quarta-feira, junho 21, 2006

Espírito liberal...

Hoje o Estado da Arte foi verdadeiramente inspirador, fez-me viajar no tempo. Lembrei-me de um Canto Livre que passou ao vivo no Rádio Clube Português e que eu e o meu irmão ouvimos ávidos de ouvido encostado a um aparelho antiquíssimo. Era a parte em que o Sérgio Godinho cantava uma música que nunca encontrei gravada em sítio nenhum. Não sei se de improviso, rezavam mais ou menos assim as palavras do próprio Marcelo Caetano (nunca mais a ouvi):

“Sou polícia, polícia à paisana
Prendo e torturo quem me dá na gana
Quem me dá na gana

Ai já me chamaram de todos os nomes:
Ai de cabrão, filho da puta, de fascista
Cabrão, vá lá, filho da puta ainda vá
Mas fascista eu que sou um liberal!
Um liberal…

Um liberal. Eu sou um espírito liberal, dizia hoje o Portas fascista, para não se confundir com o outro Portas.

[Disse ele quanto à fábrica da Opel na Azambuja]: fechar uma fábrica é uma coisa muito triste mas mais importante de o que vai fechar é o que vai abrir depois. O capitalismo não é sedentário, o capitalismo é nómada, nos Estados Unidos é assim…

…como se os Estados Unidos fossem exemplo para alguém mentalmente asseado!

Dedico ao Paulo Portas esta versão memorável do Canto Livre do Sérgio Godinho, assenta-lhe bem e é muito, muito liberal, como ele gosta!

segunda-feira, junho 19, 2006

Beware the Jabberwock, my son!

JABBERWOCKY
Lewis Carroll
(from Through the Looking-Glass and What Alice Found There, 1872)

http://www.jabberwocky.com


`Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe:
All mimsy were the borogoves,
And the mome raths outgrabe.


"Beware the Jabberwock, my son!
The jaws that bite, the claws that catch!
Beware the Jubjub bird, and shun
The frumious Bandersnatch!"

He took his vorpal sword in hand:
Long time the manxome foe he sought --
So rested he by the Tumtum tree,
And stood awhile in thought.

And, as in uffish thought he stood,
The Jabberwock, with eyes of flame,
Came whiffling through the tulgey wood,
And burbled as it came!

One, two! One, two! And through and through
The vorpal blade went snicker-snack!
He left it dead, and with its head
He went galumphing back.

"And, has thou slain the Jabberwock?
Come to my arms, my beamish boy!
O frabjous day! Callooh! Callay!'
He chortled in his joy.




`Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe;
All mimsy were the borogoves,
And the mome raths outgrabe.

Roteiro para a Ciência

A Morte saiu à rua num dia assim...

Ausência

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, junho 18, 2006

Golo histórico bavelios

Busco o golo no goggle dou um golo no galão de cognac
Aguardo a arrastada abertura da página interminável busca
Vago vaguear vagueando por vagas sem vagar vagarosamente
Eis que encontro encanto em êxtases de espanto encantatório
Líquidos links libertam libidinosas relíquias repelíveis ligações
Imagens indicam intenções interessadas e interesseiras ímpias
O golo histórico retórico e ilógico é aleatório golo alegórico
Surge sentido saqueado sôfrego sem sequer significado ser


Bavelios

sábado, junho 17, 2006

sexta-feira, junho 16, 2006

Bandeiras de Portugal se e só se...

BANDEIRAS DE PORTUGAL NAS JANELAS (Recebido por mail)Cá por mim, vou pôr uma Bandeira na janela, quando:

