
"Todo indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão."
O blogue que se lixe. Ontem nem cá vim.
Foi sem sombra de dúvidas uma GRANDE homenagem ao 25 de Abril, embora continue a achar, mais do que nunca, que uma nova revolução seria a melhor homenagem que poderíamos prestar ao 25 de Abril e às nossas convicções.
Uma coisa é certa: há muita gente descontente com o ponto a que chegámos e já houve muito quem reconhecesse que bastaria uma faúlha para atear o fogo, pois o restolho já está seco. Fogo purificador, este.
Os gregos encontraram na catarse o modo de conter as massas. Os cidadãos gregos, que já na altura não eram toda a gente (as mulheres e os escravos não tinham lugar no teatro), reuniam-se nos teatros para ver a sua vida quotidiana transposta em grandiosas e eloquentes tragédias. As tragédias eram a sua telenovela elevada. Os conflitos (dialética) da existência dos homens superiores. E eles ali sem saber de que lado estava a razão, a ter que decidir
As vanguardas revolucionárias, provocaram um abanão nas consciências, mas tiveram que arder no seu próprio fogo, para serem vanguardas, senão corriam o risco de se tornar em mais uma instituição. como acontece aos sistemas capitalistas que quanto mais crescem mais se auto-destroem. O capitalismo é como o fogo, quanto mais arde mais depressa se consome e se extingue, ouvi dizer um dia ao Kaos muito melhor do que desta forma. O pior é que os fogos, quando se incendeiam destroem tudo à sua volta, indiscriminadamente.
A minha verdadeira cultura é a do 25 de Abril. Os gregos foram importantes, as vanguardas foram empolgantes, mas o 25 de Abril abriu as portas que abriu: cresci a ouvir aquelas músicas numa língua que podia entender. Faziam (fazem!) todo o sentido para entender que há exploradores e explorados e foram formadoras para decidir qual dos lados estava a jogar um jogo sujo. A cantiga é uma arma de pontaria, não tem nada a ver com catarses. Não há catarse que valha a permanente ânsia de mudança. As coisas são o que são, mas as coisas não podem continuar assim, não nos podemos contentar. Temos que continuar a cantar o nosso desejo de justiça, a chamar os bois pelos nomes e a dizer basta! Basta! Não me obriguem a vir para a rua gritar, que é já tempo de embalar a trouxa e zarpar.
Ontem o 25 de Abril foi evocado e foi institucionalizado. Foi evocado e convocado por todos os que juntos cantaram porque não se esqueceram das palavras das cantigas. E também porque continuam a fazer sentido, muito sentido. Foi institucionalizado pela exigência de o encenar e transmitir em diferido, como o cumprimento de um programa de festas, como fazem os sindicatos. Falta de coragem de a RTP não o passar em directo, como se faz com o Carnaval do Brasil, a vitória do Porto ou a baixaria do Big Brother. O que esperavam que acontecesse, que risco corriam de se ouvirem mais vozes do que as previstas? Imagine-se no teatro grego interromper-se a agonia de Antígona para voltar a filmar. Rewin Rewin Rewin Houve uma imperdoável (intencional?) quebra de espontaneidade, provocada e não espontânea, que é o que importa. Eu quero lá saber do programa da RTP! Até nem me admirava que o programa fosse passado no próximo 25 de Abril à tarde para as pessoas ficarem em casa a ver e não irem à manifestação!
Agora, quem lá estava de coração e alma não pode deixar de ter gostado de lá estar. Pensaram em tudo, até nos momentos mortos em que a Maria Barroso iria declamar para dar tempo aos fumadores fumarem fora de portas (se lá tivesse ficado a ouvir seria pelos poetas, não pela ex-primeira dama de todos os portugueses, cujo marido aterrou em Portugal trazendo já na sua pasta à diplomata os planos para oferecer Portugal de mão beijada aos monopólios da CEE, com a bênção do cia Carlucci. E a CEE, comparada com a União Europeia ainda tinha alguns princípios, entretanto perdidos.
Uma utopia é uma possibilidade que pode efectivar-se no momento em que forem removidas as circunstâncias provisórias que obstam à sua realização. (Robert Musil)
Não ao novo Tratado europeu!
Revogação de todos os tratados!
Revogação do Tratado de Maastricht-Amesterdão,
Defesa e reconquista dos direitos e garantias
contidos nas legislações de cada um dos nossos países!