sexta-feira, maio 15, 2009

Senhor Engenheiro, exigimos a proibição dos despedimentos!


Kaos


«Acredite, também tenho os meus momentos de angústia e também tenho os meus momentos em que não durmo a pensar nisso e sei bem o que isto significa em todo o mundo. O desemprego cresce em Portugal como cresce em todo o lado e o nosso dever é combater isso», salientou José Sócrates. “Vamos vencer esta crise tal como vencemos outras no passado».


Subscrevam a petição exigindo ao governo uma lei que proiba os despedimentos!


Vamos enviá-lo ao Senhor Primeiro Ministro:


pm@pm.gov.pt


quinta-feira, maio 14, 2009

Desemprego provoca insónias a Sócrates...

Imagem Kaótica

Mas que Crise é que ele Resolveu?

Sócrates revelou que tem insónias por causa do desemprego. “Vamos vencer esta crise tal como vencemos outras no passado”, salientou o primeiro-ministro.


Posso estar a ver muito mal... Mas que crise é que ele resolveu? As dele? As que ele e o seu passado armaram? As dos seus amigos e apaniguados? As do seu partido? Que crises são essas?

Até acredito que tenha insónias... É próprio de quem tem a consciência pesada, porém, mesmo para isso, seria necessário ter uma consciência e uma atenção pelos outros que ele nunca revelou...

Conselhos para dormir bem: não tomar café, não snifar coca, fazer exercício físico, não andar preocupado em demasia, em suma, e é o que eu desejo, deixar de ser primeiro ministro...

http://porquemedizem.blogspot.com/2009/05/mas-que-crise-e-que-ele-resolveu.html

PORREIRO PÁ! O SÓCAS TEM INSÓNIAS.

"O primeiro-ministro revelou, esta terça-feira, que tem momentos de «angústia» e de falta de sono por causa do desemprego"

TSF

Ó PÁ, DEIXA-TE DE LAMECHAS!

VADE RETRO

«Lopes da Mota vai de carrinho?»


O País De Carrinho - José Mário Branco, Amélia Muge & João Afonso

Os meninos nazis

O país vai de carrinho
Vai de carrinho o país
Os falcóes das avenidas
São os meninos nazis

Blusão de cabedal preto
Sapato de bico ou bota
Barulho de escape aberto
Lá vai o menino-mota

Gosta de passeio em grupo
No
mercedes que o papá
Trouxe da Europa connosco
Até à Europa de cá

Despreza a ralé inteira
Como qualquer plutocrata
Às vezes sai para a rua
De corrente e de matraca

Se o Adolfo pudesse
Ressuscitar em Abril
Dançava
a dança macabra
Com os meninos nazis


Depois mandava-os a todos
Com treze anos ou menos
Entrar na ordem teutónica
Combater os sarracenos

Os pretos, os comunistas
Os Índios, os turcomanos
Morram todos os hirsutos!
Fiquem só os arianos !

Chame-se o Bufallo Bill
Chegue aqui o Jaime Neves
Para recordar Wiriamu,
Mocumbura e Marracuene

Que a cruz gamada reclama
e novo o Grão-Capitão
Só os meninos nazis
Podem levar o pendão

Mas não se esquecam do tacho
Que o papá vos garantiu
Ao fazer voto perpétuo
De ir prà puta que o pariu


Ler: Lopes da Mota vai de carrinho? in Esquerda Desalinhada


Em breve estaremos todos de fardeta...

... só que as bandeiras serão azuis com estrelinhas amarelas, da União Europeia!!!


Proibição de vestuário em Escola do Pinhal Novo (Setúbal)


Num documento dirigido ao presidente da Assembleia da República, o BE refere que, por alteração do regulamento interno da Escola Básica do 2º e 3º ciclos José Maria dos Santos/Pinhal Novo, no concelho de Palmela (Setúbal), "alunos, professores e funcionários estão proibidos de vestir tops com decotes pronunciados, mini-saias e calças descaídas".

(daqui)

quarta-feira, maio 13, 2009

Obrigada Fátima Campos Ferreira...

... que me deste a conhecer a lista do POUS!

