quinta-feira, outubro 19, 2006

Não foi a Dona Dondoca que escreveu esta carta, mas podia ter sido!

ENEMIES OF OUR DAILY BREAD


Esta carta foi direccionada ao


Banco BES, porém devido à criatividade com que foi redigida, deveria ser
direccionada a todas as instituições financeiras.

CARTA ABERTA AO BES

Exmos. Senhores Administradores do BES

Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa
mensal, pela existência da padaria na esquina da v/. Rua, ou pela existência
do posto de gasolina ou da farmácia ou da tabacaria, ou de qualquer outro
desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.

Funcionaria desta forma: todos os meses os senhores e todos os usuários,
pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, farmácia,
mecânico, tabacaria, frutaria, etc.).

Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao utilizador.
Serviria apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que
serviria para manter um serviço de alta qualidade ou para amortizar
investimentos.
Por qualquer produto adquirido (um pão, um remédio, uns litros de
combustível, etc.) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do
produto, até ligeiramente acima do preço de mercado.

Que tal?

Pois, ontem saí do meu BES com a certeza que os senhores concordariam com
tais taxas. Por uma questão de equidade e de honestidade. A minha certeza
deriva de um raciocínio simples.
Vamos imaginar a seguinte situação: eu vou à padaria para comprar um pão.
O padeiro atende-me muito gentilmente, vende o pão e cobra o serviço de
embrulhar ou ensacar o pão, assim como, todo e qualquer outro serviço.
Além disso, impõe-me taxas. Uma "taxa de acesso ao pão", outra "taxa por
guardar pão quente" e ainda uma "taxa de abertura da padaria". Tudo com
muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.

Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que
ocorreu comigo no meu Banco.
Financiei um carro. Ou seja, comprei um produto do negócio bancário. Os
senhores cobraram-me preços de mercado. Assim como o padeiro cobra-me o
preço de mercado pelo pão.

Entretanto, de forma diferente do padeiro, os senhores não se satisfazem
cobrando-me apenas pelo produto que adquiri.
Para ter acesso ao produto do v/. negócio, os senhores cobraram-me uma "taxa
de abertura de crédito" - equivalente àquela hipotética "taxa de acesso ao
pão", que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar.
Não satisfeitos, para ter acesso ao pão, digo, ao financiamento, fui
obrigado a abrir uma conta corrente no v/. Banco. Para que isso fosse
possível, os senhores cobraram-me uma "taxa de abertura de conta".

Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta,
essa "taxa de abertura de conta" se assemelharia a uma "taxa de abertura da
padaria", pois, só é possível fazer negócios com o padeiro, depois de abrir
a padaria.

Antigamente, os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como
"Papagaios". Para gerir o "papagaio", alguns gerentes sem escrúpulos
cobravam "por fora", o que era devido.
Fiquei com a impressão que o Banco resolveu antecipar-se aos gerentes sem
escrúpulos.

Agora ao contrário de "por fora" temos muitos "por dentro".
Pedi um extracto da minha conta - um único extracto no mês - os senhores
cobraram-me uma taxa de 1 EUR.
Olhando o extracto, descobri uma outra taxa de 5 EUR "para a manutenção da
conta" - semelhante àquela "taxa pela existência da padaria na esquina da
rua".
A surpresa não acabou: descobri outra taxa de 25 EUR a cada trimestre - uma
taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu
utilizar o limite especial vou pagar os juros mais altos do mundo.
Semelhante àquela "taxa por guardar o pão quente".

Mas, os senhores são insaciáveis.

A prestável funcionária que me atendeu, entregou-me um desdobrável onde sou
informado que me cobrarão taxas por todo e qualquer movimento que eu fizer.
Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os
senhores se devem ter esquecido de cobrar o ar que respirei enquanto estive
nas instalações do v/. Banco.

Por favor, esclareçam-me uma dúvida:

até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?
Depois que eu pagar as taxas correspondentes, talvez os senhores me
respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço
bancário é muito diferente de uma padaria. Que a v/. responsabilidade é
muito grande, que existem inúmeras exigências legais, que os riscos do
negócio são muito elevados, etc., etc., etc. e que apesar de lamentarem
muito e nada poderem fazer, tudo o que estão a cobrar está devidamente
coberto por lei, regulamentado e autorizado pelo Banco de Portugal.
Sei disso.
Como sei, também, que existem seguros e garantias legais que protegem o v/.
negócio de todo e qualquer risco. Presumo que os riscos de uma padaria, que
não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais
elevados.

Sei que são legais.

Mas, também sei que são imorais. Por mais que estejam protegidos pelas leis,
tais taxas são uma imoralidade. O cartel algum dia vai acabar e cá estaremos
depois para cobrar da mesma forma.

Vitor Pinheiro

(Recebido por mail)

CONTRA AS USINAS DE ÁLCOOL NO PANTANAL!

A MORTE DE FRANSELMO NÃO PODE TER SIDO EM VÃO! (CONTRA AS USINAS DE ÁLCOOL NO PANTANAL!) Gomercindo Clovis Garcia Rodrigues*

De novo volta à baila no meu querido Mato Grosso do Sul, a questão das usinas de álcool no Pantanal... E volta de forma “sorrateira”, “escondida” num projeto de lei, o 152/2006 de autoria, como não poderia deixar de ser, do ainda Deputado Estadual Dagoberto Nogueira, eleito, infelizmente, em minha opinião, Deputado Federal, com tramitação incrivelmente rápida na Assembléia Legislativa do MS.

O obscuro projeto, exatamente para tentar esconder seus verdadeiros objetivos, traz uma “redação concisa” que, aparentemente, não diz nada e que pode passar despercebido para a maioria da população e, até, para a mídia local e nacional.

Diz a redação do “projeto de lei”:

“Altera a Lei nº328, de 25 de fevereiro de 1.982.

Art.1º - Fica suprimido o art.4º da Lei nº328, de 25 de fevereiro de 1.982, renumerando os demais.x

Art. 2º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.” (Destaquei)

Para entender os verdadeiros “objetivos” de dito projeto, que, pelo que sei, está em fase avançada de tramitação na Assembléia Legislativa do Mato Grosso do Sul, vou relembrar um já falecido professor de Direito Penal do meu Curso de Direito na UFAC: “olha o título! Olha o título!”, quando a gente ficava sem saber onde “encaixar” determinada conduta ilícita.

Olhando o “título” – e ressalte-se que “título” aqui tem sentido diferente daquele comum no Código Penal, mas é usado de forma exemplificativa, porque cabível - do projeto, tem-se que ele “altera a Lei nº 328/1982” do Mato Grosso do Sul. E o que diz o “título” daquela lei: “Dispõe sobre a Proteção Ambiental do Pantanal Sul-Mato-Grossense.”

Então, temos que o objetivo maior da Lei nº 328/1982 é o de promover a proteção ambiental do Pantanal sul-mato-grossense, do que, qualquer alteração em tal lei, pode ter por caráter obscuro – e aqui está o meu entendimento quanto ao “Projeto de Lei nº 152/2006” – exatamente desfigurar a lei, torná-la apenas “objeto decorativo”, porque descaracterizada a sua finalidade maior.