- Portugal deixar de ser o país da Europa com maior indice de abandono escolar analfabetismo e corrupção
- Em Portugal, ninguém que trabalhe ou queira trabalhar ou tenha trabalhado toda a vida, ou que não possa trabalhar, passe fome
- O desemprego não for um designio nacional
- A classe política deixar de ser maioritáriamente composta por incompetentes patéticos
- Se construirem menos Centros Comerciais maiores da Europa do que Centrpos de Saúde, Hospitais, Escolas e Infantários
- Na ESBAL, os alunos não tenham que ir para as aulas com um balde, para apanhar a água que escorre dos tectos
- Não se tiver que retirar os pianos de uma sala de uma Escola Superior de Música, porque o chão ameaça ruir
- Os morangos com açúcar sejam exclusivamente uma sobremesa
- Acabar a pouca vergonha do Estado(com o dinheiro dos cidadãos) gastar 3..500.000€ com transportes dos Deputados e milhares de cidadãos não terem dinheiro nem para comprar o passe
- As crianças e os velhos forem tratados com dignidade, pelos pais, filhos, professores, educadores, instituições e políticos
- Os papás ensinarem as crianças que os Professores devem ser respeitados
- Todos os professores forem competentes
- A polícia deixar de fingir que não vê as lutas de pit-bull nas diversas Trafarias do País, bem como as corridas a 250 Km/h em várias Pontes Vasco da Gama do País, às 6ªs feiras à noite
- As televisões entenderem que, ao transformar os Incêndios em grandes espectáculos de variedades, estão a transformar os incendiários em realizadores e produtores de grandes programas de televisão, o que os enche de vaidade e é altamente motivador
- Se investigar como é que aquele senhor arranjou dinheiro para comprar o Ferrari
- A violência doméstica, a pedofilia,a violação e todos os crimes cometidos contra crianças, forem punidos com 50 anos de cadeia
- Os novos submarinos forem trocados por equipamento para apetrechar condignamente todos os hospitais e escolas do país, e com o que sobra, se comprar tractores e traineiras.
- Os Portugueses perceberem que as figuras do CONTRA-INFORMAÇÃO, não são caricaturas, mas o retrato fiel das pessoas retratadas.
- Os bébés das mães portuguesas, deixarem de ir nascer a Badajoz
- A selvajaria anual de Barrancos, acabar por falta de espectadores
- Os jornais, revistas, programas de rádio e de televisão, chamados de desportivos souberem que além do futebol, se praticam mais 347 outros desportos e que mesmo no futebol, há outros Clubes além do Sporting, do Benfica e do Porto
- Não houver 19 causas nº 1 de morte em portugal, conforme o idiota que estiver na altura a ser entrevistado na televisão ou na rádio
- O Joel Costa, que faz crónicas na Antena 2, for condecorado no Dia de Portugal, em vez do Mourinho
- Não houver ninguém a afirmar que há 700.000 portugueses com reumatismo, 1 milhão com asma, 500.000 impotentes, 350.000 c/ osteoporose, 800.000 c/ transaminase pélvica, 430.000 c/ tuberculose, 685.000 c/ deficiência renal, 6.780.000 c/hipertensão, 2 milhões c/sinusite claustrofóbica, 843.000 c/ panaríceos isquémicos galopantes, 2.400.000 c/ problemas auditivos, 300.000 com hérnias discais, 210.000 c/ béri-béri abdominal, 780.000 c/ diversos tipos de cancro 600.000 c/ hipersíase traqueovisceral crónica, para preocupar as pessoas com a prevençao e os médicos cobrarem 80 € por consulta
-Não houver nenhum 1º Ministro que tenha a lata de de abandonar o País à má fila, em plena crise, para ir sôfregamente atrás de um qualquer tacho mais aliciante
- A gripe das aves não tiver direito a mais do que 1 minuto de tempo de antena, por mês, incluindo a informação de que morreram 1 indonésio e 2 chineses, quando nos 5 segundos que demorou a noticia, moreram mais de 700.000 pessoas com outras 250 doenças e 300.000 crianças morreram de fome, de malária e de cólera em África
- Nenhum governante tiver o desplante de dizer que “abriu a época oficial de incêndios”
- O nº de óbitos motivados por incompetência ou negligência médica for zero
- A TVI encerrar por total falta de audiência
- O Estado, e os homens do espectáculo, pedirem desculpas públicas , póstumas, ao José Viana
- A população não eleger para Presidentes de Câmara indivíduos fugidos à justiça
- A maioria dos Jornalistas souber falar e escrever português, e deixar de fazer constantemente perguntas idiotas aos entrevistados
- Houver, no estrangeiro, tantas pessoas que conheçam o Eusébio, o Figo,o Cristiano Ronaldo e o Mourinho, como o Camões, o Prof. Agostinho da Silva, o Maestro Vitorino de Almeida, o Prof. Vitorino Nemésio, o Fernando Pessoa e muitos, muitos outros que nunca deram um pontapé numa bola
- Houver tantos Portugueses que sabem quem são, a Maria João Pires e a Helena Vieira da Silva como os que sabem quem são o Pinto da Costa, o Valentim Loureiro, o Luis Filipe Vieira, o Manuel Goucha, a Cátia Vanessa, o Abrunhosa, a Júlia Pinheiro, a Quicas Vanzeler, e o Mantorras
- As Helenas Vieira da Silva não tiverem que emigrar para fazer carreira em países civilizados
-O peixe não chegar às mesas de quem o pode comprar 10 vezes mais caro do que foi vendido nas lotas, para que mais pessoas o possam comer e menos intermediários se possam encher
-Os caçadores deixarem de, sistemáticamente, abandonar os cães, no fim da época da caça ou, forem presos se o fizerem
- Os autores dos programas infantis de televisão, perceberem que uma criança não é um atrasado mental
- Os pequenos e médios Empresários Portugueses não comprarem o 2º Mercedes e a casinha no Algarve, antes de pagarem os ordenados que devem aos Trabalhadores, as Facturas que devem aos Fornecedores, e as contribuições que devem à Segurança Social e ao Fisco
- Os projectos Aeroporto da Ota e TGV, tiverem sido unicamente brincadeiras de mau gosto
- O Estado e as Câmaras Municipais pagarem os milhões que devem aos Fornecedores e outras Entidades credoras
-Se o Estado for condenado a pagar indemnizações, devidas a erros cometidos pelos Governantes individualmente, elas sejam pagas do bolso desses governantes responsáveis e não pelo Estado, pois o dinheiro do Estado é de nós todos e não fomos nós que fizemos a asneira
- Os alunos dos diversos graus de ensino, passarem de ano por terem tido notas para isso e não porque os papás apresentaram recursos idiotas e os Professores e os membros dos Conselhos Directivos tenham medo de perder o Emprego
- Nenhum ministro, nenhum professor, nenhum jornalista disser tênhamos ou póssamos
- Não for possível ouvir no noticiário de uma rádio uma “jornalista” dizer frases como esta: “A Câmara de Lisboa tem um projecto para a construção de um viaduto sobre o bairro da Graça, para facilitar o tráfico no local”, ou outros 500 dizerem que “Um batalhão da GNR vai para Timor, sobre o comando do Major Lopes da Silva” ou outros 1500 dizerem : “O Ministro Lopes da Silva foi um dos primeiros que chegou ao local do incêndio”
- Não for possível assistir ao espectáculo degradante, porque hipócrita, de ver candidatos a eleições, nos Mercados a dar beijinhos às peixeiras, (óbviamente, na maioria dos casos, completamente enojados)
- Não for possível assistir ao espectáculo deprimente, com direito a transmissão em directo pela televisão, de um 1º Ministro ir a Troia, com toda a comitiva, para a varanda de um apartamento alugado e pago com o dinheiro dos nossos impostos, carregar num detonador faz-de-conta (de cartão e esferovite), para teatralizar a implosão de um prédio abandonado, como se se tratasse do lançamento de uma nave para a lua, com 3 astronautas portugueses a bordo
- As obras públicas, que são pagas com o nosso dinheiro, deixarem de custar sistemáticamente mais do dobro do que foi orçamentado e adjudicado e que a palavra “derrapagem” seja substituída pela palavra “roubo”
-Nas greves, deixe de ser possível,sistemáticamente, o Governo ou as Administrações das Empresas dizerem que houve uma adesão de 15% e os Sindicatos dizerem que a adesão foi de 95% (um deles, ou os dois, estão a fazer de nós, palhaços)
- Os Polícias não tiverem medo dos Ladrões, os ladrões tiverem medo dos polícias e os cidadãos normais não tiverem medo dos polícias
- Figuras ridículas do tipo Zés Castelo Branco, Cinhas e outros Jardins, Hermans Josés (pós 1995) Lilis Caneças e mais 5.000 figuras destas que aparecem na televisão e nas Revistas, bem como os Editores das mesmas, estiverem internadas em Unidades de Saúde Mental
- O sr. Marques Mendes não tiver a lata de criticar o sr. Sócrates por ter aumentado o IVA de 19% para 21%, e de vender património, quando no Governo anterior, da cor dele, a primeira medida que foi tomada, foi aumentar o IVA de 17% para 19%.e ao longo do mandato, só não se ter vendido a Torre de Belém, os Jerónimos e o Convento de Mafra porque não apareceu nenhum dos grandes Empresários da nossa praça, interessado, já que nenhum destes edificios dá para transformar em Centro Comercial
- Os médicos , fizerem greve para obrigar os Governos a dar condições de assistência digna aos cidadãos, em vez de as fazerem exclusivamente por motivos de dinheiro
-Os professores fizerem greve para obrigar os Governos a transformar o ensino numa actividade digna para eles e para os alunos e não só por motivos de dinheiro e outros interesses pessoais
- Os Trabalhadores e os Médicos que validam baixas fraudulentas, forem presos
- As Empresas deixarem de adulterar as Contas, para fugir ao Fisco
- Os Professores Fernandos Páduas e outros, derem uma trégua às campanhas histéricas anti-tabaco e começarem uma campanha anti-alcool, que é incomparavelmente mais prejudicial à Sociedade do que o tabaco (mesmo que eles bebam que nem esponjas)
- As áreas de serviço das auto-estradas deixarem de ter clientes, por as pessoas não gostarem de ser escandalosamente exploradas
- Não houver mais telemóveis topo de gama do que cidadãos
- Todos os comentadores da bola que debitam verdadeiros tratados de futebol na televisão e na rádio e escrevem nos pasquins, forem contratados para treinadores dos maiores clubes, pois só assim esses clubes podem ser todos campeões
- Os médicos deixarem de se pavonear nos corredores e nos bares dos hospitais, com o estetoscópio pendurado ao pescoço, pelo mesmo motivo porque os informáticos não andam com o rato, as costureiras não andam com a fita métrica, os boxeurs não andam com as luvas de boxe, os jogadores de snooker não andam com os tacos e os bombeiros não andam com as mangueiras
- Os milhentos dirigentes das milhentas Fundações, fizerem alguma coisa útil, além de receber o ordenado
- Não for verdade que os Deputados faltaram em massa ao trabalho para irem passar um fim de semana prolongado, ao Algarve e isso ser a coisa mais natural da vida
- Nenhum médico operar o pé esquerdo, são, de um doente que tinha um problema grave no pé direito e, no fim, justificar-se com: “até foi bom, porque assim, já não vai ter o problema no pé esquerdo” sem ser imediatamente expulso da Ordem dos Médicos
- Só houver palhaços, nos circos
- A Publicidade enganosa levar os anunciantes, à prisão
- Os projectos de construção forem efectuados por Arquitectos e Engenheiros, e os construtores civis só tratarem da construção
- Se souber o resultado de UM SÓ dos inquéritos que se diz terem sido levantados a diversas figuras públicas e Entidades oficiais, pela presunção de diversos crimes
- Nas clínicas privadas a grande maioria dos partos deixar de ser feita por cesariana com data marcada, porque uma cesariana factura muito mais e dá muito mais honorários ao médico, do que um parto natural
- As jóias, os Rolls, os Ferrari, os Maserati, os Porshe, os Veleiros, os Rolex ,os telemóveis topo de gama, as lagostas, o caviar, os visons, etc, forem taxados a 500% de IVA , os automóveis de 1000cc, a 5% e as batatas, o arroz, o azeite, o leite, o açúcar, a fruta, as couves, o pão, os ovos, os frangos, e os transportes públicos, a zero
- Encontrar num restaurante ou num café em Portugal, mais empregados portugueses do que brasileiros
- Os fumadores, que querem deixar de fumar, perceberem que os medicamentos e produtos anti-tabaco que apareceram, de repentente, no mercado, como barabuntas e que custam balúrdios, são óptimos para enganar os papalvos e encher os Laboratórios ainda com mais lucros
- O futebol voltar a ser um desporto
- Os nossos deficientes que vão aos Jogos Paralímpicos, não precisem de andar previamente a fazer peditórios públicos para arranjarem dinheiro para as despesas de deslocação aos mesmos e tenham direito a ser falados em caixa alta, nos jornais, nas rádios e nas televisões, quando estão a competir e quando regressam, carregados de medalhas (ou não)
- No dia da partida para o Rali LISBOA-DAKAR, a 1ª página d’A BOLA (que tem a lata de se chamar de jornal desportivo), não seja totalmente preenchida com uma fotografia gigante do Nuno Gomes e o título “O HOMEM DO ANO”
- As ementas dos restaurantes no Algarve estiverem escritas em português
- Entre os indivíduos que têm poder para instalar sinais de trânsito, não haja nenhum pateta
- Ninguém for ao aeroporto, à chegada da selecção nacional, eliminada do campeonato do mundo, só para ofender selváticamente o seleccionador nacional
- Nas escolas de condução se ensinar as pessoas a conduzir, em vez de ensinar a fazer inversão de marcha, a arrumar o carro e a não deixar o motor ir a baixo
- Os Joões Pintos, os Sabrosas, os Decos, que proliferam no futebol português. apanharem 20 jogos de suspensão, cada vez que simulam um penalty, da mesma forma que quem rouba uma carteira vai preso
- Os meus filhos e todos os outros Portugueses da sua geração, puderem planear a vida a mais de 3 meses e os meus netos e os dos outros Portugueses, tiverem alguma perspectiva de viver um futuro com dignidade
- E por fim, quando conseguir uma consulta de Oftalmologia no Hospital Egas Moniz, que pedi há mais de um ano