Arteyetc


Não à União Europeia / Proibição dos despedimentos


Seja qual for o entendimento sobre a saída política, económica e social que cada um perspective para construir um mundo de paz, de desenvolvimento e de liberdade – a proibição de todo e qualquer despedimento torna-se uma exigência inquestionável.

Consideramos que a resposta positiva a esta exigência coloca a necessidade de um Governo que adopte um programa de reactivação de todos os sectores de produção, indústria, agricultura e pescas, renacionalizando os bancos e todos os outros sectores estratégicos da economia. Um tal programa, além de necessitar o empenhamento e a esperança da população trabalhadora, exigirá a procura de cooperação com os outros povos, colocando na ordem do dia a ruptura com a União Europeia e a construção das bases de uma União Livre das Nações Soberanas de toda a Europa.

Em consonância com este entendimento, apoiamos as decisões tomadas por dirigentes e militantes sindicais de várias tendências do movimento operário, pertencentes a 21 países da Europa e que, a 7 e 8 de Fevereiro passado, reunidos numa Conferência em Paris, dirigiram a todos os seus colegas o seguinte apelo:

«Unamo-nos para levantar, em cada um dos nossos países, a exigência de proibição dos despedimentos, a exigência de trabalho para todos, e para fazer dela o eixo central da unidade dos trabalhadores e das suas organizações.

Unamo-nos para exigir a restituição das centenas de biliões de euros concedidas aos banqueiros, aos especuladores e aos capitalistas, para os canalizar para as nossas escolas, as nossas universidades, os nossos hospitais e restantes serviços públicos.

Unamo-nos para a realização da palavra de ordem “a trabalho igual, salário igual” – segundo as normas em vigor em cada local de trabalho – e, portanto, para a revogação das directivas de flexibilização e de desregulamentação do mercado de trabalho, impondo o restabelecimento do respeito pelos contratos colectivos e os estatutos dos funcionários públicos dos nossos países.

Isto é urgente, se queremos garantir o futuro das novas gerações.

É nesta direcção que – face à falência da União Europeia – os trabalhadores dos nossos países, com as suas organizações, conseguirão dar um passo decisivo na via de uma verdadeira e livre colaboração entre os povos, de uma união livre dos trabalhadores, dos povos e das nações livres da Europa.»

Portanto não estamos sozinhos, uma vez que a nossa acção em Portugal faz parte da intervenção, sobre o mesmo eixo, de milhares de militantes que querem ajudar a criar as bases de uma Europa dos trabalhadores, das populações e da democracia.

Com base nesta compreensão comum, procuramos utilizar os meios democráticos ao nosso alcance para ajudar a desenvolver uma campanha política para impor ao Governo a proibição de todos os despedimentos, campanha que deverá unir todas as organizações de trabalhadores e todos os militantes, independentemente das perspectivas que possam ter sobre a saída positiva para Portugal e para o resto do mundo.

Para ajudar a desenvolver e a reforçar esta campanha – em ligação com as mobilizações, no mesmo sentido, realizadas nos outros países europeus – o POUS e a RUE decidiram apresentar uma lista nas eleições de 7 de Junho de 2009 para o Parlamento Europeu.

pous_rue1

http://rueportugal.wordpress.com/2009/04/22/declaracao-eleitoral-pousrue/

terça-feira, maio 12, 2009

Prós e Prós

A Fátima Campos Ferreira é uma trabalhadora que não está abrangida pelas novas regras que regem a avaliação da função pública. No entanto ela é funcionária de um serviço público da televisão. Mas a ela basta-lhe fazer uma auto-avaliação dizendo aos telespectadores o quão grande era o desafio daquele difícil programa com treze candidatos e como ela própria conseguiu ultrapassar esse objectivo com sucesso, tendo o programa afinal chegado a bom termo.

Mas nós, que vimos o programa sentimos que ali as regras não foram justas e que a Fátima dera as cartas marcadas. Houve ali gente a quem impôs disciplina mesmo antes de começar a falar e houve outra gente que teve o direito à vozearia, e ao diálogo com privilégios de imagem em detaque lado a lado, como uma bela competição entre candidatos. O formato já estava pensado.