Quando o malsinado “Projeto de Lei nº 152/2006” fala em “suprimir” o art. 4º da Lei nº 328/1982 ele quer dizer que está suprimindo o seguinte:

“Art. 4º - Fica proibida a ampliação da capacidade instalada das destilarias de álcool ou usinas de açúcar de que trata o artigo 1º, que já se achem instaladas e em operação na data da publicação desta Lei.”

Ou seja, como se vê, busca criar facilidades para a ampliação da “capacidade instalada” das destilarias que já existiam em 1982. E tais “facilidades” podem ser nocivas?

Claro que sim, e aqui está a ruptura com o objetivo maior da Lei nº 328/1982, pois todos sabemos que por mais que tenha avançado a pesquisa, a ciência, a tecnologia, não conseguiram fazer com que a produção de álcool não gere vinhoto, que pode ser de 12 a 15 litros de vinhoto, ou restilo, por litro de álcool. Na “justificativa” de seu malsinado “Projeto de Lei” o Deputado Dagoberto Nogueira diz que:

“Muito se argumenta sobre o efeito poluidor do vinhoto ou restilo que é o resíduo aquoso do processo de fermentação da garapa, e seu risco potencial para o Pantanal. Este resíduo, rico em nutrientes e matéria orgânica, ao contrário do que ocorria em muitas usinas à época da aprovação da Lei 328 de 1982, em apreço, é hoje reutilizado integralmente nas lavouras, melhorando a composição orgânica do solo e substituindo boa parte dos adubos que teriam que ser esparramados.”

O que o Deputado não diz, nem pode dizer, é que até ser utilizado, e não necessariamente “integralmente”, o vinhoto, que sai do processo produtivo muito quente (em torno de 100º graus), tem de ficar “armazenado” em lagoas, para resfriamento e para a eliminação de resíduos de álcool. Aqui está o risco. Uma “lagoa de armazenamento” de vinhoto pode se romper, pode transbordar se atingida por grandes chuvas e, em caso de acidentes dessa monta – que não é raro e há, inclusive, exemplos recentes! – todo o vinhoto é canalizado para os cursos d’água e, neste caso, como é extremamente poluente (desoxigena a água!) pode causar uma situação irreversível para o Pantanal, dada a sua fragilidade.

Aqui, então, o “Projeto de Lei nº 152/2006” DESFIGURA e DESTRÓI a Lei nº 328/1982, este o seu “caráter obscuro”, escondido de todos, tratado “a sete chaves” até mesmo, pelo que tenho acompanhado, por boa parte dos Deputados Estaduais do Mato Grosso do Sul.

Volto agora ao “título”, mas, ao título deste escrito: a morte de Franselmo não pode ter sido em vão! Não é possível que o sacrifício de um dedicado ambientalista do Mato Grosso do Sul, que chamou a atenção do mundo, possa ser “esquecida” de forma tão torpe pelos ilustres Deputados Estaduais do Mato Grosso do Sul.

Franselmo, como tantos outros que lutaram por um mundo melhor, mais humano, menos “desastrado”, menos destruído, com garantia de sobrevivência para as gerações futuras, para os nossos filhos e netos não pode ser esquecido. Sua morte trágica, seu protesto com a única forma que encontrou à época para chamar a atenção para uma situação de extrema gravidade não podem ser esquecidos e destruídos por uma redação simplória que, aparentemente não diz nada, mas que, no fundo, DESTRÓI TUDO: “Fica suprimido o art.4º da Lei nº328, de 25 de fevereiro de 1.982...”

Suprime o artigo e tira o “espírito da lei”. É como o poema de Eduardo Alves, “No Caminho, com Maiakovski”:

“...

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

...”


Agora é hora de falarmos... porque depois será tarde de mais...

para que a vida e a morte de FRANSELMO não tenham sido em vão!

Em defesa do Pantanal, do meio ambiente e da vida!

Tenho dito!

*Gomercindo Clovis Garcia Rodrigues é matogrossense do sul (Caracol 1959), formado em Agronomia (UFMS/Dourados – 1982) e Advogado militanteem Rio Branco - AC (OAB/AC 1997), formado pela UFAC (fev/1998), ambientalista, amigo de Chico Mendes, com quem trabalhou, membro do Comitê Chico Mendes e autor de “Caminhando na Floresta”. Foi, como estudante de Agronomia em Dourados e vice-presidente do DCE-UFMS, membro da Campanha em Defesa do Pantanal que resultou na Lei nº 328/1982.

(enviado por Cláudia Girelli)

quarta-feira, outubro 18, 2006

Fenómenos do nosso entroncamento IV

Marciano Mendes: o nosso bonequinho do Menu infantil do MacDonalde

domingo, outubro 15, 2006

Fenómenos do nosso entroncamento I




Eficaz, Potente, Infalível

Não, não estou falando de um homem

A mim parece-me que este insecticida é mesmo eficaz e potente

Será que ele é mesmo infalível com os melgas dos nossos políticos?

Tomara!

quinta-feira, outubro 12, 2006

Dona Dondoca, mas isto afinal é uma saga ou uma novela?

O que estavas à espera Dona Dondoca? Claro que já começaste a sofrer as consequências dos teus actos. Julgavas o quê? Que não ias sofrer represálias?

Lembras-te da outra vez quando perdeste o médico de família. Não te calaste, foste para lá reclamar dos serviços, das desinformações, das injustiças… Que saudades daqueles médicos a sério, que seguiam durante anos toda a história familiar porque esses sim, eram médicos de toda a família! Dessa vez ficaste sem médico de família – uns têm, outros não! E não foste só tu a sofrer as consequências dos teus actos: todo o teu agregado perdeu o médico de família.

E agora tornas a te admirar de ser a tua filha a sofrer as consequências?

A escola emitiu uma circular a avisar que não se podia comer no refeitório comida trazida de casa, a não ser casos pontuais devidamente prescritos pelo médico. A tua filha sofre de alergias respiratórias e não se alimentava bem com a comida fornecida pela escola. Dois dias come em casa, os outros três pode levar comida e nem é preciso aquecer nem lavar, ela apenas quer ter uma mesa e uma cadeira para se sentar. A escola, enorme, ganhou um prémio de Agrupamento mas não tem nem sequer uma sala para os alunos. E então ela entregou a declaração médica mas quando chegou ao refeitório nem assim a deixaram lá ficar. Uma funcionária responsável disse pelo telefone a Dona Dondoca que o papel do médico não tinha sido aprovado (!). Como é que uma declaração médica recebe a desaprovação de uma funcionária de refeitório? Ela disse que o médico tinha que discriminar tudo, quais os alimentos, que alergias, etc. etc. e Dona Dondoca disse-lhe que não ia de forma alguma voltar a incomodar o médico com esse assunto, achando tudo aquilo absurdo, kafkiano. A funcionária disse-lhe para aguardar e deixou-a pendurada ao telemóvel durante os dez minutos seguintes. Claro que ela depois ainda falou muito tempo para a Drel, contando toda a história e querendo saber o que fazer. Foi ela própria a sugerir assinar um termo de responsabilidade pela comida que a sua filha leva para comer na escola. Da Drel disseram-lhe que, se mesmo depois disso todos os seus esforços falhassem e continuassem a pôr entraves, então que fizesse uma exposição para a Drel. Eu tenho para mim que Dona Dondoca ainda acaba por levar toda a família à falência se continua a gastar assim nesses telefonemas para os telefones fixos das várias instituições que ela tem que contactar se quiser levar a sua saga às últimas consequências. Naquele momento ela soube, ela sentiu que iam sempre exigir mais um papel, mais uma formalidade e enquanto isso sua filha ia continuar a comer na rua. Ela disse-lhe: “Mãe, mas eu não gosto nada de comer na rua”, e já tem vergonha de ir ao refeitório saber se pode lá ficar.

