domingo, junho 17, 2007

Vivemos hoje com que democracia?


Democracia (hoje inexistente)

“democracia” (hoje existente)



O Poder


- Emana da Comunidade (do Povo da Nação)

- Subordina-se à Comunidade


- Emana de minorias instaladas e usurpadoras, internas e/ou externas

- Subordinado ao poder da Alta Finança/do grande Capital



Legalidade formal


- Império da Lei e da Justiça


- Leis que promovem e protegem o Bem Comum


- Impõe leis que promovem os interesses de minorias instaladas

- Leis contrárias ao Bem Comum

Legitimidade histórica, cultural, moral e ética


- Legítima

- Promove a Verdade, os Valores e a Saúde do Povo


- Ilegítima

- Opera com base na Força e Hipocrisia com meias verdades e discursos duplos

Objectivos




- Promove o Bem Comum



- Defende o Interesse Nacional

- Corroer e destruir o Bem Comum

- Debilitar o Estado como instrumento de governo da Nação


Subordinada

a


À Vontade do Povo


Os interesses e objectivos das minorias





Função


Permitir/promover que os melhores elementos sociais integrem o Governo que reja o Estado nos seus três níveis (Nacional, Regional, Municipal) e nos seus três âmbitos (Executivo, Legislativo e Judicial)


Garantir que, por serem facilmente controláveis, os piores elementos sociais ocupem os lugares-chave do Estado. Operar segundo um oportunismo crasso, independentemente de toda a ideologia partidária ou mesmo se se trata de civis ou militares

Assim temos políticos servis desde a esquerda “progre” até à direita “conservadora”


Instrumentos executivos


O conjunto de organizações representativas da Comunidade:

- associações profissionais, docentes e universitárias;

- Câmaras empresariais, federações e cooperativas;

- grémios, ligas de consumidores e donas de casa;

- partidos políticos, associações de bairro

- outras

Monopolização de todo o poder político formal pelos partidos políticos, normalmente controlados pelo Poder do Dinheiro.


Comunicação Social


Uso equilibrado, democrático e responsável dos meios de difusão


Monopólio informativo subordinado ao Poder da Alta Finança/do Grande Capital


Funções do Estado


Soberanas: representam e executam a Vontade Popular


Gerenciadoras: subordinadas ao Poder do grande Capital


Poderes do Estado:


- Executivo

- Legislativo

-Judicial




- Executa a favor do Interesse Nacional


- Legisla a favor do Bem Comum


- Justiça Independente



- Gerenciador de interesses sectários


- Legisla a favor do Poder do Capital


- Subordinado aos poderosos de momento


Filtros sociais


Altamente objectivos. A progressão e acesso dos cidadãos aos cargos de poder baseia-se no seu mérito, talento, empenho, ética, probidade, idoneidade para a função, antecedentes e capacidade demonstrada


Altamente arbitrários. A progressão e o acesso dos cidadãos aos cargos de poder baseia-se no amiguismo/compadrio, dinheiro, contactos, nepotismo, “esperteza” saloia, cobardia, permeabilidade à subordinação aos grupos de poder e inserção social.


Copiado e traduzido de um blog a visitar: o Bitácora Pi

sábado, junho 16, 2007

Frases Nobel que podiam ser minhas



"E, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos."

José Saramago
Cadernos de Lanzarote - Diário III, págs. 147/8 (texto daqui)

O Juiz Dura Lex Sed Lex - Da Natureza das Coisas


Já que trouxe para aqui este assunto, quero dar-lhe continuidade:

“É da natureza das coisas que a simples existência de uma manifestação de militares põe em causa a disciplina castrense”, lê-se ainda no texto, que considera igualmente que os militares desrespeitaram o disposto no Regulamento de Disciplina Militar (RDM) por não cumprirem uma ordem das “autoridades policiais e da administração pública”.

“Bastaria a sua participação fardada numa manifestação para o seu comportamento integrar a previsão legal”, de desrespeito da lei, considera a sentença.

O juiz justificou a recusa da providência cautelar com o risco da “perda da disciplina militar”, se se esgotarem “todos os meios contenciosos de impugnação” antes de “a questão ser decidida” pelos tribunais.

“A pena nunca poderia ser cumprida porque haveria sempre a hipótese de a impugnar invocando uma qualquer nulidade”, argumentou, considerando que essa seria “uma solução inaceitável”.

“Se a aplicação da pena disciplinar tiver de esperar pela decisão de uma acção que ainda não foi interposta, é a disciplina que fica posta em causa”, defende ainda o juiz.

Ler mais aqui e aqui.


Conforme eu já tinha dito, estes militares, por serem militares -- o mesmo aconteceu há pouco com as duras penas aplicadas ao sargento Luís Gomes (ver números da petição online
aqui)-- mas dizia eu, estes militares cumprem penas, os seus actos são punidos por Lei para que sirvam de exemplo. Os militares, a polícia e outras forças de autoridade, devem, segundo a lei castreense, acatar as leis, e calar o seu protesto contra a perda de direitos profissionais, o seu castigo serve de exemplo ao resto do povo; mas estes têm dirigentes sindicais que dão a cara por eles e se revoltam publicamente; outros camaradas mobilizam-se para os defender. O juiz recusou a providência cautelar em nome da disciplina e constitui Lei a sua interpretação de o que é uma "manifestação" e de o que é um "passeio de descontentamento". A partir de agora, quem organize uma passeata com os amigos está a fazer uma manifestação. Manifestações e passeatas, tudo no mesmo saco porque o senhor juiz assim o diz. E militares não estão autorizados a participar em manifestações, logo as passeatas são proibidas. Os militares são assalariados, e como tal têm que poder lutar pelos seus direitos; mais que não seja, devem ter o direito à livre circulação pela cidade e a exercer a sua liberdade de expressão. Afinal os militares vivem ou não numa democracia? Não foi a democracia o rumo que o 25 de Abril tomou? Que democracia é esta que usa a lei para punir os que pacificamente protestam enquanto deixa à solta os pedófilos, os corruptos e os bandidos? Que democracia é esta em que quanto mais bandido mais poder se alcança? Em que os militares, alguns que até participaram na revolução, não se podem unir, nem passear o seu descontentamento -- e nós, podemos?
É sabido que a democracia feneceu no próprio dia em que foi conquistada por causa dessa mesma diciplina militar. Porque não desobedeceu Salgueiro Maia quando viu que o poder era entregue a Spínola? Em vez de a deixar nas mãos do povo, foi ali mesmo entregue a um outro ditador, ao nosso coroné marcelento e colonislista, o cabecilha da maioria silenciosa (não vos dá arrepios, todo esse clima fascizante?). Em 1975 já andava tudo a segurar a revolução com unhas e dentes e os rastejantes a minar, a minar, a estender os tentáculos, para agora tomarem tudo. No jogo sujo da democracia, vejam quantas regras do jogo foram entretanto alteradas, observem hoje a que batotas estamos todos sujeitos por lei neste país de marinheiros detidos, neste país de pedófilos à solta. Como podemos não manifestar o nosso descontentamento?

