sábado, abril 25, 2009
quinta-feira, abril 23, 2009
Pode a UE ser o que não é?

PRIVATIZAÇÕES
Após a entrada em vigor do Acto Único nos finais de
O balanço já efectuado dessas liberalizações apela a prudência. Os britânicos foram obrigados a renacionalizar os transportes ferroviários. A liberalização do sector eléctrico, tanto na Europa como nos EUA, fez aumentar os problemas: preços mais elevados e voláteis, ruptura de fornecimentos, manipulação dos mercados, etc. E a opinião pública, ao constatar que a liberalização rima com alta de preços, mostra a preferência pelo Estado.
Dois projectos políticos são agora possíveis: a curto prazo, a retoma das nacionalizações e a recusa da Europa; a longo prazo, lutar pela regulamentação dos serviços públicos para que não sejam um sub-produto mínimalizado de uma política de concorrência. A posição muito liberal da Comissão é apoiada na aliança com organizações patronais e partidos políticos da direita e do centro-esquerda. O que uma aliança política faz, outra pode mudar. O projecto de Constituição europeia autoriza, no entanto, a definição de uma política europeia activa de serviços públicos.
O obstáculo não é jurídico. É político.
Christian Chavagneux, editorial de Alternatives Economiques, nº 24, 4º trimestre de 2004 (www.alternatives-economiques.fr)
quarta-feira, abril 22, 2009
«a culpa é dos partidos, pá, essa merda dos partidos é que divide a malta...» (FMI)

O Parlamento Europeu diz a cada cidadão que “a escolha é sua”. Aparentemente, dois terços dos europeus escolhem… abster-se, nas eleições europeias de Junho.
O eurobarómetro sobre a previsão de participação foi publicado oficialmente esta quarta-feira. Desde o início da semana que se conheciam alguns dos resultados saídos deste inquérito europeu. Assim, a abstenção poderá atingir os 66% – o valor mais alto desde as primeiras eleições europeias, realizadas em 1979.
A maioria dos inquiridos afirma não ter qualquer interesse nas eleições europeias e considera que o seu voto não muda nada. A culpa, diz o eurodeputado francês Alain Lamassoure, é do posicionamento dos partidos a nível nacional: “Os partidos políticos têm tendência a levar as eleições europeias para o campo dos interesses nacionais e a formar listas em função da solução dos problemas internos, em vez de compreenderem que se trata de eleger as pessoas que os vão representa no Parlamento Europeu nos próximos cinco anos.”
A maioria dos inquiridos afirma ainda que o Parlamento Europeu não se ocupa do quotidiano dos cidadãos. Para o politólogo Pascal Delwit, algo não bate certo: “É um paradoxo. Hoje votamos para representantes de uma instituição que é mais forte do que era há 30 anos, mas ao mesmo tempo, os cidadãos não sentem isso e, portanto, não se empenham.”
Os polacos são os menos empenhados: apenas 17% tenciona ir às urnas. Depois da Áustria e do Reino Unido, Portugal surge no quarto lugar: apenas 24% dos portugueses tenciona ir votar, no próximo dia 7 de Junho.
E mesmo se a crise e as suas consequências são as principais preocupações dos europeus, apenas um terço dos inquiridos diz ter visto, lido ou ouvido falar de medidas tomadas pelas instituições europeias para fazer face à crise ou ao desemprego, por exemplo.
Eleições Europeias 2009 Cobertura Especial Euronews
(consultem o SITE)
Leiam este artigo sobre a abstenção!
terça-feira, abril 21, 2009
Ruptura com a UE e cooperação entre as nações europeias

- Teria que responder que acredito ser esse o caminho certo. E que admitir que uma saída não depende só de mim, ou do ciclo de pessoas à minha volta, mas que terão que ser as pessoas por si próprias a informarem-se e a chegarem a essa conclusão. Que ainda assim não depende apenas das pessoas do meu país mas do movimento das pessoas de todos os países da União Europeia, sujeitas todas às mesmas políticas e às mesmas consequências.
- Diria que não sou só eu aqui neste canto da Europa a achar que esse é o único caminho que permite retomar o caminho de reconstrução aberto no 25 de Abril. Que por toda a Europa há um enorme descontentamento a pulsar. Que a crise e o desemprego são consequência das políticas económicas praticadas durante as últimas décadas pela União Europeia e que todos temos em conjunto que deitar mãos-à-obra para reconstruir o sector produtivo de cada nação.
