Quando o Louçã apareceu a dizer que o senhor Armando Varas tinha que tomar uma posição, só me lembrei daquela velha piada "ó homem, ou dentro ou fora, isso é que não é posição para um homem!" Mas também quem nos diz a nós que lidamos com "homens"? A mim parecem-me mais hienas que comem apenas os restos do que já está putrefacto.
quarta-feira, janeiro 09, 2008
Reflexões de quem adormeceu no sofá
Quando o Louçã apareceu a dizer que o senhor Armando Varas tinha que tomar uma posição, só me lembrei daquela velha piada "ó homem, ou dentro ou fora, isso é que não é posição para um homem!" Mas também quem nos diz a nós que lidamos com "homens"? A mim parecem-me mais hienas que comem apenas os restos do que já está putrefacto.
terça-feira, janeiro 08, 2008
segunda-feira, janeiro 07, 2008
A Arte de Escolher Intervir

“Não sei por onde vou / Não sei para onde vou / Sei que não vou por aí.”
Com o grito rasgado do poema de José Régio começo o meu manifesto convivencial ou a arte de resistir.
Chegou também a minha hora de dizer: Basta!!! E irei assim intervir civicamente na vida pública deste país.
Prometo resistir de forma pacífica, mas muito activa, a este permanente, sistemático e ardiloso ataque ao Sistema Educativo Português. Atenção que ainda estou a chamá-lo Sistema Educativo e não Sistema Produtivo que é aquilo em que o querem transformar. O triste é que o Ministério da Educação se tenha convertido num Ministério de Produção. O paradigma que preside e orienta as novas reformas educativas é sem dúvida o paradigma industrial, empresarial e produtivo. A transformação da escola numa empresa e do processo ensino e apren
dizagem num processo produtivo pressupõe a metamorfose do aluno em matéria prima e do professor num fabricante de objectos.
Pensava eu que o aluno era um ser humano único e irrepetível, um tesouro incomensurável que nunca poderia ser reduzido à dimensão de um objecto, pela sua transcendência e grandeza. Afinal estava enganado!
Pensava eu que a relação pedagógica se revestia de um carácter extraordinário, quase miraculoso. Julgava que o professor era muito mais que um mero executante ou manipulador de objectos. Concebia o professor como um ser especial com a mais digna e nobre missão: ajudar a formar pessoas. Confesso que estava errado nos meus pressupostos.
No inicio da legislatura, a Sra. Ministra utilizou um argumento absolutamente definidor da sua concepção de Educação. O investimento no ensino cresceu – dizia – nos últimos vinte anos tanto por cento (não me lembro quanto!) e o sucesso escolar não acompanhou esse crescimento; retirava daí o seguinte corolário: os professores são culpados e devemos fazer com que os professores produzam mais sucesso.
Para que os professores se tornem mais produtivos devem passar mais tempo nas escolas e em paralelo é necessário que os alunos também passem mais tempo a aprender. Este é o pensamento da regra de três simples ou da proporcionalidade directa. Mais tempo a produzir maior produção, maior espaço temporal a aprender maior volume de aprendizagens adquirido. Fabuloso!!! Uma ideia genial. Como é possível que não tenha sido pensada antes? Será talvez porque os alunos não são pregos, nem parafusos, nem salsichas... nem outro objecto qualquer e os professores não são produtores de pregos, nem parafusos... nem de outra coisa qualquer? Será talvez porque uma criança não é equiparável a nenhum objecto por mais precioso que este seja?
Esta ideia de que mais tempo nas escolas por parte dos alunos equivale a mais e melhores aprendizagens corresponderá à realidade? Bom se é assim tão simples, eu proponho que os alunos portugueses comecem a pernoitar nas escolas e passem também os fins de semana e férias nas instituições escolares. E desde já auguro que em vez de 22% na diminuição do insucesso escolar em dois anos, como aconteceu até aqui – segundo a ministra – atingiremos, estou certo disso, nos próximos dois anos um país repleto de jovens sábios!!!
A fórmula mágica que a Sra. Ministra encontrou pode ser a solução para as finanças públicas a curto prazo, mas tenho a certeza absoluta que não é o bom caminho para uma educação integral, saudável e digna. No imediato poupou milhões de euros e publicitou que tornou o ensino mais eficaz. Posso afiançar-lhe que, a longo prazo, destruiu um sistema de escola pública, que podia ter muitos defeitos mas tinha grandes potencialidades que acabou por arrasar e delapidar de forma irreversível.