sexta-feira, junho 15, 2007

Os T.P.C.'s do senhor Engenheiro


São Bento

Sócrates acelera reformas a pensar na presidência da UE

2007-06-14 16:01:51 in Jornal Digital

Lisboa - O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou hoje a aprovação de um pacote de diplomas que considerou «estruturantes», com o objectivo de acelarar o ritmo das reformas do Governo antes de Portugal assumir a presidência da União Europeia.


José Sócrates afirmou hoje, em reunião que teve lugar na sua residência oficial que «Tratam-se de diplomas essenciais e que o Governo pretende que sejam aprovados até ao final da presente sessão legislativa na Assembleia da República (até Junho), antes de Portugal assumir a presidência da União Europeia».

Os decretos e propostas de lei agora aprovados incidem sobre o sistema de carreiras e vínculos da administração pública, o Ensino Superior Público e Privado, o sistema de gestão rodoviário e o Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) entre 2007 e 2013. (Leia mais aqui)

Na conferência de imprensa dada em São Bento, o primeiro-ministro teve a acompanha-lo os ministros de Estado e das Finanças (Teixeira dos Santos), da Presidência (Pedro Silva Pereira), da Ciência e Ensino Superior (Mariano Gago) e do Ambiente e Ordenamento do Território (Nunes Correia).

Sócrates esclareceu que «A aprovação do conjunto de diplomas vai garantir que as reformas podem ser feitas antes de se iniciar a presidência portuguesa da União Europeia. Para tal, contamos que este conjunto de diplomas sejam aprovados na Assembleia da República ainda na presente sessão legislativa»

(c) PNN Portuguese News Network

Proponho umas passeatas às sessões da Assembleia da República onde estas coisas, estas aberrações, estes atentados às pessoas e à nação, se preparam para ser aprovadas. Se há alturas em que é preciso demonstrar o nosso descontentamento, esta é uma delas. Sócrates acelera a aprovação de medidas gravíssimas para o ensino superior e para os funcionários públicos que têm servido de bode expiatório (em breve se seguirão os atentados aos trabalhadores dos privados, com a flexigurança); e de outras medidas graves que põem em causa a rede rodoviária nacional, pondo as estradas do país a saque. Isto é um roubo da propriedade pública. Uma estrada que deixa de ser de todos e passa a pertencer a alguns que enriquecem com a exploração de o que era nosso. Voltamos aos tempos feudais em que a estrada pertence ao senhor e este recebe o tributo de quem queira passar por ela. E que dizer da legalização do saque da propriedade que permite ao Estado passar por cima de qualquer impedimento legal, e entregar o que quiser para as mãos dos privados, de uma forma fácil e rápida: quanto mais dinheiro o negócio envolver, mais rápida e facilitada será essa passagem.

Em breve Sócrates se passeará falando das grades questões mundiais, querendo fazer-nos acreditar que Portugal é uma ponte de entendimento com os países lusófonos, enquanto os barões da União, já há muito espezinharam essa ponte e esperam apenas de nós que lhes devolvamos com juros o que lhes devemos. E que continuemos a desmantelar o que de nosso ainda havia. O capital financeiro encarreguar-se-á de se apossar do resto.

Sócrates quer agradar, chegar à presidência da UE mostrando serviço feito. Apressa-se a fazer grandes pacotes de reformas agrupando os mais delicados assuntos em "reformas estruturantes". E segue mais um pacote para aprovação rápida na Assembleia.

quinta-feira, junho 14, 2007

As punições do nosso descontentamento


20:57 / 14 de Junho 07 TSF Online:

DEFESA
Mais um sargento detido por participar em protesto

Um sargento da Marinha começou, esta quinta-feira, a cumprir uma pena de cinco dias por ter participado num protesto, em Novembro de 2006. No entanto, a Associação Nacional de Sargentos interpôs uma providência cautelar pela sua libertação.

António Lima Coelho, presidente da ANS, disse à Agência Lusa que o sargento António Dias, membro da direcção da associação, começou hoje a cumprir a punição e está detido na Base Naval do Alfeite, em Almada. Esta manhã, a ANS accionou os serviços jurídicos para interpor uma providência cautelar no Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada, com vista à libertação do militar, e Lima Coelho espera que produza efeitos «ainda hoje» ou «no máximo» sexta-feira de manhã. O sargento António Dias é o 12º militar a ser punido pelas chefias militares por participar no «passeio do descontentamento», realizado a 23 de Novembro de 2006, em Lisboa, contra os cortes na defesa e no sistema de saúde, considerado ilegal pelo Governo. Lima Coelho explicou à Lusa que o sargento Dias foi punido «por ter assistido, num local privado, a esplanada do Café Martinho da Arcada, à conferência de imprensa que se seguiu ao passeio». Ainda segundo o dirigente associativo, António Dias aparece numa «reportagem fotográfica» alegadamente fornecida pelo Ministério da Defesa Nacional às chefias militares e que já foi objecto de uma queixa no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP).

