sexta-feira, setembro 28, 2007

Uma estrada e sua poeira...








A Pasta (poema corrupto)

Por Rinaldo de Fernandes


Uma estrada cabe

dentro de minha pasta.

Uma estrada e sua poeira.


Um edifício fino

Um educandário

três pontes

mil touros

dormem em minha pasta.


De asas estou largo:

comprei a pasta

porque nela um importado parou

que me dará férias ao avião.


Encerrei na pasta

uma fauna e uma flora:

basta abrir o zíper

e um papagaio alarda anedotas,

um canário coça-me os ouvidos,

uma andiroba atira-me um galho...


Eu como florestas,

eu bebo andorinhas.


Almoço de folhas,

sobremesa de penas.


Cabe não perder a pasta

(como certos peixes)

nos remansos de meus sábados.


Agarrem que é corrupto!


Corrupção aumentou: "É patente a forte relação entre corrupção e pobreza".

Quanto mais pobres somos mais ricos nos queremos tornar. Por isso é natural que Portugal tenha tido sucesso nesta empresa.
Já temos corruptos em número suficiente para podermos ser competitivos com os outros países da UE. Com este governo e esta justiça pudemos finalmente alcançar resultado admiráveis. E os ventos são propícios para que os resultados continuem a aumentar. Somos competentes a promover a corrupção. E o silêncio pode ser cumplice!

Estudos Europeus...

(Ilustração: Rockwell Kent [1882-1971], “Workers of the World Unite”, 1937)

UE
85% dos portugueses satisfeitos com condições de trabalho

Entre os trabalhadores da União Europeia os portugueses são dos que estão mais descontentes com o ordenado que recebem. Um inquérito europeu sobre condições de trabalho, mostra que 72 por cento dos portugueses acham que ganham mal. No entanto, 85 por cento diz estar contente com as condições de trabalho.

TSF Online 19:08 / 27 de Setembro 07 )

«Esta aparente contradição é justificada pelos portugueses com a ideia de que o trabalho serve de válvula de escape. Ou seja, os portugueses estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o trabalho porque é no ambiente laboral que encontram amigos. «Estas pessoas dizem que se sentem em casa no trabalho e isso dá uma avaliação geral do trabalho muito satisfatória», explica Jorma Karppinnen, director da Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Trabalho. O director dá um conselho ao Governo português: aumentem os ordenados. «Para que as pessoas se sintam felizes e aumentem a produtividade, os ordenados tem de ser aumentados», diz Jorma Karppinnen. A fundação avisa ainda que os horários de trabalho não devem ser aumentados. O estudo revela que Portugal é dos países onde os trabalhadores mais se queixam (85 por cento) da falta de flexibilidade a nível de horários laborais.

Portugueses com medo de perder emprego


Os trabalhadores portugueses são também, na Europa, os que mais receio têm de perder o emprego, segundo um estudo hoje divulgado. Dois em cada dez trabalhadores portugueses têm medo de perder o emprego nos próximos seis meses, um número significativamente mais alto do que no resto da Europa: em França, por exemplo, este receio afecta apenas 7,7 por cento dos trabalhadores. O relatório da Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, hoje divulgado, fez a avaliação da estrutura laboral em 31 países.»

....................................................................

Quem leu a notícia toda deve estar tão banzado como eu estou. Este Jorma está a chuchar connosco! As pessoas que têm um emprego, não estão contentes com as condições de trabalho (nem salariais nem em termos de horários laborais!), elas estão é contentes de ainda terem emprego. Os 85% que se queixam dos horários laborais, são os 85% que estão contentes com as condições de trabalho, ou seja, estão explorados e mal pagos mas ainda assim contentes, por não serem desempregados. A Flexigurança que aí vem é para eles.

Faladinha...

quinta-feira, setembro 27, 2007

Dar o dito por não dito


Vocês não podem dizer aquilo que eu disse
disse e desdisse
e tornou a dizer mais uma vez.

Quem ousou tornar público o que era para ser informal?

Assinámos a nossa sentença de morte.


Estamos perdoados vamos seguir em frente
se não pode ser assim como foi dito
como será como desdito?
Podemos escolher?
Entre o que talvez possa vir a acontecer

e esse que diz que era melhor que não fosse.


Veja bem nós temos que defender
o que nos sustenta aqui nesta casa

quando não assim for deixo de apoiar quem apoio e quem m'apoia.
Estar dentro é melhor do que estar fora.

E agora meus senhores estou atrasado pra a reunião com dois senhores.

Sim senhor mas repare que continuamos a querer
o que antes queríamos
pode ser ou não?
Torna-se urgente antes que tudo desapareça como o resto

Se diz que somos nós a decidir por que não se compromete?

Um rabo preso, um rosto de duas caras, isto é política, meus senhores.


Bem vêem que não posso decidir sozinho
e temo que ninguém esteja para isso lá no meu quintal

Parece que o António Calvário é bicha.

Mas ninguém se atreve a dizê-lo
com certeza e em voz alta.


Por isso meus senhores
vejam lá como se comportam

e para a próxima tratem de não dizer o que eu disse

que eu também dou o dito pelo não dito do alto do meu poleiro.

Passemos a agendar os novos atrasamentos.

quarta-feira, setembro 26, 2007

«Oferta Urgente»

Perfil: professor de Inglês, com perfil para leccionar a disciplina a crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico ( 1º, 2º, 3º e 4º anos)

Condições: 6h semanais / de 1 de Outubro de 2007 a 15 de Junho de 2008 / 15 eur à hora / recibo verde*

* O recibo verde poderá ser passado mensalmente ou apenas no final de cada ano civil, ou seja, em Dezembro de 2007 e depois em Junho de 2008, quando terminam as actividades.

Entidade: Jardim INfantil "O Finório, Lda."