Transferiu os problemas imediatos para o futuro. Os alunos actuais crescerão e irão ser adultos pouco equilibrados e pouco saudáveis mentalmente, e a Sra Ministra contribuiu em muito para que tal acontecesse.
Os milhões que poupou na educação, posso assegurar-lhe, que irão ser investidos no futuro, na construção de novos hospitais psiquiátricos e prisões, e esses recursos que poupou não chegarão.
A ministra tocou de forma muito imprudente e precipitada num mecanismo muito complexo que é a educação e formação das pessoas. Fez contas de merceeiro e simplificou de forma irresponsável aquilo que é enigmático e problemático por natureza. Foi uma opção!!! A Sra. Ministra é a prova provada de como uma única pessoa determinada mas imprudente pode fazer tanto mal a tanta gente no imediato e no futuro, pois as seqüelas destas decisões arrastar-se-ão por gerações.
António Duarte Morais
Escola Básica Integrada de Eixo
D' O Cartel (recebido por mail)
"Lei" dos partidos? - Absurda e ilegal lei fascizóide


Hoje estive presente numa reunião na sede do POUS (Partido Operário de Unidade Socialista, para quem nunca ouviu falar).
Tratava-se da questão da Lei dos Partidos.
- fazer as assinaturas reforçando assim a representatividade do POUS e, na sua posse, poder decidir não entregar os dados dos filiados, salvaguardando a continuidade do partido caso a lei vá mesmo para diante;
- recolher as assinaturas como precaução mas acima de tudo exigir até ao fim a retirada da lei e contestar a sua legitimidade em termos legais e democráticos. Solicitar à bancada da CDU que apresente uma moção contra a lei. Lançar em simultâneo uma Petição em conjunto com os partidos que estejam em desacordo com esta lei.
A propósito há por aí algum bloguista bem intencionado que não tenha nada a perder e que tenha ganho o prémio “blog com tomates” que se queira filiar no POUS nem que seja só para podermos no fim fazer um manguito a estes senhores que inventam, defendem e aprovam estas “leis” inacreditáveis?
(ver outras lutas do POUS, outras campanhas)domingo, janeiro 06, 2008
a vida está difícil para todos
Lisboa: Relatório final tem 300 páginasDuplo emprego reina na Câmara de Lisboa
sábado, janeiro 05, 2008
(Aos filhos dos pais das Associações de Pais)
MAIS UMA VIGÍLIA NA MADRUGADA DE ABRIL
Uma entrada silenciosa e despercebida na madrugada de Lisboa,
consciências felizes após longa vigília
(soma de tantas outras horas e vigílias).
Um grupo de mães e pais,
unido pela convicção de que a missão de educar,
transborda para além do próprio Lar.
A lembrança inevitável daquela alba de Abril,
em que outro grupo de homens (quase desconhecido)
corporizou a alma e a esperança de um povo,
um momento de viragem (soma de tantas outras vigílias):
uma das páginas mais belas da História da Liberdade,
para que os filhos do seu povo pudessem nascer e viver,
longe das trevas obscuras.
Quase três décadas após,
a consciência da impotência
de uma geração que sente
que a luz daquela aurora
ainda não cobre o porvir
dos que são a razão da sua existência,
consegue o milagre de reunir
Mães e Pais em Movimento.
Numa época de demissão
de descrença e traição
divisão e oportunismo,
quem são estas mães e pais?
A serviço de quem estão?
Loucos a clamar no deserto?
Tolos idealistas?
Ou gente à procura de projecção?
(também os há...)
Mulheres e homens
diferentes crenças,
profissões, personalidades
com defeitos e qualidades,
trazem ao de cimo
o melhor do seu íntimo,
o melhor das suas aptidões
numa invulgar solidariedade.
Mães e Pais em Movimento...
Abrindo portas e caminhos por entre doutos e políticos
que transformaram o jovem em objecto,
confinando-o ao ostracismo de uma vida sem projecto!
Mães e Pais em Movimento, cabeça erguida, peito aberto,
ousando pisar nas Catedrais do Saber,
unem-se aos que, dentro,
(somente os verdadeiros sacerdotes),
tentam reacender os archotes,
que iluminarão os caminhos do Saber e do Ser
daqueles que são a razão da sua existência...