Prepara-te Dona Dondoca, prepara-te a ti e aos teus pois se insistires em levar as tuas lutas para a frente, vais andar empandeirada e no fim ainda te vais dar mal, ai vais vais.

Esta novela está ficando séria, não está mesmo?

quarta-feira, outubro 11, 2006

Dona Dondoca não pode parar!

http://www.marxists.org/subject/art/visual_arts/painting/exhibits/muralists/angustia.jpg

Dona Dondoca não passou bem. Tomou duas valerianas para se acalmar mas antes ainda escreveu estes mails que me autorizou a pôr aqui. Diz que é para todo o mundo saber. Mas, aqui para nós eu acho que isso vai ficar muito àquem dos seus desejos! Pela minha parte faço o que posso para não romper a cadeia! Cá vai:

«Comunicação urgente à Associação de Pais e Encarregados de Educação»

«Exmos. Senhores

Tenho recebido e consultado regularmente as informações que a Associação me tem enviado por meio de correio electrónico, o que quero desde já agradecer.

Não compareci à Reunião Geral porque deixei de acreditar na eficácia de mecanismos associativos desta natureza. Mas esta minha atitude não significa que eu me tenha deixado de preocupar com a educação dos meus filhos.

Pelo contrário, a minha preocupação com a sua educação e com a sua integridade física tem vindo a crescer. É por este motivo que venho num gesto desesperado alertar todos os pais e associados para uma questão que não foi nem está de forma alguma resolvida, mas antes agravada. A todos procuro sensibilizar por não ser a única que tenho os filhos nesta escola e saber que se hoje foi o meu, amanhã o mesmo poderá acontecer aos vossos. Infelizmente as negociações entre o Conselho Executivo e a Associação de Pais e Encarregados de Educação, não se revelaram capazes de impedir que situações graves continuassem a ocorrer em termos de segurança escolar.

Hoje, dia 10 de Outubro, fui buscar a minha filha do 5º. Ano às 16:15h.; fiquei a ver de longe, de dentro do carro, a facilidade com que saiu do portão e ninguém viu, nem lhe pediu o cartão da escola, no qual consta que não está autorizada a sair sozinha. Na verdade, ninguém a viu sair da escola.

Às 17:00h, voltei à escola para buscar o meu filho que inexplicavelmente termina àquela hora as Actividades de Enriquecimento Curricular que, por lei, deviam durar até às 17:30h. Não me lembrei que, não tendo ainda professor de música, a escola lhe muda o horário por sua alta recriação e sem avisar os pais, passando ele a sair uma hora mais cedo. Não me lembrei porque ninguém me informou oficialmente que passaria a ser desta forma, ao contrário do que diz o Regulamento que obriga a escola a participar ao encarregado de educação tudo o que venha alterar o normal funcionamento das aulas. Todas as crianças saíram da escola, menos o meu filho. Foi procurado pela escola mas ninguém sabia, ninguém tinha visto. Fui ficando bastante nervosa, inquieta, a imaginar os piores cenários, dada a falta de segurança da escola. O tempo ia passando e nada do Nuno. Telefonei ao meu marido na esperança que o tivesse ido buscar mas ele estava retido no trânsito e também ficou preocupadíssimo, como devem calcular. Entretanto, eu desesperava com os funcionários da escola que iam aparecendo e que diziam coisas como: que era ele o responsável, ou que não lhes era possível controlar as saídas à hora da saída das crianças todas e da entrada das carrinhas de ATL (!), ou que não tinham sido os únicos a estar na entrada…

Quando já ia ligar para a polícia, o Nuno apareceu vindo algures de fora da escola, já passava das 17:30h. Como é possível que crianças de oito anos andem fora da escola? Disseram-me que a escola só se responsabiliza até às 17:00h, mas ele a essa hora já não estava na escola. E ninguém sabia de nada. Ninguém o tinha visto. Que segurança é esta?

Felizmente não tinha acontecido nada ao Nuno, mas podia ter acontecido. Ele ficou mais cedo sem aulas, estava com um colega novo que mora ali perto e a ama foi buscá-lo à escola e levou os dois para casa dele. Eu não conheço a ama, nem o Bernardo, nem os pais do Bernardo porque ele é novo na escola, jamais poderia imaginar que era isso que estava a acontecer. O Nuno chegou sozinho e sem perceber muito bem por que todos estavam assim exaltados e nervosos. Mas havia quem dissesse que era ele o responsável (!) Tinha estado em casa do amigo e para ele isso era uma coisa boa. Disse-me que tinha avisado a pessoa que estava na altura no portão que ia sair com alguém e que o senhor tinha dito que sim com a cabeça, provavelmente sem prestar a devida atenção ao caso. Quando saiu não avisou a pessoa que o substituiu, nem deixou um aviso. Na minha opinião nem sequer devia ter deixado a criança passar o portão sem ver com quem ia. Foi isso que disseram aos pais que ia acontecer quando a escola do 1º. Ciclo foi integrada nesta escola mas na verdade nunca houve qualquer cuidado especial com as crianças desse ciclo e desta idade.

Os senhores, como representantes dos Pais têm agora duas opções face a este caso exemplar que se passou hoje com o meu filho: ou ignoram a ocorrência e, em consciência continuam a aguardar impassíveis que algo de grave venha a acontecer com os nossos filhos; ou pressionam o conselho executivo da escola para tomar providências para que situações desta gravidade nunca mais voltem a acontecer.

Rogo a V.Exas que esta minha comunicação seja lida na próxima reunião pública da Associação para que os pais presentes possam ficar informados do ocorrido. E coloco-a desde já à V. disposição, permitindo-lhes que a enviarem ao Conselho Executivo, à Drel, à Câmara, enfim a quaisquer entidades responsáveis pela segurança escolar dos nossos filhos.


Agradeço a atenção dispensada a este assunto.


Atentamente

Pede deferimento

Dona Dondoca»

terça-feira, outubro 10, 2006

Dedicado à Coreia do Norte (North Korea), USA, Israel, India, Irão, Portugal, ...

Dona Dondoca: " Minhas fontes preferidas são a vizinha e a rádio."

A tímida determinação do Kremlin em investigar morte de Anna Politkovskaia

O silêncio do Kremlin em torno da morte de Anna Politkovskaia foi quebrado esta tarde em meia dúzia de linhas de um comunicado oficial. Segundo o texto, Vladimir Putin terá garantido por telefone a George Bush que irá realizar uma investigação objectiva ao sucedido.
Palavras que não contém a dureza das críticas ao Kremlin, à porta da antiga casa de Politkovskaia no centro de Moscovo.

