"Todo indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão."
Não sei se este meu comentário vem a propósito ou não.
Realmente as pessoas estão muito polarizadas pelo voto nestas eleições.
Não creio que se joge qualquer coisa decisiva nas nossas vidas, com estas eleições.
As pessoas podem achar que é importante votar, e votar na força política X, Y ou Z, isso não me separa delas.
O que realmente me deixa perplexo é a ausência total, em período de campanha eleitoral, de movimentações sociais. Há uma espécie de pacto das forças sindicais, para deixar a campanha decorrer «com normalidade».
Dá-se a «paz das classes» para assegurar que o espectáculo (com maior ou menor qualidade, isso é secundário) não seja «perturbado».
É sobretudo surpreendente que seja praticamente toda a esquerda a alinhar nisso.
Por outro lado, há pessoas que têm intenções pouco claras, supostamente em defesa de uma «classe» (corporativa) dos professores, a convocar 3 (!) manifs para sábado 19.
Para mim, estas manifs apenas têm como intuito aumentar a visibilidade mediática dos «movimentos» e seus líderes. Quem acha isso bem necessário, a coisa melhor a fazer neste momento, que se mobilize.
Com tristeza, verifico que as forças (supostamente) mais à «esquerda», no sector, como o Movimento Escola Pública e uma tendência sindical dos professores (lista D, salvo erro, nas eleições para o SPGL)alinham.
Para mim, manifestações são sempre um acto simbólico. Podem ter muita força se houver na sua base um propósito claro e proporcionarem uma mobilização em massa. Caso contrário, são eficazes em promover figuras de proa dessas mesmas manifestações, somente, e não do que dizem defender.
A alternativa?
Em vez de confiarmos em representantes para tudo, que tal nos mexermos, discutirmos e decidirmos, todos/as, aquilo que temos de fazer (e depois fazer)? Que tal adoptarmos o princípio de que mandatários, só se nós tivermos a possibilidade de os revocar a qualquer momento, sendo eles obrigados a darem conta, em assembleias, do seu mandato aos que os mandataram?
Que tal fazermos descer do pedestal as figuras mediáticas, os «cabeças de cartaz político», esses ídolos de pé de barro, obrigando-as a serem humildes (e não apenas a parecê-lo)?
Que tal as pessoas assumirem um protagonismo cívico no seu local de trabalho, de vida, de convívio, sempre, todos os dias, antes e depois das eleições?
Se puderem espalhem pois pode haver alguém que não tem acesso ao Diário da República, ficando assim prejudicado de saber que "lá vamos, cantando e rindo, levados, levados sim..."
(recebido por mail)
Explicação:
1. Sabem em que consiste a "manutenção" do site do ministério da justiça ?
Não ? Ok ! Eu esclareço: trata-se de actualizar conteúdos, um trabalho que provavelmente muitos dos v/filhos fazem lá na escola ou em casa "com uma perna às costas". Por falar em "costas" acham que o ministro Costa recorreu ao otl e pediu um puto qualquer para tratar do assunto ? Não ! Trata-se de uma tarefa altamente técnica que justifica uma remuneração de 3.254,00 euros mais o subsídio de almoço, claro !
2. E sabem quem tem o perfil adequado a essa extremamente especializada função ? Não ? Ok ! Eu esclareço. Trata-se de Susana Isabel Costa Dutra. Susana Isabel Costa Dutra, é ( por um acaso daqueles que só acontecem em Portugal) filha do ministro Alberto Costa.
Et OUI !
*****
VEJAM ESTE ESCÂNDALO !!!!!
(recebido por mail)
Ora, então os professores e os outros trabalhadores que têm que se deslocar das suas residências, para trabalhar a quilómetros de distância, deixando filhos, conjuge, pais com idade avançada... que paguem dos seus gordos, chorudos e imerecidos salários!!!!
Mas será possível que andemos todos numa de "zombies"????
Mas será possível que "essas coisas" voltem a ganhar eleições?
Chego a sentir nauseas só de pensar...
Pessoal, vamos lá a acordar!
Breve chegará a altura de escolher o que queremos para nós, para os nossos filhos e netos. Eu não quero isto, nem para mim nem para eles, nem para vós.
