"Todo indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão."
«Acredite, também tenho os meus momentos de angústia e também tenho os meus momentos em que não durmo a pensar nisso e sei bem o que isto significa em todo o mundo. O desemprego cresce em Portugal como cresce em todo o lado e o nosso dever é combater isso», salientou José Sócrates. “Vamos vencer esta crise tal como vencemos outras no passado».
Ana Gomes espera abertura no Congresso do PS para ouvir vozes criticas
No congresso do PS, Ana Gomes espera que haja abertura para ouvir vozes criticas e ainda que considere que nesta altura é muito importante obter uma convergência de pontos de vista, confessa sentir-se cada vez mais próxima do primeiro-ministro, José Sócrates.
A socialista Ana Gomes mantém o espírito crítico e noutras circunstâncias talvez tivesse contribuído para redigir uma moção política alternativa, mas a crise exige a todos um esforço de convergência.
Ana Gomes que não vai, portanto, levar nenhuma moção ao Congresso do PS, confessa cinco anos depois que está muito próxima de Sócrates.
«Isso resulta da avaliação positiva que faço globalmente da acção do Governo e das qualidades que vi o primeiro-ministro José Sócrates ter e das competências que vi crescer ao longo destes anos de governação», considera.
A Ana Gomes é conhecida por ter uma postura crítica e exigente mas o seu medo de perder o emprego de deputada na união europeia é tão grande que não lhe resta senão pôr-se publicamente de cócoras diante do primeiro-ministro e passar-lhe a mão pelo pêlo. São posturas que se assumem nesta vida e é preciso não esquecer as contingências da crise. Segundo a própria, “a crise exige a todos um esforço de convergência.” Por isso Ana Gomes não hesita em convergir e promete ficar quieta, deixar a sua postura crítica e exigente de lado, não apresentar moções e deixar passar, que é o mesmo que se deixar ir. Diz que “está (agora) muito próxima de Sócrates” (note-se que não é uma questão de sentir que Sócrates cada vez se aproxima mais dos seus pontos de vista e das coisas que diz defender)…! Não! Ela é que deixou as suas convicções de parte, fintou os seus princípios e prefere seguir o líder e defender a organização incondicionalmente, leia-se defender o seu tacho ou fazer-se ao piso para outro ainda melhor. É o que todos da sua laia estão a fazer neste momento.
Eis a deixa para chegar mesmo ao elogio e à bajulação: “avaliação positiva global da acção do governo”! “as qualidades que vi o senhor primeiro-ministro José Sócrates ter e das competências que (lhe viu) crescer”!
Avaliação positiva, Ana Gomes? O modo como o país está a responder à crise é disso exemplo: como avaliarão este governo todos os desempregados deste país?
Qualidades do primeiro-ministro? – ser mentiroso compulsivo, e teimoso, e arrogante, e peixeira, e puta ofendida, e tratante, e falsário, e ter esperteza saloia, e ser fingido, e ser vaidoso, e ser convencido e ser vendido e falso à nação.
Competências sim: de ministro do ambiente a engenheiro de sanitários com diploma reconhecido pela Universidade Independente, isso sim, todos as vimos crescer e também às falcatruas.
Desemprego mundial pode chegar aos 51 milhões em 2009
As previsões sobre o número de desempregados que a Organização Internacional do Trabalho divulgou esta quarta-feira são "preocupantes" e mostram que é preciso agir para combater o desemprego, disse à Lusa Arménio Carlos da Comissão Executiva da CGTP.
A OIT divulgou um relatório em que diz que a crise económica mundial poderá fazer aumentar o desemprego até 51 milhões de pessoas em todo o mundo "se a situação continuar a deteriorar-se", para um total 230 milhões.
A taxa de desemprego mundial deve subir para os 7,1 por cento, no pior cenário, valor que na União Europeia e nas economias avançadas se pode agravar para os 7,9 por cento, segundo a OIT.
Arménio Carlos considera que estes números "são preocupantes e constatam um problema que decorre da crise capitalista" em que o mundo está mergulhado.
Lembrando que "não basta constatar", o responsável da GGTP argumentou que perante o problema do desemprego "é preciso agir".
São necessárias "mudanças políticas" que resolvam os problemas estruturais das economias (o do investimento no sector produtivo, no caso português), segundo Arménio Carlos, e "medidas urgentes" para combater os baixos salários e o trabalho precário.