R. Eng.º Lúcio Azevedo, 25 S. Brás Amadora

(Recebido por E-mail: Serviço de Orientação e Integração Profissional )


Sou licenciada em LLM, Estudos Portugueses, logo não estaria vocacionada para responder a esta oferta de trabalho. Mas não posso deixar de comentar que acho admirável que um colega que se formou até ao fim dos estudos para dar aulas de Inglês, na intenção de seguir uma carreira docente, possa pegar de bom grado num anúncio assim. E no entanto quanto desespero, quanta gente anda por aí respondendo sem futuro a estas ofertas de inegável trabalho precário…. Sem direitos nem subsídios de férias ou de desemprego, que segurança? Repare-se nas condições oferecidas: um contrato temporário firmado em recibos verdes, muito mal pago, um autêntico biscate pedagógico, sem possibilidades daquele professor poder vir a ser um individuo auto-suficiente.

Mas não é o nosso governo que diz como todos os outros estar a esforça-se por combater os recibos verdes e o trabalho precário?

Mas são os professores uns biscateiros?

Quantos, por não terem outra saída profissional, estão dispostos a enfrentar a aventura de leccionar num jardim de infância auto-denominado “O Finório”? O que esperar de uma entidade empregadora com um nome destes, que depois aluga os contratados mal-pagos professores, subalugando-os e obtendo assim, com a sua força de trabalho, algum lucro junto das entidades camarárias. De ora avante será normal que as Actividades de Enriquecimento Cultural que o seu filho frequenta na escola pública onde anda sejam ministradas pel’ “O Finório, Lda.”. E não se admire se em vez de ele voltar para casa descontraído e exausto de tanta brincadeira, ele chegar um autêntico… finório.

Que futuro para as nossas crianças? Você é que é o encarregado de educação. Você é que tem a responsabilidade de os educar (os que educam); os professores ajudam a crescer (os que ajudam); e mostram caminhos, quantos mais melhor. Talvez isso fosse quando eu estudei: agora nem por isso, enfiados em espartilhos burocráticos, desconfiados das intenções dos colegas que os vão avaliar, eles são cumpridores à risca do programa do livro de leitura, ensinando-lhes as metáforas da receita de papel reciclado em detrimento de um Aquilino, obrigados a baixar os níveis de exigência para mostrar resultados. Cara a cara com os alunos, como não continuar a fazer o melhor trabalho e a levar para a frente cada caso, na aula e na burocracia? Dentro da sala ainda não há cameras de vigilância. Na sala dos professores pouco se partilham experiências educativas ou se fala dos falhanços das políticas de ensino. Para trabalho já basta! Fora da escola não se fala de escola!Os professores fingem para si próprios que nada disto está a acontecer (os que fingem!). Estão finalmente partidos como classe: dividem-se em classes dentro da própria classe. Todos entraram no ensino habilitados a leccionar, mas eis que novos factores são ponderados para ditar a sua estagnação ou ascensão na carreira docente: Que levante o dedo quem exerceu mais funções executivas nestes últimos anos do que deu aulas? Esses podem passar na frente dos outros que já lá andavam há anos com os alunos dentro das salas de aula, a serem professores, alguns destes com maior curriculum do que outros que vêem agora passar à frente na carreira. Estes ganham um título, passam a ser “titulares”, e recebem mais, têm a vida mais facilitada. Estão finalmente e definitivamente uns degraus acima de outros. Alguns envaidecem-se desta promoção; outros nem por isso; há quem se sinta mesmo envergonhado. Como escolher entre toda a equipa quem vai avaliar quem?

Não, os professores também não estão bem, estão fartos. Essa é a palavra: estão fartos! Será por isso que os nossos filhos vêm da escola fartos, sem vontade de estudar mais? Fartos de tanto horário lectivo, fartos de tanta regra e de não terem na escola um único espaço de liberdade onde a sua criatividade jovem possa também crescer. Quanto a mim sou encarregada de educação mas também sou mãe e preocupo-me com o futuro dos meus filhos e vejo longe em que futuro precário estas políticas praticadas hoje o vão lançar. Espero o dia em que as pessoas estejam realmente fartas de estar fartas de ver as coisas não a transformarem-se, a mudar para melhor, mas subitamente a desaparecerem. O fim dos direitos do trabalho… o fim da justiça… os encerramentos dos serviços médicos, o fim anunciado da escola pública… as entidades semi-privadas a aparecer de todos os lados e a minar tudo o que era de todos, a nossa propriedade pública...

Como serão as aulas dadas pelos professores d’ “O Finório, Lda”?

Não acho que a escola pública possa deixar de existir. Os governos das nações têm que investir no Ensino dos cidadãos, não podem entregar e relegar essa tarefa nas mãos dos privados que têm como finalidade última tornar a escola lucrativa. A escola não é para ser lucrativa, nem os serviços sociais. Por esse caminho em breve voltaríamos ao tempo em que só os filhos das pessoas com dinheiro poderiam estudar. Queremos reviver esse passado tão recente? O Estado, a nação precisa de formar os seus cidadãos para se manter. Imagine-se que os nossos governantes já não quererem governar a nação como nação: como eles traçam já como meta alcançar um lugar nas altas esferas de decisão da União Europeia, uma missão algures, uma presidência acolá na Comissão europeia, ou quem sabe até uma quota de participação num clube de influência um pouco mais acima no topo da hierarquia global. Qual deles não gostaria de fazer parte do clube dos “senhores do mundo”? Mesmo se esses amos os mandassem destruir a nação.

Quem deseja ser governado por tais "finórios"?

A escola pública não pode deixar de existir: uma nação sem serviços médicos, sem urgências, sem escolas, sem empregos, sem estruturas reais não pode existir. A questão agora é de agarrar o que a nossa acção conjunta possa ainda salvar, e não parar antes de recuperarmos o que alcançámos e nos foi tirado. É preciso dizer “Não!”. A evolução da nossa sociedade não pode ser perder, perder, perder… tem que ser alcançar em conjunto melhores resultados. As pessoas não estão contentes. Também estão fartas. Como se pode governar pessoas descontentes? Como poderá o vosso mandato, o mandato que uma maioria vos deu em eleições democráticas, moralizar as pessoas que vos elegeram? É preciso romper com esses mandatários da União Europeia que fingem nos governar e se vão governando. Dizer que sim a tudo o que vem de cima não é digno de um governante, de um representante da nação, de alguém que foi eleito para a defender livre e cooperante entre as outras nações.