Mais uma notícia que vem confirmar que a liberdade está em risco com este governo. Os militares não se podem manifestar mas até há pouco podiam sair à rua, podiam sentar-se numa esplanada e andar pelas ruas sem o temor de serem fotografados, podiam expressar a sua opinião sem temerem a prisão. Foi pela defesa dos seus direitos de classe profissional, e para garantirem a todo o povo português -- eles também são o povo português -- o fim da ditadura e a reposição da liberdade, que fizeram o 25 de Abril. Agora voltam a cair em situações de clandestinidade, e os que ousam ainda assim encontrar estratégias para protestar pacificamente pela manutenção seus direitos que estão a perder - que todos estamos a perder - são punidos, presos para servirem de exemplo. Porque eles são militares têm que dar o exemplo da obediência civil e por isso, têm que ser penalizados, presos como exemplo, castigados como meros tropas em tempos de recruta. Felizmente existe entre os militares o espírito de camaradagem. A solidariedade de que nem todos somos capazes, por isso dizemos apenas que são militares: militar e militante têm uma mesma raiz. Outros militares se mobilizam prontamente para o tirar dali, e formam um muro, uma muralha de aço que a lei terá que destruir. Chegaram ao ponto de recolher e utilizar como prova imagens, fotografias de uma pessoa que está sentada numa esplanada, ouvindo a conferência de imprensa dos seus camaradas.
Toda a relevância que o Estado dá a este caso, levando os seus intervenientes às últimas consequências de uma prisão militar, mostra como o poder teme esta força, este espírito de união que tanto nos tem faltado.
Proponho que se organizem mais passeios do descontentamento. O que faria o poder se todos os descontentes começassem a organizar entre si passeios do descontentamento. Quem poderá impedir que nos passeemos por aí demonstrando o nosso descontentamento?

Sermão aos peixinhos da Net


Envie a SUA OBRA DE INTERVENÇÃO para AQUI


GAP, FALHA, INTERVALO; AUSÊNCIA.

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Voltámos.
Reticentes, renitentes e um pouco incontinentes.
Assim é.

Nos dias que correm no solarengo bocado fatiado e esventrado de país a que chamamos Portugal,

Assim é;
Voltámos.

O universo humano vai tão mal que nem dá para dizer o quão mal vai.

Ele é Iraque, ele é a puta desta crise, etc.
Por isso retomamos a tónica da esperança.
O que somos, como somos, ao que vimos.
Este vai ser portanto um texto religioso.
Um sermão.
E porque não?

Sermão de São Camarada Patrão aos peixinhos da Internet

Irmãos e irmãs
O que somos?
Ao que vimos?
O que nos trucida a alma e tolda a visão?
Em que é que passamos os nossos verões e invernos?
Em eterna labuta pela vida, mas sem saber o que valemos em nossa existência e para a dos outros.

Tu, que cobras 55 cêntimos por um café
Arrepende-te, irmão
Baixa o preço da divina bica
Pois tudo é Deus
Desde o grão da café à mais distante supernova

Tu, que usuras no imposto do tabaco
Arrepende-te irmão
Pois dos cigarros mais aspirados
Também saem ideias santas
De como destruir cancros e outras coisas nojentas

Tu, que cobras vinte euros por um cd
E persegues na internet quem tem IP
Arrepende-te irmão
A música é a sinfonia da vida
E o download (i)legal a fraternal maresia
Que a todos veleja, certa
Em direcção ao teu artístico concerto, um dia

Tu que aumentas a gasolina
E com isso o preço do suco das tetas da vaca
E das mais reles vinhas
Para não falar no pão
Na manteiga, na carne e na fruta
Arrepende-te, irmão
Vai enganar a cabra vazia
Que te deu à luz com valentia
Por não valeres um caralho
Com essa especulação sombria
Arrepende-te, irmão

Idem, para os irmãos das telecomunicações
E das TVs por cabo, filhos da puta, cabrões
Que cobram o couro e o cabelo
Por conteúdos de rabo
Sem não antes, com zelo
Deixarem crescer o apego
Dos telespectadores, seus escravos

E ainda para os gajos da luz
Com seus cérebros cheios de pús
Por ainda não terem percebido
Que quanto mais chulam o zé povinho
Mais acabam com o azevinho
Com que ornamentam
A coroa de espinhos
Que lá dos seus lugares de bandidos
Aplicam aos milhões de pobres de cristo
Com que calculam a margenzinha de lucro
E outros parâmetros fodidos

Tu, que prometes reformas
E dizes que este país assomas
Com a tua brisa celestial
À laia de herói nacional
Brincando aos políticos com tusa
Mas sendo tão impotente como a própria alma lusa
Arrepende-te irmão
Pára de enganar os profetas
E todos os outros ascetas
Pára de atirar esperança
No peso inerte na balança
E fala com os bancos, seguradoras e outras pestes
Ensina-lhes a refrear os apetites
E que há um Portugal melhor
Para quem queira ser mesmo livre
Úni-vos face à crise das crises

E caguemos no Presidente
Porque é dos que não empurra, nem faz frente
Simplesmente não está
Previsível espécie
De político, acéfalo, ausente

A parábola

No outro dia saiu um CD
Para miúdos, parecia, bem se vê
Com perguntas e respostas sobre o 25 de Abril
Vinha com um jornal qualquer
Seis euros e dez
Disse-me o homem da papelaria
Todo contente

Mas o que é esta merda?
É isto é que é ser português?
A porra do CD devia ser de borla
Ensinar devia ser o ariete do presente
Ensinar cidadania e história
História recente
Ensinar gente a ser gente
E não encher o bandulho
Usando memórias, cravos e outras vãs glórias

E vós, artistas da merda
Pintores, cantores e poetas
Flácidos actores de telenovelas
Intelectuais e pensadores da treta
Comentadores menstruais e analistas com cheta
Arrependei-vos
Pelo vosso silêncio de oiro
Como espiga podre de um tesoiro
Feito de curvas de barrigas
Por dietas milionárias despidas
Tudo é aparência, tudo é ilusão
Sem um mínimo de apego à vida
Sem um mínimo de revolução
Sem uma única ideia sentida
Fagulhita de criatividade
União, opinião reinvindicativa
Para que serve a arte então?
Deve ser para bater uma punheta
Sem utilizar a mão
Arrependei-vos, irmãos

E para finalizar,
uma palavrinha lá para a domus…

Tu, que pões os cornos mentalmente
A quem tens lá em casa, certamente
Com flirts e convites ausentes
Ao colega de trabalho, à colega ali à frente
Arrepende-te irmão, irmã
Ou despachas quem dizes que amas
Ou amas a quem cobres na cama
E fazes filhos imparável
Com quem não depois não estás
Deixa-te de patifarias inocentes
De quem ia comer um pastelinho de nata
E acaba a digerir a feijoada

Arrepende-te irmão, irmã.