Para uma vizinha, "se o povo não defender os jornalistas, mais profission

ais serão mortos, o governo no poder é corrupto e tem sempre medo da verdade. Foi a verdade que quiseram assassinar quando mataram Anna Politkovskaia".
A jornalista tinha sido baleada no Sábado, no elevador de sua casa, por um indivíduo que não foi identificado. Para os colegas e amigos trata-se de um assassínio com motivações políticas.


A jornalista era uma das vozes mais críticas de Putin, não tendo hesitado no passado em denunciar os abusos do regime, nomeadamente na região da separatista da Chechénia. Nas ruas de Moscovo os cartazes denunciam em tom de palavra de ordem: "O Kremlin matou a liberdade de expressão".

http://www.euronews.net/create_html.php?page=detail_info&article=384226&lng=6

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Irã culpa EUA por teste Nuclear da Coréia do Norte
"O teste nuclear da Coréia do Norte foi uma reação às ameaças e humilhação dos EUA".

A rádio acusou Washington de usar dois pesos e duas medidas na questão da não-proliferação nuclear, destacando sua atitude em relação a Israel e à Índia. A Índia testou uma bomba nuclear e, recentemente, o presidente George W. Bush propôs um acordo de cooperação atômica a Nova Délhi, enquanto é amplamente assumido que Israel tem centenas dessas armas e Washington nunca falou em aplicar sanções contra o Estado judeu.

Numa mensagem indireta à Organização das Nações Unidas (ONU), que considera medidas contra o programa nuclear iraniano, a rádio disse que o Conselho de Segurança da ONU não deveria punir a Coréia do Norte, mas, sim, desarmar os arsenais nucleares das grandes potências.

"Ao invés de impor amplas sanções à Coréia do Norte (...) seria melhor se o Conselho de Segurança adotasse uma sábia decisão e buscasse a plena implementação do Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Ou seja, ele deveria buscar o desarmamento de países que possuem atualmente armas nucleares, criando assim condições para que os signatários sejam capazes de usar energia nuclear para fins pacíficos", argumentou a rádio.

O Irã é signatário do TNP e acusa potências ocidentais de estarem tentando negar a ele o direito estabelecido no tratado de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos.

http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/mundo/2550501-2551000/2550939/2550939_1.xml


segunda-feira, outubro 09, 2006

Solidariedade com os Professores da Secção 22 (Oaxaca, México)


APELO À SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL

COM OS PROFESSORES DA SECÇÃO 22

DO SINDICATO NACIONAL DA EDUCAÇÃO

E COM O POVO DE OAXACA (MÉXICO)

O movimento dos professores da Secção 22 do Sindicato Nacional da Educação e do povo de Oaxaca, encontra-se numa situação terrível.

O Secretario de Gobernación (ministro do Interior), com a assinatura de todos os governadores dos partidos do PRI, PAN e PRD, apela ao presidente Fox a “agir, no estrito respeito pela lei, contra todas as tentativas de desestabilização que, pela via directa, pretendam prejudicar a ordem constitucional” – quer dizer, apela ao governo federal para que utilize a força contra este movimento.

Os patrões, os representantes da Igreja, os media e alguns presidentes de câmara e deputados locais de todos os partidos apelam igualmente ao Governo para que envie uma força de intervenção para o Estado de Oaxaca.

O movimento de greve dos 70 000 professores do Estado de Oaxaca teve início a 22 de Maio último, tendo por base uma reivindicação salarial dos professores da Secção 22 do SNTE. Eles exigiam que o conjunto dos salários fosse reequilibrado de modo a atingir o mesmo nível para todos, em todas as circunscrições do Estado de Oaxaca. A 14 de Junho, o governo de Ulises Ruiz Ortiz ordenou um ataque brutal contra os piquetes de greve instalados pelos professores no centro da cidade de Oaxaca. Mas os professores obrigaram as forças da Polícia a bater em retirada, após cinco horas de confrontos.

Como resposta, as comunas, os sindicatos, os bairros e seus habitantes e as organizações camponesas e indígenas puseram de pé a Assembleia Popular de Oaxaca (APPO), a qual fez apelo a cinco grandes manifestações centrais e, com a participação decisiva dos professores, edificou barricadas por toda a cidade, reforçadas em particular durante a noite. Os professores e a população constituíram-se em tribunal político, cujo veredicto foi o de dar satisfação à queixa comum: “É preciso que o governador Ulises Ruiz se vá!” Os professores e a APPO ocuparam as sedes dos três poderes de Estado (executivo, judicial e legislativo), assim como os locais das rádios privadas e a cadeia da televisão provincial.

O governador, incapaz de lançar um ataque massivo contra os professores e a população, utilizou métodos próprios de gangsters, enviando indivíduos armados com pistolas para atirar contra aqueles que se encontravam nas barricadas e nas manifestações. Quatro pessoas encontraram a morte nestas circunstâncias e houve dezenas de feridos. Quatro pessoas foram detidas, entre elas Elangelio Mendoza Gonzalez, antigo secretário-geral da Secção 22 do SNTE-CNTE.

Actualmente, por decisão da Assembleia-Geral da Secção 22 do SNTE e dos representantes da APPO, 5000 professores, trabalhadores da saúde, camponeses, etc., marcham sobra a cidade do México, para darem a conhecer o seu protesto na capital do país.

Eles deverão percorrer mais de 500 km (do sul para o norte do país, atravessando a cadeia de montanhas de Sierra Madre Occidental, cheia de desníveis e com fortes variações de temperatura - Nota do Tradutor). Eles terão também que fazer face às agressões do Estado. Pelo seu lado, o Secretario de Gobernación convocou para uma reunião “todos os sectores interessados em encontrar uma solução para o problema de Oaxaca”, para a próxima 4ª feira (11 de Outubro - Nota da Redacção). Ao mesmo tempo, ele declara que “chegámos ao limite em Oaxaca”, e ameaça enviar 10 000 polícias federais. No mesmo momento em que escrevemos estas linhas, vários helicópteros da marinha patrulham os céus de Oaxaca. O assalto da polícia pode saldar-se por um banho de sangue. Os professores e a população estão prontos a resistir. Eles querem viver em paz, querem que a democracia seja respeitada, que a vontade da maioria seja ouvida: que Ulises Ruiz, o governador, se vá.

Eis porque lançamos um apelo aos sindicatos do mundo inteiro, em particular aos sindicatos de professores, para que se dirijam a Carlos Abascal Carranza (Secretario de Gobernación) e a Vicente Fox (presidente dos Estados Unidos Mexicanos) para lhes dizer:

Ø Não à repressão contra os professores e a população do Estado de Oaxaca (México)!

Ø Satisfação da exigência fundamental do movimento: que o governador Ulises Ruiz seja demitido das suas funções!

Primeiros signatários do Apelo à Solidariedade Internacional:

Professor Ezequiel Carreño Rosales, secretário de organização da Secção 22 do SNTE-CNTE; prof. Fernando Mendoza Perez, membro da instância de coordenação nacional da Secção 22 do SNTE-CNTE; Augusto Fernando Reyes Medina, membro do Comité executivo da Secção 22 do SNTE-CNTE; professor Luiz Vasquez Villalobos, delegado do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade nacional autónoma do México (STUNAM); Javier Brena Alfaro, delegado sindical do STUNAM; Gustavo Grajales, presidente da Caixa de poupança da Secção 40 do SNTE-CNTE; Misael Palma Lopez, membro da Secção 7 do SNTE (Chiapas); Russel Aguilar Brindis, membro do comité de luta das escolas secundárias técnicas, secção 7 do SNTE (Chiapas); Humberto Martinez Bizuela, professor do Instituto Politécnico nacional; Armando Pasos Cabrera, membro do Sindicato Independente dos Trabalhadores da Universidade Autónoma metropolitana (SITUAM); Gema Lopez Limon, professora da Universidade Autónoma da Baixa Califórnia.