Nunca se vê os nossos governantes baterem o pé a alguma directiva tornada absolutamente absurda pela realidade periférica do nosso país, um país que ainda há poucos anos bateu o pé à exploração do homem pelo homem. A propriedade pública é hoje desbaratada, entregue nas mãos de entidades privadas e multinacionais cujo único interesse é aumentar os lucros, quer se trate de saúde ou educação, porque essa é a sua filosofia.

Os serviços públicos e sociais, o pouco do que é nosso, da vinha e do vinho destrói-se e descaracteriza-se. Tudo o que produz e funciona segue o curso do desmantelamento e da destruição em favor do capital financeiro, fictício e sem valor real. Uns poucos por todo o mundo se contentam e se alimentam deste estado de coisas. Mas a maior parte das pessoas sente que está a perder poder de compra, que o seu esforço de trabalho é desvalorizado todos os dias enquanto cresce o poder do capital e se experimenta a mais atroz insegurança. Onde estão os pesos da balança? Onde a justiça deste sistema que aglutina as nações e as dilui? Que justiça esta que solta os criminosos e deixa os corruptos livres; que prende as famílias a empregos sem horários e encerra as crianças em salas de aula bafientas.

E as pessoas? Onde estão as pessoas para se unirem contra isto tudo em que são arrastadas? Onde estão as pessoas para dizer que não era isto que esperavam da democracia alcançada em Abril? Onde estão as pessoas para reclamar junto das entidades responsáveis que quando deram o seu voto não era para lhes destruirem o que tinham durante anos alcançado.

Quando sentirem os danos dessa destruição a minar as suas próprias vidas e não aguentarem mais, elas surgirão da noite para o dia, como já aconteceu noutros momentos.

terça-feira, setembro 25, 2007

Ideias atrozes na terra dos Bonifácios

A partir de Caravaggio

Silêncio! O baile dos mortos
Vai agora começar!
Das tumbas surgem gigantes
Para o tremendo valsar...
Já soberbos se agitaram
Gênios que outrora habitaram
Neste mundo como nós;
Por seus cabelos poeirentos
Os vermes passeiam lentos
- Requintado adorno atroz!... -

Carlos Ferreira, O Baile das Múmias (1867)

Texto do KAOS aqui

segunda-feira, setembro 24, 2007

mar, diz o mar...

Imagem retirada daqui



Ontem fui ao teatro ouvir poemas com cheiro de maresia.

Hoje fiquei em casa e vi
O Carteiro de Pablo Neruda outra vez.

Por isso este poema aqui hoje para vocês:


Pablo Neruda


Inicial


O dia não é hora por hora.

É dor por dor,

o tempo não se dobra,

não se gasta,

mar, diz o mar,

sem trégua,

terra, diz a terra,

o homem espera.

E só

seu sino

está ali entre os outros

guardando em seu vazio

um silêncio implacável

que se repartirá

quando levante sua língua de metal

onda após onda.


De tantas coisas que tive,

andando de joelhos pelo mundo,

aqui, despido,

não tenho mais que o duro meio-dia

do mar, e um sino.


Eles me dão sua voz para sofrer

e sua advertência para deter-me.

Isto acontece para todo o mundo,

continua o espaço.


E vive o mar.


Existem os sinos.



domingo, setembro 23, 2007

Há buscas fantásticas, não há?

Busca Goggle: "Portugal prestação de serviços"

(clicar na imagem para ampliar)

União

Prémio "Blog Monstruoso"

Oi cara. Acabo de dar pra você o prémio “Blog Monstruoso”.

Deverá passar esta mensagem para seus cinco blogs monstruosos preferidos, dizendo...

Oi cara. Acabo de dar pra você…

Esses por sua vez passarão para outros e assim sucessivamente até se gerar uma corrente verdadeiramente monstruosa.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Prós e Contras: O Estado do Ensino

Imagem retirada deste pasto

Exmos Senhores


Não posso deixar de referir que já dei aulas e sou encarregada de educação. É aliás nesta dupla qualidade que reflicto o estado do Ensino em Portugal.

No programa Prós e Contras em que participou a ministra da educação compreendi que o seu objectivo foi aproveitar o direito de antena que lhe foi concedido para lançar mais uma manobra de propaganda. A ministra procurou transmitir a ideia à população portuguesa de que tudo está a ser bem encaminhado no que respeita ao Ensino em Portugal, menosprezando todos os dados que vão contra essa euforia. Um estado de espírito bem contrário é o que se manifesta entre as pessoas que hoje em dia frequentam os blogs, e são muitas, espaço privilegiado onde os professores, os pais e outros cidadãos, em nome próprio ou por detrás de um nome fictício, não têm medo de expressar as suas opiniões sobre o actual estado da educação. Comentários a notícias, relatos, informações, documentos, debate de ideias em blogs e fóruns, sondagens, este é o espaço por excelência onde as questões educativas são hoje livremente debatidas, sem temor de castigos e penalizações.


Sugiro que, nem que seja por mera curiosidade jornalística, o vosso programa passe a estar mais atento a este manancial informativo que circula na blogosfera. Talvez fosse aconselhável proceder a uma leitura do modo como foi comentado o programa onde interveio Maria de Lurdes Rodrigues.


Já agora gostava de ver se têm essa coragem e isenção.


Com os melhores cumprimentos

Maria Paula Montez

(roubado de O Cartel )


Mandem também a vossa missiva para

pros.contras@rtp.pt

Marcas da Idade

Encontrada algures na Net

quinta-feira, setembro 20, 2007

Pai

after a bad dream
(retirada daqui)

Chegou uma carta tua. Estava a mexer nas papeladas quando a encontrei. Abri-a apressada por ver lá as tuas palavras. A tua letra, escrita pela tua mão, com o teu pensamento. Já a tinha lido, mas nunca a tinha lido. Não era uma carta era um postal de aniversário. Devo ter uns 42 teus, com flores e ursinhos, ratos e gatos, com se eu fosse uma criança.

Neste falas-me do tempo que passa:

“Não te assustes. São apenas 39 anos!

Mas não te atrases! O tempo engole-nos sem darmos por isso.