No dia em que tudo isto, ou quase tudo isto, acontecer, juro que ponho Bandeiras de Portugal bem grandes em todas as janelas da minha casa (se ainda tiver casa, se a casa ainda tiver janelas e se Portugal ainda existir) mesmo que a selecçãol NÃO SEJA apurada para o Mundial de Futebol ! Até lá, fico recolhido em casa com as janelas bem fechadas, cobertas com cortinados bem opacos profundamente envergonhado.

Hoje não consigo Blinkar!

Hoje, amigos, quem tem o Blinkar não pode blinkar aos blogs!
Esta blinkadeira não me está a agradar nada.
Só por preguiça não o apaguei, mas se continuar assim abardinado
vou mesmo fazer o
BLINKAR DELETE.

Pode ser que fique bom, uma vez com uma funcionária do centro médico aconteceu!

quarta-feira, junho 14, 2006

terça-feira, junho 13, 2006

Fernando Pessoa Net

A ARANHA

A ARANHA do meu destino
Faz teias de eu não pensar.
Não soube o que era em menino,
Sou adulto sem o achar.
É que a teia, de espalhada
Apanhou-me o querer ir...
Sou uma vida baloiçada
Na consciência de existir.
A aranha da minha sorte
Faz teia de muro a muro...
Sou presa do meu suporte.

Fernando Pessoa

A Tentação de Santo António

La tentación de Santo-Antonio, de Félicien Rops

Sermão de Santo António I

Sermão de Santo Antonio
Pe. Antonio Vieira

Pregado em S. Luís do Maranhão, três dias antes de se embarcar ocultamente para o Reino
Vos estis sal terrae. S. Mateus, V, l3.