O sindicalista afirmou ainda que o problema nas economias mundiais e na portuguesa "não é na legislação laboral", pelo que "se justifica a retirada da proposta de revisão laboral" tanto do sector público como privado, já que ela vem fragilizar ainda mais a relação laboral do lado do trabalhador.
Sarkozy, Merkel e Blair apresentam idéias para salvar o capitalismo
PARIS (AFP) — O presidente francês, Nicolas Sarkozy, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair, apresentaram nesta quinta-feira em Paris propostas para salvar o capitalismo, questionado pela crise, em uma reunião convocada sob o lema "Novo mundo, novo capitalismo".
No discurso inaugural do encontro,Merkel lançou a idéia de criar um "conselho econômico mundial" do mesmo tipo do Conselho de Segurança da ONU.
"É possível que junto ao Conselho de Segurança tenhamos também um Conselho Econômico com um papel diferente do ECOSOC", o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, que coordena políticas nestas áreas entre as agências da ONU.
Merkel também propôs redigir uma Carta Mundial para uma economia sustentável a longo prazo, no modelo da Carta da ONU sobre os direitos humanos.
Além disso, destacou que, embora os países afectados pela crise, inclusive a Alemanha, estejam acumulando montanhas de dívidas com seus planos de incentivo, esta é a única possibilidade de lutar contra as consequências da tempestade nos mercados e na economia.
Sarkozy declarou que a crise do capitalismo financeiro determinou a necessidade de o Estado assumir plenamente seu papel e suas responsabilidades.
"Eis aqui o Estado encarando em plenitude seu papel e suas responsabilidades", disse Sarkozy, advertindo que não se trata de nacionalizar toda a economia mundial, nem de criar um capitalismo de Estado.
"Trata-se de equilibrar os respectivos papéis, o do Estado e o do mercado", destacou, insistindo que "no capitalismo do século XXI há um lugar para o Estado".
Criticando implicitamente a especulação, o presidente francês destacou seu ponto de vista sobre o que deve voltar a ser o capitalismo: "um capitalismo de empresários que o Estado deve animar, impulsionar".
"Mas por falta de regulamentação do sistema, ela não deve ser substituída por um excesso de regras", advertiu.
Insistindo sobre a necessidade de reformas, descartou as alternativas ao sistema capitalista e afirmou que o "anticapitalismo é um labirinto sem saída, é a negação de tudo o que permitiu criar a idéia de progresso".
"Deve-se moralizar o capitalismo e não destruí-lo. Não temos que romper com o capitalismo, precisamos voltar a fundá-lo", continuou Sarkozy.
O ex-primeiro-ministro britânico defendeu um "governo" mundial para regular o sistema financeiro diante da crise internacional, em declarações a uma rádio pouco antes do evento.
Blair criticou severamente as normas das atuais estruturas econômicas internacionais, em particular o G7, considerando-as "absurdas".
"Temos instituições internacionais de meados do século XX dirigindo um mundo do século XXI", explicou Blair, que pediu maior participação dos países emergentes, como China, Índia e Brasil, nestas instituições, além de representantes da África e do Oriente Médio.
O presidente do Banco Central Europeu (BCE) Jean-Claude Trichet, o diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy, o ministro indiano de Comércio Kamal Nath e o ministro italiano de Economia, Giulio Tremonti, estão também entre os participantes.
Crise chega aos «Reis da pornografia» Querem apoio financeiro do Congresso para reanimar apetite sexual dos americanos
Dois dos reis da indústria pornográfica norte-americana, incluindo o fundador da revista Hustler Larry Flynt, pediram esta quarta-feira um apoio de cinco mil milhões de dólares para a indústria, informa a Lusa.
Larry Flynt, fundador da revista Hustler, juntou-se a Joe Francis, «pai» da série de filmes «Girls Gone Wild», para escreverem ao Congresso norte-americano a pedirem um plano de resgate similar ao desejado pelas três maiores empresas da indústria automóvel dos Estados Unidos.
Segundo estes dois empresários, a justificação deste pedido está no facto de a pornografia representar um volume de negócios anual de 13 mil milhões de dólares (cerca de 9,5 mil milhões de euros) nos Estados Unidos
«O Congresso parece querer ajudar as nossas empresas mais importantes e nós acreditamos que merecemos a mesma atenção», afirmou Joe Francis, recentemente preso durante quase um ano devido a uma acusação de prostituição.
Face à actual crise económica, «as pessoas estão demasiado deprimidas para serem sexualmente activas», acrescenta Larry Flynt.
