sexta-feira, outubro 02, 2009
Pensamentos noctívagos
segunda-feira, setembro 28, 2009
Balanço dos resultados - Legislativas/2009
Cá para mim o Socas vai armar-se em puta-velha-Soares e vai virar-se para a direita e para a esquerda conforme lhe aprouver: coisas realmente importantes para manter o sistema vira-se para a direita e eles deixam passar, amendoins como os casamentos gay vira-se para a esquerda e toca para a frente.
Se agora fossem perguntar ao Soares se o repugnava pactos de governo com o CDS/PP, ele havia de dizer que também não lhe repugnavam nada!
domingo, setembro 27, 2009
terça-feira, junho 16, 2009
Europeias/2009: que legitimidade?

Tal como se previa as eleições europeias para além de serem uma faustosa feira de vaidades e um gastar dinheiro à tripa-forra, de nada alteraram a não ser duas coisas:
A vitória e o consolidar da direita e o aumento da abstenção.
Na óptica dos iluminados de sempre se a primeira situação era esperada fruto da actual situação de crise em que vivemos, a segunda foi o desinteresse que os cidadãos têm por estas eleições.
Não é bem assim, ou melhor, não é nada disto, mais uma vez estes tipos tentam-nos atirar areia para os olhos e chamar à maioria do Povo estúpido.
Quanto a mim, a vitória da direita deve-se única e simplesmente à incapacidade desta esquerda, tão simples como isto. A esquerda ou pelo menos parte dela não foi capaz de mobilizar o Povo, dizer-lhe com honestidade e clareza as suas ideias, com propostas simples e objectivas, explicar-lhe como funciona a UE, quem decide, quem manda no quê e em quem, que papel nos cabe nas decisões, qual o caminho alternativo para esta UE que apenas serve o capitalismo e a burguesia instalada em Bruxelas, para além de tomarem decisões nas costas do povo, sempre contra ele e a favor do grande capital.
A abstenção não foi mais do que o corolário de toda a incapacidade dos partidos em dizerem-nos claramente o que pretendem. Todos eles, com raras excepções, fizeram a campanha da “caça” ao voto, dizer que a “minha galinha é melhor que a do vizinho” é a forma mais simples e ao mesmo tempo desonesta de fazer política para o Povo, pois este, ao contrário de do que muitos julgam, não é analfabeto nem parvo, muito menos estúpido e na hora e altura certas sabe dizer BASTA.
Basta de hipocrisia, de mentira, de troca-tintas, de falsos profetas, de pseudo-salvadores, de pseudo-líderes mais ou menos sabichões, etc.. A maioria do Povo da UE disse que NÃO quer esta Europa, estes líderes, estas políticas, esta economia, não quer esta gente a manobrar a seu belo prazer as suas vidas e a dos seus filhos. A maioria do Povo “disse” que a Europa dos Povos e nações independentes se faz com Ele, não nas suas costas, a Europa constrói-se com Povos Livres e independentes e não a mando de uma dúzia de tecnocratas bem falantes e anafados que vivem no mais profundo luxo em Bruxelas.
Em minha opinião foi mais uma derrota do sistema actual, deste sistema que coloca o show-off partidário em primeiro lugar em detrimento do essencial, o Povo.
# Ferroadas
in O Libertário
segunda-feira, junho 08, 2009
«Tudo o que é mau vai parar à Europa»
Nunca em outra altura me lembro de ter tido um dilema tão grande entre votar e não votar. Se não votasse seria a primeira vez que podendo fazê-lo não o faria. Já deixei de votar mas foi por estar ausente do local de voto. Mas desta vez foi uma tentação diferente: de cada vez que um demónio me dizia para ir votar, outro demónio me aparecia dizendo-me para não ir. E o pior é que dei voltas à cabeça e cheguei mesmo a estar decidida a não votar. Mas houve especialmente 3 coisas que me fizeram decidir-me a ir: uma foi um amigo libertário que me disse que ia dar o seu voto de simpatia; outra foi outro amigo deslibertário que me disse assim: "estes senhores sabem que quando apelam ao voto, na realidade o que estão a fazer é provocar abstenção: existem eleitores que exercitam o seu descontentamento fazendo o contrário daquilo que eles pedem.” Ora era tudo o que eu menos queria era acabar fazendo o jeito a senhores destes. O terceiro motivo e motivação foi que a campanha da Lista do POUS/RUE valeu realmente a pena. Foi duro andar a fazer campanha pelos nossos próprios meios, não sem sacrifício, mas no final é gratificante alguém dizer assim:
Muito Boa Tarde !
