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sexta-feira, abril 10, 2009

«my sins my own they belong to me, me»

Gloria

by Patti Smith


Jesus died for somebody's sins but not mine
meltin' in a pot of thieves
wild card up my sleeve
thick heart of stone
my sins my own
they belong to me, me

people say "beware!"
but I don't care
the words are just
rules and regulations to me, me

I-I walk in a room, you know I look so proud
I'm movin' in this here atmosphere, well, anything's allowed
and I go to this here party and I just get bored
until I look out the window, see a sweet young thing
humpin' on the parking meter, leanin' on the parking meter
oh, she looks so good, oh, she looks so fine
and I got this crazy feeling and then I'm gonna ah-ah make her mine
ooh I'll put my spell on her

here she comes
walkin' down the street
here she comes
comin' through my door
here she comes
crawlin' up my stair
here she comes
waltzin' through the hall
in a pretty red dress
and oh, she looks so good, oh, she looks so fine
and I got this crazy feeling that I'm gonna ah-ah make her mine

and then I hear this knockin' on my door
hear this knockin' on my door
and I look up into the big tower clock
and say, "oh my God here's midnight!"
and my baby is walkin' through the door
leanin' on my couch she whispers to me and I take the big plunge
and oh, she was so good and oh, she was so fine
and I'm gonna tell the world that I just ah-ah made her mine

and I said darling, tell me your name, she told me her name
she whispered to me, she told me her name
and her name is, and her name is, and her name is, and her name is G-L-O-R-I-A
G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria
G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria

I was at the stadium
There were twenty thousand girls called their names out to me
Marie and Ruth but to tell you the truth
I didn't hear them I didn't see
I let my eyes rise to the big tower clock
and I heard those bells chimin' in my heart
going ding dong ding dong ding dong ding dong.
ding dong ding dong ding dong ding dong
counting the time, then you came to my room
and you whispered to me and we took the big plunge
and oh. you were so good, oh, you were so fine
and I gotta tell the world that I make her mine make her mine
make her mine make her mine make her mine make her mine

G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria,
G-L-O-R-I-A Gloria

and the tower bells chime, "ding dong" they chime
they're singing, "Jesus died for somebody's sins but not mine."

Gloria G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A,
Gloria G-L-O-R-I-A, G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria
G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria,
G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria,
G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria G-L-O-R-I-A Gloria .

Origem dos ovos de chocolate

domingo, março 23, 2008

O ovo de Páscoa ou a ressurreição?

A Páscoa é uma coisa velha e nós podemos hesitar entre o ovo gigante e a pequena caixa de bombons sem nos lembrarmos do verdadeiro significado desta festa religiosa. Senão vejamos: Cristo foi crucificado pelos romanos e morreu numa sexta-feira a que chamamos de Paixão. Que paixão seria esta? A paixão de Cristo pelos homens? Dizem que morreu na cruz para nos salvar… mas para nos salvar de quê? Dos nossos pecados?

Quem contou depois a história decidiu que a morte deste homem, auto-proclamado “filho de Deus”, não era só por si suficiente para fundar uma religião. Por isso ele teve que ser ressuscitado, ou seja, o seu corpo desapareceu, segundo consta, e houve depois disso quem o visse, tendo os apóstolos decidido espalhar a notícia. Este prodígio foi considerado por todos os que tomaram conhecimentos dele um verdadeiro milagre, o milagre da ressurreição. Dá ideia que foi aliás este episódio que verdadeiramente fundou esta religião porque até ao momento da ressurreição só uma pequena minoria que o conheceu de perto considerava Cristo um ser divino, por aquilo que ele dizia e também pela forma como se dizia que multiplicava e dividia o pão. Foi preciso que se espalhasse a ideia de que Cristo tinha ressuscitado para que surgissem mais crentes na sua palavra, o que é uma coisa extraordinária, pois se tivessem acreditado logo que ele era filho de Deus, não lhe teriam exigido passar antes por toda essa provação até finalmente acreditarem nele. Ou seja, houve mais pessoas a acreditar num fantasma do que num homem, o que para a época não era de estranhar. Quem já alguma vez leu hagiografias sabe que os santos andavam sempre a alucinar: tinham visões e viam aparições. Nesses tempos a vida não era fácil, não havia televisão mas os homens já eram dotados de imaginação e, dizem que a barriga vazia e o sofrimento físico podem potenciar perturbações psíquicas.