Assunto: Despacho n.º 9810/2009: subsídio mensal de residência de € 941,25!
Despacho n.º 9810/2009
Considerando que, nos termos do disposto no Decreto -Lei n.º 331/88, de 27 de Setembro, pode ser atribuído um subsídio de residência aos titulares do cargo de director -geral e de outros expressamente equiparados, à data da nomeação no local onde se encontre sedeado o respectivo organismo;
Considerando que o Prof. Doutor José Alexandre da Rocha Ventura Silva, presidente do Conselho Científico para a Avaliação de Professores, lugar expressamente equiparado a director -geral, tem a sua residência permanente em Aveiro:
Assim, nos termos do disposto no artigo 2.º do Decreto -Lei n.º 331/88, de 27 de Setembro, determina -se o seguinte:
1 -- É atribuído ao presidente do Conselho Científico para a Avaliação
de Professores, Prof. Doutor José Alexandre da Rocha Ventura Silva, um
subsídio mensal de residência no montante de € 941,25, a suportar pelo orçamento da Secretaria -Geral do Ministério da Educação e actualizável nos termos da portaria de revisão anual das tabelas de ajudas de custo.
2 -- O presente despacho produz efeitos desde 1 de Novembro de
2008.
12 de Fevereiro de 2009. -- O Ministro de Estado e das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos. -- Pela Ministra da Educação, Jorge Miguel de Melo Viana Pedreira, Secretário de Estado Adjunto e da
Educação.
E os professores desterrados com família?
*****
(recebido por mail)
A Senhora Procuradora Cândida Almeida
(recebido por mail)
Esta imagem circula pela internet. Cândida Almeida, procuradora que investiga o Freeport abraçada por Almeida Santos. É claro que Cândida Almeida tem o direito a ter no seu passado pessoal um abraço de Almeida Santos. Mas não diz o povo que "à mulher de César...". Caramba, a bem da credibilidade de um possível futuro arquivamento do processo (já cheira), não arranjavam mais ninguém para dirigir a investigação que não tivesse já estado sujeito a isto?
Vejam a independência e isenção desta Procuradora, para além desta amizade notória, fez parte da Comissão de Honra da Candidatura do Mário Soares....que, como é óbvio, quer o Almeida Santos quer o Mário Soares, não têm nada a ver com o P.S.!
Agora, percebe-se melhor por que motivo ela e o Sr. Procurador Lopes da Mota ( o tal da Eurojust, na Haia ) declinaram, em Setembro, trabalhar em conjunto com a Polícia Inglesa para esclarecer factos sobre o Freeport... pudera...
Percebe-se, também, mais duas ou três coisas:
1.Foi peremptória em dizer que não queria ver o vídeo ( já sabemos que não pode constituir prova em Portugal poisnão foi obtido por ordem dum juiz, mas,a verdade, é que pode ajudar imenso na constituição e clarificação da prova, como toda a gente diz, a começar pelos peritos, ou seja, os advogados )
2.É peremptória em afirmar que Sócrates nem é arguido nem é suspeito de nada ! ( Como assim, pois se ele é o principal suspeito de ter recebido "luvas" .......???) pelo que não deve ser inquirido.....Creio que se isto fosse um país decente com procuradores verdadeiramente independentes do executivo - o que manifestamente não é o caso desta Senhora -até no seu próprio interesse, já deveria ter sido inquirido há muito!
3.Para cúmulo, quando os dois Procuradores que estão a tratar do caso se lhe ( sim, a ela, directamente, pois é ela a sua - deles -superior hierárquica ) queixaram de que estavam a sofrer pressões, "esqueceu-se" de informar a hierarquia, ou seja, o próprio PGR, pelo que estes não tiveram outra solução que não fosse denunciar esta manobra ao sindicato...
Uma última reflexão : por que motivo há pressões e vontade de arquivar o processo ? Quem tem medo que o inquérito siga o seu curso e chegue a conclusões? Quem pressiona e com que objectivo ?
Mas tudo isto não é demasiado óbvio ?