Amén!

Poesia de intervenção.

Isto é poesia de intervenção
Pois é, pois é.
É poesia de intervenção.
Pois é, pois é.

É poesia de intervenção.

Eh, Camarada Patrão!


Aqui, antes não estava nada.
E, agora,
Continua a não estar.

in http://camaradapatrao.blogspot.com/2006/05/o-sermo-de-so-camarada-patro-aos.html



Somos operários desta opera? Somos exploradores ou explorados?

Imagem tirada daqui

Operários são todos os que geram, os que produzem a mais-valia capitalista. Proletários são todos os que são explorados quer sejam operários, quer não. Trabalhadores são todos os que trabalham. Desempregado é aquele para quem não há trabalho. Jovens gerações são aquelas a quem não está assegurado um futuro digno. Excluídos são os que estão fora do sistema, desintegrados, postos à margem. O capitalismo está a colocar-se num beco sem saída. Democracia democrática não existe. O capital financeiro impera através da especulação. Não tem rosto. As forças no poder colaboram com a alta finança e apressam-se a aplicar as leis que a servem e vão desmantelando os serviços públicos, para lhos entregar. Abre-se o caminho aos privados. A nação dilui-se, o Estado cumpre fervoroso as directivas da União Europeia. Esta, que já foi CEE, continua, inexorável, o seu percurso de destruição. Antes foi destruindo as forças produtivas do nosso país; agora destrói os serviços públicos enquanto vai minando os sectores estratégicos. O país está num caos, ninguém acredita neste governo. Há os que fingem que acreditam e que colaboram com ele; há os que já não acreditam e os que nunca acreditaram. Mas o governo está cheio de si mesmo, prossegue obstinado fingindo estar tudo a correr bem. Fecha escolas, urgências, maternidades; divide o país nos excluídos e nos que vivem nos centros urbanos, provocando desequilíbrios chocantes. O presidente é uma fachada em ruínas, um sorriso de múmia vinda das trevas do país salazarento. O governo é pior ainda porque age e faz o que mais nenhum ousara fazer, nem mesmo os governos do Soares primeiro-ministro enquanto o país se ia tornando num escoadouro dos produtos dos países industrializados da CEE.
Tanta sacanagem também não era previsível para a maioria que votou neste governo. E os deputados? Que bancada é aquela que não reclama o seu direito a contestar uma directiva que venha de fora que não convenha ao nosso país? Uma maioria de deputados que lá foi posta pelos votos do povo, julgando que esta ali estaria em maioria, para o defender, e que voltam agora as leis e as directivas contra ele, destruindo um a um os seus direitos de cidadão e de trabalhador, não impedindo que passem?
As pessoas recusam-se a ver no espelho o operário, quantas vezes o proletário, e nas coisas que adquirem criam a ilusão de ascender à burguesia; procuram acima de tudo o mais adquirir o mesmo poder de compra, por isso se empenham para aparentarem ter o que devem. Ninguém quer ser tomado por operário. Muito menos os que não querem contribuir para a grande opera capitalista. Esses simplesmente cruzam os braços e não compactuam, mas também não o combatem, apenas desistem. Mas de uma forma todos contribuem para ela: em cada gesto produtor ou consumista. Por isso o capital se encontra aparentemente fortalecido pela nossa fraqueza de o desejar. Mas na verdade o sistema capitalista global está preso pelos fios invisíveis do capital financeiro que movimenta o dinheiro que o trabalho gera e que as nossas dívidas multiplicam. Os usurários não são mais criminosos, eles compraram as leis a seu favor com o dinheiro que lhes entregamos. Assistimos agora à nítida mudança das regras do jogo, quando estávamos a meio das nossas vidas. O Estado já não segura mais os cidadãos. Nós é que temos que o segurar com as contribuições dos nossos impostos, que cada vez menos são usados em nosso benefício, e com os roubos que nos fazem cada vez mais nas reformas e nos direitos conquistados. Desmatelados os serviços públicos as pessoas vêem-se na contingência de recorrer aos privados: seguros, saúde, educação, tudo começa a ser pago do nosso bolso, enquanto os impostos continuam a aumentar. O juro aumenta infinitamente e as pessoas passam a dever mais do que julgavam que deviam. Não há trabalho para todos, mas anunciam-nos que em breve teremos que ter 30 empregos para poder respirar. E querem que continuemos a dar filhos para alimentar este sistema económico enquanto nos impõem uma flexigurança, vocábulo que me lembra a novilíngua do Huxley no Admirável Mundo Novo, um linguajar criado pelo poder para que as verdadeiras palavras perdessem o significado. Com a redução da segurança que tinhamos e a exigência da flexibilidade que nos pedem como é possível ter a certeza que poderemos depois assegurar o futuro de uma criança?

quarta-feira, junho 13, 2007

Petição contra as taxas do MULTIBANCO

Taxas Multibanco
Petição contra as taxas do MULTIBANCO
(Assine aqui)

Agir contra as taxas de Multibanco que vêm aí

Só para fazer levantamentos no Multibanco vão passar a cobrar-nos
1,50 • (300 escudos na moeda antiga), apesar dos lucros exorbitantes
que continuam a ter. Só no ano passado 40%

Temos que voltar a usar cheques e obrigar os bancos a contratarem
mais pessoal para os balcões e entregar os nossos cartões. É só uma
questão de hábito. Dantes não havia e a vida funcionava na mesma, não
era?

