terça-feira, setembro 04, 2007

Prémio Blog Solidário e um poema

Imagem retirada daqui

Dedico este poema ao João Rato

do blog Rei dos Leittões

que tão amavelmente atribuiu ao Pafúncio

o título honorífico de

Blog Solidário

Ser Solidário - José Mário Branco

Ser solidário assim pr’além da vida
Por dentro da distância percorrida
Fazer de cada perda uma raiz
E improvavelmente ser feliz

De como aqui chegar não é mister
Contar o que já sabe quem souber
O estrume em que germina a ilusão
Fecundará por certo esta canção

Ser solidário assim tão longe e perto
No coração de mim por mim aberto
Amando a inquietação que permanece
Pr’além da inquietação que me apetece

De como aqui chegar nada direi
Senão que tu já sentes o que eu sei
Apenas o momento do teu sonho
No amor intemporal que nos proponho

Ser solidário sim, por sobre a morte
Que depois dela só o tempo é forte
E a morte nunca o tempo a redime
Mas sim o amor dos homens que se exprime

De como aqui chegar não vale a pena
Já que a moral da história é tão pequena
Que nunca por vingança eu te daria
No ventre das canções sabedoria

segunda-feira, setembro 03, 2007

Xutos e Pontapés na Torre de Belém

Estive lá e gostei de rever os XUTOS E PONTAPÉS
afinal cresci com eles!

Direito ao deserto



Ajudem-me

Ó carneirada mole

Levantem os cornos da

Palha

Os vossos pastores

São os vossos carrascos

E se fogem ao cão

Têm o lobo à vossa espera


Ai quem é

Quem me ajuda

Dá-me a mão

Dá-me ajuda

Ai quem é

Quem me ajuda

Triste sina

De quem se julga mais fraco

A vossa sina

Ó carneirada mole

Ajudem-se

Ajudem-se

Não tenho medo dos lobos

Nem paciência para o teu

Pastor

Ovelha negra

Carneiro preto

Eu vou direito ao deserto



letra: Tim

música: Xutos & Pontapés

domingo, setembro 02, 2007

Que bactéria transgena os convidados de "O Eixo do Mal"?

Estive à bocado a ver “O Eixo do Mal” e confirmei as minhas suspeitas. Há para ali betinhos naquele programa que nunca mais acabam. E vêm de férias todos assumidos que é um gosto ver. A Clarabela da intelectualidade lá voltou ela a destacar-se da ralé com aquela mania, mais tara que mania, que ela é que sabe, recordando-me o tempo em que o Scolari fazia lembrar o palhaço Batatinha quando dizia “faz o que o mister manda. Eu é que sei!”. Fala-se em qualquer assunto e ela não perde a oportunidade de dizer que duvida muito que alguém no nosso país saiba o que é milho transgénico. Só ela é que sabe, ela é que é a sumidade do nosso país. Será também engenheira?
Quanto ao Luís Pedro Nunes, o assumido betinho de direita, compreendeu-se hoje por que usa todo aquele perfume que a Clara referiu e que já se adivinhava, o gel, o ar de metrossexual convencido… Tudo para escapar ao cheiro a suor que o levou a trabalhar obstinadamente enquanto o povo passava férias, só para chegar ali agora e gaguejar belas deduções afincadamente elaboradas a partir das notícias do, diz ele “Verão mais quente (em termos de notícias) desde o Verão quente de Santana Lopes”. Extraordinário! E eu que passei o Verão todo a dizer aos meus botões que os gajos da Sic Notícias estavam tão desesperados sem notícias que ao fim dos primeiros dez minutos de telejornal já estavam a falar da telenovela da bola! A realidade é mesmo muito relativa! Mas também o senhor andou a espiolhar tudo o que era blog e comentário para nos atirar como aquelas flores fazendo-se assim passar também por supra-sumo como a Clarinha. Esta ficou logo histérica de ver o seu amigo a dar tanta relevância aos blogs, essa coisa abominável que ela tanto despreza, até quis mandá-lo calar.
Chegada a vez do José Júdice, esse sim desde sempre assumido betinho da linha, claro que o assunto lhe agradava, mais que não fosse para chamar pestilentos e malcheirosos aos activistas do “Verde Eufémia”, fazendo grande alarido e coro de gemidos de mão no nariz com a Clarabela que não suporta esses “hare kristnas”, essas miúdas de saia indiana, essas camisolas de lã do peru que todos podem hoje comprar nas feiras graças à globalização lançar cada vez mais todos esses povos na miséria e no desespero da emigração. O que preocupa esses dois é que essa gente que fede se possa alguma vez atrever em mandar molho de tomate nos seus coiros (ai que vontade!).
Entretanto o blogger Daniel teve que engolir aqueles ataques todos e fazer o seu papel de embrulho do Bloco de Esquerda assumindo a posição de também condenar veementemente a atitude daqueles activistas que, segundo ele, papagaio louro do Bloco, fizeram as coisas muito mal feitas. Não disse o quê mas suponho que deviam primeiro ter batido à porta da quinta do milho e pedir licença para entrar na propriedade privada e convencer com belos discursos, ao modo beato do Louçã, o proprietário, dizendo-lhe como o milho transgénico faz muito mal à saúde e aconselhando-o a plantar couves biológicas em seu lugar ou a fazer lá um acampamento turístico para os hare kristnas bem cheirosos do Bloco de Esquerda.

