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quarta-feira, janeiro 23, 2008
Espantástico Cavaco!
No dia em que fez dois anos na presidência da república, Cavaco Silva em visita à cozinha conventual do Mosteiro de Arouca, onde estavam expostas doçarias e produtos tradicionais da região, disse a sua primeira graçola: «E, então, a ASAE ainda não veio cá?» - perguntou a múmia num esgar jocosinho, que só teve piada pela referência óbvia e não pela graça da sua majestade. Por todos os meios de comunicação fez-se passar a mensagem de que o presidente senhor Silva é querido de todos. Não ouvi qualquer referência a vozes discordantes nem a vaias. E no entanto elas existiram. Cavaco foi hoje vaiado e eu se lá estivesse também o teria vaiado, que é o mínimo que posso fazer. Ouvi-o hoje nos noticiários a auto-elogiar a sua clarividência visionária, qualquer coisa como: eu não vos tinha avisado que vinham aí tempos difíceis para os trabalhadores? (no discurso natalácio) Estão a ver as bolsas em queda? A crise mundial? Eu sabia que os tempos não iam ser fáceis, eu avisei-vos de que só com muito trabalhinho, porreirinho da silva, e com "as políticas correctas..." (sabemos ao que se refere: as pessoas continuarem a apertar o cinto!). Já repararam que quando as bolsas andam em alta, ninguém vem dizer que se vai distribuir o milho pelos pardais. E no entanto, nessas alturas, uns poucos enriquecem instantaneamente; mas quando as bolsas estão em queda e anda tudo ó tio, ó tio, logo aparecem estes senhores, estes vates mumificados, a dizer que todos temos que pagar a crise; o que, logo a seguir, se há-de sentir nos bolsos cada vez mais vazios da populaça (e agora cada vez mais nos da classe média, que se devia passar a chamar "classe merdia"). Senhor presidente, nós sabemos que já sabia disto tudo. Aliás tudo isto faz parte de um programa que tem o objectivo de enriquecer poucos com o dinheiro de todos nós. Por isso, para si, aqui vai o meu assobio em protesto para dois anos do mais completo cinismo e pobreza franciscana ao nível das ideias!
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terça-feira, setembro 25, 2007
Ideias atrozes na terra dos Bonifácios
Silêncio! O baile dos mortos
Vai agora começar!
Das tumbas surgem gigantes
Para o tremendo valsar...
Já soberbos se agitaram
Gênios que outrora habitaram
Neste mundo como nós;
Por seus cabelos poeirentos
Os vermes passeiam lentos
- Requintado adorno atroz!... -
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