segunda-feira, maio 21, 2007

É a Pátria que está em causa

Imagem retirada daqui

Depois da liberdade desaparecer, resta um país, mas já não há pátria
Chateaubriand , François

Processo Disciplinar de Fernando Charrua


"O crime de opinião volta a estar na ordem do dia,
a censura mostra agora as garras, o terror campeia,
a boca calada é imposta pelo temor de processos disciplinares,
os informadores pululam
e a administração sente-se segura e livre
de 'opositores' ao Governo."

Fernando Charrua
num comentário no blogue Quarta República

in Diário de Notícias, 21/05/2007

Às vezes apetece mesmo dizer "PORRA"!

Ora porra!

Então a imprensa portugueza

É que é a imprensa portugueza?

Então é esta merda que temos

Que beber com os olhos?

Filhos da puta! Não, que nem

Há puta que os parisse.

Álvaro de Campos(1)

[M.SER. 937]



(1) Ainda assim mais engenheiro do que muitos "engenheiros"

Imprensa obscena


Agregados de um casal com filhos desceram abaixo dos 50 por cento

Portugueses não querem ter mais tempo para a família, ao contrário da maioria dos europeus

20.05.2007 - 08h37 Clara Viana Ler toda a notícia aqui

Estas “gordas” da primeira página do jornal Público de ontem são uma obscenidade. A grande maioria dos portugueses que passam pelas bancas e olham os jornais de soslaio vai pensar: “Grandes malandros (os outros) essa malta agora não quer é passar tempo com a família!”. Mas se olharmos mais atentamente para esta notícia, veremos que analisa um estudo do INE que aponta para um novo dado – os tradicionais “casais com filhos” pela primeira vez descem abaixo dos 50% (46,8% em 2006). O resto é, segundo o Público, malandragem que não quer passar tempo com a família.

Será mesmo assim, ou este título da edição impressa do Público tenciona mesmo esconder os verdadeiros motivos para estes números? Não querer é uma vontade pessoal, individual e independente de cidadãos livres e tem toda a legitimidade. Cada um está no seu direito de querer ou não passar mais tempo com a família. O problema aqui é que eu duvido que sejam essas as motivações de existirem cada vez menos casais a terem filhos. Os portugueses não têm filhos porque não têm confiança no Futuro. Mesmo não lendo para além dos cabeçalhos, eles sentem que isto não vai nada bem. Perdem-se empregos, os euros nas mãos dos portugueses desvalorizam, não há dinheiro para pagar os empréstimos, pedem-se mais empréstimos, o ensino não está bom para crianças, a vida também não… os portugueses têm cada vez menos filhos porque têm cada vez menos segurança e confiança no futuro. Pois se eles nem sequer têm confiança no presente...

Desta forma, ficam escondidas por detrás do conteúdo explícito da manchete, todas estas causas. Estas ninguém faz por apurar. Permanece a perigosa ideia geral de que os portugueses têm uma fraca vontade de dispender o seu tempo com a família. E nada mais por detrás dessa falta de querer. São eles os responsáveis, são eles os que não querem!

Quantos portugueses hoje vivem em condições precárias? Quantos estão endividados? Quantos estão desempregados ou mal empregados? Quantos têm contrato de trabalho que lhes dê garantias de emprego futuro? Quantos em idade de constituir família dispõem de casa, de emprego, de um futuro?

Blogosfera Futura

Para todos os que já aderiram ao Movimento de Independência e Liberdade de Expressão na Blogosfera, aqui fica o logótipo, da autoria do KAOS, que deverão inserir no vosso blogue, com a ligação para http://blogosferafutura.blogspot.com/, em cuja caixa de comentários estamos a aceitar todas as contribuições para uma definição de uma Carta de Princípios que nos irá orientar. Agradecemos a maré que, desde ontem, tem vindo em crescendo. A participação de todos é preciosa, e vital. (De http://braganza-mothers.blogspot.com/)

domingo, maio 20, 2007

Alguém viu por aí o cão do Mourinho?

Lambe-botas, bufos e outros pulhas -- os cães de guarda do governo Sócrates

Professor de Inglês suspenso de funções por ter comentado licenciatura de Sócrates

19.05.2007 - 10h09 Mariana Oliveira (Leia toda a notícia aqui)

Um professor de Inglês, que trabalhava há quase 20 anos na Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), foi suspenso de funções por ter feito um comentário – que a directora regional, Margarida Moreira, apelida de insulto – à licenciatura do primeiro-ministro, José Sócrates.

"Se a moda pega, instigada que está a delação, poderemos ter, a breve trecho, uns milhares de docentes presos políticos e outros tantos de boca calada e de consciência aprisionada, a tentar ensinar aos nossos alunos os valores da democracia, da tolerância, do pluralismo, dos direitos, liberdade e garantias e de outras coisas que, de tão remotas, já nem sabemos o real significado, perante a prática que nos rodeia." Fernando Charrua, professor de Inglês

Calúnias II

Há mais aqui


Diz que vai ganhar, meu bem

A Câmara para mim

Eu deixei aquela vida de lado

E não sou mais um transviado

Telmo, eu não sou gay

O que falam de mim são calúnias, meu bem

Eu parei…….

Telmo, ô Telminho, não faz assim comigo

Não me puna por essas manchas no meu passado

Já passou! Esses rapazes são apenas meus amigos

Agora eu sou somente seu, meu AMORRRR

glosado a partir de Calúnias (Telma eu Não Sou Gay) - Ney Matogrosso - Composição: B. Anderson

sábado, maio 19, 2007

Palhaçada da pior

Hoje fiquei por momentos retida numa rua perpendicular à da entrada das visitas do Palácio de Belém. Grandes carrões -- alguns curiosamente de vidros esfumados -- passaram apressados uns atrás dos outros como se quisessem não ser vistos (os ocupantes) mas, por outro lado, sinais dos tempos, querendo que toda a gente pare a ver passar os vips a passar. Como no tempo dos outros senhores. Eis como os imagino por detrás de vidros não esfumados. As personalidades passaram a personagens e as suas personagens a palhaços. Que me perdoem os verdadeiros palhaços de profissão, gente honesta.