I

Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal!
Suposto, pois, que ou o sal não salgue ou a terra se não deixe salgar; que se há-de fazer a este sal e que se há-de fazer a esta terra? O que se há-de fazer ao sal que não salga, Cristo o disse logo: Quod si sal evanuerit, in quo salietur? Ad nihilum valet ultra, nisi ut mittatur foras et conculcetur ab hominibus. «Se o sal perder a substância e a virtude, e o pregador faltar à doutrina e ao exemplo, o que se lhe há-de fazer, é lançá-lo fora como inútil para que seja pisado de todos.» Quem se atrevera a dizer tal cousa, se o mesmo Cristo a não pronunciara? Assim como não há quem seja mais digno de reverência e de ser posto sobre a cabeça que o pregador que ensina e faz o que deve, assim é merecedor de todo o desprezo e de ser metido debaixo dos pés, o que com a palavra ou com a vida prega o contrário.
Isto é o que se deve fazer ao sal que não salga. E à terra que se não deixa salgar, que se lhe há-de fazer? Este ponto não resolveu Cristo, Senhor nosso, no Evangelho; mas temos sobre ele a resolução do nosso grande português Santo António, que hoje celebramos, e a mais galharda e gloriosa resolução que nenhum santo tomou.
Pregava Santo António em Itália na cidade de Arimino, contra os hereges, que nela eram muitos; e como erros de entendimento são dificultosos de arrancar, não só não fazia fruto o santo, mas chegou o povo a se levantar contra ele e faltou pouco para que lhe não tirassem a vida. Que faria neste caso o ânimo generoso do grande António? Sacudiria o pó dos sapatos, como Cristo aconselha em outro lugar? Mas António com os pés descalços não podia fazer esta protestação; e uns pés a que se não pegou nada da terra não tinham que sacudir. Que faria logo? Retirar-se-ia? Calar-se-ia? Dissimularia? Daria tempo ao tempo? Isso ensinaria porventura a prudência ou a covardia humana; mas o zelo da glória divina, que ardia naquele peito, não se rendeu a semelhantes partidos. Pois que fez? Mudou somente o púlpito e o auditório, mas não desistiu da doutrina. Deixa as praças, vai-se às praias; deixa a terra, vai-se ao mar, e começa a dizer a altas vozes: Já que me não querem ouvir os homens, ouçam-me os peixes. Oh maravilhas do Altíssimo! Oh poderes do que criou o mar e a terra! Começam a ferver as ondas, começam a concorrer os peixes, os grandes, os maiores, os pequenos, e postos todos por sua ordem com as cabeças de fora da água, António pregava e eles ouviam.
Se a Igreja quer que preguemos de Santo António sobre o Evangelho, dê-nos outro. Vos estis sal terrae: É muito bom texto para os outros santos doutores; mas para Santo António vem-lhe muito curto. Os outros santos doutores da Igreja foram sal da terra; Santo António foi sal da terra e foi sal do mar. Este é o assunto que eu tinha para tomar hoje. Mas há muitos dias que tenho metido no pensamento que, nas festas dos santos, é melhor pregar como eles, que pregar deles. Quanto mais que o são da minha doutrina, qualquer que ele seja tem tido nesta terra uma fortuna tão parecida à de Santo António em Arimino, que é força segui-la em tudo. Muitas vezes vos tenho pregado nesta igreja, e noutras, de manhã e de tarde, de dia e de noite, sempre com doutrina muito clara, muito sólida, muito verdadeira, e a que mais necessária e importante é a esta terra para emenda e reforma dos vícios que a corrompem. O fruto que tenho colhido desta doutrina, e se a terra tem tomado o sal, ou se tem tomado dele, vós o sabeis e eu por vós o sinto.
Isto suposto, quero hoje, à imitação de Santo António, voltar-me da terra ao mar, e já que os homens se não aproveitam, pregar aos peixes. O mar está tão perto que bem me ouvirão. Os demais podem deixar o sermão, pois não é para eles. Maria, quer dizer, Domina maris: «Senhora do mar»; e posto que o assunto seja tão desusado, espero que me não falte com a costumada graça. Ave Maria.

segunda-feira, junho 12, 2006

domingo, junho 11, 2006

Bom de Bola

Bola de Favela
Bola Bué da Grande
Bola Furada

Bola certeira http://www.universohq.com/.../


Bola à Campeão


Já Arquimedes só pensava em bola

Bola quadrada -- Última invenção dos japoneses

Ainda e sempre Camões

sábado, junho 10, 2006

Dia de Camões





Cows Parade McDonald

Novo MacDonald Burga Tuga

MACDONALD'S NOVA HAMBURGA TUGA
Sabor a bacalhau Sem espinhas
Patrocinador da Selecção Portuguesa
Vamo Prá Frente Porrrrrtttuuuuggggaaaaal
Cadeia shing tang shong
GANHE senhas disel, super 98 Use-as nos Hipers
Deseja crédito? -- Toma lá

quinta-feira, junho 08, 2006

Clássicas Verdades

Look back over the past, with its changing empires that rose and fell, and you can foresee the future, too. Marcus Aurelius

Mauzaisse 1784-1844 Le Temps, Ruines (Louvre)

quarta-feira, junho 07, 2006

O que deve um artista galardoado fazer em caso de atribuição de prémio?

- Ou aceita o prémio com grande pompa e circunstância, veste a roupa da estilista x, faz imediatamente uma plástica, sai a beijar-mãos e a lamber-pés e aparece na Caras e na Caras Notícias sorridente ao lado de todo o tipo de canalhas;
- Ou não aceita o prémio e diz que não quer e que nem para isso está, como o Luandino Vieira fez e corre o risco de dizerem que estar vivo é o contrário de estar morto;
- Ou faz como o Luís Miguel Cintra e aceita o prémio ainda que isso não o faça sentir distinto dos outros mas, pelo contrário, para o partilhar com todos que trabalharam ao seu lado e que em conjunto o fizeram ganhar este prémio. Até aqui, belas palavras, belos sentimentos para dizer -- e reafirmar -- que o prémio não contempla um indivíduo, mas um colectivo; mas também para aproveitar a cerimónia e o protocolo para a leitura pública de um belo discurso escrito, pleno de intencionalidade discursiva que Luís Miguel Cintra escreveu para se orgulhar da sua profissão de actor, da sua possibilidade enquanto tal de continuar pela vida, tal como a criança, a brincar e a fazer do Teatro uma arte séria, que deve ser levada a sério. Cintra disse algo como: muito mal está um Estado que precisa de um prémio privado para se lembrar do Teatro, atirando assim a sua bofetada sem luva na tromba dos cortadores de subsídios ao teatro.
Procurei o belo discurso de Luís Miguel Cintra na Net. Apenas encontrei frases isoladas que mostram o lado cor-de-rosa da aceitação do prémio Pessoa. É o que querem que fique dele. Mas continuo a recordar as imagens rápidas do telejornal, a atitude sóbria do actor lendo o seu discurso frente aos senhores do poder: as caras enfiadas de Cavaco Silva e de Pinto Balsemão obrigados ali a ouvir frente a frente o que ele lhes quis dizer: quem manda agora é o dinheiro mesmo que mate a criação! -- assim, sem floreados, sem subserviências, com dignidade. E a terem que lhe bater palmas no fim. Serão estes os que vão aparecer na Caras?
Eu que já não via uma atitude digna neste país há tanto tempo, ainda fui capaz de me comover!

