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quarta-feira, setembro 30, 2009

Parece que vão suspender os objectivos individuais!

PARIS, França — O secretário-geral da CGT, um dos principais sindicatos franceses, Bernard Thibault, criticou nesta terça-feira a exigência de metas "inalcançáveis" a que estão submetidos os trabalhadores na France Telecom, onde 24 funcionários cometeram suicídio nos últimos meses.

"O que está em evidência na France Telecom, como em muitas empresas, é a forma como se relaciona o trabalho e o funcionário, ao qual se pedem objetivos cada vez mais inalcançáveis", declarou Thibault à imprensa francesa.

"Outra pesada tendência dos últimos anos consiste em individualizar as situações no trabalho e os objetivos, o que faz com que o trabalhador fique cada vez mais sozinho", criticou o sindicalista.

Na segunda-feira, mais um funcionário da gigante francesa das telecomunicações cometeu suicídio, elevando a 24 o número de trabalhadores da empresa que se mataram desde fevereiro de 2008.

O funcionário de 51 anos, que trabalhava em uma central telefônica em Annecy (leste da França), se jogou de um viaduto e explicou em uma carta para a esposa que a atitude era consequência do "ambiente" em seu trabalho.

segunda-feira, maio 11, 2009

Rap da Globalização

Globalização



Nenhum sistema político é eterno
Nenhum é totalmente justo...é efémero
A cada dia que passa estamos mais longe
do capitalismo consumismo e imperialismo
cada dia que passa estamos mais longe
da desigualdade fome e tristeza
a cada dia que passa estamos mais perto
doutra coisa melhor de certeza
o capitalismo incita destrutivismo
o culto ao dinheiro poder fama e egoísmo
culto à porcaria ou festas de civismo
à corrupção para ter sucesso e dinamismo
campanhas de solidariedade para ter mediatismo
culto à ignorância para ter o monopolismo
que é dado pelos media com o todo cinismo
Agora expliquem-me como é que
no meio de tanta pluralidade de tanta cultura
de tanta identidade de tanta amargura
de tanta diferença económica de tanta diferença metódica
no meio de tanta e principalmente diferença social
querem globalizar tudo a uma escala Mundial?
Com globalização os países não se ajudam
aproximam-se para sugar e ver quanto facturam
A globalização é uma desunião disfarçada de união
onde somente o mais forte ganha vantagem
e o mais fraco é simplesmente deixado na margem
obrigando a ter falta de originalidade
fazer tudo o que o mais forte faz e sem capacidade
para pensar e agir em conformidade
com os seus interesses e do seu povo
que é sujeito a importar tudo o k é internacional
esquecendo se que o melhor e mais seguro é NACIONAL
perde-se assim autenticidade e patriotismo
ganha se falta de capacidade de pensar e consumismo
A globalização tem sido um avanço!
assim é nos apresentada
se um avanço e sermos todos iguais quero um recuo
e se não vier um recuo eu não vou ser mais um recluso
desta globalização que tem eliminado línguas
massacrado culturas atrasando a verdadeira meta
imposto uma única visão do mundo como correcta
Será que vou andar na rua e ver
pessoas a lutar para sobreviver
vitimas deste sistema que não tolera diferença
gera pobreza, massificaçao e alienação
ao império que nos leva à destruição




para ampliar carregue no cartoon

sábado, dezembro 20, 2008

Antes fosse uma paranóia colectiva como O Segredo

http://www.europa-america.pt/product_info.php?products_id=5600

"O Clube Bilderberg"
________________________________________
O livro "Toda a Verdade Sobre o Clube Bilderberg" de Daniel Estulin foi lançado no passado dia 27 de Novembro pela editora Europa-América, numa edição actualizada, mais completa e muito diferente da anterior, com referências ao Caso Casa Pia e a políticos portugueses ligados ao Bilderberg. Para mais detalhes visite: http://www.europa-america.pt/product...oducts_id=5600 [Ler Mais]
l
Re: Livro "O Clube Bilderberg"
________________________________________
Eu li que em 2008 a reunião de Bilderberg contou com participação de Rui Rio e António Costa presidentes da câmara do Porto e de Lisboa respectivamente e ambos membros de partidos do centrão que se revezam no poder.

Provavelmente vamos vê-los como líderes do PS e do PSD envolvidos em vôos mais altos estejam atentos ao seu percurso político.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Os subprimes avançavam...

Image Hosted by ImageShack.us

Imagem daqui



(recebido por mail)

Queres aprender o que é subprime?


Não corresponde exactamente à verdade, mas está bem aproximado....

