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domingo, junho 17, 2007

Resposta ao "Desafio sobre ... leituras"

Aceitei este desafio porque veio da Renda, mas avisei-a logo num comentário que eu hoje em dia pouco leio livros, muito menos inteiros; às vezes no Verão lá consigo ler alguma coisa até ao fim. Mas já dou por mim a ler pedaços de livros e admito com naturalidade estar a entrar naquela fase da vida em que se põem em fila de espera vários livros para ler; Das coisas que eu mais guardo saudade é de quando eu não precisava de cuidar de ninguém senão de mim própria e que seguia por esse metro, esses eléctricos fora a devorar livros, ou em que andava por aí de Fernando Pessoa debaixo do braço pelos bancos de miradouros e jardins. Agora é mais a música que traz até mim as palavras certas, de uma forma mais imediata e permitindo-me uma certa mobilidade. No entanto tenho a casa repleta de livros, uns que li, outros que ainda não, outros que provavelmente já nem lerei e mesmo agora todos os dias os quero sentir por perto.

Este era um assunto que atormentava o meu pai para o final da sua vida. Dizia: eu já não tenho tempo de vida para ler nada disto; notava-se que sentia pena de não ler até os já lidos e relidos. Mas ele antes de estar doente era um leitor excepcional, daqueles que numa noite devoram um livro, conseguindo abstrair-se de todo o caos em volta. Quanto a mim, nem por isso. Levo muito tempo a ler, presto muita atenção à escrita e não consigo dispor da continuidade e da atenção necessárias para seguir um livro até ao fim. Desisto muitas vezes de continuar a ler um livro começado. Os da minha geração são dos primeiros que já se queixam de terem demasiadas solicitações para que consigam reservar algum tempo do dia à leitura; ou que têm demasiadas inquietações para se concentrar no enredo de um romance, enquanto o país real está no maior descalabro.

Conheço um amigo que vive só, que não tem nada em casa, só livros. Nem a maldita televisão, nem uma aparelhagem, nada (eu não era capaz de viver sem música), só livros. Quando soube senti uma certa atracção pela ideia mas eu não vivo só, a televisão está quase sempre ligada e há um rádio ou leitor de CD em cada quarto, até mesmo na casa de banho, local por muitos eleito para a leitura mas que para mim nem por isso.

Aqui fica pois a resposta ao desafio, sem cronologia nem nenhum critério literário, apenas assim de repente o que me veio à ideia:

- A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón (um livro bom que ando a ler há que tempos)

- O Triunfo dos Porcos (Animal Farm) do George Orwell (ainda e sempre adaptável à realidade, li-o há pouco tempo aos meus filhos, que também não gostaram dos porcos)

- Alexandra Alpha, do José Cardoso Pires (do qual guardo boas memórias)

- Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro/Fernando Pessoa (porque é tão simples e tão complicado que nos ensina que um poema é um poema entre muitas outras coisas)

- Ilíada, de Homero (porque é um monumento que não está nem um pouco em ruínas onde se apreende sempre mais qualquer coisa)

E estas são as minhas “vítimas” para escolherem os seus livros de eleição:

Linhas de Pensamento

Rei dos Leittões

Espreitador

Classe Política

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