UFA! A esta besta já nós sobrevivemos...

... será que vamos sobreviver à outra?

terça-feira, junho 06, 2006

segunda-feira, junho 05, 2006

Dia Mundial do Ambiente



A Causa da Defesa e Preservação do Ambiente
é hoje, na nossa opinião,
a causa global mais importante e mais urgente
pela qual todos os países se deviam unir!

SENHOR MARQUÊS

Olhe pr'áqui uma vez
Senhor Marquês
do bairro da lata
está'gente farta
Senhor Marquês
e o nosso fim do mês
Passe pra cá'carteira
da sua algibeira
carteira em couro
relógio d'ouro
não lhe faz falta
e faz-nos jeito à malta

Ó da guarda, ladrões
plos meus brasões
ai meu Deus socorro
Jesus qu'eu morro
grita o Marquês
ninguém vem desta vez
Venha por aqui ver isto
Senhor Ministro
que estes bandidos
uns mal-nascidos
'inda sem dentes
e já delinquentes

Meta aqui o nariz
Senhor Juiz
nós somos bandidos
ou mal-nascidos?
Senhor Ministro
perdoe s'insisto
Se nós somos ladrões
temos razões
que não são as suas
são minhas, tuas
e d'outros mais
de muitos, muitos mais

(Olhe pr'áqui...)
Passe pra cá'carteira
da sua algibeira
carteira em couro
relógio d'ouro
não lhe faz falta
e faz-nos jeito à malta
pr'ó nosso fim do mês

(Sérgio Godinho)

domingo, junho 04, 2006

Um Conselho de um Amigo

Aconselho-vos a ver o slideshow sobre paisagem e vida selvagem nos Açores da autoria de Ricardo Guerreiro e colocado online em http://cabine.org/zevi/bruma.exe
Basta clicar, gravar para o disco e depois de descarregado, fazer duplo clique sobre o ícone. É um auto-excutável que só funciona em Windows (se tiverem Mac ou Linux, esqueçam), não é nenhum forward passível de conter virus e afins. Tem música pelo que ligar as colunas dará alguma envolvência à visualização que dura cerca de 6 minutos.

Viva o Dia do Cão Raivoso!

Cão Raivoso (Sérgio Godinho)

Mais vale ser um cão raivoso
do que um carneiro
a dizer que sim ao pastor
o dia inteiro
e a dar-lhe de lã e da carne e da vida
e do traseiro
mais vale ser diferente do carneiro
um cão raivoso que sabe onde ferra
olhos atentos e patas na terra.

(Chorus):

Viva o cão raivoso
tem o pelo eriçado
seu dente é guloso
e o seu faro ajustado
Cão raivoso, cão raivoso, cuidado.

Mais vale ser um cão raivoso
que um caranguejo
que avança e recua e depois
solta um bocejo
e que quando fala só se houve a garganta
no gargarejo
mais vale não ser como o caranguejo
um cão raivoso que sabe onde ferra
olhos atentos e patas na terra.

(Chorus)

Mais vale ser um cão raivoso que uma sardinha
metida, entalada na lata
educadinha
pronta a ser comida, engolida, digerida
e cagadinha
Mais vale ser diferente da sardinha
um cão raivoso que sabe onde ferra
ferra fascistas e chama-lhe um figo
olhos atentos e patas na terra.

(Chorus)

Mais vale ser um cão raivoso
dentes à mostra
estar sempre pronto a morder
e a dar resposta
a toda e qualquer podridão escondida
dentro da crosta
dentro da crosta das belas ideias
gato escondido de rabo de fora
dentro da crosta das belas ideias
gato escondido de rabo de fora.

Foi você que pediu um Porco Ferreira?

sábado, junho 03, 2006

Porcos (Três Tipos Diferentes) -- Roger Waters



Pigs (Three Different Ones)
(Waters)

Big man, pig man, ha ha charade you are.
You well heeled big wheel, ha ha charade you are.
And when your hand is on your heart,
You're nearly a good laugh,
Almost a joker,
With your head down in the pig bin,
Saying "Keep on digging."
Pig stain on your fat chin.
What do you hope to find.
When you're down in the pig mine.
You're nearly a laugh,
You're nearly a laugh
But you're really a cry.

Bus stop rat bag, ha ha charade you are.
You fucked up old hag, ha ha charade you are.
You radiate cold shafts of broken glass.
You're nearly a good laugh,
Almost worth a quick grin.
You like the feel of steel,
You're hot stuff with a hatpin,
And good fun with a hand gun.
You're nearly a laugh,
You're nearly a laugh
But you're really a cry.

Hey you, Whitehouse,
Ha ha charade you are.
You house proud town mouse,
Ha ha charade you are
You're trying to keep our feelings off the street.
You're nearly a real treat,
All tight lips and cold feet
And do you feel abused?
.....! .....! .....! .....!
You gotta stem the evil tide,
And keep it all on the inside.
Mary you're nearly a treat,
Mary you're nearly a treat
But you're really a cry.

quinta-feira, junho 01, 2006

Uma oferta para o Dia Mundial da Criança

A história que se segue foi uma brincadeira que fiz um dia: peguei num desenho que a minha filha de 9 anos fez no Paint e escrevi a partir dele o texto que hoje vos ofereço. Diz-se que a "burboleta voou para o écran do meu computador" porque durante muito tempo ele foi o meu save screen.
A burboleta da Sara

Esta é a burboleta da Sara. Um dia ela voou para o écran do computador da mãe e lá ficou durante dias a fio. A mãe, apesar de ter gostado muito dela, claro, deu logo pelo erro. Diz que se escreve borboleta, com o e não com u, como eu escrevi. Já estou habituada. Mas mesmo assim fiquei contente porque cada vez que se abria o computador da mãe ela lá estava com as suas asas abertas a mostrar os seus grandes corações vermelhos. Mas a minha burboleta nem sempre foi assim. Ela era antes uma simpática lagartinha verde como mostra o seu corpo. Nessa altura ainda ela não tinha ganho as asas para voar. Arrastava-se pelas folhinhas devagar e confundia a sua cor com algumas delas. Um dia a lagartinha desapareceu para dentro de um casulo e lá ficou o tempo que foi preciso se transformar nesta linda burboleta que agora é. Um dia fiquei a saber que a esta transformação se chama “metamorfose”. E como gostei da palavra nunca a escrevi mal. Só tenho muita pena das meninas como eu não poderem também passar por essa tal de metamorfose. Como eu gostaria de poder ter umas lindas asas como ela e voar por cima das flores. A natureza faz tudo muito bem feito porque se antes ela era verdinha para se confundir com as folhas, agora ela é toda colorida para se esconder entre as flores e os caçadores de borboletas – vou passar a escrever a palavra sem erros para a mãe ficar contente comigo –, para os caçadores de borboletas não a poderem apanhar tão facilmente. Se eu pudesse ter umas asas assim maravilhosas eu saía por aí a borboletar por todo o lado e nunca mais ninguém me apanhava. Ó Sara vem comer – e eu a esvoaçar para longe, nem precisava de fingir que não ouvia porque parece que as borboletas não têm orelhas. A minha vida de borboleta seria só voar, voar, voar por cima de todas as coisas belas e nem sequer teria que fazer os trabalhos de casa.