Mães e Pais em Movimento
onde encontram tanto alento, tanto desprendimento?
Naquela alba de Abril,
ao beijar docemente os filhos adormecidos
as Mães e os Pais do Movimento,
num acto de Amor sem limites,
reafirmaram o juramento:
- A luz da longínqua aurora
há de lhes cobrir o porvir!
Mais do que mil discursos,
mais do que o hastear de bandeiras,
Abril da dignidade do Homem,
Abril do direito a sonhar,
renasce a todo momento,
quando um filho (razão de ser da existência )
sente que CIDADANIA É UM ACTO DE AMOR
Talvez seja este o segredo do alento dos Pais em Movimento...
Disto não faz notícia a Comunicação Social,
Os Partidos não arrecadam votos,
O Poder não obtém mais lucros.
Porque a Democracia (anémica)
Esqueceu a razão da sua existência...
Universina Coutinho - 22 de Abril de 2001
(Viagem de regresso da Assembleia Geral que elegeu Vítor Sarmento Presidente da CONFAP)
Albino de Almeida: um caso grave de usurpação de representatividade
Albino Pinto de Almeida é o actual presidente do conselho executivo da CONFAP. Esta confederação nacional de federações de associações de pais assume hoje a voz única dos pais e dos encarregados de educação do país inteiro, pretensamente tomando posição "em nome das crianças, jovens e das famílias portuguesas". Sempre que algum tema educativo envolve a opinião dos os pais, lá vem o senhor Albino proclamando-se senhor da voz destes intervenientes no processo educativo. Mas cada vez que o oiço falar não posso acreditar que aquela seja a opinião generalizada dos pais. Tanta subserviência aos decretos-lei de um ministério que está a destruir a escola pública: a destruição metódica todas as conquistas da escola construídas a partir de Abril, até ao momento da chegada a ministro da educação de Roberto Carneiro (Governo Cavaco Silva), quando as políticas educativas começaram a ser medidas não em termos pedagógicos, formadores e culturais mas economicistas, as quais se regem hoje mais do que nunca pelas leis do capitalismo global. A escola não é para ser lucrativa, nem pode ser elitista e violentamente competitiva. A escola serve para ensinar as regras de cidadania e os saberes, incentivando o aluno a querer entender o mundo que o rodeia e a reflecti-lo. Nessa área haveria muito a fazer com os professores em vez de os tornar uma classe acossada e dividida, desautorizada e exausta de tanta burocracia que lhes retira a disponibilidade e a capacidade de reflectir no seu trabalho pedagógico e no relacionamento com os alunos da várias turmas, que no fundo é o seu trabalho.Aparentemente já me desviei um pouco, mas o que é um facto é que estamos num momento crucial em que uma maioria “socialista” comete as mesmas políticas lançando ofensivas à escola pública, numa fase ainda mais desenvolvida do sistema capitalista e pactuando com ele. Actualmente lançam-se tentáculos em direcção aos serviços públicos, na educação, na saúde, destruindo o que estava construído, encerrando o que funcionava, lançando um rasto de mais desemprego. Basta dizer-se que deliberadamente se considera “melhor ranking” ter menos professores por maior número de alunos. Por estas e por outras não é possível aceitar pactuar com este estado de coisas e aparecer publicamente em aliança com a actual ministra da educação, responsável pela maior devastação na educação alguma vez conseguida em sucessivos ministérios. A sua estratégia é tenebrosa, difamar o valor dos professores, partir a sua classe ao meio: os que avaliam e os que são avaliados (embora haja também alguém que avalia o avaliador), em vez do trabalho de equipa que existia. Desigualdade social entre os os que trabalham numa escola e os que agarram vários horários precários para conseguir tirar um ordenado, saltitando de escola em escola, sem nenhuma hipótese de ligação ao projecto educativo de cada uma dessas escolas, impossibilitados pela falta de tempo de se integrar
Cinicamente parte-se do falso princípio que as AEC’s funcionam bem. No site da Confap lê-se a esse respeito que no ano passado (2007) funcionaram na “normalidade”, na qual seguidamente se incluem as “anormalidades” que são muitas e graves; como se para a Confap a normalidade pudesse coabitar com as “anormalidade” e isso ser o “normal”.
