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terça-feira, maio 27, 2008

Poema da Maiakovski

Fiz ranger as folhas de jornal
Abrindo-lhes as pálpebras piscantes
E logo de cada fronteira distante
Subiu um cheiro de pólvora
Perseguindo-me até em casa


Nesses últimos vinte anos
Nada de novo há no rugir das tempestades
Não estamos alegres, é certo
Mas também porque razão haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado.
As ameaças e as guerras
Havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio
Cortando-as como uma quilha corta as ondas


Tradução: Emilio Carrera Guerra
(dedicado a André Freire, politólogo do jornal Público)
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