Não consigo meter imagens. Alguém aí sabe o que fazer?

Ouro de Tolo



R.Seixas
Copyright Warner/Chappell Music Br

Eu devia estar contente
Porque tenho um emprego
Sou o dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros por mês

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz porque consegui comprar
Um corcel 73

Eu devia estar alegre e satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado fome por dois anos
Aqui na cidade maravilhosa
Eu devia estar sorrindo e orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isto uma grande piada
E um tanto perigosa

Eu devia estar contente
Por ter conseguido tudo que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado
Porque foi tão fácil conseguir

E agora eu me pergunto, e daí?
E tenho uma porção de coisas grandes
Prá conquistar, eu não posso ficar aí parado

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o Domingo
Prá ir com a família ao jardim zoológico
Dar pipoca aos macacos
Ah, mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro, jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco

É você se olhar no espelho
Se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo
limitado, e que só usa dez por cento
de sua cabeça animal
E você ainda acredita que é um doutor
Padre ou policial
e que está contribuindo com sua parte
para o nosso belo quadro social

Eu é que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dente, esperando a morte chegar

Porque longe das cercas embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
Dum disco voador...

Será o P.P. (leia-se Paulo Portas) realmente importante?

quarta-feira, maio 31, 2006

Se o nosso governo fosse uma Associação...

O Complexo Maria Antonieta de Paulo Portas

Esta é de cabo de esquadra. Ficámos hoje a saber, nos últimos minutos mais risíveis do programa O Estado da Arte, que o terror foi inventado pela Revolução Francesa. Tantos livros para isto: o calhamaço Citizens -- aconselhado pelo Vasco Pulido Valente, o tal soutor que dá aulas de História dos séculos 19 e 20 numa universidade dessas que para aí andam (os frutos podres que isto dá...) -- e é então que, com a leitura da tradução brasileira, o senhor Paulo Portas chega a esta brilhante conclusão: o terror é um produto da Revolução Francesa – este livro dá, diz ele, a versão definitiva da História. E se Paulo Portas o diz, nós não acreditamos. Então ele quer vender-nos a ideia de que o terror começou com a Revolução Francesa? Antes da Revolução Francesa não havia terror? Para ele não devem contar nem os Gregos, nem os Romanos, nem a Inquisição, tudo boa gente, sem violências, sem terror, tudo numa boa e eis que chega a Revolução Francesa, os malandros dos franceses, para lançar o mundo no terror. Paulo Portas tem tanto medo de revoluções quanto a pobre Maria Antonieta já de cabeça perdida. Comove-se então por Maria Antonieta, rapariga da corte metida em traficâncias e negociatas, coisas de nada, e que perdia a cabeça por se divertir. E vai o moralista do Portas atira com mais esta: como se isso tivesse algum mal. De vir às lágrimas!
No final do programa – e curiosamente quando largou as suas opiniões de comentador político de circunstância – começando a falar de História a propósito de Arte (o filme sobre Maria Antonieta de sophia Coppola!) -- aí é que o programa denunciou o Estado da Arte, o estado da História e o estado de sítio apud Paulo Portas. A sua capacidade de deturpar a História aos olhos de todos seria perigosa se não se evidenciasse tão ridícula. O nítido e ávido terror e horror por palavras como Revolução e Democracia provem em Paulo Portas de uma espécie de trauma de infância que as descrições da Revolução Francesa um dia despoletaram, dando nele origem a um valente complexo de Maria Antonieta que só Freud poderia ter explicado e que o candidato a político resolve como pode. E como lhe é permitido!
Eu não condeno o Portas, ao abrigo da liberade de expressão pode dizer o que lhe apetecer. O que eu condeno é todo um sistema que permite que um canal televisivo responsável por dar informação a um país inteiro, divulgue as bacoradas que este senhor cheio de si próprio tem o desplante de emitir publicamente, convencido que as suas ridículas afirmações são as que mais importam. E ainda lhe pagam para isso! E que o ponham no ar, inchado, cheio de si a estender o guardanapo que o próprio decor do programa evoca e que mais se assemelha com um rolo de casa de banho desenrolado, apropriado à sujidade das suas afirmações. E que afinal todos saibam que este Estado da Arte se destina em última análise a promover a figura e a relançá-lo nos meandros da política nacional, vulgo a “fazer-lhe a cama” para voltar ao poder. Maquiavélico, se não fosse tão saloiamente evidente. E eu que julgava que era o senhor que pagava à Sic para lhe darem tempo de antena para lá ir dizer as suas postas! Podem limpar as mãos à parede com O Estado da Arte!

terça-feira, maio 30, 2006

Retratos de Trabalho dos Pais avaliando os docentes

Confap satisfeita com ideia de pais também avaliarem docentes

«Congratulamo-nos obviamente com esta proposta do Ministério da Educação, mas queremos ir mais além. Deve também ser dada aos pais ou aos seus representantes a possibilidade de avaliar os programas e o seu cumprimento por parte dos professores», disse à agência Lusa a presidente da Confap, Maria José Viseu.

«Como pais, sabemos perfeitamente quais são os professores que gostam dos nossos filhos», explicou.

Diário Digital / Lusa 29-05-2006

--------------------------------------------

Eis mais uma brilhante ideia da Ministra da Educação para pôr os pais contra os professores e os professores contra os pais. Esta tem sido aliás uma das mais recorrentes políticas do actual ministério -- mandar bujardas destas para os media divulgarem e pôr tudo ao barulho. Depois, quando já está tudo a berrar vêm então dizer que afinal não é bem assim, que ainda está em estudo, que isto e que aquilo...
Realmente esta é de cabo de esquadra! Então os professores andam não sei quantos anos a estudar para serem professores, têm durante vários anos uma vida de saltimbancos pelas escolas mais recônditas do país com a trouxa às costas até se vincularem a uma escola e agora ainda chegam ao ponto de estarem sujeitos a que sejam os pais a avaliarem o seu trabalho profissional? Será que quem emite estas bacoradas lá de cima dos ministérios alguma vez foi à escola buscar os seus filhos? Será que conhece o nível médio de ignorância em relação a todos os assuntos da grande maioria de paizinhos que comentam à porta das escolas, enquanto esperam os petizes, a telenovela, o beijo da Teresa Guilherme, o comovente regresso do Rui Costa ao Benfica e as peripécias da última peregrinação a Fátima? Se é verdade que há pais interessados em acompanhar o trabalho que os seus filhos desenvolvem na escola, são infelizmente ainda uma minoria, uma élite informada e com estudos suficientes para detectar se os seus filhos estão ou não a ser bem ensinados nas escolas -- e mesmo esses às vezes, por amor aos petizes, são tendenciosos e não querem admitir que o mal não está só na sala de aula e no professor, mas na falta de tempo e de atenção que os próprios dedicam aos filhos.
O grau de ignorância é tão assustador quanto as palavras da própria presidente da Confap:

