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quinta-feira, maio 14, 2009

«Lopes da Mota vai de carrinho?»


O País De Carrinho - José Mário Branco, Amélia Muge & João Afonso

Os meninos nazis

O país vai de carrinho
Vai de carrinho o país
Os falcóes das avenidas
São os meninos nazis

Blusão de cabedal preto
Sapato de bico ou bota
Barulho de escape aberto
Lá vai o menino-mota

Gosta de passeio em grupo
No
mercedes que o papá
Trouxe da Europa connosco
Até à Europa de cá

Despreza a ralé inteira
Como qualquer plutocrata
Às vezes sai para a rua
De corrente e de matraca

Se o Adolfo pudesse
Ressuscitar em Abril
Dançava
a dança macabra
Com os meninos nazis


Depois mandava-os a todos
Com treze anos ou menos
Entrar na ordem teutónica
Combater os sarracenos

Os pretos, os comunistas
Os Índios, os turcomanos
Morram todos os hirsutos!
Fiquem só os arianos !

Chame-se o Bufallo Bill
Chegue aqui o Jaime Neves
Para recordar Wiriamu,
Mocumbura e Marracuene

Que a cruz gamada reclama
e novo o Grão-Capitão
Só os meninos nazis
Podem levar o pendão

Mas não se esquecam do tacho
Que o papá vos garantiu
Ao fazer voto perpétuo
De ir prà puta que o pariu


Ler: Lopes da Mota vai de carrinho? in Esquerda Desalinhada


sábado, agosto 02, 2008

O que faz falta...



...é continuar a obra do Zeca: topar a corja, denunciar os vampiros, avisar e animar a malta!

Parabéns Zeca!

terça-feira, dezembro 04, 2007

Para quem julga já não tanto faz


Coro dos Tribunais

(Letra de B. Brecht/adap. José Afonso/ Versão de Luís Francisco Rebello/ Música de José Afonso)

Foram-se os bandos dos chacais
Chegou a vez dos tribunais
Vão reunir o bom e o mau ladrão
Para votar sobre um caixão
Quando o inocente se abateu
Inda o morto não morreu
Quando o inocente se abateu
Inda o morto não morreu

A decisão do tribunal
É como a sombra do punhal
Vamos matar o justo que ali jaz
Para quem julga tanto faz
Já que o punhal não mata bem
A lei matemos também
Já que o punhal não mata bem
A lei matemos também

Soa o clarim soa o tambor
O morto já não sente a dor
Quando o deserto nada tem a dar
Vêm as águias almoçar
O tribunal dá de comer
Venham assassinos ver
O tribunal dá de comer
Venham assassinos ver

Se o criminoso se escondeu
Nada de novo aconteceu
A recompensa ao punho que matou
Uma fortuna a quem roubou
Guarda o teu roubo guarda-o bem
Dentro de um papel a lei

domingo, abril 22, 2007

Votem e passem a palavra

Reproduzo aqui um comentário que me pareceu bem digno de atenção. Eu já votei e há pouco já ia em 3º. lugar. Peço agora a todos que entrem no link e vão lá ver o selo da autoria do Davide da Costa e, caso achem como eu que ele dignifica José Afonso, lhe dêem a generosidade do vosso voto. Caros amigos,

"José Afonso", figura ímpar da cultura portuguesa, que trilhou, desde sempre, um percurso de coerência na recusa permanente do caminho mais fácil, da acomodação, no combate ao fascismo salazarista e pela liberdade e democracia, é tema de um selo que está em 5º lugar. Precisamos do voto de todos para que se faça um selo em sua memória e em louvor à Liberdade.
Num período de exaltação de valores salazaristas, devemos contrapor com os nossos defensores de Abril!

“Venham mais cinco!!
Traz um amigo também!”


VOTA
[aqui]

Abril, SEMPRE!!

Davide da Costa

terça-feira, março 27, 2007

Eles andarem aí ...

"Os meninos nazis", ZECA AFONSO

O país vai de carrinho

Vai de carrinho o país

Os falcões das avenidas

São os meninos nazis


Blusão de cabedal preto

Sapato de bico ou bota

Barulho de escape aberto

Lá vai o menino-mota


Gosta de passeio em grupo

No mercedes que o papá

Trouxe da Europa connosco

Até à Europa de cá


Despreza a ralé inteira

Como qualquer plutocrata

Às vezes sai para a rua

De corrente e de matraca


Se o Adolfo pudesse

Ressuscitar em Abril

Dançava a dança macabra

Com os meninos nazis


Depois mandava-os a todos

Com treze anos ou menos

Entrar na ordem teutónica

Combater os sarracenos


Os pretos, os comunistas

Os Índios, os turcomanos

Morram todos os hirsutos!

Fiquem só os arianos !


Chame-se o Bufallo Bill

Chegue aqui o Jaime Neves

Para recordar Wiriamu,

Mocumbura e Marracuene


Que a cruz gamada reclama

e novo o Grão-Capitão

Só os meninos nazis

Podem levar o pendão


Mas não se esqueçam do tacho

Que o papá vos garantiu

Ao fazer voto perpétuo

De ir prà puta que o pariu

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Homenagem a José Afonso (1929-1987...)


Zeca Afonso : Utopia

Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria

Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio

Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?
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