segunda-feira, maio 11, 2009
Rap da Globalização
Globalização
Nenhum sistema político é eterno
Nenhum é totalmente justo...é efémero
A cada dia que passa estamos mais longe
do capitalismo consumismo e imperialismo
cada dia que passa estamos mais longe
da desigualdade fome e tristeza
a cada dia que passa estamos mais perto
doutra coisa melhor de certeza
o capitalismo incita destrutivismo
o culto ao dinheiro poder fama e egoísmo
culto à porcaria ou festas de civismo
à corrupção para ter sucesso e dinamismo
campanhas de solidariedade para ter mediatismo
culto à ignorância para ter o monopolismo
que é dado pelos media com o todo cinismo
Agora expliquem-me como é que
no meio de tanta pluralidade de tanta cultura
de tanta identidade de tanta amargura
de tanta diferença económica de tanta diferença metódica
no meio de tanta e principalmente diferença social
querem globalizar tudo a uma escala Mundial?
Com globalização os países não se ajudam
aproximam-se para sugar e ver quanto facturam
A globalização é uma desunião disfarçada de união
onde somente o mais forte ganha vantagem
e o mais fraco é simplesmente deixado na margem
obrigando a ter falta de originalidade
fazer tudo o que o mais forte faz e sem capacidade
para pensar e agir em conformidade
com os seus interesses e do seu povo
que é sujeito a importar tudo o k é internacional
esquecendo se que o melhor e mais seguro é NACIONAL
perde-se assim autenticidade e patriotismo
ganha se falta de capacidade de pensar e consumismo
A globalização tem sido um avanço!
assim é nos apresentada
se um avanço e sermos todos iguais quero um recuo
e se não vier um recuo eu não vou ser mais um recluso
desta globalização que tem eliminado línguas
massacrado culturas atrasando a verdadeira meta
imposto uma única visão do mundo como correcta
Será que vou andar na rua e ver
pessoas a lutar para sobreviver
vitimas deste sistema que não tolera diferença
gera pobreza, massificaçao e alienação
ao império que nos leva à destruição
sábado, agosto 30, 2008
Showbizz
Ontem (ver video) Al Gore foi feliz com a piada sobre reciclagem: disse qualquer coisa parecida com “gosto de reciclagem mas isto é ridículo”. Referia-se às propostas políticas de McCain, suja reciclagem das imundas políticas praticadas por Bush.
A primeira vez que li sobre Al Gore a minha intuição – preciosa intuição eu tenho! – indicou-me que Al Gore era mais do mesmo, ou seja ele próprio uma reciclagem do sistema capitalista. Certo que havia (e há) uma deslocação do eixo, um certa viragem, não nos fins mas nos meios com que se obtêm os fins. Se Bush alimentava o negócio do petróleo e lucrava com a guerra, Al Gore procurava lucrar com o negócio dos bio-combustíveis e das energias alternativas, apenas porque o petróleo não é o seu ramo.
Coincidente com Obama, como se pode comprovar agora, no que diz respeito a não olhar a meios para atingir os fins: na América até a política é um espectáculo, mas hoje, Al Gore e Obama eram um encontro de vedetas que gerou filas de três quilómetros de gente deseperada por os ver mudar o mundo.
Estamos perante uma luta política do poder pelo poder. e duvido muito que esses dois queiram realmente mudar as regras do jogo para jogarem limpo e não para fazerem batota com o povo americano e com o mundo em geral. É evidente que o mundo já não aguenta a ameaça das estratégias de Bush e seus perigosos conselheiros (Bush sabe lá delinear uma estratégia sozinho!). Mas esta alternativa Al Gore/Obama, embora afirme uma tendência ecológica, não me cheira nada bem, como a gasolina verde. Há ali interesses económicos que nunca mais acabam, como se estivessem prestes a reorientar os negócios chorudos, deslocando o eixo para outras negociatas que vão dar no mesmo esgotamento do planeta (basta lembrar os perigos dos bio-combustíveis). É certo que os outros, mais velhos, estão a ver o capitalismo que engendraram triunfante à beira do fim, tão predador e desesperado como eles próprios, moribundos, quase ardendo nos quintos dos infernos. Por isso criam uma máquina cada vez mais rapidamente devoradora (com as regras do capital financeiro que nada produz e tudo controla, com a guerra, o consumo, o endividamento cada vez mais generalizados) que quanto mais imponentemente arde, mais se consome e extingue (imagem soberba do meu amigo Kaos, já outras vezes aqui usada). A minha preciosa intuição diz-me que o Obama é mero fogo de vista para uma verdadeira mudança de rumo do planeta que tantos cada vez mais desejam. Ao apontarem uma alternativa estão lançando o isco que atrai multidões que apenas querem outra coisa, não importando para já que tipo de mudança se propõe, desde que vão atirando todas as culpas em Bush e convençam os mais crédulos que vão fazer diferente.