…”

Quando o li da primeira vez no calor das saudações, não o levei a sério, não lhe dei a devida importância. Talvez por isso não me tenha parecido tão dramático, tão verdadeiro, tão urgente.


Agora sei.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Medidas irracionais justificam comportamentos irracionais

"Nos contentores colectivos, deposite os resíduos entre as 19H00 e as 23H00. A recolha destes recipientes é diária a partir das 23H00"( in Site CMO)

É mentira!


Já não é a primeira vez que me acontece e não posso deixar de protestar: é irracional e inadmissível que a recolha do lixo em Algés seja feita à hora em que as pessoas vão trabalhar ou levar os filhos à escola.

A Rua José Duro, em Algés de Cima, ficou totalmente entupida com uma enorme camioneta do lixo. O condutor do Algés de Lés-a-Lés pode-o testemunhar pois ficou, tal como os outros, retido na enorme fila que se formou atrás do dito camião. Aliás, ruas como esta nem sequer deviam existir abertas ao trânsito.

Dantes as recolhas de lixo eram feitas de noite, para não perturbarem o trânsito; agora, muito provavelmente por razões economicistas – que outro motivo poderia existir? – de não se pagar aos trabalhadores o subsídio do trabalho nocturno, são feitas de dia, às piores horas, sem qualquer tipo de consideração pelos transeuntes. É para isto que pagamos impostos camarários cada vez mais caros?

Este absurdo justifica o modo irracional como os condutores accionaram as buzinas em protesto. Medidas irracionais justificam comportamentos irracionais.

Sinais da Globalização


Aconselha-se a leitura deste artigo .

E ainda há quem pense que "isto só em Portugal"?

"The Power of Schmooze Award", nem mais!


"Este prémio é uma tentativa de reunir os blogues que são adeptos aos relacionamentos "inter-blogues" fazendo um esforço para ser parte de uma conversação e não apenas de um monólogo".

Schmooze: (Verbo) fofocar, jogar conversa fora, trocar idéias. (Substantivo) conversa, bate-papo.

Regras:

1. Se, e somente SE, você receber o "Thinking Blogger Award" ou "The Power of Schmooze Award", escreva um post indicando 5 (cinco) blogs que tem esse perfil "schmoozed" ou que tenha te "acolhido" nesta filosofia. (se não entendeu, leia a explicação no parágrafo anterior de novo, se entendeu, leia de novo para ter a certeza que entendeu).

2. Acrescente um link para o post que te indicou e um para o post do Mike (Hello, Mike!) , para que as pessoas possam identificar a origem deste meme. É meme assim!

3. Opcional: Exiba orgulhosamente o "Thinking Blogger Award" ou o "The Power of Schmooze Award" com um link para este post que você escreveu." Este?

Sem hesitação atribuo este Power of Schmooze Award aos seguintes blogues (quando fizerem o mesmo não esqueçam os links... ao ladinho (é só um minutinho!):

A Simplesmente Kaótica está contente por receber este prémio. Aliás fofocar e bater papo (sic!) é o apanágio de qualquer bloguista que se preze! Bem, a Renda é uma querida e sabe o quanto eu gosto destas correntes (GRRRR), por isso não me admira que se tenha lembrado do Pafúncio, ou seja, da Kaótica. Também não consegui evitar fazer-lhe o mesmo.

Querido Mike, que bela ideia tiveste! Tu também está de parabéns. Tens um blog para eu te mandar também a ti o prémio?

Blogs da fofoca não devem faltar por aí. Como normalmente todo o bate papo é feito através dos comentários, nos blogs que costumo frequentar, vou centrar-me nesse modo de “bater papo” diálogo que se estabelece sempre que não se cai no papo furado.

Os cinco blogs nomeados são seis e um guru:

À querida Renda que me deu este prémio e a quem eu agradeço honrada e retribuo, cujo próprio nome do blog remete para o acto de conversar (= bater papo) – e Que Conversa! (Shiiiuuuu: ela não sabe que eu sou um bicho do mato intratável e pouco social)

Ao querido Mike, criador deste prémio genial:

“Hello Mike!

Go to O Pafuncio to get your award: You win a “Power of Schmooze Award”. Congratulations, you deserve it”

Ao querido Kaos do Wehavekaosinthegarden sempre atento a todo o comentário, alquimista a filtrar a realidade e a transmutar-lhe a essência em imagens para que só olhando, todos a possam entender. (Um comunicador nato!)

Ao João Rato e o seu Rei dos Leittões sempre em diálogo por aí pelos blogs.

À Moriae, e à Sinistra Ministra sempre atenta a tudo o que se passa sempre em cima do acontecimento a informar e a dialogar.

À Brit Com do Cartel porque este blog é um centro de confluências.

Ao Arrebenta e ao As Vicentinas de Braganza por ser um centro de influências.

sexta-feira, setembro 14, 2007

A Escola do sonho da vida da poesia

Outra Margem

E com um búzio nos olhos claros
Vinham do cais, da outra margem
Vinham do campo e da cidade
Qual a canção? Qual a viagem?

Vinham p’rá escola. Que desejavam?
De face suja, iluminada?
Traziam sonhos e pesadelos.
Eram a noite e a madrugada.

Vinham sozinhos com o seu destino.
Ali chegavam. Ali estavam.
Eram já velhos? Eram meninos?
Vinham p’rá escola. O que esperavam?

Vinham de longe. Vinham sozinhos.
Lá da planície. Lá da cidade.
Das casas pobres. Dos bairros tristes.
Vinham p’rá escola: a novidade.

E com uma estrela na mão direita
E os olhos grandes e voz macia
Ali chegaram para aprender
O sonho a vida a poesia.

Maria Rosa Colaço
(poema musicado pelos Trovante no álbum «Baile no Bosque», 1981)


Este foi o primeiro poema que dei aos meus alunos do 7º. ano, na minha primeira aula, no primeiro ano que dei aulas, há mais de uma década, algures nos Açores. Deixo aqui esta homenagem a todos os meninos que hoje começam o ano lectivo. Espero que encontrem lá uma réstea do sonho da vida da poesia... e não apenas computadores!

quinta-feira, setembro 13, 2007

Hoje é o primeiro dia do resto da nossa vida...