Mas, por que raio de motivo, este tipos insistem em fazer dos Portugueses parvos ?Pessoalmente, achoistoabsolutamente revoltante !
Público, 27.05.2007 António Barreto Retrato da Semana
A saída de António Costa para a Câmara de Lisboa pode ser interpretada de muitas maneiras. Mas, se as intenções podem ser interessantes, os resultados é que contam. Entre estes, está o facto de o candidato à autarquia se ter afastado do governo e do partido, o que deixa Sócrates praticamente sozinho à frente de um e de outro. Único senhor a bordo tem um mestre e uma inspiração. Com Guterres, o primeiro-ministro aprendeu a ambição pessoal, mas, contra ele, percebeu que a indecisão pode ser fatal. A ponto de, com zelo, se exceder: prefere decidir mal, mas rapidamente, do que adiar para estudar. Em Cavaco, colheu o desdém pelo seu partido. Com os dois e com a sua própria intuição autoritária, compreendeu que se pode governar sem políticos.
Onde estão os políticos socialistas? Aqueles que conhecemos, cujas ideias pesaram alguma coisa e que são responsáveis pelo seu passado? Uns saneados, outros afastados. Uns reformaram-se da política, outros foram encostados. Uns foram promovidos ao céu, outros mudaram de profissão. Uns foram viajar, outros ganhar dinheiro. Uns desapareceram sem deixar vestígios, outros estão empregados nas empresas que dependem do Governo. Manuel Alegre resiste, mas já não conta. Medeiros Ferreira ensina e escreve. Jaime Gama preside sem poderes. João Cravinho emigrou. Jorge Coelho está a milhas de distância e vai dizendo, sem convicção, que o socialismo ainda existe. António Vitorino, eterno desejado, exerce a sua profissão. Almeida Santos justifica tudo. Freitas do Amaral reformou-se. Alberto Martins apagou-se. Mário Soares ocupa-se da globalização. Carlos César limitou-se definitivamente aos Açores. João Soares espera. Helena Roseta foi à sua vida independente. Os grandes autarcas do partido estão reduzidos à insignificância. O Grupo Parlamentar parece um jardim-escola sedado. Os sindicalistas quase não existem. O actual pensamento dos socialistas resume-se a uma lengalenga pragmática, justificativa e repetitiva sobre a inevitabilidade do governo e da luta contra o défice. O ideário contemporâneo dos socialistas portugueses é mais silencioso do que a meditação budista. Ainda por cima, Sócrates percebeu depressa que nunca o sentimento público esteve, como hoje, tão adverso e tão farto da política e dos políticos. Sem hesitar, apanhou a onda.
Desengane-se quem pensa que as gafes dos ministros incomodam Sócrates. Não mais do que picadas de mosquito. As gafes entretêm a opinião, mobilizam a imprensa, distraem a oposição e ocupam o Parlamento. Mas nada de essencial está em causa. Os disparates de Manuel Pinho fazem rir toda a gente. As tontarias e a prestidigitação estatística de Mário Lino são pura diversão. E não se pense que a irrelevância da maior parte dos ministros, que nada têm a dizer para além dos seus assuntos técnicos, perturba o primeiro-ministro. É assim que ele os quer, como se fossem directores-gerais. Só o problema da Universidade Independente e dos seus diplomas o incomodou realmente. Mas tratava-se, politicamente, de questão menor. Percebeu que as suas fragilidades podiam ser expostas e que nem tudo estava sob controlo. Mas nada de semelhante se repetirá.
O estilo de Sócrates consolida-se. Autoritário. Crispado. Despótico. Irritado. Enervado. Detesta ser contrariado. Não admite perguntas que não estavam previstas. Pretende saber, sobre as pessoas, o que há para saber. Deseja ter tudo quanto vive sob controlo. Tem os seus sermões preparados todos os dias. Só ele faz política, ajudado por uma máquina poderosa de recolha de informações, de manipulação da imprensa, de propaganda e de encenação. O verdadeiro Sócrates está presente nos novos bilhetes de identidade, nas tentativas de Augusto Santos Silva de tutelar a imprensa livre, na teimosia descabelada de Mário Lino, na concentração das polícias sob seu mando e no processo que o Ministério da Educação abriu contra um funcionário que se exprimiu em privado. O estilo de Sócrates está vivo, por inteiro, no ambiente que se vive, feito já de medo e apreensão. A austeridade administrativa e orçamental ameaça a tranquilidade de cidadãos que sentem que a sua liberdade de expressão pode ser onerosa. A imprensa sabe o que tem de pagar para aceder à informação. As empresas conhecem as iras do Governo e fazem as contas ao que têm de fazer para ter acesso aos fundos e às autorizações.