Hoje em dia existem payshops em toda a parte, para as ditas despesas
que ainda pagamos através de Multibanco.

Quem quiser, assine em LETRAS BEM GORDAS e faça chegar ao maior
número de pessoas. Por favor divulgue esta petição no seu blog!


Exerça o seu direito à INDIGNAÇÂO. É um assunto que interessa a todos nós. Assine também!

Luisa sobe que sobe


O Estado é pessoa de bem

Madalena Barbosa

Público, 2007-06-09


À Luísa só lhe ocorre uma solução: ou morre trabalhando, ou suicida-se quando passar à reforma. Que o diga Luísa. Ingénua, crente na bondade das gentes, dedicou-se de alma e coração a ser uma mulher como se dizia que as mulheres devem ser. Casou, procriou. Muito nova, juntou sete lindas crianças que tratou o melhor que sabia.

E tentou saber muito - leu os livros de puericultura, os tratados dos psicólogos, os artigos das revistas.

O 25 de Abril deu-lhe uma alma nova. Num ímpeto, juntou-se às multidões que gritavam por liberdade e igualdade. Só então notou que essa igualdade era para todos, não para todos e todas. Por isso fez da sua causa a causa das mulheres. Até 1978 esperou, com pouca paciência, que as leis da família mudassem. Mas mudaram. Foi-lhe então possível libertar-se de um casamento que a impedia de trabalhar. As crianças já iam à escola. Finalmente podia fazer algo mais que trabalhar em casa, ser uma pessoa autónoma, uma cidadã participativa. E conseguia dormir algumas noites seguidas, depois dos anos das amamentações, gravidezes, viroses, pesadelos das crianças.

Então teve a sorte (?) de arranjar um emprego no Estado. Como era espertinha (diziam), fez tudo como diz a cartilha: criou as crianças sozinha e, ao mesmo tempo, trabalhou, fez uma licenciatura, um mestrado, formação contínua. Não me perguntem como, mas ainda fazia militância política e social. Milagres de quem esteve muito tempo presa. Correu, subiu, sobe Luísa, sobe a calçada.

Claro que nesse tempo tinha pelo menos uma garantia: um emprego. Um futuro: uma reforma. Protecção nas doenças, suas e das crianças: ADSE. Nem lhe passaram pela cabeça estas coisas modernas de seguros de saúde ou poupanças-reforma (quem dera que o dinheiro chegasse ao fim do mês!). Confiava no seu contrato com o Estado, pessoa de bem, que lhe garantiria o futuro.

Competente, rápida, assumiu cargos de responsabilidade, serviu o seu país. Fez-se gente, com um certo orgulho de o ter conseguido. Agora é cidadã sénior. De repente, sente-se culpada - por sua causa, e de mais uns milhares, Portugal tem "uma população envelhecida". Por isso terá de trabalhar mais e receber menos, dizem-lhe. Se viver muito tempo, vai fazer com que as reformas sejam ainda menores. Provavelmente morrerá a trabalhar. Nunca comprou uma casa, o que quer dizer que corre o risco de acabar sem abrigo. A sua reforma nunca pagará uma renda em Lisboa.

Luísa faz parte do odiado funcionalismo público. Bode expiatório, vómito onde se despeja o fel e o ódio. A minha última consulta à blogoesfera deixou-me pasmada. Sim, despeçam-nos, tirem-lhes "regalias", tirem-lhes promoções - queimem-nos? A função pública passou a ser o boneco que se queima, a bandeira que se espezinha.

Será que estamos a assistir ao "dumping social"? Fazem-se previsões a 50 anos. E Luísa olha para 50 anos atrás, e será que se podia prever o que se passa hoje? Quantas variáveis na evolução social, política, científica? Mas isto digo eu, que vejo os economistas reverem as suas previsões quase todos os meses.

À Luísa só lhe ocorre uma solução: ou morre trabalhando, ou suicida-se quando passar à reforma. Só assim poderá ser uma boa cidadã. De qualquer forma, nem com os netos poderá brincar, pois estará trabalhando. E se se reformar, ficará mais pobre, mais doente e a contribuir para as estatísticas do "envelhecimento da população". Definitivamente o suicídio. O "pessoa de bem" de certeza que agradece, pois a vida das pessoas agora são números. E quem não produz nem consome não é gente.

Como se chama à entidade que faz um contrato e não o cumpre? Especialista em questões de género.

Enviado por um amigo

segunda-feira, junho 11, 2007

Missa Negra para Portugal

Imagem do Kaos

in Republica e Laicidade:

«Por iniciativa da Embaixada de Portugal em França e para não fugir à tradição , em Paris, o dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas (10 de junho) foi assinalado com uma missa solene de acção de graças na Igreja de Notre Dame.

Do facto, como é óbvio, a associação República e Laicidade apressou-se a reclamar junto do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, nos termos que se seguem:

Ex.mo Senhor Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa,

Dr. Luís Filipe Marques Amado,

Palácio das Necessidades, Largo do Rilvas, 1399-030 Lisboa Codex

[ministro@mne.gov.pt]

10-06-2007

Ex.mo Senhor Ministro,

Na Associação Cívica República e Laicidade, especialmente atentos ao modo como o princípio constitucional da laicidade do Estado tem vindo a ser implementado na sociedade portuguesa, fomos muito negativamente surpreendidos com a notícia publicada pela edição francesa do semanário «Luso Jornal» [ver anexo-1], de 31 de Maio p.p., notícia onde se anuncia a realização, por iniciativa da Embaixada de Portugal em França, de uma missa de acção de graças por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, acto de culto católico – “um encontro de Fé das Comunidades Portuguesas de França, particularmente da Região Parisiense” – a ser celebrado por Monseigneur André Vingt-Trois (Arcebispo de Paris) e por D. António Baltazar Marcelino (Bispo Emérito de Aveiro), em Paris, na Catedral de Notre Dame, no dia 10 de Junho, às 18h00.