Terá pernas para andar?

O que diriam vocês se vos fosse proposto participar num projecto de criação de uma Comissão apartidária que tivesse o objectivo de unir pessoas de todos os quadrantes políticos para formar uma força organizada que dissesse NÃO ao novo Tratado Europeu, que exigisse a revogação de todos os tratados, que exigisse a revogação do Tratado de Maastricht-Amesterdão e que se unisse na defesa e reconquista dos direitos e garantias contidos nas legislações de cada um dos países da União Europeia? Uma Comissão que se organizasse no sentido de fazer ouvir a voz daqueles que -- cada vez mais numerosos, em cada um desses países -- querem poder dizer claramente:

Basta de destruições!
Recusamos a subversão fundamental que a União Europeia decidiu operar -- submetendo-se, inteiramente, às exigências dos mercados financeiros
e às decisões da Reserva Federal dos EUA (FED)

O que diriam vocês?

Novo Blog da Escola Pública


A Comissão de Defesa da Escola Pública mudou-se para aqui.

Se a Educação é um assunto que lhe interessa
não deixe de visitar este blog!

Se é um cidadão empenhado em defender a Escola
não hesite em colaborar neste projecto!

quarta-feira, setembro 12, 2007

terça-feira, setembro 11, 2007

A Saga das Juntas Médicas continua...


carrega na imagem para ampliar


Leia aqui
o relato de mais um caso absolutamente surreal,
se não fosse tão real que dói!

sábado, setembro 08, 2007

Festa do Avante

Fui lá ainda criança!
Fui lá jovem cabeça no ar!
Fui lá com os namorados!
Fui lá de bebé no carrinho!
Fui lá com os filhos pela mão!
E hoje voltei lá, com a melhor das boas disposições, como acontece há 31 anos!

«Camaradas e amigos visitantes pede-se que abandonem o recinto.
A festa volta a abrir amanhã às 10h da manhã»

Serei camarada? Serei amiga? Serei camarada e amiga?
Ou sou só um dos muitos populares que teima em gostar da Festa do Avante?

Garrafada quase milagrosa


E pra governo fajuto, não tem não?

sexta-feira, setembro 07, 2007

A Corrente da Amizade

A Corrente da Amizade consiste em que cada pessoa escolhida indique mais dez blogues com o objectivo de agradecer a gentileza que tiveram de compartilhar connosco as suas artes, pensamentos e um pouco da sua vida. Depois de escolhidos os participantes, devemos fazer uma visita ao blog de cada um e deixar um comentário avisando da corrente. Aqui ficam 10 blogues de amigos bem queridos :

O Wehavekaosinthegarden primeiro porque considero o Kaos genial por tudo e mais alguma coisa.

O “Outminder” porque o Outsider apesar de andar ausente foi durante muito tempo um visitante assíduo do Pafúncio e uma excelente pessoa que nem mesmo na sua ausência deixou de dar o seu apoio num momento bem difícil da minha vida pessoal;

O “As Vicentinas de Bragança” porque o Arrebenta é para mim uma espécie de guru da blogosfera e porque as nossas intuições face à realidade são irmãs gémeas completamente desprovidas de uma moral cristã hipócrita e causadora de muitos dos males da nação (ex: parece que o António Calvário é bicha -- frase emblemática que traduz toda a realidade portuguesa). Além disso partilhamos uma paixão comum: Fernando Pessoa;

O Que Conversa! porque a Renda de Bilros é uma doçura de pessoa, que escreve poemas que eu gosto e uma excelente colaboradora no Conto Livre. Além disso tem uma paciência infinita para visitar o Pafúncio mesmo quando este anda desinspirado;

O Rei dos Leittões porque o João Rato é um amigo sempre presente e também encontrámos uma paixão comum que evocamos a toda a hora: José Mário Branco;

O A Sinistra Ministra porque a Moriae é uma amiga sempre pronta a ir à luta;

O Florzinha de Estufa porque a TC é uma amiga de peso que tem o dom de fazer florir tudo à sua volta e de tornar a blogosfera num lugar mais colorido e perfumado onde é possível apaziguar as almas cansadas de tantas politiquices e trafulhices;

O Oficina Cultural porque o Luiz Carlos Reis (saravá, Luiz Carlos!) tem muito bom gosto e sabe ser aquele amigo silencioso de quem não precisamos de muitas palavras para sabermos que está presente;

O A Braganzónia, porque a Porca da Vila também aparece sempre quando é preciso receber algum alento para continuar;

O Apanha Moscas porque o Luikki é daquelas pessoas que não papam grupos e que certamente não arredam pé quando for mesmo preciso dar a cara e ir à luta.

E cedi a esta corrente (ÚLTIMA VEZ!) porque acredito que é possível conservar um amigo no coração toda a vida mesmo sem o ver ou mesmo conhecer pessoalmente;

Porque acredito que há cumplicidades preciosas do outro lado do mundo que nunca nos chegam a olhar nos olhos, a todo este cordão da amizade dedico um poema de um amigo muito querido que nunca conheci: o Chico Buarque.

Cordão

Ninguém
Ninguém vai me segurar
Ninguém há de me fechar
As portas do coração
Ninguém
Ninguém vai me sujeitar
A trancar no peito a minha paixão

Eu não
Eu não vou desesperar
Eu não vou renunciar
Fugir
Ninguém
Ninguém vai me acorrentar
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder sorrir

Ninguém
Ninguém vai me ver sofrer
Ninguém vai me surpreender
Na noite da solidão
Pois quem
Tiver nada pra perder
Vai formar comigo o imenso cordão

E então
Quero ver o vendaval
Quero ver o carnaval
Sair
Ninguém
Ninguém vai me acorrentar
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder sorrir
Enquanto eu puder cantar
Alguém vai ter que me ouvir
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder seguir
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder sorrir

quinta-feira, setembro 06, 2007

Apelo à união das forças democráticas: Dizer NÃO à destruição da Nação!

