Mostrar mensagens com a etiqueta Clara Ferreira Alves. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Clara Ferreira Alves. Mostrar todas as mensagens

domingo, dezembro 30, 2007

Parafraseando...

"Os deputados da Assembleia da República estão abaixo de cão"
(Clara Ferreira Alves n' "O Eixo do Mal", 30/12/2007)
Um livro recomendável
aos fumadores convictos e aos deputados da Assembleia da República!

domingo, setembro 02, 2007

Que bactéria transgena os convidados de "O Eixo do Mal"?

Estive à bocado a ver “O Eixo do Mal” e confirmei as minhas suspeitas. Há para ali betinhos naquele programa que nunca mais acabam. E vêm de férias todos assumidos que é um gosto ver. A Clarabela da intelectualidade lá voltou ela a destacar-se da ralé com aquela mania, mais tara que mania, que ela é que sabe, recordando-me o tempo em que o Scolari fazia lembrar o palhaço Batatinha quando dizia “faz o que o mister manda. Eu é que sei!”. Fala-se em qualquer assunto e ela não perde a oportunidade de dizer que duvida muito que alguém no nosso país saiba o que é milho transgénico. Só ela é que sabe, ela é que é a sumidade do nosso país. Será também engenheira?
Quanto ao Luís Pedro Nunes, o assumido betinho de direita, compreendeu-se hoje por que usa todo aquele perfume que a Clara referiu e que já se adivinhava, o gel, o ar de metrossexual convencido… Tudo para escapar ao cheiro a suor que o levou a trabalhar obstinadamente enquanto o povo passava férias, só para chegar ali agora e gaguejar belas deduções afincadamente elaboradas a partir das notícias do, diz ele “Verão mais quente (em termos de notícias) desde o Verão quente de Santana Lopes”. Extraordinário! E eu que passei o Verão todo a dizer aos meus botões que os gajos da Sic Notícias estavam tão desesperados sem notícias que ao fim dos primeiros dez minutos de telejornal já estavam a falar da telenovela da bola! A realidade é mesmo muito relativa! Mas também o senhor andou a espiolhar tudo o que era blog e comentário para nos atirar como aquelas flores fazendo-se assim passar também por supra-sumo como a Clarinha. Esta ficou logo histérica de ver o seu amigo a dar tanta relevância aos blogs, essa coisa abominável que ela tanto despreza, até quis mandá-lo calar.
Chegada a vez do José Júdice, esse sim desde sempre assumido betinho da linha, claro que o assunto lhe agradava, mais que não fosse para chamar pestilentos e malcheirosos aos activistas do “Verde Eufémia”, fazendo grande alarido e coro de gemidos de mão no nariz com a Clarabela que não suporta esses “hare kristnas”, essas miúdas de saia indiana, essas camisolas de lã do peru que todos podem hoje comprar nas feiras graças à globalização lançar cada vez mais todos esses povos na miséria e no desespero da emigração. O que preocupa esses dois é que essa gente que fede se possa alguma vez atrever em mandar molho de tomate nos seus coiros (ai que vontade!).
Entretanto o blogger Daniel teve que engolir aqueles ataques todos e fazer o seu papel de embrulho do Bloco de Esquerda assumindo a posição de também condenar veementemente a atitude daqueles activistas que, segundo ele, papagaio louro do Bloco, fizeram as coisas muito mal feitas. Não disse o quê mas suponho que deviam primeiro ter batido à porta da quinta do milho e pedir licença para entrar na propriedade privada e convencer com belos discursos, ao modo beato do Louçã, o proprietário, dizendo-lhe como o milho transgénico faz muito mal à saúde e aconselhando-o a plantar couves biológicas em seu lugar ou a fazer lá um acampamento turístico para os hare kristnas bem cheirosos do Bloco de Esquerda.

Mas se não chupas o programa, para que é que o vês?, perguntam vocês com toda a razão. É porque me agrada o formato do programa. Porque gosto de ver que nesta falta de Democracia ainda há lugar na televisão para as pessoas falarem umas com as outras, discutirem opiniões diferentes, contestarem-se, mostrarem os seus pontos de vista. O problema está nos convidados e no desequilíbrio social e ideológico que por lá se encontra. É que não há lá uma única alma para defender os pontos de vista das pessoas que não são betas nem de direita: ali são quase todos de direita e são mesmo todos betinhos. Ou seja, é mais um programa de aparências do que de essências: Embora pretenda ser um programa de livre opinião, discussão e expressão de ideias, com pretensões críticas, acaba por descambar num bando de betos a mandar umas bocas e a dar-se por muito inteligentes e bem pensantes, com tudo a pender para a direita e a piscar os olhinhos uns aos outros do alto da sua cumplicidade beta. Este programa há muito que saiu dos eixos!

domingo, fevereiro 25, 2007

The happy few social status - Clara Ferreira Alves no seu melhor!

Ignore-se o povo porque nós vivemos muito acima dele. Nós somos seres iluminados e clarividentes. As nossas preocupações são muito mais grandiosas e realistas, regem-se e orientam-se por um Deus Milhão, todo poderoso. Sou uma rapariga material que vive num mundo material. Para que quero eu saber do povo paupérrimo, essa classe tão manifestamente insignificante, se o dinheiro é tudo o que importa?

