sábado, setembro 12, 2009

«Evidente»

(logo da net)

A propósito do artigo de opinião e do comentário deste blog (de autoria de Ramiro Marques) : http://www.profblog.org/2009/09/joao-freire-mentor-da-ministra-e-autor.html


É uma evidência afirmar-se que nenhum dos anarquistas portugueses passados ou presentes detém qualquer responsabilidade na deriva oportunista deste ex-anarquista, professor catedrático reformado do ISCTE e autor de várias obras (de qualidade bastante questionável algumas, a começar por um escrito auto-biográfico com muitos auto-elogios e com setas venenosas, post-mortem, a anarquistas que foram - contrariamente a ele- sinceros até ao fim!).

Mas também é preciso deixar claro que nem João Freire, nem Lurdes Rodrigues, digam o que disserem, têm uma réstea sequer de anarquistas; não sei, de facto, se foram anarquistas sinceros no passado (não posso avaliar isso, outros poderão ter uma opinião). Mas o que sei, de certeza, é que nenhuma tendência, nenhuma pessoa individual que se considere anarquista, libertária, ou que esteja influenciada pelo pensamento libertário, em geral, poderá jamais compactuar com a política que este governo levou a cabo.

Estes dois não apenas foram instrumentos dóceis dessa política, como foram artífices da sua construção, pessoas que contribuíram e muito para o traçar dos rumos estratégicos do PS, aquando governo (e antes).

O logro, o engano, a sanha persecutória contra sindicatos, a arrogância, a política do quero posso e mando, são tiques autoritários típicos. Este governo foi isso tudo, pelo que ninguém das fileiras anarquistas portuguesas ou internacionais pode considerar senão como desprezíveis as cambanhotas destas triste celebridades.

Para mais, nem têm a desculpa de serem estúpidos. Serão mesmo bastante inteligentes, mas não têm ética nenhuma, o que as torna particularmente odiosas.

Eu aceito que alguém seja completamente contrária aos ideais que defendeu durante anos, admito que essa reconversão se faça com sinceridade. Mas já não admito que essas mesmas pessoas (tanto no caso do Prof. João Freire, que continua a considerar-se «libertário», como a ainda ministra Lurdes Rodrigues, que disse em entrevista que ainda se achava em sintonia com os ideais libertários, ou coisa do género) não tenham vergonha na cara.

Estão realmente em causa valores colectivos, a começar pela defesa dos proletários, dos trabalhadores... não podemos consentir, nem calar!!!

Manuel Baptista

Dia Mundial da Alfabetização (8/Setembro)


Comemorou-se dia no passado dia 8 de Setembro o Dia Mundial da Alfabetização

Instituído em 1970, sob a égide da UNESCO, por cá, este ano, poucos ecos teve...


Números (negros) do Relatório Mundial de Alfabetização da UNESCO (2003):

- Portugal é um país com cerca de 1 milhão de analfabetos. Por concelho, lidera a Idanha-a-nova (Distrito de Castelo Branco) com 32,1% de analfabetos.

- Em matéria de combate ao analfabetismo estamos com 76 anos de atraso em relação à média dos países europeus e com 100 anos em relação aos EUA.

- Da população alfabetizada, 48% são analfabetos funcionais.


Não obstante, os vários governos/ME - violando grosseiramente preceitos constitucionais basilares - foram asfixiando paulatinamente o Plano Nacional de Alfabetização e destruindo o Ensino nocturno para adultos, e particularmente este último governo, o do "engenheiro", encerrando criminosa e alegremente milhares de escolas do 1º CEB, por todo o castigado interior do país (assim é recuado para os tempos da "Manhã Submersa", de Vergílio Ferreira) e, mercando depois terrenos e edifícios, esbulhados, em tantos casos, às populações que os tinham construído sem apoios estatais, somente com o suor do seus humildes rostos.

Enquanto isso vegetam, fruto também destas macropolíticas suicidárias, anti-educativas e anti-nacionais, 35 mil colegas nossos no desemprego mais incompreensível e mais abjecto...
Paulo Ambrósio

sexta-feira, setembro 11, 2009

Ferreiraleitismo

Por favor divulguem para as pessoas se lembrarem!

PSD: "A política é autónoma da ética e a ética é autónoma da política"


Tempo de autocrítica

Manuel António Pina
Jornal de Noticias
2009-08-28


É impossível não ver no programa eleitoral do PSD ontem apresentado, e no anúncio pela dra. Ferreira Leite de políticas de firme combate a medidas da dra. Ferreira Leite, a mão maoista (ou o que resta dela) de Pacheco Pereira, a da autocrítica.

Assim, se chegar ao Governo, a dra. Ferreira Leite extinguirá o pagamento especial por conta que a dra. Ferreira Leite criou em 2001;

a primeira-ministra dra. Ferreira Leite alterará o regime do IVA, que a ministra das Finanças dra. Ferreira Leite, em 2002, aumentou de 17 para 19%;
promoverá a motivação e valorização dos funcionários públicos cujos salários a dra. Ferreira Leite congelou em 2003;
consolidará efectiva, e não apenas aparentemente, o défice que a dra. Ferreira Leite maquilhou com receitas extraordinárias em 2002, 2003 e 2004;
e levará a paz às escolas, onde o desagrado dos alunos com a ministra da Educação dra. Ferreira Leite chegou, em 1994, ao ponto de lhe exibirem os traseiros.