«É muito mau para a saúde do país. Os americanos podem ficar sem carros mas não sem sexo», comentou, apelando ao Congresso para «reanimar o apetite sexual dos americanos».
Para os dois empresários da indústria pornográfica, apesar da indústria não correr o risco de falir, não há razão para correr riscos.
É urgente constituir um Governo que decrete a renacionalização da Banca
para a criação de emprego e um plano de urgência para salvar o país!
A recente injecção massiva de dólares e de euros, para procurar evitar o colapso dos bancos de investimento americanos, não foi bastante para parar a crise.
Assiste-se a uma crise económica generalizada, atingindo todos os sectores, a começar pela indústria, e em todos os países.
O mundo inteiro vê-se precipitado, por um sistema capitalista falido, numa crise de consequências incalculáveis para milhões de seres humanos.
«A situação na Europa é pior do que nos Estados Unidos», afirma o jornal inglês FinantialTimes, de 2 de Outubro, que prossegue: «A Europa continental está na via de uma recessão ainda mais profunda do que a dos EUA».
E não é este o resultado da política da União Europeia, que – por exemplo, só nos últimos 15 dias – injectou nos circuitos financeiros 931 mil milhões de euros?
No nosso país, estão à vista as consequências da política de subserviência do governo de Sócrates, bem como dos governos dos últimos 22 anos, às instituições da União Europeia – instrumentos da aplicação desta política de especulação desenfreada do imperialismo americano.
Impuseram-nos a destruição da produção agrícola, obrigaram-nos a importar a maior parte do peixe, destruíram-nos a indústria, retiram-nos o poder de compra com o euro, impuseram-nos um Código do Trabalho que destrói todos os nossos direitos laborais – o Código de Durão Barroso / Bagão Félix.
Podemos, naturalmente, ter opiniões diferentes a este respeito, mas fácil será de constatar – pelas organizações e militantes políticos que se reclamam da defesa dos trabalhadores e dos seus direitos – que o governo de Sócrates, ao arrepio do voto popular que expressavaa ruptura com estapolítica, não a tem senão refinado. Se o deixarem, não ficará pedra sobre pedra dos direitos sociais e democráticos arrancados com o 25 de Abril, na Saúde, na Segurança Social e na Educação.
No sector produtivo a situação é cada vez mais dramática.
Segundo dados da empresa de crédito bancário COFACE, no primeiro semestre deste ano, o número de falências de pequenas e médias empresas por mês desde foi cerca de 80, provocando um aumento brutal do número de desempregados. Além disso, encontravam-se igualmente a decorrer nos tribunais mais 475 acções de insolvência do que em igual período do ano passado.
Na região da Marinha Grande – zona de forte implantação industrial – vivem-se já momentos muito difíceis; mas, a continuação desta política e a aceleração da crise financeira, podem vir a varrer sectores inteiros das indústrias tradicionais, como o vidro, os moldes e os plásticos. No concelho contíguo de Alcobaça, o número de empresas cerâmicas, com projecção internacional, já encerradas e a ameaça que paira sobre todauma série de outras, leva a prever que a breve trecho, podemos estar confrontados nesta área a uma verdadeira zona de “terra queimada”, com as consequências que se conhecem em termos de desemprego e de degradação das condições sociais de existência da maioria da população.
O encerramento, em pouco mais de um ano, de empresas do sector de Cristalaria manual – como a Dâmaso, a Marividros, a Canividro e a Vitroibérica, atirando para o desemprego directo largas centenas de trabalhadores e levando ao fecho de pequenas oficinas de decoração e acabamentos – reduziu este sector à sua expressão mais simples, ameaçando-o de extinção.
Mas será que a continuação desta situação terá que ser inevitável, na Marinha Grande e no resto do nosso país?
O P.O.U.S. pensa que, longe de ser irremediável, a situação pode ser invertida.
O P.O.U.S. dirige-se a todos os Partidos políticos que se reclamam da defesa dos direitos dos trabalhadores, a todos os Sindicatos: É necessário pormo-nos de acordo sobre UM PLANO DE URGÊNCIA PARA SALVAR O PAÍS!
- Um plano que em vez de entregar biliões de Euros aos mesmos especuladores, estipule a renacionalização do sector bancário, como aconteceu a seguir ao 25 de Abril.
Foi assim que, nessa época, foi possível evitar – com a ajuda do Sindicato dos Bancários e das C.Ts. da Banca – a fuga de capitais, organizada por alguns dos mesmos grupos económicos de hoje, e com essas verbas salvar da falência milhares de empresas.
