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quarta-feira, maio 07, 2008

Há sempre alguém que resiste. Há sempre alguém que diz NÃO!


Pedido de demissão entregue ao Presidente da
Assembleia do Agrupamento Vertical de Escolas de Azeitão

Vai para três anos que, culminando um processo
democrático amplamente participado, tomou posse este
Conselho Executivo.
Assumimos, então, o compromisso de 'cumprir com
lealdade' as funções que nos eram confiadas, funções
que decorriam de um quadro legislativo bem diverso do
actual.
Neste exercício, democratizámos as relações
inter-pares, gerámos expectativas e esperanças,
fomentámos a iniciativa e a criatividade, quisemos
aprofundar a
relação pedagógica, libertando os professores de
tarefas menores, para benefício dos alunos.
Respeitando as pessoas e dignificando a Escola.
Porém, as regras mudaram a meio do jogo. É agora bem
diferente enquadramento legal que regula a nossa
acção.
Uma incontinência legislativa inexplicável minou e
desvirtuou os compromissos que assumíramos: não nos
propusemos asfixiar os professores em tarefas
burocráticas sem sentido, alheias ao objecto da sua
missão; não nos propusemos fragilizar o estatuto dos
profissionais da educação; não nos propusemos
submergir os docentes em relatórios, planos,
projectos, registos, sem que daí resultassem vantagens
ou benefícios para os alunos; nem nos propusemos
liquidar o espaço de participação democrática na
escola.
Com a actual publicação do Dec. Lei nº 75/2008
suprime-se tudo o que de
dinâmico, criativo e participado existia na gestão das
escolas.
A opção por um órgão unipessoal - o director, a sua
selecção num colégio eleitoral restrito, as nomeações
dos responsáveis pelos cargos de gestão intermédia
pelo director, são medidas que não têm em conta os
princípios de uma gestão assente na separação de
poderes entre os vários órgãos. Este diploma potencia
riscos de autocracia e não reconhece o primado da
pedagogia e do científico face ao administrativo.
Encerra uma lógica economicista e empresarial adversa
à verdadeira missão da escola.
Não valoriza nem reconhece a diversidade de opiniões e
a consequente construção de consensos como motores
privilegiados da mudança e da promoção de uma escola
de qualidade.
Não permite que a instituição escolar se constitua
como um espaço privilegiado de experiências de
cidadania.
Em suma, passados 34 anos sobre o 25 de Abril, o
modelo democrático de gestão chegou ao fim.
E aos órgãos democraticamente eleitos, convertidos em
comissão liquidatária, é 'encomendada' a tarefa de,
negando a sua própria
natureza, abrirem caminho a um ciclo de autoridade não
sufragada, de centralismo, e até de
governamentalização da vida das escolas.
Por considerar que o novo modelo de gestão atenta
contra valores e princípios que sempre defendi, e por
não querer associar-me à sua implementação, eu, Maria
Leonor Caldeira Duarte, apresento o pedido de
demissão do cargo de Vice-presidente do Conselho
Executivo do Agrupamento Vertical de Escolas de
Azeitão.

Com os melhores cumprimentos


Azeitão, 28 de Abril de 2008


Maria Leonor Duarte

sábado, março 22, 2008

Novo modelo de gestão, algures, num futuro demasiado próximo...

Gabinete da senhora Directora do Agrupamento de Escolas de Piafino
(ex-presidenta do CE)

(Com um dos tentáculos pegando num telemóvel)
- Sim, senhora ministra, com certeza que está tudo a andar, senhora ministra.
(Com outro tentáculo prime uma campainha chamando a esfregona sua adjunta)
TRIMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM
Ouve-se soar a campainha na porta do lado. Logo aparece uma professora de lenço ao pescoço batendo à porta antes de entrar.
- Posso, senhora directora?
- (ainda ao telefone) Também desejo uma boa Páscoa, senhora ministra, e pode ficar descansada que por aqui vai tudo de vento em popa. Estimo as melhoras do seu caniche.
- (Desligando) Ó fulana de tal vê lá se já vieram todas para darmos início à reunião. Temos que ter estas coisas todas a funcionar quando os delinquen..., digo, os alunos voltarem de férias! Ah, anota aí uma ideia que eu tive para eu levar à próxima reunião com a senhora ministra: esta coisa dos miúdos irem de férias na Páscoa é para acabar. Vamos propôr que fiquem na escola a fazer a limpeza das matas por causa de os sensibilizar para os incêndios do Verão, o nosso espaço está uma selva, temos que aproveitar, assim poupamos dinheiro no jardineiro e a nossa escola será melhor avaliada do que nunca.
- A professora de música não pode vir hoje, telefonou a dizer que está de cama por ter ido desentupir o algeroz da sala 23. Diz que tem uma forte dor na bacia e que vai ao hospital.
- Essa é uma lerda... quando for a avaliação é que ela vai ver como lhe doem...
Com outro tentáculo procura desesperadamente na mala uma barrita energética mas, sem êxito, atira com outro tentáculo um murro bem assente na secretária.
- Rai's parta a isto, agora como vou ter genica suficiente para convencer toda a gente que está a avaliar por baixo e que é preciso avaliar por cima: aqui a avalição dos alunos tem que ser exemplar, preciso de números que encham o olho do Ministério. Não venha lá aquele poltrão do Braga dizer que fez o que podia e que o insucesso das turmas já está nos mínimos. Vais ter que me ajudar a convencê-lo que é melhor para ele que desça o insucesso das turmas em pelo menos mais 10% do que ele traz. Esse tipo é sempre o mesmo, tem a mania que é professor, o professorzeco, que nem titular é! Já convocaste as bestas dos pais para as reuniões com os directores de turma? Lá temos nós que gramar essa cambada aqui dentro da escola a meter o nariz em tudo!
- Acalma-te, olha, queres que te humedessa os tentáculos? Costumas ficar mais relaxada.
- Não! Mas podes deitar-te no chão para eu passar. E fico contente que te tenhas hoje vestido de vermelho pois é um dia importante! Marche prá reunião!



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