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sábado, agosto 23, 2008

Só é pena não ser por uma questão de consciência...

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Famílias cortam consumo pela primeira vez em 5 anos

Há uma diferença entre ser consumista e ver a possibilidade do consumo estagnada. As famílias portuguesas só refrearam o consumo por necessidade, não por escolha própria e consciente. Elas pararam de consumir tanto não porque de repente se tivessem apercebido que estavam a consumir demasiado e que o planeta não aguentaria o seu ritmo de consumo. Para muitas famílias portuguesas já não se trata de consumismo, trata-se da necessidade de refrear o consumo de bens essenciais cuja aquisição lhes começa a ser pesada. Que belo indicador do estado da nossa economia! Mas certamente algum farsola virá ainda assim nos convencer que isso é uma coisa boa, que os portugueses estejam criando mais consciência e refreando o seu consumo, como sendo um sinal de maturidade da nossa democracia.
Sócrates confessou a Chávez, ou Chávez combinou que seria ele a ventilar a ideia de que a nossa economia está estagnada. Tal como a água parada que fede nos pântanos, estagnada. Que faladinha terá sido essa entre Sócrates e Chávez? Com que objectivos aparece assim a confidência ventilada pelos media a mando de Bilderbergs? Para matar dois coelhos de uma cajadada? Chumbando a governação de Sócrates, taxando Chávez como um incómodo indiscreto que protagoniza a revelação de uma realidade que todos conhecemos?



quarta-feira, setembro 05, 2007

560...

Durante o período de férias tive tempo para reflectir e amadurecer algumas ideias que tinha mas que não passavam disso mesmo: ideias que depois no vórtice da vida prática não se traduziam em actos.

Uma delas procura seguir o exemplo de uma certa campanha que surgiu já há algum tempo – o Movimento 560 – o qual me parece correr o risco de cair no esquecimento. Tomei a decisão de, a partir do início de Setembro, passar a dar mais atenção à origem dos produtos que consumo, cingindo-me o mais possível aos produtos de origem portuguesa ou, pelo menos fabricados em Portugal: ou seja, aqueles cujo código de barras começa por 560…

Podem julgar que não é fácil e provavelmente têm uma certa razão porque a maior parte das pessoas acorre apressada a um super ou hipermercado e o seu objectivo é gastar o menos dinheiro que puder, ou despachar-se dali para fora com o que precisa o mais depressa possível, ou carregar para casa com o maior número de bens que o carro do supermercado comportar, ou conseguir poupar algum dinheiro nos bens necessários para poder gastar o resto num monte de bens supérfluos. Como todos nós já passámos por algum ou todos estes estados de espírito e muitos começam já a estar fartos deste seu próprio comportamento que torna a carteira leve e a consciência pesada (quem a tem e a preza), talvez o regresso de férias e o retorno à “vida normal”, seja um momento oportuno para repensar atitudes em que nos fomos mais ou menos inconscientemente viciando.

Entretanto, como por acaso – sou muito sensível aos “acasos” -- a revista da Proteste nº. 283 (Setembro/2007) trazia um estudo feito por áreas e zonas do país, apurando quais as grandes superfícies, supermercados e lojas onde os preços são mais baratos. Embora não esteja inteiramente completo (não encontrei um dos supermercados onde às vezes faço compras), pode servir de guia a quem se deseje lançar nesta aventura de passar a ser um consumidor mais cauteloso e exigente.

A minha última visita ao supermercado já foi coroada de êxito: só comprei produtos 560… tendo mesmo conseguido trazer para casa fruta portuguesa (no Alentejo cheguei a ver uns pêssegos cuja origem era “Portugal/Espanha” (!) – estariam misturados? Ou seriam do quintal do Saramago?)

O espírito é mais ou menos este: se não há bananas da Madeira, compra-se Rainhas Cláudias portuguesas! Se os melões são espanhóis, come-se meloas portuguesas. Acreditem que é uma aventura interessante e até estimulante, desde que se tenham apetites flexíveis, como é o meu caso. É até bem giro procurar nas prateleiras das bolachas as que são portuguesas e, como as há, uma pessoa sai de lá toda orgulhosa, com o ego nacionalista lá nos píncaros e a pensar coisas maravilhosas e reconfortantes como “se calhar se não estivéssemos na UE não morríamos à fome! Se calhar ainda estamos a tempo de passar sem ela!”

