sábado, julho 11, 2009
quinta-feira, junho 11, 2009
Recomendo vivamente
Editora: Quimera Editores
Colecção: Ensaios
80 páginas
ISBN: 978-972-589-195-7
Maria do Carmo Vieira, A Arte, Mestra da Vida - Reflexões sobre a escola e o gosto pela leitura, Quimera, 2009, 80 pp
«A Arte, Mestra da Vida resulta do intenso desejo de partilhar com o leitor preocupações e reflexões sobre a Escola e a sua função milenar de preparar para a vida, implicando naturalmente o Conhecimento, a Cultura e a Arte, bem como a componente Formativa, na certeza da verdade Humanista, enunciada por Séneca, de que cada um de nós ao ser útil aos outros é útil a si mesmo . Daí a relevância dada à relação ensinar-aprender, geradora de uma gratidão recíproca, profundamente marcada pela alegria desse encontro, que o tempo dificilmente apagará.»
Este o pequeno texto que se encontra na contracapa deste livro maravilhoso da Maria do Carmo Vieira, licenciada em Filologia Românica, mestre em Literatura de Viagens e professora do Ensino Secundário, fundadora da APAMA ( Associação Pessoana dos Amigos do Martinho da Arcada), autora, além de uma excelente pessoa que tem dado a cara na defesa da Escola Pública e da qualidade do Ensino, nomeadamente da Literatura, da Literacia e do ensino pela Arte.
Este é um pequeno grande livro sobre a Escola e o gosto pela Leitura, como o seu subtítulo diz. Nela a autora critica o modo como o actual sistema de ensino trata a Escola e os alunos, menosprezando e diminuindo as suas capacidades. E é também um livro sobre as histórias orais que era uso contar-se e que despertavam nas crianças o gosto pela leitura, preparando-as para os desafios a enfrentar ao longo da vida.
«Em nome da mudança, a Escola está, irreflectidamente, a esquecer a sua função de preparar para a vida. Uma postura que não a honra, e em que a arrogância e a falta de diálogo evidenciadas colidem com a humildade e o prazer de o partilhar. (...)»
Recomendo vivamente a leitura deste livro que, além de dar imenso prazer por recordar a quem, enquanto criança, ainda teve o privilégio de usufruir das histórias contadas oralmente, também reflecte de uma forma muito experiente e consciente na descaracterização a que se vem sujeitando o Ensino, ao mesmo tempo que nos concede a partilha de referências que mais ainda contribuem para enriquecer a leitura e o diálogo que se estabelece.
Entrevista com Maria do Carmo Vieira, na TSF
domingo, maio 06, 2007
«Resiste muito. Obedece pouco» (Henri Thoreau)
Pedagogo e intérprete da nobreza da pedagogia, o grande maestro e violinista Yehudi Menuhin salientou a importância da Cultura e da Arte no Ensino, dirigido a todos sem excepção, referindo a Escola como o lugar privilegiado para o fazer. Não se concretizando este objectivo fundamental, continua Menuhin, estaremos «a criar monstros», ou seja, pessoas insensíveis à sua própria condição humana.
Somos todos conhecedores da violência que grassa na Escola, denunciando a irresponsabilidade de quem pratica esses actos, a que se associa a ausência de valores humanistas. Na minha Escola, por exemplo, um aluno justificou candidamente que «só atirara a cabeça do colega contra a parede», quase indiferente às consequências do seu gesto brutal, de que resultou um traumatismo craniano para o seu companheiro.
A par da violência na Escola caminha a falta de exigência, com a agravante da última ser veiculada pelo próprio Ministério da Educação, cujas orientações vão no sentido do facilitismo lúdico e do recreio na sala de aula, transformando-se o professor no camarada, que sabe tanto quanto o aluno. Ao desvirtuar-se a relação Ensinar – Aprender, esquece-se a missão de um professor e o belíssimo significado da palavra «aprender», ou seja, «prender a si próprio». O que se passa com a disciplina de Português, que lecciono, é bem exemplo dessa situação. A Literatura, que é uma Arte e não um mero tipo de texto, e associada a outras expressões artísticas nos ajuda a descobrir o mistério que somos, mistério que é também a palavra-chave em toda a ciência, é agora perversamente subestimada, tendo sido ultrapassada pelos textos dos MEDIA e pelos textos normativos. De referir ainda a estratégia da cruz e do verdadeiro e falso utilizada vergonhosamente na interpretação dos textos literários e nos próprios exames. É óbvio que isto só se consegue com a cumplicidade dos professores que aceitam obedientemente estas directrizes, não as questionando sequer.
Há uma frase sublime de Henri Thoreau que me acompanha e que nos aconselha a resistir e a desobedecer. Ei-la: «Resiste muito. Obedece pouco». Esta é uma das mensagens que desejo deixar-vos, a par do texto poético de Álvaro de Campos e da história de Demógenes e do seu prato de lentilhas.
Maria do Carmo Vieira
Abril 2007