Enviar mensagens para:

Vicente Fox Quesada, Presidente dos Estados Unidos Mexicanos: vicente.fox.quesada@presidencia.gob.mx

Carlos Abascal, Secretario de Gobernación:

segob@rtn.net.mx

Cópia para: Fernando Mendoza Perez, membro da instância de coordenação nacional da Secção 22 do SNTE-CNTE:

Alborotador_oax@hotmail.com

domingo, outubro 08, 2006

Pinocadas

Cruzada contra a corrupção

Vida Política de Dona Dondoca - VI Episódio

Dona Dondoca não deixou de comparecer no encontro de um partido que não é o dela e que poucos conhecem para se discutir a ex- U.R.S.S. A primeira coisa que estranhou ouvir foi que as massas foram expropriadas do poder político. Perguntou: mas, mesmo na U.R.S.S. alguma vez as massas detiveram realmente o poder político?
É que Dona Dondoca não é uma pessoa muito estudiosa, é até um pouco ignorante, por exemplo não gosta nada de ler livros de instruções e coisas dessas. E depois faz assim perguntas dessas, não é por maldade, é mesmo de quem quer saber… E nem é que Dona Dondoca não acredite no poder das massas, só que ela acha que “massas” é assim uma coisa muito geral, muito pouco concreta, como as massas da cozinha que tanto podem ser esparguete como espirais ou talharim… E por isso ela nem consegue imaginar as massas deambulando pelos ministérios como ministros, até porque não caberiam todas lá. De o que Dona Dondoca desconfia sempre é que há sempre uns poucos que estão prontos a ocupar esses lugares, em representação das tais massas e esses, mais cedo ou mais tarde estão a abotoar-se eles mesmos, como faziam os que lá estavam antes.
Ela ficou a saber em que descambou a Revolução Russa, um longo e metódico processo que viria a resultar na desindustrialização, privatização e desmantelamento da propriedade estatal e que hoje em dia cinco dos homens mais ricos do mundo são russos. Ela ouvindo aquelas coisas e sempre a lembrar-se do Triunfo dos Porcos (Animal Farm) e também do seu pequeno país onde uma pequena revolução também descambou em algo semelhante: desindustrialização metódica, privatizações e vendas de património e muito poucos muito endinheirados a mexer os cordelinhos.
Eis que surgiu a questão de como tudo isso aconteceu: como um país que parecia próspero, que chegou a ser a segunda grande potência mundial, chegou a esse desmembramento, a um salve-se quem puder no meio de tanta corrupção, máfia, droga e prostituição. E não deixou de achar interessante ouvir que hoje grandes nomes de economistas teóricos de tendência neo-liberalista, se debruçam sobre o caso da ex-U.R.S.S. não sabendo explicar o como e o porquê do capitalismo não se desenvolver por lá. Mas então, pensou Dona Dondoca, se todas essas coisas existem: redes de droga e prostituição, máfias e miséria de um povo que se vê obrigado a emigrar para países quase miseráveis como o nosso, então é porque o capitalismo pegou mesmo por lá! E quando se disse que o socialismo falhou por lá porque quando for para não falhar tem que chegar em simultâneo a todos os países, Dona Dondoca ainda advertiu que era preciso ter cuidado para não querer impor o socialismo a quem não o queira, não se vá fazer como o idiota do Bush que quer impingir à força o seu modelo pseudo-democrático ao mundo árabe, insistindo em não entender que por ali não o querem comprar.
Dona Dondoca falou demais e a reunião teve que se desdobrar em duas, por falta de tempo. A próxima ainda vai acontecer. E Dona Dondoca ficou interessada em saber mais. Veio de lá visivelmente interessada, vejam lá, em ler uns excertos de A Revolução Traída, de Trotsky. Ai, ai esta Dona Dondoca que não se enxerga, devia estar a limpar a marquise como a primeira dama e, em vez disso, anda metida nestas politiquices. Não tens emenda, Dona Dondoca? Vai mas é para casa coser meias e fazer o jantar, ó m’lher!

Será que vai?

sábado, outubro 07, 2006

Vida Política de Dona Dondoca - V Episódio

Graças aos reis que já não existem por aqui, Dona Dondoca pôde finalmente deixar os tais assuntos para trás. Só que uma dona de casa nunca tem descanso. Claro que ela pouco parou com limpezas e arrumações.
No feriado ainda saiu um pouco para a rua mas presenciou uma cena que a deixou melancólica: um pescador estava a ser reanimado por ter caído no meio da rua e ele não escapou à morte mesmo ali. Ficou lá uma quantidade de tempo embrulhado, jazendo numa esquina enquanto familiares e amigos chorosos iam chegando. Apenas um episódio trágico desses bastou para preencher o seu dia de desencanto. Mais uma vez se sentiu afrontada pela aguda consciência da morte súbita. Quem lhe dera morrer assim rápido mas não agora…

Caiu morta no sofá deixando o computador ligado e só mais tarde acordou para a vida e não parecia ser tarde. Mas estava esgotada.

Claro que na manhã seguinte não houve toques que a despertassem. Tarde e a más horas resolveu então fazer da hora boa e então preguiçou a valer. As crianças falharam a escola, a desordem instaurou-se, toda a família escapou nesse dia à rotina. Mas o dia havia de ser duro de trabalho. Não mais parou a não ser à noite e Dona Dondoca, resistia sempre mais um pouco antes de acabar altas horas no sofá e só já sonâmbula encontrava a cama.

Será que Dona Dondoca mesmo assim se atormentou com sentimentos de culpa por as crianças terem faltado à escola?

Será que o pérfido director de turma vai justificar as faltas?

Irá Dona Dondoca resistir até ao fim do fim de semana?


E os assuntos pendentes com a DREL, acredita ela que receberá uma resposta?

Saiba as respostas a estas e outras questões no próximo episódio

DONA DONDOCA E A EXTINTA U.R.S.S

quinta-feira, outubro 05, 2006

Gerir a Raiva I - Terapia de Meter tudo ao Barulho

Por vezes, quando se tem um mau dia e precisamos de o descarregar em alguém, não o faça em alguém seu conhecido. Descarregue em alguém que NÃO conheça.
Estava sentado à minha secretária, quando me lembrei de um telefonema que
tinha de fazer. Encontrei o número e marquei-o.
Respondeu um homem que
disse: "Está?"
Educadamente respondi-lhe: "Estou! Sou o Luís Alves. Posso falar com a Sra.
Ana Marques, por favor?"
Ficou com uma voz transtornada e gritou-me aos ouvidos:
"Vê lá se arranjas a
m**** do número certo, ó filho da p***!" e desligou o telefone.
Nem queria acreditar que alguém pudesse ser tão mal educado por causa de uma
coisa destas. Quando consegui ligar à Ana, reparei que tinha acidentalmente transposto os dois últimos dígitos. Decidi voltar a ligar para o número "errado" e, quando o mesmo tipo atendeu, gritei-lhe: "És um grande parvalhão!" e desliguei. Escrevi o número dele juntamente com a palavra "parvalhão" e guardei-o.
De vez em quando, sempre que tinha umas contas chatas para pagar ou um dia
mesmo mau, telefonava-lhe e gritava-lhe: "És um parvalhão!" Isso animava-me.
Quando surgiu a identificação de chamadas, pensei que o meu terapêutico
telefonema do "parvalhão" iria acabar. Por isso, liguei-lhe e disse: "Boa tarde. Daqui fala da PT. Estamos a ligar-lhe para saber se conhece o nosso serviço de identificação de chamadas!" Ele disse "NÃO!" e bateu o telefone. De seguida liguei-lhe, e disse: "É porque és um parvalhão!"