Afinal de contas o programa Prós e Contras não é propriamente um exemplo de democracia: aquilo ali é o quintal da Fátima, é ela que põe e dispõe. E ora se interessa mais ora se interessa menos pelos assuntos e por lhes dar continuidade ou não. Um programa de informação pode pois hoje em dia ter esta liberdade na aplicação de critérios para os quais há sempre uma Fátima disposta a executar. E se executa não precisa de mais avaliação. O programa é anti-democrático. Também ela!

Uns participantes tiveram as deixas todas; outros tiveram que se despachar, porque a Fátima tinha pressa de ouvir estes para ouvir os outros, os que diziam coisas que ela queria deixar passar. Paulo Rangel teve todo o tempo para estender o seu guardanapo, foi o que mais falou; Vital Moreira esmifrava-se a procurar coisas para dizer, não tendo nada para dizer e tanto tempo para falar. Já os partidos menos radicais tiveram tempo para trocar em miúdos a sua falta de conteúdos programáticos: Laurinda Alves com a Europa do toma lá dá cá estamos todos no abismo cor-de-rosa, me dá um dinheiro aí que eu também vou… o MMS tão fraco de intenção. O PPM não se sentiu à vontade com tão curtos tempos de intervenção. Precisava de mais tempo para explicar como pode uma monarquia vir resolver os problemas da União Europeia, sendo o seu rei apenas uma figura decorativa.

O Nuno Melo falou o mais que pôde alegando a sua rouquidão não o deixar competir com o Vital que o interrompia sempre que podia.

O Miguel Portas safou-se, saiu-se bem na oposição que fez ao modo de governação generalizado. Mas estando dentro da União Europeia como executar essas políticas? Como as compatibilizar aceitando as leis da União Europeia que se colocam acima das nossas? Mesmo que haja um governo a querer impor uma lei que proíba os despedimentos, terá uma directiva por cima a liberalizá-lo e um código do trabalho a jeito que permita despedir sem justa causa. A Ilda Figueiredo a mesma coisa: conseguiu dizer quase tudo que levava para dizer, de forma esquematizada, por pontos; mas no fim mostrou o trabalho de casa feito na União Europeia, como estando a trabalhar em coisas muito importantes. Só que ela e o Miguel estão lá e a UE continua a praticar as mesmas políticas sem que se veja por cá o seu efeito.

O Partido da Terra, um nítido projecto de um partido europeu espalhando os seus tentáculos, o Libertas, com os dinheiros estrangeiros para colocar no Parlamento Europeu um grupo de deputados dos partidos de cada país ligado ao Libertas. Que defenderão eles lá em conjunto quando for o país de cada um que estiver em causa? E o PS e o PSD não têm eles também já lá os seus partidos europeus?


Ainda está para se ver os resultados, mas seja como for cada vez mais todos concordam em fazer as coisa por cima da nossa cabeça, a partir de órgãos de decisão política que estão lá na União Europeia, em Estrasburgo, e que nem sequer sabemos ao certo o que eles por lá dizem nas discussões. A União Europeia é assim uma espécie de cabecilha, com decisões que emanam de cima, de uns que não foram eleitos mas nomeados e de mais uns quantos cérebros em quem votamos para lá irem receber instruções para vir pôr em prática. E mesmo as nossas organizações sindicais não passam de marionetas na mão de uma concertação que se passa na Europa ao nível da CES (Confederação Europeia de Sindicatos) e cada vez menos perto dos trabalhadores com os seus sindicatos.

Os mais extremistas: um PNR xenófobo com as ideias no lugar quanto à farsa que é a União Europeia; o POUS que é o único que está ali para lançar uma campanha que exija a proibição dos despedimentos e que diz que para isso poder acontecer é preciso romper com as leis dos tratados da União Europeia, pelo que só com a ruptura com a União Europeia se torna possível.

O POUS foi especialmente desprezado pela Fátima. Sempre que a Carmelinda Pereira ia acabar de completar uma ideia ela interrompia e apressava. Já não é a primeira vez que vemos a Fátima a tirar as conclusões em vez de deixar falar. Como quem diz: já percebi onde queres chegar mas não é por aí que eu quero que o programa vá.