A euforia com que o mundo está a aceitar Obama mostra a vontade colectiva da mudança de políticas, mas a maior parte das pessoas que apoiam Obama nem sequer questiona que a sua campanha é apenas um showbizz enganador, bem montado e bem apoiado, que nunca irá converter a globalização em cooperação e gestão racional e consciente dos recursos mundiais. Os negócios apenas tendem a mudar de mãos, ou nem isso. E as guerras irão apenas deslocar seu alvo para outros eixos, como melhor lhes convier.
Estamos perante a eminência de uma deslocalização do poder para um poder outro, mas a minha intuição diz-me que este, com o tempo também se virá a revelar uma verdade inconveniente.
Veja também o video alternativo.
sábado, julho 26, 2008
o Novipretoguês
É um facto que eu nunca vou escrever “facto” como se de um fato se tratasse. De facto não é porque de repente um grupo de mentecaptos de fato se lembre de alterar a grafia da Língua Portuguesa que faz com que milhões de pessoas no mundo passem a escrever como eles querem que se passe a escrever. Claro que têm a faca e o queijo na mão para impor a norma: criem-se correctores ortográficos informáticos, espalhem-se pelo mundo lusófono professores amestrados no novo acordo, mandem-se escrever em todos os jornais a Novilíngua. Encontrarão ainda a resistência dos que sabem escrever
No próximo ano "letivo" quem irá leccionar?
Em breve vamos ter aí uma geração de engenheiros que saberá escrever correctamente em Novipretoguês, apta a comunicar com os seus parceiros e a negociar com eles, para bom entendedor meia palavra basta. Educados nesse suporte linguístico basicamente artificial (e artificioso), terão cada vez menos ligação com a língua dos seus avós. Despojados do ensino, os clássicos da literatura serão em breve antepassados dos dinossauros escolásticos que já são para a maioria dos alunos portugueses. E já não estou a falar das Cantigas nem do Gil Vicente, refiro-me a obras de há um, dois séculos, Eça, Pessoa, todos os que foram mestres a usar a língua para exprimirem o seu pensamento. Este último viria mesmo a recusar-se a abandonar a grafia do “y”, imposta por um outro acordo, por lhe lembrar o pescoço do cysne. Por isso continuou a escrever como bem lhe apeteceu.
Pergunto-me se alguma vez o Saramago e o Lobo Antunes vão permitir em vida que editem a sua obra em Novipretoguês… Pergunto-me se os Estados vão dar subsídios aos lobbies editoriais que para aí se vão fortalecendo para “traduzirem” as suas obras para Novipretoguês…
O processo de formação dos crioulos é em tudo semelhante, excepto que nasceu da oralidade. Com a necessidade de os colonialistas negociarem com os povos colonizados, simplificaram a sua língua, tipo: eu branco, eu mandar. Tu obedecer. Isto para mais facilmente se fazerem entender. Com o advento da Globalização é agora a língua de origem, o Português que mais se deverá modificar e adaptar às mudanças.
