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domingo, agosto 23, 2009

Fim de férias

Amigos,

Último dia de férias aqui. Amanhã já regresso à selva. Mas as férias são isso mesmo, um tempo que acaba rápido. Na verdade é um contra-senso dizer que se acabaram as férias. Porque as pessoas sem emprego, como é o meu caso, não têm direito a ter férias, porque para ter férias é preciso ter emprego, esperem aí que o Sérgio Godinho já lá chega...



quarta-feira, abril 29, 2009

sábado, fevereiro 28, 2009

O MEDO rói a alma...

Tem Ratos

Composição: Sérgio Godinho


Tem ratos
Tem ratos
Tem ratos
Vivem escondidos
Nos nossos sapatos

Tem ratos
Vivem escondidos
Nos nossos sapatos
Roem-nos os dedos

Tem medos
Tem medos
Vivem escondidos
Nos nossos segredos

quarta-feira, abril 23, 2008

boa noite, amigos, companheiros, camaradas



Sérgio Godinho
A Vida É Feita de Pequenos Nadas
(Segunda-feira
trabalhei de olhos fechados
na terça-feira
acordei impaciente
na quarta-feira
vi os meus braços revoltados
na quinta-feira
lutei com a minha gente
na sexta-feira
soube que ia continuar
no sábado
fui à feira do lugar
mais uma corrida, mais uma viagem
fim-de-semana é para ganhar coragem)

Muito boa noite, senhoras e senhores
muito boa noite, meninos e meninas
muito boa noite, Manuéis e Joaquinas
enfim, boa noite, gente de todas as cores
e feitios e medidas
e perdoem-me as pessoas
que ficaram esquecidas
boa noite, amigos, companheiros, camaradas
a vida é feita de pequenos nadas
a vida é feita de pequenos nadas

Somos tantos a não ter quase nada
porque há uns poucos que têm quase tudo
mas nada vale protestar
o melhor ainda é ser mudo
isto diz de um gabinete
quem acha que o casse-tête
é a melhor das soluções
para resolver situações
delicadas
a vida é feita de pequenos nadas

E o que é certo
é que os que têm quase tudo
devem tudo aos que têm muito pouco
mas fechem bem esses ouvidos
que o melhor ainda é ser mouco
isto diz paternalmente
quem acha que é ponto assente
que isto nunca vai mudar
e que o melhor é começar a apanhar
umas chapadas
a vida é feita de pequenos nadas

(Segunda-feira
trabalhei de olhos fechados
na terça-feira
acordei impaciente
na quarta-feira
vi os meus braços revoltados
na quinta-feira
lutei com a minha gente
na sexta-feira
soube que ia continuar
no sábado
fui à feira do lugar
mais uma corrida, mais uma viagem
fim-de-semana é para ganhar coragem)

Muito boa noite, senhoras e senhores
muito boa noite, meninos e meninas
muito boa noite, Manuéis e Joaquinas
enfim, boa noite, gente de todas as cores
e feitios e medidas
e perdoem-me as pessoas
que ficaram esquecidas
boa noite, amigos, companheiros, camaradas
a vida é feita de pequenos nadas
a vida é feita de pequenos nadas

Ouvi dizer que quase tudo vale pouco
quem o diz não vale mesmo nada
porque não julguem que a gente
vai ficar aqui especada
à espera que a solução
seja servida em boião
com um rótulo: Veneno!
é para tomar desde pequeno
às colheradas
a vida é feita de pequenos nadas
boa noite, amigos, companheiros, camaradas
a vida é feita de pequenos nadas.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Dia Mundial da Liberdade

Liberdade - Sérgio Godinho

Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente

e a sede de uma espera só se estanca na torrente

e a sede de uma espera só se estanca na torrente

Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada

Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão

habitação

saúde, educação

Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir

quando pertencer ao povo o que o povo produzir

quarta-feira, outubro 17, 2007

Pobreza/Riqueza Extremas e Tratados assinados em papeis molhados

Tratado simplificado
(Texto de Arquivo)

O Meu Compadre



O meu compadre

Que é rico, disse-me:

Tira os olhos do chão

Aceita o meu concelho

Não aceites derrotas

Tira os olhos do chão

Tira os olhos do chão


E eu respondi

Ó meu amigo, ó meu palerma

Se eu tenho os olhos no chão

Não é por estar derrotado

É pra ver o caminho

E é pra ver o que calco

Que eu não ando nas nuvens

A pisar pó de talco

A pisar pó de talco.


