o que é que eles estiveram a combinar uns com os outros! O que nos chega é que será o nosso país a ocupar-se da escritura do importante tratado e a continuar as negociações entre os países. Um encontro com esta importância devia ser filmado e as negociações deviam ocorrer debaixo dos olhos dos povos europeus, pelo menos no que respeita aos momentos mais decisivos da cimeira. Ficaríamos a perceber o que está em jogo, o que cada nação europeia procura salvaguardar, de que forma os poderes se vão distribuir, quem está de acordo em cumprir o quê, quais os direitos que cada país conseguiu assegurar, o que cada um irá perder, o que irá ganhar com o acordo. Mas nada chega até nós. Só um primeiro ministro que vem de lá a dizer que Portugal tem agora uma missão muito importante a cumprir, que nos devíamos orgulhar de sermos nós os escrivãos do reino da Europa, que nada se poderá dizer agora sobre o tratado porque o tratado ainda não está escrito e que só depois do tratado estar pronto é que se deve conhecer o seu conteúdo. Então mas eles, que lá estiveram, não sabem o que é suposto constar do tratado? Onde está o nosso direito à informação atempada e objectiva para podermos já começar a pensar sobre o assunto. Então só eles que o vão escrever é que têm direito a conhecer as matérias que discutiram, como e de que forma se resolveram, o que ficou realmente acordado? O povo é como o corno, o último a saber? E eles ainda vão todos pensar se somos ou não dignos de ser consultados. O presidente aparece a dizer o mesmo: só depois do texto escrito é que se verá se há necessidade de referendo. E o primeiro dá um passo à frente para dizer que vai cumprir a sua promessa eleitoral de referendar a coisa mas dá dois atrás logo a seguir, dizendo que ainda é cedo para saber se vale a pena fazer ou não referendo porque primeiro é preciso conhecer o texto do tratado.

Senhor engenheiro primeiro ministro, então ainda não sabe se conseguirá dar a volta ao texto para o dar ao povo em forma de pílulas ou de supositório de toma única? Não me diga que ainda não sabe o que o texto terá inevitavelmente que conter. Não me diga que ainda não pensou em nenhum eufemismo para atenuar uma perda nítida de poderes por parte das nações soberanas. Vamos ter que esperar, não é? É melhor a informação chegar-nos por meio de pílulas, embora em si já tenha sido introduzido todo o supositório, não é? Está bem, nós esperamos, mas não se admire se formos fazendo perguntas porque nós aqui nos blogues gostamos de ler a literatura do remédio antes de o tomar e não gostamos nada que nos enfiem um saco na cabeça enquanto vocês decidem sozinhos os destinos do nosso país.

Arte e Manhas

sexta-feira, junho 22, 2007

Mummy on the road: One more king cake de perdigotos salazarentos

Acabei agora mesmo de ouvir a Grande Múmia de Boliqueime anunciando aos emigras dos States que "Portugal é hoje um país de oportunidades". Lá se voltou o homem a engasgar com o king cake, ele queria era dizer: Portugal é hoje um país de oportunistas. Ou então era mesmo a vender a sua banha da cobra, ao estilo do vendedor que tantas vezes vi na Feira da Ladra. Mais um que merecia ingressar nas novas oportunidades: para presidente não tem grande jeito mas para vender pentes e esticadores no Martim Moniz é um engenheiro. Por mim, se eu mandasse, punha-o a ele mais ao Narana Coissoró por esses restaurantes indianos fora: Qué frô? Qué frô?, -- e em indiano.
Mas do melhor que lhe tenho ouvido foi quando lhe pediram para dizer qualquer coisa sobre a cimeira da União Europeia: a receita indicada foi que se pusesse os intervenientes a meia ração: pouca comida, só umas sandes, nada de bebidas e muito trabalho para atingirem bem depressinha os objectivos. Mas que lindo discurso salazarento, até parecia que se estava a dirigir ao povinho de Portugal e não aos senhores comissários da UE: a tua política é o trabalhinho, porreirinho da Silva, é só porrada e mau viver. (Ó Múmia, não vês que te enganaste no discurso?) Esse era aquele que tinhas na manga, reservado para quando a Ferreira Leite for a princesa que tencionas coroar para gerir com mão de ferro (outra dama de ferro velho?) o reino das trevas que congeminas para Portugal, o tal discurso da austeridadezinha rígida para cumprir o programa de festas da bruaca que, qual mito do eterno retorno, volta sempre a assombrar o povo português nas épocas mais salazarentas.

Que força é essa?