- E que não nos venham agora dizer para seguirmos uma vez mais o exemplo dos EUA pois foram eles que levaram junto a Europa para o buraco negro das políticas capitalistas, ditas neo-liberais e que as soluções encontradas não fazem mais do que agravar a crise e mergulhar ainda mais as nações nas água pútridas do lucro desmedido, do consumo, do endividamento e da dependência económica e política, agravando por todo o lado as desigualdades sociais.
- Não está aqui em questão Portugal se isolar do resto do mundo. Existe um projecto possível de cooperação e de gestão democrática e equitativa dos recursos à escala global. Mas não são estes governos nem estes dirigentes mundiais que estão interessados em o colocar em prática. Somos europeus. Podemos e devemos começar por construir uma Europa cooperante constituída por nações livres, independentes, soberanas, que troquem aquilo que produzem e partilhem os recursos naturais de uma forma racional. Os povos hão-de perceber que não há outro caminho senão romper com estas políticas e com estes políticos defensores da especulação e da alta finança contra os povos.
segunda-feira, abril 20, 2009
preciosa ausência...
Foto de Lia Costa Carvalho (daqui)
Ontem vim aqui tarde e a boas horas apenas para colocar uma música do José Mário Branco nas Músicas de Abril: “Ser solidário”. Assim se completou o círculo do dia: à tarde o debate do PASSA PALAVRA sobre a luta dos professores e a defesa da escola pública; à noite uma irrepetível actuação de José Mário Branco, Camané e Dead Combo, no MusicBox. Vinha sem palavras. Talvez ainda continue sem palavras… preciosa ausência.
sábado, abril 18, 2009
sexta-feira, abril 17, 2009
Campanhas de dinamização cultural
Sim, viva a mulher, mas e afinal o que é um latifúndio? Assim não admira que este povo tenha permanecido na ignorância!
Parlamento Europeu: FACHADA DEMOCRÁTICA DA UNIÃO EUROPEIA
O Parlamento tem como missão participar na implementação da política da União Europeia.
É a Comissão Europeia – a «guardiã dos tratados» – que tem o monopólio do poder de fazer propostas e do direito de tomar iniciativas.
O Tratado de Maastricht é claro: «O Parlamento pode, por maioria dos seus membros, pedir à Comissão que submeta qualquer proposta apropriada sobre as questões que lhe pareçam necessitar a elaboração de um acto comunitário para pôr em prática o presente tratado.»
Portanto:
1) Um deputado europeu não tem qualquer poder, pois todas as propostas devem ser submetidas à maioria dos membros do Parlamento (e não elaboradas ou apresentadas pelos deputados!).
2) Qualquer proposta deve, obrigatoriamente, inscrever-se no âmbito da implementação dos tratados europeus, que preconizam a redução dos défices orçamentais, as privatizações e a «concorrência livre e não falseada».
3) Em última instância, é sempre a Comissão Europeia (órgão não eleito) que decide.
in O Militante Socialista, nº. 76, 09/04/2009
# Kaótica in O LIBERTÁRIOquinta-feira, abril 16, 2009
Como vamos de outra forma exigir a proibição dos despedimentos?
Esteve (e está!) em vários blogues, foi amplamente divulgado por mail, com o link para assinar online (ou seja, não é uma questão de dificuldade ou de preguiça); por que será que as pessoas não o assinam online?
Será por os apelos e as petições online terem pecado por excesso e as pessoas estarem fartas ou não acreditarem na sua eficácia? Não deve ser pois ainda há bem pouco apareceu uma petição altamente discutível, que exigia a responsabilização das famílias pela violência permitida nas escolas e aquilo em pouco tempo ficou com centenas de assinaturas. Outra, que foi nitidamente feita na brincadeira mas que até eu mesma assinei, propondo o voluntariado na política, essa então foi um ver se te avias, tem reunidas imensas assinaturas com BI e tudo nos conformes.
Mas esta petição, que simplesmente toca no problema mais grave que enfrentamos neste momento: os despedimentos em massa - esta não passa disto. Será por as pessoas não quererem saber dos despedimentos dos outros? Será por que acham que os despedimentos e prosseguir com o desmantelamento do sector produtivo irão resolver o problema da crise?