Vamos, vamos, vamos

Tomar cuidado

Com promessas assinadas

Em papel molhado


O meu compadre

Que é rico, disse-me:

Eu cá sou democrata

Cumprimento as vizinhas

Como pão e sardinhas

Até as como da lata

Que eu cá sou democrata.


E eu respondi:

Ó meu amigo, ó meu cretino

Democratas assim

Tem a gente de sobra

A vender a banha de cobra

E a afinar o latim

Pela nota corrente

E pela nota de mil

Democratas assim

Até há dois no Brasil

Até há dois no Brasil


Vamos, vamos, vamos

Tomar cuidado

Com promessas assinadas

Em papel molhado


O meu compadre

Que é rico disse-me:

Somos todos irmãos

Que é que interessa eu ser rico

Não faz mal tu seres pobre

Somos todos irmãos


E eu respondi:

Ó meu amigo, ó meu hipócrita

Se somos todos irmãos

Diz-me então onde andavas

Quando, algemas nas mãos

A gente pagava as favas

Por só querermos ser gente

E como gente falar

Diz-me de que lado estavas

Antes disto mudar

Antes disto mudar


Vamos, vamos, vamos

Tomar cuidado

Com promessas assinadas

Em papel molhado.


domingo, julho 15, 2007

O que faz de nós "pessoas aturdidas"?

Tirada daqui

UM TEMPO QUE PASSOU

Chico Buarque - Sérgio Godinho

Vou

uma vez mais
correr atrás
de todo o meu tempo perdido
quem sabe, está guardado
num relógio escondido por quem
nem avalia o tempo que tem
Ou
alguém o achou
examinou
julgou um tempo sem sentido
quem sabe foi usado
e está arrependido o ladrão
que andou vivendo com o meu quinhão
Ou dorme num arquivo
um pedaço de vida
a vida, a vida que eu não gozei
eu não respirei
eu não existia
Mas eu estava vivo

vivo, vivo
o tempo escorreu
o tempo era meu
e apenas queria
haver de volta cada minuto
que passou sem mim
Sim
encontro em fim
iguais a mim
outras pessoas aturdidas
descubro que são muitas
as horas dessas vidas que estão
tavez postas em grande leilão
São
mais de um milhão uma legião
um carrilhão de horas vivas
quem sabe, dobram juntas
as dores colectivas, quiçá
no canto mais pungente que há
Ou dançam numa torre
as nossas sobrevidas
vidas, vidas
a se encontrar
a se combinar em vidas futuras

Enquanto o vinho corre, corre, corre
morrem de rir
mas morrem de rir
naquelas alturas
pois sabem que não volta jamais
um tempo que passou

quinta-feira, junho 07, 2007

"Não te deixes assim vestir" -- tão actual!

Ai... Portugal! (Sérgio Godinho)

Ai, Portugal
dar-te conselhos é bem pouco original
(mas) se realmente não quiseres querer-te mal
olha p´ra ti, ó Portugal
e não te deixes assim vestir

O meu país
foi outro dia ao alfaiate encomendar
"toilettes" novas p´ro mundo se embasbacar
e se dizer, e se elogiar
que bem, que chique
que beleza
para falar com franqueza
parece outro com esse ar

Mas há coletes que são de forças
por mais que o digam não ser
não te deixes assim vestir
não te deixes assim vestir

Ai, Portugal

Ao meu país
o alfaiate respondeu: venha cá
quero saber com que linhas se coserá
o fato feito que fará
a sensação das redondezas
bem que eu não tenha a certeza
que seja de elogiar

Ai, Portugal
dar-te conselhos é bem pouco original
(mas) se realmente não quiseres querer-te mal
olha p´ra ti, ó Portugal
e não te deixes assim vestir

O meu país
outrora usando fraque, luva e paletó
se rebentar pelas costuras, é só
que o fato que é da trisavó
não é necessariamente
aquele que no presente
nos fará soltar um "oh!"

Porque há coletes que são de forças
por mais que o digam não ser
não te deixes assim vestir
não te deixes assim vestir


terça-feira, maio 01, 2007

Dia do Trabalhador

Que força é essa?

Letra e música: Sérgio Godinho
"Sobreviventes"; 1971

Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa [bis]
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo [bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo [bis 3]

Não me digas que não me compr'endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr'endes

(Que força...)

(Vi-te a trabalhar...)

Que força é essa [bis]
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo [bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo [bis 10]


Saiba aqui que força é esta

(repare como ainda hoje permanece actual)

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