No dia anterior, o delfim Paulo Rangel já tinha preparado os portugueses para o que aí vinha: "A política é autónoma da ética e a ética é autónoma da política".

(recebido por mail)

terça-feira, setembro 08, 2009

segunda-feira, setembro 07, 2009

CASO TVI - 2 x POLÍTICA NACIONAL - 0

Refiro-me aos últimos dois debates televisivos em que tanto Jerónimo como Louçã embarcaram no comentário ao caso TVI! Por que será que pelo menos um deles não afirmou que estava ali para debater o estado do país e para propor soluções alternativas, não se deixando levar por essa manobra de diversão que propositadamente está montada em torno da merda do telejornal da TVI?

sexta-feira, setembro 04, 2009

Estado de espírito


Quando penso em quem vou votar, sinto-me um pouco assim como o Tom Zé!

quarta-feira, setembro 02, 2009

Compramos e vendemos sentimentos . Curta metragem portuguesa


Compramos e Vendemos Sentimentos - Emotions Market

by Francisco Sousa

http://vimeo.com/2026637

in BIOTERRA

segunda-feira, agosto 31, 2009

Facebook: como suscitar o interesse?


Venho confessar-vos que O Pafúncio, apesar de já ter voltado de férias, continua a funcionar a meio gás. Isso aliás já é do vosso conhecimento... O que nem todos sabem é que a Kaótica bandeou-se lá para os lados do Facebook e está completamente entregue ao sistema. Um dos motivos está na camueca que deu na minha NET que faz com que certos blogues ou sites demorem eternidades a abrir. Ainda há pouco me tinha livrado dos golpes do spam tailandês, maçando os meus caros comentadores com gigajogas.
Isto é o que a Kaótica diz para se desculpar, mas o que é certo é que se viciou mesmo naquela treta do Facebook.
Em relação ao Facebook penso duas coisas: é um sítio de encontro e de diálogo mesmo se dissonante, logo empolgante; é uma ferramenta que está a ser mal usada mas que tem muitas potencialidades, podendo converter-se num espaço de troca de ideias e opiniões de todos os géneros mais do que numa ininterrupta troca de galhardetes e provas reais de amizade. Mas até a isso uma pessoa se habitua, sabendo bem receber e retribuir uma caipirinha gelada no meio do Verão, ainda que virtual. Tem a possibilidade de inserir e partilhar videos, imagens, ligações para notícias e para blogues. Ou seja pode lá ser introduzido tudo o que se quiser e poderão ou não suscitar comentários. Julgo que as pessoas deviam apostar mais em comentar no Facebook, mas para isso seria preciso colocar lá assuntos que as pessoas tivessem interesse de comentar. Um círculo vicioso! Como suscitar o interesse?

terça-feira, agosto 25, 2009

Partir para ficar

"Brincadeiras com algumas pinturas"

Linda Martini - Partir Para Ficar @ Santiago Alquimista - 8/5/09

uma boa versão do excerto do FMI de José Mário Branco

segunda-feira, agosto 24, 2009

domingo, agosto 23, 2009

Fim de férias

Amigos,

Último dia de férias aqui. Amanhã já regresso à selva. Mas as férias são isso mesmo, um tempo que acaba rápido. Na verdade é um contra-senso dizer que se acabaram as férias. Porque as pessoas sem emprego, como é o meu caso, não têm direito a ter férias, porque para ter férias é preciso ter emprego, esperem aí que o Sérgio Godinho já lá chega...



quinta-feira, agosto 20, 2009

Have a Cigar - Pink Floyd

Um dos meus grupos favoritos!

quarta-feira, agosto 19, 2009

HUMANOS-MUDA DE VIDA

Agora não, que estou de férias!

terça-feira, agosto 18, 2009

Fernão Capelo Gaivota [Be, by Neil Diamond]

Em homenagem às muitas gaivotas que hoje ao final da tarde se manifestaram massivamente na praia resistindo aos resorts e aos campos de golfe que num futuro próximo as exterminarão desta zona!

domingo, agosto 16, 2009

Nota informativa

Foto daqui


Caros visitantes de O Pafúncio

Ultimamente as caixas de comentários deste blogue têm sido acometidas por comentários em chinês (ou pelo menos é o que me parece!), pelo que me vi obrigada a activar aquela coisa aborrecida que não gosto nada de encontrar nos blogues, que nos obriga a decifrar um conjunto de letras distorcidas e a digitalizá-las, obtendo assim acesso a publicar comentários. Vamos ver se resulta. Caso contrário terei que seguir para a estratégia II e passar a moderar os comentários.

Peço desculpa pelo incómodo, mas já começo a estar farta dos caracteres chinocas.

