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segunda-feira, maio 04, 2009

Continuamos impávidos a ver desmantelar a nação

«Apesar da diversidade na metodologia e bases de dados utilizadas, a evidência empírica disponível para os Estados Unidos tem concluído que os trabalhadores norte-americanos geralmente experimentam reduzidos períodos de desemprego, mas substanciais e persistentes reduções nos salários, na ordem dos 10-25%. Para a Europa, a evidência empírica não é assim tão clara. Alguns estudos têm concluído pela existência de elevadas perdas salariais, enquanto que outros concluem o contrário. Num ponto, contudo, estes estudos parecem estar em sintonia. Trabalhadores despedidos que experimentaram períodos de duração do desemprego mais alargados são os mais afectados, em termos salariais, pelo fenómeno do despedimento.» (ler mais)


Tautologia existencial dos conformados e dos realistas: uma flor é uma flor, uma acentuada perda salarial é uma acentuada perda salarial. Tudo se aceita tal como é, até o desemprego porque é essa a realidade que nos oferecem como perspectiva. Já nem sequer se consegue pensar que o Estado podia pagar os salários das empresas em dificuldade em vez de pagar os subsídios de desemprego dessa gente toda. Para a opinião pública o cenário de desemprego sob o fantasma da crise, tornou-se uma inevitabilidade. As pessoas não vêm que a destruição do sector produtivo não pode gerar mais riqueza, nem solucionar a crise?

Na sociedade nossa contemporânea, o que é, é. Haverá concepção mais materialista? A dialéctica entre o que é e o seu contrário (veja-se supra-citação) não pode resultar numa verdade absoluta. Entre duas afirmações opostas, uma há-de ser verdadeira e a outra falsa. Toma-se como verdadeira a existência de ambas as premissas: A União Europeia é e não é a melhor coisa que nos aconteceu. Considerá-la um mal necessário: eis mais uma conformação ao sistema. Há quem se limite pois a constatar essa realidade, de uma forma meramente analítica, sem vontade de mudança. Ser e não ser não é uma questão que se ponha. Ser ou não ser, eis a questão.


Este modelo europeu baseado na manutenção do sistema capitalista não pressupõe qualquer possibilidade de poder ser diferente do que é. Por isso se acumula erro sobre erro na direcção errada, achando que pior seria voltar atrás e remediar o erro. Caminha-se direito ao abismo, coniventes em levar o capitalismo às últimas consequências, como uma inevitabilidade. Não é bom para todos mas é excelente para os que se alimentam das crises geradoras da nossa precariedade. E aqueles que deviam estar defendendo os interesses dos trabalhadores, amenizam as lutas para segurar o sistema e, enquanto massivamente cidadãos perdem o direito ao trabalho, as suas organizações não fazem senão recorrer aos esquemas da caridade da igreja católica, deixando o governo continuar a dar cartas à banca e aos negócios ilícitos e corruptos.Tudo isto alimenta a falta de perspectivas desta sociedade que se conforma.

Mas olhem à vossa volta: nós estamos mesmo caminhando para o abismo. Quanto mais deixarmos desmantelar e destruir as estruturas da nação, mais difícil será depois reconstruir. Já alguém pensou que em breve a destruição das nações será de tal ordem que bastará as de economias mais fortes dizerem que não podem mais partilhar a Europa connosco? Que cada um siga o seu caminho como antes que os dinheiros europeus já não chegam para todos e nós já com tudo destruído pela aplicação das directivas, pelo cumprimento da agenda, pela colocação em prática das leis absurdas.

Ficamos nós sem os empregos, sem as fábricas e sem os serviços públicos, sem o poder de garantir os bens essenciais porque já nada disso é nosso: a aranha do sistema lançou a sua teia. A mosca somos nós todos.


E porque já vem sendo destruído desde os tempos da CEE. Então mais um motivo para não deixarmos essa bomba estoirar nas mãos dos nossos filhos e resolvermos logo o assunto. Não queremos esta "união", não queremos viver na corda bamba sem a perspectiva de um futuro melhor. Queremos começar já a construir uma verdadeira união de nações livres e cooperantes. Não queremos que decidam por nós nem que nos imponham o cumprimento de leis que nos prejudicam e nos destroem.

sábado, agosto 23, 2008

Só é pena não ser por uma questão de consciência...