Mas se não chupas o programa, para que é que o vês?, perguntam vocês com toda a razão. É porque me agrada o formato do programa. Porque gosto de ver que nesta falta de Democracia ainda há lugar na televisão para as pessoas falarem umas com as outras, discutirem opiniões diferentes, contestarem-se, mostrarem os seus pontos de vista. O problema está nos convidados e no desequilíbrio social e ideológico que por lá se encontra. É que não há lá uma única alma para defender os pontos de vista das pessoas que não são betas nem de direita: ali são quase todos de direita e são mesmo todos betinhos. Ou seja, é mais um programa de aparências do que de essências: Embora pretenda ser um programa de livre opinião, discussão e expressão de ideias, com pretensões críticas, acaba por descambar num bando de betos a mandar umas bocas e a dar-se por muito inteligentes e bem pensantes, com tudo a pender para a direita e a piscar os olhinhos uns aos outros do alto da sua cumplicidade beta. Este programa há muito que saiu dos eixos!

sexta-feira, agosto 31, 2007

O TPC do General Petraeus: revisões da matéria dada

"Relatório oficial dos EUA aponta fracasso no Iraque"

"O Departamento de Supervisão do Governo dos EUA (GAO) preparou um relatório cujas principais conclusões denunciam um fracasso da política norte-americana no Iraque, segundo revela hoje o site do jornal The Washington Post.

O jornal descreve como «notavelmente negativo» o relatório de 69 páginas. O documento conclui que «a legislação fundamental não foi aprovada, a violência continua a ser elevada e que não está claro se o Governo do Iraque vai investir 10 mil milhões de dólares em projectos de reconstrução».

Segundo o documento, «o Iraque só atingiu três dos 18 objectivos» fixados pelos congressistas para avaliar o progresso político e militar.

A versão definitiva do documento será enviada terça-feira ao Congresso dos EUA. Enquanto isso, a Casa Branca prepara o seu próprio relatório, que será apresentado na segunda semana de Setembro. O general Petraeus, comandante militar no Iraque, vai expor aos congressistas as suas propostas estratégicas."

30-08-2007 9:50:35 Diário Digital


Estamos a comer o pão que o diabo amassou!

Imagem retirada daqui

Agora é que eu percebi por que é que o Governo Sócrates se empenhou em aumentar o preço do pão...
Egoístas!

Publicidade Ardida e Mal Paga


Imagem alterada, que me perdoe o autor


Há 12 semanas que não páro de fumar este gajo. Não mata nem engorda! Eu bem lhe deito fogo mas o tipo está queimado na praça! Há para aí uns senhores engenheiros a quem lhes provoca insónias mas a mim não me tira o sono. E você o que é que está à espera para deitar fogo a estes parasitas todos? Por mim deixo-os arder que o meu pai é bombeiro!

quinta-feira, agosto 30, 2007

Viva essa gente


Arreganhar o dente

O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente

Gente que seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente

Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente

Gente que enterre o dente
que fira de unhas e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente

O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente

Ana Hatherly
(Porto, 1929)

Xs ou Xl?