Esclarece ainda a referida notícia ter a dita embaixada podido contar, nessa iniciativa – iniciativa que se vem repetindo há já alguns anos… –, com a colaboração da Vigaria Episcopal das Comunidades de origem estrangeira de Paris e da Capelania Nacional das Comunidades Portuguesas de França. A ser inteiramente correcta a informação veiculada pelo órgão de comunicação citado, bem como a outra informação complementar obtida no «site» da Embaixada de Paris [ver anexo-2], aquela missa constituiu mesmo a única iniciativa oficial promovida pela representação diplomática nacional em França no dia 10 de Junho.

No entender da Associação Cívica República e Laicidade, tais procedimentos constituem grave atentado à Laicidade do Estado Português, princípio constitucional que, evidentemente, não pode deixar de ser bem conhecido de V.Exa., bem como de todo o Corpo Diplomático dependente do Ministério dos Negócios Estrangeiros que V.Exa. tutela.

Nesse entendimento, vimos aqui solicitar a V.Exa. que mande confirmar a exactidão das informações acima citadas e nos mande informar – e informar os cidadãos portugueses – sobre as seguintes matérias:

1. Desde quando e com que justificação a Embaixada de Portugal em França tem vindo a tomar a iniciativa de mandar rezar missas de acção de graças por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas?

2. Que outras efemérides têm sido, eventualmente, objecto de idêntico procedimento da nossa diplomacia em França? Quais? Em que condições?

3. É só a Embaixada de Portugal em França que assume iniciativas daquele teor ou dar-se-á o caso de outras representações diplomáticas portuguesas, nos territórios onde funcionam, também promoverem acções similares? Quais? Em que ocasiões?

4. Que custos têm para o Erário Público Nacional estas iniciativas confessionais, bem como outras do mesmo tipo que, eventualmente, estejam também a ser promovidas por outras representações da República Portuguesa no estrangeiro? Como é que acções confessionais desse género têm sido orçamentadas na Contabilidade Pública?

5. Como tenciona o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros proceder relativamente à situação aqui denunciada, bem como relativamente a outras que possa eventualmente constatar que ocorrem nos organismos que tutela?

Sem outro assunto de momento,

a bem da República,

apresento os nossos melhores cumprimentos,

Luis Mateus (Presidente da Direcção)»

acesso a:

Ler também aqui

Anti-globalização

Hamburgo, manifestação antiglobalização de 28 de Maio de 2007

Cada vez há mais as manifestações contra a actual forma como o mundo está organizado. Cada vez essas manifestações são mais reprimidas, afastadas dos alvos que visam atingir, minoradas pelos meios de difusão de notícias.
Uma manifestação de protesto contra a globalização, uma série de manifestações a cada passo do G8, um protesto, uma greve, uma opinião diferente, tudo pouco relevante para quem cabe a tarefa de informar, de dar conta das várias partes implicadas. Por que são os países mais ricos a decidir questões que deviam ser defendidas pela ONU?
As notícias sobre esse tipo de reacção contra o sistema vigente, passam despercebidas no meio de outras mais mediatizadas ou nem sequer passam. Não fossem os blogs e notícias dessas morreriam à nascença. Esta é uma função que me parece ser importante que os blogs assumam a seu cargo: não deixar branquear a notícia, não deixar que ela caia no esquecimento. Sei que há notícias que nem se chegam a saber. Outras que fazem uma breve passagem e depois desaparecem mesmo da Net. Certas notícias deviam ser guardadas, constituir arquivo vivo, continuarem a servir de advertência, serem medidas com as consequências que desencadeiam. Quase todos os dias recebo e subscrevo petições já subscritas por milhares de cidadãos de todo o mundo que dão o seu nome por uma acção, pela defesa de uma causa. Mas não há notícias que dêem conta desse descontentamento.
Os descontentes sentem-se isolados, têm receio de expressar a sua opinião; julgo até que há gente que acerta uma opinião pouco firme para exibir em sociedade e que conserva para si a sua opinião mais radical. Hoje em dia muitas pessoas vivem formatadas para se conformar ao estado das coisas. Quer isto dizer que vivem conformadas com a pior das realidades, assumem a forma em que se encontra o mundo ou o seu país como uma contingência, uma tautologia conformada: a realidade é a realidade é a realidade é a realidade e não saem disto. É preciso dizer às pessoas que elas não estão sós, que o seu desespero não é autista, é bem real, e que existe um sentimento generalizado de que o mundo não está a ir no bom caminho.
Descontentes de todos os países, uni-vos numa só voz para dizer "não" à globalização enquanto esta for sinónimo de um desenfreado capitalismo internacional predador e causador de toda a destruição.



domingo, junho 10, 2007

10 de Junho é sempre Camões


CXCIV *

Cá nesta Babilónia, donde mana

Matéria a quanto mal o mundo cria;

Cá, onde o puro Amor não tem valia,

Que a Mãe, que manda mais, tudo profana;

Cá, onde o mal se afina, o bem se dana,

E pode mais que a honra a tirania;

Cá, onde a errada e cega Monarquia

Cuida que um nome vão a Deus engana;

Cá, neste labirinto, onde a Nobreza,

O Valor e o Saber pedindo vão

Às portas da Cobiça e da Vileza;

Cá, neste escuro caos de confusão,

Cumprindo o curso estou da natureza.

Vê se me esquecerei de ti, Sião!

sexta-feira, junho 08, 2007

cibernotícia


Já toda a gente fala

Não se vêm falar mas falam

Fala-se disso, nos blogs,

na net pode-se fazer por não esquecer uma notícia

Fala-se nisso nos jornais

Mas poucos lêem e passa

Já se for na blogosfera

a notícia continua a produzir efeito

comenta-se a notícia

e muitos lêem e comentam

a notícia e os comentários

e a notícia produz efeitos vários

Dá-se notícia da notícia

Da notícia da notícia

E o que se disse dela

Vai muito mais longe que a mera notícia

quinta-feira, junho 07, 2007

T-Shirt contribuinte - Já deu?