Caros amigos Não sou militante do POUS mas tive conhecimento deste apelo que vos envio em anexo para lerem e subscreverem caso concordem com o seu teor. O texto foi escrito a pensar na Manifestação de 5 de Julho mas o seu propósito último é apelar às forças democráticas para que se unam contra as políticas ditadas pela União Europeia, as quais visam destruir os serviços públicos e o Estado social, colocando sectores estratégicos e essenciais nas mãos dos privados. É a isto que estamos a assistir: o povo português votou maioritariamente no Partido Socialista julgando assim escapar às políticas neo-liberalistas de Durão Barroso e agora encontra-se a sofrer as mesmas políticas ditadas de cima, a partir da União Europeia pelo mesmo Durão Barroso e seus pares e seguidas à risca pelo governo Sócrates. Por mim acho que este partido mostra muita coragem e bom senso ao apelar à união das forças democráticas no momento político que o nosso país atravessa. Cada um que decida por si próprio e em sua consciência se este apelo é pertinente e urgente e se merece ser apoiado e divulgado:

APELO

Aos militantes, aos trabalhadores, aos aposentados, aos estudantes

A 1 de Julho de 2007, Portugal toma a Presidência da União Europeia. Para assumir o quê?

O que todos nós temos bem presente é que, desde há quase dois anos, os trabalhadores e as populações não têm parado de se mobilizar, para defender os seus serviços de saúde, as suas escolas, a sua Segurança Social, as suas pensões de aposentação, os seus estatutos e vínculos, perante as medidas tomadas pelo governo de Sócrates.

E todos nós também estamos conscientes que estas medidas decorrem, em linha recta, da aplicação das directivas da União Europeia.

Pode dizer-se que, desde há muitos meses, a mobilização dos trabalhadores e das populações – através de concentrações, plenários, manifestações, greves sectoriais e greve geral – se tem virado para a maioria de deputados eleitos pelo PS, para lhe dizer: “É preciso parar com esta política ditada pela União Europeia. É preciso parar com uma política que fecha as escolas, as maternidades, os serviços de urgência e os serviços de saúde, uma política que destrói os estatutos dos professores e dos outros funcionários públicos; queremos de volta as nossas escolas, os nossos serviços de saúde, os nossos direitos democráticos, os nossos empregos e vínculos.”

Nesta situação, a CGTP fez o apelo a uma greve geral, para 30 de Maio, e apela, agora, a manifestar, a 5 de Julho, contra a flexisegurança – mais uma lei ditada pela União Europeia, que visa o despedimento sem justa causa, “o despedimento na hora”, rebentando com todos os direitos laborais consignados na Constituição da República Portuguesa.

Não será justo dizer que cabe às organizações sindicais a responsabilidade de organizarem a mobilização, em unidade, para impedir a flexisegurança?

Pela nossa parte, afirmamos: “É a unidade dos trabalhadores com as suas organizações, a todos os níveis – ao nível da CGTP e da UGT – que pode impor um travão à perca dos direitos dos trabalhadores, que pode parar com o desmantelamento e a privatização dos serviços públicos. É esta unidade que pode pôr um travão à ofensiva ditada pela Comissão Europeia.”

Todos estamos conscientes de que todas as conquistas democráticas e sociais – que estruturam o nosso país como uma nação livre e independente – foram conseguidas com o 25 de Abril de 1974. Todos estamos conscientes de que estas conquistas têm sido sistematicamente golpeadas e postas em causa pela política da União Europeia. Foi por não aceitar este estado de coisas que a maioria do povo derrotou os partidos que suportavam o governo de Durão Barroso e deu uma maioria absoluta ao PS, esperando que este partido – no Governo – começasse a mudar o que de grave tinha sido feito pelos governos anteriores, como o Código do Trabalho, os despedimentos e o trabalho precário, as privatizações, os ataques ao ensino e à saúde.

Actualmente, Durão Barroso está à cabeça da UE para prosseguir – à escala da Europa – a política que a maioria do povo derrotou em Portugal, nas eleições de 2005; para nos impor – em Portugal e a todas as outras nações da Europa – essa mesma política de privatizações, de destruição dos serviços públicos e dos direitos sociais e laborais.

Hoje, qualquer trabalhadora, qualquer trabalhador percebe que a política de Sócrates é a continuação refinada da política de Durão Barroso.

Por isso a maioria do povo português tem o direito de se dirigir a Sócrates, de se dirigir à maioria dos deputados do PS, para lhes dizer: “Rompam com Durão Barroso! Rompam com a União Europeia!

Por que não há-de a maioria da Assembleia da República, eleita pelo povo, assumir esta atitude?

Não foi isso que começou a fazer o governo dos Açores, quando se recusa a aplicar as “taxas de internamento hospitalar” e se recusa a dividir os professores em diferentes categorias?

Não foi isto que começaram a fazer, também, os deputados do PS, da Comissão de Saúde da Assembleia da República, quando responderam ao Ministro da Saúde, perante as mobilizações das populações com os seus autarcas, incluindo os do PS, para defender os serviços de saúde de proximidade: “Nós é que fomos eleitos, nós temos a última palavra”.

Subscrevo este apelo

Paula Montez - encarregada de educação; Manuela Oliveira - professora do Ensino Básico / SPGL; Maria da Luz Oliveira - professora do Ensino básico / SPGL; Mª Fernanda Ribeiro Almeida - simpatizante POUS; Maria Adélia Gomes - professora do Ensino básico / SPGL; Pedro Simas - estudante universitário; José António Mendes - estudante universitário; Vítor Amaral - funcionário do Ensino superior público; Margarida Pagarete - estudante universitária; Cristina Matos - estudante universitária; Rui Jorge Correia Costa - militante PS / Sindicato Trabalh. Função Pública; Maria Madalena Seixas - simpatizante POUS; Maria Manuela Seixas - trabalhadora da Saúde; Maria Antónia Santos - trabalhadora da Saúde; Leontina Rodrigues - trabalhadora da Saúde; Ilda Corte-Real - POUS / trabalhadora da Saúde; Dulce Maria Martins Rijo - trabalhadora da Saúde; António Leal Luís - militante do PCP / trabalhador da CP; Marina Elvas - POUS / trabalhadora da PT; Rosa Maria Sanches - POUS / contabilista; António Serra - Sindicato dos Gráficos; Lia Carvalheira – POUS / professora / SPGL; Manuel Ferreira - militante PS; Ester Luísa Dias – SPGL

NOME Organização política / sindical Contacto (e-mail; tel.)