Um abraço para todos e continuação de boas férias!

sexta-feira, agosto 14, 2009

Desobediência civil: só não sabemos quando vamos precisar de a exercer!

«As acções directas que desobedecem o poder político não são um mero uso de força por aqueles que não detêm o poder, mas um uso que aspira mais legitimidade que as acções daqueles que controlam os meios legais de violência. Talvez fosse o caso de lembrar, mesmo para os cientistas sociais, que nossas instituições democrático-liberais são instrumentos de um poder que aspira o monopólio do uso legítimo da violência. Há assim, na desobediência civil, uma disputa de legitimidade entre a acção legal daqueles que controlam a violência do poder do estado e a acção daqueles que fazem uso da desobediência reivindicando uma maior justiça dos propósitos.»

Henry Thoreau

Objecção: Não se justifica a desobediência civil em democracia. As leis injustas feitas por um poder legislativo democrático podem ser mudadas por um poder legislativo democrático

Objecção à objecção:

Mas e se houver uma maioria parlamentar que impeça essas leis injustas de serem mudadas, devemos desobedecer-lhes e reivindicar uma maior justiça dos propósitos?

Sei que não vou por aí!

Fazendo uma busca de imagens com a palavra «desobediência», poucas há que satisfaçam. Ouso mesmo dizer que não há nenhuma que lhe sirva tão bem como o velho manguito nacional!

quarta-feira, agosto 12, 2009

ENA PÁ 2000 - "Rap Alentejano"

O sistema é um problema! Quem não come passa fome. CEE dá cá o pé. Atitude. ATITUDE!

terça-feira, agosto 11, 2009

«Discurso pelo Mundo»

daqui

Gostava de ser ouvida pelo mundo, porque nem todas as crianças têm a consciência que eu tenho, nem os adultos têm, quanto mais. O que eu quero dizer é que, eu tenho uma grande paixão pelo mundo que nos rodeia, e gostava de o poder proteger, mas sozinha não sou capaz. Não é apenas uma pessoa que vai conseguir mudar a forma de pensar das pessoas, mas sim as próprias pessoas que mesmo sabendo que estão a prejudicar o planeta, não mudam os seus actos, as pessoas têm de encarar a realidade.

Segundo os cientistas, só temos dez anos para mudar o nosso sistema, se não mudarmos, as consequências serão catastróficas, o clima da Terra sofrerá grandes alterações: o aquecimento global, o gelo dos pólos já está a derreter e, se continuar assim, a água do mar invadirá a terra e a sua salinidade baixará muito.

A natureza conduz sempre ao equilíbrio, mas nós, os humanos, estamos a destruir muito depressa e em grande volume, ou seja, se nós não destruíssemos o planeta em que vivemos da forma bárbara que estamos a destruir, a natureza conseguia manter a vida. Mas, dando um exemplo mais simples, é como se fossemos direitos a um abismo: damos dois passos para a frente e um para traz, vamos acabar por cair nesse abismo, pois a natureza não consegue repor aquilo que destruímos tão depressa como nós, os humanos, destruímos. A natureza não aguenta este ritmo.

O ser humano considera-se o animal mais inteligente mas não o é, eu pelo menos, nunca vejo nenhum dos outros animais destruir o seu próprio habitat, mas vejo o Homem destruir o seu e o de muitas mais espécies.

Durante muito tempo o Homem pertenceu àquilo a que gosto de chamar, ecossistema global, mas a vida das pessoas era dura e quando descobriram o petróleo, apareceram as máquinas que lhes facilitaram muito a vida. Com o petróleo, a qualidade de vida aumentou, a população cresceu e com ela as cidades desenvolveram-se, e foi havendo sempre mais desperdício.

Agora só nos resta parar de desperdiçar os recursos, utilizar apenas o necessário, e revoltarmo-nos para mudar o nosso sistema, que está provado que não funcionará durante muito mais tempo. Não se esqueça que só temos dez anos para mudar, olhe que não é muito, é pouco…mas também já devíamos ter mudado há muito tempo, e pergunto-me se será este o Futuro que queremos! Nós escolhemos o nosso futuro e de certeza que não é o falso, poluído, artificial e contaminado planeta que queremos, nós queremos um planeta cheio de vida, cor, luz e alegria!

Não se esqueça que o futuro está nas nossas mãos!!!

(Sara)

segunda-feira, agosto 10, 2009

Turning Japanese; Incubus/J-Rock

Para mim é chinês!

