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sexta-feira, junho 01, 2007

Subscrição da Carta aos Deputados do PS ON LINE (Subscreve/divulga)


Caros amigos

Já se encontra on line uma petição dirigida aos deputados do PS. Agora torna-se muito mais fácil subscrevê-la.

Esta carta resultou do Encontro em Defesa da Escola Pública realizado no passado dia 14 de Abril em Algés. Neste momento existem cerca de 100 assinaturas recolhidas mas o nosso objectivo é atingir as 500 assinaturas. Esta petição pode ser subscrita por qualquer cidadão que considere necessário defender a Escola Pública, a qual está a ser alvo de ataques levados a cabo pelas políticas do Ensino da responsabilidade do governo português e resultantes da aplicação cega e obstinada das directivas da União Europeia. O mesmo tem acontecido com outros serviços públicos, como é o caso da Saúde.

Os deputados do PS têm uma responsabilidade acrescida por terem alcançado uma maioria parlamentar nas últimas eleições. A eles cabe o papel de aprovar ou chumbar na Assembleia da República as propostas do governo. Esta a razão por que a eles nos dirigimos.

A Comissão para a Defesa da Escola Pública já enviou uma carta à Assembleia da República solicitando ser recebida para entregar as assinaturas conseguidas.

Ajude-nos a divulgar esta iniciativa junto dos seus contactos:

- Se considera que a Escola Pública deve ser defendida do processo de privatização e de desresponsabilização do Estado a que está a ser sujeita;

- Se concorda que os professores, os pais e todos os implicados no processo educativo são dignos de respeito;

- Se entende que o Ensino de qualidade para todos é um direito adquirido que deve assistir a todos os cidadãos,

por favor subscreva aqui a petição.

As gerações futuras agradecem-lhe.




domingo, maio 06, 2007

«Resiste muito. Obedece pouco» (Henri Thoreau)

Vale a pena trazer para aqui a excelente intervenção que a Professora Maria do Carmo Vieira fez no Encontro em Defesa da Escola Pública de 14 de Abril, em Algés:

Levar os alunos a reflectir sobre a sua própria condição humana é um objectivo cujo cumprimento todo o professor se deveria exigir. No entanto, actualmente, tudo parece conjugado no sentido de o impedir, assistindo-se à mais completa infantilização e imbecilização dos alunos, através da elaboração de programas e esvaziamento dos seus conteúdos e imposição de estranhas pedagogias, que mais não fazem que acentuar o fosso entre ricos e pobres. É porque rejeito este status quo que sou apelidada pelo Ministério de Educação de elitista e por isso lhes respondi que elitistas seriam eles e as suas orientações, pois se não fosse a Escola a acrescentar algo ao discurso que os alunos, socialmente mais fragilizados, trazem de casa, quem o faria?

Pedagogo e intérprete da nobreza da pedagogia, o grande maestro e violinista Yehudi Menuhin salientou a importância da Cultura e da Arte no Ensino, dirigido a todos sem excepção, referindo a Escola como o lugar privilegiado para o fazer. Não se concretizando este objectivo fundamental, continua Menuhin, estaremos «a criar monstros», ou seja, pessoas insensíveis à sua própria condição humana.

Somos todos conhecedores da violência que grassa na Escola, denunciando a irresponsabilidade de quem pratica esses actos, a que se associa a ausência de valores humanistas. Na minha Escola, por exemplo, um aluno justificou candidamente que «só atirara a cabeça do colega contra a parede», quase indiferente às consequências do seu gesto brutal, de que resultou um traumatismo craniano para o seu companheiro.

A par da violência na Escola caminha a falta de exigência, com a agravante da última ser veiculada pelo próprio Ministério da Educação, cujas orientações vão no sentido do facilitismo lúdico e do recreio na sala de aula, transformando-se o professor no camarada, que sabe tanto quanto o aluno. Ao desvirtuar-se a relação Ensinar – Aprender, esquece-se a missão de um professor e o belíssimo significado da palavra «aprender», ou seja, «prender a si próprio». O que se passa com a disciplina de Português, que lecciono, é bem exemplo dessa situação. A Literatura, que é uma Arte e não um mero tipo de texto, e associada a outras expressões artísticas nos ajuda a descobrir o mistério que somos, mistério que é também a palavra-chave em toda a ciência, é agora perversamente subestimada, tendo sido ultrapassada pelos textos dos MEDIA e pelos textos normativos. De referir ainda a estratégia da cruz e do verdadeiro e falso utilizada vergonhosamente na interpretação dos textos literários e nos próprios exames. É óbvio que isto só se consegue com a cumplicidade dos professores que aceitam obedientemente estas directrizes, não as questionando sequer.