Quando Cristo perguntou no auge do seu sofrimento “Pai, porquê eu?”, não sabia já de antemão que tinha sido o eleito e com que finalidade? Terá sido esta pergunta realmente ouvida sair da boca de Cristo pelos que assistiam ao sacrifício ou terá sido algo mais que acrescentaram depois à história, para dar apenas mais um toque ao lado humano de Cristo? Ou terão estas palavras escapado às sucessivas censuras eclesiásticas, não se tendo nenhuma delas apercebido o quanto esta interrogação feita por Cristo (serão talvez estas as suas últimas palavras!) pudesse vir a pôr em causa a sua fé incondicional de que aquela seria a melhor forma de fazer passar a mensagem divina aos homens de boa vontade.

Quando ainda hoje repetimos “Porquê eu?” estamos a dizer qualquer coisa como: “porra, por que é que hei-de ser eu a fazer este papel?” ou “epá, escolham outro!”. E não saímos por aí a dar a outra face e, por muito que nos prometam vida eterna, não saímos por aí a provocar desacatos para nos arranjarem uma cruz qualquer para carregarmos, nem morrermos de paixão pela humanidade. Na verdade nunca houve cristãos porque os que dizem que o são, não se comportam como Cristo, longe deles imitarem o modelo. Cristo deve ter existido. E se por ventura ressuscitou e pode ainda hoje ver a sua obra, a cristandade que se gerou a partir dele, deve estar muito decepcionado com a interpretação que fizeram da sua história. Se, como homem que era, sofreu os horrores da cruz deve lamentar ainda ter julgado que o exemplo do seu sofrimento serviria para melhorar os homens, ainda que se lhe acrescentasse a ideia de uma recompensa no momento da ressurreição.

Até hoje nunca mais ninguém viu ninguém ressuscitando, a não ser aquele episódio que me contaram no outro dia de uma velha que acordou quando a família a velava. Uma complicação. A certidão já passada, o filho sem posses gastou uma dinheirama para vir de França assistir ao velório e no fim de contas a mulher acorda e logo ali, dentro do caixão já pago, para deixar toda a gente encavacada. Não se faz. A modernidade não lida bem com a ressurreição.

Contra tudo e contra todos, o melhor é permanecer vivo e poder escolher um metafísico ovo de Páscoa.

domingo, abril 08, 2007

A Páscoa é uma caixa de chocolates

Acredito que Cristo tenha sido um homem perseguido que morreu na cruz. Acredito que tenha sido traído, como muitos foram. Acredito que tenha dito "Pai, porquê eu?" e que não fosse esse o destino que desejava alcançar. Mas não acredito que tenha depois ressuscitado, o que, para mim que não sou cristã, não lhe tira qualquer mérito, antes pelo contrário, prefiro considerá-lo um homem e não um milagre impossível. Acredito que o "milagre" da ressurreição foi o primeiro argumento que alguém bastante calculista se lembrou de inventar para fundar uma religião que ainda hoje vive à custa da crença e da fraqueza dos fracos que precisam de se agarrar às mentiras de uma religião qualquer e se conformam em ser um mero rebanho conduzido. Por isso para mim a Páscoa tem muito pouco significado e prefiro corporizar toda e qualquer metafísica num delicioso chocolate, como a pequena do Álvaro de Campos. Deixo-vos aqui esse pequeno extracto da Tabacaria, como um doce que vos ofereço. Espero que vos aguce o apetite e a inteligência para irem devorar o resto do magistral poema. É esta a minha forma de vos desejar a todos uma Boa Páscoa!
[...]
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
[...]

Álvaro de Campos, Tabacaria (ler o poema)
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