Ando-me a passar com isto dos blogues. Então eu ontem que até me esforcei por prestar uma homenagem ao Raúl Solnado, o humorista que teve o seu auge no tempo dos meus pais, e recebo por troca um comentário em chinês? Por favor digam-me se também estão a ser acometidos por comentários em chinês!!! Sei de outros casos mas gostava de conhecer a verdadeira dimensão deste ataque em chinês. Já me disseram que aquilo ali disparava automaticamente, mas eu não acredito em tomaticamentes. O Chico também já chegou a sentir que "tem um japonês 'trás de mim".
Já tentei denunciar como spam lá no gmail mas nada, comentários deste tipo estão a minar as caixas dos blogues.
Outro inconveniente são estas ligações de andar por aí. A publicidade promete ligações rápidas, navegar a surfar e o diabo a quatro mas os sapos somos nós que acreditamos que vai ser rápido. O meu blogue demora que se farta para abrir. As ligações rápidas são uma tanga e o pessoal embarca na conversa e depois decepciona-se mas lá vai pagando. Além disso de vez em quando vão abrindo-se umas janelas sem eu dar por isso e às vezes são elas que estão a atrasar a abertura do blogue. Também já aconteceu este estar a abrir e simplesmente desaparecer. Tudo isto em variantes para me exasperar cada vez mais.
Tenho-me refugiado no Facebook. Ainda não percebo nada daquilo, por isso vou fazendo as coisas que aparecem por lá, mesmo quando são muito parvas. Julgo que é assim que todos aprendem a andar por aquelas bandas. Mas já deu para ver que pode ser viciante, dado às ilustres personalidades que por lá aparecem: os amigos e os amigos dos amigos, por aí fora, o que sempre vai despertando a curiosidade, principalmente se há participação. Mas tenho a certeza que ainda há ali coisas que me escapam e não são poucas.

Por aqui, por ali, por acoli, a gente sempre vai se encontrando!

Um abraço e já que estou virada para o latinório, aproveito este post para desejar uma continuação de boas férias para todos. Não me lembro de season mais silly do que esta pré-eleitoral!

domingo, agosto 09, 2009

Memórias não saudosistas do Raúl Solnado

"Façam o favor de serem felizes."

Raúl Solnado

daqui

Fado maravilhas
==============

Fui num domingo a Cacilhas
Mais o Chico Maravilhas
Comer uma caldeirada
A gente não nada em taco
Mas vai dando pró tabaco
E pra regar a salada
 
E porque isto é mesmo assim
A gente morre e o pilim
Não vai prá cova coa gente
E antes gastá-lo no tacho
Que na farmácia que eu acho
Isto é que é principalmente
 
Terminada a refeição
Ao entrar na embarcação
Começou a grande espiga
O Mangas abriu o bico
Pôs-se a mandar vir com o Chico
E o Chico arreou a giga
 
E para acalmar a tormenta
Inda disse ao Chico augenta
Mas o Mangas insistiu
E o Chico sem intenção
Deu-lhe um ligeiro encontrão
Atirou c' o tipo ao rio
 
Um sócio de outro meco
Quis-se armar em malandreco
A gente já estava quentes
Veio para mim desnorteado
Eu dei-lhe c' o penteado
E pu-lo a cuspir os dentes
 
Veio outro veio outra ideia
De sarnelha e plateia
Mais outro fui-lhe ao focinho
E o Chico pelo seu lado
Só para não ficar parado
Aviou quatro sozinho
 
Fez-se uma grande molhada
Desatou tudo à estalada
Eu e o Chico no centro
Naquela calamidade
Apareceu a autoridade
E meteu-nos todos dentro
 
Não tenho vida pra isto
E de futuro desisto
De me meter noutra alhada
Nunca mais vou a Cacilhas
Mais o Chico Maravilhas
Comer uma caldeirada

DAQUI

sexta-feira, agosto 07, 2009

Ilusão por ilusão vou mergulhar na leitura!!! Até sempre ou seja até já!


imgem daqui

O Livro das Ilusões do Paul Auster é o livro que trouxe para ler nas férias. Ainda só vou no início mas já tenho a certeza de que é um grande livro, com uma capacidade narrativa alucinante. As diferentes velocidades narrativas levam a que desde logo pareça que já sabemos toda a história, passando-se logo a seguir a contar em pormenor, de forma a construir a personagem. A narrativa na primeira pessoa e as personagens principais ausentes, incorpóreas. Parece que há mais quem goste, e sei também de quem muito gostava e mo entregou, aconselhando-o vivamente.

A minha ligação à net aqui é péssima. Estou a pensar dedicar-me mais à leitura deste livro. Esta é uma grande vantagem dos livros sobre a net: são corpóreos e não se volatizam no ar, deixando-nos que tempos à espera de carregar. Depende de nós lê-los ou não os ler. Este livro talvez se venha a revelar mais cativante do que todas as portas por onde possamos entrar, se bem que à última da hora um blogue desconhecido veio fazer com que o que eu acabei de dizer deitasse tudo a perder. Ou talvez não. Para já vou-me desligar daqui para me ligar lá, no universo fantástico dessa história tão real. Até já!

quinta-feira, agosto 06, 2009

Fly Like An Eagle - Steve Miller Band

Quem não gostaria de poder experimentar esta sensação de liberdade?