Há uma frase sublime de Henri Thoreau que me acompanha e que nos aconselha a resistir e a desobedecer. Ei-la: «Resiste muito. Obedece pouco». Esta é uma das mensagens que desejo deixar-vos, a par do texto poético de Álvaro de Campos e da história de Demógenes e do seu prato de lentilhas.

Maria do Carmo Vieira

Abril 2007

Escola Pública: Balanço de actividades

Posted by Picasa
Quem aqui vem frequentemente - os tais poucos mas bons - sabem que andei algum tempo ocupada com a organização de um Encontro em Defesa da Escola Pública, do qual nunca mais vos dei satisfações. Pois aqui estou a fazê-lo hoje, apresentando-vos como justificação para a demora, a experiência pessoal que tive de que estas coisas levam tempo a organizar, depois acontecem muito rapidamente e, quando se quer depois exprimi-las por palavras, precisam de um certo tempo de amadurecimento, uma certa distanciação e novamente de mais tempo para as registar. O Encontro foi, na minha opinião, um sucesso, quer pelo número de participações (cerca de 50 pessoas), quer pela grande qualidade que tiveram as intervenções dos convidados.

Depois de reunida a Comissão para a Defesa da Escola Pública foi possível fazer um balanço do Encontro de 14 de Abril e equacionar quais os próximos passos a dar para que esta iniciativa possa vir a ter a devida continuidade.

A todos os interessados se aconselha a visita ao blog da Escola Pública, a leitura do balanço das actividades e a divulgação desta iniciativa pelos vossos contactos, o que muito agradeço em nome da Comissão.

sexta-feira, março 23, 2007

Blog em Defesa da Escola Pública - PARTICIPE... antes que seja tarde demais!

A Comissão para a Defesa da Escola Pública criou um blog que tem como primeiro objectivo recolher testemunhos de todos aqueles que estão de alguma forma envolvidos no processo educativo e se empenham a defender um ensino democrático de qualidade.

escola-publica.blogspot.com

Este blog serve de apoio a uma iniciativa organizada por esta Comissão: realizar no dia 14 de Abril em Algés, no Teatro Amélia Rey Colaço, com início às 15:00h, um Encontro em Defesa da Escola Pública, aberto ao público.

Convidamos todos os cidadãos conscientes quer sejam professores, educadores, pais, alunos, auxiliares do processo educativo ou apenas cidadãos interessados em defender o direito a um ensino de qualidade que dê a todos as mesmas oportunidades a visitá-lo e a deixar nele os comentários que desejar.

Caso desejem contribuir com a vossa experiência educativa, prestar o vosso testemunho ou sugerir algum assunto a ser debatido no Encontro, podem mandar as vossas sugestões, textos ou notícias de interesse para este contacto. Caso não possam comparecer no Encontro pessoalmente, poderemos fazer chegar a sua voz a todos os participantes do Encontro e/ou aos visitantes do blog.

Toda a defesa é exercida em resposta a um ataque. Os serviços públicos estão a ser alvo de um ataque por parte do governo. Esta manobra não é original nem exclusiva do nosso governo. Por todos os países da União Europeia os mesmos ataques são feitos por meio de directivas que são para se aplicar na generalidade e para se fazer cumprir. As suas repercussões práticas são o fecho de maternidades e urgências médicas, o encerramento das escolas, a passagem subreptícia dos serviços públicos para empresas privadas, entre outras. O governo de Sócrates tem se mostrado competente a aplicá-las sem as pôr em causa, não atendendo às especificidades de um país cada vez mais empurrado para a cauda da Europa. Talvez seja o momento de repensarmos em conjunto até que ponto as políticas da União Europeia nos servem ou destroem. Todos os dias perdemos direitos conquistados. É chegada a altura de travar essa destruição. Só unidos num mesmo objectivo teremos a força suficiente para defender o que ainda resta do país de Abril.

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