Que me perdoe quem aqui vem à procura de coisas sérias e activistas mas é que hoje não estou para aí virada. Afinal há outras coisas importantes, como o tamanho dos preservativos. Chegou-me hoje aos ouvidos que o cantor espanhol Enrique Iglesias, de quem eu não gosto nem muito nem pouco, antes pelo contrário, está a fim de dar a cara (antes isso do que outra coisa!) e de lançar uma nova marca de preservativos para tamanhos pequenos. Parece que o pequeno tem tido problemas sérios para encontrar preservativos que se ajustem às suas reduzidas dimensões e agora resolveu tomar uma atitude. Será que nas lojas chinesas não há do que ele precisa? Ou será que ele confia nos produtos chineses tanto quanto eu?

Essa coisa de camisinhas normalizadas foi uma coisa que sempre me causou uma certa apreensão: afinal porque hão-de ser os preservativos normalizados se os soutiens não o são? Só pode mesmo causar problemas e embaraços, uma coisa assim. E nem sequer me tinha passado pela cabeça que os pequenos também se sentissem desconfortáveis com a situação. Julgava eu que os grandes é que podiam chegar ao momento e passar o maior vexame, afinal…

Falando em preservativos lembra-me sempre daquela anedota muito ordinária do homem que entra apressado e afogueado na farmácia cheia de gente e grita para o empregado: “DÊ-ME UMA CAMISA PARA O C_____!” – e o empregado vermelho lhe diz em voz baixa: “Amigo, tenha cuidado com a língua!”, ao que ele responde prontamente: “Tem razão, dê-me duas!”

Bem, agora que já disse um monte de disparates posso bem dizer mais um: há uma enorme semelhança entre fazer amor com um homem usando preservativo e comer rebuçados com o plástico! Aliás, essa moda dos preservativos com sabores e às cores só pode ter a ver com esta ideia! Aposto como alguém já tinha pensado nisto antes!

Agora que os preservativos são um mal necessário, lá isso são!

quarta-feira, agosto 29, 2007

Movimento de Trabalhadores Portadores de Deficiência em Defesa dos Benefícios Fiscais - Manifesto

Cartoon retirado daqui

O Blog “O País do Burro” está a divulgar o manifesto do Movimento de Trabalhadores Portadores de Deficiência em Defesa dos Benefícios Fiscais, retirados pelo governo Sócrates. Agradecemos que participem neste movimento de cidadania e o divulguem também.

Aceda aqui ao manifesto. Participe!
Visite a página provisória deste movimento!

segunda-feira, julho 23, 2007

Isto é grave e eu peço a vossa SOLIDARIEDADE...