Li este texto do Paulo Pedroso nos Braganzzzzza Mothers e deixo aqui para memória futura o comentário que lhe fiz:

Li o texto com toda a atenção e compreendo o teu sentido de democracia. Mas, bem vistas as coisas há um ponto frágil no teu discurso: não me pareceste muito incomodado com o facto de Sampaio ter corrido com o Santana Lopes. Afinal, para além dos fiascos diários e dos depoimentos alucinantes que nos faziam rir até às lágrimas, não havia motivos dos graves, daqueles que tu referes que constituem motivo para um PR dissolver a assembleia. Ora o actual governo, desde certos ministros ao próprio nº. 1 tem cometido fiascos tão risíveis como os de Santana, só as moscas mudaram, e o humor refinou-se, já não é tão apimbalhado. A grande diferença que poderás argumentar é que o Santana não foi eleito, mas o PSD tinha sido e, felizmente, também dançou. Ora eu, apesar de concordar que é um desastre para o país cada vez que está governativamente instável, sou das que acham que o problema actualmente não são só os fiascos, que os há, mas principalmente as políticas de destruição da nação que estão a ser levadas a um ponto que nem os Durões ousaram. E essas políticas são mentirosas, não são socialistas, são da mais extrema direita, são as políticas do capital global. Estas sim, são realmente destrutivas e perigosas para o país (vender as estradas? vender a saúde? vender as universidades? a educação? vender o país por lotes?) que ausência de governo poderá ser mais perigosa? Estão a roubar o que era de todos e a depositá-lo nas contas bancárias de alguns. A este governo importa-lhe ser cumpridor, mostrar-se solícito para com as directivas da união europeia, passar obstinadamente por cima de cada contestação, branquear a contestação e querer agora banir também a opinião. Que ditadura poderá ser mais eficaz que esta democracia com que nos iludimos? A nossa democracia é só votar? que democracia é esta que prejudica o povo? Sócrates voltaria à carga? E será que ganhava as eleições? ou sofria uma merecida derrota humilhante? E depois quem é que ia para lá os PSD's? Esse é que é efectivamente o nosso medo, o medo de um povo que pensa que escolhe e é sucessivamente enganado, pelos sucessivos governos de alterne. O mal maior não são uns ou os outros; o pior são as políticas economicistas que eles todos perfilham. Isto está tão mau que um dia destes o Cavaco ainda forma um grupelho de iluminados, tipo ferreiras leites e outras enormidades, um governo de salvação nacional, dizendo que isso de democracia não está a dar senão confusão. Estas alimárias são ainda mais perigosas e maléficas, frias e calculistas (o Sócrates provavelmente será um par, pois tem o perfil e a perfídia certos e cinicamente pode dar-se bem com qualquer múmia desde que seja para estar no poder). Esta junta em assumindo o poder faria a vida verdadeiramente negra ao povo em particular, e à democracia em geral, pois nem os reconheceria. Que fazer então?: não ficar calados, denunciar a uns e aos outros cada passo em falso e, acima deles, dizer não às políticas que a UE nos está a mandar. Elas não se coadunam com a realidade portuguesa. Cada uma que cá chega torna-se num mal maior. O mais importante é dizer não a essa políticas, essa é que é a verdadeira guerra, o resto são pequenas batalhas campais num país demasiado pequeno onde todos os escândalos se ficam a saber e ganham grande dimensão, apesar de já haverem notícias a desaparecer.Já se vendem bocados de Portugal destinados a construção social em leilões em Espanha! Todos os dias se ouve pelo menos uma destas enormidades. Graves leis estão a ser aprovadas em conselho de ministros com a certeza de um posterior consentimento da maioria parlamentar. As pessoas votaram conscientes disto que viria a acontecer-lhes? Ou votaram enganadas? Houve ou não houve mentiras? Há ou não há manobras nas trevas? As pessoas agora é que não podem permanecer caladas, pois o momento é grave. Não consegui manter o luto por mais de umas horas porque é preciso continuar sempre a exercer a liberdade de expressão: sempre e cada vez mais e em todo o lado: nos blogs, na rua, em casa, no supermercado, na repartição, no tribunal, na puta que os pariu a todos, que a gente também precisa de desabafar porque somos portugueses e um filho da puta, embora não seja filho de uma puta é sempre visto muito pior do que outro que realmente o seja. As expressões de calão têm um significado que não é para tomar à letra; cada uma das partes não existe significativamente e nem em conjunto, só sob a forma de expressão idiomática, uma força de expressão. Espero que nunca seja um palavrão catártico destes a instituir motivo de perda da liberdade de expressão, até parecia mal; agora uma falta de ética, uma mentira comprovada, más políticas para o povo que elegeu um partido socialista a julgar que o ia defender, um logro ou o facto de em democracia se perseguir quem emite opiniões, isso já são motivos mais do que suficientes. Podemos nós, em democracia, ficar calados perante tudo isto com receio de que venha a ser pior?

6/22/2007 2:09 AM

Excluir
Blog Widget by LinkWithin