Para quem ainda não percebeu o que é (era) o Subprime, para quem não entendeu ou não sabe bem o que é ou gerou a crise americana, segue um breve relato económico para leigo entender...

O Ti Manel tem um bar em Vila Carrapato, e decide que vai vender uns tintóis "apontados na caderneta" aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose do tintol (a diferença é o sobre preço que os "borrachões" pagam pelo crédito).

O gerente do banco do Ti Manel, um ousado administrador formado com um qualquer "Émebiei", decide que os caderninhos das dívidas do bar constituem, afinal, um activo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o calote dos bebedolas como garantia.

Uns seis executivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, FCP, OVNI, SOS ou qualquer outro anacrónico financeiro que ninguém sabe exactamente o que quer dizer, mas que parece ser coisa muito sofisticada.

Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na Bolsa, cujo lastro inicial todos desconhecem (os tais caderninhos do Ti Manel).

Esses derivativos são negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados financeiros de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do Ti Manel vai à falência.

E toda a cadeia se lixou...

Como viram... é muito simples...

terça-feira, setembro 09, 2008

Reflexões na ressaca da Festa do Avante

Posted by Picasa
Festa do Avante 2008


Diz uma amiga de longa data que quem já por lá andou acaba por lá voltar. Eu tendo a concordar com ela porque faço parte dos que sempre voltam à Festa do Avante. Em absoluto não temo conotações políticas. Sou de esquerda, desde que ganhei consciência sempre fui e isso basta-me. Tal como alguns têm a sua própria concepção de divino eu tenho a minha própria concepção da esquerda e essa já se tornou num princípio, já ninguém ma tira. Estou do lado do que me parece justo e verdadeiro. Com muito cuidado para não me deixar levar pelas aparências. E isto porque a esquerda não é linear. Não há só uma esquerda, há muitas tendências de esquerda que enveredaram por formar partidos políticos diversos. Ora o triunfo da esquerda sobre o sistema capitalista depende da unidade de todas as vozes contra esse poderoso inimigo do bem estar dos povos. Quanto mais a esquerda se dividir, mais o capitalismo se fortalece. Já houve um tempo em que o capitalismo era próspero, na medida em que investia e produzia, gerava emprego e não desemprego, apesar de sempre ter sido explorador da força de trabalho, desvalorizando-o face aos meios de produção e graças à invenção do seu direito à propriedade privada. Mas hoje o capitalismo produz em excesso e consome em excesso, apropriando-se e destruindo indiscriminada e irracionalmente todos os recursos. O capital financeiro que nada produz senão lucros e prejuízos; a ambição desenfreada do lucro rápido e desmedido obtido através da desvalorização do trabalho e do despedimento em massa, são hoje estratégias desesperadas que minam as sociedades. Guerras, fomes, catástrofes ambientais são hoje consequências do desregramento e do egoísmo de muitos séculos de sistema feudal e gestão irracional. A "globalização" veio instituir o capitalismo como o modelo vencedor mas a realidade mundial desmente a sua eficácia em gerir racionalmente o planeta.
Quanto ao socialismo ainda está por cumprir mas a falência da actual ordem mundial exige a mudança de rumo. Ou queremos continuar a esgotar o planeta e oferecer de mão beijada os recursos que permitem a sobrevivência da Humanidade ou nos unimos e lutamos por uma nova ordem mundial capaz de os repartir com mais justiça e equidade.




quarta-feira, maio 21, 2008

Tão simples como isso, amigo Ferroadas...

«Com a esperada "crise" nos cereais, as cabeças pensantes já têm solução para a possível falta de pão, fazem-no com farinha de batata. Que mundo este, onde os homens não conseguem solução para acabar com a fome, e, no fundo, é tão fácil, basta acabar com o capitalismo e mudar o sistema político, económico e social, de um neo-liberalismo burguês e fascizoide, para uma sociedade igualitária, socialista e revolucionária.»

Ferroadas

quinta-feira, maio 01, 2008

Catástrofe (anti)natural da Globalização


Cartoon by Khalil Bendib

«Ramo após ramo, profissão após profissão, uma revolução convulsiona o mundo do trabalho, no qual quase ninguém será poupado. É em vão que políticos e economistas procuram ainda substitutos para os empregos de fato-macaco que vão sendo extintos na construção de navios da Vulkan, nos estaleiros de aviões da Dasa ou nas linhas de montagem da Volkswagen. O medo de perder o posto de trabalho há muito que penetrou nas salas dos empregados de escritório e alcançou os sectores que, até aqui, eram os mais seguros da economia. Os empregos de uma vida inteira tornaram-se biscates, e quem ainda ontem tinha uma profissão de futuro pode ver agora as suas capacidades transformadas em saber inútil.