Resta saber se à Fátima Campos Ferreira basta fazer a sua auto-avaliação ou se tem que prestar contas a alguém ou seja, se os objectivos já vêm traçados de cima ou se saem da sua cabeça.: tens que deixar o bloco central falar o mais possível: esses é que são os defensores da UE; deixas falar um bocadinho aos que disserem que querem a UE, mas aqueles que a põem em causa é a despachar, são pequenos, ninguém vai notar que falaram menos, falaram de um modo proporcional ao seu tamanho. O actual estado da democracia permite estas coisas à Fátima Campos Ferreira. Uns são partidos maiores, falam mais, têm mais programas para falar; os partidos mais pequenos, falam menos. E pouco de cada vez para não poderem relacionar as coisas e denunciar o que é a União Europeia, que espécie de interesses serve, defende e perpectua, a avaliar até pela forma como gera e responde à crise.

No final a Fátima Campos Ferreira disse que o importante era ir votar. The show must go on.

Não gostei mesmo nada do programa, aliás não esperava outra coisa. O Prós e Contras sempre foi um programa anti-democrático, não é novidade para mim. Por isso todos lhe chamam na rua o Prós e Prós.

segunda-feira, maio 11, 2009

LENINE-PACIÊNCIA

Rap da Globalização

Globalização



Nenhum sistema político é eterno
Nenhum é totalmente justo...é efémero
A cada dia que passa estamos mais longe
do capitalismo consumismo e imperialismo
cada dia que passa estamos mais longe
da desigualdade fome e tristeza
a cada dia que passa estamos mais perto
doutra coisa melhor de certeza
o capitalismo incita destrutivismo
o culto ao dinheiro poder fama e egoísmo
culto à porcaria ou festas de civismo
à corrupção para ter sucesso e dinamismo
campanhas de solidariedade para ter mediatismo
culto à ignorância para ter o monopolismo
que é dado pelos media com o todo cinismo
Agora expliquem-me como é que
no meio de tanta pluralidade de tanta cultura
de tanta identidade de tanta amargura
de tanta diferença económica de tanta diferença metódica
no meio de tanta e principalmente diferença social
querem globalizar tudo a uma escala Mundial?
Com globalização os países não se ajudam
aproximam-se para sugar e ver quanto facturam
A globalização é uma desunião disfarçada de união
onde somente o mais forte ganha vantagem
e o mais fraco é simplesmente deixado na margem
obrigando a ter falta de originalidade
fazer tudo o que o mais forte faz e sem capacidade
para pensar e agir em conformidade
com os seus interesses e do seu povo
que é sujeito a importar tudo o k é internacional
esquecendo se que o melhor e mais seguro é NACIONAL
perde-se assim autenticidade e patriotismo
ganha se falta de capacidade de pensar e consumismo
A globalização tem sido um avanço!
assim é nos apresentada
se um avanço e sermos todos iguais quero um recuo
e se não vier um recuo eu não vou ser mais um recluso
desta globalização que tem eliminado línguas
massacrado culturas atrasando a verdadeira meta
imposto uma única visão do mundo como correcta
Será que vou andar na rua e ver
pessoas a lutar para sobreviver
vitimas deste sistema que não tolera diferença
gera pobreza, massificaçao e alienação
ao império que nos leva à destruição




para ampliar carregue no cartoon

PoRtUgAl NeO-cOlÓnIa - projecto

imagem Kaótica


«Quando este projecto começou a germinar dentro de mim, percebi imediatamente que ele se devia a uma enorme frustração pelo que vejo e me apercebo do meu país. Pensei que tantas pessoas como eu têm vindo a exprimir essa raiva e frustração por tudo o que se está a passar aqui e agora. Mas a raiva, a indignação, a revolta, somente são algo de positivo, se desembocarem numa procura efectiva de solução para os problemas. Caso contrário, são apenas uma razão suplementar para amargar, para azedar interiormente. É por isso que lanço este apelo.» (Ler tudo AQUI)


Manuel Baptista

domingo, maio 10, 2009

Ordem do pós-guerra e União Europeia

Início da conferência de Yalta.
Início do mundo do pós-guerra.


Para ler AQUI o artigo sobre as condições hirstorico-políticas que levaram à formação da actual UE
(artigo de José de Guimarães)

LINK para o site oficial da Eleições para o Parlamento Europeu - Participe na sondagem em curso: «As eleições realizam-se daqui a um mês. Como descreve o debate eleitoral no seu país?»