Há dias encontrei um artigo bastante interessante sobre a eficácia/ineficácia da luta via Net. Referia precisamente o caso de uma petição que obteve imensas assinaturas num determinado lugar onde as pessoas usaram o sistema de assinaturas cara a cara; enquanto que, contra todas as expectativas, não conseguiu obter um número relevante de assinaturas via Net.
Faz parte da consciência de cada um assinar ou não. Mas desde já vos digo: os governos vão continuar a permitir os despedimentos em massa, ao abrigo da crise e ninguém estará livre de lhe acontecer, por muito qualificado que seja.
(Já agora veja no video as "razões" para a não proibição apontadas pelo senhor inginheiro: «o paradigma das políticas que seguimos»)
quarta-feira, abril 15, 2009
Odor a cadáver
Documentário sobre Maddie fez crescer audiências (cliquem para ler a notícia)
As pessoas estão interessadas em ver como os crimes que se desenrolam diante dos seus olhos se vão resolver, como vão acabar. As pessoas adoram que uns sejam culpados e que outros sejam inocentes. Estão habituadas a acompanhar as telenovelas, a realidade é apenas mais… real. As pessoas gostam que seja feita justiça, só que daqui a uns poucos de anos já nem se lembram do que isso era. Olhos que não vêem coração que não sente, dizem, mas justiça lhe seja feita!
Por isso sobem as audiências quando aparece o caso Maddie nas televisões e sobe outro canal que passar o caso Casa Pia. As pessoas gostam de casos, habituaram-se. Mas qualquer dia com a repetição quando perceberem que não se vão resolver… vão-se fartar de seguir os enredos.
Eu acho que crimes como os que se passaram na Casa Pia não podem ficar impunes e desaparecer uma criança deixando tantos rastos e ninguém descobrindo é mais do que suspeito, para mais envolvendo o Papa.
terça-feira, abril 14, 2009
Livros para que vos quero
Trazer este livro já valeu só pelo pouco que li: a incursão do Conde de Abranhos na Conferência de Berlim, o seu discurso e as situações que se criam são hilariantes, assim como a conclusão tirada pelos pasquins portugueses. Mostra bem o que já era a Europa e a relação que mantinhamos com ela. Bismark, Disraeli e Thiers, os deuses ex-machina inacessíveis que surgem apenas para firmar os tratados que nos tramam; a delegação portuguesa no tempo em que ainda havia os Condes de Abranhos, cães que ainda ladravam mas já não mordiam. E a bajulação, a sabujice, sempre a acompanhar.
Este é certamente um livro menor não entrará jamais nos cânones da Literatura Portuguesa. Nos tempos que correm mais depressa lá colocariam uma Isabel Alçada ou um guião dos Morangos com Açucar. Gosto de livros assim, que me vêm parar às mãos por acaso. Sempre lidei bem com o acaso, como se fosse uma espécie de sinal que depende da minha capacidade de interpretação, de decifração, de leitura.
Por isso não resisto a livros abandonados.
segunda-feira, abril 13, 2009
Na Tailândia não estão nada satisfeitos com o primeiro-ministro, mas ele insiste em mandar

Manifestantes apedrejam a viatura do ministro do Interior tailandês STR, EPA
Banguecoque - Milhares de manifestantes desafiaram hoje (domingo) o estado de emergência decretado em Banguecoque, onde militares armados patrulhavam as ruas depois de manifestações contra o governo durante as quais tiros foram disparados e o primeiro-ministro foi perseguido por opositores.
Em Banguecoque, os manifestantes ergueram barricadas com autocarros e tomaram pelo menos um tanque do Exército, segundo a polícia.
Segundo a polícia, pelo menos 15.000 pessoas permaneciam na noite deste domingo diante da sede do governo, onde estão acampadas desde o dia 26 de Março, desafiando a proibição decretada pelas autoridades de manter reuniões com mais de cinco pessoas.
"Não ligo para o estado de emergência. É apenas papel sujo de tinta", esbravejou Nattawut Saikuar, um dos líderes dos
manifestantes.
para ler mais AQUI
Este tipo de violência dos Estados contra a resistência dos povos vai dar que falar. Suponho que esta revolta não é organizada, é uma revolta kaótica que tem apenas como horizonte tirar de lá o primeiro-ministro, correr com essa gente. Desconheço a história da Tailândia, mas as razões dos populares contra os governos é sempre a mesmo: é porque estão a destruir coisas construídas, estão a despojar os trabalhadores do bem público e já nem se limitam a reduzir o poder de compra, despedem trabalhadores em massa dizendo que é da crise. Ouvi que a Tailândia foi muito prejudicada com a crise: o turismo ressentiu-se e o povo estava sem outros recursos para sobreviver.