Esta nova língua que querem engendrar é um crioulo artificialmente criado para facilitar negociatas. Mudaram-nos o dinheiro, mudaram-nos os hábitos, querem-nos agora mudar a Língua. Somos um povo cada vez mais aculturado pelas exigências da globalização. A verdadeira globalização não é este desrespeito pelas características que definem os povos. Esta globalização é o capitalismo a minar tudo, a destruir tudo à sua volta.
quarta-feira, julho 16, 2008
Limpezas e Empecilhos
Em casa, limpezas de cima abaixo, tipo tirar tudo de um quarto, limpar e pôr tudo lá outra vez. Ontem tirei tudo, hoje a senhora que trabalha aqui em casa limpou e agora não consigo fazer a parte final de lá encafuar tudo o que ficou de fora. Olho o quarto quase vazio e desejo que assim continuasse. Tantas coisas que acumulamos e depois não nos conseguimos livrar delas, perseguem-nos pela vida fora como empecilhos que queremos conservar.
Tive necessidade de não o fazer hoje, apetecia-me estar aqui no computador, como quando não se pode e se tem outras coisas para fazer. O Inverno todo, e mesmo durante a Primavera, o caos foi-se instaurando aqui em casa: livros empilhados, papelada pelas cadeiras, coisas sem sentido que foram ficando por arrumar, enfim uma desorganização de todo o tamanho, pó e pelos de animais. É que as noites passadas sucessivamente no teclado traduzem-se em desordem aqui no espaço físico. E quando se olha à volta e se toma consciência disso, é que se mede as consequências.
De volta ao computador começo por ver os mails e o tempo vai passando de assunto
De repente, de um modo quase aleatório, intuitivo, resolvo arrumar com um assunto: a associação de pais entra declaradamente
Como bem diz uma amiga, sem organização não se faz nada.
Entretanto o Pafúncio foi-se reduzindo à sua inactividade burguesa. Está de mãos e pés atados, com a crise, resta-lhe ficar quietinho à espera que passe o mau tempo. Aquilo lá para os Estados Unidos não está nada bem. Como abana por todos os lados o grande pilar do capitalismo global… Se estoira vai chover merda em Moscovo! Como bom Pafúncio que é, de brandos costumes, o melhor é não dar muito nas vistas e, já que não pode assobiar para o lado fingindo que não é nada com ele, pelo menos não se mete em politiquices não vá isto ainda dar a volta e ele estar posicionado do lado dos vencidos. Ainda se lembra quando teve que arranjar um cravo à pressa. Quem lhe dera a ele que a política não se viesse meter com ele, que a crise não lhe fizesse resvalar o lucro para o abismo, poder sentir-se seguro, sem medo de violências, para se poder entregar aos prazeres da vida. Felizmente está quase a ir de férias, este Pafúncio, onde se poderá esquecer de todas as dificuldades e aliviar o stress acumulado. Haverá alguém que o mereça tanto como ele?
terça-feira, maio 20, 2008
quinta-feira, maio 01, 2008
Catástrofe (anti)natural da Globalização
Não se vislumbra o fim da crise do emprego. Muito pelo contrário: após avaliação dos levantamentos por parte do Banco Mundial da OCDE, do McKinsey Global Institute, do Grupo de Pesquisa dos Líderes do Mercado Mundial para o Aconselhamento de Empresas, assim como de numerosos ramos de serviços e de relatórios de negócios, os autores deste livro chegam à conclusão de que nos próximos anos adicionais 15 milhões de trabalhadores e funcionários da União Europeia irão temer pelos seus empregos a tempo inteiro, quase o dobro do que no Verão de 1996 já estavam inscritos no fundo de desemprego.
Os beneficiários da economia sem fronteiras gostam de explicar a crise como se fosse uma espécie de processo natural. «A competição na aldeia global é como uma grande cheia:ninguém lhe consegue escapar», profetizou em 1993 o então director da Daimler-Benz Edward Reuter. Após três anos e a extinção de um milhão de postos de trabalho, Heinrich von Pierer, timoneiro do grupo Siemens, repete a mesma mensagem com as mesmas palavras: «O vento da competição transformou-se numa tempestade e o verdadeiro furacão está para chegar.» A integração da economia para além de todas as fronteiras não é, de forma alguma, determinada por um progresso técnico linear que irrompe e ao qual não há qualquer alternativa. Ela é, sim, o resultado de uma política governamental conduzida conscientemente durante décadas pelas nações ocidentais industrializadas, à qual se dá continuidade até aos dias de hoje.»
