sábado, novembro 29, 2008
terça-feira, agosto 26, 2008
Cada chegada é uma chegada

A pata onde poisava deixava uma poça de sangue. Tudo sujo, tijoleira, tapete, as nossas roupas, toalhas, assentos de automóvel. Procurámos um veterinário por todo o lado mas os poucos que havia tinham partido para passar o Domingo fora. Noite. Voltámos a casa e fiz um curativo o melhor que pude e fizemo-nos à estrada. Ponto de encontro: o hospital veterinário do Restelo, aberto 24h, caro como o caraças (não, o caraças é mais barato!). Mais sangue, mais curativos, mais espera, depois da viagem de regresso. Disseram-nos que o nosso cão tinha que ficar internado, ser anestesiado e talvez mesmo ser operado para reconstruir o vaso sanguíneo cortado. Ligássemos para lá no dia seguinte a saber o que tinha acontecido. Chegámos a casa todos menos um, abatidos os outros que chegaram sem esse. Tão querido que foi nas férias, menos para as ovelhas da quinta vizinha, que ficaram sem o seu personal trainer. Fugia para lá por debaixo da vedação e ficava a ladrar à frente delas (e por todos os lados), com o rabo a abanar, só querendo que corressem para ele correr atrás delas, as ovelhas em pânico, coitadas. Nunca lhes fez mal, a não ser ao coração.
Ontem não estava com cabeça para mais nada e só me deixei ficar em frente à televisão, a ver a cerimónia de encerramento dos jogos olímpicos. Pareceu-me o supra sumo da harmonia universal. Como o ser humano é capaz de criar tanta ordem e tanto caos! Espectáculo, tanta gente tão perfeita, tão flexível e musculada, tão sorridente e infalível… Lindas as cores das luzes e radioso o sorriso das mulheres e dos homens participantes. As vozes das cantoras como sereias… a arquitectura das luzes e dos edifícios… o velho rock rasgativo finalmente instituído, abençoado por papas e budas, a animar a festa.
Adormeci pela primeira vez já noutro programa e ainda houve quem me voltasse a acordar.
Hoje foi outro dia e a maior alegria até agora foi trazer o cão para casa. Ainda vem com resquícios da anestesia, dorme muito, tem a pata ligada e traz uma coleira daquelas de cão espacial que bate em tudo por onde passa. Está prostrado e eu com ele, e a nossa carteira também está prostrada. Que final de férias! Quanto mais não vale um gato bebé no motor do carro!
terça-feira, agosto 19, 2008
Temos sempre que dizer adeus a qualquer coisa
Estou num dilema!
Por um lado quero que esta semana não acabe nunca porque é a última semana aqui de férias e também porque estou muito bem acompanhada, uma casa só com mulheres e crianças. Por outro lado estou desejosa que a semana chegue logo ao fim para voltar a ter cá quem teve que se ir embora trabalhar e deixou saudades.
domingo, agosto 17, 2008
Génesis de um espantalho

Os meus filhos montaram um acampamento a alguns metros de casa, debaixo de uma velha oliveira. Levaram espumas de campismo, sacos camas, almofadas e afirmaram que iam lá dormir. Mas depois veio a noite e arrepiaram caminho. Na noite seguinte era mesmo para ficar. E de facto lá foram e lá ficaram mesmo depois das visitas se terem ido embora. Mas daí a um bom bocado o mais novo voltou para casa sozinho, metendo-se sem lanterna pela noite dentro na direcção da luz da casa, porto seguro. Vinha tremelibundo e acabrunhado, querendo se meter na cama, cheio de cagaço. Então e a outra ficou lá sozinha? Deixaste ela lá? Sim ela tinha ficado.
Não passou muito tempo até dar por mim a cogitar e se ela também quer voltar mas tem medo? E se não está a conseguir adormecer por causa do ruído perto dos cães ladrando longe? Coisas assim que as mães se põem a pensar e não têm mais descanso até tirar a teima. Lá fomos direitos à tenda, falamos com ela do lado de fora para não a assustar à chegada. Estava e não estava a dormir. Por um lado respondeu ensonada, por outro queria dormir e não estava a conseguir, mas estava confortável, disse ela. Insistimos para que voltasse e ela veio cambaleando sem muita vontade de sair da toca.
Um dia destes ao fim da tarde, depois da curta rega, havia barulho de gente na piscina e levei para lá um livro. Mas realmente aquilo era confortável. Retomei o livro e ainda li umas páginas ficando a saber que o primeiro Pai Natal era de facto, como tinha pensado o Menino Jesus, o diabo. Como o Jorge de Sena me enganou… já eu tinha feito o filme que era mesmo o Pai Natal e que o Menino Jesus o ia fazer sofrer como se fosse o diabo, coitado do Pai Natal . Mas afinal era o menino Jesus que estava certo e era mesmo o diabo. Hilariante de efeito prolongado porque ainda agora me fartei de rir ao lembrar-me da cena. Até porque depois vem mesmo o Pai Natal o próprio…
Entretanto vejo o gato que viajou de cá para lá no motor do carro do K. e que voltou tratado da família a vir em direcção às tendas e tive que pôr o livro de lado porque não resisto a um desenho animado daqueles. Andou, entrou, saiu, trepou, pulou, simulou caçadas e eu adormeci a ver aquele filme e só acordei muito tempo depois. Foi assim, atrás de um felino que a Alice viajou para o País das Maravilhas. Acho que ainda dormi bem mais do que uma hora.
Agora apareceu cocó de pássaro nas tendas. Por isso a minha filha fez um espantalho, vai levá-lo para lá e foi para isso mesmo que o fez. Quando os primos chegarem aposto que vão querer dormir todos lá.
sexta-feira, agosto 15, 2008
sábado, agosto 02, 2008
A Tasca das Enguias do Baracinha

Eis o restaurante do dono do barco. Comemos choquinhos fritos e ensopado de enguias (especialidade da casa). Afinal os ares do rio também abrem o apetite.