Não é essa certamente a opinião dos pais e encarregados de educação, por mais alheados que andem da vida escolar dos filhos (os que andam); competia à Confap informar e sensibilizar os pais para os danos que essas chamadas “anormalidades” podem prejudicar os alunos, quando muitos o desconhecem.
Não é normal que uma criança entre os 6 e os 10 anos se sinta presa dentro das salas de aula a partir de um determinado tempo do dia? Com regras, cadernos e exigências, dentro de salas de aula, como durante o tempo que já teve das aulas curriculares. Crianças pequenas que precisam de brincar, correr, saltar, desgastar energias, criar, dar largas à imaginação, encerradas oito horas por dia dentro de salas de aula, com regras e normas como funcionários. E muitos desses professores não têm a experiência pedagógica necessária para serem sensíveis aos limites dessas crianças saturadas de tanto tempo passado na escola. Traduzem-nos por “mau comportamento” e “desatenção”, o ambiente das aulas torna-se inóspito e pesado.
Os municípios podiam ajudar a resolver este impasse se usasse as infra-estruturas em benefício das AEC’s: a música aprendida na banda local; a actividade física na piscina municipal (ou nos clubes e estádios locais); as actividades lúdicas nas bibliotecas municipais, nas colectividades. Mas cada vez as autarquias têm menos infra-estruturas suas que não tenham sido colocadas à guarda dos privados, que praticam o moderno conceito do utilizador-pagador e as estratégias do lucro em vez do serviço social.
Já me afastei outra vez do assunto: a voz da Confap, que actualmente se intitula representante dos pais e dos encarregados de educação mas que se coloca em parceria com o ministério da educação e outros órgãos igualmente sinistros e dá o feed-back positivo e mediático às novas políticas educativas, legitimando-as por parte dos pais.
Como mãe, encarregada de educação e presidente de uma Associação de Pais, estive ontem presente numa reunião onde vim a confirmar a má impressão que me têm causado ultimamente as posições da Confap. E por isso quero deixar bem claro que me destaco absolutamente das enormidades que esse senhor Albino Pinto de Almeida, eleito afinal por apenas oitenta votos, vem constantemente dizer publicamente. O senhor Albino de Almeida não é como diz o representante de todos os pais, há muitos pais que não estão nem um pouco de acordo com as suas opiniões sobre educação. Como tenho conhecimento sobre a conduta desse senhor, considero execrável o modo como ignora e se vem apropriando do papel das federações distritais e das concelhias, as quais estão mais perto das associações de pais, monopolizando e usurpando a seu exclusivo favor apoios em vez de os distribuir pelas suas delegações regionais, para que a voz concordante e subserviente da Confap seja mediaticamente a única voz a representar os pais e os encarregados de educação do país. Isto em conluio com o Ministério da Educação, obviamente, a quem muito convêm as opiniões emitidas por este senhor. Uma vergonha e uma falta de escrúpulos que é preciso denunciar publicamente.
Ler artigo de Paulo Guinote sobre Escola a Tempo Inteiro
sexta-feira, janeiro 04, 2008
quinta-feira, janeiro 03, 2008
Castigos...
A flóber
Música: Fausto; A. P. Braga
Letra: Mário Henrique Leiria
In: "Fausto - atrás dos tempos vêm tempos", 1996
Ainda me lembro. O melhor presente
que tive foi sem dúvida aquela flóber.
Toda a garotada da terra colaborou no meu
entusiasmo. Íamos para o campo,
pam pam, pardal aqui, pam pam, pardal ali.
A única arrelia que tive com ela foi
quando um dia, sem querer, pam,
acertei em cheio na tia Albertina.
Para castigo não me deixaram ir ao enterro
Foguetório
O que parece não desinquietar muito os meios de comunicação é a notícia do foguetório de tiros que houve por aí na noite de fim de ano. Três pessoas morreram. Veio uma notícia e outra e outra. Podemos ter aquele mau pensamento de dizer olha lá andam os jornalistas à cata de notícias sobre o mesmo assunto só para fazer notícias e está a coisa banalizada. Só que neste caso as notícias são inacreditáveis e ainda mais absurdas cada uma por si e postas as três. Na rua a populaça entrevistada acha uma chalaça, que na falta de fogo de artifício portugueses se divirtam dando tiros de armas para o ar: ouvia-se foguetes e tiros, tiros e foguetes: desprovida de intensidade trágica a mentalidade simplória. Mas verdadeiramente trágicas as notícias da morte de uma menina de 9 anos, de um jovem de 23 e de um homem não sei de quantos anos mas, pelos vistos, só para as famílias. Não se fala em grandes investigações nem me constou que fizessem grandes esforços para encontrar e prender os culpados. Lembro-me de ouvir na primeira notícia que uma primeira preocupação era saber se a arma tinha sido disparada por alguém residente naquele bairro social, pois se assim fosse perderia o benefício de ali viver. Absurdo tudo isto e a indiferença reinante.G'ANDA ASAE!