«Eu gostava de ser uma ave»

Imagem daqui

«Eu gostava de ser uma ave, daquelas grandes que voam tão alto que quase tocam no sol. Daquelas grandes que dominam os céus. Eu gostava de ser uma ave de rapina. Como a poderosa e bela águia, de chamas nos olhos, penas douradas e garras afiadas. Eu gostava de ser como a águia, observar a paisagem e dominá-la apenas com o olhar. Eu gostava de ser uma ave, daquelas grandes que voam tão alto que quase tocam no sol. Daquelas grandes que dominam os céus. Eu gostava de ser uma ave de rapina. Como o grande e luminoso falcão, de bico e garras brilhantes e afiadas, como uma espada de um príncipe. O sábio e astuto falcão que quando abre as asas ilumina toda a paisagem e me enche de alegria. Eu gostava de ser como o falcão. Eu gostava de ser uma ave, daquelas grandes que voam tão alto que quase tocam no sol. Daquelas grandes que dominam os céus. Eu gostava de ser uma ave de rapina.»

[texto escrito pela minha filha de 12 anos
no primeiro dia em que viemos todos juntos de férias para aqui]

A "minha" águia já está na fase da metamorfose!!!


clicar na imagem para ler a lenda da águia (daqui)

quarta-feira, agosto 05, 2009

Nem só Tróia está lixada com um F muito grande!


Imagem daqui


A notícia já é de Fevereiro de 2008 mas vale a pena tomar conhecimento dela ainda que eu não tenha conhecimento do andar da carruagem. Saliento os seguintes parágrafos:

Setúbal, 28 Fev (Lusa) - A Assembleia Municipal de Alcácer do Sal deve aprovar sexta-feira a versão final do Plano de Pormenor do empreendimento turístico a desenvolver numa área de 346 hectares na Herdade da Comporta.

O projecto turístico, com 3.467 camas turísticas e 1.470 camas residenciais, prevê a construção de dois hotéis, dois aparthotéis, três aldeamentos turísticos, 250 moradias e dois campos de golfe na Herdade da Comporta, que abrange uma zona de pinhal e cerca de um quilómetro de praia, junto à localidade da Torre.

O Plano de Pormenor da Herdade da Comporta foi previamente aprovado, por unanimidade, pelo executivo camarário, pelo que não se prevê qualquer dificuldade na aprovação em Assembleia Municipal.

O projecto será implantado numa zona que estava classificada como Reserva Ecológica Nacional, mas o Conselho de Ministros aprovou, a 24 de Janeiro de 2008, uma resolução que alterou a delimitação da Reserva Ecológica Nacional do concelho de Alcácer do Sal.(...)
"A Reserva Ecológica é um instrumento nacional, mas é inevitável que surja um conflito de interesses quando chegar o momento da aprovação dos projectos para aquele território integrado na Rede Natura 2000, onde existem `habitats` e espécies protegidas a nível europeu", disse Hélder Spínola. [Presidente da Quercus]

"Estamos a aprovar planos de pormenor para áreas de grande interesse para a conservação da natureza que poderão provocar conflitos entre as associações ambientalistas, a autarquia e os promotores, e que poderão igualmente criar alguns problemas entre o governo português e a Comissão Europeia", acrescentou.

O presidente da Quercus defendeu ainda relocalização dos empreendimentos turísticos previstos para o litoral alentejano como forma de prevenir eventuais conflitos com a União Europeia.(...)

Para o presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Pedro Paredes (PS), que dá praticamente como certa a aprovação do Plano de Pormenor na Assembleia Municipal de sexta-feira, o projecto turístico da Herdade da Comporta prevê uma "intervenção extraordinariamente suave numa zona paradisíaca".

"A densidade prevista nas áreas rústicas é de "13,7 camas por hectare, quando legalmente se "poderia ir até um máximo de 125 habitantes por hectare", justificou Pedro Paredes.

O autarca socialista salientou ainda a importância do projecto para o desenvolvimento económico do concelho, atendendo a que se trata de um empreendimento que irá criar muitos postos de trabalho.(...)

A semente do lodaçal está lançada:

clã do BES (detentores da Herdade da Comporta) + governo Sócrates (conselho de ministros) + a autarquia PS + assembleia municipal + o golfe + o capital e as suas negociatas + a mentira + Comissão Europeia/União Europeia + Quercus

Passo a explicar a relação sem porém deixar de apontar uma solução para este caso:

O clã BES está farto de ter ali aquela herdade só a produzir um vinhito, arroz e pequeno turismo e decide que aquele é um bom sítio para ganhar mais dinheiro, resolve meter-se no negócio do turismo (nec+otium=negação do ócio). Sendo esta uma zona protegida havia que remover as condições que obstam a que nela se possa vir a desenvolver o turismo privado, que só se contenta com aparthotéis (?) e campos de golfe. Mas a praia também lhe interessa por isso há que mover grandes influências junto do governo para que a zona protegida fosse usada em benefício da população (!). Os ministros dão o ámen e justifica-se a apropriação das zonas protegidas e de carácter público (leia-se orla costeira!) usadas para desenvolver locais de gozo privado. Não tardará em que haja zonas reservadas nas praias, não se podendo passar a direito. Zonas antes pertencentes às espécies protegidas, zonas naturais, livres até agora da intervenção humana. Ambos: governo e autarquia encontraram nos PIN (Projectos de Interesse Nacional) a manobra perfeita para justificar a mentira da criação de emprego.
Tive oportunidade de falar neste assunto com uma pessoa da terra, bem informada que me assegurou que essa da criação de emprego era mentira, pois já as negociatas vinham montadas de forma a que cada uma trazia os seus próprios precários anexada. E que as pessoas da terra só iam ser prejudicadas com os preços praticados nos empreendimentos turísticos.
Tudo isto cozinhado pelo governo que agora vai a eleições e pelo autarca que irá a eleições e o povo tem a obrigação de não votar nesta gente. Mas não é por isso que vai ter que votar no PSD. O PSD tem outros grupos financeiros e outros governos que vão apropriar-se das negociatas e fazê-las com a sua gente. Apenas as moscas mudam. O povo tem o dever de votar ou de não votar, mas se votar que vote em qualquer outro partido que não sejam esses do capital e das negociatas, que seja um governo outro que defenda e preserve o ambiente e que ponha o país a produzir em vez de o vender às fatias.
Solução: não votar em nenhuma desta gente. Para país de alterne já nos basta!!!
Entretanto temos para nos defender a Quercus que ameaça o projecto com a União Europeia, como se não soubesse de antemão que é daí que vêm as bençãos (ia jurar que esses PINs que tudo permitem, desde campos de golfe para gastar a nossa água, até à privatização das nossas praias, vêm de directivas da União Eropeia). Sendo assim estamos muito mal defendidos!!!



terça-feira, agosto 04, 2009

Tom Zé - O Amor é um Rock

Dedicado ao quadrilheiro Isaltino Morais (cadê os outros?)

Adriano Correia de Oliveira

História Do Quadrilheiro Manuel Domingos Louzeiro

Já lá vai preso o ladrão
Que em toda a parte aparecia
Contam-se mais de um milhão
De roubos que ele fazia.
Contam-se mais de um milhão
De roubos que ele fazia.

Meus senhores vão ouvir
A história do quadrilheiro
Manuel Domingos Louzeiro,
Que foi a pena cumprir,
Enquanto alguém de Salir,
Num primor de descrição,
Lhe chama até "Lampeão";
Mas, salirenses honrados,
Podeis dormir descansados,
Que lá foi preso o ladrão.

Já lá vai preso o ladrão
Que em toda a parte aparecia
Contam-se mais de um milhão
De roubos que ele fazia.
Contam-se mais de um milhão
De roubos que ele fazia.

Pelas coisas que o povo diz,
Para uns, terrível bandido
Para outros, grande infeliz.
Mas eu, sem querer ser juiz,
Vi que ele se despedia
Da mulher com quem vivia
Numa amizade sincera
E não vi nele a tal fera
Que em toda a parte aparecia.

Já lá vai preso o ladrão
Que em toda a parte aparecia
Contam-se mais de um milhão
De roubos que ele fazia.
Contam-se mais de um milhão
De roubos que ele fazia.

Desse rei dos criminosos
Direi aos que o conheceram,
Poucos crimes apareceram
E poucos são os queixosos;
Apenas alguns medrosos
Terrível fama lhe dão;
Para a justiça só são
Os seus crimes dois ou três,
Mas coisas que ele não fez
Contam-se mais de um milhão.

Já lá vai preso o ladrão
Que em toda a parte aparecia
Contam-se mais de um milhão
De roubos que ele fazia.
Contam-se mais de um milhão
De roubos que ele fazia.
Por alguns sítios passava,
Onde há só gente honradinha,
Que roubava à vontadinha
E que ninguém acusava;
Tudo Domingos pagava,
E ele às vezes nem sabia
Que à sua sombra vivia
Gente que passa por justa,
Fazendo crimes à custa
Dos roubos que ele fazia.
Gente que passa por justa,
Fazendo crimes à custa
Dos roubos que ele fazia.

domingo, agosto 02, 2009

Seu Jorge - Tive Razão

Este clip lembra-me Lisboa que ficou para trás...

quinta-feira, julho 30, 2009

Restos - Video Poema

Começaram oficialmente as obras em minha casa

terça-feira, julho 28, 2009

segunda-feira, julho 27, 2009

Tratado de Lisboa: O tratado dos tratantes

Imagem Daqui


Cavaco anda esperançado.
Só que os Irlandeses não são moles e para eles um não será sempre um NÃO.
Este tratado que tão mau nome dá a Lisboa não passa de de um tratado de meia dúzia de crápulas e contra os cidadãos.


O aprofundamento do neoliberalismo

"Este novo Tratado não devolve soberania aos Estados-membros e não inverte o processo de aproximação da União Europeia a um modelo neoliberal de capitalismo. Pelo contrário. Afecta a soberania do país em pontos centrais, aprofunda o centralismo das decisões em torno dos seis maiores países (Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Polónia e Espanha), aprofunda o neoliberalismo e reduz ao mínimo os direitos sociais, dando resposta às reivindicações do capital europeu.

