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quinta-feira, maio 07, 2009

Tratado de Lisboa - somos todos europeus, mas alguns são mais europeus que outros

Pigs walking
(imagem daqui)

Senadores tchecos aprovam Tratado de Lisboa
(AFP) (ler notícia)

A um presidente da república de um estado membro da União Europeia devia bastar um simples argumento para não ratificar o Tratado de Lisboa: tendo o povo da Irlanda chumbado em referendo o tratado, o assunto estava resolvido pela aplicação das regras criadas pela própria União Europeia. Se os outros pares estavam dispostos a fazer batota e a mudar de regras a meio do jogo, ele estava disposto a jogar limpo até ao fim.


Mas a União Europeia rege-se por interesses e é apenas um simulacro da verdadeira Democracia. Na República Checa vem o primeiro-ministro e o ministro dos negócios estrangeiros apelar ao senado para que vote favoravelmente gritando “somos europeus” (onde é que eu já ouvi isto?); por cá, a mesma vergonha, sem honra, com a agravante de haver uma promessa eleitoral de referendar o Tratado, de que o governo depois de eleito veio dar o dito por não dito. E o Durão Barroso, porreiro, pá, mais uns que embarcaram no Tratado. Em Outubro volta-se a referendar o Tratado na Irlanda, até o resultado ser SIM e a tramóia ir para a frente.


segunda-feira, janeiro 28, 2008

Mentiroso Compulsivo e/ou Amnésico?

«(...) Noutro âmbito, o primeiro-ministro virou as suas baterias para os ataques dos partidos de «esquerda» e as lições de política social que pretendem dar ao Governo. “Alguns estão a tentar dar lições de esquerda ao PS, mas não me recordo de um período onde um Governo tivesse deixado tantas marcas de esquerda”, afirmou José Sócrates, no encerramento de um encontro do PS/Setúbal. O PS é o partido da responsabilidade social, que quer políticas sociais sustentadas”, afirmou.» (ler aqui)

Sócrates não se recorda do período. É natural.

Nós também já vamos tendo que fazer um esforço de memória para nos lembrarmos de um governo que tenha criado medidas sociais. Mas das medidas sociais que o governo Sócrates está a tomar, dessas lembramos-nos nós bem, estamos a sofrê-las na pele.
Os de Bilderberg não podiam ter escolhido melhor peça para denegrir a esquerda. Porque se se conseguir fazer passar a ideia de que estas são as marcas da esquerda, fica aberto o caminho para a direita. O povo não as quer e, se são de esquerda, o povo não quer a esquerda.

Mentiroso compulsivo, sem dúvida. Amnésico, quando lhe convém. Este Sócrates é um caso patológico. Mas é principalmente congeminoso e perigoso: percebeu que assumir as políticas do seu governo como sendo de esquerda é a melhor forma de levar as pessoas a abominar tudo o que lhes "cheire" a esquerda. No fim da missão cumprida, pode não ser reeleito (o que aconteceria se a amnésia não fosse uma característica do povo português); ou até pode ser reeleito, se entretanto virar tudo ao contrário e a sua máquina de propaganda vier anunciar que é chegada a hora da retoma e das contrapartidas. Seja como for, certamente já terá um cargo assegurado agendado algures nos ficheiros de Bilderberg como recompensa de ter cumprido tão habilmente o programa que lhe foi destinado: dar a machadada final no imaginário socialista nascido em Abril.


domingo, maio 13, 2007

Engenheiro ou mentiroso compulsivo?


Ao ouvir Sócrates hoje dizendo que nada se altera na situação dos comandos portugueses no Afeganistão e sabendo que pela primeira vez desde a guerra colonial os nossos moços vão com licença para atirar a tudo o que mexer, dei por mim a pensar se o vosso primeiro não será um mentiroso compulsivo, além de repulsivo.

Fui documentar-me sobre a tara e fiquei a compreender melhor as razões do tal de engenheiro. Acompanhem os meus raciocínios e digam-me se estarei enganada.

Quando alguém mente está revelando que algo dentro de si não está bem. Psicólogos relacionam a atitude à baixa auto-estima ou ao ímpeto de tirar vantagem.
[quanto à baixa estima só mesmo quem o conheça mais intimamente pode confirmar ou desmentir, agora quanto ao “ímpeto de tirar vantagem”, isso quanto a mim já terá mais sustância, como se diz na minha terra. Adiante]

"Por trás da mentira há um apelo, uma defesa, um sintoma ou uma compulsão", explica a psicanalista Ruth Cohen, do Rio de Janeiro. A criança mente, de modo geral, para fugir de um castigo, porque se sente injustiçada, por achar que estão exigindo algo além de sua capacidade ou, pelo contrário, por estar querendo algo que, a seu ver, não merece. [‘Pera lá que isto parece-me importante. Apelo? Defesa? Sintoma? Compulsão? Querem ver que não se fica por aqui? Sim, ser primeiro-ministro de Portugal pode ser uma injustiça para qualquer um, mas eu inclino-me mais para a última hipótese: acho que ele quis, quer e quererá sempre algo que não merece – exactamente o que estão a pensar: ele quer assumir a presidência da União Europeia, mas lá no fundo ele sabe que não merece; e nós também pois já o topamos de outros carnavais: tal e qual como ele antes quis ser engenheiro, apesar de não o merecer.]