Intervenção de Andre Yon, professor sindicalista francês

Encontro em Defesa da Escola Pública
Algés, 14 de Abril
Para que é que pode servir a intervenção de um sindicalista francês na discussão que tem estado a ter lugar aqui esta tarde? Os meus colegas franceses ficariam aterrorizados se tivessem ouvido o que eu tenho estado a ouvir. Se há um ponto comum entre a situação francesa e a portuguesa, eu creio que é a questão do respeito da democracia, que se coloca de modo dramático. No meu país, a 29 de Maio de 2005, o povo votou massivamente pelo não ao projecto de Tratado Constitucional Europeu. E, com base neste elã, alguns meses depois, a juventude e muitos trabalhadores do meu país, manifestaram-se aos milhões contra a modificação do Código do Trabalho que o Governo pretendia fazer.
Portugal, a França e os outros países da Europa são grandes nações, mas perderam a sua soberania. (Leia tudo no Blog em Defesa da Escola Pública.)

sexta-feira, maio 18, 2007

Que Animal Farm?


Tudo começa quando um velho porco, o Velho Major, sonha que libertará os animais da escravidão em que vivem, e comunica aos outros o seu sonho. Passados três dias o Major morre, mas a revolução que iniciara na cabeça dos animais acabará por se concretizar com a expulsão do Sr Jones (dono da quinta) e libertação de todos os animais da escravidão.Da revolução nascem sete mandamentos, redigidos pelos porcos (considerados os mais inteligentes), que passam a reger a vida na quinta:


1º- Tudo o que anda sobre dois pés é inimigo

2º- Tudo o que anda sobre quatro pés, ou asas, é amigo

3º- Nenhum animal usará roupas

4º- Nenhum animal dormirá numa cama

5º- Nenhum animal beberá álcool

6º- Nenhum animal matará outro animal

7º- Todos os animais são iguais


A contínua alteração dos mandamentos culmina no último mandamento, frase que ficará na história como marca de toda a alegoria de Orwel:


"Todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais do que outros"...

(Resumo retirado daqui)

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Tenho chegado ultimamente à conclusão pelos textos que tenho lido sobre o livro de Orwell, Animal Farm, de que o que tem importado a uma certa critica é, como se costuma dizer, "dar o pai à criança". E isto porque se resume a história de uma forma mais ou menos subjectiva para então se traçar longas considerações sobre a clássica atribuição dos papéis, através de fórmulas: Velho Major=Marx; Bola de Neve (Snowball)=Trotsky; Napoleão=Estaline; etc. etc.
A mim, parece-me redutor; como se o perigo dos totalitarismos e das ditaduras ou dos pequenos autoritarismos estivesse confinado àquele período histórico... Enquanto uma certa crítica nos tenta pôr palas nos olhos para que continuemos a seguir apenas por esse caminho para nos consolidar mais profundamente a ideia de que os comunistas todos foram uns papões estalinistas. Quem se consegue manter livre delas pode ter uma visão mais alargada no tempo e no espaço desta fábula alegórica. Olhemos à nossa volta, atentemo-nos ao que ainda resta de um telejornal -- eles, os porcos, estão por toda a parte e até já modificaram alguns dos nossos mandamentos mais sagrados. Por exemplo, onde estava



O ensino deve ser gratuito

alguém veio e modificou até ficar

O ensino deve ser tendencialmente gratuito


Então o que tem isto de diferente da alteração dos mandamentos que os amnésicos animais da quinta foram esquecendo? Não estará esta fábula política tão actual quanto eu desejo aqui provar? Em que é que aqueles porcos foram mais ou menos porcos do que os nossos actuais? Permitam-me:

Todos os porcos são porcos mas alguns porcos são ainda mais porcos do que outros porcos por continuarem a ser tão porcos como eles foram!

Parar Bolonha


Um blog interessante e que dá que pensar que talvez, afinal, quem sabe o Processo de Bolonha não seja assim uma coisa tão boa para nós como nos querem levar a crer que é!

O Livro que ando a consultar...

CAPÍTULO III
Direitos e deveres culturais
(Ensino)
...
"e) Estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino;"

quinta-feira, maio 17, 2007

O problema da Educação é, fundamentalmente, politico

Santana Castilho
Encontro em Defesa da Escola Pública, Algés, 14 de Abril

Leia AQUI excertos da intervenção de Santana Castilho, professor universitário e cronista do jornal Público, no Encontro em Defesa da Escola Pública, em Algés, a 14 de Abril passado.


Análise feita por Santana Castilho do estado actual da Nação, da educação e dos ataques que estão a ser feitos aos serviços públicos em geral. Suas causas e efeitos. Números de 2005.

quarta-feira, maio 16, 2007

Pedido de delegação à Assembleia da República: Subscrição da Carta aos Deputados do PS


Foi já enviada -- e, dia 9 de Maio, recebida -- uma carta dirigida ao Presidente do Grupo Parlamentar do PS, Alberto Martins, na qual a Comissão para a Defesa da Escola Pública pede que seja recebida uma sua delegação. Esta terá como missão entregar a Carta aos Deputados do PS que resultou do Encontro em Defesa da Escola Pública. Lembramos que o objectivo da Comissão é reunir 500 assinaturas (já existem cerca de 90 subscrições), pelo que pedimos a todos que nos ajudem a atingir esta meta. Por favor divulguem esta iniciativa junto dos vossos contactos. Uma Escola Pública de qualidade é um direito de todos os cidadãos!
Visite o blog da Comissão :Leia mais sobre o Encontro em Defesa da Escola Pública (os textos das Intervenções dos Convidados estão a ser publicados/actualizados)

segunda-feira, maio 14, 2007

Frase do meio da noite

"O mundo investe cinco vezes mais em remédios para virilidade masculina e silicone para mulheres do que na cura do Mal de Alzheimer. Daqui a alguns anos teremos velhas de grandes mamas e velhos de pau feito, mas... não se vão lembrar para que servem!"

Camões pode ser inspirador...

KAOS

Fátima também!

As equivalências e os termos assinados,

Que na ocidental raia Lusitana,

Por cursos nunca antes frequentados,

Passaram ainda além dos seis dias da semana,

Em betão armado e pré-esforçado,

Mais do que prometia a desfaçatez humana,

E entre gente bem mais douta edificaram

Novo currículo, que tanto sublimaram;
E também as notícias gloriosas

Daqueles feitos, que foram omitindo

A Lisura, a Hombridade, as Virtudes valerosas

Das corporações que foram destroçando;

E aquele, que por obras viciosas

Se vai da lei da respeitabilidade libertando;

Sobranceiro, entre pares, no plenário,

Cantarei, se a tanto me ajudar o engenho sanitário.


(Lusíadas de Luiz de Camões - versão século XXI no BlogOperatório)

domingo, maio 13, 2007

Engenheiro ou mentiroso compulsivo?