Solidariedade com a professora MCV

Quando chegam aos nossos ouvidos casos de professores e professoras doentes, com cancros, que vêem a sua grave doença desconsiderada por uma junta médica fajuta que lhes manda ir trabalhar e lhes recusa a reforma -- soube agora mesmo que 50% dos pedidos de reforma foram recusados, apesar de todos os escândalos recentes -- as pessoas, com um mínimo de consciência e de sentido de justiça e de decência, revoltam-se, acham que algo no nosso país está muito doente, pela forma como se tratam hoje as pessoas. Quando chegam notícias de casos destes que aconteceram com pessoas que já morreram, o sentimento de revolta aumenta. Mas quando de repente o caso se repete com pessoas que conhecemos, então aí é que nos damos realmente conta das proporções que esta estúpida realidade pode atingir.
Esta pessoa que conheço, teve, tem ainda, sequelas de uma doença realmente grave mas, enquanto pôde trabalhar, deu tudo por tudo aos seus alunos. Ouve-se essa pessoa falar e sabe-se de imediato que ela é uma professora de excelência, empenhada em levar os alunos a serem alguém, a sentirem interesse pelos textos, ensinando-lhes a importância de reflectirem neles por si próprios, levando-os a terem a coragem de ousarem dizer aquilo que pensam. É o que eu chamo uma professora exemplar, porque ela é o que ensina. Entretanto a ela atiram-lhe para as mãos livros de estudo que reduzem os textos literários que ama à receita culinária e à exagese do horário dos comboios. Por isso recusa-se a seguir esses manuais que a ministra aprova e, ao contrário, oferece aos alunos textos literários e música clássica para lhes incentivar o gosto, para cultivar neles uma semente que fará deles seres humanos bem pensantes e não apenas mão de obra barata que nada questiona, como o sistema prefere. Foi não sem mágoa que há pouco a ouvi contar que o Colégio de Santa Maria, um colégio “de sucesso”, levou os alunos numa visita de estudos aos estúdios dos Morangos com Açúcar; não admira, se há mesmo faculdades onde os exempla vêm precisamente desse devasso e devassado campus semântico… Nivelar por baixo, baixar o nível de exigência, abolir a gramática, formatar os alunos em vezes de os levar a descobrir por si próprios, eis a tendência do momento. Não é fácil neste contexto uma professora de língua portuguesa, uma pessoa de cultura, continuar a ser fiel aos seus princípios educativos. Mas ela é assim, esta pessoa. Basta conversar um pouco com ela, ou ouvi-la falar sobre o que se passa hoje com a educação para se ter a certeza de que é uma pessoa competente que sofre os reveses da “Educação” que dita as suas leis lá do alto, de cada vez mais alto, até se perder de vista, de onde vêm tão cretinas ideias, tão obscuros princípios, tão diabólicos planos. São os despachos do ministério, são as directivas da EU, são os planos de Bilderberg. Nem todos podem ser educados para ser senhores do mundo, por isso as crianças portuguesas que se conformem em saber apenas as coisas práticas da vida; que nunca mais se lhes dê a ler na escola A Cena do Ódio de Almada Negreiros, muito menos com uma professora culta que leve os alunos a estabelecer analogias entre épocas. Que jamais alguém os torne pessoas inteligentes capazes de ler Fernando Pessoa. Não, esta professora não pode continuar a fazer o que entende ser educação dentro da sua sala de aula. Ela tem que voltar para lá e fazer o mesmo que os outros, cumprir ordens sem questionar: se a ridícula TLEBS estiver na ordem do dia, ela tem que dar a TLEBS e nem pode reclamar, muito menos vir agora com esta desculpa do cancro. Esta professora veio um dia destes contar num jornal que foram à sua escola, buscar todas as suas avaliações para… “ela havia de ver para quê”. Ela ousou contar isto publicamente, assim como tem e terá a coragem de dizer olhos nos olhos a todo o tipo de gente, deputados ou ministros, exactamente aquilo que pensa do absurdo que são as suas medidas educativas. E ela é uma pessoa que pensa e não é pouco. A realidade é um cancro que se desenvolve à sua volta e ela pensa-a, interioriza-a e debate-se contra esse mal.
Agora sofre as consequências da atroz realidade mesquinha e imoral que vem também ao seu encontro. E isto quer a recusa do seu mais que justo pedido de reforma se deva a uma perseguição política por ser uma pessoa de coragem que diz e assume publicamente o que pensa, quer se deva ao modo abjecto como hoje se processam as juntas médicas em Portugal. E, mesmo que consideremos que o caso dela é apenas mais um entre outros, só isso já é muito grave, já é razão mais do que suficiente para não nos calarmos. Já tivemos bons exemplos da ignóbil injustiça que se passa e não queremos vir a saber de nem mais um caso destes.

Em nome de mais uma professora digna e brilhante, que em tudo merece ser tratada com dignidade, há que dizer basta, exigir que estes casos sejam resolvidos de vez, imediatamente com seriedade e justiça, e que o grau da sua limitação física ou psicológica seja avaliado por uma junta médica competente e honesta.

Quanto àqueles que de perto vão acompanhando o caso que se está a passar com esta professora que se indignem e não se calem porque noutros casos recentemente ocorridos já ficou provado que falar deles depois pode já ser tarde demais.

segunda-feira, julho 16, 2007

Não vejo a hora de chegar aqui

Desta vez vou mesmo de férias

Levo-vos comigo na ideia!

Aquele abraço!

domingo, julho 15, 2007

...

Foi você que pediu um Grupo de Bilderberg?


Illuminati Socretinum (Kaos)

Entretem-te filho, entretem-te, que há milhões de gajos inteligentes a pensar em tudo enquanto tu não pensas em nada

(cit. FMI de José Mário Branco)
para ler e ouvir todo o texto aqui

O que faz de nós "pessoas aturdidas"?

Tirada daqui

UM TEMPO QUE PASSOU

Chico Buarque - Sérgio Godinho

Vou

uma vez mais
correr atrás
de todo o meu tempo perdido
quem sabe, está guardado
num relógio escondido por quem
nem avalia o tempo que tem
Ou
alguém o achou
examinou
julgou um tempo sem sentido
quem sabe foi usado
e está arrependido o ladrão
que andou vivendo com o meu quinhão
Ou dorme num arquivo
um pedaço de vida
a vida, a vida que eu não gozei
eu não respirei
eu não existia
Mas eu estava vivo

vivo, vivo
o tempo escorreu
o tempo era meu
e apenas queria
haver de volta cada minuto
que passou sem mim
Sim
encontro em fim
iguais a mim
outras pessoas aturdidas
descubro que são muitas
as horas dessas vidas que estão
tavez postas em grande leilão
São
mais de um milhão uma legião
um carrilhão de horas vivas
quem sabe, dobram juntas
as dores colectivas, quiçá
no canto mais pungente que há
Ou dançam numa torre
as nossas sobrevidas
vidas, vidas
a se encontrar
a se combinar em vidas futuras