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A iniciativa deste apelo partiu dos militantes do POUS abaixo assinados, cujos interesses não são distintos dos interesses dos restantes cidadãos.

Tomámos a iniciativa porque estamos convictos de que é preciso a acção conjunta de todas as forças políticas – bem como de todos os militantes e trabalhadores – que se reclamam da defesa das conquistas da revolução, da defesa de Portugal como uma nação livre e independente. Posição que é certamente partilhada pela maioria da população portuguesa.

Todos juntos nós podemos afirmar: “A maioria do PS, na Assembleia da República, não foi eleita para prosseguir a política de Durão Barroso.”

Em consequência, nós – militantes ligados ao POUS – dirigimo-nos a todos militantes e cidadãos que se colocam no terreno da luta pelo socialismo para vos propor que assinem este apelo, com um único objectivo: agir para a acção em comum para a defesa e retoma das conquistas de Abril, por um Governo verdadeiramente socialista.

Os militantes do POUS:

Carmelinda Pereira, Aires Rodrigues, Joaquim Pagarete, Santana Henriques, Carlos Melo, Maria da Luz Semedo, Helena W. Carvalho

Para correspondência: Rua de Santo António da Glória, nº 52 B, cave C, 1250 – 217 Lisboa

email: pous4@sapo.pt


quarta-feira, setembro 05, 2007

560...

Durante o período de férias tive tempo para reflectir e amadurecer algumas ideias que tinha mas que não passavam disso mesmo: ideias que depois no vórtice da vida prática não se traduziam em actos.

Uma delas procura seguir o exemplo de uma certa campanha que surgiu já há algum tempo – o Movimento 560 – o qual me parece correr o risco de cair no esquecimento. Tomei a decisão de, a partir do início de Setembro, passar a dar mais atenção à origem dos produtos que consumo, cingindo-me o mais possível aos produtos de origem portuguesa ou, pelo menos fabricados em Portugal: ou seja, aqueles cujo código de barras começa por 560…

Podem julgar que não é fácil e provavelmente têm uma certa razão porque a maior parte das pessoas acorre apressada a um super ou hipermercado e o seu objectivo é gastar o menos dinheiro que puder, ou despachar-se dali para fora com o que precisa o mais depressa possível, ou carregar para casa com o maior número de bens que o carro do supermercado comportar, ou conseguir poupar algum dinheiro nos bens necessários para poder gastar o resto num monte de bens supérfluos. Como todos nós já passámos por algum ou todos estes estados de espírito e muitos começam já a estar fartos deste seu próprio comportamento que torna a carteira leve e a consciência pesada (quem a tem e a preza), talvez o regresso de férias e o retorno à “vida normal”, seja um momento oportuno para repensar atitudes em que nos fomos mais ou menos inconscientemente viciando.

Entretanto, como por acaso – sou muito sensível aos “acasos” -- a revista da Proteste nº. 283 (Setembro/2007) trazia um estudo feito por áreas e zonas do país, apurando quais as grandes superfícies, supermercados e lojas onde os preços são mais baratos. Embora não esteja inteiramente completo (não encontrei um dos supermercados onde às vezes faço compras), pode servir de guia a quem se deseje lançar nesta aventura de passar a ser um consumidor mais cauteloso e exigente.

A minha última visita ao supermercado já foi coroada de êxito: só comprei produtos 560… tendo mesmo conseguido trazer para casa fruta portuguesa (no Alentejo cheguei a ver uns pêssegos cuja origem era “Portugal/Espanha” (!) – estariam misturados? Ou seriam do quintal do Saramago?)

O espírito é mais ou menos este: se não há bananas da Madeira, compra-se Rainhas Cláudias portuguesas! Se os melões são espanhóis, come-se meloas portuguesas. Acreditem que é uma aventura interessante e até estimulante, desde que se tenham apetites flexíveis, como é o meu caso. É até bem giro procurar nas prateleiras das bolachas as que são portuguesas e, como as há, uma pessoa sai de lá toda orgulhosa, com o ego nacionalista lá nos píncaros e a pensar coisas maravilhosas e reconfortantes como “se calhar se não estivéssemos na UE não morríamos à fome! Se calhar ainda estamos a tempo de passar sem ela!”

Está bem que não encontrei ali arroz português. O que é um espanto para quem tinha acabado de deixar para trás todos aqueles arrozais e me deliciado a comprar arroz made in Alcácer do Sal. Não comprei arroz! Hei-de comprar noutro sítio. E estava com muita pressa senão tinha feito o segundo passo da decisão: pediria para falar com alguém responsável e perguntava-lhe por que é que não havia ali arroz português e se a explicação não me agradasse (que quase de certeza não iria agradar!) pedia o livro de reclamações e escrevia: “consumo exclusivamente produtos portugueses e este estabelecimento não me oferece esta alternativa". Mas para isso é preciso ter tempo e muita paciência. Aqueles já estão marcados com o episódio do arroz e para a próxima visita não escapam.

Experimentem. Vão ver que ao princípio é divertido; depois pode tornar-se penoso, principalmente em certas alturas; mas depois a coisa começa a estar controlada: ali compra-se isto, acolá compra-se aquilo… e com o tempo acredito que se há-de poupar muito tempo porque o leque da oferta se restringe e já se sabe muito bem o que se vai à procura, não se anda de cabeça tonta a olhar para aquelas prateleiras todas a ver os nomes e os preços de 15 marcas de detergente. Acredito que a médio prazo tempo será dinheiro e que as mais das vezes o barato sai caro.