Ao ouvir Sócrates hoje dizendo que nada se altera na situação dos comandos portugueses no Afeganistão e sabendo que pela primeira vez desde a guerra colonial os nossos moços vão com licença para atirar a tudo o que mexer, dei por mim a pensar se o vosso primeiro não será um mentiroso compulsivo, além de repulsivo.

Fui documentar-me sobre a tara e fiquei a compreender melhor as razões do tal de engenheiro. Acompanhem os meus raciocínios e digam-me se estarei enganada.

Quando alguém mente está revelando que algo dentro de si não está bem. Psicólogos relacionam a atitude à baixa auto-estima ou ao ímpeto de tirar vantagem.
[quanto à baixa estima só mesmo quem o conheça mais intimamente pode confirmar ou desmentir, agora quanto ao “ímpeto de tirar vantagem”, isso quanto a mim já terá mais sustância, como se diz na minha terra. Adiante]

"Por trás da mentira há um apelo, uma defesa, um sintoma ou uma compulsão", explica a psicanalista Ruth Cohen, do Rio de Janeiro. A criança mente, de modo geral, para fugir de um castigo, porque se sente injustiçada, por achar que estão exigindo algo além de sua capacidade ou, pelo contrário, por estar querendo algo que, a seu ver, não merece. [‘Pera lá que isto parece-me importante. Apelo? Defesa? Sintoma? Compulsão? Querem ver que não se fica por aqui? Sim, ser primeiro-ministro de Portugal pode ser uma injustiça para qualquer um, mas eu inclino-me mais para a última hipótese: acho que ele quis, quer e quererá sempre algo que não merece – exactamente o que estão a pensar: ele quer assumir a presidência da União Europeia, mas lá no fundo ele sabe que não merece; e nós também pois já o topamos de outros carnavais: tal e qual como ele antes quis ser engenheiro, apesar de não o merecer.]

Aquelas crianças que simulam situações inverídicas — [como o nosso garoto que afiançou diante das cameras de televisão não haver qualquer problemas com o seu percurso académico] — podem estar em busca de afirmação por meio de uma falsa capacidade. [Afirmação também, talvez, mas eu acho que era mesmo só para ouvir as pessoas chamando-o de senhor doutor engenheiro, mas isto já sou eu a divagar]

Alguns estudantes, pressionados por desajustes familiares, apelos comerciais cada vez mais agressivos e mesmo por uma certa competição silenciosa estabelecida com os colegas, criam defesas e contam aos outros verdadeiras fábulas. [dos "desajustes familiares" sei umas histórias de arrebenta; e quanto aos "apelos comerciais cada vez mais agressivos" , é ver as Opas e as negociatas que vão por aí com os privados e com os colegas da União Europeia: aquelas directivas todas da União Europeia, o povo descontente e ele a ter que brilhar na cimeira de Sintra, mostrar resultados, ser cumpridor do défice, sempre perseguido pela imagem do espelho Blair a dizer que melhorou tudo e que foi o maior… será isto "a competição silenciosa estabelecida com os colegas"? Fábulas? Então mas para ser fábula não basta os animais falarem? Querem mais fábula do que as coisas que ele diz, quando diz?]

Na opinião de psicólogos, o mentiroso compulsivo — que reinventa os acontecimentos o tempo todo — ou aqueles que adulteram dados, suprimem informações ou colocam em risco a integridade dos outros devem ser tratados por profissional especializado. [Além de adulterar dados, que nisso aliás se especializou durante a sua carreira na UI, suprimir informações – será que esse canudo alguma vez apareceu? E os canudos da Casa Pia? E esta agora de nem uma palavra acerca do aumento de perigo a que se vão expor os nossos comandos no covil dos talibãs? Diz que nada se altera, que está tudo exactamente na mesma...ora, para o povo que não é estúpido apesar de ter votado nele, se o senhor engenheiro diz que não há problema ou é porque é mentiroso ou porque gosta de enganar… curiosamente desta vez o Cavaco esqueceu-se de não dizer nada e disse que havia pgoblema… Onde encontrar profissionais especializados para tratar esta gente? Não no serviço público de saúde!]

Muitas vezes, nesses casos, ao hábito da mentira se aliam outros traços, como a frieza, o desrespeito e a agressividade. [Como não estamos no Brasil, que é terra de gente mais simples, onde mesmo os magnates andam de chinelo no pé e despojados do Armani, no vosso primeiro, a maníaco-compulsividade que se esconde por detrás da mentira, manifesta-se em arrogância, cinismo e pedantismo, que para o caso também devem contar]

No dia-a-dia, porém, o professor que conhece os estudantes tende a perceber quando eles se atrapalham por mentir. Um leve rubor, a gagueira, um persistente piscar de olhos, o desvio do olhar ou a fala apressada podem ser sinais dados pelo corpo do mentiroso. [Só quem ainda não viu os trejeitos peixeirívoros de mão na anca e ora toma na sessão mensal da Assembleia da República é que se deixa enganar. Os professores, neste caso o professor das cinco cadeiras é que não deu por nada e por isso o seu pupilo refinou, agora é um especialista na arte do engano. Os outros sintomas lembram-me mais as caretas do senhor presidente boliqueimense, excepto a falta de rubor, mas isso é normal nos vampiros. Será que ele também é um mentiroso? Valha-nos Nossa Senhora de Fátima que se não for ela não sei onde vamos parar com tanta mentira]

sábado, maio 12, 2007

Ficou a boneca.


TEATRO DA BONECA
Carlos Queiroz ( Lisboa, 1907-1949)

A menina tinha os cabelos louros.
A boneca também.
A menina tinha os olhos castanhos.
Os da boneca eram azuis.
A menina gostava loucamente da boneca.
A boneca ninguém sabe se gostava da menina.
Mas a menina morreu.
A boneca ficou.
Agora também já ninguém sabe se a menina gosta da boneca.

E a boneca não cabe em nenhuma gaveta.
A boneca abre as tampas de todas as malas.
A boneca arromba as portas de todos os armários.
A boneca é maior que a presença de todas as coisas.
A boneca está em toda a parte.
A boneca enche a casa toda.

É preciso esconder a boneca.
É preciso que a boneca desapareça para sempre.
É preciso matar, é preciso enterrar a boneca.

A boneca.

A boneca.