Enquanto o vinho corre, corre, corre
morrem de rir
mas morrem de rir
naquelas alturas
pois sabem que não volta jamais
um tempo que passou

sábado, julho 14, 2007

Solidariedade com Teresa Silva, filha da professora Manuela Estanqueiro



Teresa Silva diz que os últimos dias da mãe, Manuela Estanqueiro, professora de Educação Tecnológica em Aveiro, foram marcados pelo sofrimento
Uma professora da Escola Básica 2/3 de Cacia, em Aveiro, a quem há pouco mais de um ano tinha sido diagnosticada uma leucemia, morreu no passado sábado, sem que a aposentação, pela qual batalhara, tivesse sido oficialmente decretada. Manuela Estanqueiro, de 63 anos, tinha sido notícia no CM em Fevereiro, quando a Caixa Geral de Aposentações (CGA) a obrigou a regressar ao trabalho, sob pena de perder o vencimento.
Nessa altura, e tal como a própria testemunhou, “os 31 dias de serviço foram um verdadeiro inferno”, com desmaios e vómitos diários e o agravamento do seu estado de saúde. De tal forma a professora se ressentiu da ordem que lhe foi dada pela CGA que, menos de 15 dias depois, deu entrada nos Hospitais da Universidade de Coimbra e não voltou a ter alta médica.A filha da professora, Teresa Silva, está revoltada com “a cruz que a fizeram carregar” e não poupa críticas à CGA: “A minha mãe tinha mais de 30 anos de serviço, uma doença incurável e debilitante, e nada ficaria a dever ao Estado se lhe tivessem dado a aposentação.”“Acho que alguém tem de ser responsabilizado pelo que se passou e apenas desejo que o caso da minha mãe sirva de exemplo para que outras situações, que sei que existem, não tenham o mesmo desfecho triste”, salienta Teresa Silva.Apesar da batalha que Manuela Estanqueiro travou, sempre com o apoio da comunidade escolar e da Direcção Regional de Educação do Centro, a aposentação só lhe foi concedida uma semana antes da sua morte, apesar de ainda não ter sido publicada em Diário da República. “Mesmo assim, só lha deram porque receberam um relatório médico, que referia uma esperança de vida de um a dois anos”, conta a filha.Teresa Silva está também convencida de que “foi apenas depois da intervenção do Sindicato de Professores da Zona Centro que o processo ganhou novo fôlego”.“A minha mãe viveu os últimos dias constantentemente preocupada com esta situação, que achava de uma injustiça extrema. De tal forma estava atormentada que, quando lhe marcaram nova junta médica em Lisboa, estava ela já internada em Coimbra, queria ir a qualquer custo, nem que fosse de ambulância”, lembra.

APOSENTAÇÃO CHEGOU HÁ QUINZE DIAS

A leucemia de Manuela Estanqueiro foi diagnosticada em Março de 2006, após vários meses de procura dos médicos por uma razão para o seu estado de cansaço crónico. A professora pediu então a aposentação e submeteu-se à primeira junta médica em Novembro de 2006. Enquanto aguardava o desenrolar do pedido feito à Caixa Geral de Aposentações (CGA), Manuela Estanqueiro esteve afastada das aulas por atestado médico, que poderia ser renovado até à data limite de Outubro de 2008. No entanto, um despacho da CGA, de 24 de Novembro de 2006, não só lhe negou a aposentação – por “não se encontrar absoluta e permanentemente incapaz para o exercício das suas funções” – como a obrigou a regressar ao serviço. Manuela Estanqueiro cumpriu as ordens, mas apresentou recurso da decisão. Já internada, a professora recebeu há 15 dias a notícia de que a aposentação fora aceite. Para ela, esta foi uma batalha ganha tarde de mais.

