domingo, dezembro 30, 2007
domingo, setembro 02, 2007
Que bactéria transgena os convidados de "O Eixo do Mal"?
Estive à bocado a ver “O Eixo do Mal” e confirmei as minhas suspeitas. Há para ali betinhos naquele programa que nunca mais acabam. E vêm de férias todos assumidos que é um gosto ver. A Clarabela da intelectualidade lá voltou ela a destacar-se da ralé com aquela mania, mais tara que mania, que ela é que sabe, recordando-me o tempo em que o Scolari fazia lembrar o palhaço Batatinha quando dizia “faz o que o mister manda. Eu é que sei!”. Fala-se em qualquer assunto e ela não perde a oportunidade de dizer que duvida muito que alguém no nosso país saiba o que é milho transgénico. Só ela é que sabe, ela é que é a sumidade do nosso país. Será também engenheira?Quanto ao Luís Pedro Nunes, o assumido betinho de direita, compreendeu-se hoje por que usa todo aquele perfume que a Clara referiu e que já se adivinhava, o gel, o ar de metrossexual convencido… Tudo para escapar ao cheiro a suor que o levou a trabalhar obstinadamente enquanto o povo passava férias, só para chegar ali agora e gaguejar belas deduções afincadamente elaboradas a partir das notícias do, diz ele “Verão mais quente (em termos de notícias) desde o Verão quente de Santana Lopes”. Extraordinário! E eu que passei o Verão todo a dizer aos meus botões que os gajos da Sic Notícias estavam tão desesperados sem notícias que ao fim dos primeiros dez minutos de telejornal já estavam a falar da telenovela da bola! A realidade é mesmo muito relativa! Mas também o senhor andou a espiolhar tudo o que era blog e comentário para nos atirar como aquelas flores fazendo-se assim passar também por supra-sumo como a Clarinha. Esta ficou logo histérica de ver o seu amigo a dar tanta relevância aos blogs, essa coisa abominável que ela tanto despreza, até quis mandá-lo calar.
Entretanto o blogger Daniel teve que engolir aqueles ataques todos e fazer o seu papel de embrulho do Bloco de Esquerda assumindo a posição de também condenar veementemente a atitude daqueles activistas que, segundo ele, papagaio louro do Bloco, fizeram as coisas muito mal feitas. Não disse o quê mas suponho que deviam primeiro ter batido à porta da quinta do milho e pedir licença para entrar na propriedade privada e convencer com belos discursos, ao modo beato do Louçã, o proprietário, dizendo-lhe como o milho transgénico faz muito mal à saúde e aconselhando-o a plantar couves biológicas em seu lugar ou a fazer lá um acampamento turístico para os hare kristnas bem cheirosos do Bloco de Esquerda.
Mas se não chupas o programa, para que é que o vês?, perguntam vocês com toda a razão. É porque me agrada o formato do programa. Porque gosto de ver que nesta falta de Democracia ainda há lugar na televisão para as pessoas falarem umas com as outras, discutirem opiniões diferentes, contestarem-se, mostrarem os seus pontos de vista. O problema está nos convidados e no desequilíbrio social e ideológico que por lá se encontra. É que não há lá uma única alma para defender os pontos de vista das pessoas que não são betas nem de direita: ali são quase todos de direita e são mesmo todos betinhos. Ou seja, é mais um programa de aparências do que de essências: Embora pretenda ser um programa de livre opinião, discussão e expressão de ideias, com pretensões críticas, acaba por descambar num bando de betos a mandar umas bocas e a dar-se por muito inteligentes e bem pensantes, com tudo a pender para a direita e a piscar os olhinhos uns aos outros do alto da sua cumplicidade beta. Este programa há muito que saiu dos eixos!
domingo, fevereiro 25, 2007
The happy few social status - Clara Ferreira Alves no seu melhor!
Ignore-se o povo porque nós vivemos muito acima dele. Nós somos seres iluminados e clarividentes. As nossas preocupações são muito mais grandiosas e realistas, regem-se e orientam-se por um Deus Milhão, todo poderoso. Sou uma rapariga material que vive num mundo material. Para que quero eu saber do povo paupérrimo, essa classe tão manifestamente insignificante, se o dinheiro é tudo o que importa?A nação já não serve para servir a comunidade. O Estado prepara-se sim para sacar a propriedade que era de todos, passando esta a ser propriedade privada de uma empresa que, mesmo estatal, não deixa de ter a sua filosofia empresarial detentora dos bens que eram da comunidade. O encerramento de urgências e escolas é uma expropriação dissimulada da propriedade colectiva, que servia a todos e que o Estado vai convertendo em propriedade de empresas. É do conhecimento geral que uma empresa tem a função última de produzir lucro. A sua finalidade não será mais servir a comunidade, mas sim produzir lucro e, se um dia essas empresas estatais não cumprirem o objectivo do lucro, quem impedirá o governo de as vender a privados? Quando isso acontecer – e os acontecimentos agora sucedem-se muito rapidamente como nas novelas – , as pessoas do estatuto sócio-económico desta comentadora de serviço, continuarão a pagar do seu bolso os seus bons médicos e as suas boas escolas. E nem sequer darão grande importância a serem um cada vez menor número de happy few no meio de tanto povo descontente. Para elas esse status é um dado adquirido, uma questão de classe. Eles são especiais, têm um olho para constatar que o poder decisivo está nos detentores do pilim e a cegueira dessa maioria, de que não fazem parte, não os afecta nem um pouco porque eles são os iluminados e não se confundem com a ralé. É desta matéria que se constrói o que alguns consideram a grande inteligência das suas opiniões. E digam lá se isto não é cada vez mais uma luta de classes?