Até quando nos contentamos com chouriços?

Imagem daqui

Ode ao pequeno empresário



Amigos, a história que vou contar é fictícia, mas acontece milhares de vezes. Repete-se todos os dias ao longo do país. Qual é o actor principal desta história? O resistente, o duro, o terno pequeno empresário, a alma mater do PIB português.

Eis a história, ou melhor, eis a microdistopia do pequeno empresário. O senhor K. entrega uma encomenda ao senhor Caloteiro. O senhor Caloteiro, tal como o nome indica, não paga ao senhor K., alegando que não tem dinheiro. Porquê? Porque a Câmara Municipal lhe deve dinheiro. Farto deste tandem de caloteiros, o senhor K. avança para o tribunal. Passado um ano, o senhor juiz decide o seguinte: a Câmara Caloteira deve pagar directamente ao senhor K. o montante da dívida do senhor Caloteiro. Mas já passou outro ano, e o dinheiro ainda não chegou. A burocracia da Câmara entrecruza-se com a burocracia do tribunal, criando assim uma orgia burocrática que dinamita a vida do senhor K. Enquanto espera pelo dinheiro, o senhor K. procura reduzir custos. Dos dez trabalhadores da sua empresa, o senhor K. pretende despedir três. Debalde. O senhor K. descobre que é impossível impor um despedimento individual em Portugal. Resultado? Um despedimento colectivo após a falência da empresa.

Esta história ilustra a faceta predadora do nosso Estado. O Estado português é o principal inimigo dos portugueses. E esta inimizade tem três dimensões. Em primeiro lugar, o Estado comporta-se como um rufia; não paga a tempo e horas. Não temos um Estado-Social. Temos um Estado-Caloteiro.

Em segundo lugar, a lentidão atroz da justiça emperra qualquer actividade económica legítima; os empresários são empurrados para a corrupção e para a economia paralela. Não temos um Estado-de-Direito. Temos um Estado-de-Corrupção.

Em terceiro lugar, o código de trabalho impossibilita qualquer liberdade económica. Amigos, os pequenos empresários são triplamente tramados pelo nosso Estado, o tal Estado que passa a vida em banquetes com as megaempresas semiestatais protegidas pelas golden shares.

Muitas pessoas dizem que a sociedade civil portuguesa não é activa. Estas pessoas nunca assistiram à labuta diária do pequeno empresário, o duro e terno herói que mantém Portugal acima da linha de água.

Chouriço

Vou passar o Apocalipse a assar chouriço. Não se assustem, meus amigos. Eu já explico esta Sodoma gastronómica. Anda por aí muita gente a dizer que o Apocalipse chegou. O capitalismo, dizem os profetas, está a ser consumido pelo fogo dos justos. Eu, que não percebo nada de religião, não posso contra-argumentar. Mas, a ser verdade, tenho a dizer uma coisa: tenho pena. Eu até gosto do capitalismo. E gosto sobretudo do centro comercial, esse bicho patusco que nunca fez mal a ninguém.

Reparem numa coisa: há dias, entrei num desses centros e sai de lá com um livro de Conrad, um CD de Mussorgsky e um chouriço para assar enquanto via a selecção. Como vêem, o centro comercial prova que Conrad e Mussorgsky podem partilhar o tecto com um enchido. Esta amplitude térmica do centro comercial é imbatível. Portanto, se não se importam, enquanto o vosso Apocalipse não chega, eu vou andar por aqui assando o chouriço de Conrad.

Henrique Raposo

In Os Senhores do Fraque

sexta-feira, maio 08, 2009

Debate POUS/RUE: «As instituições da União Europeia»

SUBSCREVA AQUI O APELO EXIGINDO AO GOVERNO A PROIBIÇÃO DOS DESPEDIMENTOS

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DEBATE sobre as instituições da União Europeia

8 de Maio (6ª feira), às 21 horas

Sede do POUS

Rua de Santo António da Glória, nº 52 B, cave C, Lisboa

Convite

Conhecer quais são as Instituições da União Europeia, as respectivas funções, o seu carácter – bem como o contexto histórico dos Tratados que a justificam e a fundaram – constitui a primeira condição para se poder opinar sobre as seguintes questões:


- Que políticas são necessárias para que possa ser lançado um verdadeiro Plano de reconstrução da economia portuguesa?
- Como pôr termo à catástrofe social que não pára de se aprofundar, provocada pela onda de despedimentos massivos e diários?
- Será possível mudar de política dentro da União Europeia?