Sem partido que o incomode, sem ministros politicamente competentes e sem oposição à altura, Sócrates trata de si. Rodeado de adjuntos dispostos a tudo e com a benevolência de alguns interesses económicos, Sócrates governa. Com uma maioria dócil, uma oposição desorientada e um rol de secretários de Estado zelosos, ocupa eficientemente, como nunca nas últimas décadas, a Administração Pública e os cargos dirigentes do Estado. Nomeia e saneia a bel-prazer. Há quem diga que o vamos ter durante mais uns anos. É possível. Mas não é boa notícia. É sinal da impotência da oposição. De incompetência da sociedade. De fraqueza das organizações. E da falta de carinho dos portugueses pela liberdade.
Li o texto com toda a atenção e compreendo o teu sentido de democracia. Mas, bem vistas as coisas há um ponto frágil no teu discurso: não me pareceste muito incomodado com o facto de Sampaio ter corrido com o Santana Lopes. Afinal, para além dos fiascos diários e dos depoimentos alucinantes que nos faziam rir até às lágrimas, não havia motivos dos graves, daqueles que tu referes que constituem motivo para um PR dissolver a assembleia. Ora o actual governo, desde certos ministros ao próprio nº. 1 tem cometido fiascos tão risíveis como os de Santana, só as moscas mudaram, e o humor refinou-se, já não é tão apimbalhado. A grande diferença que poderás argumentar é que o Santana não foi eleito, mas o PSD tinha sido e, felizmente, também dançou. Ora eu, apesar de concordar que é um desastre para o país cada vez que está governativamente instável, sou das que acham que o problema actualmente não são só os fiascos, que os há, mas principalmente as políticas de destruição da nação que estão a ser levadas a um ponto que nem os Durões ousaram. E essas políticas são mentirosas, não são socialistas, são da mais extrema direita, são as políticas do capital global. Estas sim, são realmente destrutivas e perigosas para o país (vender as estradas? vender a saúde? vender as universidades? a educação? vender o país por lotes?) que ausência de governo poderá ser mais perigosa? Estão a roubar o que era de todos e a depositá-lo nas contas bancárias de alguns. A este governo importa-lhe ser cumpridor, mostrar-se solícito para com as directivas da união europeia, passar obstinadamente por cima de cada contestação, branquear a contestação e querer agora banir também a opinião. Que ditadura poderá ser mais eficaz que esta democracia com que nos iludimos? A nossa democracia é só votar? que democracia é esta que prejudica o povo? Sócrates voltaria à carga? E será que ganhava as eleições? ou sofria uma merecida derrota humilhante? E depois quem é que ia para lá os PSD's? Esse é que é efectivamente o nosso medo, o medo de um povo que pensa que escolhe e é sucessivamente enganado, pelos sucessivos governos de alterne. O mal maior não são uns ou os outros; o pior são as políticas economicistas que eles todos perfilham. Isto está tão mau que um dia destes o Cavaco ainda forma um grupelho de iluminados, tipo ferreiras leites e outras enormidades, um governo de salvação nacional, dizendo que isso de democracia não está a dar senão confusão. Estas alimárias são ainda mais perigosas e maléficas, frias e calculistas (o Sócrates provavelmente será um par, pois tem o perfil e a perfídia certos e cinicamente pode dar-se bem com qualquer múmia desde que seja para estar no poder). Esta junta em assumindo o poder faria a vida verdadeiramente negra ao povo em particular, e à democracia em geral, pois nem os reconheceria. Que fazer então?: não ficar