Este Tratado mantém todos os aspectos negativos das políticas neoliberais que já conhecemos, e agrava-as, dando-lhes uma visão ainda mais liberal, com os protocolos que são parte integrante do próprio Tratado, seja sobre a política de concorrência que «não deve ser falseada», expressão que também constava da dita constituição europeia, seja sobre os chamados Serviços de Interesse Económico Geral. A leitura conjunta destes artigos só pode ter uma interpretação: sujeitar a maioria dos serviços públicos à política de concorrência e ao mercado interno, ou seja, facilitar a vida aos grupos privados que querem apropriar-se da generalidade dos serviços públicos, aprofundando o que está a acontecer com as liberalizações nos transportes, correios, energia, telecomunicações, serviços financeiros, etc.

Aí aparecem também, a propósito do Artigo 104.º do Tratado, relativo ao funcionamento da União Europeia, as declarações da Conferência Intergovernamental sobre a Estratégia de Lisboa e o Pacto de Estabilidade, insistindo nas políticas que estão a ser praticadas, com as consequências conhecidas. Sabemos o que significa controlo do défice orçamental: corte nos salários reais e nas pensões e reformas, menores investimentos públicos, incluindo na saúde e educação públicas, mais liberalizações/privatizações, com maiores ganhos para grupos económicos privados, e as graves consequências visíveis no desemprego, o qual alimenta o trabalho precário e os baixos salários.
Igualmente, a propósito da política monetária, não só se mantêm os poderes conferidos ao Banco Central Europeu, como se admite que se possa ir mais longe, «conferindo-lhe atribuições específicas no que diz respeito às políticas relativas à supervisão prudencial das instituições de crédito e outras instituições financeiras, com excepção das empresas de seguros ...".

In "O militante"


Daqui

domingo, julho 26, 2009

Quilapayun - El pueblo unido jamas sera vencido

O Povo Unido Jamais Será Vencido

Greve Geral Global


OU REAGIMOS COLECTIVAMENTE, ACTIVANDO UM MOVIMENTO GLOBAL PELA REPOSIÇÃO DE UMA ESCOLA PÚBLICA DEMOCRÁTICA, OU SEREMOS DESTRUÍDOS NA VORAGEM DA POLÍTICA POLITIQUEIRA.
ISTO, INFELIZMENTE, COM A COLABORAÇÃO ACTIVA DOS DIRIGENTES SINDICAIS QUE JÁ SE PREPARAM PARA FAZER UMA ESPÉCIE DE PEDITÓRIO JUNTO DOS PARTIDOS, PARA DEPOIS «DAREM SEM DAREM» UMA INDICAÇÃO DE VOTO NAS ELEIÇÕES.
REALMENTE, NO MEIO DA PODRIDÃO, APENAS SE PODE CONSEGUIR ALGUMA COISA, SE FORMOS CAPAZES DE NOS COORDENARMOS DE FORMA HORIZONTAL, ENTRE PESSOAS DISPOSTAS A LUTAR! NÃO É COM ELEITORALISMO QUE SE LUTA! É PREPARANDO UMA GREVE GERAL GLOBAL, QUE ABRANJA TODOS OS SECTORES DA FUNÇÃO PÚBLICA!!
SÓ O FACTO DE SE ESTAR A PREPARAR SERIAMENTE ESTA HIPÓTESE DARIA IMENSA FORÇA AOS TRABALHADORES, PARA EXIGIREM QUE SEJAM RESPEITADAS AS SUAS LEGÍTIMAS ASPIRAÇÕES E QUE QUALQUER GOVERNO, SAÍDO DAS URNAS, PENSE DUAS VEZES ANTES DE «RASGAR» NO DIA SEGUINTE AS SUAS PROMESSAS ELEITORAIS, COMO SÃO COSTUMEIROS.

MANUEL BAPTISTA
(manuelbap@yahoo.com)

sexta-feira, julho 24, 2009

quinta-feira, julho 23, 2009

Debate público: «A Origem da IV Internacional e a sua ligação ao POUS»

Convite para reunião na sexta-feira, dia 24 de Julho, às 21 h 30 m, na Sede do POUS

Rua de Santo António da Glória, nº 52 B, cave C, em Lisboa (ver localização em anexo)

Objectivo: Debater a origem da IVª Internacional e a sua ligação com o POUS

Caros amigos e camaradas,

Vocês conhecem as propostas defendidas pelos militantes do POUS, propostas que têm sempre duas particularidades: têm como objectivo serem postas em prática com militantes e trabalhadores de outros partidos (ou sem partido) e colocam sempre o problema do Governo.

Por que é que – sendo elas desta natureza e, portanto, terem facilmente a adesão da maioria dos trabalhadores – não se consegue a sua realização, nem fazer com que a fonte de onde partem cresça na proporção desta adesão?

Onde estão os obstáculos? Serão eles normais, no quadro da luta da nossa classe para se emancipar?

Não serão estes obstáculos os mesmos que dificultam a construção do POUS, Secção portuguesa da IVª Internacional?