(Continua) Recebido por mail

Gerir a Raiva II

Uma vez, estava no parque do Centro Comercial e, quando me preparava para
estacionar num lugar livre, um tipo num BMW cortou-me o caminho e estacionou no lugar que eu tinha estado à espera que vagasse. Buzinei-lhe e disse-lhe que estava ali primeiro à espera daquele lugar, mas ele ignorou-me.
Reparei que tinha um letreiro "Vende-se" no vidro de trás do carro, e tomei
nota do número de telefone que lá estava.
Uns dias mais tarde, depois de ligar ao primeiro parvalhão, pensei que era
melhor telefonar também para o parvalhão do BMW.
Perguntei-lhe: "É o senhor que tem um BMW preto à venda?"
"Sim", disse ele.
"E onde é que o posso ver?", perguntei.
"Pode vir vê-lo a minha casa, aqui na Rua da Descobertas, Nº 36. É uma casa
amarela e o carro está estacionado mesmo à frente."
"E o senhor chama-se?..." perguntei.
"O meu nome é Alberto Palma", disse ele.
"E a que horas está disponível para mostrar o carro?"
"Estou em casa todos os dias depois das cinco."
"Ouça, Alberto, posso dizer-lhe uma coisa?"
"Diga!"
"És um grande parvalhão!", e desliguei o telefone. Agora, sempre que tinha
um problema, tinha dois "parvalhões" a quem telefonar.
Tive, então, uma ideia. Telefonei ao parvalhão Nº 1.
"Está?"
"És um parvalhão!" (mas não desliguei)
"Ainda estás aí?" ele perguntou.
"Sim", disse-lhe.
"Deixa de me telefonar!" gritou.
"Impede-me", disse eu.
"Quem és tu?" perguntou.
"Chamo-me Alberto Palma", respondi.
"Ah sim? E onde é que moras?"
"Moro na Rua da Descobertas, Nº 36, tenho o meu BM preto mesmo em frente, ó parvalhão. Porquê?”
"Vou já aí, Alberto. É melhor começares a rezar", disse ele.
"Estou mesmo cheio de medo de ti, ó parvalhão!" e desliguei.

A seguir, liguei ao parvalhão Nº 2.
"Está?"
"Olá, parvalhão!", disse eu.
Ele gritou-me: "Se descubro quem tu és..."
"Fazes o quê?" perguntei-lhe.
"Parto-te a tromba!" disse ele.
E eu disse-lhe: "Olha, parvalhão, vais ter essa oportunidade. Vou agora aí a
tua casa, e já vais ver."
Desliguei e telefonei à Polícia, dizendo que morava na Rua da Descobertas,
Nº36 e que ia agora para casa matar o meu namorado gay.
Depois liguei para as cadeias de TV e falei-lhes sobre a guerra de gangs que
se estava a desenrolar nesse momento na Rua da Descobertas.
Peguei no meu carro e fui para a Rua da Descobertas. Cheguei a tempo de ver
dois parvalhões a matarem-se à pancada em frente de seis viaturas da polícia
e uma série de repórteres de TV.
Já me sinto muito melhor.


Gerir a raiva sempre funciona.


Recebido por mail

Vida Política de Dona Dondoca - IV Episódio

Primeiro dia glorioso de Dona Dondoca

Dona Dondoca teve a maior das surpresas quando, ao consultar a sua caixa de entrada, encontrou duas mensagens de resposta da CMO, ambas com o estatuto de URGENTES. Na primeira explicava-se em pormenor todo o desenrolar da participação da câmara no processo. As colocações foram confiadas a “entidades especializadas (…) que asseguram a contratação, colocação e formação” dos professores (Dona Dondoca esperou que não por esta ordem). Essas “entidades especializadas” não conseguiu colocar todos os professores, tendo feito progressos na segunda semana de aulas (!). Seguindo de perto o texto, a câmara verificou que “a colocação de professores continua a efectivar-se a bom ritmo” (!), sendo o caso desta escola uma excepção.
Tanto desemprego e não acham um professor de Música? – pensou Dona Dondoca
Quanto às questões de segurança, a sua falta deve-se, segundo escreveu a doutora de lá, a “falta de recursos humanos (…) cuja colocação é da responsabilidade do Ministério da Educação”.
Mas como pode uma escola dita tão segura, onde nem os pais podem entrar - não vão a ser pais-bomba - por questões de segurança, e agora vem alegar que não há segurança!, admirou-se Dona Dondoca.
Mais emprego desperdiçado, disse de si para si. A ver se não me esqueço de escrever para lá a avisar que precisam contratar mais funcionários para estas coisas não acontecerem.
Dona Dondoca abriu o segundo mail. Vinha em nome de um doutor mas afinal era assinado pela mesma doutora.
Bem, doutores não faltam por lá, pensou ela, é o que dá: muitos doutores e pouca gente a trabalhar!, concluiu.
Este outro mail anunciava que “o Ministério da Educação se encontra a efectuar alguns cortes na colocação de auxiliares (…) o que deixa as escolas em sérias dificuldades para assegurar uma adequada vigilância dos intervalos antes, entre e depois das actividades de enriquecimento curricular”.
Terá sido esta a razão pela qual retiraram o intervalo às crianças? Mas o ano passado funcionava, ou pelo a escola nunca se queixou disso. Dona Dondoca não pôde deixar de sorrir lembrando-se daquela mãe que ligou para a escola e perguntou à presidente do conselho directivo onde tinham ido roubar os 15 minutos que faltavam. Pois se antes saiam às 17:15h, já contra todos os depachos do ministério, que legislavam que as aulas teriam que terminar às 17:30h, e a escola fixara a fasquia para as 17:15h, como é que agora só duram até às 17:00h.
Até com o tempo fazem malabarismos!, foi o desabafo de Dondoca, "Tão pequeninos e já lhes começam a roubar nos tempos livres!", voltou ela à carga.
A câmara explica esta atitude da Escola com as mesmas questões de segurança e de falta de vigilância e remetem a indagação para junto do Agrupamento de Escolas, “a entidade mais bem colocada para a informar”. Mas como é que todo um agrupamento se reduz assim a “entidade”? “Entidade não vem de “ente”, que é um ser? Já alguém viu por aí um agrupamento a prestar esclarecimentos a alguém? E “agrupamento”, não vem de “grupo”? Tudo leva a crer que sim, que é um “grande grupo”, pensou ela na gíria local dos seus saudosos 15 anos, quando nada destas coisas a apoquentavam. Agora era ela a mãe…
Dona Dondoca anotou: contactar escola logo que passar o feriado, mas por mail, com anexos e tudo, que eu sou Dondoca mas adoro as novas tecnologias quando funcionam bem.
Afincou-se a escrever um derradeiro mail para a DREL, Direcção Regional de Educação de Lisboa, para quem tem a felicidade de nunca ter ouvido falar nela. Voltou a contar toda a história, agora com um outro espírito de síntese, já mais desenferrujada para se explicar. Agora a questão era se esses “malabarismos com o tempo” eram afinal legais, se estavam de acordo com o tal do despacho 12591/06 (II série) de 16 de Junho de 2006 e, caso não estejam, quem poderá ser o responsável pelo seu não cumprimento.