- Um plano que ponha na ordem do dia a renacionalização dos sectores estratégicos da economia, tal como foi consignado na Constituição Portuguesa de 1976.
De facto, só o controlo dos combustíveis e do sector energético, por parte do Estado, permitirá criar condições de competitividade às pequenas e médias empresas das indústrias tradicionais – como a cerâmica, o vidro ou o têxtil.
- Um plano que a partir dos passos já dados no passado, na Marinha Grande, em defesa de um preço único do gás para a Garrafaria e para a Cristalaria manual que paga actualmente cerca de 40% mais caro – torne possível reanimar o sector, consolidando as empresas existentes e permitindo eventualmente a reabertura de outras.
Só esta orientação permitirá tirar o país da crise em que está a ficar mergulhado, implicando a existência de um Governo que ponha em prática políticas de cooperação solidária com os outros povos da Europa e do resto do mundo. Tal objectivo põe na ordem do dia a ruptura com a ditadura do Banco Central Europeu – ou seja, com a União Europeia e todas as suas instituições.
Estas são as propostas que o POUS, responsavelmente, desde já avança. Outras medidas poderão e deverão ser discutidas e integradas neste Plano de urgência para salvar Portugal.
Com o objectivo de dar início a este debate e para a constituição de uma Comissão de Iniciativa para a elaboração de um Plano de Urgência para salvar o nosso país, o P.O.U.S. – que não tem interesses distintos dos do conjunto da população trabalhadora – convida as organizações e os militantes que se situam no terreno da defesa dos interesses dos trabalhadores, a participarem na
Reunião/debate, a realizar na Rua Álvaro Duarte nº 2
na MARINHA GRANDE, no sábado 18 de Outubro, pelas 16 horas.
Não corresponde exactamente à verdade, mas está bem aproximado....
Para quem ainda não percebeu o que é (era) o Subprime, para quem não entendeu ou não sabe bem o que é ou gerou a crise americana, segue um breve relato económico para leigo entender...
O Ti Manel tem um bar em Vila Carrapato, e decide que vai vender uns tintóis "apontados na caderneta" aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose do tintol (a diferença é o sobre preço que os "borrachões" pagam pelo crédito).
O gerente do banco do Ti Manel, um ousado administrador formado com um qualquer "Émebiei", decide que os caderninhos das dívidas do bar constituem, afinal, um activo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o calote dos bebedolas como garantia.
Uns seis executivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, FCP, OVNI, SOS ou qualquer outro anacrónico financeiro que ninguém sabe exactamente o que quer dizer, mas que parece ser coisa muito sofisticada.
Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na Bolsa, cujo lastro inicial todos desconhecem (os tais caderninhos do Ti Manel).
Esses derivativos são negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados financeiros de 73 países.
Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do Ti Manel vai à falência.
Em casa, limpezas de cima abaixo, tipo tirar tudo de um quarto, limpar e pôr tudo lá outra vez. Ontem tirei tudo, hoje a senhora que trabalha aqui em casa limpou e agora não consigo fazer a parte final de lá encafuar tudo o que ficou de fora. Olho o quarto quase vazio e desejo que assim continuasse. Tantas coisas que acumulamos e depois não nos conseguimos livrar delas, perseguem-nos pela vida fora como empecilhos que queremos conservar.
Tive necessidade de não o fazer hoje, apetecia-me estar aqui no computador, como quando não se pode e se tem outras coisas para fazer. O Inverno todo, e mesmo durante a Primavera, o caos foi-se instaurando aqui em casa: livros empilhados, papelada pelas cadeiras, coisas sem sentido que foram ficando por arrumar, enfim uma desorganização de todo o tamanho, pó e pelos de animais. É que as noites passadas sucessivamente no teclado traduzem-se em desordem aqui no espaço físico. E quando se olha à volta e se toma consciência disso, é que se mede as consequências.
De volta ao computador começo por ver os mails e o tempo vai passando de assunto em assunto. Há sempre coisas para fazer e o tempo nunca chega para tudo.
De repente, de um modo quase aleatório, intuitivo, resolvo arrumar com um assunto: a associação de pais entra declaradamente em férias. Durante as férias haverá no entanto muita informação a organizar, que se quer organizada.
Como bem diz uma amiga, sem organização não se faz nada.