Aquelas crianças que simulam situações inverídicas — [como o nosso garoto que afiançou diante das cameras de televisão não haver qualquer problemas com o seu percurso académico] — podem estar em busca de afirmação por meio de uma falsa capacidade. [Afirmação também, talvez, mas eu acho que era mesmo só para ouvir as pessoas chamando-o de senhor doutor engenheiro, mas isto já sou eu a divagar]

Alguns estudantes, pressionados por desajustes familiares, apelos comerciais cada vez mais agressivos e mesmo por uma certa competição silenciosa estabelecida com os colegas, criam defesas e contam aos outros verdadeiras fábulas. [dos "desajustes familiares" sei umas histórias de arrebenta; e quanto aos "apelos comerciais cada vez mais agressivos" , é ver as Opas e as negociatas que vão por aí com os privados e com os colegas da União Europeia: aquelas directivas todas da União Europeia, o povo descontente e ele a ter que brilhar na cimeira de Sintra, mostrar resultados, ser cumpridor do défice, sempre perseguido pela imagem do espelho Blair a dizer que melhorou tudo e que foi o maior… será isto "a competição silenciosa estabelecida com os colegas"? Fábulas? Então mas para ser fábula não basta os animais falarem? Querem mais fábula do que as coisas que ele diz, quando diz?]

Na opinião de psicólogos, o mentiroso compulsivo — que reinventa os acontecimentos o tempo todo — ou aqueles que adulteram dados, suprimem informações ou colocam em risco a integridade dos outros devem ser tratados por profissional especializado. [Além de adulterar dados, que nisso aliás se especializou durante a sua carreira na UI, suprimir informações – será que esse canudo alguma vez apareceu? E os canudos da Casa Pia? E esta agora de nem uma palavra acerca do aumento de perigo a que se vão expor os nossos comandos no covil dos talibãs? Diz que nada se altera, que está tudo exactamente na mesma...ora, para o povo que não é estúpido apesar de ter votado nele, se o senhor engenheiro diz que não há problema ou é porque é mentiroso ou porque gosta de enganar… curiosamente desta vez o Cavaco esqueceu-se de não dizer nada e disse que havia pgoblema… Onde encontrar profissionais especializados para tratar esta gente? Não no serviço público de saúde!]

Muitas vezes, nesses casos, ao hábito da mentira se aliam outros traços, como a frieza, o desrespeito e a agressividade. [Como não estamos no Brasil, que é terra de gente mais simples, onde mesmo os magnates andam de chinelo no pé e despojados do Armani, no vosso primeiro, a maníaco-compulsividade que se esconde por detrás da mentira, manifesta-se em arrogância, cinismo e pedantismo, que para o caso também devem contar]

No dia-a-dia, porém, o professor que conhece os estudantes tende a perceber quando eles se atrapalham por mentir. Um leve rubor, a gagueira, um persistente piscar de olhos, o desvio do olhar ou a fala apressada podem ser sinais dados pelo corpo do mentiroso. [Só quem ainda não viu os trejeitos peixeirívoros de mão na anca e ora toma na sessão mensal da Assembleia da República é que se deixa enganar. Os professores, neste caso o professor das cinco cadeiras é que não deu por nada e por isso o seu pupilo refinou, agora é um especialista na arte do engano. Os outros sintomas lembram-me mais as caretas do senhor presidente boliqueimense, excepto a falta de rubor, mas isso é normal nos vampiros. Será que ele também é um mentiroso? Valha-nos Nossa Senhora de Fátima que se não for ela não sei onde vamos parar com tanta mentira]

domingo, abril 08, 2007

Ninguém acredita na mentira

O primeiro-ministro cavalgava lado a lado com o ministro da ciência, tecnologia e ensino superior.

- Ó Mariano, acredite em mim, era um canudo assim grande, está a ver? Eu é que não sei onde o enfiei…

- Ó Zé, diga-me lá só aqui a mim, mas afinal sempre era um canudo de Engenheiro ou você ficou-se só mesmo pela licenciatura? Sabe, é que estamos a chegar àquela ponte que se abre aos pés de um mentiroso e temos que a atravessar.

- (suores frios) Talvez não fosse um canudo tão grande assim, talvez fosse mais assim um canudinho, um comprovativo que enrolado ficava assim deste tamanho, está a ver?

De repente viu-se aparecer a ponte, bela e acidentada construção de engenharia atravessando o abismo.

- Refere-se ao papel que lhe passou a Independente, aquele assinado num Domingo?

- Disseram que certificava... eles à saída chamaram-me doutor engenheiro e eu acreditei que aquilo do curso estava despachado. Afinal de contas (ai, ai e que contas!), eu era licenciado. Os licenciados são doutores, logo esses doutores, sendo licenciados em engenharia civil, são engenheiros: “doutor engenheiro”, foi o que eu disse que era!

A ponte estava cada vez mais próxima. Pela escarpa abaixo ia-se parar à torrente do rio. Morte certa ou incapacidade, lá se ia a glória das corridas... (o corpo, o seu querido corpinho) O ministro da Tecnologia avançou pela ponte, confiante.

- Licenciado, diz você, meu caro. Tem a certeza disso, não seria bacharel?

O primeiro-ministro já nem o ouviu, adiantado que ele ia na ponte da mentira e da verdade. Tinha-se detido à entrada sem ousar avançar nem mais um passo.

- Então? Não vem?

- Talvez… se o Tratado de Bolonha disser que os meus três anos de curso lá na Independente valem como licenciatura, talvez eu ainda entre nessa ponte, não quer voltar para discutirmos o assunto num lugar mais calmo?

(versão do conto popular o amo e o criado mentiroso adaptando a raposa aos nossos tempos)
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