(excertos de A Lei dos Lobos, in A Armadilha da Globalização - O Assalto à Democracia e ao Bem-Estar Social, Hans-Peter Martin e Harald Schumann, Alemanha, 1996, Terramar)
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Estamos a beber o leite que o diabo mugiu
Hoje estou verdadeiramente irada com as notícias acerca do aumento do leite (+ 15 cêntimos!). Esta revolta não é tanto pelo aumento (embora seja escandaloso) mas mais pelas causas. Aqui há anos, quando ainda se falava de CEE, lembro-me perfeitamente de ter achado um crime estarem a exigir que déssemos cabo da nossa produção nacional de leite (principalmente nos Açores), para cumprirmos as quotas leiteiras. Já na altura era mais que evidente que essa medida espatafúrdia e perigosa para a nossa economia, era um atentado à produção nacional e tinha o sinistro objectivo de acabar com o que é nosso para nos tornar dependentes do leite estrangeiro. Aliás, metodicamente, foi o que a CEE ou UE fez e tem feito em relação a tudo o que nos assegurava alguma independência nacional; aliás, a destruição é hoje apanágio do capitalismo global que em vez de produtivo é essencialmente destrutivo, alimentando-se das grandes transacções fantasma do capital financeiro. Agora eis os resultados: o que era tido como "excesso de produção", é agora apontado como "produção insuficiente". São pois evidentes as consequências das políticas económicas a que nos obriga a União Europeia, sempre em nome das leis da globalização. A União Europeia, que sempre tem sido apontada como única solução, revela-se a causa primeira do descalabro a que chegámos. A nossa nação, que já de si tinha parcos recursos, tem sido desde então metodicamente desmantelada nas suas forças produtivas. Tornámo-nos entretanto um dos países mais dependentes das importações e por isso somos tidos como um bom parceiro económico que destrói o que tem de produtivo para passar a ser mais um cliente dependente dos produtos dos países europeus, as mais das vezes de pior qualidade. E o que mais me custa é que sejam os nossos dirigentes a pactuar e a abrir portas a esta destruição. De Mário Soares a Sócrates, todos têm sido co-autores desta afronta à nação, bando de anti-patriótas vendidos e sem-vergonha. Vão todos mamar na burra!
quarta-feira, dezembro 26, 2007
SeBento XVI e a cínica encenação da sua benção "Urbi et Orbi"
Este ano a benção papal “Urbi et Orbi” fez uma espécie de levantamento de todos os males que vão pelo mundo (ver aqui). Falou do Dafur e do Afeganistão e do Iraque, das catástrofes humanitárias e bélicas e ainda do perigo que corre o equilíbrio ecológico terrestre devido à “exploração imprudente dos recursos naturais”. Aguardei mais um pouco para ver se depois de referir os males apontava o dedo às causas, mas de capitalismo desenfreado e de globalização nem uma palavra. Na sequência daquele discurso social e humanitário seria de esperar que se apresentassem as soluções, o modo como a humanidade devia proceder: a condenação do consumismo e do lucro desmedido das multinacionais, a acusação aos senhores do mundo cujas políticas económicas exploram desmedidamente os recursos naturais, dos governantes que são causadores das guerras e dos conflitos, de uma globalização que não faz senão gerar maiores desigualdades. Mas não. Cinicamente este Papa, também ele afinal um desses senhores do mundo, vem no final dizer ao rebanho que a solução para tudo isto pode ser divina e que os fiéis devem… orar, pois a salvação do mundo só se poderá obter pela oração! Ou seja, a salvação do mundo não está para a igreja católica na capacidade humana de inverter o sentido de uma marcha acelerada para a destruição da própria humanidade. Essa responsabilidade continua ad eternum a ser relegada para o plano divino enquanto cá na Terra progride o pecado capital. E, como sempre, aos pecadores prescreve-se que rezem mais, que quanto mais pecadora for a humanidade mais orações deverá fazer. Por isso quanto mais crentes formos nessa suposta solução divina menos devemos agir e mais fervorosamente devemos rezar, depositando assim os destinos do mundo na mão de Deus. Na mão de Deus que, dizem, é todo espírito e luz? Que me perdoem os crentes, pois não há maior falsidade que a religião católica!