Há uma lei da História que deveremos lembrar: Em democracia, por mais difícil que seja a situação, é sempre possível encontrar uma saída positiva.
Então, utilizando as margens de liberdade e de democracia que ainda possuímos, discutamos sobre os caminhos que é necessário abrir, para defender os direitos democráticos que ainda temos – aprofundando-os –, para defender o trabalho e o pão para todos os portugueses.


Com este objectivo, convidamo-la(o) a participar numa discussão sobre as Instituições da União Europeia.


Traga outra(o) amiga(o) também!

DAQUI

Vital Moreira faz lembrar quem?

Avô cantigas ou fantasminha brincalhão?

quinta-feira, maio 07, 2009

Tratado de Lisboa - somos todos europeus, mas alguns são mais europeus que outros

Pigs walking
(imagem daqui)

Senadores tchecos aprovam Tratado de Lisboa
(AFP) (ler notícia)

A um presidente da república de um estado membro da União Europeia devia bastar um simples argumento para não ratificar o Tratado de Lisboa: tendo o povo da Irlanda chumbado em referendo o tratado, o assunto estava resolvido pela aplicação das regras criadas pela própria União Europeia. Se os outros pares estavam dispostos a fazer batota e a mudar de regras a meio do jogo, ele estava disposto a jogar limpo até ao fim.


Mas a União Europeia rege-se por interesses e é apenas um simulacro da verdadeira Democracia. Na República Checa vem o primeiro-ministro e o ministro dos negócios estrangeiros apelar ao senado para que vote favoravelmente gritando “somos europeus” (onde é que eu já ouvi isto?); por cá, a mesma vergonha, sem honra, com a agravante de haver uma promessa eleitoral de referendar o Tratado, de que o governo depois de eleito veio dar o dito por não dito. E o Durão Barroso, porreiro, pá, mais uns que embarcaram no Tratado. Em Outubro volta-se a referendar o Tratado na Irlanda, até o resultado ser SIM e a tramóia ir para a frente.


Debate Sic Notícias: Pequenos Partidos concorrentes ao PE

quarta-feira, maio 06, 2009

No Brasil há quem ponha a boca no trombone...

(recebido por mail)

Portugal, País de grandes tradições e brandos costumes... pelo menos é que muitos pensam ser verdade... até abrirem os olhos.

Agora, expliquem-me, porque eu devo estar a ver mal, como é que se justifica:

1) gastar mais de 10.000,00 euros num GPS <http://www.base.gov.pt/_layouts/ccp/AjusteDirecto/Detail.aspx?idAjusteDirecto=14722> para um instituto público - quando nos dizem que não há dinheiro para baixar as propinas aos alunos.

2) Aquisição de 1 armário persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeiras c/rodízios, braços e costas altas - pela módica quantia de 97.560,00 EUROS <http://www.base.gov.pt/_layouts/ccp/AjusteDirecto/Detail.aspx?idAjusteDirecto=8073> (!!!)

3) Em Vale de Cambra, vai-se mais longe... e se pensam que o Ferrari do Cristiano Ronaldo é caro, esperem para ver quanto custa um autocarro de 16 lugares para as crianças <http://www.base.gov.pt/_layouts/ccp/AjusteDirecto/Detail.aspx?idAjusteDirecto=7827> : 2.922.000,00€!!! É isso mesmo: quase 3 milhões de euros???