Não se vislumbra o fim da crise do emprego. Muito pelo contrário: após avaliação dos levantamentos por parte do Banco Mundial da OCDE, do McKinsey Global Institute, do Grupo de Pesquisa dos Líderes do Mercado Mundial para o Aconselhamento de Empresas, assim como de numerosos ramos de serviços e de relatórios de negócios, os autores deste livro chegam à conclusão de que nos próximos anos adicionais 15 milhões de trabalhadores e funcionários da União Europeia irão temer pelos seus empregos a tempo inteiro, quase o dobro do que no Verão de 1996 já estavam inscritos no fundo de desemprego.

Os beneficiários da economia sem fronteiras gostam de explicar a crise como se fosse uma espécie de processo natural. «A competição na aldeia global é como uma grande cheia:ninguém lhe consegue escapar», profetizou em 1993 o então director da Daimler-Benz Edward Reuter. Após três anos e a extinção de um milhão de postos de trabalho, Heinrich von Pierer, timoneiro do grupo Siemens, repete a mesma mensagem com as mesmas palavras: «O vento da competição transformou-se numa tempestade e o verdadeiro furacão está para chegar.» A integração da economia para além de todas as fronteiras não é, de forma alguma, determinada por um progresso técnico linear que irrompe e ao qual não há qualquer alternativa. Ela é, sim, o resultado de uma política governamental conduzida conscientemente durante décadas pelas nações ocidentais industrializadas, à qual se dá continuidade até aos dias de hoje.»


(excertos de A Lei dos Lobos, in A Armadilha da Globalização - O Assalto à Democracia e ao Bem-Estar Social, Hans-Peter Martin e Harald Schumann, Alemanha, 1996, Terramar)

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Estamos a beber o leite que o diabo mugiu

Hoje estou verdadeiramente irada com as notícias acerca do aumento do leite (+ 15 cêntimos!). Esta revolta não é tanto pelo aumento (embora seja escandaloso) mas mais pelas causas. Aqui há anos, quando ainda se falava de CEE, lembro-me perfeitamente de ter achado um crime estarem a exigir que déssemos cabo da nossa produção nacional de leite (principalmente nos Açores), para cumprirmos as quotas leiteiras. Já na altura era mais que evidente que essa medida espatafúrdia e perigosa para a nossa economia, era um atentado à produção nacional e tinha o sinistro objectivo de acabar com o que é nosso para nos tornar dependentes do leite estrangeiro. Aliás, metodicamente, foi o que a CEE ou UE fez e tem feito em relação a tudo o que nos assegurava alguma independência nacional; aliás, a destruição é hoje apanágio do capitalismo global que em vez de produtivo é essencialmente destrutivo, alimentando-se das grandes transacções fantasma do capital financeiro. Agora eis os resultados: o que era tido como "excesso de produção", é agora apontado como "produção insuficiente". São pois evidentes as consequências das políticas económicas a que nos obriga a União Europeia, sempre em nome das leis da globalização. A União Europeia, que sempre tem sido apontada como única solução, revela-se a causa primeira do descalabro a que chegámos. A nossa nação, que já de si tinha parcos recursos, tem sido desde então metodicamente desmantelada nas suas forças produtivas. Tornámo-nos entretanto um dos países mais dependentes das importações e por isso somos tidos como um bom parceiro económico que destrói o que tem de produtivo para passar a ser mais um cliente dependente dos produtos dos países europeus, as mais das vezes de pior qualidade. E o que mais me custa é que sejam os nossos dirigentes a pactuar e a abrir portas a esta destruição. De Mário Soares a Sócrates, todos têm sido co-autores desta afronta à nação, bando de anti-patriótas vendidos e sem-vergonha. Vão todos mamar na burra!

