
isadora, aos 14 anos, hoje
Filha, omundoestádifícil, eu sei.
O teu anti-americanismo é justo
e compreensível, eu sei.
Há crianças morrendo de fome:
na África e nas Américas.
Também na Ásia
e nos bairros da periferia.
Vi as tuas lágrimas de revolta
quando os jornais
anunciaram os bilhões de dólares
que as guerras contra a humanidade
consumiram em 2003.
Por quê?, por quê?, por quê?,
indagavas.
Mas as minhas explicações
de nada adiantavam. Eu sei, eu sei.
Os pássaros azuis da madrugada
sonham com os teus sonhos
rebeldes.
E choram.
Eu sei:
há a poesia.
Mas para que serve a poesia
diante da miséria humana e social?
Há a beleza da vida.
Mas para que serve a beleza da vida
diante das impunidades e dos assassínios em massa?
Eu sei, eu sei:
omundoestámaiscrueldoquenunca,
e só tenho algumas auroras
prateadas pranteadas
para te oferecer de presente.
(poema retirado daqui)