Receio que esta revolta não seja organizada e apenas vá dar pretextos para os Estados reagirem com violência. Não no sentido de já haver vários partidos organizados, com planos traçados para agarrar o sistema nas suas mãos, mas no sentido de serem as pessoas, os trabalhadores a quererem se organizar, unindo-se numa mesma luta, para a tomar a seu cargo.
No entanto continuo a achar que isto está a atingir umas proporções por todo o lado que ainda não ouvi comentar. Perante a revolta, por aqui, está tudo calado, a ver o que é que vai dar do outro lado do mundo. Abrir pressupostos de violência é arrasar com a democracia ao mais alto nível. Afinal quando os povos não reconhecem legitimidade às leis dos Estados - quem sabe absurdas e prejudiciais - as suas razões deviam ser ouvidas pelos governantes, pelo menos pelos que foram eleitos e estão nos cargos no cumprimento de um mandato.
Ou já não há mandatos? Ou são todos "mandados" como dizem os jornalistas nos telejornais. Mandados de quem, ao serviço de que poderes e interesses? Isso é o que importa saber.
domingo, abril 12, 2009
sexta-feira, abril 10, 2009
«my sins my own they belong to me, me»
by Patti Smith
Jesus died for somebody's sins but not mine
meltin' in a pot of thieves
wild card up my sleeve
thick heart of stone
my sins my own
they belong to me, me
people say "beware!"
but I don't care
the words are just
rules and regulations to me, me
I-I walk in a room, you know I look so proud
I'm movin' in this here atmosphere, well, anything's allowed
and I go to this here party and I just get bored
until I look out the window, see a sweet young thing
humpin' on the parking meter, leanin' on the parking meter
oh, she looks so good, oh, she looks so fine
and I got this crazy feeling and then I'm gonna ah-ah make her mine
ooh I'll put my spell on her
here she comes
walkin' down the street
here she comes
comin' through my door
here she comes
crawlin' up my stair
here she comes
waltzin' through the hall
in a pretty red dress
and oh, she looks so good, oh, she looks so fine
and I got this crazy feeling that I'm gonna ah-ah make her mine
and then I hear this knockin' on my door
hear this knockin' on my door
and I look up into the big tower clock
and say, "oh my God here's midnight!"
and my baby is walkin' through the door
leanin' on my couch she whispers to me and I take the big plunge
and oh, she was so good and oh, she was so fine
and I'm gonna tell the world that I just ah-ah made her mine
and I said darling, tell me your name, she told me her name
she whispered to me, she told me her name
and her name is, and her name is, and her name is, and her name is G-L-O-R-I-A
G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria
G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria
I was at the stadium
There were twenty thousand girls called their names out to me
Marie and Ruth but to tell you the truth
I didn't hear them I didn't see
I let my eyes rise to the big tower clock
and I heard those bells chimin' in my heart
going ding dong ding dong ding dong ding dong.
ding dong ding dong ding dong ding dong
counting the time, then you came to my room
and you whispered to me and we took the big plunge
and oh. you were so good, oh, you were so fine
and I gotta tell the world that I make her mine make her mine
make her mine make her mine make her mine make her mine
G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria,
G-L-O-R-I-A Gloria
and the tower bells chime, "ding dong" they chime
they're singing, "Jesus died for somebody's sins but not mine."
Gloria G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A,
Gloria G-L-O-R-I-A, G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria
G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria,
G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria,
G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria .
Sempre achei que andar em Lisboa a reparar era uma deambulação altamente surrealista. Em Lisboa já me aconteceu de tudo. Até uma vez numa noite num passeio ao miradouro da Graça para mostrar a um amigo açoreano e nós todos na conversa na esplanada a beber uns copos, de repentemente aparecem os bombeiros e as sirenes e tudo aos saltos por cima das mesas. Cães raivosos, Teresas Guilherme e seus muchachos numa mesa aos berros e eu a pensar são cães da droga, vêm ao cheiro. Os bombeiros cercam os cães ,a gente paga a conta e vem-se embora para o velho Volkswagen a rir e a dizer que aquilo era mesmo muito surrealista, aliviados alguns… outra vez foi aquela da pensão, em que se entra por uma rua, sobem-se um ou dois pisos e sai-se pelo outro lado. Na brincadeira fizemos o nosso amigo, toino, suspeitar que íamos pernoitar na pensão, arranjar UM quarto para os 3. Depois, quando ele já estava à toa, saímos pelo outro lado e ficámos à espera que ele se decidisse a continuar a subir. O que nós gozámos com ele por ali fora. Tantas histórias pelos miradouros, tocadelas e conversas até às quinhentas. Andávamos sempre a rir, como às vezes aqui em certos blogues.
Mas agora, que já não habito em Lisboa, é muito raro lá ir. Hoje porém aconteceu ir, já estava decidido que lá íamos em passeio de férias de Páscoa para sairmos todos um pouco do mundo um pouco virtual que artificiosamente criamos
Andar por Lisboa a vaguear é sempre uma alucinação; uma viagem de eléctrico por Alfama é um filme decadente, kitsch, surreal, contraditório, destrutivo, fantástico. No bairro alto as paredes das casas estão cobertas de grafitis, tudo tem mau aspecto no exterior e depois aquele contraste do interior dos barzinhos e de certos restaurantes cuidados, modernos. As montras das lojas são completamente surreais e certos muros, certos pormenores, a mistura com as adegas típicas e as casas de fados, as toalhas surradas nos estendais, o tipo todo tatuado à porta da sinistra loja das tatuagens, tudo aquilo underground e também o povo falando de janela para janela nas surreais janelas das casas grafitadas.
Hoje andei por lugares onde em caso de um terramoto acontecer não ficaria pedra sobre pedra. Vale a pena visitar lugares assim e mostrá-los aos nossos filhos, para memória futura. Quem sabe quanto tempo ainda vai durar essa ruína. Lisboa precisava de ser arranjada a sério, em conjunto, numa espécie de plano para preservar o que ainda está de pé. Obra para fazer no nosso país não falta, mas a construção até agora dava mais dinheiro. Tanto edifício degradado que com a crise vai ganhar novos motivos para continuar ao desmazelo. Se acontece alguma coisa aquilo ali desaparece tudo
O tempo ficou cinzento, com vento agreste nos miradouros, os melhores testemunhos da imponência da cidade… ao longe, mas pode esse olhar distanciar-se quando já experimentou a estranheza do pormenor e da diversidade que se passa ali em baixo naquela cidade louca? É nos pormenores é que Lisboa é surrealista, as imagens desenrolam-se como num filme e o estranho ressalta e se impõe, único e irrepetível.
Como já viram, eu adoro Lisboa e tenho imensa pena de que não seja mais estimada e preservada. Já os meus filhos a vêm com maior distância e não lhes agrada muito a parte da decadência. Preferem voltar para o ninho, para o sofá e para os outros mundos virtuais que em nossas casas permitimos, ainda o que mais valeu foi os passeios nos eléctricos, novos e antigos. Conseguimos vir numa dessas viagens sentados à velha janela de madeira, aberta, de um desses eléctricos antigos a ver mais um filme. Antes, à ida para lá foi uma estrangeira a filmar todo o percurso apenas colocando o aparelho fora da janela, o que já de si deve depois se revelar um pouco surrealista. Pelo menos restarão um dia essas imagens e para meu uso exclusivo as que conservo na retina.
quinta-feira, abril 09, 2009
Estamos todos sujeitos à Taxa de Absorção Específica?

Imagem do Pantanero
Efeitos das radiações na saúde continuam em estudo
Especialistas desconhecem malefícios dos telemóveis
Daniel Sebastião, investigador do Instituto das Telecomunicações, considera ser mais ou menos consensual [mais ou menos???] que a exposição de uma pessoa à radiação dos telemóveis até dez anos "não provocará, em princípio, cancro" [e no fim?]. Acima deste período, diz, ainda não existem resultados porque há poucas pessoas que utilizam o telemóvel há mais de dez anos [ah! Nós somos as cobaias!].
Santos Rosa, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, refere, por seu lado, que a maioria dos utilizadores de telemóvel desconhece os níveis de radiação do aparelho.
"As pessoas compram os telemóveis por serem bonitos, por terem ou não 3G e nunca vêem o SAR (Taxa de Absorção Específica), a quantidade de energia que o corpo absorve quando se está ao telemóvel”.