4) No Alentejo, as reparações de fotocopiadoras também não ficam baratas: Reparação de 2 Fotocopiadores WorkCentre Pró 412 e Fotocopiador WorkCentre PE 16 do Centro de Saúde de Portel: 45.144,00 € <http://www.base.gov.pt/_layouts/ccp/AjusteDirecto/Detail.aspx?idAjusteDirecto=10781>

5) Ao menos em Alcobaça, a felicidade e alegria as crianças fala mais alto: 8.849,60€ para a Concentra <http://www.base.gov.pt/_layouts/ccp/AjusteDirecto/Detail.aspx?idAjusteDirecto=10878> em brinquedos para os filhos dos funcionários da câmara! Crianças... se não receberam uma Nintendo Wii no Natal, reclamem ao Pai Natal, porque alguém vos atrofiou o esquema!

6) Mas voltemos ao Alentejo, onde por uns meros 375.600,00 Euros se podem adquirir: " 14 módulos de 3 cadeiras em viga e 10 módulos de 2 cadeiras em viga <http://www.base.gov.pt/_layouts/ccp/AjusteDirecto/Detail.aspx?idAjusteDirecto=10663> " Ora... 14x3 + 10x2 = 62 cadeiras... a 375.600,00 euros dá um custo de... 6.058,00 Euros por cadeira! Mas, pensando bem, num país onde quem precisa de ir a um hospital passa mais tempo sentado à espera do que a ser atendido - talvez justifique investir estes montantes no conforto dos utentes...

7) Em Ílhavo, a informática também está cara, 3 computadores e mais uns acessórios custam 380.666,00 € <http://www.base.gov.pt/_layouts/ccp/AjusteDirecto/Detail.aspx?idAjusteDirecto=10038>.Sem dúvida, uns super computadores para a Câmara Municipal conseguir descobrir onde andam a estourar o orçamento.

8) Falando em informática, se se interrogam sobre o facto da Microsoft ser tão amiga do nosso País, e de como o Bill Gates é/era o homem mais rico do mundo... é fácil quando se olham para as contas: Renovação do licenciamento do software Microsoft: 14.360.063,00€. Já diz o ditado popular: Dezena de milhão a dezena de milhão, enche a Microsoft o papo! (Já agora, isto dava para quantas reforma de pessoas que trabalharam uma vida inteira?)

9) Mas, para acabar em pleno, cagar na capital fica caro meus amigos! A Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa gastou 5.806,08 € em 9072 rolos de papel higiénico <http://www.base.gov.pt/_layouts/ccp/AjusteDirecto/Detail.aspx?idAjusteDirecto=1297> ! Ora, uma pesquisa rápida pela net revelou-me que no Jumbo facilmente encontro rolos de papel higiénico (de folha dupla, pois claro! - pois não queremos tratar indignamente os rabos dos nossos futuros doutores) por cerca de 0,16 Euros a unidade... Mas na Faculdade de Letras, aparentemente isso não é suficiente, e o melhor que conseguiram foi um preço de 0,64 Euros a unidade!
É "apenas" quatro vezes mais do que qualquer consumidor consegue comprar - e sem sequer pensarmos no factor de "descontos" para tais quantidades industriais.

Num País minimamente decente, eu deveria poder exigir que me devolvessem o valor pago em excesso, não?

Mandava o link para a Faculdade de Letras de Lisboa, e exigia que me devolvessem os 4.000 e tal euros pagos a mais. (Se comprassem no Jumbo, teriam pago apenas 1.451 euros pelo mesmo número de rolos de papel higiénico.

Ó MEUS AMIGOS.... como é que é possível justificarem estas situações? Que, como se pode imaginar, não são as únicas. Se continuasse a pesquisar <http://transparencia-pt.org/> nunca mais parava - como por exemplo, os mais de 650 mil euros gastos em vinho tinto e branco <http://www.base.gov.pt/_layouts/ccp/AjusteDirecto/Detail.aspx?idAjusteDirecto=5276> em Loures. Leitores de Loures, não têm por aí nada onde estes 650 mil euros fossem melhor empregues???

É preciso ser doutor, ou engenheiro, ou ministro, ou criar uma comissão de inquérito, para perceber como o dinheiro dos nossos impostos anda a ser desperdiçado?

Isto até me deixa doente... é mesmo deitar o dinheiro pela retrete abaixo (literalmente, no caso da Faculdade de Letras de Lisboa!)

