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terça-feira, janeiro 13, 2009

«Educação ou Armadilha Pedagógica?» - um livro a ler

Imagem KAOS

“Escrevo este livro para alarmar os pais,

para que eles salvem os seus filhos (…)

A pedagogia moderna apenas serve para justificar

o abandono das ambições que tínhamos para os nossos filhos.

Temos, perante nós, uma verdadeira catástrofe cultural.”


Marc Le Bris

( Et vos enfants ne sauront pás lire… ni compter,

Editions Stock, Abril 2004)


«Por mais forasteiro que seja às questões educativas, suponho que nenhum dos meus imaginários leitores entenderá como é que, em plena era de pontiagudo conhecimento científico, de refutação de alicerçados saberes das ciências exactas, de demonstração quotidiana da efemeridade das teorias – é possível uma sociedade inteira seguir, em benevolente acatamento, em integral dogmatismo, em completa renúncia a qualquer exame crítico, as mais utópicas especulações teóricas de ciências não exactas. Como explicar que ninguém exerça, relativamente a elas, ao menos uns relentos da velha dúvida metódica, ditame impreterível de qualquer ciência? Como explicar que nos acorcovemos todos a uma inexplicável intangível autoridade científica dessas mesmas Ciências?

Reitero, para que fique bem claro aos olhos do meu improvável leitor, que não afirmo, de todo, a necessidade do retorno a um sistema educativo da mesma natureza do que foi experimentado pela minha geração. O que afirmo é que considero um dever de elementar patriotismo que acordemos os cidadãos para esta absurda contumácia em que perseveramos. Que é um dever de cidadania recusarmo-nos assistir à transformação do país no reino, por excelência, do mais funcional iletrismo e da mais arrevesada incultura básica geral. Que é um dever de cidadania recusarmos ver a Escola e os professores reduzidos ao exercício cego de práticas absurdas e à condição de bodes expiatórios das mais primitivas frustrações individuais e colectivas da administração, dos pais, dos alunos, da sociedade… Que é um dever de cidadania recusarmos ver o país sustentar opções de estrutura e enquadramento que ensarilham a Escola numa tremenda confusão quanto à natureza das suas tarefas. Que é um dever de cidadania denunciarmos o gigantesco desperdício em simulacros de formações, de cursos e de diplomas que não preparam para o exercício competente das mais básicas funções. Que é, em suma, um dever de cidadania pedirmos que arrepie caminho um Sistema que nos obriga ao abandono das ambições que temos para os nossos filhos e, visivelmente, ao bloqueio das ambições que temos para o nosso país.

Por entre indefinições, amálgamas e embaraços, a missão da Escola é, cada vez mais, impossível. Os docentes estão no limiar da sua resistência psicológica. E as tremendas tensões geradas no interior do Sistema não tardarão em provocar a sua implosão.

Dizia mestre Camilo: “É permitido aos versistas poetarem em prosa; mas as liberdades poéticas não ajustam bem nos debates circunspectos da res pública” (in A Queda de Um Anjo, cap IX)

Deixemo-nos, pois, de “poetar”: assentemos os pés em terra! Façamos algo! Tornemo-nos a Escola possível! Devolvamos-lhe a sua função, a sua autoridade e a sua dignidade!»


“Conclusão” in Educação ou Armadilha Pedagógica?, Manuel Madaleno, Papiro Editora, 2006


Esta é a conclusão tirada por Manuel Madaleno ao diagnóstico que se faz da Escola Pública portuguesa, o qual vai sendo traçado nas suas várias vertentes ao longo dos capítulos do livro, cuja leitura aconselho. Podemos não estar de acordo com tudo o que é dito mas não há dúvida que o autor põe o dedo nas feridas onde mais dói ao actual sistema educativo e ao modo como funcionam os Agrupamentos no interior de um Sistema altamente falacioso.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Pode o ensino em Portugal sobreviver à trafulhice reinante?

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«estabilidade» não permite mais colocações"???

http://diario.iol.pt/sociedade/educacao-ministra-lurdes-rodrigues-desemprego-professores-colocacoes/986930-4071.html


Fonte: IOL Diário

Tanto faz rir como chorar ... A Ministra da Educação diz que a «estabilidade» não permite mais colocações e pior ainda: "Lurdes Rodrigues acredita que os professores desempregados «terão a sua oportunidade», mas fora do sistema de ensino" (IOL Diário)

(recebido por mail)


Bem, das duas uma: ou andaram a estudar para serem professores e afinal vão ter que acabar a trabalhar numa caixa de supermercado, a ganhar miseravelmente; ou então vão mesmo conseguir dar umas aulinhas fora do sistema, contratados por uma empresa manhosa que lhes arranjará umas horas nas escolas a assegurar as Actividades de Enriquecimento Curricular e a ganhar miseravelmente, claro.


Trapaceiros!!!


" Os Meandros Do Destacamento por Doença


Passo a publicar o testemunho e os resultados da curiosidade de um leitor e comentador deste blogue, que por razões óbvias pediu para ser reservada a sua identidade, acerca dos truques que estão a caracterizar o Destacamento por Doença, aqueles que só são detectáveis por quem anda nisto há muito tempo e sabe que é necessário estar sempre à espera do pior. (...)" (Paulo Guinote, A Educação do meu Umbigo)

Leia na íntegra e distraia-se com a actividade de expressão dramática:

Fonte: Paulo Guinote, A Educação do meu Umbigo



Casos de sucesso do esforço do governo

Diz a Ministra à TSF:

"O esforço do governo, tem sido compensado pelos resultados dos alunos."