quarta-feira, setembro 19, 2007
domingo, julho 01, 2007
Morte da princesa Diana/Globalização
segunda-feira, junho 25, 2007
segunda-feira, junho 11, 2007
Anti-globalização
Cada vez há mais as manifestações contra a actual forma como o mundo está organizado. Cada vez essas manifestações são mais reprimidas, afastadas dos alvos que visam atingir, minoradas pelos meios de difusão de notícias.
Uma manifestação de protesto contra a globalização, uma série de manifestações a cada passo do G8, um protesto, uma greve, uma opinião diferente, tudo pouco relevante para quem cabe a tarefa de informar, de dar conta das várias partes implicadas. Por que são os países mais ricos a decidir questões que deviam ser defendidas pela ONU?
As notícias sobre esse tipo de reacção contra o sistema vigente, passam despercebidas no meio de outras mais mediatizadas ou nem sequer passam. Não fossem os blogs e notícias dessas morreriam à nascença. Esta é uma função que me parece ser importante que os blogs assumam a seu cargo: não deixar branquear a notícia, não deixar que ela caia no esquecimento. Sei que há notícias que nem se chegam a saber. Outras que fazem uma breve passagem e depois desaparecem mesmo da Net. Certas notícias deviam ser guardadas, constituir arquivo vivo, continuarem a servir de advertência, serem medidas com as consequências que desencadeiam. Quase todos os dias recebo e subscrevo petições já subscritas por milhares de cidadãos de todo o mundo que dão o seu nome por uma acção, pela defesa de uma causa. Mas não há notícias que dêem conta desse descontentamento.
Os descontentes sentem-se isolados, têm receio de expressar a sua opinião; julgo até que há gente que acerta uma opinião pouco firme para exibir em sociedade e que conserva para si a sua opinião mais radical. Hoje em dia muitas pessoas vivem formatadas para se conformar ao estado das coisas. Quer isto dizer que vivem conformadas com a pior das realidades, assumem a forma em que se encontra o mundo ou o seu país como uma contingência, uma tautologia conformada: a realidade é a realidade é a realidade é a realidade e não saem disto. É preciso dizer às pessoas que elas não estão sós, que o seu desespero não é autista, é bem real, e que existe um sentimento generalizado de que o mundo não está a ir no bom caminho.
Descontentes de todos os países, uni-vos numa só voz para dizer "não" à globalização enquanto esta for sinónimo de um desenfreado capitalismo internacional predador e causador de toda a destruição.
quinta-feira, maio 31, 2007
Balanço retratado de um dia de greve geral

Uma amiga ligou-me de manhã: ouviste esta – perguntou – ainda não eram 08:30h já os noticiários do rádio diziam que a adesão à greve tinha sido fraca. É o que fica gravado na impressão das pessoas quando obliquamente escutam a notícia. É como os cabeçalhos dos jornais, num relance é o que fica. (Dois principais jornais diários: num a ausência da greve; no outro a greve -- tudo passado no mesmo país: o país do deserto, da areia para os olhos dos pobres camelos abandonados à sua sorte -- e ao nosso azar de ter estes oportunistas a mandar em tudo, com maioria) -- Então e a manif? Sabes onde é a manif? Eu não sabia mas estava certa de que ia haver. Afinal enganei-me: não havia manif, nem marcha de protesto contra as políticas do governo, nem sequer um encontro de descontentes em frente ao palácio de Belém como nos tempos do Santana Lopes. NADA.