Entretanto o Pafúncio foi-se reduzindo à sua inactividade burguesa. Está de mãos e pés atados, com a crise, resta-lhe ficar quietinho à espera que passe o mau tempo. Aquilo lá para os Estados Unidos não está nada bem. Como abana por todos os lados o grande pilar do capitalismo global… Se estoira vai chover merda em Moscovo! Como bom Pafúncio que é, de brandos costumes, o melhor é não dar muito nas vistas e, já que não pode assobiar para o lado fingindo que não é nada com ele, pelo menos não se mete em politiquices não vá isto ainda dar a volta e ele estar posicionado do lado dos vencidos. Ainda se lembra quando teve que arranjar um cravo à pressa. Quem lhe dera a ele que a política não se viesse meter com ele, que a crise não lhe fizesse resvalar o lucro para o abismo, poder sentir-se seguro, sem medo de violências, para se poder entregar aos prazeres da vida. Felizmente está quase a ir de férias, este Pafúncio, onde se poderá esquecer de todas as dificuldades e aliviar o stress acumulado. Haverá alguém que o mereça tanto como ele?
"Quem está a inflacionar a 'bolha' no mercado de petróleo? O principal culpado é o FED [banco central americano] ao reduzir a taxa de juro dos seus títulos em 325 pontos base [= 3,25 pontos percentuais] para uma taxa real negativa de -2% após ajustamento pela taxa de inflação [dos EUA] e ao expandir a oferta monetária no país em 16,5% desde há um ano atrás, num esforço desesperado para parar o declínio do sector bancário americano, que entretanto se vai afundando [por causa da crise do mercado habitacional e na sub-prime]. Ao empurrar as taxas de juro para terreno tão nitidamente negativo, o FED encoraja a especulação nos mercados de commodities e empurra também o dólar para baixo [face ao Euro, p.ex.], o que, por sua vez, está a empurrar para cima o preço em dólares das matérias primas, tais como o petróleo bruto e o ouro."
O blog Econbrowser explica tudo direitinho numa entrada de 17 de maio passado. Daí respigamos apenas a primeira parte para a traduzir para português mas aconselhamos a leitura do texto completo clicando aqui.
Aí se diz o seguinte:
"Como é que a especulação pode estar a contribuir para as mais recentes alterações dos preços do petróleo.
Uma importante tendência recente na gestão dos fundos de pensões e similares é o aumento do uso de dólares para o investimento na especulação com as matérias primas [commodities]. Talvez a forma mais simples de o fazer é comprar, digamos, um contrato de "futuro" de petróleo para Julho próximo. Se comprar esse contrato na sexta-feira terá a possibilidade de o petróleo lhe ser entregue efectivamente (...) algures em Julho a 126 USD/barril. Enquanto fundo de pensões ou similar você não quer receber, de facto, esse petróleo [pois não o vai 'consumir' efectivamente] e por isso, no início de Junho, você vai procurar vender esse contrato a alguém e usar a receita para comprar um contrato de "futuros" para Agosto. Se o preço do petróleo aumentar entretanto vai poder vender o contrato [de Julho] por mais que os 126 USD/barril que pagou por ele, obtendo assim um lucro. Assim, fazendo "rolar" desta forma os contratos de "futuros" a curto-prazo o seu "investimento" obterá um rendimento que acompanhará a tendência de evolução do preço do petróleo".
Nota final: claro que com este procedimento os fundos financeiros alimentam continuamente o processo e fazem subir cada vez mais os preços pois é a única maneira de continuarem a ganhar dinheiro --- aliás, muito dinheiro.
Todos os dias o Pafúncio é a página em branco que ouso preencher. Janela para outras janelas, porta para outras portas, vaga para outras vagas, outras ondas. Por vezes perco-me completamente, volto atrás ou deixo-me fluir. Descobertas e tormentas, cais vários onde ancoro e me deixo ficar a fruir. Ilhas, pequenas maravilhas que me vêm visitar e que revisito. Um turbilhão de mar e um vazio por vezes de não saber como dizer tudo o que é preciso dizer. Crises de tempestade. Encalhe. Naufrágio. Sobrevivo à custa de persistência de ir dizendo qualquer coisa que importe a alguém. E que essa coisa dita possa desencadear uma coisa feita.
Uma utopia é uma possibilidade que pode efectivar-se no momento em que forem removidas as circunstâncias provisórias que obstam à sua realização. (Robert Musil)
BONECAS DE ATAÚRO (TIMOR): 11/Fev, Coimbra; 12/Fev, Lisboa (embaixada Timor-Leste)
(clique na imagem para mais informações)
o Fantasma do Freeport
BUUUUU! Não há quem os prenda?
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