... em tempo de cabeças pensantes


SENTENÇAS DELIRANTES DUM POETA PARA SI PRÓPRIO EM TEMPO DE CABEÇAS PENSANTES
Alexandre O'Neill
1
Não te ataques com os atacadores dos outros.
Deixa a cada sapato a sua marcha e a sua direcção.
O mesmo deves fazer com os açaimos.
E com os botões.
2
Não te candidates, nem te demitas. Assiste.
Mas não penses que vais rir impunemente a sessão inteira.
Em todo o caso fica o mais perto possível da coxia.
3
Tira as rodas ao peixe congelado,
mas sempre na tua mão.
Depois, faz um berreiro.
Quando tiveres bastante gente à tua volta,
descongela a posta e oferece um bocado a cada um.
4
Não te arrimes tanto à ideia de que haverá sempre
um caixote com serradura à tua espera.
Pode haver. Se houver, melhor...
Esta deve ser a tua filosofia.
5
Tudo tem os seus trâmites, meu filho!
Não faças brincos de cerejas
sem te darem, primeiro, as orelhas.
Era bom que esta fosse, de facto, a tua filosofia.
6
Perguntas-me o que deves fazer com a pedra que
te puseram em cima da cabeça?
Não penses no que fazer com. Cuida no que fazer da.
É provável que te sintas logo muito melhor.
Sai, então, de baixo da pedra.
7
Onde houver obras públicas não deponhas a tua obra.
Poderias atrapalhar os trabalhos.
Os de pedra sobre pedra, entenda-se.
Mas dá sempre um «Bom dia!» ao pessoal do estaleiro.
Uma palavra é, às vezes, a melhor argamassa.
8
Deves praticar os jogos de palavras, mas sempre
com a modéstia do cientista que enxertou em si mesmo
a perna da rã, e que enquanto não coaxa, coxeia.
Oxalá o consigas!
9
Tens um glorioso passado futurível,
mas não fiques de colher suspensa,
que a sopa arrefece.
10
Se tiveres de arranjar um nome para uma personagem
de tua criação, nunca escolhas o de Fradique Mendes.
A criação literária não frequenta o guarda-roupa,
muito menos quando a roupa tem gente dentro.
11
Resume todas estas sentenças delirantes numa única
sentença:
Um escritor deve poder mostrar sempre a língua portuguesa.

de Poesias Completas, Assírio & ALvim, 2000

sexta-feira, maio 11, 2007

Notícias do Bloqueio

"Lisboa Velha"
MADALENA ARANTES PEDROSO FONSECA

Aproveito a tua neutralidade,
o teu rosto oval, a tua beleza clara,
para enviar notícias do bloqueio
aos que no continente esperam ansiosos.


Tu lhes dirás do coração o que sofremos

nos dias que embranquecem os cabelos...
tu lhes dirás a comoção e as palavras
que prendemos - contrabando - aos teus cabelos.

Tu lhes dirás o nosso ódio construído,
sustentando a defesa á nossa volta
- único alcochoado para a noite
florescida de fome e de tristezas.

Tua neutralidade passará
por sobre a barreira alfandegária
e a tua mala levará fotografias,
um mapa, duas cartas, uma lágrima...

Dirás como trabalhamos em silêncio,
como comemos silêncio, bebemos
silêncio, nadamos e morremos
feridos de silêncio duro e violento.

Vai pois e noticia com um archote
aos que encontrares de fora das muralhas
o mundo em que nos vemos, poesia
massacrada e medos à ilharga.

Vai pois e conta nos jornais diários
ou escreve com ácido nas paredes
o que viste, o que sabes, o que eu disse
entre dois bombardeamentos já esperados.

Mas diz-lhes que se mantém indevassável
o segredo das torres que nos erguem,
e suspensa delas uma flor em lume
grita o seu nome incandescente e puro

Diz-lhes que se resiste na cidade
desfigurada por feridas de granadas
e enquanto a água e os víveres escasseiam
aumenta a raiva
e a esperança reproduz-se.


in Revista Árvore em 1952
Egito Gonçalves (1922 - 2001)

quinta-feira, maio 10, 2007

Viu por aí...

Posted by Picasa
... um porco capitalista a gozar dos rendimentos?

terça-feira, maio 08, 2007

Desempregados e precários, uni-vos!