Não encontrei nesta notícia um pingo de certeza de coisa nenhuma. Somos ao que parece a primeira leva de humanos a expor-se desta forma a radiações de toda a espécie, dos telemóveis aos restantes aparelhómetros. Estamos agora a começar a ficar preocupados ao pensar nas consequências. Sabemos de casos, mas enquanto não for connosco ou com os nossos não queremos muito saber.
Ultimamente nem imaginam as horas que tenho passado ao telefone. Agora vejam como me sinto ao encontrar na net esta notícia?
Na verdade nós não ligamos, nós não queremos saber. Criámos rapidamente uma dependência tão grande do telemóvel que nem queremos realmente conhecer estas notícias, preferíamos não saber para não nos incomodarmos a pensar. Assim vive alienada uma sociedade incapaz de recusar os malefícios ainda que depois de detectadas as suas consequências.
Os menos pessimistas hão-de pensar: isto não está provado, isto não pode acontecer. Não haverá forma de medir os níveis de radiações a que somos sujeitos durante uma conversa de meia hora? Como pode a tecnologia produzir tais prodígios sem estar aliada à ciência que testa e experimenta antes de afirmar. A nossa geração e as que com a nossa se cruzam são as cobaias das experiências da tecnologia. E isso é feito com o nosso inteiro acordo e consentimento.
quarta-feira, abril 08, 2009
O novo «senso comum» da educação capitalista
O novo «senso comum» da educação capitalista
A educação escolar nos dias que correm já não é considerada uma forma de ampliar as oportunidades, desenvolver programas de educação intercultural, melhorar as oportunidades de vida das mulheres e dos jovens, mas antes uma maneira de organizar a educação escolar com o fim de promover a competitividade, de tornar rentável o investimento na formação dos futuros recursos humanos. Tanto os socialistas, como os sociais-democratas, liberais e conservadores uniram-se para fazer vencer estas novas regras de jogo, condicionando e estreitando os objectivos políticos do que deveria ser um verdadeira educação, como um direito igual para todos.
O aparecimento simultâneo de reformas educativas em diferentes continentes e países, apesar de se materializar em distintos tempos, lugares e formas, leva-nos a concluir que as actuais reestruturações na educação devem entender-se como um fenómeno global e coerente, plenamente sintonizado com a ideologia neoliberal dominante, e que parece vir a configurar-se como um novo «senso comum», tão poderoso que é capaz de condicionar toda a discussão sobre a matéria.
O esquema é semelhante por todo o lado. Começa com a fabricação de uma imagen catastrofista da educação ( fracasso escolar, indisciplina, etc) para, de seguida, se desfraldar a bandeira de «modernização», da «eficácia» e assim se lançar todo um programa de reestruturação que leva invariavelmente a um enviesamento dos objectivos da educação no sentido de a colocar ao serviço das necessidades e das regras dos mercados e não tanto com vista à formação integral dos indivíduos e dos jovens em idade escolar.
Não é por acaso que o abortado Tratado da Constituição Europeia designa os serviços públicos, tais como o da educação, como Serviços Económicos de Interesse Geral (SEIG), evitando assim definir a educação como um direito, ao mesmo tempo que dilui a responsabilidade do Estado por outros agentes sociais. Ou seja, deixa-se aos provedores privados a iniciativa de desenvolver as suas actividades lucrativas no novo mercado da educação, e só os sectores ou segmentos que não sejam rentáveis serão entregues ao sector público.
Este novo discurso vêm sempre acompanhado pelo chavão da «liberdade de escolha» que se tornou, pelos vistos, a nova base da igualdade entre todos os cidadãos! E já nem sequer se fala que as diferenciações entre os estabelecimentos escolares devam ser minimizadas, proporcionando os recursos necessários àqueles que mais os carecem para poderem melhorar. E isto verifica-se quando precisamente a investigação e análise em educação nos mostra que o sistema de cheques e créditos escolares, e a escolha e o reforço das escolas privadas não favorecem uma melhor educação nem garantem um igual acesso ao bem essencial que é a educação. Uma tal tendência tem mesmo provocado a redefinição e restrição dos fins do que deve ser a matéria própria para a educação, bem como a segregação e o aumento da estratificação social, a drenagem dos recursos das escolas públicas para as privadas, e a transformação da educação num promissor negócio, com óbvias consequências negativas para os jovens dos grupos sociais mais cadenciados.