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Famílias cortam consumo pela primeira vez em 5 anos

Há uma diferença entre ser consumista e ver a possibilidade do consumo estagnada. As famílias portuguesas só refrearam o consumo por necessidade, não por escolha própria e consciente. Elas pararam de consumir tanto não porque de repente se tivessem apercebido que estavam a consumir demasiado e que o planeta não aguentaria o seu ritmo de consumo. Para muitas famílias portuguesas já não se trata de consumismo, trata-se da necessidade de refrear o consumo de bens essenciais cuja aquisição lhes começa a ser pesada. Que belo indicador do estado da nossa economia! Mas certamente algum farsola virá ainda assim nos convencer que isso é uma coisa boa, que os portugueses estejam criando mais consciência e refreando o seu consumo, como sendo um sinal de maturidade da nossa democracia.
Sócrates confessou a Chávez, ou Chávez combinou que seria ele a ventilar a ideia de que a nossa economia está estagnada. Tal como a água parada que fede nos pântanos, estagnada. Que faladinha terá sido essa entre Sócrates e Chávez? Com que objectivos aparece assim a confidência ventilada pelos media a mando de Bilderbergs? Para matar dois coelhos de uma cajadada? Chumbando a governação de Sócrates, taxando Chávez como um incómodo indiscreto que protagoniza a revelação de uma realidade que todos conhecemos?



quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Coaching the train

Hoje conheci uma profissão que até agora me era totalmente desconhecida. Chama-se coaching e curiosamente parece que está outra vez na moda, até mesmo cá em Portugal. O nome deve ter-se mantido por cá em inglês pela polissemia que o vocábulo transporta consigo (coach é simultaneamente “carruagem” – de um comboio – e “treinador”). Estes significados ligados a uma profissão podem soar bem estranhos, mas, obviamente existe uma explicação. O profissional de “coaching” entrevistado explicou que as suas funções são basicamente ouvir e fazer perguntas, nunca falar e muito menos dar respostas, isso já faz parte de outros pelouros. É uma espécie de psicólogo com conhecimentos de economia e de investimento. Como uma carruagem que apenas faz parte de um todo, ele ocupa um lugar intermédio entre quem tem dinheiro e não sabe exactamente o que lhe fazer, mas quer saber, e quem tem dinheiro mas está disposto a fazer ainda muito mais dinheiro. Pelo que entendi, o coaching não lhe diz claramente como investir o seu dinheiro da melhor maneira. Ele apenas se limita a estudar muito bem a sua psicologia e a perceber que tipo de pessoa realmente é e qual a sua atitude em relação a todo esse dinheiro que subitamente tem nas mãos. Depois, ao que parece faz-lhe um acompanhamento cerrado passando à fase das perguntas tipo: deseja investir o seu dinheiro na bolsa ou na banca? Donde se conclui que passa a ser um dado adquirido que você quer realmente investir o seu dinheiro. A pessoa que está na posse desse enorme capital disponível, sente ter o magnífico poder da escolha. Sente que a sua vontade impera. Ele é o dono do dinheiro, ele escolhe onde o investir. O coaching não lhe faz sombra, você continua convencido que é você quem manda no seu dinheiro. O coaching é uma espécie de treinador pessoal que, ao lhe fazer perguntas de escolha provavelmente pouco múltipla, o obriga a pensar, treinando assim a sua mente investidora que, com todo esse dinheiro, só pensa em formas depravadas de com esse dinheiro gerar mais dinheiro. Experiente, conhecedor dos mercados mas fingindo-se pouco agressivo, o coatching funciona como um orientador desinteressado, ou melhor, que o procura convencer que ele só está interessado e empenhado no sucesso do investidor e nada mais. O bom coaching é aquele que fica feliz com os seus sucessos, ou seja, o dinheiro de uns é a felicidade de outros que vivem como moscardos à volta dos que têm tanto dinheiro que não sabem o que lhe fazer. Pelo que eu entendi, ou me foi dado entender pela versão da entrevista com este coaching, ele não diz ao investidor exactamente o que ele há-de fazer com o dinheiro, ele faz, como o Sócrates filósofo, apenas perguntas que, suponho que da mesma forma socrática, levam o investidor a julgar que é ele quem chega às conclusões, o que requer um grande treino e muita lábia inquisitiva. Suponho também eu que, além de trabalharem para o investidor nessa espécie de aconselhamento psicológico de pendor economicista, muito provavelmente trabalham para várias instituições bancárias, companhias de seguro, empresas à cata de investidores, etc, que depois do investimento feito o devem compensar pelos bons serviços prestados, talvez receba a sua maquia no negócio. A mim parece-me que estamos em presença de mais uma nova casta de mamões de várias tetas, uma profissão que nasceu nos EUA (de que outra puta podia ter nascido?) e que agora volta a estar em grande revlevo aqui em Portugal, país falido mas florescente em novos-riquismos, concentrações de capitais e lavagens de dinheiro. Temos operariado!
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