calados, denunciar a uns e aos outros cada passo em falso e, acima deles, dizer não às políticas que a UE nos está a mandar. Elas não se coadunam com a realidade portuguesa. Cada uma que cá chega torna-se num mal maior. O mais importante é dizer não a essa políticas, essa é que é a verdadeira guerra, o resto são pequenas batalhas campais num país demasiado pequeno onde todos os escândalos se ficam a saber e ganham grande dimensão, apesar de já haverem notícias a desaparecer.Já se vendem bocados de Portugal destinados a construção social em leilões em Espanha! Todos os dias se ouve pelo menos uma destas enormidades. Graves leis estão a ser aprovadas em conselho de ministros com a certeza de um posterior consentimento da maioria parlamentar. As pessoas votaram conscientes disto que viria a acontecer-lhes? Ou votaram enganadas? Houve ou não houve mentiras? Há ou não há manobras nas trevas?As pessoas agora é que não podem permanecer caladas, pois o momento é grave. Não consegui manter o luto por mais de umas horas porque é preciso continuar sempre a exercer a liberdade de expressão: sempre e cada vez mais e em todo o lado: nos blogs, na rua, em casa, no supermercado, na repartição, no tribunal, na puta que os pariu a todos, que a gente também precisa de desabafar porque somos portugueses e um filho da puta, embora não seja filho de uma puta é sempre visto muito pior do que outro que realmente o seja. As expressões de calão têm um significado que não é para tomar à letra; cada uma das partes não existe significativamente e nem em conjunto, só sob a forma de expressão idiomática, uma força de expressão. Espero que nunca seja um palavrão catártico destes a instituir motivo de perda da liberdade de expressão, até parecia mal; agora uma falta de ética, uma mentira comprovada, más políticas para o povo que elegeu um partido socialista a julgar que o ia defender, um logro ou o facto de em democracia se perseguir quem emite opiniões, isso já são motivos mais do que suficientes. Podemos nós, em democracia, ficar calados perante tudo isto com receio de que venha a ser pior?
Os dias passam alucinantes. “Tão cedo passa tudo quanto passa”. Passa o tempo, passam os dias, qualquer dia até já passaram anos. Passa a vida. Mas enquanto vivemos cada momento, não pensamos nisso.
Estive agora a ver o Eixo do Mal. Tanto que se riu para lá do estado da Nação! Eu também tive que me rir, claro, já antes me tinha rido. O riso não desapareceu. Nós é que estamos bem arranjadinhos com o país que temos, com as pessoas que mandam nele. Cada dia surgem mais anedotas. Eles são as anedotas que contam deles. Reproduz-se os seus discursos tal e qual e não é preciso acrescentar mais nada para serem uma anedota. É uma vergonha, tem que se contar a toda a gente, torná-los uma anedota nacional, achá-los risíveis: os seus gestos e as suas palavras. Não há detector de mentiras que detecte mais depressa só de olhar para a cara desses aí na televisão. Não auguro um bom dia de amanhã ao governo, nem ao Mário Lino, nem ao Manuel Pinho, nem à Maria de Lurdes Rodrigues e nem mesmo ao próprio Sócrates. Acho até que a esta hora até já se justificava uma manifestação, várias, à porta da múmia de Belém como foi com o Santana. Qual é a grande diferença entre imagens de incubadoras e bracinhos e desertos do Saara? Estava realmente na altura certa de mudarem os ministros, coisa que toda a gente acredita que seja só mudar as moscas e, por isso não valer a pena. Eu também acho que mais importante é mudarem-se as políticas, mas já era um começo.
