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quinta-feira, março 19, 2009

terça-feira, agosto 12, 2008

Maré de Alentejo

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Capela das Conchas/Palácio dos Henriques (Alcáçovas , Alentejo)


Com tanta coisa nem vos contei. Ontem demos um belo passeio pelo Alentejo fora. Ao Domingo à tarde o Alentejo dorme, não se vê viv'alma ou apenas uns poucos homens idosos da terra a conversar pelos bancos e pelas tascas. Que ninguém diga à ASAE que ainda existem tascas e que no Alentejo se vai podendo fumar uma cigarrada permitida. Sempre que imagino o que o dinheiro, que devia servir para desenvolver o país, vai fazer ao litoral alentejano, fico irada. Ainda hoje li no jornal que há um plano de desenvolvimento turístico para Mértola que é uma dor de alma, um dos sítios mais bonitos do Alentejo, não tarda muito, quando chegar a barafunda, as cegonhas partem para destinos mais sossegados. O que é feito das zonas protegidas?

Outra notícia que diz tudo. Nas praias (por enquanto deve ser nas do Algarve, mas como tudo o que é daninho, tende a espalhar-se) andam DJ´s e música em ALTOS BERROS a animar o ALLgarve? Vinha uma foto dumas madames a apanharem banhos de sol e estupidamente a ver um espectáculo de uma dançarina em cima de uma estrutura, como em certas discotecas, a dando o corpo ao manifesto para gáudio das outras. Não haverá mais gaivotas na praia ao fim da tarde...
Que progresso tão torpe!

Mas ía contar que nessa passeata parámos em Alcáçovas e chegámos à Capela das Conchas e ao Palácio dos Henriques, que mostram bem o estado de degradação do nosso país e das suas memórias arquitectónicas. Não pudemos entrar na Capela das Conchas, nem ver os seus jardins porque estava fechado o portão. Provavelmente ninguém quer pagar a um segurança e a um guia para estarem ali. Tinha que se pedir não sei onde, na junta, para visitar, o que provavelmente pouca gente se dá ao trabalho. Quanto ao Palácio dos Henriques, prometi a mim mesma ir descobrir que Henriques são esses que já tiveram um palácio daqueles e que o deixaram chegar a tal abandono. Também ali não se entrava, nem lá estava ninguém, pareceu abandonado à sua sorte de ser construção sólida, não do tempo dos afonsinos, mas dos tais Henriques que eu vou agora procurar.
Que memória tão apagada!

Mais informações aqui:

- Janela do Paço dos Henriques (Alcáçovas)
http://joserasquinho3.blogspot.com/2008/06/janela-do-palcio-dos-henriques-alcovas.html

- Palácio dos Henriques (Alcáçovas)
http://ruadealconxel.blogspot.com/2008/01/palcio-dos-henriques-alcovas.html

- Jardins da Capela das Conchas (Alcáçovas)
http://ruadealconxel.blogspot.com/2008/01/palcio-dos-henriques-alcovas_13.html

- Paço dos Henriques/ residência real/ casamento D. Manuel I e D.Isabel I /
Testamento de D.João II/Tratado de Alcáçovas/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%A7o_dos_Henriques




segunda-feira, fevereiro 11, 2008

A Malta das Cantigas

Sessão de canto livre, Coliseu dos Recreios, 1974

«Eu sei que não é fácil falar de tudo isto a esta distância, porque passou muito tempo e vocês nem sequer tinham nascido quando a parte mais empolgante desta história aconteceu. Ainda assim, eu tentei, por achar que valia a pena e por entender que, para além da qualidade mais ou menos discutível do que fizemos e cantámos, havia os valores que nos uniam e mobilizavam e que são universais e intemporais. Era um tempo em que as pessoas não valiam por aquilo que tinham e sim por aquilo que eram e pensavam, era um tempo em que não se era avaliado pelos sinais exteriores de riqueza e de poder e sim pela força dos ideais por que cada um se batia. Havia causas e sonhos, havia princípios e afectos. E eu achei que, mesmo tendo passado já tanto tempo, devia contar-vos ou recontar-vos esta história, num tempo fugaz e competitivo em que a memória parece valer cada vez menos, empobrecendo-nos assim a cidadania e a própria democracia. Talvez vocês encontrem alguém que queira ouvir esta história, de preferência ao som da música desse tempo e das vozes que lhe deram vitalidade e alegria. Zeca Afonso e a malta das cantigas talvez mereçam essa atenção e esse interesse, já que, num tempo ainda não globalizado, ajudaram, à sua maneira, a História a acontecer, com a confiança partilhada e generosa de quem canta de olhos postos num tempo melhor.»

Assim termina este pequeno livro de José Jorge Letria, Zeca Afonso e a Malta das Cantigas, da Terramar (2004), escrito em 2002. Embora tenha apenas 70 e poucas páginas e se leia rapidamente, ele é um "testemunho vivo de um tempo em que Portugal e os Portugueses viviam privados das liberdades fundamentais". José Jorge Letria não só viveu nesse tempo como foi um dos da "malta das cantigas". Aconselho vivamente a sua leitura e a sua divulgação junto das novas gerações, nas escolas e aos nossos filhos pois bem precisados estão de ouvir estas experiências que temos a responsabilidade de lhes transmitir.

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