CRÍTICAS AOS CUIDADOS PALIATIVOS

Teresa Silva, que no último ano e meio acompanhou a doença da mãe, é muito crítica quanto aos cuidados paliativos prestados aos doentes do Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro, onde a mãe esteve internada nos últimos quatro dias de vida. “Fiquei arrepiada com a forma como a minha mãe foi tratada em Aveiro. Uma médica chegou a dizer-me, com grande frieza, que não valia a pena investir nela, dando-lhe soro de alimento ou transfusões de plaquetas, que já haviam dado provas, porque isso só lhe iria prolongar o tempo de vida e o sofrimento.” Teresa não se conforma que as últimas horas de vida da sua mãe tenham sido de “intenso sofrimento”, quando esta pedia para que a colocassem a dormir e o pessoal médico recusava, “para que as visitas pudessem estar mais tempo com ela”.

Carla Pacheco

Não era esta a retirada que exigiamos


Lisboa, AR, Manifestação de 12 de Julho

Má sinalização. O semáforo enganador provocou 4 polícias a acorrer à manobra. Inversão de marcha e lá vai ela à procura de lugar. Dos dois lados da rua, bandeiras vermelhas pelos lixos. Gente ainda de bandeira na mão a descer, outras às costas. Consegui estacionar. Dirigia-me em direcção contrária à maioria. Eu ia para a manif; eles vinham da manif. É tão bom não foi? Uma rapidinha. Dirigi-me a uma mulher com chapéu da FENPRF. A manifestação? Acabou agora mesmo. Era o fim, 4:00h e pouco e a manif estava feita. Já nem os cabeçudos lá estavam. Toca a arrumar e tudo a apanhar as camionetas de regresso ao país real e a fazer-se ao caminho que a manif já era. Desta vez a pressão foi tirada à panela toda de uma vez. Espero ver o dia em que salte a tampa à panela. Quem lá estará para avisar? Encontrei um papel que balia qualquer coisa parecida com "Quatro pernas bom, duas pernas mau". Mas só vi um panfleto que explicava.
Frente à Assembleia estavam só estes estudantes da fotografia. Tinham estado a pintar o cartaz até às 6:00 h da matina. Valeu a pena? Se valeu: reparem que só eles lá estavam a pedir a retirada, a defender o Ensino Superior Público alertando para essas leis que por aí vêm, o RJIES. Outros pedem a morte lenta do adiamento. Adiar a discussão de uma lei que não serve às nossas universidades é consenti-la. Exigir menos que a retirada não é nada. Porque será que só estes o dizem claramente?
Esta chusma de manifs vem apenas dar razão aos que nos querem fazer acreditar que as manifs são tantas que já se tornaram corriqueiras. Manifs que fazem as pessoas faltarem ao trabalho e amedrontarem-se com a avaliação que lhes vão fazer um dia dessas faltas. Em breve todos serão facilmente catalogáveis e será fácil pô-los a todos entre a espada e a parede, na lista negra. Instruções: limpar a função pública dos últimos resistentes. Limpá-la! Isto são instruções que podem vir mais de cima, sempre de mais alto, muito para lá da Democracia.
Quantos ainda virão à próxima manif convocada? Para a semana há mais, duas, parece. Cada vez menos: as férias, os medos, os cansaços. Mas virão ainda assim muitos. Há sempre resistentes. Apesar das férias, apesar dos medos ou dos cansaços.
Na próxima vez que uma manif seja uma espécie de falso alarme, não deixem de ir ainda assim até lá. Em breve dissipar-se-á, não se assustem que é mesmo assim. Desobedeçam, não vão para casa. Metam-se em todos os cafés, tascas e pastelarias, bebam um copo e falem muito. Falem de todas as coisas de que vos fazem falar. Digam uns aos outros tudo o que foram levados a pensar. Riam-se das imagens, riam-se do ridículo, riam-se de todos os que vos fazem rir. Falem muito de coisas sérias, porque coisas muito sérias estão neste momento a acontecer nas nossas costas, nas altas esferas dos senhores do mundo. Troquem ideias, falem de tudo, tudo o que vos fizer falar. Mas não vão logo para casa. Resistam e ousem exigir a retirada de tudo o que não sirva à nação, porque um dos objectivos desta trama é destruí-la.

terça-feira, julho 10, 2007

As Vicentinas de Braganza vai dar que falar!


Já está on line mais um blog promissor com a chancela Arrebenta
As Vicentinas de Braganza estreia-se com um excelente texto de ficção contemporânea que para grande orgulho meu me foi dedicado pelo seu autor. Aconselho vivamente a leitura ou uma leitura viva. Imperdível!
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