E digam lá se não nos tem saído caro julgar que a UE nos dava tudo de mão beijada e que podíamos deixar de produzir e viver felizes atolados em produtos mais baratos vindos de fora!

terça-feira, setembro 04, 2007

Prémio Blog Solidário e um poema

Imagem retirada daqui

Dedico este poema ao João Rato

do blog Rei dos Leittões

que tão amavelmente atribuiu ao Pafúncio

o título honorífico de

Blog Solidário

Ser Solidário - José Mário Branco

Ser solidário assim pr’além da vida
Por dentro da distância percorrida
Fazer de cada perda uma raiz
E improvavelmente ser feliz

De como aqui chegar não é mister
Contar o que já sabe quem souber
O estrume em que germina a ilusão
Fecundará por certo esta canção

Ser solidário assim tão longe e perto
No coração de mim por mim aberto
Amando a inquietação que permanece
Pr’além da inquietação que me apetece

De como aqui chegar nada direi
Senão que tu já sentes o que eu sei
Apenas o momento do teu sonho
No amor intemporal que nos proponho

Ser solidário sim, por sobre a morte
Que depois dela só o tempo é forte
E a morte nunca o tempo a redime
Mas sim o amor dos homens que se exprime

De como aqui chegar não vale a pena
Já que a moral da história é tão pequena
Que nunca por vingança eu te daria
No ventre das canções sabedoria

segunda-feira, setembro 03, 2007

Xutos e Pontapés na Torre de Belém

Estive lá e gostei de rever os XUTOS E PONTAPÉS
afinal cresci com eles!

Direito ao deserto



Ajudem-me

Ó carneirada mole

Levantem os cornos da

Palha

Os vossos pastores

São os vossos carrascos

E se fogem ao cão

Têm o lobo à vossa espera


Ai quem é

Quem me ajuda

Dá-me a mão

Dá-me ajuda

Ai quem é

Quem me ajuda

Triste sina

De quem se julga mais fraco

A vossa sina

Ó carneirada mole

Ajudem-se

Ajudem-se

Não tenho medo dos lobos

Nem paciência para o teu

Pastor

Ovelha negra

Carneiro preto

Eu vou direito ao deserto



letra: Tim

música: Xutos & Pontapés

domingo, setembro 02, 2007

Que bactéria transgena os convidados de "O Eixo do Mal"?

Estive à bocado a ver “O Eixo do Mal” e confirmei as minhas suspeitas. Há para ali betinhos naquele programa que nunca mais acabam. E vêm de férias todos assumidos que é um gosto ver. A Clarabela da intelectualidade lá voltou ela a destacar-se da ralé com aquela mania, mais tara que mania, que ela é que sabe, recordando-me o tempo em que o Scolari fazia lembrar o palhaço Batatinha quando dizia “faz o que o mister manda. Eu é que sei!”. Fala-se em qualquer assunto e ela não perde a oportunidade de dizer que duvida muito que alguém no nosso país saiba o que é milho transgénico. Só ela é que sabe, ela é que é a sumidade do nosso país. Será também engenheira?
Quanto ao Luís Pedro Nunes, o assumido betinho de direita, compreendeu-se hoje por que usa todo aquele perfume que a Clara referiu e que já se adivinhava, o gel, o ar de metrossexual convencido… Tudo para escapar ao cheiro a suor que o levou a trabalhar obstinadamente enquanto o povo passava férias, só para chegar ali agora e gaguejar belas deduções afincadamente elaboradas a partir das notícias do, diz ele “Verão mais quente (em termos de notícias) desde o Verão quente de Santana Lopes”. Extraordinário! E eu que passei o Verão todo a dizer aos meus botões que os gajos da Sic Notícias estavam tão desesperados sem notícias que ao fim dos primeiros dez minutos de telejornal já estavam a falar da telenovela da bola! A realidade é mesmo muito relativa! Mas também o senhor andou a espiolhar tudo o que era blog e comentário para nos atirar como aquelas flores fazendo-se assim passar também por supra-sumo como a Clarinha. Esta ficou logo histérica de ver o seu amigo a dar tanta relevância aos blogs, essa coisa abominável que ela tanto despreza, até quis mandá-lo calar.
Chegada a vez do José Júdice, esse sim desde sempre assumido betinho da linha, claro que o assunto lhe agradava, mais que não fosse para chamar pestilentos e malcheirosos aos activistas do “Verde Eufémia”, fazendo grande alarido e coro de gemidos de mão no nariz com a Clarabela que não suporta esses “hare kristnas”, essas miúdas de saia indiana, essas camisolas de lã do peru que todos podem hoje comprar nas feiras graças à globalização lançar cada vez mais todos esses povos na miséria e no desespero da emigração. O que preocupa esses dois é que essa gente que fede se possa alguma vez atrever em mandar molho de tomate nos seus coiros (ai que vontade!).
Entretanto o blogger Daniel teve que engolir aqueles ataques todos e fazer o seu papel de embrulho do Bloco de Esquerda assumindo a posição de também condenar veementemente a atitude daqueles activistas que, segundo ele, papagaio louro do Bloco, fizeram as coisas muito mal feitas. Não disse o quê mas suponho que deviam primeiro ter batido à porta da quinta do milho e pedir licença para entrar na propriedade privada e convencer com belos discursos, ao modo beato do Louçã, o proprietário, dizendo-lhe como o milho transgénico faz muito mal à saúde e aconselhando-o a plantar couves biológicas em seu lugar ou a fazer lá um acampamento turístico para os hare kristnas bem cheirosos do Bloco de Esquerda.

Mas se não chupas o programa, para que é que o vês?, perguntam vocês com toda a razão. É porque me agrada o formato do programa. Porque gosto de ver que nesta falta de Democracia ainda há lugar na televisão para as pessoas falarem umas com as outras, discutirem opiniões diferentes, contestarem-se, mostrarem os seus pontos de vista. O problema está nos convidados e no desequilíbrio social e ideológico que por lá se encontra. É que não há lá uma única alma para defender os pontos de vista das pessoas que não são betas nem de direita: ali são quase todos de direita e são mesmo todos betinhos. Ou seja, é mais um programa de aparências do que de essências: Embora pretenda ser um programa de livre opinião, discussão e expressão de ideias, com pretensões críticas, acaba por descambar num bando de betos a mandar umas bocas e a dar-se por muito inteligentes e bem pensantes, com tudo a pender para a direita e a piscar os olhinhos uns aos outros do alto da sua cumplicidade beta. Este programa há muito que saiu dos eixos!

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