quarta-feira, outubro 24, 2007

segunda-feira, junho 11, 2007

Anti-globalização

Hamburgo, manifestação antiglobalização de 28 de Maio de 2007

Cada vez há mais as manifestações contra a actual forma como o mundo está organizado. Cada vez essas manifestações são mais reprimidas, afastadas dos alvos que visam atingir, minoradas pelos meios de difusão de notícias.
Uma manifestação de protesto contra a globalização, uma série de manifestações a cada passo do G8, um protesto, uma greve, uma opinião diferente, tudo pouco relevante para quem cabe a tarefa de informar, de dar conta das várias partes implicadas. Por que são os países mais ricos a decidir questões que deviam ser defendidas pela ONU?
As notícias sobre esse tipo de reacção contra o sistema vigente, passam despercebidas no meio de outras mais mediatizadas ou nem sequer passam. Não fossem os blogs e notícias dessas morreriam à nascença. Esta é uma função que me parece ser importante que os blogs assumam a seu cargo: não deixar branquear a notícia, não deixar que ela caia no esquecimento. Sei que há notícias que nem se chegam a saber. Outras que fazem uma breve passagem e depois desaparecem mesmo da Net. Certas notícias deviam ser guardadas, constituir arquivo vivo, continuarem a servir de advertência, serem medidas com as consequências que desencadeiam. Quase todos os dias recebo e subscrevo petições já subscritas por milhares de cidadãos de todo o mundo que dão o seu nome por uma acção, pela defesa de uma causa. Mas não há notícias que dêem conta desse descontentamento.
Os descontentes sentem-se isolados, têm receio de expressar a sua opinião; julgo até que há gente que acerta uma opinião pouco firme para exibir em sociedade e que conserva para si a sua opinião mais radical. Hoje em dia muitas pessoas vivem formatadas para se conformar ao estado das coisas. Quer isto dizer que vivem conformadas com a pior das realidades, assumem a forma em que se encontra o mundo ou o seu país como uma contingência, uma tautologia conformada: a realidade é a realidade é a realidade é a realidade e não saem disto. É preciso dizer às pessoas que elas não estão sós, que o seu desespero não é autista, é bem real, e que existe um sentimento generalizado de que o mundo não está a ir no bom caminho.
Descontentes de todos os países, uni-vos numa só voz para dizer "não" à globalização enquanto esta for sinónimo de um desenfreado capitalismo internacional predador e causador de toda a destruição.



terça-feira, maio 08, 2007

Desempregados e precários, uni-vos!