Aceitar ou não os alunos, com maus resultados nos exames, que provoquem uma consequente descida da posição de uma certa escola no Ranking nacional do mercado da educação, passa a ser uma decisão da gestão das escolas, que conduz à deslocação da atenção sobre as necessidade dos alunos para as necessidades da escola, que passa então a ser o centro da política educativa. No fundo, trata-se de pura gestão empresarial… das escolas, eliminando-se num golpe toda a abordagem personalizada dos jovens educandos e a sua formação integral como objectivo último do sistema educativo.
A introdução dos sistemas e métodos de gestão e funcionamento empresariais nas escolas gera todo um novo ecossistema organizacional que leva à diferenciação dos funcionários docentes( funcionalização do pessoal docente), onde os «ex-professores» se «proletarizam» em tarefas burocrático-funcionais ao serviço da melhor perfomance da escola-empresa. Um fenómeno a que alguns chamam de McDonaldização e que remetem para um gerencialismo e empresarialização das organizações escolares à imagem e ao estilo do que acontece com os conhecidos estabelecimentos de Fast-food espalhados por todo o mundo.
Não se duvida que a escola deva ter uma ligação com as necessidades do mercado laboral. O que já é fortemente questionável é sujeitar as escolas aos diktats do todo-poderoso mercado e fixar metas e objectivos em função das necessidades educativas que não são das próprias pessoas, transformando-as muito simplesmente em puros recursos humanos e mão-de-obra descartável.
A educação deixa então de ser um bem público, uma responsabilidade colectiva, um direito das pessoas, para se transformar em objecto gestionável destinado a servir os objectivos da economia e do mercado, onde a competição individual e as necessidades lucrativas das empresas determinarão as orientações em matéria de política educativa.
Este novo «senso comum» explica, em grande medida, porque é que cada vez mais, muitos jovens, e respectivas famílias, não se preocupam tanto com a qualidade de educação que recebem, e com a igualdade no acesso à educação, preferindo fixarem-se obsessivamente com as boas classificações, custe o que custar, e a simples aquisição de certas competências que possam ser trocadas (ou permutadas) por empregos ( muitas vezes, precários e mal pagos) existentes no mercado laboral.
Eis o que nos espera o refinado negócio da educação do admirável mundo novo do capitalismo global e das suas divindades: a competitividade (a concorrência, a competição e a guerra entre indivíduos e empresas) e o sacrossanto mercado ( transformado agora em deus secularizado que tudo explica e a todos escraviza)
Adaptação de um texto publicado no quinzenário madrileno Diagonal
Por viriato
terça-feira, abril 07, 2009
Estado Português Processado (Caso Manuela Estanqueiro)
Finalmente..., Estado Português Processado!Estes políticos não se vão esquecer do nome Manuela Estanqueiro, que foi obrigada a trabalhar quase até morrer, sem lhe ser dada a aposentação por incapacidade, com uma Leucemia Mieloide Aguda, com um estado físico e psicológico altamente debilitado!
Há duas semanas o Sindicato de Professores da Zona Centro, entrou com o processo em Tribunal contra o Estado Português, a Caixa Geral de Aposentações e os elementos constituintes da Junta Médica (CARLOS MAIA, MARIA CARMO CRUZ E MANUEL AMADEU RÉ CASTRO).
RESERVO-ME AO DIREITO DE PENSAR QUE SE NÃO HOUVER JUSTIÇA, É PORQUE O PODER POLÍTICO SE SOBREPÕE A TUDO E A TODOS....
Relembro" Estou chocado" - disse o Sr. Primeiro Ministro
Resultados das averiguações do funcionamento das Juntas médicas - nunca foram divulgados publicamente. As atrocidades continuam a acontecer! Então Sr. Primeiro Ministro? O que diz agora?
Teresa Silva - "A Verdadinha"
Conhecem algum caso? Não deixem passar em branco! Divulguem, denunciem !
A Verdade Acima de Tudo aqui
segunda-feira, abril 06, 2009
De volta à luta
Já com o mês de Abril a rolar, e à semelhança de outros blogues que o têm feito, o Pafúncio incluirá durante este mês as músicas de Abril no seu repertório (e às vezes também nos outros meses!).

