Li este fim de semana, numa daquelas cartas de leitores do Expresso, um elogio rasgadíssimo à inteligência de Clara Ferreira Alves. Acabei agora de assistir ao Eixo do Mal e lá estava ela a defender acerrimamente que a OPA da Sonae, onde está o dinheirinho, como ela disse, é muito mais importante do que o encerramento das urgências médicas pelo país fora. Referiu que manifestações de trinta e tal pessoas não eram nada, que não era ali que se resolviam os problemas do país mas sim nos centros de decisão da União Europeia. Esta grande conclusão não deixa de ser verdadeira, do ponto de vista de uma dama burguesa, uma bisca, neste caso, que nunca deve ter precisado de pôr os pés numa urgência estatal. Das tais que noutros tempos, se quisesse fazer um aborto, iria não a Badajoz, porque mesmo aí era demasiado rasca para ela, mas para Londres ou para uma dessas capitais europeias onde ela se não está, já esteve. Esta senhora, não concebe a importância que estas pequenas coisas têm para as populações, para a populaça, até lhe ficaria mal discutir isso. Para ela são tudo coisas muito comezinhas, não é a resistência do povo que lhe interessa, não é a sua revolta por perder as poucas conquistas que ainda mantinha, o direito à saúde pública, o direito à educação... Para ela nada disto é importante, o que decide os destinos do país é onde está o pilim que nos irá sustentar mais tarde a segurança social, a saúde, a educação. O nosso ganha-pão futuro está pois em lhes prestar vassalagem, em lhes conceder toda a importância e em desprezar totalmente a vontade popular. Altos voos, portanto o desta grandessíssima burguesa, para quem a Nação deixou de ser importante, que se verga assim às forças do poder do pilim. Para gente desta o país já morreu, o povo cheira mal e, de resto, tudo se centra na sua brilhante pessoa, de horizontes mais largos, tudo se considera a partir do seu umbigo, o que acha realmente importante e o que não é digno de importância . A sua visão dos problemas produz-se através de umas palas tão abertas para os lados, que a jumenta se obstina em não considerar os problemas dos que estão ali a protestar no seu país, debaixo dos seus olhos. Esses são apenas o povo a quem ela não reconhece qualquer protagonismo significativo. Esta pedaça de asna, como outros hoje em dia, entrou em velocidade de cruzeiro, está muito além destes pequenos contratempos aqui no burgo onde nos vão acabando como direito à saúde pública, com a educação, com todas as conquistas com que nos íamos ainda afirmando como nação que tinha já alcançado um certo desenvolvimento de protecção social. Ela não pode enxergar que cada vez que essas comunidades perdem alguma dessas conquistas, sentem-se naturalmente lesadas, expropriadas. Ela não pode ter esse espírito de comunidade porque ela é um ser superior a tudo isso. Ela, a sua opinião, é a bandeira do individualismo bem sucedido e bem nutrido que não se pode jamais colocar na pele de um povo a perder todos os dias os seus direitos, nem pode levar a sério a sua luta e a sua revolta. Para ela o povo é uma ficção enquanto o pilim é uma realidade. Esta casta de intelectualóides ajudam a suster a destruição das nações que os imperialismos, pela via da globalização, estão a operar. Enquanto alardoarem que os nossos problemas se resolvem é nos píncaros da UE e não na rua com os cidadãos, estão a conformar-se e a confortar-se com essa realidade, enquanto menosprezam e desconsideram o poder popular. Que democracia defende esta gente? Uma pilimcracia? Que ideia têm da nação? A que povo pertencem?

A nação já não serve para servir a comunidade. O Estado prepara-se sim para sacar a propriedade que era de todos, passando esta a ser propriedade privada de uma empresa que, mesmo estatal, não deixa de ter a sua filosofia empresarial detentora dos bens que eram da comunidade. O encerramento de urgências e escolas é uma expropriação dissimulada da propriedade colectiva, que servia a todos e que o Estado vai convertendo em propriedade de empresas. É do conhecimento geral que uma empresa tem a função última de produzir lucro. A sua finalidade não será mais servir a comunidade, mas sim produzir lucro e, se um dia essas empresas estatais não cumprirem o objectivo do lucro, quem impedirá o governo de as vender a privados? Quando isso acontecer – e os acontecimentos agora sucedem-se muito rapidamente como nas novelas – , as pessoas do estatuto sócio-económico desta comentadora de serviço, continuarão a pagar do seu bolso os seus bons médicos e as suas boas escolas. E nem sequer darão grande importância a serem um cada vez menor número de happy few no meio de tanto povo descontente. Para elas esse status é um dado adquirido, uma questão de classe. Eles são especiais, têm um olho para constatar que o poder decisivo está nos detentores do pilim e a cegueira dessa maioria, de que não fazem parte, não os afecta nem um pouco porque eles são os iluminados e não se confundem com a ralé. É desta matéria que se constrói o que alguns consideram a grande inteligência das suas opiniões. E digam lá se isto não é cada vez mais uma luta de classes?


Blog Widget by LinkWithin