«Como pais, sabemos perfeitamente quais são os professores que gostam dos nossos filhos»

Como se o ensino de qualidade fosse uma questão de os professores gostarem ou não dos nossos filhos. Esta frase, por si só e vinda de onde vem, é reveladora da subjectividade que um tal tipo de avaliação poderia vir a causar: uma avaliação ignorante, baseada em critérios de gosto, de amizades e de inemizades, um autêntico absurdo que só vem a comprovar que a Ministra da Educação a continuar a atirar cá para fora com ideias destas precisa, ela sim, de ser avaliada!



Portugal -- disneylândia da agiotagem institucionalizada, vulgo "banca"


Lucros do Banco Popular crescem 21% em Portugal (durante o primeiro trimestre de 2006)

O resultado consolidado do Banco Popular no primeiro trimestre de 2006 foi de 14,186 milhões de euros em Portugal, contra 11,746 milhões no período homólogo do ano passado, anunciou o grupo espanhol em comunicado à CMVM.

O resultado consolidado do Banco Popular no primeiro trimestre de 2006 foi de 14,186 milhões de euros em Portugal, contra 11,746 milhões no período homólogo do ano passado, anunciou o grupo espanhol em comunicado à CMVM.

Em Portugal o crescimento foi assim de 20,8%, superando o aumento de 15,1% - para 245,5 milhões de euros – registado em Espanha. (in Jornal de Negócios)
-----------------------------------------------------------
Ora aqui está um negócio lucrativo. Para os bancos definitivamente não há crise. Dantes este negócio chamava-se agiotagem e era condenável. Agora chama-se “negócio da banca” e cada vez se revela mais lucrativo. Nós, os consumidores, temos os bens. Eles, os bancos têm o dinheiro, dão-nos uma coisa fictícia chamada crédito e nós adquirimos mais bens, pois estes são mais “palpáveis” do que todo o crédito e ficamos eternamente a dever-lhes os nossos ordenados mais um dinheiro que não temos a que chamam juro. Portugal é hoje uma disneylândia bancária. Nisto é que nós somos bons, a metermo-nos em dívidas, somos aliás dos melhores. Aqui anda tudo teso, tudo em crise e, no entanto, por ironia do destino, somos bons clientes desse negócio da banca. Cada vez nos endividamos mais, cada vez os lucros da banca são mais promissores, cada vez vale mais investir nesta agiotagem que é Portugal a entristecer. Eles são os agiotas institucionalizados, nós somos os idiotas endividados. Só não somos de todo idiotas porque vivemos muito além das nossas possibilidades, pensas tu. Não estará mal pensado, mas só enquanto eles quiserem jogar esse jogo do deve e toma lá mais para pagares o que deves e para deveres sempre e ainda mais do que lhes continuas a dever e a pagar sempre, e cada vez mais. Pedes-lhes mais, também queres ter tudo como os tipos dos anúncios. Só não és tão idiota porque conseguiste passar por esta vidinha sem deixares de ser um dos poucos privilegiados neste mundo que assistirá ao mundial num sistema plasma xpto topo de gama que poderá dar aos teus olhos a possibilidade de veres em grande Portugal a ser campeão mundial de futebol. És português, tudo vale afinal o preço da tua felicidade. E se Portugal não for campeão, vai doer-te mais a pagar?

segunda-feira, maio 29, 2006

Natural Mente

Para quem gosta de saber mais sobre Saúde Natural e Medicinas Alternativas, eis um blog acabadinho de inaugurar por uma amiga muito simpática que mostra bem ter o dom de tornar estes ensinamentos acessíveis a todos


A minha última visita ao Centro Médico de Algés

Fiquei logo a saber que “de hoje a oito dias” dito por uma funcionária aparentemente competente pode não significar ter uma consulta marcada para a quinta-feira seguinte. Na verdade assim que cheguei ao guiché e vi quem lá estava desta vez a atender ao público eu soube que iam aparecer dificuldades. Há anos que assim é: uma funcionária que parece estar ali não para resolver problemas mas sim para os criar, conhecem o estilo?No computador a minha consulta tinha sido “ontem”, daí que os “oito dias” não fossem exactamente oito, mas sete. Se não podia ter consulta, ao menos poderia apenas mostrar ao médico os resultados das análises que ele passou à minha filha, que apresentavam alguns valores diferentes dos normais? Ligou para o médico e disse que eu tinha faltado ontem à consulta e queria consulta hoje. Não foi isso que lhe pedi para pedir ao médico, insisti. Claro que ele disse logo que não. Nem a funcionária nem a chefe que veio depois, a qual joga na mesma selecção da velha guarda, deram mostras de perceber o que eu queria, embora me exprimisse claramente. Foi de tal forma que eu por fim disse para o senhor do lado em voz alta: ainda bem que logo vai haver Assembleia Municipal para se discutir o centro médico: vai andar tudo aos saltos. Palavras mágicas: a funcionária pegou nos papéis, levantou-se e foi falar com o médico. Voltou e sem nada me explicar cobrou o dinheiro da consulta e passou-me a guia para as mãos. Parecia o mercado negro!
O médico de recurso recorrentemente parece não ter muito tempo para ouvir de que se queixa quem lá vai. É o chinês mais apressado que já conheci. Levou mais tempo a balburciar a sua opinião sobre Osteopatas: não são médicos, são “endireitas”; fico sempre de pé atrás com um médico cheio de pre-conceitos que não mostra curiosidade por aprender alguma coisa com as medicinas alternativas, e ainda para mais chinês! Tira-lhe logo a aura de cientista, investigador, estudiosos que os médicos deviam ter; tira-lhe logo a aura de místico possuidor ancestral ensinamento que os chineses costumam ter. Quanto à medição óssea que lhe pedi para fazer perguntou-me se já tinha a menopausa e, como não, não quis passar o exame, o que é um absurdo no que diz respeito aos princípios da medicina preventiva. Um TAC à coluna vertebral -- mesmo e apesar de ter passado 3 comprimidos diários para as dores na coluna e mais uma pomada anti-inflamatória -- também era coisa inacessível, pois só com a autorização do director – o qual afinal parece estar mais disponível para atestar cartas de médicos de família que desistem dos seus doentes, deixando-os e à família em situação de doentes de recurso, sem médico de família! E isto porque reclamaram de um serviço mal prestado, de uma informação mal dada pelas funcionárias da secretaria. Que importa a uma médica dessas que uma criança desse agregado tenha asma alérgica e precise frequentemente de cuidados médicos? É que isto já é um processo que se vem há muito arrastando, praticamente desde sempre. Só a parte da enfermagem vai funcionando decentemente e é porque é mais autónoma em relação à secretaria, que só cria conflitos pela falta de bom senso das funcionárias que ali insistem em manter, apesar da diariamente comprovada falta de competência profissional, umas verdadeiras antas que ali estão há anos e anos. Tudo isto é a parte que ninguém parece reclamar, embora até haja mesmo histórias de episódios de agressão às ditas funcionárias e olhem que não me admiro mesmo nada. Porque toda a gente está mais empenhada em que se resolva um outro problema de há muitos anos : as instalações degradadas, sem condições mínimas para deficientes etc. etc. e as sucessivas promessas para a construção de um novo centro médico que nenhum dos autarcas até hoje cumpriu e que Isaltino Morais prometeu -- mas que tem fugido também a esta promessa e de uma forma vergonhosa: por não comparência nas assembleias extraordinárias onde foi convidado a participar. Enfim, eis alguns dos lados que uma questão urgente. Eis alguns dos podres do nosso sistema de Saúde Pública.
Pode ser que com a construção de um edifício novo os procedimentos se venham também eles a renovar. Mas será que podemos esperar que isso aconteça?