Será que Dona Dondoca vai ter uma pausa merecida graças aos reis terem acabado há 100 anos atrás?
Será que depois do feriado ela vai encontrar mais respostas urgentes na sua caixa de entrada?
E o que estará ela a pensar em relação ao seu filho ter voltado a vaguear livre pela escola, mais uma vez sem professor de música.
Irá ela recordar através de um longo fash back os seus tempos de estudante em que bom mesmo era não haver uma aula para ficar despreocupadamente na brincadeira?
E porque terá havido notícia da presidente do conselho executivo andar pelas salas a gritar meio treslocada enquanto entrega papelinhos pouco educados, incitando (e insultando) todos os pais que não pagaram o refeitório de Outubro?
Saiba o que a indispõe nos próximos episódio
A Volta do Correio Electrónico de Dona Dondoca

terça-feira, outubro 03, 2006

Vida Política de Dona Dondoca - III Episódio



Dona Dondoca ainda agora não entende como assim encontrou tempo para continuar indagando. Mas nem por isso deixou de telemover sua voz direito à CMO. Para a Educação. Nova senhora atendeu de lá. Menos amável, esta. A história que contou pareceu-me verídica: A doutora fulana de sicrana não estava, tinha ido a uma… (adivinharam) reunião. E não estava hoje, nem ontem esteve pelo que nem sequer viu ainda o mail enviado. Quem quer empregos destes aos quais raramente se comparece, arranja-os. Então não podia ver os mails noutro computador, nem que fosse da China? Esse é um dos objectivos e das vantagens das tecnologias da comunicação, ou não?
Mas adiante. Não viu esse passa a ter dois para não ver, até ver.


Dona Dondoca escreveu mais um mail em que dava a conhecer que os pais não estão contentes com as mudanças de horário da actividades. A partir de hoje só vão até às 17h. Então mas quem decide dessas coisas não se lembrou que os pais trabalham e muitas das vezes do outro lado da cidade ou mais longe? Lá do ministério veio o decreto-lei, se a memória me não falha, que diz que as actividades são para ser até às 17:30h., se não está a ser cumprido há que dar a conhecer à DREL para saber da legalidade dessa redução. Rogou “que seja [fosse] dada uma resposta breve, mas o que ela realmente queria era uma resposta.

Crianças queixaram-se que tinham desaparecido os intervalos, voltaram com os lanches por falta de tempo para os comer. Desapareceram os intervalos? Foram levados de actividade para actividade para acelerar o tempo e se irem embora mais cedo meia hora, ou seja, a Escola poupou nos intervalos, mas disso ninguém informou os pais.

Hoje mesmo o filho de Dona Dondoca voltou a não ter a Música. E foi levado para a Sala de Estudo para despachar os TPC’s no horário que era para ser da música. Ninguém avisou que ia ser assim, a não ser que saiam às 17h, e Dondoca estava lá. Ele contou que estivera a brincar às apanhadas e graças a Deus tudo correu bem.

Como naquela vez em que uma mãe falou para a Dona Dondoca que graças a Deus tudo tinha corrido bem, naquele ano lectivo! E como ela não sendo católica concordou e respondeu que só mesmo graças a Deus…

O que irá fazer Dona Dondoca no próximo episódio? Receberá ela as respostas aos seus mails? Ou terá que escrever um terceiro mail para a doutora? Que tipo de pessoa lhe irá amanhã contar uma história? E se ligar para a Drel que música lhe darão? E da escola continuará a mesma mensagem da TMN que prevaleceu toda uma manhã? Ou irá ela em carne e osso à Escola para esclarecer a situação?

Não perca este episódio em que Dona Dondoca terá que se metamorfosear em Super-Dondoca para vencer os obstáculos que a impedem de penetrar nos meandros da polis!

segunda-feira, outubro 02, 2006

Vida Política de Dona Dondoca - II Episódio

Dona Dondoca levou toda a manhã aterefada. Ela sabia que tinha uma missão a cumprir para a qual tinha que arranjar um tempo para se sentar em frente ao computador. Não se apressou, porque já não tinha idade para ansiedades; a única coisa que achou importante manter foi a determinação. Não sabia quando iria ser possível realizar a missão. Mas sabia que não queria desistir dela. Chegado o momento certo ela sentou. Começou por perscrutar a net para chegar à página da CMO que logo abriu. Não pôde deixar de escapar um sorriso ao rever o anúncio animado ao SATU. Sim naquele tempo do Marquês de Pombal o SATU teria feito tanto sentido... Facilmente chegou à informação pretendida: CMO/CORREIO/EDUCAÇÃO, o que significa que o site cumpriu a sua função, o que em Portugal é um elogio. Obteve o telefone da pessoa responsável por assuntos de educação.
A curiosidade resolveu-a a fazer a chamada telemóvica. Tocou, tocou, tocou, tocou, tocou,…
Alguém atendeu e era uma pessoa cujo destino era ouvir uma grande parte da história antes de encaminhar a chamada para um doutor, a pessoa certa.

(Começa a música: a Primavera das Quatro Estações do Vivaldi – e já nem era o Dia da Música, só que há sítios em que sempre nos dão alguma música…)

A mesma senhora voltou a falar, o doutor tinha saído para uma reunião. Voltou à carga cada vez mais entusiasmada com a sua intuição para estas coisas. Voltou a contar toda a mesma história, agora com mais pormenores, alguns escabrosos. Meteu o assunto da segurança das crianças, da deficiente vigilância da escola, dos montes escarpados onde rebanhos de crianças pequenas brincam descuidadas aos cabritos monteses enquanto falta o pessoal das Actividades de Enriquecimento Curricular. Mas eis que foi aconselhada pela sensata receptora a mandar um mail explicando toda a situação. Sim, podia ser para aquela doutora, a mesma que dava a cara como responsável, para quem os mails eram automaticamente encaminhados. Achou o melhor e agradeceu o bom conselho.
Logo começou Dona Dondoca escrevendo empolgada o texto que se segue, na sua senda para apurar responsabilidades. E é que nem se esqueceu de pedir deferimento.

