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terça-feira, setembro 09, 2008

Reflexões na ressaca da Festa do Avante

Posted by Picasa
Festa do Avante 2008


Diz uma amiga de longa data que quem já por lá andou acaba por lá voltar. Eu tendo a concordar com ela porque faço parte dos que sempre voltam à Festa do Avante. Em absoluto não temo conotações políticas. Sou de esquerda, desde que ganhei consciência sempre fui e isso basta-me. Tal como alguns têm a sua própria concepção de divino eu tenho a minha própria concepção da esquerda e essa já se tornou num princípio, já ninguém ma tira. Estou do lado do que me parece justo e verdadeiro. Com muito cuidado para não me deixar levar pelas aparências. E isto porque a esquerda não é linear. Não há só uma esquerda, há muitas tendências de esquerda que enveredaram por formar partidos políticos diversos. Ora o triunfo da esquerda sobre o sistema capitalista depende da unidade de todas as vozes contra esse poderoso inimigo do bem estar dos povos. Quanto mais a esquerda se dividir, mais o capitalismo se fortalece. Já houve um tempo em que o capitalismo era próspero, na medida em que investia e produzia, gerava emprego e não desemprego, apesar de sempre ter sido explorador da força de trabalho, desvalorizando-o face aos meios de produção e graças à invenção do seu direito à propriedade privada. Mas hoje o capitalismo produz em excesso e consome em excesso, apropriando-se e destruindo indiscriminada e irracionalmente todos os recursos. O capital financeiro que nada produz senão lucros e prejuízos; a ambição desenfreada do lucro rápido e desmedido obtido através da desvalorização do trabalho e do despedimento em massa, são hoje estratégias desesperadas que minam as sociedades. Guerras, fomes, catástrofes ambientais são hoje consequências do desregramento e do egoísmo de muitos séculos de sistema feudal e gestão irracional. A "globalização" veio instituir o capitalismo como o modelo vencedor mas a realidade mundial desmente a sua eficácia em gerir racionalmente o planeta.
Quanto ao socialismo ainda está por cumprir mas a falência da actual ordem mundial exige a mudança de rumo. Ou queremos continuar a esgotar o planeta e oferecer de mão beijada os recursos que permitem a sobrevivência da Humanidade ou nos unimos e lutamos por uma nova ordem mundial capaz de os repartir com mais justiça e equidade.




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