sábado, maio 27, 2006

Bancarrota blues

Bancarrota blues
Edu Lobo - Chico Buarque/1985
Para a peça O corsário do rei de Augusto Boal

Uma fazenda
Com casarão
Imensa varanda
Dá jerimum
Dá muito mamão
Pé de jacarandá
Eu posso vender
Quanto você dá?

Algum mosquito
Chapéu de sol
Bastante água fresca
Tem surubim
Tem isca pra anzol
Mas nem tem que pescar
Eu posso vender
Quanto quer pagar?

O que eu tenho
Eu devo a Deus
Meu chão, meu céu, meu mar
Os olhos do meu bem
E os filhos meus
Se alguém pensa que vai levar
Eu posso venderQuanto vai pagar?

Os diamantes rolam no chão
O ouro é poeira
Muita mulher pra passar sabão
Papoula pra cheirar
Eu posso vender
Quando vai pagar?

Negros quimbundos
Pra variar
Diversos açoites
Doces lundus
Pra nhonhô sonhar
À sombra dos oitis
Eu posso vender
Que é que você diz?

Sou feliz
E devo a Deus
Meu éden tropical
Orgulho dos meus pais
E dos filhos meus
Ninguém me tira nem por mal
Mas posso vender
Deixe algum sinal


1984 © - Marola Edições Musicais Ltda.

sexta-feira, maio 26, 2006

Pedimos desculpa por esta interrupção...

Os Comentários deste blog estiveram indevidamente bloqueados à vossa participação porque eu sou muito naba nisto e não me apercebi do que estava a acontecer. Andei por mim cabisbaixa sem saber por que já não comentavam o Pafuncio. Ninguém gosta do Pafuncio -- pensei em mudar-lhe o nome, enxertei-o em Vacakri, disse vezes sem conta que ia desistir. Entretanto dava por mim ansiosamente ver o Traker à procura das vossas visitas e, de facto alguns -- poucos mas bons -- tinham de facto passado por lá. Mas nem uma palavra, nem um comentário vosso...
Eis que se fez luz. Os comentários estavam mal definidos, ninguém conseguia comentar, mesmo se quisesse!
O mal-entendido fica aqui desfeito.
Aqui no Pafuncio todas as vossas opiniões serão bem acolhidas, quer as rejeitadas quer as partilhadas.

Eureca: O livro!


Isaac Asimov dissera mais ou menos isto:

«Temos de encontrar uma forma de comunicação que substitua essa coisa arcaica que é o livro; um modo de comunicação rápido, manejável, portátil, biodegradável, que não consuma energia, com o formato que quisermos. Pois bem, já temos: é o livro!» (Expresso, 8/7/95).

Em 1978, Borges começou assim uma palestra na Universidade de Belgrano:

«Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, indubitavelmente, o livro. Os outros são extensões do seu corpo. O microscópio e o telescópio são extensões da vista; o telefone é o prolongamento da voz; seguem-se o arado e a espada, extensões do seu braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação.» («Borges Oral», «Obras Completas», vol. IV, Teorema, 1999)

quinta-feira, maio 25, 2006

Pensamento da Noite

"Apenas uma guerra é permitida à espécie humana: a guerra contra a extinção."
(Isaac Asimov)

O Novo Zé Povinho ainda não se cumpriu, ó Sergei!

terça-feira, maio 23, 2006

Terapia I

... Se a noite
não tem fundo
O mar perde
o valor
Opaco é o fim
do mundo
Pra qualquer
navegador...
(Chico Buarque)

Gente humilde

Pátio do Carrasco

Gente humilde

Garoto - Vinicius de Moraes - Chico Buarque/1969

Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar
Porque parece
Que acontece de repente
Feito um desejo de eu viver
Sem me notar
Igual a como
Quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem
Vindo de trem de algum lugar
E aí me dá
Como uma inveja dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar

São casas simples

Com cadeiras na calçada
E na fachada
Escrito em cima que é um lar
Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar


segunda-feira, maio 22, 2006

Balanço do 1º. Dia de Luto Nacional

Não se deu por nada. Nem nas janelas, nem nas pessoas, nada. Nas janelas apenas as bandeiras de Portugal já começam a aparecer. Nas pessoas, as roupas coloridas e descapotáveis da Primavera-Verão. Todos felizes, todos contentes, sem nada do que reclamar. Apenas a confirmação que ninguém se preocupa absolutamente nada com o estado da nação, com as políticas e as leis, com as perdas de direitos que levaram décadas de luta a conquistar, levados, levados sim! Nada disso nos move, nem nos comove. Só mesmo a proximidade do Mundial de Futebol, só mesmo Fátima para fazerem o milagre da união, e o nosso fado converteu-se no Rock in Rio. Não me surpreendi. Fiz a minha parte e estarei sempre pronta a fazer a minha parte. Amanhã, em vez da bandeira de Portugal, voltarei a pôr uma boina preta à janela e sairei à rua vestida de preto. Provavelmente ninguém vai reparar porque gosto de me vestir de preto. Fica a prova de que não é com cravos, nem com lutos que se muda o destino deste país. Só mesmo com veneno se apanham moscas.

Blog em Protesto -- LUTO NACIONAL

Vamos usar uma coisa preta seja lá onde for!
Blog Widget by LinkWithin