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sexta-feira, março 21, 2008

A Escola dos famosos I

Hoje em dia o que está a dar é ser famoso. Ora como pode um aluno comum da Escola Pública, um entre muitos, todos em busca da fama, tornar-se famoso, ser digno da admiração dos colegas, fazer-se respeitar? Para tal ele recorrerá a todos os métodos, observando primeiro atentamente o que se passa à sua volta, quem vai às televisões, de quem se fala, quem são as figuras que geram maior polémica, quais os colunáveis. Copiando os modelos, ele começa então a dizer asneiras como os políticos, seus "actores" favoritos (Alberto João Jardim, Berlusconni, Sarkozy); a desprezar os professores ao modo do Miguel Sousa Tavares, do Emídio Rangel e da própria ministra; a mentir à descarada como um Bush, um Paulo Portas ou um Sócrates; a dar-se ares do que não se é como um Paulo Pedroso, um Albino Almeida ou um Cavaco Silva e a aproveitar a ocasião (a ocasião faz o ladrão) como uma Fátima Felgueiras, um Valentim Loureiro ou um Isaltino Morais. Reunido todo este manancial, resta-lhe encontrar um estilo próprio, de gingão mal-educado, enfiar um carapuço e não falar com ninguém para não deixar escapar entre dentes tamanha ignorância, a não ser para dizer asneiras. O telemóvel é-lhe um objecto indispensável pois só por aí se poderá expressar dando erros deliberados, filmando cenas porcas, usando e abusando da calculadora e escondendo a sua pobreza franciscana atrás da marca e do visual.
Os professores destes meninos tendem a culpar os pais e nunca todo o sistema da sociedade. Chamam-lhes destruturados, referindo-se à falta de estruturas da família. E não se apercebem que eles próprios estão destruturados, fragilizados por esse mesmo sistema que preferem ignorar.
Senhores professores: para quando uma aula que nos venha elucidar que tudo isto não passam de efeitos? Quando veremos esta classe de gente informada, mostrando que é realmente informada, lúcida e consciente, apontar o dedo às verdadeiras causas do caos em que se vem tornando a educação?

terça-feira, janeiro 29, 2008

Jornalismo de Pacotilha! Ou Imaginário Floribellista?


«QUANDO SER RICO É PIOR QUE POBRE»

Ferreira Fernandes (DN)

«Encontraram Heath Ledger (o actor do filme O Segredo de Brokeback Mountain) inanimado no seu apartamento, em Nova Iorque. A porteira telefonou para uma amiga dele, em Los Angeles. Distância entre Nova Iorque e Los Angeles: 4 mil kms. A actriz, por sua vez, telefonou para uns seguranças de Nova Iorque. Já vamos em 8 mil kms. Eu sei que os telefonemas atravessam quilómetros rapidamente, mas entre esses telefonemas algum tempo se perdeu: a ambulância do 911 (o correspondente americano do nosso 112) chegou depois dos seguranças. O que levou estes a terem aviso antecipado, em detrimento da saúde de um homem em agonia, encerra um drama que não é das pessoas comuns. Mas é das pessoas famosas. Elas, ao lado de badalados privilégios, têm este contra: para lutar contra a curiosidade que os cerca, esquece-se, por vezes, o essencial. Qualquer pobre diabo seria mais rapidamente socorrido que o famoso actor. Há aqui uma qualquer lição que me escapa, mas há.»


Este senhor, Ferreira Fernandes deve ser fã da Floribella, a julgar pelo título do seu edificante comentário.

E não deve viver em Portugal, senão não tirava conclusões abstrusas: “qualquer pobre diabo seria mais rapidamente socorrido que o famoso actor”. Tem-se visto a rapidez com que os “pobres diabos” do nosso país têm sido assistidos!

Além disso ele categoriza o pagode em “famosos” e “pobres diabos”, ou seja, a seu ver, quem não é famoso é um pobre diabo!

No final ainda tira esta coelhada do chapéu: Há aqui (no seu artigo) uma qualquer lição que me (lhe) escapa, mas há”. Ai há? Qual será essa lição, a da miserabilista letra da Floribella?:

Pobres dos ricos que tanto têm
Mas pra que serve tanto dinheiro?

Não tenho nada e tenho tenho tudo
Sou rico em sonhos e pobre pobre em ouro


Ou será a simplista: mais vale ser um pobre diabo morto por não ter sido socorrido a tempo, (o que seria compreensível pois não tem onde cair morto), do que um famoso rico morto por não ter sido socorrido a tempo (o que é inadmissível, então um gajo é rico e morre como os outros?)! Caramba, que génio, que capacidade de raciocínio, que escrita!!! E chama a isto o DN um artigo de "Opinião". Realmente os jornais já não podem mais baixar de nível!

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