Os militantes do POUS – constantemente “acusados”, pelo jornalismo comum, do delito de serem pouco numerosos – têm consciência de que é necessário discutir e demonstrar todas as suas posições e propostas. Só assim poderá haver uma base sólida na intervenção de quantos decidem assumir essas propostas, bem como se poderá compreender como as dificuldades de organização estão ligadas às dificuldades da nossa classe.

O que não chega para deter os revolucionários, já que estes agem para mudar estas condições, para que estas se tornem favoráveis.

Nesta linha de orientação – depois de termos debatido a relação histórica entre a batalha actual a desenvolver em Portugal, pela unidade de todas as organizações que se reclamam do socialismo, para a constituição de um Governo que rompa com as políticas da União Europeia e com a própria União Europeia, e a luta dos revolucionários na década de 30 do século passado (pela unidade entre o PC e o SPD, na Alemanha, para impedir a eleição de Hitler) – propomos agora um debate sobre a IVª Internacional.

Faremos também, nessa reunião, o ponto da situação no processo de organização das listas pelo POUS às eleições para a Assembleia da República.

Saudações socialistas

O Secretariado do POUS

Explodir ou explorar, eis a questão

Num dos recortes de jornal guardados leio:
"Operários ameaçam explodir fábrica em França"

e logo me vem à cabeça a pergunta: Explodir? Por que não EXPLORAR? Sou absolutamente pela ocupação das fábricas e dos postos de trabalho por parte dos trabalhadores ameaçados pelo despedimento sem justa causa. Haverá alguma moralidade em despedir pessoas, deixando-as sem qualquer perspectiva de presente e de futuro? E não me venham dizer que é a crise: antes do encerramento de cada fábrica, de cada empresa, é preciso saber qual a viabilidade e o interesse produtivo e estratégico para o país.

Os trabalhadores têm nítida consciência se uma fábrica/empresa é ou não viável e produtiva. Claro que não estou a falar da viabilidade com que os donos das fábricas/empresas argumentam. Ser viável não quer dizer que tenha que duplicar ou quadriplicar os lucros. Ser viável é dar emprego, assegurar a produção e não dar prejuízo.

Se o patronato é guloso e isto não lhe chega, então que os trabalhadores ameaçados de despedimento ocupem os seus postos de trabalho e levem o negócio para a frente. Tudo o que produzirmos cá, não compraremos lá fora!




Lenine - Todos os Caminhos

é tanta coisa...

E ainda nem começaram as obras...

A situação é caótica, como não podia aliás deixar de ser. OBRAS! Primeiro era para começar pela cozinha e sala. Toca a começar a levar as tralhas para os quartos. Depois de repente já não podia ser assim: aquela que nos pareceu ser a pessoa certa para arcar tal empreitada só podia pegar na obra em princípios de Setembro. Para não se perder mais tempo era melhor começar já pelos quartos, obra mais fácil. Lá tivemos que começar a levar tudo para a cozinha e para a sala, que estamos entretanto a habitar. Para a semana há que começar. Vejo os caixotes a empilharem-se à minha volta. Uma amiga diz-me ao telefone que um dia destes ainda tem que me resgatar da minha própria casa. Ela conhece-me e já percebeu que muitas das coisas não irão fora. Todos por aqui temos um certo apego às coisas com que nos fomos rodeando em várias fases da vida. Impossível livrarmo-nos dos livros, dos recortes de jornal, de alguns brinquedos dos filhos, até mesmo de roupas. Outras coisas são colocadas no jardim para alguém as vir buscar. Há que tratar de todos esses pormenores: quem chamar para vir buscar; quem contratar para ajudar a carregar móveis e colchões? Coisas que saem para ser concertadas. Outras que aparecem de todos os lados parecendo estar a nascer dos cantos. Sinceramente, tanta tralha! Mas são as nossas coisas, aquilo que conservámos e continuamos a querer manter. Aliás há coisas velhas que voltam a ser novas. A descoberta dos livros que ainda não li e o desafio de saber agora que já não será possível ler a todos (mas todos se guardam!). O candeeiro comprado com uma intenção que nunca se chegou a cumprir, guardado para colocar depois das obras. A casa já teve inúmeros projectos: antes de eu aparecer; antes de um filho, de dois, com mais quarto, menos quarto. Uma casa que acumula outras casas. Uma casa que é preciso desfazer e refazer nos próximos tempos. Vestígios da casa da minha madrinha, onde vivi anos, vestígios da casa do pai dele, despojos que vieram cá parar quando partiram. A casa dos Açores, que viajou para cá num contentor (a carga pronta e metida nos contentores, adeus ó meus amores que me vou para o outro mundo!). Os brinquedos de quando eram pequenos, esses todos para dar. Cds para encaixotar, cds para encaixotar, livros, livros, livros… tantas coisas, tantas coisas e o meu Verão?

Eclipsem-se os governos!

quarta-feira, julho 22, 2009

Sim, tanto Sócrates, tanta Ferreira Leite, já cheira mal!!!


«Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente
e pela mesma razão.»


Eça de Queiroz
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