Qual é a tua, ó meu?
nesse peditório o pessoal já deu!

Na escola dos meus filhos há crianças que são deixadas pelos pais à porta da escola. Os pais têm cada vez mais apertados horários de trabalho. Há pais que têm que estar às 8 da manhã nos seus empregos e a escola só abre às 8:00h. Quer chova, faça sol ou vento, as crianças ali ficam sem ter onde se abrigar. A escola não pode abrir mais cedo porque o horário dos funcionários é entrarem às 8 da manhã. Estes funcionários provavelmente fizeram o mesmo com os seus filhos.

Na escola dos meus filhos há um conselho executivo que não quer pedir à câmara municipal de Oeiras que construa um abrigo para as crianças, dentro do recinto escolar, nem quer pagar ao funcionário da entrada da escola para estar mais cedo e abrir o portão às crianças para se abrigarem.

Na escola dos meus filhos há uma associação de pais que teve uma ideia: que bonito seria serem os pais a pagar o telheiro, construir-se o telheiro fora da escola e as crianças vestirem as lindas t-shirts da escola no dia da maravilhosa festa de fim de ano.

Sim, tudo seria muito bonito se as várias entidades dialogassem e cumprissem as suas obrigações de resolver os problemas das infraestruturas da escola, usando-as em benefício dos seus alunos. Se a associação de pais não estivesse desde sempre ao dispor do conselho executivo para lhe fazer todos os jeitos; se conselho executivo e associação não estivessem tão de acordo em que os pais é que devem pagar; se conselho executivo e associação não achassem que o lugar das crianças é do lado de fora do portão, à espera da abertura da escola com ou sem abrigo, cumpridoras.

Hoje, no portão da escola, anunciava-se a t-shirt contribuinte para usar no dia da festa. Eis a t-shirt tornada popular – o sonho de toda a criança, para vestir no dia da festa do final do ano.


Um dia ainda esta t-shirt lhes vai sair bem cara se nada fizermos!




"Não te deixes assim vestir" -- tão actual!

Ai... Portugal! (Sérgio Godinho)

Ai, Portugal
dar-te conselhos é bem pouco original
(mas) se realmente não quiseres querer-te mal
olha p´ra ti, ó Portugal
e não te deixes assim vestir

O meu país
foi outro dia ao alfaiate encomendar
"toilettes" novas p´ro mundo se embasbacar
e se dizer, e se elogiar
que bem, que chique
que beleza
para falar com franqueza
parece outro com esse ar

Mas há coletes que são de forças
por mais que o digam não ser
não te deixes assim vestir
não te deixes assim vestir

Ai, Portugal

Ao meu país
o alfaiate respondeu: venha cá
quero saber com que linhas se coserá
o fato feito que fará
a sensação das redondezas
bem que eu não tenha a certeza
que seja de elogiar

Ai, Portugal
dar-te conselhos é bem pouco original
(mas) se realmente não quiseres querer-te mal
olha p´ra ti, ó Portugal
e não te deixes assim vestir

O meu país
outrora usando fraque, luva e paletó
se rebentar pelas costuras, é só
que o fato que é da trisavó
não é necessariamente
aquele que no presente
nos fará soltar um "oh!"

Porque há coletes que são de forças
por mais que o digam não ser
não te deixes assim vestir
não te deixes assim vestir


quarta-feira, junho 06, 2007

Conta quem ouviu...

Afinal quem disse que o metro da zona sul não tinha a sua hora de ponta?

Que camelos tão barulhentos, senhor ministro Mário Lino, até pareciam gente indignada a buzinar contra o ruído dos seus discursos!
Leia mais aqui

Vantagem do diabo

Le diable (Ça va)

Paroles et Musique: Jacques Brel 1953


{Prologue:}
Un jour le Diable vint sur terre, un jour le Diable vint sur terre
pour surveiller ses intérêts, il a tout vu le Diable, il a tout entendu
et après avoir tout vu, après avoir tout entendu, il est retourné chez
lui, là-bas.
Et là-bas on avait fait un grand banquet, à la fin du banquet, il s'est
levé le Diable, il a prononcé un discours et en substance il a dit ceci,
il a dit:

Il y a toujours un peu partout
Des feux illuminant la terre ça va
Les hommes s'amusent comme des fous
Aux dangereux jeux de la guerre ça va
Les trains déraillent avec fracas
Parce que des gars pleins d'idéal
Mettent des bombes sur les voies
Ça fait des morts originales
Ça fait des morts sans confession
Des confessions sans rémission ça va

Rien ne se vend mais tout s'achète
L'honneur et même la sainteté ça va
Les États se muent en cachette
En anonymes sociétés ça va
Les grands s'arrachent les dollars
Venus du pays des enfants
L'Europe répète l'Avare
Dans un décor de mil neuf cent
Ça fait des morts d'inanition
Et l'inanition des nations ça va

Les hommes ils en ont tant vu
Que leurs yeux sont devenus gris ça va
Et l'on ne chante même plus
Dans toutes les rues de Paris ça va
On traite les braves de fous
Et les poètes de nigauds
Mais dans les journaux de partout
Tous les salauds ont leur photo
Ça fait mal aux honnêtes gens
Et rire les malhonnêtes gens.
Ça va ça va ça va ça va

terça-feira, junho 05, 2007

Dia Mundial do Ambiente


Leiam esta notícia e demonstrem a vossa indignação.

Já começaram a descongelar o mundo para encontrar petróleo? Então é por isso que para o governo americano as causas para o aquecimento global estão para durar. Temos uma nova "guerra fria" ou esta é mais uma "guerra quente"? Temos pelo menos governantes mundiais muito frios e calculistas, que não hesitam em arrasar um planeta a aquecer descontroladamente.
Têm filhos? Têm netos?
Têm, mas já lhes compraram uma passagem para a Lua e um terreno lá para quando chegar o grande dia.
Pensam nos milhões de pessoas que sofrerão em breve na pele as consequências dos seus actos?
Pensam. São carne para canhão. Eles é que precisam ter depressa uma vida boa pois sabem que será breve.