Hoje li no Diário de Notícias que a CGTP diz que, em Portugal, 41,8% do total dos activos são precários e desempregados. Vamos supor que os números não andam muito longe da realidade. Há muito tempo que defendo que o desemprego e a precaridade são um calcanhar de Aquiles para o capitalismo global. A meu ver há-de ser por aí que este sistema económico deplorável há-de estoirar. Como pode uma economia estar de boa saúde se desperdiça tanta força de trabalho? Tantos meios humanos, tanta capacidade de produção. Os desempregados e os precários já não são hoje os que não querem trabalhar, nem um bando de delinquentes e diletantes que não se querem integrar no mundo do trabalho, embora ainda se possam vir a tornar em coisas piores. Não. Hoje em dia passar a ser desempregado ou a precário é um risco que todos os que se julgam seguros no seu emprego correm. E a juventude actual já nasceu, na sua maioria, precária e desempregada. Não tarda muito, eles vão estar em maioria.
Eu, por exemplo faço parte do número de licenciados desempregados. Sou representante da primeira leva de jovens que, na sua sede de liberdade do pós-25 de Abril, desde muito cedo sonhou poder alcançar a independência financeira dos familiares, sem sucesso. Comecei a trabalhar aos 17 anos numa gelataria amiga para conseguir algum dinheiro para os meus gastos (concertos, etc, etc.); já antes me tinha fartado de ir vender coisas de que não precisava para a Feira da Ladra, com o mesmo objectivo. Depois, aos 18, trabalhei pela primeira vez com contrato de trabalho, numa empresa de roupas da moda. Lá desempenhei tarefas de todo o tipo, desde trabalho de fiel de armazém, à contabilidade; aprendi a usar o computador, arquivava os documentos, fazia contactos telefónicos, trabalho de escritório, e no armazém despachava as encomendas para as lojas. Recebia mercadoria, conferia-a. Isto sempre à medida que estudava - e nunca chumbei nenhum ano, só andei descontente a saltitar de área vocacional em área vocacional. Trabalhei num centro comercial -- e nem me quero lembrar pois foi a minha pior experiência profissional: exploração e mau viver, fardas e chefes de loja ordinários, um nojo. Desisti. Mais tarde trabalhei numa editora de livros durante vários anos, sempre precariamente, fazendo um pouco de tudo, desde a correspondência, os contactos com os autores, as revisões dos textos, a contabilidade no computador... mas recebendo mediante uma categoria profissional inferior, mais mal paga. Todo esse tempo em que trabalhei nunca consegui tornar-me independente, daí se pode imaginar o ordenado. Felizmente sempre tive a família a apoiar-me. Entrei então para a faculdade e resolvi dedicar-me por inteiro aos estudos. Claro que isso só durou um ano; no segundo ano já não tinha ilusões daquela instituição, voltei a trabalhar numa livraria de centro comercial enquanto ia estudando. Nunca passei nenhum ano sem fazer algumas cadeiras e uns quantos cadeirões. Era uma trabalho compatível pois tinha a possibilidade de ler e estar a par das novidades. Num belo dia seguinte ao jantar de confraternização do dono da loja com as empregadas, onde se brindou ao futuro do negócio, nesse belo dia seguinte, a loja de manhã já estava trespassada; no jantar, ninguém teve a coragem de dizer nada, brindou-se. Na altura morava num quarto alugado, tinha finalmente saído de casa dos familiares e só tive uma solução: voltar a depender de toda a gente para poder continuar a viver. Quanto mais independente procurava ser mais dependente me tornava. Voltei mais tarde à tal editora, desta vez com recibos verdes, sempre a ganhar mal, sempre a levar o curso para a frente. Fui morar para os Açores. Lá, dei aulas dois anos, a ganhar mal, por não ter o curso acabado tinha apenas habilitação suficiente. Quando fiquei grávida descobri que se continuasse a trabalhar entregaria o meu ordenado para alguém tomar conta dos meus filhos. Desisti de trabalhar e decidi ser então eu a cuidar deles. Só o pude fazer porque sempre tive muita sorte de ter pessoas a ajudar-me mas ainda durante alguns anos não me sentia bem sempre que alguém com emprego me fazia sentir que não me esforçava o bastante para arranjar um emprego. Voltei com uma idade que me exclui automaticamente de todos os trabalhos para menores de 35 anos, a considerada "idade jovem limite". Não me encontro dentro do prazo de validade para os estágios para os jovens; agora oferecem-me as novas oportunidades -- para continuar quantos mais anos a estudar? Com que certeza de me darem depois um emprego digno?
Nunca parei realmente de trabalhar, não estou de férias prolongadas, passo todo o dia a correr de um lado para o outro para segurar as pontas. O que é certo é que não me poupo ao trabalho, pelo contrário, estou sempre a meter-me em trabalhos. Não me considero por isso uma pessoa preguiçosa, nem dondoca, nem parasita, nem burra. Antes pelo contrário, aprendi a lidar perfeitamente com esse estigma que a sociedade sempre procura lançar nas mulheres que não se envolveram no mundo do trabalho, que não decidiram pôr o emprego no primeiro plano das suas vidas, que não escolheram a felicidade suprema de se promover profissionalmente. Sou uma feminista que acha que as mulheres só perderam em ir trabalhar fora de casa; julgam que se emanciparam mas são apenas mais carne para canhão com que o sistema capitalista se alimenta e só vieram desvalorizar o mercado de trabalho pois, pelas leis da oferta e da procura, quanto maior a oferta de trabalho mais o seu preço se desvaloriza. O mesmo papel têm os precários hoje em dia. Dantes vivia-se remediadamente com o ordenado de um; agora não se vive com o ordenado dos dois, tem que se ir buscar mais fora dos ordenados. A propaganda bancária acena com molhos de notas, aliciando enquanto a publicidade incita ao consumo. Ser verdadeiramente livre é poder ir consumir também aos Domingos à tarde, nos hipermercados. Esse é o programa familiar que os grupos económicos promovem para si e para a sua família. Esse é o emprego que eles criam para oferecer aos teus filhos.
Em casa não há ninguém que se dedique aos filhos, à casa, à confecção de uma refeição digna e saudável, à gestão da economia doméstica. Daí a decadência da estrutura familiar e da educação das crianças, completamente desprezada e relegada para a exclusiva responsabilidade da Escola. As pessoas, as famílias, estão destruturadas e dizem que não têm tempo para nada. As pessoas estão precárias, infelizes e desesperadas. Talvez a Humanidade esteja a ficar bipolar (maníaco-depressiva) e ora se encontra endividada e desesperada, ora consome desenfredamente nos breves momentos do auge da euforia própria da depressão.
Acredito que vem aí uma geração de jovens precários e desempregados, uma "waste generation" que vai ter que exigir à sociedade o seu direito ao trabalho. Essa massa já começa a organizar-se. O Mayday parece-me uma boa ideia; se ganhar adeptos e se a nova geração entender que não pode aceitar qualquer biscate mal pago por que isso não só não irá resolver o seu futuro como irá prejudicar a luta dos que acreditam que os direitos do trabalho são para manter; se entenderem a tempo que a sua condição de precários não pode durar eternamente; se não aceitarem como um fado a sua condição de desempregados; se ousarem unir-se e se organizar. Em breve os desperdiçados do sistema vão ser muitos, vão dar muito nas vistas. Se não quiserem permanecer desempregados; se não quiserem permanecer precários. Não sei como é que o capitalismo global pretende gerir esta massa de gente descontente que se está a gerar. Nem ele.

Avec le temps


Vingt ans

Léo Ferré


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Pour tout bagage on a vingt ans
On a l'expérienc' des parents
On se fout du tiers comm' du quart
On prend l'bonheur toujours en r'tard
Quand on aim' c'est pour tout' la vie
Cett' vie qui dur' l'espac' d'un cri
D'un' permanent' ou d'un blue jean
Et pour le reste on imagine

Pour tout bagage on a sa gueul'
Quand elle est bath ça va tout seul
Quand elle est moche on s'habitue
On s'dit qu'on est pas mal foutu
On bat son destin comm' les brêmes
On touche à tout on dit: "Je t'aime"
Qu'on soit d'la Balance ou du Lion
On s'en balance on est des lions ...

Pour tout bagage on a vingt ans
On a des réserv's de printemps
Qu'on jett'rait comm' des miett's de pain
A des oiseaux sur le chemin
Quand on aim' c'est jusqu'à la mort
On meurt souvent et puis l'on sort
On va griller un' cigarette
L'amour ça s'prend et puis ça s'jette

Pour tout bagage on a sa gueul'
Qui caus' des fois quand on est seul
C'est ç'qu'on appell' la voix du d'dans
Ça fait parfois un d'ces boucans ...
Pas moyen de tourner l'bouton
De cett' radio, on est marron
On passe à l'examen d'minuit
Et quand on pleure on dit qu'on rit ...

Pour tout bagage on a vingt ans
On a un' rose au bout des dents
Qui vit l'espace d'un soupir
Et qui vous pique avant d'mourir
Quand on aim' c'est pour tout ou rien
C'est jamais tout, c'est jamais rien
Ce rien qui fait sonner la vie
Comme un réveil au coin du lit

Pour tout bagage on a sa gueul'
Devant la glac' quand on est seul
Qu'on ait été chouette ou tordu
Avec les ans tout est foutu
Alors on maquill' le problème
On s'dit qu'y a pas d'âg' pour qui s'aime
Et en cherchant son cœur d'enfant
On dit qu'on a toujours vingt ans ...