É com alegria que descobri um partido em Portugal que defende o emprego e que é contra esta União Europeia. Uma UE que ajudou a fechar as nossas empresas e deslocalizou-as para fora de Portugal.
Por este motivo e outros que li no vosso site, no domingo o meu voto será POUS. Podem contar com pelo menos um voto na Freguesia de Nossa Senhora de Fátima, concelho do Entroncamento, distrito de Santarém.»
Quem poderia ficar indiferente a este voto de esperança, vindo como um fenómeno do Entroncamento? Um voto em plena consciência dos efeitos da União Europeia, um voto com conhecimento de causa. Um voto esclarecido.
E no entanto não se fizeram bancas nem campanha no Entroncamento, porém a campanha da lista do POUS chegou ao Entroncamento e há-de ter chegado à consciência e ao reconhecimento de muito boa gente.
Estas três coisas, postas na balança, foram na verdade bem mais fortes do que os discursos ignóbeis do senhor silva que ontem quase me viraram do avesso. Cada vez que afirmava a mim própria que desta vez teria que seguir a razão e não o coração e ir lá votar naquilo que todo este tempo defendi, logo vinha um Cavaco ou um Sócrates ou mesmo os outros dos partidos todos dizendo como era importante votar. Já não vou lá, pensava eu, agora é que não me apanham. Até me fui valer do António Gedeão e da Bethânia…
Hoje fui votar. Vi um a votar em branco à minha frente, querendo mostrar para toda a gente que o voto dele era para ser visto, apesar de branco. Obrigaram-no a votar em branco escondido e só depois entregar. Mas ele queria mesmo era um voto expresso e assumido perante todos.
Os resultados em nada diluem a determinação do nosso primeiro-ministro. Apesar de todas as derrotas eleitorais desde que obteve aquela enganadora maioria.
Todos ganharam, até a Laurindinha, só o PS foi derrotado, como o povo quis. Mas ele continua a usufruir da maioria que obteve, até ao último dia do seu mandato para continuar no mesmo caminho. O PS de Sócrates se for obstinado em manter certas ministras não vai ter que penar pela vitória, quanto mais pela maioria. O quadro actual não lhe é favorável, mas ele faz como se fosse, mesmo reconhecendo a derrota.
Ganhou o PSD, o que não torna nada melhor, nem muda nada. Continua-se a manter uma absurda alternância. A direita sai fortalecida, com o reforço do CDS. O velho bloco ainda mexe e está desesperado por voltar ao poder.
Entretanto o Bloco e o PCP vão engordando, em tempos de crise, com os trabalhadores procurando alternativas e soluções para os seus problemas junto daqueles que se dizem partidos de esquerda, partidos dos trabalhadores, partidos que desejam substituir o sistema capitalista pelo socialismo. As pessoas vão querer ver os efeitos da sua intervenção.
Veremos o que uns e outros fazem com os resultados.
Já agora, como nota de rodapé:
Houve muito quem votasse no MEP, o que é talvez dos dados mais tristes sobre a falta de perspectivas políticas do nosso povo. E da sua ignorância. A União Europeia como um barco cor-de-rosa onde todos vamos de mãos dadas direitos ao abismo, mantendo-nos optimistas, todos empresários de nós próprios, todos acreditando que tudo vai melhorar com a Laurinda no Parlamento Europeu. Uma alegoria que ainda conseguiu que uns quantos embarcassem. Ma não foi desta que nos livrámos da Laurinda. Como diz uma amiga, "tudo o que é mau que vá para a União Europeia".