Senhora Doutora fulana de cicrana

Sou encarregada de educação de um aluno do 3º. Ano do 1º. Ciclo na Escola Básica Integrada de Miraflores (Escola EB I de Miraflores). No início do ano lectivo foi dada aos pais a possibilidade de inscreverem os seus filhos nas Actividades de Enriquecimento Curricular. Dado que o “pacote” incluía a Educação Física, a Música e o Inglês – que considero indispensáveis – além da Sala de Estudo, inscrevi o meu filho nas referidas actividades não tendo sido informada na altura de quaisquer problemas com as mesmas. Acontece que no dia 20/09 veio um Comunicado para casa avisando que não era ainda possível oferecer a actividade de Música. Como esta actividade funciona num horário intercalar, as crianças ficaram na escola sem que lhes tivesse sido oferecida outra actividade de substituição até que este problema fosse resolvido, o que surpreendeu os pais dado ao facto de existir um deficit de vigilância numa escola que é grande, que oferece pouca segurança aos alunos de 1º. Ciclo ali integrados e que dispõe de pouco pessoal auxiliar vocacionado para lidar com crianças deste baixo nível etário. Com efeito, no final da semana passada veio para casa para os pais assinarem uma nova Informação que responsabiliza a Câmara Municipal de Oeiras pelas Actividades de Enriquecimento Curricular, informando que “a maior parte das actividades não têm sido asseguradas”, que “os alunos têm ficado na Escola à guarda de professores e funcionários para além do seu horário” e que a situação, caso se mantenha “torna-se insustentável” pelo que estas actividades poderão vir a ser suspensas.
Outros pais já se mostraram preocupados por saberem que os seus filhos andam pela escola um pouco desacompanhados e também porque os pais, na sua maioria, são trabalhadores e contaram com a oferta destes tempos lectivos por parte da escola não tendo a vida organizada de forma a poderem ter os filhos consigo durante esse horário laboral.
Servindo um pouco como porta-voz de outros pais que se mostraram inquietos face a este contratempo inesperado, venho rogar a V. Exa. que me informe em que situação se encontra esta questão da contratação de pessoal por parte da CMO, no sentido de que as AEC possam vir a ser prontamente asseguradas, uma vez que, como deve V. Exa. compreender, a sua suspensão em muito prejudicaria a vida profissional dos pais e o enriquecimento curricular dos alunos.

Envio os melhores cumprimentos.

Pede deferimento

E amanhã? Terá ela uma resposta no seu mail? E que resposta será essa? E se não houver resposta, que música ouvirá enquanto aguarda? Será que desta vez terá que contar toda a história ao tal doutor das reuniões?

E que novo papel encontrou ela na mochila do filho? Como irá enfrentar a nova manobra da escola que retirou da oferta do pacote a última meia hora de actividades. Será que os pais vão largar os seus empregos para ir buscar as crianças às 17:00h? Será que a Ministra da Educação já sabe que a lei não está a ser cumprida no que toca a horários? Descubra quem é o responsável por esta brilhante solução das crianças pouparem nos intervalos para saírem mais cedo: a pérfida Presidente do Conselho Executivo da escola? A CMO?

Não perca as respostas a estes enigmas nos próximos episódios de

Dona Dondoca nos meandros da pólis

Isaltino Pilatos Morais

domingo, outubro 01, 2006

Vida Política de Dona Dondoca - I Episódio

Afazeres para amanhã:
- Ligar para a Câmara Municipal de Oeiras para falar com a pessoa responsável pela Educação e perguntar-lhe o que se passa com as Actividades de Enriquecimento Curricular na escola dos meus filhos;

No dia 18/09, quando as aulas começaram, tudo parecia correr às mil maravilhas, tudo conforme o previsto pela Maria de Lurdes Pilatos. A escola parecia estar apta a “oferecer este serviço” aos alunos do 1º. Ciclo. Apesar de estranho, era pegar ou largar. Quem quisesse assinava um papel a dizer que sim. Os que não quisessem ficavam sem o pacote Educação Física, Música, Inglês e Sala de Estudo, actividades indispensáveis que deveriam antes constar do horário lectivo obrigatório.
Com o pomposo nome dado aos vulgares “prolongamentos” de “actividades de enriquecimento curricular” se matavam assim, pelo menos, duas disciplinas básicas de uma cajadada – Educação Física e Música – e ainda mais outra prometida pelo nosso Pinóquio, digo, pelo nosso primeiro, o apregoado Inglês. Bem, até aí nem tudo estava perdido. Estava decidido: escolher o prolongamento, embora não fosse minha intenção este ano. Nesse dia glorioso trouxe para casa um precioso papel que afirmava assertivamente: “as actividades (…) serão asseguradas”.
Eis senão quando no dia 20 recebo um “comunicado” dizendo: “ainda não é possível oferecer aos alunos a actividade de música…”, sem mais explicações.
Esta actividade era intercalar e as crianças ficaram na escola à espera da actividade seguinte. Embora a escola tenha emitido um papel em que diz se responsabilizar pelos alunos que aceitaram a "oferta" do prolongamento até às 17:15, hora a que termina a escola, parece que não têm pessoal disponível para acompanhar os meninos. Que andaram para lá ao deus dará e algumas das mãezinhas souberam que os seus filhos não tiveram as aulinhas e para eles não houve "aulas de substituição".
Aquilo não deve ter corrido pelo melhor e passados poucos dias mandaram mais um papelinho, o tal cujo assunto me levará amanhã a telefonar para a CMO e que ameaça suspender as actividades.
E a Ministra que estava tão certa de que tudo ia correr tão bem, que ela descalçava esta bota dos prolongamentos, as escolas descalçavam a mesma bota, e as câmaras municipais, haviam de ir para a frente, resolver o problema das botas. Elas que arranjassem tempo e dinheiro para tratar desses assuntos que ela lavava daí as suas mãos.
Pois a senhora ministra esqueceu-se de que pessoas de confiança e que se mostram sempre disponíveis, pessoas que comparecem nas assembleias para resolver as coisas que prometeram resolver e que raramente dizem ter a agenda muito preenchida, como o senhor Isaltino Morais, são as pessoas à frente das Câmaras, pessoas que se premeiam de um poder absoluto, capazes de assumir eles mesmos vereações da educação em vez de entregá-las a outros incompetentes, pessoas multifacetadas de quem se espera que venham a resolver este problema enquanto tudo segue bem com as construtoras e as cimenteiras a lançar os seus tentáculos sobre o nosso burgo. Por isso a ministra não se preocupou mais, e foi para banhos e até ligou ao Sócrates dizendo-lhe como tinham sido hábeis a resolver aquela maçada dos prolongamentos.
- “Prolongamentos” não, cara colega, “Actividades de Enriquecimento Curricular”, não se esqueça que assim soam muito melhor e já não se volta a enganar para a próxima…”

Veja nos próximos episódios o desenrolar de mais um drama da vida escolar dos nossos filhos. Será que da CMO vão atender a chamada? Será que vai passar aquela música? Irá Isaltino Morais ele o próprio que virá ao telefone? Ou será que a nossa mãe muda de estratégia e envia uma carta registada e com aviso de recepção para a Vereação da Educação da CMO? E a escola?
Será mesmo assim obrigada a assegurar a segurança das crianças? E nos entretantos? Partirão elas com uma bolada o placard que levou dois anos a ser conquistado pela Associação de Pais?
Não perca as respostas a todas estas questões nos próximos episódios da novela
Vida Política de Dona Dondoca
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Lord Acton
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