E logo hoje aquela notícia do senhor presidente da ASAE apanhado com a boca na botija, no casino royale. Vem a velha polémica: serão os casinos realmente meros recintos fechados ou aqui o caso muda de figura? Uns apressados levantam o véu: casino é diferente, aquilo é antro de vício instituído, ganha-se muito com o charuto, ali pode-se, com certeza, quem o irá contestar, além disso os não fumadores não frequentam os casinos, será? E as bailarinas que levem com os fumos que são pagas para isso. Do outro lado o povo, feliz e contente por poder a continuar a ir ao estádio fumar o seu cigarro proibido e chamar nomes ao árbito para desabafar dos políticos. Eis a alegria dada ao povo de mão beijada, é ar livre não tem recinto desportivo fechado, toca a fumar ali para toda a gente ver, ali naquele futebol não entram proibições de fumar, benvindos ao clube. Diz que não era um cigarro e que ali ainda não estava proibido. Fosse lá o que fosse ardia e fazia fumarada, e não há fumo sem fogo, o senhor deu nas vistas, não por ser humano e fumador, mas por ser nem mais do que o presidente da ASAE. E logo agora, G’ANDA ASAE!
Também notei que na sequência da notícia do “apanhado” se falou nos clubes de fumadores que vão proliferando aqui e ali por essa Europa dos 27, noves fora nada. Não tardará a que apareçam clubes privados de tudo e mais alguma coisa, com as suas próprias normas fora-da-lei-que-os-próprios-criaram. Uns poderão continuar a fumar nos casinos, outros continuarão a fumar nos estádios, chouriços e queijos tradicionais serão vendidos no mercado negro. Vícios privados, públicas virtudes. Portugal sanado, deslavado, plastificado e embrulhado, fumando às escondidas pelos casinos.
Vem-me sempre à ideia o triunfo dos porcos (Animal Farm, Orwell) e a forma como os porcos ocuparam a casa do poder, bêbados que nem homens e a dizerem aos outros que todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais do que os outros.
quarta-feira, janeiro 02, 2008
O gato comeu-lhe a língua, Mr. Bush?
"O presidente George W. Bush referiu que os EUA não torturam, mas não quis especificar os métodos usados nos interrogatórios." Ler mais
Quantos deles...
Um ano novo traz tanta mentira quanta verdade
A passagem de ano é um mito de renovação
A Humanidade precisa dessa sensação
De mudança de poder começar de novo
Se renovar para a eternidade. Mas algo termina
Ali se despede da vida daquele outro ano
Que se foi para outra eternidade mais determinada
Por quê tanto contentamento, minha gente
Estamos todos mais perto do final feliz
Estoira o ano arde gente viva na igreja
E mais uma bala sai disparatada festa acabada.
A procura do divertimento a qualquer preço
Seja na bebedeira certeira seja no conforto do sofá
Basta-se por vezes frente à televisão programa
Colorido onde se assiste sem esforço à festa a ser telefeita
Briga-se com a desfeita e sai-se em busca de alegria nos outros
na dança e na bebida e no cigarro breve
Ela é que já não presta para sentir alegria
Cansada a Humanidade de se apagar quer naturalmente
se divertir a louca e acredita em todas as possibilidades
Nesse novo ano novo em que tudo vai mudar
Mas toda a mudança é lenta quando não é brusca
E a ressaca fará com que tudo volte à normalidade
Cansados de tanta inventamos os anos novos
Como se fossemos donos do tempo congratulando-nos
Por ver mais esse passar e um outro chegar
Bombardeia-se o ano novo com desejos
Quantos deles se hão-de converter em verdades
E em mentiras que se renovam cada novo ano?
Surrealidades perenes
Manuel Figueira, Tachos e Tachinhos, 1964(Galeria Perve)








