
NÃO HÁ VAGAS
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás,
a luz, o telefone,
a sonegação
do leite
da carne,
do pão.
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome,
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras.
-----
Porque o poema senhores,
está fechado:
"não há vagas".
Só cabe no poema
o homem sem estômago,
a mulher de nuvens,
a fruta sem preço.
O poema senhores,
não fede,
nem cheira.
Ferreira Gullar
(página oficial)








3 comentários:
Que bom colocares aqui estes poemas fantásticos para reflexão!!!
( o meu local de trabalho não é assim tão fantástico, mas há sempre uma ilha... pequenina, pequenina, porque, de resto, o comodismo impera!!!)
Beijos. Bom fim de semana...
Um bom poema de autor para mim, até agora, desconhecido.
Uma manifestação de anti-servilismo, uma verdade chapada num poder sem rosto (que não precisa de ter pois são todos iguais)
Aproveito para te avisar(já o fiz antes por mail)que "reapareci" no CONTO LIVRE, desta vez com um anarconto.
Eu avisei-te, Kaótica amiga, a minha produção ia ser muito pequena e esparsa!
Um abraço e bom fds.
Caros amigos,
"José Afonso", figura ímpar da cultura portuguesa, que trilhou, desde sempre, um percurso de coerência na recusa permanente do caminho mais fácil, da acomodação, no combate ao fascismo salazarista e pela liberdade e democracia, é tema de um selo que está em 5º lugar. Precisamos do voto de todos para que se faça um selo em sua memória e em louvor à Liberdade.
Num período de exaltação de valores salazaristas, devemos contrapor com os nossos defensores de Abril!
“Venham mais cinco!!
Traz um amigo também!”
VOTA [aqui]
Abril, SEMPRE!!
Davide da Costa
Enviar um comentário