Já o "Expresso" (apud J.P.C.) noticia:

"o caso de Luís, 15 anos, que passou para o 7.º com oito negativas e uma positiva (a Educação Física)".



Publicada por Moriae em 'a sinistra ministra' a 9/02/2008 09:35:00 AM




segunda-feira, janeiro 07, 2008

A Arte de Escolher Intervir



“Não sei por onde vou / Não sei para onde vou / Sei que não vou por aí.”

Com o grito rasgado do poema de José Régio começo o meu manifesto convivencial ou a arte de resistir.

Chegou também a minha hora de dizer: Basta!!! E irei assim intervir civicamente na vida pública deste país.

Prometo resistir de forma pacífica, mas muito activa, a este permanente, sistemático e ardiloso ataque ao Sistema Educativo Português. Atenção que ainda estou a chamá-lo Sistema Educativo e não Sistema Produtivo que é aquilo em que o querem transformar. O triste é que o Ministério da Educação se tenha convertido num Ministério de Produção. O paradigma que preside e orienta as novas reformas educativas é sem dúvida o paradigma industrial, empresarial e produtivo. A transformação da escola numa empresa e do processo ensino e apren

dizagem num processo produtivo pressupõe a metamorfose do aluno em matéria prima e do professor num fabricante de objectos.

Pensava eu que o aluno era um ser humano único e irrepetível, um tesouro incomensurável que nunca poderia ser reduzido à dimensão de um objecto, pela sua transcendência e grandeza. Afinal estava enganado!

Pensava eu que a relação pedagógica se revestia de um carácter extraordinário, quase miraculoso. Julgava que o professor era muito mais que um mero executante ou manipulador de objectos. Concebia o professor como um ser especial com a mais digna e nobre missão: ajudar a formar pessoas. Confesso que estava errado nos meus pressupostos.

No inicio da legislatura, a Sra. Ministra utilizou um argumento absolutamente definidor da sua concepção de Educação. O investimento no ensino cresceu – dizia – nos últimos vinte anos tanto por cento (não me lembro quanto!) e o sucesso escolar não acompanhou esse crescimento; retirava daí o seguinte corolário: os professores são culpados e devemos fazer com que os professores produzam mais sucesso.

Para que os professores se tornem mais produtivos devem passar mais tempo nas escolas e em paralelo é necessário que os alunos também passem mais tempo a aprender. Este é o pensamento da regra de três simples ou da proporcionalidade directa. Mais tempo a produzir maior produção, maior espaço temporal a aprender maior volume de aprendizagens adquirido. Fabuloso!!! Uma ideia genial. Como é possível que não tenha sido pensada antes? Será talvez porque os alunos não são pregos, nem parafusos, nem salsichas... nem outro objecto qualquer e os professores não são produtores de pregos, nem parafusos... nem de outra coisa qualquer? Será talvez porque uma criança não é equiparável a nenhum objecto por mais precioso que este seja?

Esta ideia de que mais tempo nas escolas por parte dos alunos equivale a mais e melhores aprendizagens corresponderá à realidade? Bom se é assim tão simples, eu proponho que os alunos portugueses comecem a pernoitar nas escolas e passem também os fins de semana e férias nas instituições escolares. E desde já auguro que em vez de 22% na diminuição do insucesso escolar em dois anos, como aconteceu até aqui – segundo a ministra – atingiremos, estou certo disso, nos próximos dois anos um país repleto de jovens sábios!!!

A fórmula mágica que a Sra. Ministra encontrou pode ser a solução para as finanças públicas a curto prazo, mas tenho a certeza absoluta que não é o bom caminho para uma educação integral, saudável e digna. No imediato poupou milhões de euros e publicitou que tornou o ensino mais eficaz. Posso afiançar-lhe que, a longo prazo, destruiu um sistema de escola pública, que podia ter muitos defeitos mas tinha grandes potencialidades que acabou por arrasar e delapidar de forma irreversível.

Transferiu os problemas imediatos para o futuro. Os alunos actuais crescerão e irão ser adultos pouco equilibrados e pouco saudáveis mentalmente, e a Sra Ministra contribuiu em muito para que tal acontecesse.

Os milhões que poupou na educação, posso assegurar-lhe, que irão ser investidos no futuro, na construção de novos hospitais psiquiátricos e prisões, e esses recursos que poupou não chegarão.

A ministra tocou de forma muito imprudente e precipitada num mecanismo muito complexo que é a educação e formação das pessoas. Fez contas de merceeiro e simplificou de forma irresponsável aquilo que é enigmático e problemático por natureza. Foi uma opção!!! A Sra. Ministra é a prova provada de como uma única pessoa determinada mas imprudente pode fazer tanto mal a tanta gente no imediato e no futuro, pois as seqüelas destas decisões arrastar-se-ão por gerações.


António Duarte Morais

Escola Básica Integrada de Eixo

D' O Cartel (recebido por mail)


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