Declaração de Gérard Schivardi e Daniel Gluckenstein

Gérard Schivardi
Le Parti des Travailleurs
Né le 17 avril 1950
Bélier
Maire de Mailhac et conseiller général de l’Aude
Le leitmotiv de Gérard Schivardi ? « S’engager pour rompre avec l’Union européenne et reconquérir la démocratie ». Désigné par le Parti des Travailleurs et un Comité regroupant près de 500 élus (maires et conseillers généraux), ce maçon entend dénoncer dans cette campagne présidentielle la suppression des services publics de proximité (écoles, postes, maternités…). Cet élu de terrain, membre du Parti socialiste de 1973 à 2003, entend être le « vrai candidat antilibéral et anti-européen » de cette éléction. En 2002, le secrétaire national du Parti des Travailleurs, Daniel Gluckstein, avait recueilli 0,47% des suffrages. Mais il avait été le premier à déposer au Conseil constitutionnel les 500 parrainages d’édiles nécessaires à sa candidature à la présidence de la République.
Déclaration

de Gérard Schivardi, maire de Mailhac et conseiller général de Ginestas (Aude)
et de Daniel Gluckstein, secrétaire national du Parti des travailleurs


Le résultat de l’élection présidentielle consacre une défaite prévisible et annoncée pour le parti socialiste.
Interrogé par la presse cette après-midi, Gérard Schivardi a déclaré : « Membre durant 25 ans du parti socialiste, je ne peux me réjouir de voir ce parti, héritier des combats de la gauche laïque et républicaine, sombrer ainsi. Nul ne saurait s’en réjouir. »
Nous y voyons le résultat d’une situation aberrante.
Alors que 55% de nos concitoyens, le 29 mai 2005, ont clairement indiqué leur volonté que soit mis un coup d’arrêt à la politique dictée par l’Union européenne.
Alors que 55 % de nos concitoyens, une large majorité, ont exprimé leur aspiration à un renouvellement politique, à une politique de progrès social et de reconquête, rompant avec les diktats de Maastricht, et permettant ainsi d’ouvrir la voie à la renationalisation de l’industrie, à la reconquête de nos services publics, à la reconquête de la sécurité sociale.
Alors que 55 % de nos concitoyens, le 29 mai 2005, en votant non à la Constitution européenne, ont dit leur attachement au modèle républicain, en particulier la place des 36 000 communes, des départements et la laïcité.
En dépit de cela, le parti socialiste a fait le choix d’une candidate et d’une orientation qui, totalement prisonnières du cadre de l’Union européenne, ont semblé en réalité, tout au long de la campagne, vouloir à tout prix coïncider avec le programme de son adversaire de droite.
Il en est résulté la situation de ce 6 mai 2007.
Il est frappant de constater que l’enjeu de l’Union européenne, occulté par tous les candidats institutionnels durant la campagne resurgit dès le soir de l’élection, le nouveau président de la République déclarant : « La France est de retour dans l’Europe ». Ce à quoi l’ex-président de la Commission européenne, Romano Prodi, répond dans un message de félicitations à Sarkozy, saluant « notre travail commun en Europe ».
Nul ne saurait sous-estimer les conséquences de la situation ainsi créée.
Il est certain que la situation est lourde de menaces et de dangers pour la démocratie.
Il est certain que des conquêtes aussi fondamentales que nos services publics, que les libertés publiques, que les régimes de retraite et de sécurité sociale, que l’existence des communes, mais aussi l’indépendance des organisations syndicales, vont se trouver, dans la toute prochaine période, menacés.
Le peuple français n’a pourtant pas dit son dernier mot. Il a su dire non hier au traité constitutionnel.
Il saura, nous en sommes certains, demain, trouver les moyens de dresser contre toutes les menaces un front uni des travailleurs, des démocrates, de leurs organisations (comme en ce moment même les travailleurs d’Airbus dressent la grève unie pour les revendications et contre le plan Power 8).
Mais il est certain qu’une période politique s’achève.
L’heure est à la reconstruction.
Nous nous adressons en particulier à tous les maires qui ont soutenu la campagne de Gérard Schivardi.
Nous nous adressons aux militants socialistes, aux militants communistes, aux syndicalistes, aux militants ouvriers de toutes tendances.
Nous nous adressons aux travailleurs des villes et des campagnes, aux ouvriers, aux agriculteurs, aux viticulteurs, aux artisans et commerçants, aux jeunes, aux chômeurs, à tous ceux qui subissent les conséquences de la politique de l’Union européenne.
L’heure n’est-elle pas venue de jeter les bases d’un authentique parti ouvrier, inscrivant sur son drapeau le combat pour le socialisme et la République, dans la tradition de la lutte séculaire du mouvement ouvrier et démocratique de notre pays ?
C’est le sens de l’appel que nous avons lancé voici quinze jours, et qui est d’ores et déjà rejoint par 130 maires et militants ouvriers de toutes tendances, personnalités du mouvement démocratique et laïque.
Demain 7 mai 2007 sera publié le premier bulletin de discussion de tous ceux qui ont bien voulu, avec nous, constituer ce comité provisoire pour un parti ouvrier.
Puissent les prochaines semaines et les prochains mois voir se rassembler toutes les forces authentiquement attachées à l’idéal ouvrier, socialiste, républicain et, dans le respect de toutes les tendances et de tous les courants existant dans le mouvement ouvrier et démocratique, jeter les bases d’un authentique parti ouvrier fidèle à sa parole, fidèle au mandat du peuple, et qui soit un instrument pour l’indispensable reconquête de nos droits, de nos garanties, de nos libertés, ce qui, répétons-le, exige de s’émanciper du carcan destructeur de l’Union européenne.


