Hoje apetecem-me desdesafios! Felizmente a Renda de Bilros tinha um que excedeu todas as expectativas. Peguei no livro que estou a ler que estava mesmo aqui ao lado do computador, nem tive que me levantar (aplicação prática da Lei do Menor Esforço); aqui vai a 5ª. frase completa (parágrafo?) da página 161 do livro do Gabriel García Márquez, A Aventura de Miguel Littín, Clandestino no Chile:«Alguns posavam diante da máquina fotográfica, outros começavam a pôr a palma da mão em frente da objectiva, uma menina deu um passo de baile tão profissional que lhe pedi que o repetisse para tirar a fotografia com um fundo mais adequado; depois, várias crianças se sentaram ao meu lado e disseram-me:
-- Tire uma fotografia com o futuro do país.»
Este é o livro que o meu pai estava a ler e que não chegou a acabar. Hoje passei pela sua marca e avancei mais umas páginas para a frente. Embrenho-me no livro progredindo pelos pequenos degraus dos curtos capítulos sentindo-me clandestina no meu país. Encontro uma realidade bem diferente daquela com que num dia de Abril sonhámos. E estranho não o ter aqui para lhe contar a parte que não leu.
Quanto a ti, Renda, dedico-te este livro; e aos professores lanço-lhes o desafio lançado pela criança: Tirem uma fotografia com o futuro do país! E por favor ofereçam às nossas crianças, aos vossos alunos, uma imagem tirada com a nítida consciência de que é a partir do presente que se constrói o futuro. Eu não gostaria que a fotografia ficasse tão negra que todo o cinzentismo parecesse uma linda cor. Não podemos deixar obscurecer mais a flor de esperança que Abril pintou.