Hoje li no Diário de Notícias que a CGTP diz que, em Portugal, 41,8% do total dos activos são precários e desempregados. Vamos supor que os números não andam muito longe da realidade. Há muito tempo que defendo que o desemprego e a precaridade são um calcanhar de Aquiles para o capitalismo global. A meu ver há-de ser por aí que este sistema económico deplorável há-de estoirar. Como pode uma economia estar de boa saúde se desperdiça tanta força de trabalho? Tantos meios humanos, tanta capacidade de produção. Os desempregados e os precários já não são hoje os que não querem trabalhar, nem um bando de delinquentes e diletantes que não se querem integrar no mundo do trabalho, embora ainda se possam vir a tornar em coisas piores. Não. Hoje em dia passar a ser desempregado ou a precário é um risco que todos os que se julgam seguros no seu emprego correm. E a juventude actual já nasceu, na sua maioria, precária e desempregada. Não tarda muito, eles vão estar em maioria.
Eu, por exemplo faço parte do número de licenciados desempregados. Sou representante da primeira leva de jovens que, na sua sede de liberdade do pós-25 de Abril, desde muito cedo sonhou poder alcançar a independência financeira dos familiares, sem sucesso. Comecei a trabalhar aos 17 anos numa gelataria amiga para conseguir algum dinheiro para os meus gastos (concertos, etc, etc.); já antes me tinha fartado de ir vender coisas de que não precisava para a Feira da Ladra, com o mesmo objectivo. Depois, aos 18, trabalhei pela primeira vez com contrato de trabalho, numa empresa de roupas da moda. Lá desempenhei tarefas de todo o tipo, desde trabalho de fiel de armazém, à contabilidade; aprendi a usar o computador, arquivava os documentos, fazia contactos telefónicos, trabalho de escritório, e no armazém despachava as encomendas para as lojas. Recebia mercadoria, conferia-a. Isto sempre à medida que estudava - e nunca chumbei nenhum ano, só andei descontente a saltitar de área vocacional em área vocacional. Trabalhei num centro comercial -- e nem me quero lembrar pois foi a minha pior experiência profissional: exploração e mau viver, fardas e chefes de loja ordinários, um nojo. Desisti. Mais tarde trabalhei numa editora de livros durante vários anos, sempre precariamente, fazendo um pouco de tudo, desde a correspondência, os contactos com os autores, as revisões dos textos, a contabilidade no computador... mas recebendo mediante uma categoria profissional inferior, mais mal paga. Todo esse tempo em que trabalhei nunca consegui tornar-me independente, daí se pode imaginar o ordenado. Felizmente sempre tive a família a apoiar-me. Entrei então para a faculdade e resolvi dedicar-me por inteiro aos estudos. Claro que isso só durou um ano; no segundo ano já não tinha ilusões daquela instituição, voltei a trabalhar numa livraria de centro comercial enquanto ia estudando. Nunca passei nenhum ano sem fazer algumas cadeiras e uns quantos cadeirões. Era uma trabalho compatível pois tinha a possibilidade de ler e estar a par das novidades. Num belo dia seguinte ao jantar de confraternização do dono da loja com as empregadas, onde se brindou ao futuro do negócio, nesse belo dia seguinte, a loja de manhã já estava trespassada; no jantar, ninguém teve a coragem de dizer nada, brindou-se. Na altura morava num quarto alugado, tinha finalmente saído de casa dos familiares e só tive uma solução: voltar a depender de toda a gente para poder continuar a viver. Quanto mais independente procurava ser mais dependente me tornava. Voltei mais tarde à tal editora, desta vez com recibos verdes, sempre a ganhar mal, sempre a levar o curso para a frente. Fui morar para os Açores. Lá, dei aulas dois anos, a ganhar mal, por não ter o curso acabado tinha apenas habilitação suficiente. Quando fiquei grávida descobri que se continuasse a trabalhar entregaria o meu ordenado para alguém tomar conta dos meus filhos. Desisti de trabalhar e decidi ser então eu a cuidar deles. Só o pude fazer porque sempre tive muita sorte de ter pessoas a ajudar-me mas ainda durante alguns anos não me sentia bem sempre que alguém com emprego me fazia sentir que não me esforçava o bastante para arranjar um emprego. Voltei com uma idade que me exclui automaticamente de todos os trabalhos para menores de 35 anos, a considerada "idade jovem limite". Não me encontro dentro do prazo de validade para os estágios para os jovens; agora oferecem-me as novas oportunidades -- para continuar quantos mais anos a estudar? Com que certeza de me darem depois um emprego digno?
Nunca parei realmente de trabalhar, não estou de férias prolongadas, passo todo o dia a correr de um lado para o outro para segurar as pontas. O que é certo é que não me poupo ao trabalho, pelo contrário, estou sempre a meter-me em trabalhos. Não me considero por isso uma pessoa preguiçosa, nem dondoca, nem parasita, nem burra. Antes pelo contrário, aprendi a lidar perfeitamente com esse estigma que a sociedade sempre procura lançar nas mulheres que não se envolveram no mundo do trabalho, que não decidiram pôr o emprego no primeiro plano das suas vidas, que não escolheram a felicidade suprema de se promover profissionalmente. Sou uma feminista que acha que as mulheres só perderam em ir trabalhar fora de casa; julgam que se emanciparam mas são apenas mais carne para canhão com que o sistema capitalista se alimenta e só vieram desvalorizar o mercado de trabalho pois, pelas leis da oferta e da procura, quanto maior a oferta de trabalho mais o seu preço se desvaloriza. O mesmo papel têm os precários hoje em dia. Dantes vivia-se remediadamente com o ordenado de um; agora não se vive com o ordenado dos dois, tem que se ir buscar mais fora dos ordenados. A propaganda bancária acena com molhos de notas, aliciando enquanto a publicidade incita ao consumo. Ser verdadeiramente livre é poder ir consumir também aos Domingos à tarde, nos hipermercados. Esse é o programa familiar que os grupos económicos promovem para si e para a sua família. Esse é o emprego que eles criam para oferecer aos teus filhos.
Em casa não há ninguém que se dedique aos filhos, à casa, à confecção de uma refeição digna e saudável, à gestão da economia doméstica. Daí a decadência da estrutura familiar e da educação das crianças, completamente desprezada e relegada para a exclusiva responsabilidade da Escola. As pessoas, as famílias, estão destruturadas e dizem que não têm tempo para nada. As pessoas estão precárias, infelizes e desesperadas. Talvez a Humanidade esteja a ficar bipolar (maníaco-depressiva) e ora se encontra endividada e desesperada, ora consome desenfredamente nos breves momentos do auge da euforia própria da depressão.
Acredito que vem aí uma geração de jovens precários e desempregados, uma "waste generation" que vai ter que exigir à sociedade o seu direito ao trabalho. Essa massa já começa a organizar-se. O Mayday parece-me uma boa ideia; se ganhar adeptos e se a nova geração entender que não pode aceitar qualquer biscate mal pago por que isso não só não irá resolver o seu futuro como irá prejudicar a luta dos que acreditam que os direitos do trabalho são para manter; se entenderem a tempo que a sua condição de precários não pode durar eternamente; se não aceitarem como um fado a sua condição de desempregados; se ousarem unir-se e se organizar. Em breve os desperdiçados do sistema vão ser muitos, vão dar muito nas vistas. Se não quiserem permanecer desempregados; se não quiserem permanecer precários. Não sei como é que o capitalismo global pretende gerir esta massa de gente descontente que se está a gerar. Nem ele.
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