Querem mais? Divirtam-se no portal da transparência <http://transparencia-pt.org/>

!

terça-feira, maio 05, 2009

segunda-feira, maio 04, 2009

Continuamos impávidos a ver desmantelar a nação

«Apesar da diversidade na metodologia e bases de dados utilizadas, a evidência empírica disponível para os Estados Unidos tem concluído que os trabalhadores norte-americanos geralmente experimentam reduzidos períodos de desemprego, mas substanciais e persistentes reduções nos salários, na ordem dos 10-25%. Para a Europa, a evidência empírica não é assim tão clara. Alguns estudos têm concluído pela existência de elevadas perdas salariais, enquanto que outros concluem o contrário. Num ponto, contudo, estes estudos parecem estar em sintonia. Trabalhadores despedidos que experimentaram períodos de duração do desemprego mais alargados são os mais afectados, em termos salariais, pelo fenómeno do despedimento.» (ler mais)


Tautologia existencial dos conformados e dos realistas: uma flor é uma flor, uma acentuada perda salarial é uma acentuada perda salarial. Tudo se aceita tal como é, até o desemprego porque é essa a realidade que nos oferecem como perspectiva. Já nem sequer se consegue pensar que o Estado podia pagar os salários das empresas em dificuldade em vez de pagar os subsídios de desemprego dessa gente toda. Para a opinião pública o cenário de desemprego sob o fantasma da crise, tornou-se uma inevitabilidade. As pessoas não vêm que a destruição do sector produtivo não pode gerar mais riqueza, nem solucionar a crise?

Na sociedade nossa contemporânea, o que é, é. Haverá concepção mais materialista? A dialéctica entre o que é e o seu contrário (veja-se supra-citação) não pode resultar numa verdade absoluta. Entre duas afirmações opostas, uma há-de ser verdadeira e a outra falsa. Toma-se como verdadeira a existência de ambas as premissas: A União Europeia é e não é a melhor coisa que nos aconteceu. Considerá-la um mal necessário: eis mais uma conformação ao sistema. Há quem se limite pois a constatar essa realidade, de uma forma meramente analítica, sem vontade de mudança. Ser e não ser não é uma questão que se ponha. Ser ou não ser, eis a questão.


Este modelo europeu baseado na manutenção do sistema capitalista não pressupõe qualquer possibilidade de poder ser diferente do que é. Por isso se acumula erro sobre erro na direcção errada, achando que pior seria voltar atrás e remediar o erro. Caminha-se direito ao abismo, coniventes em levar o capitalismo às últimas consequências, como uma inevitabilidade. Não é bom para todos mas é excelente para os que se alimentam das crises geradoras da nossa precariedade. E aqueles que deviam estar defendendo os interesses dos trabalhadores, amenizam as lutas para segurar o sistema e, enquanto massivamente cidadãos perdem o direito ao trabalho, as suas organizações não fazem senão recorrer aos esquemas da caridade da igreja católica, deixando o governo continuar a dar cartas à banca e aos negócios ilícitos e corruptos.Tudo isto alimenta a falta de perspectivas desta sociedade que se conforma.

Mas olhem à vossa volta: nós estamos mesmo caminhando para o abismo. Quanto mais deixarmos desmantelar e destruir as estruturas da nação, mais difícil será depois reconstruir. Já alguém pensou que em breve a destruição das nações será de tal ordem que bastará as de economias mais fortes dizerem que não podem mais partilhar a Europa connosco? Que cada um siga o seu caminho como antes que os dinheiros europeus já não chegam para todos e nós já com tudo destruído pela aplicação das directivas, pelo cumprimento da agenda, pela colocação em prática das leis absurdas.

Ficamos nós sem os empregos, sem as fábricas e sem os serviços públicos, sem o poder de garantir os bens essenciais porque já nada disso é nosso: a aranha do sistema lançou a sua teia. A mosca somos nós todos.


E porque já vem sendo destruído desde os tempos da CEE. Então mais um motivo para não deixarmos essa bomba estoirar nas mãos dos nossos filhos e resolvermos logo o assunto. Não queremos esta "união", não queremos viver na corda bamba sem a perspectiva de um futuro melhor. Queremos começar já a construir uma verdadeira união de nações livres e cooperantes. Não queremos que decidam por nós nem que nos imponham o cumprimento de leis que nos prejudicam e nos destroem.

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