Ao longo da manhã fui ouvindo no Fórum TSF as mais inacreditavelmente tacanhas opiniões sobre a greve: que a greve era controlada pelos comunistas que ainda não se tinham apercebido que tinha caído o muro de Berlim; uma brasileira a dizer que a greve só impede a ordem e ao progresso necessários ao país e que tínhamos era que produzir ainda mais; que os grevistas eram uns malandros de uns comunistas que não deixavam o governo endireitar o país e tal. No meio desta pobreza franciscana que sobrou de um país atrasado por 48 anos de fascismo e ditadura, um país mesquinho, dissimulado e masoquista capaz de querer um governo que o desqualifica e rebaixa, eis que surge uma opinião clarividente: um socialista liga dizendo que se envergonha de ter votado neste governo, um socialista que se assume publicamente lesado por um governo que se diz socialista e que não é. Quantos destes socialistas íntegros e arrependidos teremos hoje no nosso país? Podem os cidadãos processar um governo que está levando para a frente políticas de destruição dos serviços públicos e que se reclama de um partido que se diz socialista? Podem os cidadãos condenar na justiça um governo e um partido de mentirosos? Podem ministros que fazem discursos sobre uma imaginária e delirante região apenas de camelos ser interdito de exercer o seu cargo, acusado de incapacidade? E uma ministra da educação que não defende nem o ensino, nem a escola, nem os professores, nem os conhecimentos dos alunos, pode continuar sendo ministra da educação impunemente? E um primeiro-ministro pode assumir a presidência da UE vindo de estabelecer com Putin, em tom diplomático, a violação dos direitos humanos que cada um pratica no seu canto: prisões e a pena de morte nos EUA e controle dos media na UE, disse o crápula mafioso. Sócrates comeu e calou, em nome de todos nós, tão mafioso quanto o outro.
Saí para a rua com a t-shirt “Sócrates, Não!”, com aquela imagem que figura em muitos blogs e fui fazer o meu pequeno protesto individual. Olhares descaíam nela mas ninguém disse nada. NADA
Estive com essa amiga no café e conversámos em voz alta sobre a greve, o país, a vergonha que por cá se passa. Juntas traçámos esse retrato do país dos masoquistas e das várias atitudes face à greve. Não poupámos governo nem sindicato, falámos o que quisemos pela tarde fora: ela de greve; eu desempregada. Depois fomos para uma aula de yoga e aí sim foi o movimento, o silêncio e a unidade. De política, nada. NADA
Já no final do dia fomos juntas a uma reunião em casa de amigos militantes de um pequeno partido. Nem uma nem a outra somos militantes mas, falo por mim, gosto de participar nessas reuniões revolucionárias onde tudo se pode dizer, onde se discute cada posição, onde comentamos em conjunto as últimas "notícias", as golpadas do governo, as jogadas dos partidos; onde nos apercebemos com antecipação das consequências nefastas das políticas da União Europeia, onde equacionamos os tentáculos do capitalismo global, com as suas guerras e os seus acordos tácitos; onde nitidamente constatamos que por detrás de cada "notícia"se esconde uma intencionalidade mais do que uma informação; onde paramos para ler em conjunto um texto do Lenine e, ao medir as suas palavras com a realidade do tempo actual, nos damos conta de que tão bem se traduzem à distância do século XIX os propósitos do capitalismo, o modo como os detentores dos meios de produção usurpam através da mais-valia a riqueza que os trabalhadores produzem e como a maior parte dos seus enormes lucros vivem à custa da redução dos salários e do número de trabalhadores. A velha questão da luta de classes é afinal tão actual, arrasta-se pelos tempos da moderna escravatura e não há nada que detenha essa luta. NADA.
terça-feira, janeiro 30, 2007
Vendem-se galos de Barcelos...

- E agora, José, a quem vendemos os galitos?
- Olha, Aníbal, se quiseres podes ficar com os meus que eu cedo-tos bem baratinhos!
- E se eu te fizesse antes uma OPA?
- Ai sim, faz faz, vamos os dois unirmo-nos, criarmos uma multi... mas não nacional!
- Na Indía!
- Não, na China.
- Pronto, na Índia... e na China, temos que ter ambição!
- Não achas que são galos de Barcelos a mais?
- Tens razão, temos que estudar melhor esta parte do negócio.
- Quem quer o galo?
- Quem compra o galo?
- Olh'ó desconto!
- Está em promoção!