No nosso país parece que nada vale a pena. Decretou-se que havia uma coisa chamada realidade que tínhamos que viver com ela e conformarmo-nos. E conformam-se. Ou seja, agem em conformidade com a situação. O Sócrates precisava agora mesmo de pôr essa canalha a andar dali para fora, só que não pode porque ele é o cabecilha dessa canalha. Aqueles são os seus homens, inclusive a Lurdinhas e a da cultura, como mandá-los assim todos embora, se eles até lá têm estado a fazer as políticas daqueles senhores lá da União Europeia que lhe dão prazos? O homem está num dilema, até já emagreceu de tanto dar voltas à cabeça como resolver a situação. A situação, não, as situações, que já são demais, contando com a que ele próprio criou com as ambições das engenharias. Lá no tal programa do Eixo do Mal passaram o tempo a rir, uma das vezes até foi às gargalhadas, com o da Economia. Havia tanta coisa de que se rirem que até nem precisaram de ir às palavras terríficas do Almeida Santos dos atentados terroristas às pontes. Então este país não está mesmo a convidar à anedota? E o humor não faz senão descobrir os traços ridículos ou grotescos que já lá estão, que fazem parte. Pode ser um cómico de situação, como no caso do ministro Mário Lino, que além disso também é um cómico da linguagem. Um enredo alucinante e alucinado num discurso absolutamente espatafúrdio e risível. Na TSF alguém disse logo que entrou em linha que o ministro certamente estava bêbado, o que foi considerado úm termo impróprio para o programa de rádio. Mas eu hoje estive atenta às imagens e o ministroi parecia até pelos gestos corporais estar realmente bêbado, nem que seja bêbado de poder dizer aquelas alarvices para as televisões. Eles revêm-se depois nas gravações? Ouvirão o que dizem? Sentirão vergonha? Eu não acredito. Aquilo é tudo gente tão sem vergonha na cara que são capazes de no dia seguinte dizer pior que não foi bem aquilo que quiseram dizer. Um fiasco, esses ministros, só mesmo para rir. Haverá alguma ficção capaz de nos fazer rir mais do que as coisas que eles dizem publicamente? Nenhuma ficção pode ser melhor.
Só a do Kaos, é claro. Eu adoro aquele Kaos, o seu humor, a sua crítica certeira. Muito me custou hoje não lhe atribuir mais um par de prémios, mas ele já tem tantos! Sabem que fez anos, não é verdade? Quem diria que o Kaos também fazia anos… com ele o tempo parece chegar para tanto. Não, aqui nos blogs ele não parece ter a idade que tem. E quem o conhece, ele começa a falar e também não. Poder conhecer o Kaos é a melhor coisa. Que privilegiada me sinto por estar perto. E às vezes sou tão ingrata… imaginem que algumas postagens dele eu só vejo passado tempo… dá Deus nozes a quem não tem dentes… esta frase agora deixou-me a pensar que Deus realmente nem sempre é assim tão bem visto pelo povo como nos querem fazer crer…
Bem, mas eu falava antes era do Kaos e dou por mim com as palavras a serem poucas para dizer tanta coisa boa dele. Se eu fosse a Maria João, a cantora, diria logo que ele é uma pessoa maravilhosa, um artista, o melhor… Mas eu fico sem palavras e não sei como vos contar como é bom ter o Kaos aqui ao lado e que ele escreveu coisas lindas do meu pai. E saber como as suas palavras são sinceras e sentidas. Tanto apoio que me deu, que me dá sempre. Parabéns para ti grande Kaos. Quero sempre te ver fazendo mais anos. Muitos anos de vida. Ofereço-lhe este poema:
Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!
Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!
Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...
Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...
Florbela Espanca - Livro de Soror e Saudade
Hoje não estou no melhor dia. Ontem cheguei a me sentir alegre com os amigos. Mas hoje ficou um vazio. Já começo a sentir a enorme falta da tua pessoa.
Todos os dias o Pafúncio é a página em branco que ouso preencher. Janela para outras janelas, porta para outras portas, vaga para outras vagas, outras ondas. Por vezes perco-me completamente, volto atrás ou deixo-me fluir. Descobertas e tormentas, cais vários onde ancoro e me deixo ficar a fruir. Ilhas, pequenas maravilhas que me vêm visitar e que revisito. Um turbilhão de mar e um vazio por vezes de não saber como dizer tudo o que é preciso dizer. Crises de tempestade. Encalhe. Naufrágio. Sobrevivo à custa de persistência de ir dizendo qualquer coisa que importe a alguém. E que essa coisa dita possa desencadear uma coisa feita.
Uma utopia é uma possibilidade que pode efectivar-se no momento em que forem removidas as circunstâncias provisórias que obstam à sua realização. (Robert Musil)
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