Le 6 mai 2007, 20 heures

segunda-feira, maio 07, 2007

Inspiração publicitária de Domingo às tantas

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Trimtrim trimtrim trimtrim pela casa fora
três jovens vieram de putas parar aqui
estarei a sonhar?
não, o cabrão do trim trim ainda está a tocar
atendo ou fodem-me direitas a mim?
o melhor é atender o telefone para descontrair
.
Tenho a impressão que dentro em breve as acompanhantes
virão mesmo incluídas no preço das chamadas para todas a s redes
mas as facturas prometem ser discretas
e sua mulher não vai nunca saber de tal coisa
a não ser que acorde com o trimtrim trimtrim trimtrim
.
E o senhog, senhog engenheigo, não atende esses telefones?
Publicidade enganosa? Virão três por cada um
que comprar três telemóveis
sonsas, delambidas e bem putas
.
como foge, o senhor! Às três, para o acordar
foi naquela noite, senhog engenheigo que tem um aganhão na caga
trimtrim trimtrim trimtrim pela casa fora na noite de insónia,
.
o telefone a tocar e o aganhão na caga, senhor doutog engenheigo, e o aganhão?
Duas no cu e três na peida
.
Trimtrim trimtrim trimtrim, senhor engenheigo

domingo, maio 06, 2007

«Resiste muito. Obedece pouco» (Henri Thoreau)

Vale a pena trazer para aqui a excelente intervenção que a Professora Maria do Carmo Vieira fez no Encontro em Defesa da Escola Pública de 14 de Abril, em Algés:

Levar os alunos a reflectir sobre a sua própria condição humana é um objectivo cujo cumprimento todo o professor se deveria exigir. No entanto, actualmente, tudo parece conjugado no sentido de o impedir, assistindo-se à mais completa infantilização e imbecilização dos alunos, através da elaboração de programas e esvaziamento dos seus conteúdos e imposição de estranhas pedagogias, que mais não fazem que acentuar o fosso entre ricos e pobres. É porque rejeito este status quo que sou apelidada pelo Ministério de Educação de elitista e por isso lhes respondi que elitistas seriam eles e as suas orientações, pois se não fosse a Escola a acrescentar algo ao discurso que os alunos, socialmente mais fragilizados, trazem de casa, quem o faria?

Pedagogo e intérprete da nobreza da pedagogia, o grande maestro e violinista Yehudi Menuhin salientou a importância da Cultura e da Arte no Ensino, dirigido a todos sem excepção, referindo a Escola como o lugar privilegiado para o fazer. Não se concretizando este objectivo fundamental, continua Menuhin, estaremos «a criar monstros», ou seja, pessoas insensíveis à sua própria condição humana.

Somos todos conhecedores da violência que grassa na Escola, denunciando a irresponsabilidade de quem pratica esses actos, a que se associa a ausência de valores humanistas. Na minha Escola, por exemplo, um aluno justificou candidamente que «só atirara a cabeça do colega contra a parede», quase indiferente às consequências do seu gesto brutal, de que resultou um traumatismo craniano para o seu companheiro.

A par da violência na Escola caminha a falta de exigência, com a agravante da última ser veiculada pelo próprio Ministério da Educação, cujas orientações vão no sentido do facilitismo lúdico e do recreio na sala de aula, transformando-se o professor no camarada, que sabe tanto quanto o aluno. Ao desvirtuar-se a relação Ensinar – Aprender, esquece-se a missão de um professor e o belíssimo significado da palavra «aprender», ou seja, «prender a si próprio». O que se passa com a disciplina de Português, que lecciono, é bem exemplo dessa situação. A Literatura, que é uma Arte e não um mero tipo de texto, e associada a outras expressões artísticas nos ajuda a descobrir o mistério que somos, mistério que é também a palavra-chave em toda a ciência, é agora perversamente subestimada, tendo sido ultrapassada pelos textos dos MEDIA e pelos textos normativos. De referir ainda a estratégia da cruz e do verdadeiro e falso utilizada vergonhosamente na interpretação dos textos literários e nos próprios exames. É óbvio que isto só se consegue com a cumplicidade dos professores que aceitam obedientemente estas directrizes, não as questionando sequer.

Há uma frase sublime de Henri Thoreau que me acompanha e que nos aconselha a resistir e a desobedecer. Ei-la: «Resiste muito. Obedece pouco». Esta é uma das mensagens que desejo deixar-vos, a par do texto poético de Álvaro de Campos e da história de Demógenes e do seu prato de lentilhas.

Maria do Carmo Vieira

Abril 2007

Escola Pública: Balanço de actividades

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Quem aqui vem frequentemente - os tais poucos mas bons - sabem que andei algum tempo ocupada com a organização de um Encontro em Defesa da Escola Pública, do qual nunca mais vos dei satisfações. Pois aqui estou a fazê-lo hoje, apresentando-vos como justificação para a demora, a experiência pessoal que tive de que estas coisas levam tempo a organizar, depois acontecem muito rapidamente e, quando se quer depois exprimi-las por palavras, precisam de um certo tempo de amadurecimento, uma certa distanciação e novamente de mais tempo para as registar. O Encontro foi, na minha opinião, um sucesso, quer pelo número de participações (cerca de 50 pessoas), quer pela grande qualidade que tiveram as intervenções dos convidados.

Depois de reunida a Comissão para a Defesa da Escola Pública foi possível fazer um balanço do Encontro de 14 de Abril e equacionar quais os próximos passos a dar para que esta iniciativa possa vir a ter a devida continuidade.

A todos os interessados se aconselha a visita ao blog da Escola Pública, a leitura do balanço das actividades e a divulgação desta iniciativa pelos vossos contactos, o que muito agradeço em nome da Comissão.

sábado, maio 05, 2007

Brevemente: O senhor doutor juiz... Hugo Marçal

Este processo das crianças violadas vai mesmo ficar em "águas de bacalhau".

É incrível a passividade do povo português face a este escândalo da
pedofilia. Tem que se fazer justiça! Façam fwd do mail!!!!

«Hugo Marçal está em vias de ser admitido a frequentar o curso de auditor
de justiça do Centro de Estudos Judiciários. O nome do arguido no processo
de pedofilia da Casa Pia vem publicado no Diário da República de ontem,
entre centenas de candidatos a frequentar a escola que forma os juízes
portugueses. Mas ao contrário dos outros, Hugo Marçal não vai prestar
provas. Pelo facto de ser doutor em Direito - grau académico que terá obtido
em Espanha - está por lei «isento da fase escrita e oral» e tem ainda
«preferência sobre os restantes candidatos». Resultado: o advogado de Elvas
está na prática à beira de ser seleccionado para o curso que formará a
próxima geração de magistrados.

O nome de Hugo Manuel Santos Marçal surge na página 4961 do Diário da
República, 2.ª série, com o número 802, na lista de candidatos a ingressar
no CEJ. Se concluir o curso com aproveitamento e iniciar uma carreira nos
tribunais - primeiro como auditor de justiça, depois como juiz de direito -
*Marçal terá também o privilégio de não ser julgado num tribunal de primeira
instância*.»