(Vale a pena procurar notícias sobre o relatório ambiental da ONU, feito para o dia de hoje para que a indignação seja total)

segunda-feira, junho 04, 2007

Situação caótica

«Estes serviços paralelos, Institutos, Autoridades, Comissões, Fundações, Inspecções, Centros, Agências, Conselhos, etc, e nas Câmaras as Empresas Municipais, não estão sujeitos à apertada legislação jurídica de aquisição de bens e serviços ou empreitadas da Administração Pública, o que abriu caminho a uma total falta de transparência e à corrupção na sua gestão. A incompetência destes gestores avulso, destes comissários políticos, associada à sua única preocupação de acumular riqueza pessoal, resultou na mais profunda degradação da nossa Administração. Temos hoje uma Administração mais irracional, mais ineficaz e mais cara. E de acordo com as medidas já implementadas ou em vias de implementação, por este governo, como o PRACE, porque possuídas da mesma lógica, iremos assistir, não à inversão mas ao aprofundamento desta caótica situação na Administração Pública.» Leia mais no blog classe politica

A propósito, se ainda não subscreveu a Carta à bancada parlamentar do PS, para que detenha as intenções do governo de converter as instituições públicas do ensino superior em fundações (RJIES), pode fazê-lo agora ON LINE aqui.











domingo, junho 03, 2007

O homem pode ser o que o espírito é

Waterboys - Spirit

Man gets tired

Spirit don’t

Man surrenders

Spirit won’t

Man crawls

Spirit flies

Spirit lives

When man dies

Man seems

Spirit is

Man dreams

The spirit lives

Man is tethered

Spirit is free

What spirit is

The man can be


Boletim do Encontro em Defesa da Escola Pública On Line

Já se encontra On Line um Boletim especial do Encontro em Defesa da Escola Pública de 14 de Abril Nele podem ser lidas todas as intervenções dos participantes. Leia o Boletim integralmente

aqui.


Painel de intervenientes:


Ø Carmelinda Pereira
(em nome da Comissão Organizadora do Encontro)

Ø António Castelo – Dirigente da FERLAP
(Pais e encarregados de educação – componente imprescindível na defesa da Escola Pública)

Ø Carlos Chagas – Presidente do SINDEP
(A situação dos trabalhadores do ensino)

Ø Maria do Carmo Vieira – Professora
(Em defesa da dignificação da língua portuguesa)

Ø Santana Castilho – Professor e cronista do Público
(A ofensiva contra os serviços públicos e os professores)

Ø André Yon – Professor e sindicalista francês

(França: um exemplo da situação do

ensino noutro país da União Europeia)


Apresentação do boletim

Esta publicação constitui um número especial do boletim da Comissão de defesa da Escola Pública, no qual se publicam as intervenções feitas no Encontro realizado no passado dia 14 de Abril.
Trata-se de diferentes formas de abordagem da situação do Ensino público em Portugal, de acordo com os princípios da Comissão que o organizou de respeitar a pluralidade de opiniões.
Nestas intervenções, pode destacar-se grande inquietação de todos os intervenientes, perante as consequências das políticas que têm sido levadas a cabo por sucessivos governos, acentuadas de forma gritante pelo governo de José Sócrates, em contradição completa com sentido do voto da maioria do povo português que colocou o PS em maioria absoluta na Assembleia da República.
Foi também identificado, sobretudo pelo professor sindicalista francês, a fonte das políticas postas em prática por cada governo subordinado às políticas da Comissão Europeia, como dispositivo central de um sistema económica cuja sobrevivência exige a destruição da Escola pública, dos serviços públicos e das próprias nações.

A Comissão encontra-se a organizar um novo encontro que, para além do salutar convívio lúdico, terá como objectivo realizar em conjunto um balanço das actividades desenvolvidas pela Comissão para a Defesa da Escola Pública e encontrar as novas linhas de acção para os próximos meses. Em breve encontrarão aqui todas as informações necessárias, como a data, o local e a hora.

Entretanto não se esqueça de assinar e divulgar, se ainda não o fez, a Carta aos Deputados do PS que resultou deste encontro, a qual já se encontra On Line. Desta forma será mais fácil alcançar o objectivo de reunir um número mínimo de 500 assinaturas. Obrigada.

sexta-feira, junho 01, 2007

Subscrição da Carta aos Deputados do PS ON LINE (Subscreve/divulga)


Caros amigos

Já se encontra on line uma petição dirigida aos deputados do PS. Agora torna-se muito mais fácil subscrevê-la.

Esta carta resultou do Encontro em Defesa da Escola Pública realizado no passado dia 14 de Abril em Algés. Neste momento existem cerca de 100 assinaturas recolhidas mas o nosso objectivo é atingir as 500 assinaturas. Esta petição pode ser subscrita por qualquer cidadão que considere necessário defender a Escola Pública, a qual está a ser alvo de ataques levados a cabo pelas políticas do Ensino da responsabilidade do governo português e resultantes da aplicação cega e obstinada das directivas da União Europeia. O mesmo tem acontecido com outros serviços públicos, como é o caso da Saúde.

Os deputados do PS têm uma responsabilidade acrescida por terem alcançado uma maioria parlamentar nas últimas eleições. A eles cabe o papel de aprovar ou chumbar na Assembleia da República as propostas do governo. Esta a razão por que a eles nos dirigimos.

A Comissão para a Defesa da Escola Pública já enviou uma carta à Assembleia da República solicitando ser recebida para entregar as assinaturas conseguidas.

Ajude-nos a divulgar esta iniciativa junto dos seus contactos:

- Se considera que a Escola Pública deve ser defendida do processo de privatização e de desresponsabilização do Estado a que está a ser sujeita;

- Se concorda que os professores, os pais e todos os implicados no processo educativo são dignos de respeito;

- Se entende que o Ensino de qualidade para todos é um direito adquirido que deve assistir a todos os cidadãos,

por favor subscreva aqui a petição.

As gerações futuras agradecem-lhe.




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