Está bem que não encontrei ali arroz português. O que é um espanto para quem tinha acabado de deixar para trás todos aqueles arrozais e me deliciado a comprar arroz made in Alcácer do Sal. Não comprei arroz! Hei-de comprar noutro sítio. E estava com muita pressa senão tinha feito o segundo passo da decisão: pediria para falar com alguém responsável e perguntava-lhe por que é que não havia ali arroz português e se a explicação não me agradasse (que quase de certeza não iria agradar!) pedia o livro de reclamações e escrevia: “consumo exclusivamente produtos portugueses e este estabelecimento não me oferece esta alternativa". Mas para isso é preciso ter tempo e muita paciência. Aqueles já estão marcados com o episódio do arroz e para a próxima visita não escapam.

Experimentem. Vão ver que ao princípio é divertido; depois pode tornar-se penoso, principalmente em certas alturas; mas depois a coisa começa a estar controlada: ali compra-se isto, acolá compra-se aquilo… e com o tempo acredito que se há-de poupar muito tempo porque o leque da oferta se restringe e já se sabe muito bem o que se vai à procura, não se anda de cabeça tonta a olhar para aquelas prateleiras todas a ver os nomes e os preços de 15 marcas de detergente. Acredito que a médio prazo tempo será dinheiro e que as mais das vezes o barato sai caro.

E digam lá se não nos tem saído caro julgar que a UE nos dava tudo de mão beijada e que podíamos deixar de produzir e viver felizes atolados em produtos mais baratos vindos de fora!

sexta-feira, maio 04, 2007

Desempregados - olha a nossa sorte!

HIPERMERCADOS - Abertura ao domingo cria 4 mil empregos

A abertura dos hipermercados e outras grandes superfícies comerciais ao domingo à tarde permitiria criar quatro mil novos postos de trabalho. A estimativa é da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) que quer conquistar o apoio dos consumidores para fazer com que o Governo altere a lei que determina o encerramento daqueles espaços comerciais aos domingos e feriados à tarde.

“Numa altura em que a economia portuguesa precisa de reduzir o número de desempregados, a criação de quatro mil novos postos de trabalho é um factor de peso para alterar a lei”, declarou ao Correio da Manhã Luís Vieira e Silva, presidente da APED, referindo-se ao número de pessoas que as 150 lojas nacionais de grande superfície teriam de contratar para assegurar o novo horário de funcionamento.

Animem-se desempregados!

Em breve teremos à nossa disposição 4 mil empregos de Domingo. Já pensaram que coisa melhor para quem está completamente desempregado? E é só vantagens: os outros trabalham durante toda a semana, descansam só ao Domingo e ganham mal. Neste emprego descansa-se a semana toda e só se trabalha ao Domingo. E se formos a ver, em proporção, ganha-se melhor. Nada que dê para viver, mas o que é isso de viver? Sempre é dinheirinho que vai entrando, um trabalhinho aqui, outro ali… só é pena é ser ao Domingo, não se pode ir até ao shopping… quem vai ganhar um dinheirão com isto dos Domingos são os donos dos hipermercados.

E que se animem também os consumistas. A malta, é claro, vai ficar contente, assim já pode ir outra vez toda a família junta ao hiper passar o dia de Domingo. Compra-se coisas. Come-se hambúrgueres e pizzas. Vêem-se coisas giras que não se podem comprar. Vêem-se muitas pessoas à procura, à procura…

O Socas é que vai ficar contente, sempre vai ter uns empregos para dar ao pessoal, assim já fica um bocadinho menos mentiroso. Não há-de ele andar nas palminhas com o capital a facilitar-lhe a vida. E ao menos os portugueses assim vão passear para o hipermercado e não ficam em casa a aborrecer-se com as tramóias que a televisão está sempre a dar.

Tenho pena é de já não ter idade para esses trabalhos. Aposto que aquilo é só emprego jovem, gente para andar de patins de caixa em caixa sempre que é preciso. Ou então posso não ter hipóteses por causa daquela chatice de ser licenciada. Para estas coisas de emprego não dá jeito nenhum. Eles querem é pessoal flexível, não é licenciados.

Pronto, está bem, nem sequer vou pensar mais nisso. Mas olhem que vai haver muito quem queira.

Vanessa Sofia pela factura

vai flexível e não segura

Leva nos pés uns patins/…

Tão jovem – que jovem era/

O Jumbo a mantivera

e nem pagara um ordenado

/vai fodida e não segura


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