POIS... É O PAÍS QUE TEMOS... !!!

(recebido por mail)

Planos para o Futuro...

Uma galinha põe um ovo de meio quilo.

Jornais, televisão, repórteres....todos atrás da galinha.

Como conseguiu esta façanha, D. Galinha ?

Segredo de família...

E os planos para o futuro ?

Pôr um ovo de um quilo !

Então as atenções voltam-se para o galo...

Como conseguiram tal façanha, Sr. Galo ?

Segredo de família...

E os planos para o futuro ?

Partir os cornos ao avestruz !!!!

sexta-feira, maio 04, 2007

Desempregados - olha a nossa sorte!

HIPERMERCADOS - Abertura ao domingo cria 4 mil empregos

A abertura dos hipermercados e outras grandes superfícies comerciais ao domingo à tarde permitiria criar quatro mil novos postos de trabalho. A estimativa é da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) que quer conquistar o apoio dos consumidores para fazer com que o Governo altere a lei que determina o encerramento daqueles espaços comerciais aos domingos e feriados à tarde.

“Numa altura em que a economia portuguesa precisa de reduzir o número de desempregados, a criação de quatro mil novos postos de trabalho é um factor de peso para alterar a lei”, declarou ao Correio da Manhã Luís Vieira e Silva, presidente da APED, referindo-se ao número de pessoas que as 150 lojas nacionais de grande superfície teriam de contratar para assegurar o novo horário de funcionamento.

Animem-se desempregados!

Em breve teremos à nossa disposição 4 mil empregos de Domingo. Já pensaram que coisa melhor para quem está completamente desempregado? E é só vantagens: os outros trabalham durante toda a semana, descansam só ao Domingo e ganham mal. Neste emprego descansa-se a semana toda e só se trabalha ao Domingo. E se formos a ver, em proporção, ganha-se melhor. Nada que dê para viver, mas o que é isso de viver? Sempre é dinheirinho que vai entrando, um trabalhinho aqui, outro ali… só é pena é ser ao Domingo, não se pode ir até ao shopping… quem vai ganhar um dinheirão com isto dos Domingos são os donos dos hipermercados.

E que se animem também os consumistas. A malta, é claro, vai ficar contente, assim já pode ir outra vez toda a família junta ao hiper passar o dia de Domingo. Compra-se coisas. Come-se hambúrgueres e pizzas. Vêem-se coisas giras que não se podem comprar. Vêem-se muitas pessoas à procura, à procura…

O Socas é que vai ficar contente, sempre vai ter uns empregos para dar ao pessoal, assim já fica um bocadinho menos mentiroso. Não há-de ele andar nas palminhas com o capital a facilitar-lhe a vida. E ao menos os portugueses assim vão passear para o hipermercado e não ficam em casa a aborrecer-se com as tramóias que a televisão está sempre a dar.

Tenho pena é de já não ter idade para esses trabalhos. Aposto que aquilo é só emprego jovem, gente para andar de patins de caixa em caixa sempre que é preciso. Ou então posso não ter hipóteses por causa daquela chatice de ser licenciada. Para estas coisas de emprego não dá jeito nenhum. Eles querem é pessoal flexível, não é licenciados.

Pronto, está bem, nem sequer vou pensar mais nisso. Mas olhem que vai haver muito quem queira.

Vanessa Sofia pela factura

vai flexível e não segura

Leva nos pés uns patins/…

Tão jovem – que jovem era/

O Jumbo a mantivera

e nem pagara um ordenado

/vai fodida e não segura


quinta-feira, maio 03, 2007

Pensamento Filosófico do mal o menos

Estamos na cauda da Europa
mas pelo menos não estamos
no cu do mundo!

quarta-feira, maio 02, 2007

Manifesto do Primeiro de Maio - A favor da necessidade de interdição dos direitos políticos do cidadão José Sócrates


O Pafúncio subscreve inteiramente esta iniciativa.

Leia aqui na íntegra
o manifesto que a desencadeou.


Com vista a tornar mais visível a nossa inquietação, vimos, neste dia 1º de Maio de 2007, desencadear uma cadeia de Opinião Pública, cujo objectivo primordial é o de, em vésperas da Presidência Rotativa Europeia, impedir que a mesma seja assumida pelo Senhor José Sócrates Pinto de Sousa, que já não se encontra na plena posse das qualidades éticas, políticas e de salvaguarda da dignidade nacional necessárias para o exercício de tais funções cruciais.
Desta iniciativa, agradecemos a mais rápida e ampla divulgação.

Muito obrigado

terça-feira, maio 01, 2007

Petição a favor da retirada responsável do Iraque


Queridos amigos,

O pesadelo do Iraque piora a cada dia. Agora ou vai ou racha: quinta-feira que vem no Egito, nós podemos virar esse jogo.

A 3 de maio, pela primeira vez, representantes dos EUA e do Iraque vão se reunir com o Irão e a Síria, junto com outras lideranças internacionais. Eles podem concordar em acabar com a guerra... ou escalar o conflito sangrento.


A Avaaz está lançando esta semana uma grande campanha de anúncios e mensagens de texto dentro do Iraque para trazer as vozes iraquianas pra essa reunião. Como cidadãos do mundo, vamos unir nossas vozes às deles para acabar com essa guerra – assine a petição pedindo uma negociação e a retirada das tropas americanas:


Assine aqui a petição

Essa campanha já foi apoiada por 75.000 pessoas assim como peritos internacionais. Vamos juntar uma voz massiva e unida de iraquianos e pessoas de todo o mundo para dizer aos poderes globais tomarem a decisão certa para o Iraque:


Aos trabalhadores


"O caminho da vida pode ser o da liberdade e da
beleza, porém, desviamo-nos dele.
A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou
no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar
a passo de ganso para a miséria e os morticínios.
Criamos a época da produção veloz, mas nos
sentimos enclausurados dentro dela.
A máquina, que produz em grande escala,
tem provocado a escassez.
Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa
inteligência, empedernidos e cruéis.
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que máquinas, precisamos de
humanidade; mais do que de inteligência, precisamos de
afeição e doçura!
Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido."

(Charlie Chaplin, em discurso proferido no final do filme O grande ditador.)


Dia do Trabalhador

Que força é essa?

Letra e música: Sérgio Godinho
"Sobreviventes"; 1971

Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa [bis]
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo [bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo [bis 3]

Não me digas que não me compr'endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr'endes

(Que força...)

(Vi-te a trabalhar...)

Que força é essa [bis]
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo [bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo [bis 10]


Saiba aqui que força é esta

(repare como ainda hoje permanece actual)

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